CADÊ O VERÃO?
Sandro Villar - 19/03/2023
Cadê o verão? A estação já está "puxando o carro" e, para ser sincero, não percebi sua presença neste ano pelo menos no oeste paulista. Dias ensolarados, com temperaturas altas? Nada disso, Seu Dílson. Não houve verão em 2023. A estação foi marcada por temperaturas amenas, temporais assustadores e, se me permitem, parecia outono ou inverno. Um verão atípico, a meu ver. Coisa estranha. Aliás, os tempos estão estranhos, cada vez mais estranhos.
O verão se despede hoje e amanhã começa o outono, que também deverá ser marcado por temperaturas amenas, nessas faixas de 24° a 25°, por aí. Depois, vem o inverno e dizem alguns meteorologistas que o inverno será congelante em alguns momentos. Outros apostam em temperaturas "suportáveis", como as deste atípico, para não dizer esquisito, verão.
Falei que os tempos estão estranhos e estão mesmo no que diz respeito ao clima, cada vez mais extremo. Mudanças no mar preocupam. O mar está encolhendo – ou recuando – em vários países. Que diacho é isso? Sei lá. Só sei que esquisitice não falta, parece o feitiço do tempo. O mar já encolheu nas praias de pelo menos 15 países. Isso mesmo que vocês leram.
O mar recuou mais de 15 metros no Egito e na Namíbia, dois países africanos. Para mencionar alguns dos 15 países, este egrégio e fidalgo cronista lembra que também foram registrados recuos na Argentina, Itália, França, Grécia e Marrocos. Na cidade de Veneza, que fica na Itália, as gôndolas deixaram de navegar porque os canais secaram. Maré baixa, mar recuado, portanto.
Ah, sim: no nosso amado Brasil o fenômeno foi registrado em Alagoas, onde o mar, no caso o Oceano Atlântico, deu uma boa recuada, portanto, houve encolhimento.
É a crise climática e não sei onde isso vai parar. Acho que seria o caso de o ser humano recuar em certas atitudes e dar um tempo, tempo ao tempo. Pelo jeito o tempo também precisa de um tempo para se ajustar nestes tempos desajustados.
Adaptado de: https://www.imparcial.com.br/noticias/cade-o-verao,57252. Acesso em: 20 maio 2023.
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Texto associado
MUITOS DADOS, POSSÍVEIS LEITURAS
Carla Madureira Cruz (Instituo de Geociência - UFRJ)
Estamos cada vez mais exigentes aos detalhes do mundo que nos rodeia, seja espacial ou temporalmente. Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades de forma cada vez mais rápida. Vejamos a questão da escala...
Não faz muito tempo que observar o mundo através de manchas indicativas do tipo de ocupação (como é o caso das áreas urbanas e dos fragmentos florestais) era o que havia de melhor para fazer medições, monitoramentos e diagnósticos. Isso tudo a intervalos de anos, às vezes, décadas. Afinal, a produção cartográfica sempre foi, historicamente, um desafio complexo, exigindo tempo, métodos e recursos pouco triviais. Não é à toa que era restrita a poucos.
Atualmente, e cada vez mais rapidamente, temos sido capazes de romper muitas dessas fronteiras. E por que isto é importante? Porque a representação de dados depende da escala e esta, por sua vez, depende do conjunto de dados primários utilizados. Assim, se quisermos analisar um território de modo mais detalhado, precisaremos de dados suficientemente ajustados ao nível de escala exigido para cada demanda. Hoje, tornou-se comum trocarmos manchas por indivíduos (como casas e árvores) em algumas aplicações como as voltadas aos estudos urbanos.
As formas de levantamentos de dados são variáveis e podem ser do tipo in situ (no campo) ou remoto. Com o avanço tecnológico, cresce em qualidade e diversidade as opções remotas de obtenção de dados, como é o caso do sensoriamento remoto com suas múltiplas facetas. Ele nos permite acesso, cada vez mais amplo, a um parque de imagens muito variadas, que buscam atender a estudos e aplicações diversas. Afinal, a leitura espacial é um quesito fundamental para a quantificação e compreensão da evolução da paisagem, podendo considerar aspectos antrópicos ou naturais.
Com a facilidade tecnológica de acesso, produção e disponibilização de dados espaciais, as pressões por soluções que passam por essas representações espaciais só crescem. Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos - informações consideradas cruciais para lidar com as complexidades do mundo atual.
Não devemos esquecer que o que existe e o que representamos nunca é a mesma coisa. Toda representação em escala carrega em si alguma perda, que denominamos generalização. E isso é importante, porque possibilita a análise de áreas maiores. O desafio, portanto, é saber escolher a escala adequada ao estudo: aquela que não invisibiliza o que precisamos observar e medir.
Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/muitos-dadospossiveis-leituras/. Acesso em: 05 abr. 2023.
Carla Madureira Cruz (Instituo de Geociência - UFRJ)
Estamos cada vez mais exigentes aos detalhes do mundo que nos rodeia, seja espacial ou temporalmente. Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades de forma cada vez mais rápida. Vejamos a questão da escala...
Não faz muito tempo que observar o mundo através de manchas indicativas do tipo de ocupação (como é o caso das áreas urbanas e dos fragmentos florestais) era o que havia de melhor para fazer medições, monitoramentos e diagnósticos. Isso tudo a intervalos de anos, às vezes, décadas. Afinal, a produção cartográfica sempre foi, historicamente, um desafio complexo, exigindo tempo, métodos e recursos pouco triviais. Não é à toa que era restrita a poucos.
Atualmente, e cada vez mais rapidamente, temos sido capazes de romper muitas dessas fronteiras. E por que isto é importante? Porque a representação de dados depende da escala e esta, por sua vez, depende do conjunto de dados primários utilizados. Assim, se quisermos analisar um território de modo mais detalhado, precisaremos de dados suficientemente ajustados ao nível de escala exigido para cada demanda. Hoje, tornou-se comum trocarmos manchas por indivíduos (como casas e árvores) em algumas aplicações como as voltadas aos estudos urbanos.
As formas de levantamentos de dados são variáveis e podem ser do tipo in situ (no campo) ou remoto. Com o avanço tecnológico, cresce em qualidade e diversidade as opções remotas de obtenção de dados, como é o caso do sensoriamento remoto com suas múltiplas facetas. Ele nos permite acesso, cada vez mais amplo, a um parque de imagens muito variadas, que buscam atender a estudos e aplicações diversas. Afinal, a leitura espacial é um quesito fundamental para a quantificação e compreensão da evolução da paisagem, podendo considerar aspectos antrópicos ou naturais.
Com a facilidade tecnológica de acesso, produção e disponibilização de dados espaciais, as pressões por soluções que passam por essas representações espaciais só crescem. Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos - informações consideradas cruciais para lidar com as complexidades do mundo atual.
Não devemos esquecer que o que existe e o que representamos nunca é a mesma coisa. Toda representação em escala carrega em si alguma perda, que denominamos generalização. E isso é importante, porque possibilita a análise de áreas maiores. O desafio, portanto, é saber escolher a escala adequada ao estudo: aquela que não invisibiliza o que precisamos observar e medir.
Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/muitos-dadospossiveis-leituras/. Acesso em: 05 abr. 2023.
Em relação aos elementos de coesão empregados no último parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
Texto associado
QUANDO OS MORTOS FALAM: A HISTÓRIA DA AUTÓPSIA
A indagação da causa da morte sempre esteve presente em nossos pensamentos, seja você médico ou não. A palavra autópsia significa “ver por si próprio” e vem do grego clássico αυτοψία, sendo composta por αυτος (autós, “si mesmo”) e ὄψις (ópsis, “visão”). Outro termo grego equivalente e de uso mais recente é νεκροψία (necropsía), composto de νεκρός (nekrós, “morto”) e ὄψις (ópsis, “visão”), isto é, a dissecação do cadáver para determinar, por meio da observação, a causa de morte ou a natureza da doença.
As origens da autópsia (ou necrópsia) se confundem com a da própria medicina. Seus primeiros registros na antiguidade são das dissecações com Herófilo e Erasístrato, no século II a.C. Considerado uma das principais figuras da medicina, o grego Galeno de Pérgamo (129-201) já recorria a esse recurso, realizando dissecações em animais como porcos, macacos, cavalos e cães, apontando as semelhanças anatômicas entre os órgãos que cumpriam a mesma função em espécies diferentes.
No Século IX, o estudo do corpo humano após a morte voltou a crescer, principalmente graças à escola de medicina de Salerno, na Itália, e à obra de Constantino, que traduziu do árabe para o latim numerosos textos médicos gregos. Logo depois, Guglielmo de Saliceto, Rolando de Parma e outros médicos medievais enfatizaram a afirmação de Galeno, segundo a qual o conhecimento anatômico era importante para o exercício da cirurgia.
Passando pelo período do Renascimento, a anatomia humana teve uma grande contribuição com artistas que buscavam nesta ciência as bases para retratarem de maneira mais precisa a figura humana. O mais famoso deles, Leonardo da Vinci, dissecou mais de trinta corpos de homens e mulheres de todas as idades. Dentre seus diversos trabalhos, ele ainda é reconhecido por seus esboços e obras baseados na arte da dissecação.
Então chegamos ao momento na história em que a Patologia passa a despontar como especialidade em si, separada do restante da medicina. A principal figura dessa guinada é Antonio Benivieni (1443-1502), médico florentino que foi o primeiro a colher sistematicamente dados de autópsias realizadas em seus pacientes. Em seguida, em 1543, o médico Andreas Vesalius lançaria o primeiro livro de anatomia humana: “De Humani Corporis Fabrica”. Resultado de seus trabalhos como professor da Universidade de Pádua, onde realizou dissecações de cadáveres, a obra instituiu categoricamente o método correto de dissecação anatômica. Entre todos os nomes, porém, um dos que mais se destaca é o de Rudolf Ludwig Karl Virchow (1804-1878). Considerado a maior figura na história da Patologia, ele foi um dos primeiros a utilizar o microscópio, um dos principais avanços da óptica em seu tempo, para analisar tecidos.
Durante todo esse processo histórico, sistematizações e padronizações foram constantes e necessárias para tornar possível a evolução dos procedimentos da autópsia. De um princípio baseado na dissecação de órgãos, essa ciência passou para um método avançado de estudo que investiga a causa da morte de um paciente, permitindo desenvolver o conhecimento geral sobre a doença que o acometeu.
Adaptado de: https://www.sbp.org.br/quando-os-mortos-falam-ahistoria-da-autopsia/. Acesso em: 15 mar. 2023.
A indagação da causa da morte sempre esteve presente em nossos pensamentos, seja você médico ou não. A palavra autópsia significa “ver por si próprio” e vem do grego clássico αυτοψία, sendo composta por αυτος (autós, “si mesmo”) e ὄψις (ópsis, “visão”). Outro termo grego equivalente e de uso mais recente é νεκροψία (necropsía), composto de νεκρός (nekrós, “morto”) e ὄψις (ópsis, “visão”), isto é, a dissecação do cadáver para determinar, por meio da observação, a causa de morte ou a natureza da doença.
As origens da autópsia (ou necrópsia) se confundem com a da própria medicina. Seus primeiros registros na antiguidade são das dissecações com Herófilo e Erasístrato, no século II a.C. Considerado uma das principais figuras da medicina, o grego Galeno de Pérgamo (129-201) já recorria a esse recurso, realizando dissecações em animais como porcos, macacos, cavalos e cães, apontando as semelhanças anatômicas entre os órgãos que cumpriam a mesma função em espécies diferentes.
No Século IX, o estudo do corpo humano após a morte voltou a crescer, principalmente graças à escola de medicina de Salerno, na Itália, e à obra de Constantino, que traduziu do árabe para o latim numerosos textos médicos gregos. Logo depois, Guglielmo de Saliceto, Rolando de Parma e outros médicos medievais enfatizaram a afirmação de Galeno, segundo a qual o conhecimento anatômico era importante para o exercício da cirurgia.
Passando pelo período do Renascimento, a anatomia humana teve uma grande contribuição com artistas que buscavam nesta ciência as bases para retratarem de maneira mais precisa a figura humana. O mais famoso deles, Leonardo da Vinci, dissecou mais de trinta corpos de homens e mulheres de todas as idades. Dentre seus diversos trabalhos, ele ainda é reconhecido por seus esboços e obras baseados na arte da dissecação.
Então chegamos ao momento na história em que a Patologia passa a despontar como especialidade em si, separada do restante da medicina. A principal figura dessa guinada é Antonio Benivieni (1443-1502), médico florentino que foi o primeiro a colher sistematicamente dados de autópsias realizadas em seus pacientes. Em seguida, em 1543, o médico Andreas Vesalius lançaria o primeiro livro de anatomia humana: “De Humani Corporis Fabrica”. Resultado de seus trabalhos como professor da Universidade de Pádua, onde realizou dissecações de cadáveres, a obra instituiu categoricamente o método correto de dissecação anatômica. Entre todos os nomes, porém, um dos que mais se destaca é o de Rudolf Ludwig Karl Virchow (1804-1878). Considerado a maior figura na história da Patologia, ele foi um dos primeiros a utilizar o microscópio, um dos principais avanços da óptica em seu tempo, para analisar tecidos.
Durante todo esse processo histórico, sistematizações e padronizações foram constantes e necessárias para tornar possível a evolução dos procedimentos da autópsia. De um princípio baseado na dissecação de órgãos, essa ciência passou para um método avançado de estudo que investiga a causa da morte de um paciente, permitindo desenvolver o conhecimento geral sobre a doença que o acometeu.
Adaptado de: https://www.sbp.org.br/quando-os-mortos-falam-ahistoria-da-autopsia/. Acesso em: 15 mar. 2023.
Em relação aos mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Texto associado
__ O autodiscurso dos meios de comunicação costuma apresentá-los como externos ao campo político. De maneira geral, o jornalismo se coloca como mero reflexo do mundo, um canal neutro pelo qual passam os “fatos” para que o público possa tomar conhecimento deles. Ainda que hoje esteja disseminada a crítica aos ideais canônicos de imparcialidade, neutralidade e objetividade jornalísticas, eles continuam centrais na produção da legitimidade da mídia diante do público.
__ Essa narrativa é mítica. A imparcialidade é inacessível, mesmo que seja buscada com sinceridade, uma vez que todos nós vemos o mundo a partir de determinada perspectiva — vinculada à nossa posição social, à nossa trajetória e aos interesses aos quais estamos ligados. No momento em que define os fatos que serão noticiados e o destaque que cada um receberá, o jornalismo aplica critérios de seleção e de hierarquização que estão longe de ser objetivos. Mas esses critérios passam a transitar socialmente como universais exatamente porque ganham a visibilidade concedida pela mídia. Quando o jornalismo transforma um fato em notícia, faz que ele receba atenção pública e o torna importante por isso. Quando aplica sua própria regra e decide “dar voz aos dois lados”, está determinando os lados da controvérsia que são os relevantes. As escolhas do jornalismo, portanto, incidem sobre o mundo social e ajudam a moldá-lo.
__ Quanto mais plural for o conteúdo da mídia, maior será a diversidade de visões de mundo disputando a esfera pública. Trata-se de uma exigência para o funcionamento efetivo do regime democrático.
Luis Felipe Miguel. A pluralidade da mídia e a democracia . Internet:
(com adaptações).
Julgue os itens seguintes, acerca do texto apresentado.
__ Essa narrativa é mítica. A imparcialidade é inacessível, mesmo que seja buscada com sinceridade, uma vez que todos nós vemos o mundo a partir de determinada perspectiva — vinculada à nossa posição social, à nossa trajetória e aos interesses aos quais estamos ligados. No momento em que define os fatos que serão noticiados e o destaque que cada um receberá, o jornalismo aplica critérios de seleção e de hierarquização que estão longe de ser objetivos. Mas esses critérios passam a transitar socialmente como universais exatamente porque ganham a visibilidade concedida pela mídia. Quando o jornalismo transforma um fato em notícia, faz que ele receba atenção pública e o torna importante por isso. Quando aplica sua própria regra e decide “dar voz aos dois lados”, está determinando os lados da controvérsia que são os relevantes. As escolhas do jornalismo, portanto, incidem sobre o mundo social e ajudam a moldá-lo.
__ Quanto mais plural for o conteúdo da mídia, maior será a diversidade de visões de mundo disputando a esfera pública. Trata-se de uma exigência para o funcionamento efetivo do regime democrático.
Luis Felipe Miguel. A pluralidade da mídia e a democracia . Internet:
(com adaptações).
Julgue os itens seguintes, acerca do texto apresentado.
A expressão “Essa narrativa”, no início do segundo parágrafo, refere-se às afirmações feitas no primeiro parágrafo.
Sobre a coesão textual, assinale a alternativa correta.
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 5 a 7.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ
FUNREJUS
OFÍCIO CIRCULAR Nº 11/2014/DA
Curitiba, 20 de outubro de 2014
Ao(a) Senhor(a) Oficial.
Assunto: Recolhimento ao FUNREJUS nos casos de Cancelamentos de Penhoras, Arrestos e Sequestros, decorrentes de Executivos Fiscais
Prezado(a) Senhor(a) Registrador(a),
Comunico V. Sa. a respeito da manifestação do Juiz Federal Diretor do Foro do TRF-4ª Região, na qual as Unidades Jurisdicionais vinculadas à referida Seção Judiciária do Estado do Paraná foram orientadas para que, nos casos de cancelamentos de penhoras, arrestos e sequestros, decorrentes de Executivos Fiscais, o recolhimento ao FUNREJUS seja providenciado.
Desta forma, tendo em vista a ciência das Unidades Jurisdicionais do TRF-4ª Região, vinculadas à seção judiciária do Paraná, a respeito da necessidade da exigência do recolhimento ao FUNREJUS, pedimos a V. Sa. que, nos casos de determinações de cancelamentos de penhoras, arrestos e sequestros, oriundos dos Juízos das referidas Unidades Jurisdicionais do TRF-4ª Região, vinculadas à seção judiciária do Paraná, seja exigido o valor pertinente ao FUNREJUS, antes que o cancelamento seja concluído.
Por fim, informo que, em anexo, segue a cópia do Ofício – 2174010 – PRCTBDIR do Juiz Federal Diretor do Foro do TRF-4ª Região, para ciência.
Atenciosamente,
JOÃO DA SILVA
Diretor do Centro de Apoio
Adaptado de: https://www.tjpr.jus.br/documents/12471/5010444/Of%C3%ADcio-Circular+n%C2%BA+11+2014+-+Recolhimento+ao+FUNREJUS+-+Cancelamento+de+Penhoras%2C+Arrestos+e+Sequestros+decorrentes+de+executivos+fiscais.pdf/02ffa4df-8552-4cb0-bf34-76ba80cb3dee. Acesso em: 14 out. 2022.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ
FUNREJUS
OFÍCIO CIRCULAR Nº 11/2014/DA
Curitiba, 20 de outubro de 2014
Ao(a) Senhor(a) Oficial.
Assunto: Recolhimento ao FUNREJUS nos casos de Cancelamentos de Penhoras, Arrestos e Sequestros, decorrentes de Executivos Fiscais
Prezado(a) Senhor(a) Registrador(a),
Comunico V. Sa. a respeito da manifestação do Juiz Federal Diretor do Foro do TRF-4ª Região, na qual as Unidades Jurisdicionais vinculadas à referida Seção Judiciária do Estado do Paraná foram orientadas para que, nos casos de cancelamentos de penhoras, arrestos e sequestros, decorrentes de Executivos Fiscais, o recolhimento ao FUNREJUS seja providenciado.
Desta forma, tendo em vista a ciência das Unidades Jurisdicionais do TRF-4ª Região, vinculadas à seção judiciária do Paraná, a respeito da necessidade da exigência do recolhimento ao FUNREJUS, pedimos a V. Sa. que, nos casos de determinações de cancelamentos de penhoras, arrestos e sequestros, oriundos dos Juízos das referidas Unidades Jurisdicionais do TRF-4ª Região, vinculadas à seção judiciária do Paraná, seja exigido o valor pertinente ao FUNREJUS, antes que o cancelamento seja concluído.
Por fim, informo que, em anexo, segue a cópia do Ofício – 2174010 – PRCTBDIR do Juiz Federal Diretor do Foro do TRF-4ª Região, para ciência.
Atenciosamente,
JOÃO DA SILVA
Diretor do Centro de Apoio
Adaptado de: https://www.tjpr.jus.br/documents/12471/5010444/Of%C3%ADcio-Circular+n%C2%BA+11+2014+-+Recolhimento+ao+FUNREJUS+-+Cancelamento+de+Penhoras%2C+Arrestos+e+Sequestros+decorrentes+de+executivos+fiscais.pdf/02ffa4df-8552-4cb0-bf34-76ba80cb3dee. Acesso em: 14 out. 2022.
Sobre os mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 1 a 9.
PRATOS QUEBRADOS
Vladimir Safatle
“Um homem não se recupera desses solavancos, ele se torna uma pessoa diferente e eventualmente a nova pessoa encontra novas preocupações.” Foi isso o que Scott Fitzgerald tinha a dizer depois de seu colapso nervoso. Ele se via como um prato quebrado, “o tipo que nos perguntamos se vale a pena conservar”. Prato que nunca mais será usado para visitas, mas que servirá para guardar biscoitos tarde da noite.
De fato, há certos momentos no interior da vida de um sujeito nos quais algo quebra, que não será mais colado. Olhando para trás, é estranho ter a sensação de que andávamos em direção a esse ponto de ruptura, como se fosse impossível evitá-lo caso quiséssemos continuar avançando. Como se houvesse passagens que só poderiam ser vivenciadas como quebra. Talvez isso ocorra porque somos feitos de forma tal que precisamos nos afastar de certas experiências, de certos modos de gozo, para podermos funcionar. Dessa forma, conseguiremos fabricar um prato com nossas vidas, um prato pequeno. A mulher que precisa se afastar da maternidade, o homem que precisa se afastar de uma paixão na qual se misturam coisas que deveriam estar separadas: todos esses são casos de pratos fabricados para não passarem de certo tamanho.
No entanto, somos às vezes pegos por situações nas quais acabamos por nos confrontar com aquilo que nos horroriza e fascina. Se quisermos continuar, sabemos que, em dado momento, o prato se quebrará, que ele nunca será recuperado, que talvez não funcionará “melhor”, até porque ele viverá com a consciência clara de que há vários pontos da superfície nos quais sua vulnerabilidade ficará visível. Como disse Fitzgerald, um homem não se recupera desses solavancos. Algo desse sofrimento fica inscrito para sempre.
Mas ele também poderá descobrir que, mesmo depois da quebra, ainda é capaz de se colar, de continuar funcionando, um pouco como esses pratos que pintamos de outra forma para disfarçar as rachaduras. Se bem elaborada, tal experiência poderá levar à diminuição do medo daquilo que, um dia, fomos obrigados a excluir. Talvez aprendamos a compor com doses do excluído, já que a necessidade da exclusão não era simplesmente arbitrária, embora ela não precise ser radicalmente hipostasiada. Algo do excluído poderá ser trabalhado e integrado; algo deverá ser irremediavelmente perdido.
Um dia, descobriremos que todos os pratos da sala de jantar estão quebrados em algum ponto e que é com pratos quebrados que sempre se ofereceram jantares. Os pratos que não passam por alguma quebra são pequenos e, por isso, só servem para a sobremesa. No entanto, ninguém vai ao banquete por causa da sobremesa.
Adaptado de: https://revistacult.uol.com.br/home/pratos-quebrados/. Acesso em: 18 abr. 2022.
PRATOS QUEBRADOS
Vladimir Safatle
“Um homem não se recupera desses solavancos, ele se torna uma pessoa diferente e eventualmente a nova pessoa encontra novas preocupações.” Foi isso o que Scott Fitzgerald tinha a dizer depois de seu colapso nervoso. Ele se via como um prato quebrado, “o tipo que nos perguntamos se vale a pena conservar”. Prato que nunca mais será usado para visitas, mas que servirá para guardar biscoitos tarde da noite.
De fato, há certos momentos no interior da vida de um sujeito nos quais algo quebra, que não será mais colado. Olhando para trás, é estranho ter a sensação de que andávamos em direção a esse ponto de ruptura, como se fosse impossível evitá-lo caso quiséssemos continuar avançando. Como se houvesse passagens que só poderiam ser vivenciadas como quebra. Talvez isso ocorra porque somos feitos de forma tal que precisamos nos afastar de certas experiências, de certos modos de gozo, para podermos funcionar. Dessa forma, conseguiremos fabricar um prato com nossas vidas, um prato pequeno. A mulher que precisa se afastar da maternidade, o homem que precisa se afastar de uma paixão na qual se misturam coisas que deveriam estar separadas: todos esses são casos de pratos fabricados para não passarem de certo tamanho.
No entanto, somos às vezes pegos por situações nas quais acabamos por nos confrontar com aquilo que nos horroriza e fascina. Se quisermos continuar, sabemos que, em dado momento, o prato se quebrará, que ele nunca será recuperado, que talvez não funcionará “melhor”, até porque ele viverá com a consciência clara de que há vários pontos da superfície nos quais sua vulnerabilidade ficará visível. Como disse Fitzgerald, um homem não se recupera desses solavancos. Algo desse sofrimento fica inscrito para sempre.
Mas ele também poderá descobrir que, mesmo depois da quebra, ainda é capaz de se colar, de continuar funcionando, um pouco como esses pratos que pintamos de outra forma para disfarçar as rachaduras. Se bem elaborada, tal experiência poderá levar à diminuição do medo daquilo que, um dia, fomos obrigados a excluir. Talvez aprendamos a compor com doses do excluído, já que a necessidade da exclusão não era simplesmente arbitrária, embora ela não precise ser radicalmente hipostasiada. Algo do excluído poderá ser trabalhado e integrado; algo deverá ser irremediavelmente perdido.
Um dia, descobriremos que todos os pratos da sala de jantar estão quebrados em algum ponto e que é com pratos quebrados que sempre se ofereceram jantares. Os pratos que não passam por alguma quebra são pequenos e, por isso, só servem para a sobremesa. No entanto, ninguém vai ao banquete por causa da sobremesa.
Adaptado de: https://revistacult.uol.com.br/home/pratos-quebrados/. Acesso em: 18 abr. 2022.
Sobre os mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Texto associado
Bauman: Para que a utopia renasça é preciso confiar no potencial humano
Dennis de Oliveira
Zygmunt Bauman é um dos pensadores contemporâneos que mais têm produzido obras que refletem os tempos contemporâneos. Nascido na Polônia em 1925, o sociólogo tem um histórico de vida que passa pela ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, pela ativa militância em prol da construção do socialismo no seu país sob a direta influência da extinta União Soviética e pela crise e desmoronamento do regime socialista. Atualmente, vive na Inglaterra, em tempo de grande mobilidade de populações na Europa. Professor emérito de sociologia da Universidade de Leeds, Bauman propõe o conceito de “modernidade líquida” para definir o presente, em vez do já batido termo “pós-modernidade”, que, segundo ele, virou mais um qualificativo ideológico.
Bauman define modernidade líquida como um momento em que a sociabilidade humana experimenta uma transformação que pode ser sintetizada nos seguintes processos: a metamorfose do cidadão, sujeito de direitos, em indivíduo em busca de afirmação no espaço social; a passagem de estruturas de solidariedade coletiva para as de disputa e competição; o enfraquecimento dos sistemas de proteção estatal às intempéries da vida, gerando um permanente ambiente de incerteza; a colocação da responsabilidade por eventuais fracassos no plano individual; o fim da perspectiva do planejamento a longo prazo; e o divórcio e a iminente apartação total entre poder e política. A seguir, a íntegra da entrevista concedida pelo sociólogo à revista CULT.
CULT – Na obra Tempos líquidos, o senhor afirma que o poder está fora da esfera da política e há uma decadência da atividade do planejamento a longo prazo. Entendo isso como produto da crise das grandes narrativas, particularmente após a queda dos regimes do Leste Europeu. Diante disso, é possível pensar ainda em um resgate da utopia?
Zygmunt Bauman – Para que a utopia nasça, é preciso duas condições. A primeira é a forte sensação (ainda que difusa e inarticulada) de que o mundo não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos para que se reajuste. A segunda condição é a existência de uma confiança no potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo, a crença de que “nós, seres humanos, podemos fazê-lo”, crença esta articulada com a racionalidade capaz de perceber o que está errado com o mundo, saber o que precisa ser modificado, quais são os pontos problemáticos, e ter força e coragem para extirpá-los. Em suma, potencializar a força do mundo para o atendimento das necessidades humanas existentes ou que possam vir a existir.
Adaptado de: https://revistacult.uol.com.br/home/entrevistazygmunt- bauman/>. Acesso em: 14 jan. 2021.
Dennis de Oliveira
Zygmunt Bauman é um dos pensadores contemporâneos que mais têm produzido obras que refletem os tempos contemporâneos. Nascido na Polônia em 1925, o sociólogo tem um histórico de vida que passa pela ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, pela ativa militância em prol da construção do socialismo no seu país sob a direta influência da extinta União Soviética e pela crise e desmoronamento do regime socialista. Atualmente, vive na Inglaterra, em tempo de grande mobilidade de populações na Europa. Professor emérito de sociologia da Universidade de Leeds, Bauman propõe o conceito de “modernidade líquida” para definir o presente, em vez do já batido termo “pós-modernidade”, que, segundo ele, virou mais um qualificativo ideológico.
Bauman define modernidade líquida como um momento em que a sociabilidade humana experimenta uma transformação que pode ser sintetizada nos seguintes processos: a metamorfose do cidadão, sujeito de direitos, em indivíduo em busca de afirmação no espaço social; a passagem de estruturas de solidariedade coletiva para as de disputa e competição; o enfraquecimento dos sistemas de proteção estatal às intempéries da vida, gerando um permanente ambiente de incerteza; a colocação da responsabilidade por eventuais fracassos no plano individual; o fim da perspectiva do planejamento a longo prazo; e o divórcio e a iminente apartação total entre poder e política. A seguir, a íntegra da entrevista concedida pelo sociólogo à revista CULT.
CULT – Na obra Tempos líquidos, o senhor afirma que o poder está fora da esfera da política e há uma decadência da atividade do planejamento a longo prazo. Entendo isso como produto da crise das grandes narrativas, particularmente após a queda dos regimes do Leste Europeu. Diante disso, é possível pensar ainda em um resgate da utopia?
Zygmunt Bauman – Para que a utopia nasça, é preciso duas condições. A primeira é a forte sensação (ainda que difusa e inarticulada) de que o mundo não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos para que se reajuste. A segunda condição é a existência de uma confiança no potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo, a crença de que “nós, seres humanos, podemos fazê-lo”, crença esta articulada com a racionalidade capaz de perceber o que está errado com o mundo, saber o que precisa ser modificado, quais são os pontos problemáticos, e ter força e coragem para extirpá-los. Em suma, potencializar a força do mundo para o atendimento das necessidades humanas existentes ou que possam vir a existir.
Adaptado de: https://revistacult.uol.com.br/home/entrevistazygmunt- bauman/>. Acesso em: 14 jan. 2021.
Quanto aos mecanismos de coesão textual empregados no último parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
Texto associado
1 Entre todos os fatores técnicos da mobilidade,
um papel particularmente importante foi desempenhado
pelo transporte da informação — o tipo de comunicação
4 que não envolve o movimento de corpos físicos ou só
o faz secundária e marginalmente. Desenvolveram-se,
de forma consistente, meios técnicos que também
7 permitiram à informação viajar independentemente dos seus
portadores físicos — e independentemente também dos
objetos sobre os quais informava: meios que libertaram
10 os “significantes” do controle dos “significados”. A separação
dos movimentos da informação em relação aos movimentos
dos seus portadores e objetos permitiu, por sua vez,
13 a diferenciação de suas velocidades; o movimento da
informação ganhava velocidade num ritmo muito mais
rápido que a viagem dos corpos ou a mudança da situação
16 sobre a qual se informava. Afinal, o aparecimento da rede
mundial de computadores pôs fim — no que diz respeito
à informação — à própria noção de “viagem” (e de
19 “distância” a ser percorrida), o que tornou a informação
instantaneamente disponível em todo o planeta, tanto na
teoria como na prática.
Zygmunt Bauman. Globalização: as consequências humanas.
Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Zahar, 1999 (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto precedente, julgue os itens a seguir.
um papel particularmente importante foi desempenhado
pelo transporte da informação — o tipo de comunicação
4 que não envolve o movimento de corpos físicos ou só
o faz secundária e marginalmente. Desenvolveram-se,
de forma consistente, meios técnicos que também
7 permitiram à informação viajar independentemente dos seus
portadores físicos — e independentemente também dos
objetos sobre os quais informava: meios que libertaram
10 os “significantes” do controle dos “significados”. A separação
dos movimentos da informação em relação aos movimentos
dos seus portadores e objetos permitiu, por sua vez,
13 a diferenciação de suas velocidades; o movimento da
informação ganhava velocidade num ritmo muito mais
rápido que a viagem dos corpos ou a mudança da situação
16 sobre a qual se informava. Afinal, o aparecimento da rede
mundial de computadores pôs fim — no que diz respeito
à informação — à própria noção de “viagem” (e de
19 “distância” a ser percorrida), o que tornou a informação
instantaneamente disponível em todo o planeta, tanto na
teoria como na prática.
Zygmunt Bauman. Globalização: as consequências humanas.
Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Zahar, 1999 (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto precedente, julgue os itens a seguir.
As formas pronominais “os quais” (L.9) e “a qual” (L.16) referem-se, respectivamente, a “portadores físicos” (L.8) e “situação” (R.15).
Texto associado
Texto para os itens de 1 a 14.
1 O câncer é um reverso obscuro da vida. Uma célula tumoral não é senão uma célula sã que mudou de programação
genética, o que lhe permite se reproduzir mais rápido, gerar um tumor primário, mover‐se pelo organismo e gerar tumores
secundários, as metástases, que causam 90% das mortes por câncer. Para tudo isso, a doença usa mecanismos biológicos
4 idênticos aos que permitem o crescimento de um ser vivo saudável.
Essa plasticidade pode ser também um ponto fraco, conforme demonstra um estudo publicado recentemente na revista
Cancer Cell . O trabalho é uma prova de conceito, a demonstração ainda preliminar de que é possível dar marcha à ré no processo
7 de evolução do câncer.
O estudo demonstrou que a combinação de dois fármacos — o antitumoral Trametinib e o antidiabético
Rosiglitazone — transforma as células do câncer de mama em gordura inofensiva no organismo de ratos que receberam de
10 pacientes humanas enxertos de tumores de mama com metástase. O trabalho lidou com tumores triplo‐negativos, o tipo mais
agressivo de câncer de mama, que não responde a tratamentos com base em receptores hormonais.
A chave do estudo foi atacar o câncer em um momento em que as células do tumor fazem a chamada transição
13 epiteliomesenquimal. Essa metamorfose é fundamental para o desenvolvimento de um embrião e para a formação dos
diferentes órgãos e tecidos de um organismo saudável. Também desempenha um papel na proliferação tumoral, pois contribui
para que células tumorais epiteliais que estão fixadas a um tecido se transformem em mesenquimais, o que lhes permite se
16 separar e se deslocar pela corrente sanguínea. Dentro dos tumores de mama, são essas as células encarregadas de disseminar
o câncer a outros órgãos.
O estudo mostra como a combinação dos dois fármacos freia a proliferação do tumor de mama original e também a
19 metástase. Segundo o trabalho, isso se deve ao fato de que os fármacos interferem na transição, transformando células
cancerosas em adipócitos (gordura).
“Por definição, as células de gordura não podem se multiplicar para gerar filhas, por isso, depois da transformação, o
22 tumor não pode crescer, é como um beco sem saída”, explica Dana Ronen, investigadora da Universidade de Basileia e coautora
do estudo. “A transformação em gordura só afeta as células mais externas do tumor, que são as responsáveis por se mover e
causar metástase, por isso não deve ter um efeito negativo na saúde, nem observamos mudanças no peso dos animais. O resto
25 das células do tumor primário se tornam mais diferenciadas, o que possibilita que se tornem mais vulneráveis a outros
tratamentos, como a terapia hormonal”, ressalta.
Agora, a equipe quer investigar se essa mesma estratégia funciona com outros tumores e, também, se pode ajudar
28 animais que já geraram metástases.
Internet: (com adaptações).
Considerando o texto e seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 9 .
1 O câncer é um reverso obscuro da vida. Uma célula tumoral não é senão uma célula sã que mudou de programação
genética, o que lhe permite se reproduzir mais rápido, gerar um tumor primário, mover‐se pelo organismo e gerar tumores
secundários, as metástases, que causam 90% das mortes por câncer. Para tudo isso, a doença usa mecanismos biológicos
4 idênticos aos que permitem o crescimento de um ser vivo saudável.
Essa plasticidade pode ser também um ponto fraco, conforme demonstra um estudo publicado recentemente na revista
Cancer Cell . O trabalho é uma prova de conceito, a demonstração ainda preliminar de que é possível dar marcha à ré no processo
7 de evolução do câncer.
O estudo demonstrou que a combinação de dois fármacos — o antitumoral Trametinib e o antidiabético
Rosiglitazone — transforma as células do câncer de mama em gordura inofensiva no organismo de ratos que receberam de
10 pacientes humanas enxertos de tumores de mama com metástase. O trabalho lidou com tumores triplo‐negativos, o tipo mais
agressivo de câncer de mama, que não responde a tratamentos com base em receptores hormonais.
A chave do estudo foi atacar o câncer em um momento em que as células do tumor fazem a chamada transição
13 epiteliomesenquimal. Essa metamorfose é fundamental para o desenvolvimento de um embrião e para a formação dos
diferentes órgãos e tecidos de um organismo saudável. Também desempenha um papel na proliferação tumoral, pois contribui
para que células tumorais epiteliais que estão fixadas a um tecido se transformem em mesenquimais, o que lhes permite se
16 separar e se deslocar pela corrente sanguínea. Dentro dos tumores de mama, são essas as células encarregadas de disseminar
o câncer a outros órgãos.
O estudo mostra como a combinação dos dois fármacos freia a proliferação do tumor de mama original e também a
19 metástase. Segundo o trabalho, isso se deve ao fato de que os fármacos interferem na transição, transformando células
cancerosas em adipócitos (gordura).
“Por definição, as células de gordura não podem se multiplicar para gerar filhas, por isso, depois da transformação, o
22 tumor não pode crescer, é como um beco sem saída”, explica Dana Ronen, investigadora da Universidade de Basileia e coautora
do estudo. “A transformação em gordura só afeta as células mais externas do tumor, que são as responsáveis por se mover e
causar metástase, por isso não deve ter um efeito negativo na saúde, nem observamos mudanças no peso dos animais. O resto
25 das células do tumor primário se tornam mais diferenciadas, o que possibilita que se tornem mais vulneráveis a outros
tratamentos, como a terapia hormonal”, ressalta.
Agora, a equipe quer investigar se essa mesma estratégia funciona com outros tumores e, também, se pode ajudar
28 animais que já geraram metástases.
Internet: (com adaptações).
Considerando o texto e seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 9 .