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No que diz respeito a doenças renais, assinale a opção correta.

A A maioria dos antígenos glomerulares ou mesangiais envolvidos na glomerulonefrite imunomediada é desconhecida.
B Quando a creatinina sérica sobe rapidamente no decorrer de poucos dias, a nefrite aguda é denominada glomerulonefrite membranoproliferativa.
C A síndrome nefrótica descreve o início de uma proteinúria ainda não significativa (menos de 1 g em 24 h), hipotensão arterial, hematúria macroscópica, entre outros sinais.
D A insuficiência hepática pode causar um quadro de insuficiência renal aguda classificada como intrínseca ou parenquimatosa.
E Sob o ponto de vista do estilo de vida como fator predisponente, o tabagismo não é um fator de risco estabelecido para o desenvolvimento de doença renal crônica.

Paciente do sexo feminino, 29 anos, em tratamento de esclerose sistêmica há 3 anos, é encaminhada pelo reumatologista à Unidade Ambulatorial de uma prefeitura devido à hematúria e difícil controle pressórico. Paciente relata que sua visão vem sendo afetada pela hipertensão de início abrupto e que o exame de creatinina em uma das crises subiu. Leva a MAPA, que mostra PA média 178/102 mmHg, autoanticorpos para RNA polimerase III reagente. Está em uso de prednisona 40 mg/dia há 6 meses e notou que o comprometimento da pele vem aumentando difusamente nos últimos meses. Ao exame, presença de retinopatia hipertensiva e PA 160/92 mmHg. Diante desse contexto, assinale a alternativa correta.

A A paciente em questão não necessita de biópsia renal para diagnosticar CRE.
B Atualmente, o benefício do uso dos IECA ocorre no tratamento e na prevenção da CRE.
C Na CRE, o fator de risco mais importante é a positividade do anticorpo anti-RNA polimerase III.
D A manifestação renal mais grave é a crise renal esclerodérmica (CRE) que ocorre na maioria dos pacientes.
E O que fala contra ser CRE é o tempo de surgimento precoce, que tradicionalmente surge tardiamente, depois de mais de 5 anos de doença.

Recentemente a Sociedade Brasileira de Nefrologia publicou o Consenso Brasileiro de Fabry. A respeito da Doença de Fabry (DF), assinale a alternativa correta.

A Os órgãos mais impactados na DF são rins, coração e sistema nervoso central (SNC).
B Na DF, há aumento da atividade da enzima α-galactosidase A (α-GAL) que resulta em acúmulo intralisossomal progressivo de glicoesfingolipídios.
C É uma doença genética, com herança ligada ao cromossomo Y, causada por uma variante no gene GLA que codifica a enzima α-galactosidase A (α-GAL).
D No fenótipo clássico tipo 1, a “crise de Fabry” ocorre geralmente após 18 anos, com dor de moderada intensidade, pouco incapacitante, que inicia em ombros e migra para mãos e pés.
E No acometimento renal da DF, evidencia-se deposição de GL3 localizada nos túbulos distais, poupando outras áreas, inclusive os podócitos, progredindo com hipertrofia celular da região acometida para a fibrose.

Menina de 3 anos, previamente hígida, apresenta três episódios de pielonefrite febril confirmada por cultura no último ano. Ecografia pós-infecção foi normal. Os pais relatam constipação intestinal, evacuações infrequentes, escapes urinários ocasionais e padrão miccional com intervalos prolongados. A investigação mostra refluxo vesicoureteral bilateral grau II.

Qual é a conduta inicial mais adequada nesse contexto clínico?

A Iniciar profilaxia antibiótica contínua obrigatória por pelo menos 2 anos, pois todo VUR bilateral grau II com pielonefrite recorrente exige antibioticoterapia prolongada para evitar cicatriz renal.
B Indicar correção cirúrgica (endoscópica ou reimplante ureteral), pois o VUR grau II bilateral é fator suficiente para recorrência de pielonefrite e risco de cicatriz renal.
C Focar inicialmente no tratamento da disfunção vesical e intestinal (BBD) — com fisioterapia, hidratação, manejo do intestino e micções programadas — associando decisão compartilhada sobre profilaxia. Cirurgia só deve ser considerada após correção da BBD.
D Solicitar DMSA imediato para definir presença de cicatriz, pois caso seja confirmada cicatriz implicará indicação cirúrgica mesmo em VUR grau II.
E Instituir probióticos e oxicoco (cranberry) como profilaxia primária, pois evidências mostram eficácia igual à antibioticoterapia nas ITUs pediátricas recorrentes.

Paciente de 48 anos, transplantado renal há 3 meses, com boa evolução, procura o ambulatório de nefrologia na atenção secundária do SUS para obter orientações sobre vacinação. Relata que não sabe quais vacinas já tomou na vida. Segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Nefrologia, esse paciente deve evitar a vacina

A contra o HPV.
B contra a Varicela.
C dupla adulto (dT).
D meningocócica conjugada.
E contra a gripe sazonal ( influenzae tipo B).

Um médico nefrologista pediátrico é abordado por um agente da indústria farmacêutica que lhe oferece um alto valor em dinheiro para prescrever um determinado medicamento para todos os seus pacientes, independentemente da indicação clínica. O médico recusa a oferta, alegando que tal conduta seria antiética e ilegal. Qual artigo do Código de Ética Médica veda explicitamente a conduta proposta pelo agente da indústria farmacêutica?

A É vedado ao médico desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre seu tratamento (Art. 34).
B É vedado ao médico recusar atendimento ao paciente (Art. 37).
C É vedado ao médico usar de sua posição para obter vantagem ilícita ou antiética (Art. 68).
D É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão (Art. 73).
E É vedado ao médico deixar de usar todos os meios de diagnóstico e tratamento disponíveis (Art. 32).

A Síndrome Nefrótica Idiopática (SNI) é a forma mais comum de síndrome nefrótica na infância. A biópsia renal geralmente não é realizada de rotina em crianças com SNI que respondem bem à corticoterapia. Qual é a principal razão para essa conduta, considerando a histopatologia subjacente?

A A histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF), que tem prognóstico reservado.
B A histopatologia mais comum na SNI cortico-sensível é a Doença de Lesão Mínima (DLM), que não apresenta alterações à microscopia óptica.
C A biópsia renal é um procedimento de alto risco em crianças e deve ser evitada sempre que possível, independentemente da histopatologia.
D A biópsia renal é contraindicada em pacientes com SNI devido ao risco de sangramento exacerbado pela hipoalbuminemia e hemoconcentração.
E A biópsia renal deve ser evitada nos pacientes córtico-sensíveis devido ao risco elevado de trombose em pacientes nefróticos.

Uma menina de 4 anos apresentou seu primeiro episódio de cólica renal e foi diagnosticada com um cálculo de oxalato de cálcio no ureter direito, que foi expelido espontaneamente. Não há história familiar de litíase renal. Qual é a principal etapa na investigação etiológica desse primeiro episódio de nefrolitíase na infância?

A Realizar uma tomografia computadorizada para buscar outros cálculos.
B Realizar investigação metabólica urinária completa (exames de urina de 24 horas).
C Prescrever restrição hídrica para evitar a formação de novos cálculos.
D Iniciar dieta rica em cálcio para prevenir a formação de cálculos.
E Administrar antibióticos profilaticamente.

Existem vários tipos de acidose tubular renal (RTA). Assinale a alternativa que apresenta o tipo de acidose tubular renal que está associado à nefrolitíase e à nefrocalcinose.

A RTA tipo 1 (RTA distal).
B RTA tipo 2 (RTA proximal).
C RTA tipo 4 (RTA associada a hipoaldosteronismo).
D RTA tipo 3 (RTA associada ao Lúpus).
E RTA tipo 5 (RTA associada à doença de Berger).

Paciente de 40 anos vai à consulta com nefrologista na UBS e relata estar preocupado com os rins e receoso de fazer hemodiálise. Refere ter diabetes tipo II (DMII) diagnosticada há 1 ano e que nunca fez exames para verificar os rins. Faz uso de metformina 850 mg 1 x dia.

Considerando as diretrizes atuais sobre DM-DRD (Doença Renal da Diabetes), é necessário

A explicar ao paciente que DRD é um fator de risco dependente da doença cardiovascular (DCV).
B informar ao paciente que a pesquisa de albuminúria deve ser feita no momento do diagnóstico da DM, tanto na do tipo I, quanto na do tipo II.
C informar ao paciente sobre a importância de dosar a albuminúria, já que ela é preditora independente para eventos cardiovasculares e para IC no indivíduo com DM e DRC.
D recomendar que o primeiro rastreamento da DRD seja feito com amostra de urina aleatória para determinação da Razão Albumina Creatinina (RAC) e da creatinina sérica isolada.
E alertar o paciente de que a DRD apresenta 2 fenótipos distintos: com regressão da albuminúria, sem melhora total ou com perda rápida da função renal; com progressão da albuminúria, não existindo DRD sem albuminúria.