Em relação a aspectos linguísticos do texto, julgue os itens
de 73 a 84.
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48 questões
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48 questões
CETRO
17 questões
88 questões encontradas
O período iniciado por “Tais equívocos” (linha 4) é
Texto associado
1 Quem é autônomo é livre, capaz e competente para
realizar alguma atividade. Costuma-se dizer que o indivíduo
ganha autonomia quando consegue cumprir certas tarefas
4 sem a ajuda do outro. Talvez, por isso, uma palavra de
imediato relacionada ao conceito seja independência.
Contudo, a ideia de independência expressa apenas
7 um dos lados da questão. O outro se refere à necessidade de
pertencer, de saber conviver e compartilhar. Assim, a pessoa
autônoma é livre por ser capaz de agir por si mesma e, ao
10 mesmo tempo, responsável porque age como parte de um
grupo.
Por exemplo, um indivíduo que não sabe ler depende
13 de um outro letrado para ter contato com o conteúdo dos
livros ou de qualquer material escrito. Na medida em que ele
se alfabetiza, adquire conhecimentos suficientes para ler e
16 torna-se independente de um leitor externo.
Ser autônomo se torna possível por um jogo de
interdependências, ou interacionismo, segundo Piaget. De
19 um lado, existem aspectos externos ao sujeito: o ambiente,
as pessoas, o livro. De outro, aspectos internos, como as
ferramentas que o habilitam: os conhecimentos prévios, as
22 condições orgânicas. Um terceiro ponto é o comportamento:
aquilo que o indivíduo realiza ou pensa e que ninguém pode
fazer por ele. Vale dizer que cada pessoa reage de forma
25 diferente a um mesmo objeto ou situação. Em inglês, existe
o termo self government (autogoverno), que indica que não
é o estímulo o elemento determinante dessa reação, e sim o
28 que o sujeito faz ou compreende em função do estímulo. Por
isso a interação é um elemento tão primordial para a
construção da autonomia.
31 Na vida contemporânea, todos querem ser livres ou
independentes. Querem compartilhar, fazer parte de algo
que julgam significativo para si e para os outros. Um dos
34 problemas para alcançar essas realizações é justamente o de
enfrentar e superar dois obstáculos internos muito
desafiadores. Um deles é o modo como a pessoa interage
37 com as coisas e como expressa suas reações emocionais ou
afetivas. Entre elas figura o medo da mudança. O outro
refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao
40 compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído
no grupo daqueles que já sabem.
É, na prática, tornar-se outro , superando todo tipo de
43 reações negativas e resistências. E é também tornar-se como
o outro , aprendendo habilidades e conhecimentos. Um
sujeito duplamente passivo ― por estar subordinado a
46 padrões de medo ou raiva, e de ignorância ou desatenção ―
dá lugar a um sujeito ativo e responsável por suas ações e
independente, sem deixar de ser interdependente. Dizendo
49 assim, parece uma tarefa quase impossível, mas é esse
impossível que hoje embala os sonhos de um século que
necessita de pessoas que sejam, ao mesmo tempo, livres e
52 solidárias, ou seja, autônomas.
Lino de Macedo. Ser autônomo é vencer resistências e transformar-se .
Internet: (com adaptações).
Em relação à tipologia do texto e às ideias nele expressas, julgue os itens a seguir.
realizar alguma atividade. Costuma-se dizer que o indivíduo
ganha autonomia quando consegue cumprir certas tarefas
4 sem a ajuda do outro. Talvez, por isso, uma palavra de
imediato relacionada ao conceito seja independência.
Contudo, a ideia de independência expressa apenas
7 um dos lados da questão. O outro se refere à necessidade de
pertencer, de saber conviver e compartilhar. Assim, a pessoa
autônoma é livre por ser capaz de agir por si mesma e, ao
10 mesmo tempo, responsável porque age como parte de um
grupo.
Por exemplo, um indivíduo que não sabe ler depende
13 de um outro letrado para ter contato com o conteúdo dos
livros ou de qualquer material escrito. Na medida em que ele
se alfabetiza, adquire conhecimentos suficientes para ler e
16 torna-se independente de um leitor externo.
Ser autônomo se torna possível por um jogo de
interdependências, ou interacionismo, segundo Piaget. De
19 um lado, existem aspectos externos ao sujeito: o ambiente,
as pessoas, o livro. De outro, aspectos internos, como as
ferramentas que o habilitam: os conhecimentos prévios, as
22 condições orgânicas. Um terceiro ponto é o comportamento:
aquilo que o indivíduo realiza ou pensa e que ninguém pode
fazer por ele. Vale dizer que cada pessoa reage de forma
25 diferente a um mesmo objeto ou situação. Em inglês, existe
o termo self government (autogoverno), que indica que não
é o estímulo o elemento determinante dessa reação, e sim o
28 que o sujeito faz ou compreende em função do estímulo. Por
isso a interação é um elemento tão primordial para a
construção da autonomia.
31 Na vida contemporânea, todos querem ser livres ou
independentes. Querem compartilhar, fazer parte de algo
que julgam significativo para si e para os outros. Um dos
34 problemas para alcançar essas realizações é justamente o de
enfrentar e superar dois obstáculos internos muito
desafiadores. Um deles é o modo como a pessoa interage
37 com as coisas e como expressa suas reações emocionais ou
afetivas. Entre elas figura o medo da mudança. O outro
refere-se à necessidade de aperfeiçoamento, ao
40 compromisso de aprender algo que o capacita a ser incluído
no grupo daqueles que já sabem.
É, na prática, tornar-se outro , superando todo tipo de
43 reações negativas e resistências. E é também tornar-se como
o outro , aprendendo habilidades e conhecimentos. Um
sujeito duplamente passivo ― por estar subordinado a
46 padrões de medo ou raiva, e de ignorância ou desatenção ―
dá lugar a um sujeito ativo e responsável por suas ações e
independente, sem deixar de ser interdependente. Dizendo
49 assim, parece uma tarefa quase impossível, mas é esse
impossível que hoje embala os sonhos de um século que
necessita de pessoas que sejam, ao mesmo tempo, livres e
52 solidárias, ou seja, autônomas.
Lino de Macedo. Ser autônomo é vencer resistências e transformar-se .
Internet: (com adaptações).
Em relação à tipologia do texto e às ideias nele expressas, julgue os itens a seguir.
A oração “quando consegue cumprir certas tarefas sem a ajuda do outro” (linhas 3 e 4) expressa circunstância de tempo em relação à oração anterior.
Texto associado
Pronomes
1 ---- Antes de apresentar o Carlinhos para a turma, Carolina pediu:
— Me faz um favor?
— O quê?
4 --- — Você não vai ficar chateado?
— O que é?
— Não fala tão certo.
7 ---- — Como assim?
— Você fala certo demais. Fica meio esquisito.
— Por quê?
10 --- — É que a turma repara. Sei lá, parece…
— Soberba?
— Olha aí, “soberba”. Se você falar “soberba”, ninguém vai
13 --- saber o que é. Não fala “soberba”. Nem “todavia”. Nem
“outrossim”. E cuidado com os pronomes.
— Os pronomes? Não posso usá‐los corretamente?
16 --- — Está vendo? Usar eles. Usar eles!
O Carlinhos ficou tão chateado que, junto com a turma, não
falou nem certo nem errado. Não falou nada. Até
19 -- comentaram:
— Ó, Carol, teu namorado é mudo?
Ele ia dizer “Não, é que, falando, sentir‐me‐ia vexado”, mas
22 --- se conteve a tempo. Depois, quando estavam sozinhos, a
Carolina agradeceu, com aquela voz que ele gostava.
— Comigo você pode botar os pronomes onde quiser,
25 --- Carlinhos.
Aquela voz de cobertura de caramelo.
Luis Fernando Verissimo. Contos de verão . In : O Estado de
S. Paulo , Caderno 2, Cultura, p. D2, jan./2000.
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens de 1 a 12 .
1 ---- Antes de apresentar o Carlinhos para a turma, Carolina pediu:
— Me faz um favor?
— O quê?
4 --- — Você não vai ficar chateado?
— O que é?
— Não fala tão certo.
7 ---- — Como assim?
— Você fala certo demais. Fica meio esquisito.
— Por quê?
10 --- — É que a turma repara. Sei lá, parece…
— Soberba?
— Olha aí, “soberba”. Se você falar “soberba”, ninguém vai
13 --- saber o que é. Não fala “soberba”. Nem “todavia”. Nem
“outrossim”. E cuidado com os pronomes.
— Os pronomes? Não posso usá‐los corretamente?
16 --- — Está vendo? Usar eles. Usar eles!
O Carlinhos ficou tão chateado que, junto com a turma, não
falou nem certo nem errado. Não falou nada. Até
19 -- comentaram:
— Ó, Carol, teu namorado é mudo?
Ele ia dizer “Não, é que, falando, sentir‐me‐ia vexado”, mas
22 --- se conteve a tempo. Depois, quando estavam sozinhos, a
Carolina agradeceu, com aquela voz que ele gostava.
— Comigo você pode botar os pronomes onde quiser,
25 --- Carlinhos.
Aquela voz de cobertura de caramelo.
Luis Fernando Verissimo. Contos de verão . In : O Estado de
S. Paulo , Caderno 2, Cultura, p. D2, jan./2000.
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens de 1 a 12 .
No segmento “— Comigo você pode botar os pronomes onde quiser, Carlinhos.” (linhas 24 e 25), a substituição de “onde” por aonde preservaria a correção gramatical e os sentidos originais do texto, por serem termos conexos.
Assinale a alternativa correta no que se refere à concordância nominal.
A frase redigida com correção e coerência está em:
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 6.
Esportes, negócios
Comecinho dos anos 60, nosso professor de educação física, um homem já encanecido (por isso, considerado um velho bem velho, na nossa perspectiva de adolescentes), não tinha dúvida em nos dizer: “Não briguem por causa de futebol. Futebol como esporte não existe mais, desde que se profissionalizou. Só fazia sentido quando todos eram amadores e jogavam só pelo prazer do jogo e pelo amor à camisa”. Era uma opinião radical, mas que nos fazia pensar em sua consistência.
Por certo o professor estava se referindo a experiências de sua meninice e adolescência, nos anos 30 e 40, quando o futebol ainda era uma espécie de arte pela arte, sem a intromissão decisiva dos chamados “interesses do mercado”. Às vezes acho que a nostalgia de meu professor tinha toda a razão de ser: era possível e desejável gostar de um esporte apenas pelas qualidades intrínsecas desse esporte.
Altos negócios no mundo das atrações de massa supõem muito dinheiro, plena visibilidade e excesso de celebração. Nada disso falta, hoje, aos esportes de alto rendimento que sejam também negociáveis, isto é, que constituam matéria de interesse para milhões de consumidores. Com isso, perde-se aquela dimensão de gratuidade que havia nos esportistas empenhados numa tarefa em que a competitividade não eliminava o prazer, que por sua vez não se rendia a poderosos empresários. “O que passou passou. / Jamais acenderás de novo / o lume / do tempo que passou”- já desabafou o poeta Ferreira Gullar, num momento de versos céticos. O que é uma pena, diria nosso velho professor de educação física.
(Jayme de Souto Albuquerque, inédito)
Esportes, negócios
Comecinho dos anos 60, nosso professor de educação física, um homem já encanecido (por isso, considerado um velho bem velho, na nossa perspectiva de adolescentes), não tinha dúvida em nos dizer: “Não briguem por causa de futebol. Futebol como esporte não existe mais, desde que se profissionalizou. Só fazia sentido quando todos eram amadores e jogavam só pelo prazer do jogo e pelo amor à camisa”. Era uma opinião radical, mas que nos fazia pensar em sua consistência.
Por certo o professor estava se referindo a experiências de sua meninice e adolescência, nos anos 30 e 40, quando o futebol ainda era uma espécie de arte pela arte, sem a intromissão decisiva dos chamados “interesses do mercado”. Às vezes acho que a nostalgia de meu professor tinha toda a razão de ser: era possível e desejável gostar de um esporte apenas pelas qualidades intrínsecas desse esporte.
Altos negócios no mundo das atrações de massa supõem muito dinheiro, plena visibilidade e excesso de celebração. Nada disso falta, hoje, aos esportes de alto rendimento que sejam também negociáveis, isto é, que constituam matéria de interesse para milhões de consumidores. Com isso, perde-se aquela dimensão de gratuidade que havia nos esportistas empenhados numa tarefa em que a competitividade não eliminava o prazer, que por sua vez não se rendia a poderosos empresários. “O que passou passou. / Jamais acenderás de novo / o lume / do tempo que passou”- já desabafou o poeta Ferreira Gullar, num momento de versos céticos. O que é uma pena, diria nosso velho professor de educação física.
(Jayme de Souto Albuquerque, inédito)
As normas de concordância verbal estão adequada e plenamente atendidas na frase:
Texto associado
Atenção : Leia o
texto abaixo para responder
às questões de números 1 a 6.
As
pessoas se odeiam no trânsito, seguram
seus volantes como baterias antiaéreas, usam
a buzina como o botão que dá a
partida num míssil. Mas, no fundo, as
pessoas são boas. E sou testemunha.
Em
trem, já fui carregado por um indiano que
nunca mais vi. Desconhecidos me ajudaram a
subir escadas sem pedir nada em
troca. “Quer uma ajuda” é um mantra com que
todo deficiente, como eu, que sou
cadeirante, habitua-se rotineiramente.
O
ódio existe, sempre existiu. Algumas
pessoas se desrespeitam na internet,
discordam umas das outras, usam argumentos
que consideram ofensivos, como “vai ler”,
“vai estudar”. A não ser psicopatas, que não
são poucos, algumas pessoas, quando
flagradas, arrependem-se, pedem desculpas,
são fotografadas de cabeça baixa,
tristes.
O homem tem empatia. Tem
capacidade de
sentir (e até prever) o que o outro sente.
Foi Kant quem disse que o altruísmo é
uma condição humana. E os evolucionistas,
como Darwin, garantem que os genes humanos
criaram um agente inédito, não biológico,
ao comportamento animal: a cultura.
Culinária, música, poesia, competições
esportivas, folclore, religião, filosofia,
noção da vida e da morte são próprios dos
homens, nos distinguem, nos diferenciam, nos
afastam do passado primata. Como o
altruísmo.
Kant insistia: conservar a
própria vida é um
dever; ser bom quando se pode é um dever.
Existem pessoas tão capacitadas para
o altruísmo, que, mesmo sem qualquer vaidade
ou interesse, experimentam uma satisfação
grande com o contentamento do outro;
fazem o bem não por uma inclinação, mas por
um dever. Daí nasceu a ideia de utopia. Eu
prefiro acreditar que ela existe. E lutar
por
ela.
(Adaptado de: RUBENS PAIVA,
Marcelo.
Disponível em:
cultura.estadao.com.br )
texto abaixo para responder
às questões de números 1 a 6.
As
pessoas se odeiam no trânsito, seguram
seus volantes como baterias antiaéreas, usam
a buzina como o botão que dá a
partida num míssil. Mas, no fundo, as
pessoas são boas. E sou testemunha.
Em
trem, já fui carregado por um indiano que
nunca mais vi. Desconhecidos me ajudaram a
subir escadas sem pedir nada em
troca. “Quer uma ajuda” é um mantra com que
todo deficiente, como eu, que sou
cadeirante, habitua-se rotineiramente.
O
ódio existe, sempre existiu. Algumas
pessoas se desrespeitam na internet,
discordam umas das outras, usam argumentos
que consideram ofensivos, como “vai ler”,
“vai estudar”. A não ser psicopatas, que não
são poucos, algumas pessoas, quando
flagradas, arrependem-se, pedem desculpas,
são fotografadas de cabeça baixa,
tristes.
O homem tem empatia. Tem
capacidade de
sentir (e até prever) o que o outro sente.
Foi Kant quem disse que o altruísmo é
uma condição humana. E os evolucionistas,
como Darwin, garantem que os genes humanos
criaram um agente inédito, não biológico,
ao comportamento animal: a cultura.
Culinária, música, poesia, competições
esportivas, folclore, religião, filosofia,
noção da vida e da morte são próprios dos
homens, nos distinguem, nos diferenciam, nos
afastam do passado primata. Como o
altruísmo.
Kant insistia: conservar a
própria vida é um
dever; ser bom quando se pode é um dever.
Existem pessoas tão capacitadas para
o altruísmo, que, mesmo sem qualquer vaidade
ou interesse, experimentam uma satisfação
grande com o contentamento do outro;
fazem o bem não por uma inclinação, mas por
um dever. Daí nasceu a ideia de utopia. Eu
prefiro acreditar que ela existe. E lutar
por
ela.
(Adaptado de: RUBENS PAIVA,
Marcelo.
Disponível em:
cultura.estadao.com.br )
A não ser psicopatas [...], algumas pessoas, quando flagradas... (3º parágrafo)
Sem prejuízo do sentido e da correção, o termo sublinhado acima pode ser substituído por
Texto associado
1 Quando indaguei a alguns escritores de sucesso que
manuais de estilo tinham consultado durante seu aprendizado,
a resposta mais comum foi “nenhum”. Disseram que escrever,
4 para eles, aconteceu naturalmente.
Eu seria o último dos mortais a duvidar que os bons
escritores foram abençoados com uma dose inata de fluência
7 mais sintaxe e memória para as palavras. Ninguém nasceu com
competência para redigir. Essa competência pode não se ter
originado nos manuais de estilo, mas deve ter vindo de algum
10 lugar.
Esse algum lugar é a escrita de outros escritores. Bons
escritores são leitores ávidos. Assimilaram um grande
13 inventário de palavras, expressões idiomáticas, construções,
tropos e truques retóricos e, com eles, a sensibilidade para o
modo como se combinam ou se repelem. Essa é a ardilosa
16 “sensibilidade” de um escritor hábil — o tácito sentido de
estilo que os manuais de estilo honestos admitem ser
impossível ensinar explicitamente. Os biógrafos dos grandes
19 autores sempre tentam rastrear os livros que seus personagens
leram na juventude, porque sabem que essas fontes escondem
o segredo de seu aperfeiçoamento como escritores.
22 O ponto de partida para alguém tornar-se um bom
escritor é ser um bom leitor. Os escritores adquirem sua técnica
identificando, saboreando e aplicando engenharia reversa em
25 exemplos de boa prosa.
Steven Pinker. Guia de escrita: como conceber um texto
com clareza, precisão e elegância. Trad. Rodolfo Ilari.
São Paulo: Contexto, 2016, p. 23-4 (com adaptações).
No que se refere ao texto precedente, julgue os itens a seguir.
manuais de estilo tinham consultado durante seu aprendizado,
a resposta mais comum foi “nenhum”. Disseram que escrever,
4 para eles, aconteceu naturalmente.
Eu seria o último dos mortais a duvidar que os bons
escritores foram abençoados com uma dose inata de fluência
7 mais sintaxe e memória para as palavras. Ninguém nasceu com
competência para redigir. Essa competência pode não se ter
originado nos manuais de estilo, mas deve ter vindo de algum
10 lugar.
Esse algum lugar é a escrita de outros escritores. Bons
escritores são leitores ávidos. Assimilaram um grande
13 inventário de palavras, expressões idiomáticas, construções,
tropos e truques retóricos e, com eles, a sensibilidade para o
modo como se combinam ou se repelem. Essa é a ardilosa
16 “sensibilidade” de um escritor hábil — o tácito sentido de
estilo que os manuais de estilo honestos admitem ser
impossível ensinar explicitamente. Os biógrafos dos grandes
19 autores sempre tentam rastrear os livros que seus personagens
leram na juventude, porque sabem que essas fontes escondem
o segredo de seu aperfeiçoamento como escritores.
22 O ponto de partida para alguém tornar-se um bom
escritor é ser um bom leitor. Os escritores adquirem sua técnica
identificando, saboreando e aplicando engenharia reversa em
25 exemplos de boa prosa.
Steven Pinker. Guia de escrita: como conceber um texto
com clareza, precisão e elegância. Trad. Rodolfo Ilari.
São Paulo: Contexto, 2016, p. 23-4 (com adaptações).
No que se refere ao texto precedente, julgue os itens a seguir.
Na linha 19, o pronome “que” retoma “os livros”, e ambos os
termos exercem a mesma função sintática nas orações em que
ocorrem.
A correção gramatical do texto CG3A1AAA seria mantida caso
Texto associado
1 Qualquer língua, escrita ou não, tem uma gramática
que é complexa. Do ponto de vista naturalista, não faz sentido
afirmar que há gramáticas melhores e gramáticas piores. Não
4 é certo, por exemplo, dizer que a gramática que produz Os
meninos saíram é melhor do que a que produz Os menino saiu .
Ambas as frases cumprem a sua função, que é transmitir um
7 certo conteúdo. São duas maneiras de chegar ao mesmo lugar.
São duas gramáticas distintas, uma em que a pluralidade é
marcada em todos os termos da oração, outra em que o plural
10 aparece marcado apenas no artigo.
Mas esses dois modos de falar não são avaliados
socialmente da mesma maneira. O valor social de cada um
13 deles é muito diferente. Aquele que fala Os menino saiu não
sabe falar, diz a voz que define qual variedade está correta.
Só que há línguas, como o inglês, em que o plural só ocorre em
16 um dos termos: The tall boys left (tradução literal possível,
desconsiderada a marca de plural: O alto meninos saiu ).
É claro que a gramática do inglês não é a mesma gramática do
19 português, mas o nosso ponto é que o plural só está em um
lugar na oração do inglês e isso não recebe uma avaliação
negativa. No português do dia a dia, é possível marcar o plural
22 em apenas um dos elementos, mas isso é avaliado
negativamente.
Roberta Pires de Oliveira e Sandra Quarezemin. Gramáticas na
escola. Petrópolis: Vozes, 2016, p. 44 (com adaptações
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
que é complexa. Do ponto de vista naturalista, não faz sentido
afirmar que há gramáticas melhores e gramáticas piores. Não
4 é certo, por exemplo, dizer que a gramática que produz Os
meninos saíram é melhor do que a que produz Os menino saiu .
Ambas as frases cumprem a sua função, que é transmitir um
7 certo conteúdo. São duas maneiras de chegar ao mesmo lugar.
São duas gramáticas distintas, uma em que a pluralidade é
marcada em todos os termos da oração, outra em que o plural
10 aparece marcado apenas no artigo.
Mas esses dois modos de falar não são avaliados
socialmente da mesma maneira. O valor social de cada um
13 deles é muito diferente. Aquele que fala Os menino saiu não
sabe falar, diz a voz que define qual variedade está correta.
Só que há línguas, como o inglês, em que o plural só ocorre em
16 um dos termos: The tall boys left (tradução literal possível,
desconsiderada a marca de plural: O alto meninos saiu ).
É claro que a gramática do inglês não é a mesma gramática do
19 português, mas o nosso ponto é que o plural só está em um
lugar na oração do inglês e isso não recebe uma avaliação
negativa. No português do dia a dia, é possível marcar o plural
22 em apenas um dos elementos, mas isso é avaliado
negativamente.
Roberta Pires de Oliveira e Sandra Quarezemin. Gramáticas na
escola. Petrópolis: Vozes, 2016, p. 44 (com adaptações
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.