O Imperador da Língua Portuguesa
Quem entra no santuário de Santo Antônio em Franca pode ver à esquerda do altar principal grande mural que mostra o padroeiro pregando aos peixes. Antônio de Lisboa em Portugal e de Pádua no Brasil, o célebre orador tem seu aparelho fonador exposto como relíquia no santuário da cidade italiana de Padova, à qual acorrem milhares de fiéis ao longo do ano e especialmente na data de nascimento do patrono, 13 de junho.
A biografia impressiona. Ele nasceu em Lisboa, em 1195, numa família de escrivães que serviam à Corte. Fez os primeiros estudos com brilhantismo e se tornou agostiniano ainda muito jovem. Um encontro com Francisco de Assis o impactou tanto que ele se filiou à ordem franciscana, ainda em implantação. Viveu apenas 36 anos, transitou entre Portugal e Itália, protagonizou milagres para alguns e apenas lendas para outros.
Conta-se que Antônio falava em Rimini (cidade litorânea do que ainda viria a ser o território italiano) a um grupo de ateus, tentando convertê-los ao cristianismo. Entretanto, sendo desconsiderado e ironizado, afastou-se e buscou uma praia do Adriático, conclamando os peixes a ouvi-lo. Foi com espanto que os presentes viram assomar à superfície peixes de vários tamanhos, nadando de um lado para outro à procura de seus semelhantes para com eles se juntarem. E assim o fazendo, agruparam-se por espécie e colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador.
Cerca de cinco séculos depois, outro Antônio, de sobrenome Vieira, também pregador, igualmente de origem portuguesa, mas pertencente a outra ordem religiosa, a dos jesuítas, tomou a narrativa popular como tema para uma de suas mais célebres peças literárias, o “Sermão de Santo Antônio aos Peixes”, proferido no dia 13 de junho de 1661, no Maranhão. Os dois Antônios estavam separados por quinhentos anos, mas unidos por uma nacionalidade, a lusitana; um talento, a oratória; e uma causa maior, o cristianismo.
Lisboeta, Antônio Vieira veio ainda criança para o Brasil com a família que estava a serviço da Corte. [...] Talvez por ser neto de africana, desde cedo manifestou interesse pela diversidade humana, por hábitos diferentes e línguas estrangeiras. Em trabalho missionário durante oito anos no Pará e Maranhão aprendeu sete idiomas indígenas e ficou conhecido junto das tribos como “Pai Grande”, por defender os índios de maus tratos aos quais eram submetidos pelos colonos portugueses.
O “Sermão de Santo Antônio aos Peixes” é perfeita expressão barroca, onde mediante argumentação poderosa e belas imagens de potente plasticidade, o autor condena de forma enfática a escravização do índio.
[...]
Antônio Vieira foi banido do Maranhão em 1661. Fixou-se então na Bahia e fez algumas viagens diplomáticas à Europa. Retornou de vez ao nosso país no final da vida, para ordenar, editar e publicar seus 200 sermões e outras peças literárias. Morreu em Salvador, num dia de junho, 17, aos 89 anos.
Neste mês de coincidências, que celebra algumas datas referentes à nossa cultura, uma delas o dia 10 dedicado à Língua Portuguesa, falou-se na mídia e nas redes sociais sobre Luís de Camões e Fernando Pessoa. Nada vi sobre o Padre Vieira, a quem o magnífico poeta de “Mensagem” chamou, com justiça e conhecimento de causa, “Imperador da Língua Portuguesa”.
Texto adaptado de: Fonte: O Imperador da Língua Portuguesa (sampi.net.br). Acesso em: 02 de jul. 2023.
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O texto a seguir refere-se às questões de 1 a 10.
REDE BRASIL DO PACTO GLOBAL QUER MELHORAR SAÚDE MENTAL DE 10 MILHÕES DE PESSOAS
Por Marina Filippe
Publicado em 30/04/2022
O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e é também dos que contabiliza os maiores índices de depressão. Com a intenção de mudar esse cenário ao promover conversas e, consequentemente, mudanças na saúde mental dos brasileiros, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, braço das Nações Unidas que reúne o setor corporativo, reforça o Movimento Mente em Foco.
A iniciativa, lançada há um ano pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e InPress Porter Novelli, em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicologia, agora faz parte da Ambição 2030, que busca acelerar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com isso, as empresas e organizações brasileiras são convidadas a agir em benefício de seus funcionários e da sociedade como um todo no combate ao estigma e ao preconceito social ao redor da saúde mental.
O objetivo é que a saúde mental seja tratada não apenas como uma medida emergencial, mas sim como um tema perene e que faça parte da estratégia de negócio das companhias. "As companhias têm um papel fundamental na saúde e bem-estar dos seus trabalhadores, em todos os níveis hierárquicos. E não adianta agir somente na patologia, quando a doença já está manifestada. Sabemos que o absenteísmo é muito grave e quanto está relacionado ao tema de saúde mental. Por isso, temos de ser estratégicos, colocando o tema saúde mental como pauta central nos negócios”, afirma Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Para a divulgação, o Movimento Mente em Foco será apresentado em telões dos estádios no Campeonato Brasileiro masculino e feminino. As empresas que se tornarem signatárias do movimento, firmam o compromisso de implementar as seguintes ações para a promoção da saúde mental: ter um profissional de referência para aconselhamento e atendimento; oferecer orientação e manejo de crises; garantir a avaliação permanente dos colaboradores; manter gestores engajados no tema; criar um programa antiestigma; e promover ações de incentivo à saúde mental.
Adaptado de: https://www.sbponline.org.br/2022/05/rede-brasil-dopacto-global-quer-melhorar-saude-mental-de-10-milhoes-depessoas. Acesso em: 15 ago. 2022.
REDE BRASIL DO PACTO GLOBAL QUER MELHORAR SAÚDE MENTAL DE 10 MILHÕES DE PESSOAS
Por Marina Filippe
Publicado em 30/04/2022
O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e é também dos que contabiliza os maiores índices de depressão. Com a intenção de mudar esse cenário ao promover conversas e, consequentemente, mudanças na saúde mental dos brasileiros, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, braço das Nações Unidas que reúne o setor corporativo, reforça o Movimento Mente em Foco.
A iniciativa, lançada há um ano pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU e InPress Porter Novelli, em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicologia, agora faz parte da Ambição 2030, que busca acelerar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com isso, as empresas e organizações brasileiras são convidadas a agir em benefício de seus funcionários e da sociedade como um todo no combate ao estigma e ao preconceito social ao redor da saúde mental.
O objetivo é que a saúde mental seja tratada não apenas como uma medida emergencial, mas sim como um tema perene e que faça parte da estratégia de negócio das companhias. "As companhias têm um papel fundamental na saúde e bem-estar dos seus trabalhadores, em todos os níveis hierárquicos. E não adianta agir somente na patologia, quando a doença já está manifestada. Sabemos que o absenteísmo é muito grave e quanto está relacionado ao tema de saúde mental. Por isso, temos de ser estratégicos, colocando o tema saúde mental como pauta central nos negócios”, afirma Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global.
Para a divulgação, o Movimento Mente em Foco será apresentado em telões dos estádios no Campeonato Brasileiro masculino e feminino. As empresas que se tornarem signatárias do movimento, firmam o compromisso de implementar as seguintes ações para a promoção da saúde mental: ter um profissional de referência para aconselhamento e atendimento; oferecer orientação e manejo de crises; garantir a avaliação permanente dos colaboradores; manter gestores engajados no tema; criar um programa antiestigma; e promover ações de incentivo à saúde mental.
Adaptado de: https://www.sbponline.org.br/2022/05/rede-brasil-dopacto-global-quer-melhorar-saude-mental-de-10-milhoes-depessoas. Acesso em: 15 ago. 2022.
No primeiro parágrafo do texto, a sequência “Com a intenção de mudar esse cenário [...]” expressa sentido de
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
No contexto, exprime noção de finalidade o segmento sublinhado em:
Texto associado
TEXTO 1
Brumadinho, Mariana, impunidade e descaso
Nenhum dos envolvidos no desastre de 2015 foi responsabilizado, e a fiscalização continuou precária mesmo depois da primeira tragédia: ingredientes para mais uma catástrofe
Pouco mais de três anos depois do desastre de Mariana, do qual Minas Gerais ainda luta para se recuperar, mais um rompimento de barragem da mineradora Vale assombra o país. Desta vez, como afirmou o presidente da empresa, Fabio Schvartsman, o custo ambiental pode até ter sido menor que o de Mariana, mas o custo humano foi muito maior. (...) Como é possível que dois desastres dessas dimensões tenham ocorrido em um espaço que, para este tipo de situação, pode ser considerado curto?
Mariana – cuja barragem pertencia à Samarco, joint-venture entre a Vale e a britânica BHP Billiton – deveria ter servido de aprendizado, mas todas as informações que surgiram após o desastre de Brumadinho mostram que os esforços nem das empresas responsáveis, nem do Estado brasileiro foram suficientes para evitar que outro episódio catastrófico ocorresse. A empresa certamente sabe que a preservação e a prevenção compensam; os danos de imagem podem ser diferentes daqueles que atingem outros tipos de negócios – o público não pode simplesmente “boicotar” uma mineradora, por exemplo –, mas também existem, e a Vale sentiu, nesta segunda-feira, a perda de seu valor de mercado. Schvartsman chegou a dizer que a empresa fez todo o possível para garantir a segurança de suas barragens depois de Mariana, mas agora se sabe que “todo o possível” não bastou.
A palavra ausente neste período entre Mariana e Brumadinho é “responsabilização”. O Ministério Público Federal denunciou 21 pessoas e as três empresas (Samarco, Vale e BHP Billiton) pelo desastre de Mariana, mas ainda não houve julgamento. A Gazeta do Povo apurou que, das 68 multas aplicadas após a tragédia de 2015, apenas uma está sendo paga, em 59 parcelas. A demora para que os responsáveis paguem pela sucessão de irresponsabilidades que levou ao desastre certamente não incentiva as mineradoras a manter boas práticas de prevenção de desastres que possam ir além do estritamente necessário.
Os dados mais estarrecedores, no entanto, vieram dos relatórios governamentais que mostram uma inação quase completa do poder público na fiscalização do estado das barragens no país. O Relatório de Segurança de Barragens de 2017, da Agência Nacional de Águas, mostra que apenas 27% das barragens de rejeitos (caso tanto de Mariana quanto de Brumadinho) foram vistoriadas em 2017 pela Agência Nacional de Mineração. Há 45 barragens com “algum comprometimento importante que impacte a sua segurança”. A informalidade é a regra: 42% das barragens cadastradas nos órgãos de fiscalização não têm nenhum tipo de documento como outorga, autorização ou licença. E, nos poucos casos em que há vistoria, ela é feita por amostragem de algumas áreas da barragem, o que pode ignorar pontos críticos. É assim que tanto a barragem de Fundão, em Mariana, como a da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, foram consideradas seguras. Ainda mais revoltante é a informação de que a Câmara de Atividades Minerárias da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais aprovou uma ampliação de 70% no complexo Paraopeba (onde se encontrava a barragem que estourou em Brumadinho) de forma apressada, rebaixando o potencial poluidor da operação para que o licenciamento ambiental pudesse pular fases.
A atividade mineradora é atribuição da iniciativa privada, mas a fiscalização é uma obrigação do Estado. E os relatórios demonstram que o governo não deu importância a esse trabalho nem mesmo depois de Mariana. Como resultado desta omissão coletiva, dezenas, possivelmente centenas, de vidas perderam-se em Brumadinho. Mortes que poderiam ter sido evitadas se o caso de 2015 tivesse levado a uma responsabilização rápida por parte da Justiça, um trabalho mais cuidadoso por parte das empresas de mineração e uma fiscalização abrangente feita pelo governo.
Adaptado de: < https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/brumadinho-mariana-impunidade-e-descaso-6621e4i8qg00dhyqctji1wdh2/ >. Acesso em: 04 abr. 2019.
Brumadinho, Mariana, impunidade e descaso
Nenhum dos envolvidos no desastre de 2015 foi responsabilizado, e a fiscalização continuou precária mesmo depois da primeira tragédia: ingredientes para mais uma catástrofe
Pouco mais de três anos depois do desastre de Mariana, do qual Minas Gerais ainda luta para se recuperar, mais um rompimento de barragem da mineradora Vale assombra o país. Desta vez, como afirmou o presidente da empresa, Fabio Schvartsman, o custo ambiental pode até ter sido menor que o de Mariana, mas o custo humano foi muito maior. (...) Como é possível que dois desastres dessas dimensões tenham ocorrido em um espaço que, para este tipo de situação, pode ser considerado curto?
Mariana – cuja barragem pertencia à Samarco, joint-venture entre a Vale e a britânica BHP Billiton – deveria ter servido de aprendizado, mas todas as informações que surgiram após o desastre de Brumadinho mostram que os esforços nem das empresas responsáveis, nem do Estado brasileiro foram suficientes para evitar que outro episódio catastrófico ocorresse. A empresa certamente sabe que a preservação e a prevenção compensam; os danos de imagem podem ser diferentes daqueles que atingem outros tipos de negócios – o público não pode simplesmente “boicotar” uma mineradora, por exemplo –, mas também existem, e a Vale sentiu, nesta segunda-feira, a perda de seu valor de mercado. Schvartsman chegou a dizer que a empresa fez todo o possível para garantir a segurança de suas barragens depois de Mariana, mas agora se sabe que “todo o possível” não bastou.
A palavra ausente neste período entre Mariana e Brumadinho é “responsabilização”. O Ministério Público Federal denunciou 21 pessoas e as três empresas (Samarco, Vale e BHP Billiton) pelo desastre de Mariana, mas ainda não houve julgamento. A Gazeta do Povo apurou que, das 68 multas aplicadas após a tragédia de 2015, apenas uma está sendo paga, em 59 parcelas. A demora para que os responsáveis paguem pela sucessão de irresponsabilidades que levou ao desastre certamente não incentiva as mineradoras a manter boas práticas de prevenção de desastres que possam ir além do estritamente necessário.
Os dados mais estarrecedores, no entanto, vieram dos relatórios governamentais que mostram uma inação quase completa do poder público na fiscalização do estado das barragens no país. O Relatório de Segurança de Barragens de 2017, da Agência Nacional de Águas, mostra que apenas 27% das barragens de rejeitos (caso tanto de Mariana quanto de Brumadinho) foram vistoriadas em 2017 pela Agência Nacional de Mineração. Há 45 barragens com “algum comprometimento importante que impacte a sua segurança”. A informalidade é a regra: 42% das barragens cadastradas nos órgãos de fiscalização não têm nenhum tipo de documento como outorga, autorização ou licença. E, nos poucos casos em que há vistoria, ela é feita por amostragem de algumas áreas da barragem, o que pode ignorar pontos críticos. É assim que tanto a barragem de Fundão, em Mariana, como a da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, foram consideradas seguras. Ainda mais revoltante é a informação de que a Câmara de Atividades Minerárias da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais aprovou uma ampliação de 70% no complexo Paraopeba (onde se encontrava a barragem que estourou em Brumadinho) de forma apressada, rebaixando o potencial poluidor da operação para que o licenciamento ambiental pudesse pular fases.
A atividade mineradora é atribuição da iniciativa privada, mas a fiscalização é uma obrigação do Estado. E os relatórios demonstram que o governo não deu importância a esse trabalho nem mesmo depois de Mariana. Como resultado desta omissão coletiva, dezenas, possivelmente centenas, de vidas perderam-se em Brumadinho. Mortes que poderiam ter sido evitadas se o caso de 2015 tivesse levado a uma responsabilização rápida por parte da Justiça, um trabalho mais cuidadoso por parte das empresas de mineração e uma fiscalização abrangente feita pelo governo.
Adaptado de: < https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/brumadinho-mariana-impunidade-e-descaso-6621e4i8qg00dhyqctji1wdh2/ >. Acesso em: 04 abr. 2019.