A palavra salário vem mesmo de “sal”?
1 Vem. A explicação mais popular diz que os soldados da Roma Antiga recebiam seu ordenado na forma de sal. Faz sentido. O dinheiro como o conhecemos surgiu no século 7 a.C., na forma de discos de metal precioso (moedas), e só foi adotado em Roma 300 anos depois.
2 Antes disso, o que fazia o papel de dinheiro eram itens não perecíveis e que tinham demanda garantida: barras de cobre (fundamentais para a fabricação de armas), sacas de grãos, pepitas de ouro (metal favorito para ostentar como enfeite), prata (o ouro de segunda divisão) e, sim, o sal.
3 Num mundo sem geladeiras, o cloreto de sódio era o que garantia a preservação da carne. A demanda por ele, então, tendia ao infinito. Ter barras de sal em casa funcionava como poupança. Você poderia trocá-las pelo que quisesse, a qualquer momento.
4 As moedas, bem mais portáteis, acabariam se tornando o grande meio universal de troca – seja em Roma, seja em qualquer outro lugar. Mas a palavra “salário” segue viva, como um fóssil etimológico.
5 Só há um detalhe: não há evidência de que soldados romanos recebiam mesmo um ordenado na forma de sal. Roma não tinha um exército profissional no século 4 a.C. A força militar da época era formada por cidadãos comuns, que abandonavam seus afazeres voluntariamente para lutar em tempos de guerra (questão de sobrevivência).
6 A ideia de que havia pagamentos na forma de sal vem do historiador Plínio, o Velho (um contemporâneo de Jesus Cristo). Ele escreveu o seguinte: “Sal era uma das honrarias que os soldados recebiam após batalhas bem-sucedidas. Daí vem nossa palavra salarium.” Ou seja: o sal era um bônus para voluntários, não um salário para valer. Quando Roma passou a ter uma força militar profissional e permanente, no século 3 a.C., o soldo já era mesmo pago na forma de moedas.
VERSIGNASSI, A. A palavra salário vem mesmo de “sal”?
VC S/A, São Paulo: Abril, p. 67, Jun. 2021. Adaptado.
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Texto associado
O sinal indicativo de crase está usado de acordo com a norma-padrão em:
Texto associado
O
cortador de piada
Por Paulo
Pestana
Contar piada é
uma arte. Há o contador
minucioso, que entra em detalhes, sai do
trilho e,
quando menos se espera, volta para o
arremate,
normalmente rindo mais do que quem ouve a
história pela primeira vez; há o conciso,
que usa
poucas frases e normalmente é cortante,
frequentemente maldoso; o histriônico, que
muda
a voz, se levanta, interpreta e exagera, o
pornográfico, que acha palavrão engraçado, o
verborrágico, que emenda uma piada na outra,
entre muitos outros.
Toda boa roda
de botequim tem que ter algum
contador de anedota de repertório amplo,
memória
prodigiosa e paciência. Ainda mais se de vez
em
quando aparecer na conversa um outro
personagem, o cortador de piada. Sim; um
conta,
o outro corta, normalmente se introduzindo
na
história alheia, estragando o final.
Toda boa
piada tem seu clímax no final. Não
é como um conto, uma narrativa, um cordel ou
até
mesmo um ‘causo’, quando a graça, muitas
vezes,
está no desenvolvimento da ação. O fecho da
piada tem que ser surpreendente, definitivo,
deve
conter toda graça em poucas palavras que
muitas
vezes torcem a lógica exposta
anteriormente.
O cortador de
piada é também conhecido
como o chato. Por mais velho que seja o
chiste, é
preciso respeitar o contador, ainda que não
seja
dos mais cativantes, que não tenha o brilho
e a
graça de um Chico Anísio. O cortador muitas
vezes interrompe a narrativa sem a menor
cerimônia, com aquela inocência insuportável
dos
enjoados — o chato de verdade nunca é
proposital; é um traço de caráter inato, o
que só
piora a situação.
Mas há
situações piores, quando o chato se
transforma no ladrão de piada. Também
querendo
dominar o ambiente, o ladino se apodera da
história alheia e conta o final, deixando o
dono da
anedota com a boca aberta e sem ter o que
dizer.
Foi o que aconteceu, não faz muito tempo,
num
famoso boteco da W2 Sul — ou melhor, famoso
para nós, frequentadores, já que não sai nas
colunas de jornal.
A noite ainda
era juvenil, mas aquela turma
dava impressão de estar por ali desde o café
da
manhã, tamanha a animação. Cascos vazios de
cerveja já tinham enchido um engradado e já
eram
colocados com a boca para baixo, entre os
outros.
Um dos rapazes começou a contar uma piada
comprida e que era constantemente
interrompida
por comentários diversos por outro
sujeito.
Havia interessados na narrativa, até
porque
é
uma piada sobre advogados, e os causídicos
são
fregueses habituais do estabelecimento. O
chato
não sossegava, queria ser o centro das
atenções
e diante de tantos ‘psius’ pedindo silêncio,
disparou:
— Que tatu? Não vi nenhum tatu por
aqui!
E se contorcia como o Orlando Furioso,
da
ópera de Vivaldi. Ele havia contado o fim da
piada
numa cena que só pode ser explicada pelo
alto
nível etílico daquela mesa, quando o tempo
fechou
como uma final com Grenal. Até hoje tem
gente
querendo saber como a piada chegaria ao
tatu,
mas tem medo de perguntar.
Adaptado de:
http://df.divirtasemais.com.br/app/noticia/m
aisleitor/ 2019/12/06/noticia-mais-
leitor,162065/cronica-o-cortador-
depiada.shtml. Acesso em: 10 dez. 2019.
cortador de piada
Por Paulo
Pestana
Contar piada é
uma arte. Há o contador
minucioso, que entra em detalhes, sai do
trilho e,
quando menos se espera, volta para o
arremate,
normalmente rindo mais do que quem ouve a
história pela primeira vez; há o conciso,
que usa
poucas frases e normalmente é cortante,
frequentemente maldoso; o histriônico, que
muda
a voz, se levanta, interpreta e exagera, o
pornográfico, que acha palavrão engraçado, o
verborrágico, que emenda uma piada na outra,
entre muitos outros.
Toda boa roda
de botequim tem que ter algum
contador de anedota de repertório amplo,
memória
prodigiosa e paciência. Ainda mais se de vez
em
quando aparecer na conversa um outro
personagem, o cortador de piada. Sim; um
conta,
o outro corta, normalmente se introduzindo
na
história alheia, estragando o final.
Toda boa
piada tem seu clímax no final. Não
é como um conto, uma narrativa, um cordel ou
até
mesmo um ‘causo’, quando a graça, muitas
vezes,
está no desenvolvimento da ação. O fecho da
piada tem que ser surpreendente, definitivo,
deve
conter toda graça em poucas palavras que
muitas
vezes torcem a lógica exposta
anteriormente.
O cortador de
piada é também conhecido
como o chato. Por mais velho que seja o
chiste, é
preciso respeitar o contador, ainda que não
seja
dos mais cativantes, que não tenha o brilho
e a
graça de um Chico Anísio. O cortador muitas
vezes interrompe a narrativa sem a menor
cerimônia, com aquela inocência insuportável
dos
enjoados — o chato de verdade nunca é
proposital; é um traço de caráter inato, o
que só
piora a situação.
Mas há
situações piores, quando o chato se
transforma no ladrão de piada. Também
querendo
dominar o ambiente, o ladino se apodera da
história alheia e conta o final, deixando o
dono da
anedota com a boca aberta e sem ter o que
dizer.
Foi o que aconteceu, não faz muito tempo,
num
famoso boteco da W2 Sul — ou melhor, famoso
para nós, frequentadores, já que não sai nas
colunas de jornal.
A noite ainda
era juvenil, mas aquela turma
dava impressão de estar por ali desde o café
da
manhã, tamanha a animação. Cascos vazios de
cerveja já tinham enchido um engradado e já
eram
colocados com a boca para baixo, entre os
outros.
Um dos rapazes começou a contar uma piada
comprida e que era constantemente
interrompida
por comentários diversos por outro
sujeito.
Havia interessados na narrativa, até
porque
é
uma piada sobre advogados, e os causídicos
são
fregueses habituais do estabelecimento. O
chato
não sossegava, queria ser o centro das
atenções
e diante de tantos ‘psius’ pedindo silêncio,
disparou:
— Que tatu? Não vi nenhum tatu por
aqui!
E se contorcia como o Orlando Furioso,
da
ópera de Vivaldi. Ele havia contado o fim da
piada
numa cena que só pode ser explicada pelo
alto
nível etílico daquela mesa, quando o tempo
fechou
como uma final com Grenal. Até hoje tem
gente
querendo saber como a piada chegaria ao
tatu,
mas tem medo de perguntar.
Adaptado de:
http://df.divirtasemais.com.br/app/noticia/m
aisleitor/ 2019/12/06/noticia-mais-
leitor,162065/cronica-o-cortador-
depiada.shtml. Acesso em: 10 dez. 2019.
Sobre a linguagem apresentada no texto,
assinale a alternativa correta.
Texto associado
1 A jurisdição constitucional na contemporaneidade
apresenta-se como uma consequência praticamente natural do
Estado de direito. É ela que garante que a Constituição ganhará
4 efetividade e que seu projeto não será cotidianamente rasurado
por medidas de exceção desenhadas atabalhoadamente. Mais
do que isso, a jurisdição é a garantia do projeto constitucional,
7 quando os outros poderes buscam redefinir os rumos durante
a caminhada.
Nesses termos, a jurisdição constitucional também se
10 apresenta como medida democrática. Por meio dela, as bases
que estruturaram democraticamente o Estado são conservadas,
impedindo que o calor dos fatos mude a interpretação
13 constitucional ou procure fugir de sua incidência sempre que
os acontecimentos alegarem certa urgência.
Ademais, é a garantia hodierna de que os ventos da
16 mudança não farão despencar os edifícios que sustentam as
bases constitucionais, independentemente das maiorias
momentâneas e dos clamores populares.
Emerson Ademir Borges de Oliveira. Jurisdição constitucional: entre a guarda
da Constituição e o ativismo judicial. In: Revista Jurídica da Presidência.
Brasília, v. 20, n.º 121, jun.-set./2018, p. 468-94 (com adaptações).
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
apresenta-se como uma consequência praticamente natural do
Estado de direito. É ela que garante que a Constituição ganhará
4 efetividade e que seu projeto não será cotidianamente rasurado
por medidas de exceção desenhadas atabalhoadamente. Mais
do que isso, a jurisdição é a garantia do projeto constitucional,
7 quando os outros poderes buscam redefinir os rumos durante
a caminhada.
Nesses termos, a jurisdição constitucional também se
10 apresenta como medida democrática. Por meio dela, as bases
que estruturaram democraticamente o Estado são conservadas,
impedindo que o calor dos fatos mude a interpretação
13 constitucional ou procure fugir de sua incidência sempre que
os acontecimentos alegarem certa urgência.
Ademais, é a garantia hodierna de que os ventos da
16 mudança não farão despencar os edifícios que sustentam as
bases constitucionais, independentemente das maiorias
momentâneas e dos clamores populares.
Emerson Ademir Borges de Oliveira. Jurisdição constitucional: entre a guarda
da Constituição e o ativismo judicial. In: Revista Jurídica da Presidência.
Brasília, v. 20, n.º 121, jun.-set./2018, p. 468-94 (com adaptações).
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
A supressão do vocábulo “do”, em “Mais do que isso” (l. 5 e 6), comprometeria a coesão e a correção gramatical do texto.
Texto associado
Texto II
Serviu suas famosas bebidas
para Vinicius, Carybé e Pelé
____ Os pedaços de coco in natura são colocados no
liquidificador e triturados. O líquido resultante é coado
com uma peneira de palha e recolocado no aparelho,
onde é batido com açúcar e leite condensado. Ao fim,
5 adiciona-se aguardente.
____ A receita de Diolino Gomes Damasceno, ditada à
Folha por seu filho Otaviano, parece trivial, mas a co-
nhecida batida de coco resultante não é. Afinal, não é
possível que uma bebida qualquer tenha encantado
10 um time formado por Jorge Amado (diabético, tomava
sem açúcar), Pierre Verger, Carybé, Mussum, João
Ubaldo Ribeiro, Angela Rô Rô, Wando, Vinicius de
Moraes e Pelé (tomava dentro do carro).
____ Baiano nascido em 1931 na cidade de Ipecaetá,
15 interior do estado, Diolino abriu seu primeiro estabe-
lecimento em 1968, no bairro do Rio Vermelho, reduto
boêmio de Salvador. Localizado em uma garagem,
ganhou o nome de MiniBar.
____ A batida de limão — feita com cachaça, suco de
20 limão galego, mel de abelha de primeiríssima quali-
dade e açúcar refinado, segundo o escritor Ubaldo
Marques Porto Filho — chamava a atenção dos homens,
mas Diolino deu por falta das mulheres da época.
É que elas não queriam ser vistas bebendo em
25 público, e então arranjavam alguém para comprar as
batidas e bebiam dentro do automóvel.
____ Diolino bolou então o sistema de atendimento di-
reto aos veículos, em que os garçons iam até os carros
que apenas encostavam e saíam em disparada. A
30 novidade alavancou a fama do bar. No auge, chegou
a produzir 6.000 litros de batida por mês.
SETO, G. Folha de S.Paulo. Caderno “Cotidiano”. 17 maio
2019, p. B2. Adaptado.
Serviu suas famosas bebidas
para Vinicius, Carybé e Pelé
____ Os pedaços de coco in natura são colocados no
liquidificador e triturados. O líquido resultante é coado
com uma peneira de palha e recolocado no aparelho,
onde é batido com açúcar e leite condensado. Ao fim,
5 adiciona-se aguardente.
____ A receita de Diolino Gomes Damasceno, ditada à
Folha por seu filho Otaviano, parece trivial, mas a co-
nhecida batida de coco resultante não é. Afinal, não é
possível que uma bebida qualquer tenha encantado
10 um time formado por Jorge Amado (diabético, tomava
sem açúcar), Pierre Verger, Carybé, Mussum, João
Ubaldo Ribeiro, Angela Rô Rô, Wando, Vinicius de
Moraes e Pelé (tomava dentro do carro).
____ Baiano nascido em 1931 na cidade de Ipecaetá,
15 interior do estado, Diolino abriu seu primeiro estabe-
lecimento em 1968, no bairro do Rio Vermelho, reduto
boêmio de Salvador. Localizado em uma garagem,
ganhou o nome de MiniBar.
____ A batida de limão — feita com cachaça, suco de
20 limão galego, mel de abelha de primeiríssima quali-
dade e açúcar refinado, segundo o escritor Ubaldo
Marques Porto Filho — chamava a atenção dos homens,
mas Diolino deu por falta das mulheres da época.
É que elas não queriam ser vistas bebendo em
25 público, e então arranjavam alguém para comprar as
batidas e bebiam dentro do automóvel.
____ Diolino bolou então o sistema de atendimento di-
reto aos veículos, em que os garçons iam até os carros
que apenas encostavam e saíam em disparada. A
30 novidade alavancou a fama do bar. No auge, chegou
a produzir 6.000 litros de batida por mês.
SETO, G. Folha de S.Paulo. Caderno “Cotidiano”. 17 maio
2019, p. B2. Adaptado.
A concordância do verbo destacado está de acordo com a
norma-padrão em:
A redação que não merece reparos, por estar clara e condizente com a norma-padrão da língua, é:
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 8.
1. Sem grande aviso, o mundo digital está mudando em suas bases. O que um dia foi um meio anônimo transformou-se numa
ferramenta dedicada a analisar dados pessoais.
2. Grande parte das pessoas imaginam que, ao procurar um termo na internet, todos obteremos os mesmos resultados. No
entanto, hoje isso já não é verdade. Agora, obtemos o resultado que um filtro personalizado sugere ser melhor para cada usuário
específico.
3. Durante algum tempo, parecia que a internet iria redemocratizar a sociedade. “Jornalistas cidadãos” iriam reconstruir os meios
de comunicação. Os governos locais se tornariam mais transparentes. Contudo, esses tempos de conectividade cívica com os quais
eu tanto sonhava ainda não chegaram.
4. A democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez
mais fechados em nossas próprias bolhas. A democracia exige que nos baseemos em fatos compartilhados; no entanto, estão nos
oferecendo universos distintos e paralelos.
5. Naturalmente, há boas razões para que os filtros personalizados sejam tão fascinantes. Somos sobrecarregados por uma
torrente de informações. Eric Schmidt costuma ressaltar que, se gravássemos toda a comunicação humana desde o início dos tempos
até 2003, precisaríamos de 5 bilhões de gigabytes para armazená-la. Agora, criamos essa mesma quantidade de dados a cada dois
dias.
6. Tudo isso levará ao colapso da atenção. Somos cada vez mais incapazes de processar tanta informação. Nossa concentração
se desvia da mensagem de texto para as principais notícias e daí para o e-mail. A tarefa de examinar essa torrente cada vez mais
ampla em busca das partes realmente importantes, ou apenas relevantes, já demanda dedicação integral. Assim, quando os filtros
personalizados oferecem uma ajuda, tendemos a aceitá-la.
7. Deixados por conta própria, os filtros de personalização servem como uma espécie de autopropaganda invisível, doutrinando-
nos com nossas próprias ideias, amplificando nosso desejo por coisas conhecidas e nos deixando alheios aos perigos ocultos no
território do desconhecido. Na bolha dos filtros, há menos espaço para os encontros fortuitos que proporcionam novas percepções e
aprendizados.
8. A criatividade muitas vezes é atiçada pela colisão de ideias surgidas em disciplinas e culturas diferentes. Por definição, um
mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender. Se a personalização for excessiva,
poderá nos impedir de entrar em contato com experiências e ideias capazes de mudar o modo como pensamos.
9. Das megacidades à nanotecnologia, estamos criando uma sociedade cuja complexidade ultrapassa os limites da compreensão
individual. Os problemas que enfrentaremos nos próximos vinte anos – escassez de energia, terrorismo, mudança climática – têm
uma abrangência enorme. Os primeiros entusiastas da internet esperavam que a rede fosse uma nova plataforma para enfrentarmos
esses problemas. Acredito que ainda possa ser.
10. Mas, antes, precisamos entender as forças que estão levando a internet em sua direção atual, personalizada. Precisamos
entender as forças econômicas e sociais que movem a personalização, algumas inevitáveis, outras não. E precisamos entender o que
tudo isso representa para a política, a cultura e o futuro. E como a bolha dos filtros distorce a percepção do que é importante,
verdadeiro e real, é fundamental torná-la visível.
(PARISER, Eli. O filtro invisível: O que a internet está escondendo de você. Trad. Diego Alfaro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 2012. Edição digital)
1. Sem grande aviso, o mundo digital está mudando em suas bases. O que um dia foi um meio anônimo transformou-se numa
ferramenta dedicada a analisar dados pessoais.
2. Grande parte das pessoas imaginam que, ao procurar um termo na internet, todos obteremos os mesmos resultados. No
entanto, hoje isso já não é verdade. Agora, obtemos o resultado que um filtro personalizado sugere ser melhor para cada usuário
específico.
3. Durante algum tempo, parecia que a internet iria redemocratizar a sociedade. “Jornalistas cidadãos” iriam reconstruir os meios
de comunicação. Os governos locais se tornariam mais transparentes. Contudo, esses tempos de conectividade cívica com os quais
eu tanto sonhava ainda não chegaram.
4. A democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez
mais fechados em nossas próprias bolhas. A democracia exige que nos baseemos em fatos compartilhados; no entanto, estão nos
oferecendo universos distintos e paralelos.
5. Naturalmente, há boas razões para que os filtros personalizados sejam tão fascinantes. Somos sobrecarregados por uma
torrente de informações. Eric Schmidt costuma ressaltar que, se gravássemos toda a comunicação humana desde o início dos tempos
até 2003, precisaríamos de 5 bilhões de gigabytes para armazená-la. Agora, criamos essa mesma quantidade de dados a cada dois
dias.
6. Tudo isso levará ao colapso da atenção. Somos cada vez mais incapazes de processar tanta informação. Nossa concentração
se desvia da mensagem de texto para as principais notícias e daí para o e-mail. A tarefa de examinar essa torrente cada vez mais
ampla em busca das partes realmente importantes, ou apenas relevantes, já demanda dedicação integral. Assim, quando os filtros
personalizados oferecem uma ajuda, tendemos a aceitá-la.
7. Deixados por conta própria, os filtros de personalização servem como uma espécie de autopropaganda invisível, doutrinando-
nos com nossas próprias ideias, amplificando nosso desejo por coisas conhecidas e nos deixando alheios aos perigos ocultos no
território do desconhecido. Na bolha dos filtros, há menos espaço para os encontros fortuitos que proporcionam novas percepções e
aprendizados.
8. A criatividade muitas vezes é atiçada pela colisão de ideias surgidas em disciplinas e culturas diferentes. Por definição, um
mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender. Se a personalização for excessiva,
poderá nos impedir de entrar em contato com experiências e ideias capazes de mudar o modo como pensamos.
9. Das megacidades à nanotecnologia, estamos criando uma sociedade cuja complexidade ultrapassa os limites da compreensão
individual. Os problemas que enfrentaremos nos próximos vinte anos – escassez de energia, terrorismo, mudança climática – têm
uma abrangência enorme. Os primeiros entusiastas da internet esperavam que a rede fosse uma nova plataforma para enfrentarmos
esses problemas. Acredito que ainda possa ser.
10. Mas, antes, precisamos entender as forças que estão levando a internet em sua direção atual, personalizada. Precisamos
entender as forças econômicas e sociais que movem a personalização, algumas inevitáveis, outras não. E precisamos entender o que
tudo isso representa para a política, a cultura e o futuro. E como a bolha dos filtros distorce a percepção do que é importante,
verdadeiro e real, é fundamental torná-la visível.
(PARISER, Eli. O filtro invisível: O que a internet está escondendo de você. Trad. Diego Alfaro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 2012. Edição digital)
Está gramaticalmente correta a redação da seguinte frase adaptada do texto:
O emprego dos verbos está plenamente de acordo com a norma-padrão da língua na frase:
Texto associado
Mobilidade e acessibilidade desafiam cidades
..
A população do mundo chegou, em 2011, à mar-
ca oficial de 7 bilhões de pessoas. Desse total, parte
cada vez maior vive nas cidades: em 2010, esse con-
tingente superou os 50% dos habitantes do planeta, e
5 até 2050 prevê-se que mais de dois terços da popula
ção mundial será urbana.
No Brasil, a população urbana já representa
84,4% do total, de acordo com o Censo 2010. É pre-
ciso, então, que questões de mobilidade e acessibili-
10 dade urbana passem a ser discutidas.
No passado, a noção de mobilidade era estreita-
mente ligada ao automóvel. Hoje, como resultado, os
moradores de grande maioria das cidades brasileiras
lidam diariamente com congestionamentos insupor-
15 táveis, que causam enormes perdas. Isso, sem falar
no alto índice de mortes em vias urbanas do país.
Depreendemos daí que a dependência do automóvel
como meio de transporte é um fator que impede a
mobilidade urbana.
20 --- É importante investir em infraestrutura pedestre,
cicloviária e em sistemas mais eficazes e adequados
de ônibus. Ao mesmo tempo, podemos desenvolver
cidades mais acessíveis, onde a maior parte dos ser-
viços esteja próxima às moradias e haja opções de
25 transporte não motorizado para nos locomovermos.
..
BROADUS, V. Portal Mobilize Brasil . 16 jul. 2012. Disponível em: . Acesso em: 9 jul. 2018. Adaptado.
..
Glossário :
Mobilidade urbana – É a facilidade de locomoção das entre as diferentes zonas de uma cidade.
Acessibilidade urbana – É a garantia de condições às pessoas portadoras de defi ciência ou com mobilidade reduzida, para a utilização, com segurança e autonomia, dos espaços públicos.
..
A população do mundo chegou, em 2011, à mar-
ca oficial de 7 bilhões de pessoas. Desse total, parte
cada vez maior vive nas cidades: em 2010, esse con-
tingente superou os 50% dos habitantes do planeta, e
5 até 2050 prevê-se que mais de dois terços da popula
ção mundial será urbana.
No Brasil, a população urbana já representa
84,4% do total, de acordo com o Censo 2010. É pre-
ciso, então, que questões de mobilidade e acessibili-
10 dade urbana passem a ser discutidas.
No passado, a noção de mobilidade era estreita-
mente ligada ao automóvel. Hoje, como resultado, os
moradores de grande maioria das cidades brasileiras
lidam diariamente com congestionamentos insupor-
15 táveis, que causam enormes perdas. Isso, sem falar
no alto índice de mortes em vias urbanas do país.
Depreendemos daí que a dependência do automóvel
como meio de transporte é um fator que impede a
mobilidade urbana.
20 --- É importante investir em infraestrutura pedestre,
cicloviária e em sistemas mais eficazes e adequados
de ônibus. Ao mesmo tempo, podemos desenvolver
cidades mais acessíveis, onde a maior parte dos ser-
viços esteja próxima às moradias e haja opções de
25 transporte não motorizado para nos locomovermos.
..
BROADUS, V. Portal Mobilize Brasil . 16 jul. 2012. Disponível em: . Acesso em: 9 jul. 2018. Adaptado.
..
Glossário :
Mobilidade urbana – É a facilidade de locomoção das entre as diferentes zonas de uma cidade.
Acessibilidade urbana – É a garantia de condições às pessoas portadoras de defi ciência ou com mobilidade reduzida, para a utilização, com segurança e autonomia, dos espaços públicos.