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Texto associado
Medo da eternidade

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático
contato com a eternidade. Quando eu era muito pe-
quena ainda não tinha provado chicles e mesmo em
Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de
5 que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo
o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com
o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao
sairmos de casa para a escola me explicou:
10 ___ —Tome cuidado para não perder, porque esta
bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba? — Parei um instante na
rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
15 ___ Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada
para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei
a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o
elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia
acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças,
20 às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para
chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me
com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente,
tornando possível o mundo impossível do qual
eu já começara a me dar conta.
25 ___ Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle
na boca.
— E agora que é que eu faço? —Perguntei para
não errar no ritual que certamente deveria haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do do-
30 cinho dele, e só depois que passar o gosto você co-
meça a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos
que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia
35 dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-
nos para a escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê Comecei a
40 mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa
cinzento de borracha que não tinha gosto de nada.
Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na
verdade eu não estava gostando do gosto. E a van-
tagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie
45 de medo, como se tem diante da ideia de eternidade
ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da
eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso,
eu mastigava obedientemente, sem parar.
50 ___ Até que não suportei mais, e, atravessando o
portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado
cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em
fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mas-
55 tigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não aca-
ba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite
a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no
sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste,
60 um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de
minha irmã, envergonhada da mentira que pregara
dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre
65 mim.

LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 6 jun. 1970.

A frase em que a palavra ou expressão destacada respeita as regras ortográficas e gramaticais da norma padrão é:

A As crianças querem estar aonde a fantasia está.
B Queremos saber por que a ideia de eternidade nos fascina.
C O gosto adocicado do chicle mau acaba e queremos outro.
D Nada como balas e chicletes durante uma seção de cinema.
E A ideia de viver para sempre persegue o homem a séculos.
Texto associado
Medo da eternidade

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático
contato com a eternidade. Quando eu era muito pe-
quena ainda não tinha provado chicles e mesmo em
Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de
5 que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo
o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com
o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao
sairmos de casa para a escola me explicou:
10 ___ —Tome cuidado para não perder, porque esta
bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba? — Parei um instante na
rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
15 ___ Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada
para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei
a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o
elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia
acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças,
20 às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para
chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me
com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente,
tornando possível o mundo impossível do qual
eu já começara a me dar conta.
25 ___ Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle
na boca.
— E agora que é que eu faço? —Perguntei para
não errar no ritual que certamente deveria haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do do-
30 cinho dele, e só depois que passar o gosto você co-
meça a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos
que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia
35 dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-
nos para a escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê Comecei a
40 mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa
cinzento de borracha que não tinha gosto de nada.
Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na
verdade eu não estava gostando do gosto. E a van-
tagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie
45 de medo, como se tem diante da ideia de eternidade
ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da
eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso,
eu mastigava obedientemente, sem parar.
50 ___ Até que não suportei mais, e, atravessando o
portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado
cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em
fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mas-
55 tigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não aca-
ba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite
a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no
sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste,
60 um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de
minha irmã, envergonhada da mentira que pregara
dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre
65 mim.

LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 6 jun. 1970.

No texto, foram empregadas as palavras aí (l. 31) e ótimo (l. 35), ambas acentuadas graficamente.
Duas outras palavras corretamente acentuadas pelos mesmos motivos que aí e ótimo são, respectivamente,

A juíz e ébano
B Icaraí e rítmo
C caquís e incrédulo
D país e sonâmbulo
E abacaxí e econômia
Texto associado
Psicologia do espaço: as implicações da
arquitetura no comportamento humano

Visto que seres humanos passam a maior parte de suas vidas em ambientes fechados, não nos surpreende o fato de que determinadas características do espaço construído têm um impacto significativo em nosso comportamento psíquico. Condições de iluminação, de escala e proporção assim como os materiais e suas texturas são características espaciais que emitem informações para nossos sentidos, afetando a maneira como nos relacionamos com o espaço, produzindo um sem fim de sensações e reações.
Determinadas características do espaço construído são capazes de induzir sensações de tranquilidade e segurança nas pessoas, de fazer com que se sintam bem e relaxadas ou até de aumentar a concentração e a produtividade dos usuários em seu ambiente de trabalho. Independente de qual sejam as sensações que nos provocam, não se pode negar que as características dos espaços em que vivemos – ou trabalhamos – desempenham um papel fundamental na maneira como as pessoas se sentem e como elas se relacionam com o espaço.
No entanto, pessoas foram sendo empilhadas em caixas para servir um sistema de produção em massa destinado a alimentar uma sociedade faminta pelo consumismo. De fato, o empilhamento, ou verticalização, é um fenômeno que surgiu em resposta à Revolução Industrial e ao consequente aumento exponencial das pessoas que, em busca de ofertas de emprego, começaram a abarrotar cidades completamente despreparadas para absorver tal contingente humano. As unidades habitacionais se tornaram mais compactas para que os edifícios pudessem acomodar um número cada vez maior de habitantes.
“ As características dos espaços que projetamos são capazes de induzir determinados tipos de comportamento nas pessoas ”, diz a psicóloga ambiental e designer de interiores Migette Kaup. Por exemplo, projetos que incorporam noções de equilíbrio, proporção, simetria e ritmo são capazes de provocar uma sensação de tranquilidade e harmonia. As cores, por sua vez, também são capazes de provocar sensações de conforto ou estimular a comunicação entre as pessoas. A luz é um universo em si e depende muito da tipologia de espaço de que estamos falando. Uma luz suave sugere um espaço mais introspectivo, enquanto uma luz mais intensa caracteriza um espaço mais extrovertido. Para a psicóloga, a iluminação natural abundante é um excelente estímulo à produtividade e ao bemestar físico e mental das pessoas.

Por outro lado, determinadas características espaciais provocam ansiedade, outras estimulam uma sensação de equilíbrio e serenidade. Acontece que nem sempre somos conscientes de nossas reações e acabamos agindo sem saber porquê. Irving Weiner, professor de psicologia ambiental do Massasoit Community College de Middleborough, Massachusetts, afirma que “muitas dessas características ambientais não podem ser vistas ou apreendidas por nossos sentidos, mas, ainda assim, são capazes de influenciar diretamente o nosso comportamento ou humor” .

Adaptado de: . Acesso em: 09 jul. 2020.

Assinale a alternativa em que os pares de palavras são acentuados de acordo com a mesma regra.

A Até – porquê.
B Não – têm.
C Implicações – construídos.
D É – até.
E Edifícios – equilíbrio.
Texto associado
Texto para as questões de 1 a 19.

1 A geografia da produção global apresenta novas
determinações e novos desafios ao desenvolvimento, em
que diferentes países ou territórios conseguem, por
4 distintos motivos, aderir ao novo padrão da produção global
e apresentam, assim, resultados positivos de crescimento
industrial e econômico e de desenvolvimento
7 socioeducacional, o que leva a uma mudança estrutural.
Inserem‐se nesses grupos a China e os países e
territórios asiáticos de primeira geração — chamados
10 outrora de tigres asiáticos —, que incluem Coreia do Sul,
Cingapura, Hong Kong (região administrativa especial da
República Popular da China) e o território de Taiwan, e os
13 países de segunda geração — denominados de novos tigres
asiáticos, termo cunhado na década de 1990 —, que
incluem Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã.
16 Embora tenham passado por forte crise econômica e
recessão em 1997, esses países se recuperaram e
apresentam, atualmente, bons desempenhos na área
19 econômica.
A China aparece como um gigante na produção
global e vem atualizando a sua matriz de produção, já sendo
22 líder em vários setores industriais, ranqueada como a
segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos
Estados Unidos da América, e posicionada, como centro
25 dinamizador do crescimento econômico asiático, entre as
mais relevantes em termos de comércio exterior. Esse país
apresenta uma forma de desenvolvimento singular que
28 combina socialismo com economia de mercado e que
permite vislumbrar uma alternativa possível ao modelo
norte‐americano.
31 Outro exemplo de país asiático que apresenta grande
êxito é a Coreia do Sul, onde se observa a emergência de
grandes e famosas empresas dirigidas por famílias,
34 conhecidas por chaebols , entre as quais empresas líderes
dos setores automobilístico, como Hyundai e Kia, e
eletrônico, como Samsung e LG. Essas empresas utilizam‐se
37 de várias estratégias voltadas para a concorrência global,
entre elas a da imitação, e têm papel fundamental no
desenvolvimento tecnológico e na expansão de atividades
40 de pesquisa, além de serem responsáveis pelo crescimento
das indústrias têxteis, madeireiras e de cimento no país.
Entretanto, o desenvolvimento sul‐coreano está
43 ligado às formas de desenvolvimento a convite ou
associado — com acesso privilegiado aos mercados e aos
capitais das grandes potências, obtido em troca da
46 submissão a sua política externa e a sua estratégia militar
global —, que ocorrem em contextos geopolíticos
específicos. Do ponto de vista produtivo, o comando da
49 produção global permanece nos países mais desenvolvidos,
porém vão surgindo novos centros. Nesse sentido, há o
desenvolvimento do centro em um país antes considerado
52 periferia, o que demonstra como uma estratégia de
desenvolvimento com participação ativa do Estado pode
promover uma mudança estrutural.

Daniel Pereira Sampaio . Indústria e desenvolvimento no Brasil:
notas sobre o atraso dos últimos 30 anos (1980/2010). VI
Seminário Internacional sobre desenvolvimento regional.
Tema: Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento
Regional. Programa de Pós‐Graduação em Desenvolvimento
Regional, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de
2013, p. 6. Internet: (com adaptações).

Na forma “têm” (linha 38), o acento é empregado em razão de ser uma palavra cujo acento é

A agudo e recai na última sílaba.
B circunflexo e recai na penúltima sílaba.
C indicador da vogal tônica fechada da palavra.
D diferencial e indica o plural da forma verbal.
E optativo, após a vigência do novo acordo ortográfico.

Para responder às questões de números 16 a 20, baseie-se no texto abaixo.

Conversa entreouvida na antiga Atenas

Ao ver Diógenes ocupado em limpar vegetais ao pé de um chafariz, o filósofo Platão aproximou-se do filósofo rival e alfinetou:
“Se você fizesse corte (*) a Dionísio, rei de Siracusa, não precisaria lavar vegetais”. E Diógenes, no mesmo tom sereno, retorquiu: “É
verdade, Platão, mas se você lavasse vegetais você não estaria fazendo a corte a Dionísio, rei de Siracusa.”

(*) faz er corte = cortejar, bajular, lisonjear

(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 92)

Está inteiramente correta a redação da seguinte frase:

A Se Diógenes se ocupar de bajular o rei não teria porquê estar lavando vegetais, eis como Platão lhe provocou.
B Ao em vez de responder a Platão agressivamente, Diógenes preferiu-lhe contestar com astucia e respeitabilidade.
C Como visse Diógenes a lavar vegetais, Platão recriminou-lhe lembrando-o que poderia estar melhor servindo ao rei.
D Conquanto Diógenes estivesse lavando vegetais, Platão não exitou em contestar-lhe um serviço em cujo não haveria
dignidade.
E Às palavras provocadoras e insensatas de Platão soube Diógenes dar resposta altaneira e perspicaz.

Assinale a alternativa correta em relação
à grafia e à acentuação das palavras.

A O “Quê”, monossílabo tônico, é utilizado em
início de frases interrogativas diretas.
B O “por quê” é utilizado em início de frases
interrogativas indiretas, o que justifica a
acentuação gráfica.
C Utilizado em posição final de frases
exclamativas, “por que” é grafado separado
e sem acento gráfico.
D Utilizado como conjunção causal em
resposta, “porque” é grafado em uma única
palavra e sem acento gráfico.
Órgão: Secretaria da Educação e da Ciência e Tecnologia da Paraíba Cargo: Professor de Educação Básica - Área: Língua Portuguesa Prova: Instituto AOCP - SEE PB - Professor de Educação Básica - Área: Língua Portuguesa - 2019
Texto associado
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.

1 O turismo ecológico é um dos segmentos turísticos
que mais crescem no Brasil e no mundo. Por meio da
utilização sustentável do patrimônio natural e cultural
4 das regiões, incentiva a conservação da natureza e a
conscientização ambiental das pessoas, além de
movimentar a economia e promover o desenvolvimento
7 social das populações locais.
No Sesc, o turismo ecológico está associado ao
turismo social, sendo um de seus objetivos proporcionar o
10 enriquecimento cultural, educacional e histórico do turista.
Nessa perspectiva, o visitante, além de guardar fotos
maravilhosas dos lugares visitados, é tocado pela
13 experiência local e volta para casa com um aprendizado a
mais.
O Sesc Pantanal, por exemplo, que surgiu
16 inicialmente como um espaço de preservação ambiental, é
hoje um dos destinos mais procurados pelos comerciários.
Situado nos municípios de Poconé e Barão de Melgaço,
19 possui uma reserva ecológica de 106.000 hectares, a maior
Reserva Particular do Patrimônio Natural do País.
A programação turística no local é extensa e inclui a
22 trilhas, passeios de barco e cavalgada. O turista pode
também acompanhar trabalhos sociais desenvolvidos pelo
Sesc com a população local, como a ação odontológica com
25 os ribeirinhos. Assim, além de oferecer aos visitantes a
oportunidade de conhecer e observar diversas espécies da
flora e da fauna pantaneiras, o turismo ecológico
28 promovido pelo Sesc possibilita-lhes interação e
participação social.

Internet: (com adaptações).

São acentuadas graficamente de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica as palavras

A "ecológico" e "sustentável".
B "patrimônio" e "além".
C "espécies" e "também".
D "País" e "Poconé".
E "está" e "Poconé".
Texto associado
Para responder às questões de 1 a 4 , leia o texto abaixo.

Pesquisadores geram polêmica com promessa de "pílula do exercício físico

Cientistas de universidades da Dinamarca e Austrália anunciaram estar se aproximando da criação de uma pílula que 1 imita os efeitos do exercício físico no corpo humano. As últimas pesquisas permitiram descobrir, pela primeira vez, o que realmente acontece dentro dos músculos no nível molecular quando praticamos esportes.
"Esta nova descoberta servirá para criar uma pílula que imita os efeitos do exercício físico e recria estas ações em nosso corpo", disse à BBC Mundo Erik Ritcher, diretor do Departamento de Fisiologia Molecular da Universidade de Copenhague. O projeto dinamarquês está sendo realizado em conjunto com o Charles Perkins Centre de Sidney, na Austrália.
Jorgen Wojtaszewski, outro pesquisador envolvido no projeto, afirma que 2 esta "pílula do exercício" poderia ser útil para "pessoas com graves problemas de invalidez ou obesidade mórbida". O anúncio gera muita polêmica: alguns mais esperançosos podem imaginar que, no futuro, a pílula pode substituir horas de academia ou corrida, mas os especialistas consultados pela BBC Mundo estão mais céticos e alguns até estão preocupados.
Alguns especialistas em esportes temem que a comercialização desse tipo de medicamento estimule ainda mais o sedentarismo, que já é um dos grandes problemas atuais. "A mensagem que 3 a população está recebendo é muito enganosa, igual às das dietas milagrosas", disse à BBC a pesquisadora Nuria Garatachea, doutora em Ciências da Atividade Física e Esporte e uma das autoras do ensaio científico Exercise is the Real Polypill ("O Exercício é o Verdadeiro Policomprimido", em tradução livre).
Nuria afirma que a comercialização dessa "pílula do exercício" poderia ser "prejudicial para a sociedade" porque "corremos o risco de que a população fique ainda mais sedentária". "O exercício físico é muito variado e, no entanto, ainda falta muito para descobrirmos sobre os efeitos das vias moleculares que se ativam em nosso organismo quando o praticamos. Temos uma ferramenta muito poderosa em nossas mãos que é o exercício físico. Levamos milhões de anos praticando-o e agora queremos renunciar a ele? Não estamos programados para estar sentados; nosso DNA nos pede exercício, em termos de biomecânica e energia", afirmou.
Os especialistas em saúde e esporte consultados pela BBC, no entanto, não aprovam nenhum tipo de substituição dos exercícios. "O exercício é insubstituível e uma pílula não poderia substituir seus efeitos", disse à BBC Mundo Jesús María Pérez, gerente do Conselho Geral de Colégios de Profissionais da Educação Física e Esporte (Colef) da Espanha.
"Uma pílula não poderia substituir o exercício em competências funcionais – movimento – variáveis psicológicas – ansiedade, depressão, fadiga ou autoconfiança – e nos fatores sociais derivados da prática esportiva regular."
"No mundo da condição física e nas ciências do esporte há muitos mitos e produtos de marketing que oferecem milagres que não estão baseados em provas científicas", acrescentou.
A Universidade de Sydney emitiu uma nota afirmando que 4 a descoberta "ajudará a revelar novos mecanismos biológicos relativos ao exercício e será uma fonte fundamental para futuras investigações fisiológicas". Mas Carlota Díez, especialista em saúde do esporte, afirma que o verdadeiro problema está na maneira com que esse tipo de mensagem é difundida.
Em seu comunicado, a Universidade de Copenhague afirmou que 5 a pesquisa "nos deixa mais próximos do exercício em forma de pílula. Talvez, inicialmente, poderia conseguir alguns efeitos comparáveis aos da atividade física, mas há outros que não são possíveis de se conseguir", disse.

(g1.globo.com. Adaptado.)

No texto, a palavra "pílula" está corretamente acentuada. Assinale a alternativa que contenha outras três palavras corretamente acentuadas pelo mesmo motivo.

A Austrália - ciências - exercício.
B Fisiológicas - mórbida - biomecânica.
C Servirá - dinamarquês - depressão.
D Últimas - nível - céticos.
E Insubstituível - variáveis - investigações.
Texto associado
Para responder às questões de 1 a 5 , leia o texto abaixo.

O zika vírus e a microcefalia

Deu zica. Este ano o Brasil enfrenta um surto de recém-nascidos com microcefalia que é alarmante. Ao que tudo indica, essa epidemia está relacionada a um vírus emergente, o zika vírus, que está se espalhando rapidamente pelo país e pode ser o responsável por uma das piores catástrofes na área de saúde de todos os tempos. São mais de mil casos suspeitos de microcefalia em diversos estados, principalmente no Nordeste. A microcefalia é uma malformação incurável que causa redução do volume cerebral, com consequências graves e permanentes para o desenvolvimento do indivíduo. É grave porque afeta fetos em formação e o comprometimento é para a vida toda.
O zika vírus é um patógeno conhecido e identificado inicialmente em 1947 na floresta de Zika (Uganda), mas que desde 2007 estava restrito a África e Ásia. Esse vírus pertence ao gênero dos flavivírus, que inclui os vírus da dengue, febre amarela e do Nilo, e pode ser transmitido por um artrópode. No Brasil, são mais de 84 mil pessoas infectadas. No indivíduo adulto, o Zika pode passar despercebido, em alguns casos causando somente sintomas leves, como febre e dores pelo corpo. Não existe vacina para esse vírus.
Após alguns meses de silêncio, o governo federal finalmente se manifestou sobre o problema. Com ajuda da Organização Mundial da Saúde e do CDC (Centro de Controle de Doenças) dos EUA, que se preocupa com uma eventual contaminação no continente americano, resolveram montar uma operação de emergência. De acordo com nosso atual ministro da Saúde, Marcelo Castro, o caos pode ser consequência direta de um descaso com o programa de combate ao mosquito Aedes aegypti – o mosquito da dengue, e potencial agente transmissor do zika vírus.
Resolvi escrever sobre o assunto, refletindo sobre quais seriam as atitudes científicas mais óbvias a serem tomadas. Isso não só seria uma oportunidade única para os cientistas brasileiros (pois o mecanismo de ação do vírus é ainda desconhecido), como permitiria que o governo investisse em soluções definitivas (ao invés de investir em evitar mosquitos). Os experimentos científicos descritos abaixo têm um baixo custo em comparação ao orçamento destinado ao extermínio de mosquitos e custos com futuros tratamentos para os afetados ao longo da vida.
A primeira coisa a fazer seria buscar uma relação causal do vírus com o fenótipo dos pacientes, algo inédito na literatura mundial. Até agora, temos apenas uma correlação entre o vírus e material biológico dos pacientes. E essa evidência não é robusta: apenas dois fetos infectados com o vírus e com o diagnóstico de microcefalia por ultrassom existem até o momento. O vírus também foi encontrado em tecidos de um outro bebê com microcefalia que morreu ao nascer. Existem outras evidências circunstanciais vindas de outros países e que, juntas, tornam essa alternativa plausível. É possível que a versão do zika vírus brasileiro seja uma variante ou linhagem genética mais patogênica, selecionada através de algumas características da população nordestina, como exposição ao vírus da dengue ou ao mosquito transmissor.
Mas a pergunta mais importante seria: como o zika vírus causa microcefalia? Uma hipótese atraente seria que o zika vírus atravessasse a placenta, atingindo o feto em momentos críticos do desenvolvimento neural na gestação. O vírus poderia, por exemplo, infectar células do sistema nervoso central, causando a morte ou alterando o ciclo de células progenitoras neurais. Experimentos com modelos animais poderiam ajudar a confirmar essa correlação, mas o tempo de gestação humano é diferente da maioria dos animais em laboratório e ainda não sabemos se o vírus infectaria células nervosas de outras espécies. [...]

(g1.globo.com)

Em “os experimentos científicos descritos abaixo têm um baixo custo” (no quarto parágrafo), pode-se afirmar corretamente que:

A a forma verbal “têm” não deveria ser acentuada, já que se trata de monossílabo átono.
B a forma verbal “têm” recebe esse acento circunflexo para marcar o plural, o que se justifica pela concordância com seu sujeito, que é plural.
C a acentuação da palavra “têm” se justifica pela mesma regra que explica o acento circunflexo em “têmpora”.
D a palavra “têm”, no contexto em que aparece, foi incorretamente acentuada; não há razão para a acentuação de monossílabos terminados em “m”.
E trata-se de acento diferencial, já que há um substantivo homógrafo homófono do qual “têm” precisa se diferenciar.
Texto associado
Para responder às questões de 1 a 5 , leia o texto abaixo.

Federação orienta atletas a escovar dentes com água mineral no Rio

Um manual distribuído pela Federação Internacional de Remo orienta os atletas a escovarem os dentes com água mineral e a usarem álcool para desinfetar as mãos, conforme mostrou o RJTV. As Olimpíadas do Rio enfrentam a desconfiança das delegações estrangeiras em relação à qualidade da água encanada.
A Cedae repudiou em nota a informação do manual. Segundo a companhia, “assim como nos Estados Unidos e países europeus, a água distribuída é totalmente potável na torneira”, e informou que para manter sua qualidade é necessário que seja armazenada adequadamente nos imóveis. A nota da Cedae diz ainda que “a informação passada através desse manual é preconceituosa e não condiz com a realidade do Estado do Rio de Janeiro, onde não há registro atual de internações por surto de doenças de veiculação hídrica”.
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, disse ter recebido garantias de que a qualidade da água nos locais de provas vai ser testada de acordo com os padrões da Organização Mundial de Saúde. O dirigente também falou que a OMS não considera o Rio um dos locais de maior incidência do vírus da zika e que a organização respaldou as ações das autoridades brasileiras para garantir a saúde das delegações .

Novas instalações
Duas novas instalações dos Jogos Olímpicos de 2016, ambas localizadas no Complexo Esportivo de Deodoro, foram inauguradas: a Arena da Juventude, que receberá partidas de basquete feminino, esgrima do pentatlo moderno e esgrima em cadeira de rodas; e o Estádio de Deodoro, que terá disputas de rúgbi, de três modalidades do pentatlo moderno e dos jogos do futebol de 8. Na próxima semana, as duas instalações receberão a Copa do Mundo de Pentatlo Moderno.
Mas a construção do velódromo está atrasada três meses. Com problemas de caixa, a empreiteira contratada não estava dando conta do projeto e a prefeitura anunciou a contratação de uma segunda empreiteira para acelerar as obras. O evento teste da modalidade que aconteceria em março, mas teve que ser adiado para entre 29 de abril e 1º de maio.
“Ela fez uma subcontratação de uma empresa maior, com mais capacidade, mais pessoal, e a gente vai conseguir cumprir com o prazo do evento teste”, disse o prefeito Eduardo Paes.
A prefeitura substituiu as empresas responsáveis pela construção do Centro Olímpico de Tênis e do Centro Olímpico de Hipismo pelo mesmo motivo: atrasos nas obras. A reforma do Estádio de Remo da Lagoa também está atrasada. No fim de fevereiro, o governo do estado anunciou a substituição da construtora responsável.
(g1.globo.com.br. Acesso em Junho/2016.)

Assinale a alternativa que contenha apenas palavras corretamente acentuadas pelo mesmo motivo que a palavra “Olimpíadas”, em destaque no texto.

A Distribuída e saúde.
B Necessário e incidência.
C Também e comitê.
D Responsável e potável.
E Hídrica e olímpico.