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Texto associado
A borboleta que esbarra em espinhos rasga as próprias asas.
Provérbio africano
Eu nasci em Savalu, reino de Daomé, África, no ano de um mil oitocentos e dez. Portanto, tinha seis anos, quase sete, quando esta história começou. O que aconteceu antes disso não tem importância, pois a vida corria paralela ao destino. O meu nome é Kehinde porque sou uma ibêji e nasci por último. Minha irmã nasceu primeiro e por isso se chamava Taiwo. Antes tinha nascido o meu irmão Kokumo, e o nome dele significava “não morrerás mais, os deuses te segurarão". O Kokumo era um abiku, como minha mãe. O nome dela, Dúróoríîke, era o mesmo que "fica, tu serás mimada". A minha avó Dúrójaiyé tinha esse nome porque também era uma abiku, e o nome dela pedia "fica para gozar a vida, nós imploramos". Assim são os abikus, espíritos amigos há mais tempo do que qualquer um de nós pode contar, e que, antes de nascer, combinam entre si que logo voltarão a morrer para se encontrarem novamente no mundo dos espíritos. Alguns abikus tentam nascer na mesma família para permanecerem juntos, embora não se lembrem disto quando estão aqui, no ayê, na terra, a não ser quando sabem que são abikus. Eles têm nomes especiais que tentam segurá-los vivos por mais tempo, o que às vezes funciona. Mas ninguém foge ao destino, a não ser que Ele queira, porque, quando Ele quer, até água fria é remédio.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2020. p. 19.
Vocabulário
Ibêji: os gêmeos entre os povos iorubá.
Abiku: "criança nascida para morrer".

O Texto II é o parágrafo de abertura do romance histórico Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.
Considerando-se a leitura literária como um processo dialógico e a sala de aula como uma comunidade de leitores, o professor poderia, nessa passagem, salientar, na mediação da obra em uma turma de 1ª série do ensino médio, o seguinte aspecto:

A o uso da 1ª pessoa gramatical compondo um narrador-personagem que situa o romance histórico no gênero épico.
B a presença de termos em iorubá representando o caráter homogeneizante do português do Brasil contemporâneo.
C a função emotiva ou expressiva da linguagem perspectivando a subjetividade da personagem.
D o recurso da repetição do termo “abiku" arranjando um sequência poética cadenciada à estrutura iorubá.
E a predominância da linguagem conotativa reforçando o caráter documental da trajetória de Kehinde.
Texto associado
Texto 12A4-II

Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tronitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.

João Guimarães Rosa. As margens da alegria.
In: Primeiras estórias / João Guimarães Rosa . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

Assinale a opção em que são corretamente apresentados uma característica de escritura atribuída a Guimarães Rosa e seu respectivo exemplo no texto 12A4-II.

A aproveitamento estético da elipse de nexos lógicos, em fuga à lógica gramatical: “O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração.” (terceiro período)
B neologismos formados a partir de onomatopeias: “Mas só bis-viu.” (penúltimo período)
C presença de sinestesias: “Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta” (décimo período)
D resgate da linguagem arcaica e regionalista do sertão nordestino na voz dos personagens: “andando, gruziou outro gluglo.” (décimo primeiro período)
E abandono das preocupações estéticas a favor de uma linguagem oralizada e espontânea do interiorano: “a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso”. (quinto período)
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Piauí Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Português Prova: CESPE/CEBRASPE - SEDUC PI - Professor de Educação Básica - Área: Português - 2026
Texto associado
Considere o texto a seguir para responder às questões de 36 a 45.

Texto 2

Obra de Conceição Evaristo ganha exposição fotográfica em aula do ensino médio

Professores de Minas Gerais reúnem literatura, história, fotografia e metodologias ativas para abordar o livro “Ponciá Vicêncio”

Graciele Gonzaga e Thiago Braga

O projeto “Memória em papel” surgiu de um desafio: precisávamos idealizar uma experiência inovadora interdisciplinar, em literatura e em história, para a turma do 3º ano do ensino médio. Optamos por desenvolver e adequar um projeto de literatura de uma narrativa brasileira, “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo, aos princípios da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
Entendemos que a leitura pode se materializar de diferentes modos, sendo o registro fotográfico um deles. Nossa proposta era a de permitir aos estudantes uma vivência diferenciada dessa obra lançada em 2003. “Ponciá Vicêncio” é o primeiro livro da premiada escritora, que traz em sua narrativa aspectos da escravidão, da opressão de classe e do racismo, além de analisar a identidade negra, os sonhos e os desencantos da protagonista, Ponciá Vicêncio.
Cada um leu o livro e escolheu um trecho de sua preferência, por afinidade. Em seguida, com o apoio de técnicas fotográficas pelo professor Thiago Braga, os alunos foram convidados a desvendar um novo campo: a intermidialidade, fotografia concebida pela narrativa.
Por meio de aulas expositivas sobre fotografia, bem como a análise do texto literário para a escolha de um recorte memorialístico, entendemos essa produção como texto multimodal, pois os alunos intitularam as fotografias com legendas relacionadas ao trecho escolhido do livro.
Assim, cada um, à sua maneira, registrou a essência de Ponciá Vicêncio, bem como as questões femininas e relacionadas à negritude.
[...]
O projeto apoiou o desenvolvimento de competências diversas, entre elas repertório cultural, empatia e colaboração. Ao final, fizemos uma exposição itinerante, que ultrapassou os muros da escola: entre outros endereços, foi levada à biblioteca pública de Betim, a um evento literário de uma cidade vizinha, que homenageava Conceição, e à Bienal do Livro de Contagem.
Outro aspecto interessante do projeto foi possibilitar aos jovens a função de curadoria, pois montaram a exposição e escolheram a ordem de colocação dos quadros, extrapolando a ideia de que um curador de arte deve ser um especialista na área. Trata-se de uma educação mão na massa, na qual o foco está na produção dos alunos, no fazer deles como meio de aprender. Exibir essas fotografias os impulsionou a acreditar em suas manifestações artísticas.

Adaptado de: https://porvir.org/obra-de-conceicao-evaristo-ganha-exposicao-fotografica-em-aula-do-ensino-medio/. Acesso em: 23 out. 2025.

No escopo das concepções de ensino das formas literárias, considere o texto em análise e assinale a alternativa correta quanto ao potencial formativo da proposta apresentada com o desenvolvimento do projeto “Memória em papel”, tendo em vista o compartilhamento dos sentidos construídos nas atividades de leitura com vistas ao exercício do diálogo coletivo para a construção de uma perspectiva crítica.

A O trabalho proposto pelo projeto objetiva a formação de um leitor com habilidades de leitura estética e formalista, considerando os aspectos composicionais da literatura e da fotografia, sem o estabelecimento de diálogo crítico com outros sujeitos ou obras.
B A concepção de ensino adotada para a execução do projeto reside no compartilhamento dos sentidos produzidos nas trocas entre os discentes e a escolha das fotografias em um trabalho coletivo, dialógico e intermodal, cujo objetivo é o desenvolvimento do leitor crítico.
C A formação do leitor reside em uma concepção que o forma para o trabalho de leitura e escrita de legendas, sem abordar a produção de sentidos ou o diálogo com outras formas de linguagem.
D O ensino promovido pelo projeto se restringe a uma concepção que privilegia a apreciação estética individual, sem tensionamento entre as formas de apreensão do texto literário.
E O desenvolvimento da exposição e da curadoria apresenta como concepção de ensino uma formação literária homogeneizante, com vistas à desconsideração das leituras individuais em detrimento da coletividade.
Texto associado
TEXTO 5

Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

Fonte: ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. In: ANDRADE, Oswald. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Na leitura do Texto 5, a função social da literatura pode ser observada

A na reflexão crítica que promove sobre valores impostos socialmente.
B na discussão puramente conteudista que promove, evidente na abordagem dos desvios linguísticos.
C na defesa de padronização das escolhas linguísticas que institui uma visão de homogeneidade social.
D na necessidade de discutir sobre individualismos que ocultam a face sócio-histórica-cultural humana.
E na propagação da ideia de unidade da língua vivenciada na individualidade do saber, do ser e do agir.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul Cargo: Professor - Área: Letras/ Português Prova: Instituto AOCP - SEDUC RS - Professor - Área: Letras/ Português - 2023
Texto associado
TEXTO 5

Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

Fonte: ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. In: ANDRADE, Oswald. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Oswald de Andrade, autor do texto Texto 5, é representante de qual escola literária no Brasil?

A Simbolismo.
B Parnasianismo.
C Realismo.
D Barroco: primeira fase.
E Modernismo: primeira fase.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul Cargo: Professor - Área: Letras/ Português Prova: Instituto AOCP - SEDUC RS - Professor - Área: Letras/ Português - 2023

Verifica-se a ocorrência de objeto indireto pleonástico no seguinte verso:

A Tanto a precipitar-me se encaminha, (3ª estrofe)
B Se me faltasse a mim o entendimento, (4ª estrofe)
C Deixa-a fugir; mas apertando o laço, (1ª estrofe)
D A condena outra vez ao seu destino. (1ª estrofe)
E Então me prende mais meu desatino. (2ª estrofe)
Texto associado
TEXTO 4

Já vem a primavera, desfraldando

Pelos ares as roupas perfumadas,

E os rios vão, nas águas jaspeadas,

Os frondíferos troncos retratando;

Vão-se as neves dos montes debruçando

Em tortuosas serpes argentadas;

Pelas veigas, o gado, alcatifadas,

A esmeraldina felpa vai tostando.

Riem-se os céus, revestem-se as campinas;

E a natureza as melindrosas cores

Esmera na pintura das boninas.

Ah! Se assim como brotam novas flores,

Se remoça todo o orbe...das ruínas

Dos zelos renascessem meus amores!

Fonte: ELÍSIO, Filinto. Poesias. Lisboa: Sá da costa, 1941.

A preocupação vernaculista apresentada
de maneira serena ao retratar aspectos da
natureza, revestindo um quadro bucólico
tipicamente clássico, conforme se
observa no Texto 4, é uma característica
da poesia

A Simbolista.
B Realista.
C Barroca.
D Árcade.
Órgão: Secretaria da Educação e da Ciência e Tecnologia da Paraíba Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - SEE PB - Professor de Educação Básica - Área: Língua Portuguesa - 2019
Texto associado
Considerando o poema apresentado, julgue os itens a seguir,
a respeito do Romantismo brasileiro.

Esse poema de Castro Alves é representativo da poesia da
primeira geração romântica, cujo projeto era fundado na
perspectiva nacionalista e buscava libertar a literatura
brasileira das influências literárias portuguesas.

C Certo
E Errado
Texto associado
Considerando o desenvolvimento da literatura no Brasil, bem
como os fundamentos de teoria literária, julgue os itens
de 89 a 100.

Em O cortiço, afastado da visão naturalista que regia
seus romances anteriores, Aluísio Azevedo compôs um
retrato fiel da sociedade brasileira, ao descrever os
habitantes do cortiço para além da perspectiva
determinista que submetia os destinos humanos às
determinações da raça e do meio.

C Certo
E Errado
Órgão: Secretaria de Educação do Distrito Federal Cargo: Professor Substituto - Área: Língua Portuguesa Prova: Quadrix - SEDF - Professor Substituto - Área: Língua Portuguesa - 2018
Texto associado
Considerando o desenvolvimento da literatura no Brasil, bem
como os fundamentos de teoria literária, julgue os itens
de 89 a 100.

Na poesia lírica de Gregório de Matos, vigoram
elementos cultistas e conceptistas próprios do Barroco
espanhol, como os jogos de palavras e a antítese,
enquanto, na forma satírica, predominam a denúncia, a
ironia e a caricatura da vida brasileira da época.

C Certo
E Errado
Órgão: Secretaria de Educação do Distrito Federal Cargo: Professor Substituto - Área: Língua Portuguesa Prova: Quadrix - SEDF - Professor Substituto - Área: Língua Portuguesa - 2018