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“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades – as nossas subjetividades. Então vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência”. KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo . São Paulo: Companhia das Letras, 2019. No excerto, Ailton Krenak articula uma crítica que pode ser compreendida, do ponto de vista filosófico, como parte do esforço de descolonização epistêmica, pois

A questiona a ideia de que há apenas uma forma legítima de racionalidade.
B defende a universalização de valores civilizatórios como ideal ético comum.
C Reconhecer o desenvolvimento tecnológico como uma resposta definitiva aos problemas sociais e humanos.
D Analisar as diferenças conceituais entre ciência aplicada e ciência básica no contexto escolar.
E Valorizar a ciência como única forma legítima de conhecimento na contemporaneidade.

Leia a estrofe da música Admirável chip novo , da cantora baiana Pitty: Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Tenha, more, gaste, viva Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Não, senhor, sim, senhor Não, senhor, sim, senhor PITTY. Admirável chip novo . [S.l.]: Deckdisc, 2003. 1 CD (3 min 38 s), estéreo. Faixa do álbum Admirável Chip Novo . As frases no imperativo indicam

A uma ideologia oriunda dos princípios tradicionais da sociedade.
B uma coerção sofrida pelo indivíduo que pertence ao sistema.
C I, III e IV, apenas.
D I e II, apenas.
E III e IV, apenas.

O estudo das condições a priori do conhecimento foi denominado por Kant “transcendental”, que nada tem a ver com o “transcendente”, mas com aquelas condições que, de parte do sujeito, contribuem constitutivamente para a possibilidade da experiência. A demonstração da necessidade a priori para a experiência ocupou o centro da Crítica da razão pura sob o nome de “Dedução transcendental das categorias” ROHDEN, Valério. O criticismo kantiano. In : REZENDE, Antonio (Org.). Curso de Filosofia: para professores e estudantes dos cursos de ensino médio e de graduação . Rio de Janeiro: Zahar, 1986. p. 131. Com base nesse trecho, assinale a alternativa correta.

A A dedução transcendental trata da experiência sensível direta e da negação das categorias do entendimento.
B O termo “transcendental” em Kant refere-se àquilo que está além de toda e qualquer experiência possível, como a “coisa em si”.
C uma coerção deliberada e aceita pelo indivíduo dentro da sociedade.
D uma forma de agir, pensar ou se comportar de forma livre.
E um modo de pensar e agir configurado em nosso livre-arbítrio.

Sobre origem das ideias e princípios de causalidade, temos a seguinte afirmação: Partindo dessa concepção da origem das ideias e do conhecimento, Hume, o mais radical dos empiristas, chegará a negar validade universal ao princípio de causalidade e à noção de necessidade a ele associada. A causalidade não seria, assim, uma propriedade do real, mas simplesmente o resultado de nossa forma habitual de perceber fenômenos, relacionando-os como causa e efeito, a partir de sua repetição constante. MARCONDES, Danilo. O empirismo inglês. In : REZENDE, Antonio (Org.). Curso de Filosofia: para professores e estudantes dos cursos de ensino médio e de graduação . Rio de Janeiro: Zahar, 1986. p. 120-121. Avalie as afirmações abaixo e julgue se elas são Verdadeiras (V) ou Falsas (F) em relação ao que se afirma no trecho.

( ) Podemos definir uma causa como um objeto seguido de outro de tal forma que todos os objetos semelhantes ao primeiro são seguidos de objetos semelhantes ao segundo.

( ) Objetos semelhantes sempre se encontram em conexão com outros objetos semelhantes.

( ) Um objeto seguido de outro, e cuja aparição sempre conduz o pensamento à ideia desse outro objeto.

( ) A relação de causa e efeito é obtida e fundamentada racionalmente sem relação direta com a experiência A sequência correta está descrita em:

A V, V, F, F.
B V, V, V, F.
C Para Kant, o conhecimento é totalmente empírico e dispensa estruturas a priori do sujeito.
D A dedução transcendental das categorias visa mostrar como conceitos puros do entendimento são necessários para possibilitar a experiência.
E O “transcendental” em Kant é sinônimo de “transcendente” e diz respeito ao conteúdo teológico da razão pura.

No Prefácio dos “Princípios da Filosofia do Direito”, Hegel afirma que “o que é racional é real e o que é real é racional”, procurando constatar que a racionalidade do sujeito deva ser a mesma racionalidade do mundo. Tal afirmação visa, entre outras coisas, superar a dicotomia sujeito e objeto. HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Princípios da filosofia do direito . São Paulo: Martins Fontes, 2003. Da mesma forma, partindo da afirmação hegeliana, pode-se dizer que é possível superar outra dicotomia, qual seja: a separação entre mundo virtual e mundo real. Ao compreender a afirmação de Hegel, comparando com a dicotomia real x virtual, pode-se dizer que

A o mundo virtual é irracional por definição, pois não possui existência material, sendo, portanto, oposto à realidade.
B a racionalidade da experiência humana é o critério que permite integrar o mundo virtual ao mundo real, desde que ambos tenham efeitos concretos e inteligíveis.
C Para Rousseau, diferentemente de Locke, o contrato social não busca preservar a liberdade natural dos indivíduos, mas substituí-la por uma liberdade civil, fruto de um pacto coletivo.
D O conceito de liberdade, para ambos os autores, se confunde com a ausência total de restrições, o que justifica uma rejeição comum ao papel da lei na organização social.
E Ambos os autores afirmam que a desobediência civil é ilegítima, pois rompe com a estabilidade do contrato social ou com a ordem natural estabelecida.

A Filosofia é, pois, o sistema de todo o conhecimento filosófico [...]. Até então não é possível aprender qualquer filosofia; pois onde esta se encontra, quem a possui e segundo quais características se pode reconhecê-la? Só é possível aprender a filosofar, ou seja, exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os seus princípios universais em certas tentativas filosóficas já existentes [...]. KANT, Immanuel. Crítica da razão pura . 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os Pensadores). p. 407-408. A partir do excerto acima é correto afirmar que

A a filosofia deve ser ensinada como um corpo fixo de conhecimentos prontos, pois trata de verdades eternas da razão.
B a filosofia é uma ciência empírica voltada à observação do mundo natural, como qualquer outra ciência experimental.
C a frase de Hegel indica que o mundo físico e natural pode ser considerado racional, excluindo qualquer forma de realidade tecnológica ou simbólica.
D a dicotomia entre real e virtual reforça que o que é palpável pode ser compreendido racionalmente, pois é o único que possui causalidade objetiva.
E o mundo virtual não pode ser considerado parte da realidade, pois não se submete às leis naturais que regem o mundo físico e histórico.

O espanto é a disposição fundamental que nos leva ao filosofar. [...] Por isso, o filósofo é, de certa forma, um ser estranho aos outros homens: eles se integram no mundo como algo evidente e não se preocupam com ele, enquanto o filósofo rompe com a evidência do mundo e começa a questioná-lo. REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: Antiguidade e Idade Média . 5. ed. São Paulo: Paulus, 2003. p. 16 A partir do excerto, avalie as afirmações a seguir e assinale a opção correta que melhor distingue senso comum de filosofia:

A O senso comum, por estar ancorado em hábitos culturais e crenças empíricas, representa uma forma de conhecimento reflexiva e sistemática, enquanto a filosofia rejeita a mediação crítica valorizando o saber intuitivo.
B A atitude filosófica implica o rompimento com a naturalização do real operada pelo senso comum, exigindo do sujeito um distanciamento que o permita colocar em questão as bases conceituais que sustentam o cotidiano.
C F, V, V, V.
D F, F, V, V.
E F, V, V, F.

Como, além disso, [os homens] encontram, tanto em si mesmos, quanto fora de si, não poucos meios que muito contribuem para a consecução do que lhes é útil, como, por exemplo, os olhos para ver, os dentes para mastigar, os vegetais e os animais para alimentar-se, o sol para iluminar, o mar para fornecer-lhes peixe etc., eles são, assim, levados a considerar todas as coisas naturais como se fossem meios para sua própria utilidade. SPINOZA, B. de. Ética . Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013. O trecho acima expressa a posição crítica de Espinosa em relação a uma das formas de causalidade teorizadas pela tradição filosófica. Trata-se da noção de causa

A eficiente.
B material.
C final.
D formal.
E transitiva.

A ameaça dos homens não vem primeiramente das máquinas e aparelhos da técnica cujo efeito pode causar a morte. A autêntica ameaça já atacou o homem em sua essência. O domínio da armação [Gestell] ameaça com a possibilidade de que a entrada num desabrigar mais originário possa estar impedida para o homem, como também o homem poderá estar impedido de perceber o apelo de uma verdade mais originária. HEIDEGGER, M. “A questão da técnica”. Scientiae Studia , São Paulo, v. 5, n. 3, 2007. O filósofo alemão Martin Heidegger é conhecido por sua crítica à modernidade do ponto de vista ontológico. Segundo o trecho, o perigo essencial da técnica moderna é

A a alienação do homem em relação ao fruto do seu trabalho e a redução do ser à mercadoria.
B o enfraquecimento da capacidade do homem de se relacionar com o ser de forma mais autêntica.
C o progresso técnico ilimitado, que leva ao colapso das estruturas sociais tradicionais.
D o impacto destrutivo sobre os recursos naturais e o risco iminente de colapso ecológico.
E a dependência excessiva das máquinas, que prejudica a autonomia racional dos sujeitos.

O botão desaparece no desabrochar da flor, e poderia dizer-se que a flor o refuta; do mesmo modo que o fruto faz a flor parecer um falso ser-aí da planta, pondo-se como sua verdade em lugar da flor: essas formas não só se distinguem, mas também se repelem como incompatíveis entre si. Porém, ao mesmo tempo, sua natureza fluida faz delas momentos da unidade orgânica, na qual, longe de se contradizerem, todos são igualmente necessários. HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito . Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2014. O trecho acima ilustra a concepção dialética de Hegel, segundo a qual os contrários

A se anulam mutuamente, desaparecendo no movimento rumo ao fim do processo.
B são fases necessárias de um processo em que cada momento nega e conserva o anterior.
C impedem que a realidade chegue a produzir uma unidade organizada e coerente.
D apenas superficialmente se mostram incompatíveis, dado que as contradições são ilusórias.
E coexistem sem relação entre si, formando partes isoladas de uma realidade fragmentada.