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O excerto “[...] é também resultado do processo de democratização das polícias. Em sociedades democráticas, as polícias desempenham várias outras funções além de lidar com o crime.” pode ser reescrito, observando-se os recursos coesivos, da seguinte forma:

A “[...] resulta também do processo de democratização das polícias, nas quais desempenham várias outras funções além de lidar com o crime em sociedades democráticas.”.
B “[...] é também resultado do processo de democratização das polícias. Em sociedades nas quais desempenham várias outras funções além de lidar com o crime.”.
C “[...] é também resultado do processo de democratização das polícias, as quais desempenham várias outras funções além de lidar com o crime em sociedades democráticas.”.
D “[...] é também resultado do processo de democratização das polícias pelas quais desempenham várias outras funções além de lidar com o crime em sociedades democráticas.”.
E “[...] é também resultado do processo de democratização das polícias por quais desempenham várias outras funções além de lidar com o crime em sociedades democráticas.”
Texto associado
Para responder às questões de 1 a 5 , leia o texto a seguir.

Verdades inconvenientes sobre a indústria dos remédios

A reportagem da SUPER encontrou Antônio na recepção do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Camisa social branca, sapatos engraxados, gel no cabelo e a malinha preta ao lado. Simpático e comunicativo, explicou seu trabalho ao repórter: Antônio é representante da indústria farmacêutica. Sua tarefa é levar aos médicos informações sobre remédios. Mais que isso: convencer os médicos a receitarem as marcas que ele representa.
Nessa missão, nem sempre dados científicos são suficientes: além das amostras grátis, ele leva brindes e, às vezes, convites para almoços ou ofertas de viagens a congressos com tudo pago. Bom papo também conta. “O mais importante é o relacionamento. O médico receita o meu produto porque gosta mais de mim do que de outro representante”, diz ele.
Tanta proximidade pode parecer promíscua, mas não é crime. Segundo o Código de Ética Médica, o problema começa quando, para fazer com que o médico goste mais dele do que dos outros, o propagandista propõe vantagens mais palpáveis. Dinheiro. “Se o médico ganha um cheque, ele se compromete a prescrever 3 vezes o valor em receitas de um medicamento”, exemplifica Antônio. Médicos que não quiseram se identificar confirmam a prática. “Já recebi propostas de viagens em troca de prescrever remédios”, diz um psiquiatra. As farmácias asseguram o trato. “Há farmacêuticos e balconistas que são pagos para xerocar a receita ou anotar o nome do médico”, diz Antônio. É o que eles chamam de “caderninho”, escala final de um ciclo de propaganda, acordos e troca de interesses em que ganham médicos, farmacêuticos e os donos de laboratório.
Entre os profissionais de saúde, histórias como essa são tão conhecidas quanto difíceis de comprovar. Os representantes das indústrias afirmam agir dentro da lei. “Nós temos o direito legítimo de promover nossos produtos, como qualquer outro setor da economia”, afirma Gabriel Tannus, presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, que tem entre seus associados 8 dos 10 laboratórios que mais faturam no mundo.
Como qualquer outro setor da economia, a indústria farmacêutica visa o lucro . Nada de errado com isso, e tem dado certo: em 2008, ela movimentou US$ 725 bilhões – o Brasil faturou US$ 12 bilhões. Só a fabricação da aspirina movimenta US$ 700 bilhões por ano. Seu princípio ativo, o ácido acetilsalicílico, é considerado um dos produtos mais bem-sucedidos da história do capitalismo.
Para que isso seja possível, é preciso saber vender. “A indústria farmacêutica é tudo, menos uma instituição filantrópica”, diz Fernando Italiani, autor do livro Marketing Farmacêutico . Fernando já foi gerente de marketing de laboratórios e hoje dá cursos de vendas e planejamento estratégico para funcionários de laboratórios e farmácias.
Um dos tópicos-chave de suas aulas é a fidelização dos médicos. Para Fernando, aquela tática clássica de dar brindes, viagens e inscrições em congressos já está ultrapassada. “Os médicos estão mal-acostumados. Isso já não diferencia nenhum laboratório”, afirma. Fernando propõe investir em educação. “Muitos médicos não têm formação em gestão nem em finanças. Fornecer esse conhecimento é ouro. Quando eu percebi que uma viagem para a Costa do Sauípe não tinha dado certo, fiz eventos focando o conhecimento técnico. Gastei 1/3 do valor e tive o dobro do retorno.” É o que Fernando chama de marketing “sustentável”: mais difícil de ser copiado e com resultado garantido e prolongado.
O que acontece na indústria farmacêutica é o que acontece em qualquer grande negócio em que a recomendação de alguém é fundamental para o êxito do negócio: para que toquem sua música, as gravadoras assediam as rádios; para que falem bem de seu produto, as empresas cercam os jornalistas de regalias. É a prática conhecida como jabá. Não necessariamente a oferta de gentilezas influenciará o DJ, o jornalista ou o médico. Mas convenhamos: se não servisse para nada, as empresas não gastariam com isso. Às vezes, o profissional é influenciado sem perceber. Em 2001, uma pesquisa feita com 105 médicos do Centro Médico para Veteranos de Guerra de São Francisco, na Califórnia, mostrou que 61% dos entrevistados não se consideravam influenciados pela promoção da indústria. “É difícil incutir uma consciência crítica nos médicos para que eles não se deixem seduzir por essa propaganda”, diz Roberto Luiz D’Ávila, corregedor do Conselho Federal de Medicina. Quando isso acontece, a base de todo o tratamento é colocada em risco: a confiança no médico. [...]

(http://super.abril.com.br/saude/verdades-inconvenientes-sobre-aindustria-dos-remedios/).

Releia esta passagem do texto, retirada do primeiro parágrafo:

"Mais que isso : convencer os médicos a receitarem as marcas que ele representa."

Nela, aparecem destacados dois pronomes. Sobre eles, assinale a análise correta.

A O primeiro participa de um processo de coesão anafórica e deveria, por isso, ser substituídO pela forma "isto". O segundo só pode participar de um processo de coesão catafórica, por ser um pronome pessoal do caso reto.
B Ambos participam de processos de coesão catafórica. O primeiro refere-se a "convencer os médicos a receitarem as marcas", enquanto o segundo refere-se a um representante da indústria farmacêutica.
C Fica claro que o primeiro é catafórico, tanto que aparece seguido por dois-pontos; no entanto o segundo é anafórico, tanto que aparece numa oração subordinada.
D Ambos participam de processos de coesão anafórica. O primeiro refere-se a "levar aos médicos informações sobre remédios", enquanto o segundo refere-se a "Antônio".
E O primeiro participa de um processo de coesão catafórica, já que é demonstrativo. A referência do segundo, no contexto em que aparece, é ambígua e, por isso, tal pronome deveria ser substituído por "este".
Texto associado
O vício da tecnologia
Entusiastas de tecnologia passaram a semana
com os olhos voltados para uma exposição de novi-
dades eletrônicas realizada recentemente nos Esta-
dos Unidos. Entre as inovações, estavam produtos
5 relacionados a experiências de realidade virtual e à
utilização de inteligência artificial — que hoje é um
dos temas que mais desperta interesse em profissio-
nais da área, tendo em vista a ampliação do uso des-
se tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos.
10 __ Mais do que prestar atenção às novidades lan-
çadas no evento, vale refletir sobre o motivo que nos
leva a uma ansiedade tão grande para consumir pro-
dutos que prometem inovação tecnológica. Por que
tanta gente se dispõe a dormir em filas gigantescas
15 só para ser um dos primeiros a comprar um novo mo-
delo de smartphone ? Por que nos dispomos a pagar
cifras astronômicas para comprar aparelhos que não
temos sequer certeza de que serão realmente úteis
em nossas rotinas?
20 __ A teoria de um neurocientista da Universidade
de Oxford (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida
desenfreada” por novos gadgets . De modo geral, em
nosso processo evolutivo como seres humanos, nos-
so cérebro aprendeu a suprir necessidades básicas
25 para a sobrevivência e a perpetuação da espécie, tais
como sexo, segurança e status social.
Nesse sentido, a compra de uma novidade tec-
nológica atende a essa última necessidade citada:
nós nos sentimos melhores e superiores, ainda que
30 momentaneamente, quando surgimos em nossos
círculos sociais com um produto que quase ninguém
ainda possui.
Foi realizado um estudo de mapeamento cere-
bral que mostrou que imagens de produtos tecnoló-
35 gicos ativavam partes do nosso cérebro idênticas às
que são ativadas quando uma pessoa muito religiosa
se depara com um objeto sagrado. Ou seja, não seria
exagero dizer que o vício em novidades tecnológicas
é quase uma religião para os mais entusiastas.
40 __ O ato de seguir esse impulso cerebral e com-
prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
dopamina, responsável por nos causar sensações de
prazer. Ele é liberado quando nosso cérebro identifica
45 algo que represente uma recompensa.
O grande problema é que a busca excessiva
por recompensas pode resultar em comportamentos
impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego
excessivo a redes sociais e até mesmo alcoolismo.
50 No caso do consumo, podemos observar a situação
problematizada aqui: gasto excessivo de dinheiro em
aparelhos eletrônicos que nem sempre trazem novidade
–– as atualizações de modelos de smartphones , por
exemplo, na maior parte das vezes apresentam
55 poucas mudanças em relação ao modelo anterior,
considerando-se seu preço elevado. Em outros
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum
aparelho novo que não se sabe se terá tanta utilidade
prática ou inovadora no cotidiano.
60 __ No fim das contas, vale um lembrete que pode
ajudar a conter os impulsos na hora de comprar um
novo smartphone ou alguma novidade de mercado:
compare o efeito momentâneo da dopamina com o
impacto de imaginar como ficarão as faturas do seu
65 cartão de crédito com a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orça-
mento pode ser suficiente para que você decida pen-
sar duas vezes a respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018. Adaptado.

A ideia a que a expressão destacada se refere está explicitada adequadamente entre colchetes em:

A “relacionados a experiências de realidade virtual e à utilização de inteligência artificial — que hoje é um dos temas que mais desperta interesse em profissionais da área” (l. 5-8) [experiências de realidade virtual]
B “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos” (l. 8-9) [inteligência artificial]
C “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa última necessidade citada ” (l. 27-28) [segurança]
D “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado dopamina” (l. 40-43) [mapeamento cerebral]
E “ Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo que represente uma recompensa.” (l. 44-45) [impulso cerebral]

A correlação dos gestos com os centros cerebrais, ativando -lhes a capacidade criadora, e não esses àqueles , possui,
presentemente, alto número de defensores. (3º parágrafo)

Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a:

A gestos − centros cerebrais − gestos
B centros cerebrais − gestos − gestos
C centros cerebrais − centros cerebrais − gestos
D centros cerebrais − gestos − centros cerebrais
E gestos − gestos − centros cerebrais
Texto associado
SOMOS OS MAIORES INIMIGOS DE NOSSA POSSIBILIDADE DE PENSAR

Contardo Calligaris

Um ano atrás, decidi seguir os conselhos de meu filho e abri uma conta no Facebook. A conta é no nome da cachorra pointer que foi minha grande companheira nos anos 1970 e funciona assim: ninguém sabe que é minha conta, não tenho amigos, não posto nada e não converso com ninguém. Uso o Face apenas para selecionar um “feed” de notícias, que são minha primeira leitura rápida de cada dia.
Meu plano era acordar e verificar imediatamente os editoriais e as chamadas dos jornais, sites, blogs que escolhi e, claro, percorrer a opinião de meus colunistas preferidos, nos EUA e na Europa. Alguns links eu abriria, mas sem usurpar excessivamente o tempo dedicado à leitura do jornal, que acontece depois, enquanto tomo meu café.
Tudo ótimo, no melhor dos mundos. Até o dia em que me dei conta do seguinte: sem que esta fosse minha intenção, eu tinha selecionado só a mídia que pensa como eu – ou quase. Meu dia começava excessivamente feliz, com a sensação de que eu vivia (até que enfim) na paz de um consenso universal.
Mesmo na minha juventude, eu nunca tinha conhecido um tamanho sentimento de unanimidade. Naquela época, eu lia “L’Unità” e, a cada dia, identificava-me com o editorial. Não havia propriamente colunistas: a linguagem usada no jornal inteiro já continha e propunha uma visão do mundo. Ora, junto com “L’Unità” eu sempre lia mais um jornal – o “Corriere della Sera”, se eu estivesse em Milão, o “Journal de Genève”, em Genebra, e o “Le Monde”, em Paris. Nesses segundos jornais, eu verificava os fatos (não dava para acreditar nem mesmo no lado da gente) e assim esbarrava nos colunistas – em geral laicos e independentes, sem posições partidárias ou religiosas definidas.
Em sua grande maioria, eles não escreviam para convencer o leitor: preferiam levantar dúvidas, inclusive neles mesmos. E era isso que eu apreciava.
Hoje, os colunistas desse tipo ainda existem, embora sejam poucos. Eles estão mais na imprensa tradicional; na internet, duvidar não é uma boa ideia, porque é preciso criar e alimentar os consensos do “feed” do Face.
O “feed” do Face, elogiado por muitos por ser uma espécie de jornal sob medida, transforma-se, para cada um, numa voz única, um jornal que apresenta apenas uma visão, piorado por uma falsa sensação de pluralidade (produzida pelo número de links).
A gente se queixa que a mídia estaria difundindo uma versão única e parcial de fatos e ideias, mas a realidade é pior: não são os conglomerados, somos nós que, ao confeccionar um jornal de nossas notícias preferidas, criamos nosso próprio isolamento e vivemos nele. Como sempre acontece, somos nossos piores censores, os maiores inimigos de nossa possibilidade de pensar.
De um lado, o leitor do “feed” não se informa para saber o que aconteceu e decidir o que pensar, ele se informa para fazer grupo, para fazer parte de um consenso. Do outro, o comentarista escreve, sobretudo para ser integrado nesses consensos e para se tornar seu porta-voz. O resultado é uma escrita extrema, em que os escritores competem por leitores tanto mais polarizados que eles conseguiram excluir de seu “jornal” as notícias e as ideias com as quais eles poderiam não concordar: leitores à procura de quem pensa como eles.
Claro, que não é um caso de ignorância completa, mas a internet potencializa a vontade de se perder na opinião do grupo e de não pensar por conta própria. Essa vontade é a mesma que tínhamos no meu tempo de juventude – se não cresceu. O que temos, na verdade, é uma paixão pelo consenso.
Entre consensos opostos, obviamente, não há diálogo nem argumentos, só ódio.
Em suma, provavelmente, o resultado último da informação à la carte (que a internet e o “feed” facilitam) será a polarização e o tribalismo.
Eu mesmo me surpreendo: em geral, acho chatérrimos os profetas do apocalipse, que estão com medo de que o mundo se torne líquido ou coisa que valha. Mas, por uma vez, a contemporaneidade me deixa, digamos, pensativo.

Texto adaptado de: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/ 2016/09/1817706-somos-os-maiores-inimigos-de-nossa-possibilidade- de-pensar.shtml

Em relação às afirmações apresentadas a
seguir, considerando para tanto a leitura
do texto, assinale apenas a alternativa
completamente correta.

A No excerto “Naquela época, eu lia “L’Unità” e,
a cada dia, identificava-me com o editorial.”, a
expressão “ naquela época ” se refere à fase em
que o autor do texto lia as notícias no feed do
Facebook.
B No excerto “Eles estão mais na imprensa
tradicional [...]”, o pronome “ eles ” poderia
ser substituído, sem prejuízos para o sentido
expresso no texto, por “ Os leitores ”.
C No excerto “[...] somos nós que, ao confeccionar
um jornal de nossas notícias preferidas, criamos
nosso próprio isolamento e vivemos nele.”, o
termo “ nele ” se refere a “ jornal ”.
D No excerto “Nesses segundos jornais, eu
verificava os fatos [...]”, a expressão “ nesses
segundos jornais ” se refere ao segundo jornal
que o autor do texto lia diariamente, durante
a sua juventude, juntamente com a leitura do
“L’Unità”.
E No excerto “Essa vontade é a mesma que
tínhamos no meu tempo de juventude [...]”, a
expressão “ essa vontade ” se refere à vontade
que o autor tinha, na juventude, de se manter
imparcialmente bem informado.
Órgão: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH Cargo: Analista Administrativo - Área Contabilidade Prova: Instituto AOCP - EBSERH - Analista Administrativo - Área Contabilidade - 2017