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'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

No trecho “e já no parágrafo seguinte caio de boca [...] no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina”, o processo de formação da palavra sublinhada é

A a reduplicação.
B a derivação prefixal e sufixal.
C o hibridismo.
D a derivação parassintética.
E a conversão.

Assinale a opção em que há erro na classificação gramatical do termo sublinhado.

A Meu irmão chegou cansado de viagem / advérbio.
B Como estivesse atrasado, acabou perdendo o avião / conjunção.
C Apesar de muito esforço, não conseguiu passar no concurso / locução prepositiva.
D Um ciclone inesperado atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no estado do Paraná / adjetivo.
E Em 99% das casas e do comércio da cidade, a energia que foi cortada já foi restabelecida / pronome.
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

No trecho “e já no parágrafo seguinte caio de boca [...] no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina”, o processo de formação da palavra sublinhada é

A a reduplicação.
B a derivação prefixal e sufixal.
C o hibridismo.
D a derivação parassintética.
E a conversão.

A substantivação é um processo sintático de transformar outras classes de palavras em substantivos.
A frase em que isso NÃO ocorre é:

A "O silêncio não era completo; ouvia-se o rodar de carros que passavam fora." (A Mão e a Luva)
B "O proceder de Luís Alves, sóbrio, direto, sem desfalecimentos, fazia perceber à moça que ele nascera para vencer." (A Mão e a Luva)
C "Estácio gostava de lhe ver o airoso do busto e a firme serenidade com que ela conduzia o animal." (Helena)
D "Apertei-lhes a mão e saí, a rir comigo da superstição das duas mulheres, um rir filosófico, desinteressado, superior." (Memórias Póstumas de Brás Cubas)
E "Raimundo parecia feito expressamente para servir Luís Garcia." (Iaiá Garcia)

Todas as frases abaixo trazem preposições em sua construção.
A única frase em que a preposição sublinhada foi usada corretamente é:

A Todos os políticos nos encontramos contra o raio de ação de campanhas populares.
B Os assaltantes não só levaram todas as joias da vitrine como atiraram sobre o gerente da loja.
C As partidas que mais atraíam o público torcedor eram aquelas em que se enfrentavam Vasco e Flamengo.
D No início a ideia principal era de incrementar a participação de todos nas decisões escolares.
E Nos países do Terceiro Mundo – na África de forma especial –, o número de afetados de Aids aumenta dia a dia.

Todas as frases abaixo contêm pronomes relativos.
A alternativa em que o emprego desse tipo de pronome está correto é:

A O policial mais alto, quem tinha o uniforme mais escuro, aproximou-se da janela do carro.
B Esse escritor, alguns dos livros do qual suscitaram uma grande polêmica, anunciou que vai parar de escrever.
C Dado o pouco tempo do que se dispunha, só se falou daqueles temas de que se havia tratado antes.
D Foi o clube quem decidiu rescindir o contrato do jogador.
E O artista a quem se entregou o prêmio ficou bastante emocionado.

Em todas as opções abaixo - retiradas do livro Temas de Hoje, de Carmen Alborch - foi feita a substituição do pronome sublinhado por uma expressão nominal precedida de demonstrativo.
A alternativa em que a substituição foi feita de forma semanticamente adequada é:

A A marca mais característica da língua barroca foi o emprego sistemático e repetido de cultismos. Mas nisso também não fez mais do que extremar uma tendência já estabelecida. / nessa mania;
B Tratava-se, portanto, de um círculo em que existia uma absoluta liberdade de pensamento e de expressão. Um grupo que se manteve unido por laços afetivos e pela inteligente entrega à arte. Isso é o que mostram suas obras. / Essa inteligência;
C Por que preocupa tanto a mulher que não parece disposta a casar-se? Porque tal decisão é percebida como uma ameaça: se escolhe não casar-se se supõe que durante toda a sua vida será independente econômica, sexual e socialmente. Isso cria preocupação nos pais, que pensam que ninguém vai cuidar dela. / Essa opção;
D Uma grande diferença entre o século atual e os precedentes é a existência de muito mais jovens cuja preocupação não consiste em achar um marido, mas de encontrarem-se a si mesmas. É como se tivéssemos decidido que a felicidade é mais importante que a resignação, que é melhor viver rodeadas de amor e de afetos, mas que isso não se identifica necessariamente com o matrimônio. / essa identificação;
E Nessa época surgiu um grupo importante de mulheres que tiveram a possibilidade de receber uma educação que daria o aparecimento da primeira investigadora, a primeira arquiteta, a primeira catedrática. Para que isso se produzisse foi decisivo o interesse dos pais em fomentar o gosto pelo estudo. / esse fomento.

Assinale a opção que apresenta a frase em que a preposição entre tem o valor semântico de indicar posição intermediária entre dois pontos.

A Havia muito riso, muito parolar de papagaios; pequenos travessavam, tão depressa rindo como chorando; os italianos faziam a ruidosa digestão dos seus jantares de festa; ouviam-se cantigas e pragas entre gargalhadas. (O Cortiço)
B E fazendo do resto do seu dinheiro um bolo, que ele, um pouco ébrio, apertava nos dedos, agora, claros e quase descalejados, socou-o na algibeira do lado direito explicando entre dentes que ali ficava ainda bastante para o que desse e viesse, no caso de algum contratempo. (O Cortiço)
C Sei-o eu lá se me morreu?... disse Piedade entre soluços. Vi tanta coisa esta noite!... (O Cortiço)
D A mulata então aproximou-se dele, por detrás; segurou-lhe a cabeça entre as mãos e beijou-o na boca, arredando com os lábios a espessura dos bigodes. (O Cortiço)
E O Barão e o Botelho apareciam por lá quase todos os dias; examinavam os materiais escolhidos para a construção, batiam com a biqueira do chapéu de sol no pinho-de-riga destinado ao assoalho, e afetando-se bons entendedores, tomavam na palma da mão e esfarelavam entre os dedos um punhado da terra e da cal com que os operários faziam barro. (O Cortiço)

Nas frases machadianas a seguir, há um termo precedido de artigo indefinido.
Assinale a frase em que a função desse artigo está incorretamente identificada.

A "Indaguei de Virgília, depois ficamos a conversar uma meia hora." / Há indicação de cálculo aproximado. (Memórias Póstumas de Brás Cubas)
B "E o protesto não foi só com os lábios, foi também com os olhos - uns olhos aveludados e brilhantes." / Mostra ideia de dupla, de par. (Ressurreição)
C "Natividade e um padre Guedes que lá estava, gordo e maduro, eram as únicas pessoas interessantes da noite." / Mostra sentido vago e indefinido. (Esaú e Jacó)
D "Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite." / Mostra valor cômico. (Dom Casmurro).
E "-Sei, sei que você tem umas filosofias... Mas falemos do jantar; que há de servir hoje?" / Tem valor depreciativo. (Quincas Borba)

Assinale a frase em que o adjetivo sublinhado mantém a sua função adjetiva, ao contrário das demais que mostram função adverbial.

A "O pai, com a alma trôpega, falava muito e incoerente." (Esaú e Jacó)
B "Estou só, totalmente só, os rumores de fora nada disto vive para mim." (Memorial de Aires)
C "O trem leva a gente de corrida, de afogadilho, desesperado, até a próxima estação de Petrópolis." (Memorial de Aires)
D "Capitu ria alto, falava alto, como se me avisasse." (Dom Casmurro)
E "Sofia comia bem, dormia largo e fofo." (Quincas Borba)