Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.С.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos Ve IV a.C. foi também a "Grécia da saúde".
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de "tratamento", mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então "medicalizada", a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar "nosotrófico". Platão cunha a palavra "nosotrofia", isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: "[...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. "O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados", segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. "O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica, v. 6, n. 2, 2016)
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Atenção : Considere a crônica “Tartaruga de arrastão”, de Rachel de Queiroz, para responder às questões de números 9 a 20.
O caso deu-se aqui na ilha, numa pescaria de arrastão. Da primeira redada veio um tal peixe que causou espanto: ninguém podia crer que naquele côncavo de mar morasse tanto peixe assim. Havia de ser alguma piracema que ia passando; para lá de trés toneladas de pescado foram apanhadas de uma só vez. Na segunda redada nada veio, ou quase nada — fugira a piracema ou fora toda colhida pela rede. Entretanto, no meio daquele quase nada apareceu um bicho estranho: uma tartaruga do mar. Tartaruga diferente daquelas fluviais que a gente conhece, tartaruga das profundezas salinas, meio peixe, porque em vez de pernas tem nadadeiras.
Primeiro ela se debateu e tentou de todas as maneiras furar a malha. Depois foi agarrada e atirada ignominiosamente na areia, de barriga para cima. Por fim puseram-na em posição normal; e ela, recuperando imediatamente a compostura, estirou o pescoço enrugado e correu em torno de si um olho temeroso. Não sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga. Muito pior que um bicho da terra pego numa rede: este pode estranhar a prisão, mas afinal continua dentro de um elemento conhecido, pisando chão, vendo árvores familiares, sentindo o cheiro da terra. A tartaruga não: para ela, nascida e vivida no mar, aquela era a mais estranha, a mais inacreditável e terrível das aventuras. Para aquela tartaruga era o mesmo que seria para um de nós vermo-nos transportados subitamente, sem dano físico, até o fundo do mar. Imagine que estranho, que portentoso e medonho não parece. As caras desconhecidas de ignorados animais - no caso, homens. E todos, todos, canibais ou pior que isso — pois bem sentia ela sobre o seu casco grosso, sobre a carapaça encaracada, o olhar doce e atento e cobiçoso dos comedores de carne.
A sorte da coitada foi ninguém chegar a um acordo sobre a forma de abatê-la. E sorte maior o fato de ninguém, pessoalmente, querer se responsabilizar pela carnificina naquela quinta-feira santa. Mas levaram-na para o galinheiro - que ignominia, uma veterana dos sete mares a ser atirada entre as galinhas, na noite que deveria ser a última da sua vida; ela que decerto esperava sepultar-se entre areias claras, nalgum maciço colorido de anêmonas do mar. Mas felizmente para a tartaruga, incerto é o coração do homem, incertos, os seus impulsos. Tanto val para um lado como para o outro, tanto procura devorar hoje o seu irmão bicho, como amanhã o festeja e liberta. O fato é que um coração se apiedou da tragédia e houve mão que abriu a porta da capoeira e encaminhou a marcha rampante do bicho marinho em direção da prala, em direção do mar, sua pátria. Ela também não esperou arrependimento, não hesitou, não agradeceu. Cortou a areia deixando um rastro longo, penetrou na água como um barco a deslizar do estaleiro, mergulhou, emergiu, voltou a cabeça ainda assustada para aquele mundo sujo, escuro, inimigo, onde viviam os homens, onde esperava nunca mais voltar; e mergulhou de novo, abraçando toda a água que podia entre as nadadeiras abertas.
(Adaptado de: QUEIROZ, Rachel de. 100 crônicas escolhidas: um alpendre, uma rede, um açude . Rio de Janeiro: José Olympio, 2021)
O caso deu-se aqui na ilha, numa pescaria de arrastão. Da primeira redada veio um tal peixe que causou espanto: ninguém podia crer que naquele côncavo de mar morasse tanto peixe assim. Havia de ser alguma piracema que ia passando; para lá de trés toneladas de pescado foram apanhadas de uma só vez. Na segunda redada nada veio, ou quase nada — fugira a piracema ou fora toda colhida pela rede. Entretanto, no meio daquele quase nada apareceu um bicho estranho: uma tartaruga do mar. Tartaruga diferente daquelas fluviais que a gente conhece, tartaruga das profundezas salinas, meio peixe, porque em vez de pernas tem nadadeiras.
Primeiro ela se debateu e tentou de todas as maneiras furar a malha. Depois foi agarrada e atirada ignominiosamente na areia, de barriga para cima. Por fim puseram-na em posição normal; e ela, recuperando imediatamente a compostura, estirou o pescoço enrugado e correu em torno de si um olho temeroso. Não sei se os presentes compreenderam quanto havia de surpresa, terror e pasmo nos olhos da tartaruga. Muito pior que um bicho da terra pego numa rede: este pode estranhar a prisão, mas afinal continua dentro de um elemento conhecido, pisando chão, vendo árvores familiares, sentindo o cheiro da terra. A tartaruga não: para ela, nascida e vivida no mar, aquela era a mais estranha, a mais inacreditável e terrível das aventuras. Para aquela tartaruga era o mesmo que seria para um de nós vermo-nos transportados subitamente, sem dano físico, até o fundo do mar. Imagine que estranho, que portentoso e medonho não parece. As caras desconhecidas de ignorados animais - no caso, homens. E todos, todos, canibais ou pior que isso — pois bem sentia ela sobre o seu casco grosso, sobre a carapaça encaracada, o olhar doce e atento e cobiçoso dos comedores de carne.
A sorte da coitada foi ninguém chegar a um acordo sobre a forma de abatê-la. E sorte maior o fato de ninguém, pessoalmente, querer se responsabilizar pela carnificina naquela quinta-feira santa. Mas levaram-na para o galinheiro - que ignominia, uma veterana dos sete mares a ser atirada entre as galinhas, na noite que deveria ser a última da sua vida; ela que decerto esperava sepultar-se entre areias claras, nalgum maciço colorido de anêmonas do mar. Mas felizmente para a tartaruga, incerto é o coração do homem, incertos, os seus impulsos. Tanto val para um lado como para o outro, tanto procura devorar hoje o seu irmão bicho, como amanhã o festeja e liberta. O fato é que um coração se apiedou da tragédia e houve mão que abriu a porta da capoeira e encaminhou a marcha rampante do bicho marinho em direção da prala, em direção do mar, sua pátria. Ela também não esperou arrependimento, não hesitou, não agradeceu. Cortou a areia deixando um rastro longo, penetrou na água como um barco a deslizar do estaleiro, mergulhou, emergiu, voltou a cabeça ainda assustada para aquele mundo sujo, escuro, inimigo, onde viviam os homens, onde esperava nunca mais voltar; e mergulhou de novo, abraçando toda a água que podia entre as nadadeiras abertas.
(Adaptado de: QUEIROZ, Rachel de. 100 crônicas escolhidas: um alpendre, uma rede, um açude . Rio de Janeiro: José Olympio, 2021)
Introduz uma oração subordinada a palavra sublinhada no seguinte trecho:
Texto associado
Instruções para cantar
Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro. Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo, com fogueiras entre as pedras, com silhuetas seminuas de cócoras, acho que estará bem encaminhado, e do mesmo modo se ouvir um rio por onde descem barcos pintados de amarelo e preto, se ouvir um gosto de pão, um tato de dedos, uma sombra de cavalo.
Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.
Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro. Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo, com fogueiras entre as pedras, com silhuetas seminuas de cócoras, acho que estará bem encaminhado, e do mesmo modo se ouvir um rio por onde descem barcos pintados de amarelo e preto, se ouvir um gosto de pão, um tato de dedos, uma sombra de cavalo.
Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.
Em “Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo […]”, a oração entre parênteses é corretamente classificada como
Texto associado
A gratidão tem o poder de salvar vidas (ou por que você deveria escrever aquela nota de agradecimento)
Richard Gunderman. Tradução: Camilo Rocha
A gratidão pode ser mais benéfica do que costumamos supor. Um estudo recente pediu que pessoas escrevessem uma nota de agradecimento para alguém e depois estimassem o quão surpreso e feliz o recebedor ficaria. Invariavelmente, o impacto foi subestimado. Outro estudo avaliou os benefícios para a saúde de se escrever bilhetes de obrigado. Os pesquisadores descobriram que escrever apenas três notas de obrigado ao longo de três semanas melhorava a satisfação com a vida, aumentava sentimentos de felicidade e reduziria sintomas de depressão.
Existem múltiplas explicações para os benefícios da gratidão. Uma é o fato de que expressar gratidão encoraja os outros a continuarem sendo generosos, promovendo, assim, um ciclo virtuoso de bondade em relacionamentos. Da mesma maneira, pessoas agradecidas talvez fiquem mais propensas a retribuir com seus próprios atos de bondade. Falando de modo mais amplo, uma comunidade em que as pessoas se sentem agradecidas umas com as outras tem mais chance de ser um lugar agradável para se viver do que uma caracterizada por suspeição e ressentimento mútuos.
Os efeitos benéficos da gratidão podem ir ainda mais longe. Por exemplo, quando muitas pessoas se sentem bem sobre o que outra pessoa fez por elas, elas sentem um senso de elevação, com um consequente reforço da sua consideração pela humanidade. Alguns se inspiram a tentar se tornar também pessoas melhores, fazendo mais para ajudar a trazer o melhor nos outros e trazendo mais bondade para o mundo à sua volta.
É claro, atos de bondade também podem fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da gratidão não se realizarão. Do mesmo modo, receber bondade pode fazer surgir um senso de dívida, deixando nos beneficiários uma sensação de que precisam pagar de volta a bondade recebida. A gratidão pode florescer apenas se as pessoas têm confiança o suficiente em si mesmas e nos outros para permitir que isso aconteça.
Outro obstáculo para a gratidão é frequentemente chamado de senso de merecimento. Em vez de sentir um benefício como uma virada boa, as pessoas às vezes o veem como um mero pagamento do que lhes é devido, pelo qual ninguém merece nenhum crédito moral. Ainda que seja importante ver que a justiça está sendo feita, deixar de lado oportunidades por sentimentos genuínos e expressões de generosidade também podem produzir uma comunidade mais impessoal e fragmentada.
Quando Defoe retratou a personagem Robinson Crusoe fazendo da ação de graças uma parte diária de sua vida na ilha, ele estava antecipando descobertas nas ciências sociais e medicina que não apareceriam por centenas de anos. Ele também estava refletindo a sabedoria de tradições religiosas e filosóficas que têm início há milhares de anos. A gratidão é um dos estados mentais mais saudáveis e edificantes, e aqueles que a adotam como hábito estão enriquecendo não apenas suas próprias vidas mas também as vidas daqueles à sua volta.
Adaptado de: https://www.nexojornal.com.br/externo/2018 /08/11/A-gratid%C3%A3o-tem-o-poder-de-salvar- vidas-ou-por-que-voc%C3%AA-deveria-escrever- aquela-nota-de-agradecimento Acesso em: 04 fev. 2020.
Richard Gunderman. Tradução: Camilo Rocha
A gratidão pode ser mais benéfica do que costumamos supor. Um estudo recente pediu que pessoas escrevessem uma nota de agradecimento para alguém e depois estimassem o quão surpreso e feliz o recebedor ficaria. Invariavelmente, o impacto foi subestimado. Outro estudo avaliou os benefícios para a saúde de se escrever bilhetes de obrigado. Os pesquisadores descobriram que escrever apenas três notas de obrigado ao longo de três semanas melhorava a satisfação com a vida, aumentava sentimentos de felicidade e reduziria sintomas de depressão.
Existem múltiplas explicações para os benefícios da gratidão. Uma é o fato de que expressar gratidão encoraja os outros a continuarem sendo generosos, promovendo, assim, um ciclo virtuoso de bondade em relacionamentos. Da mesma maneira, pessoas agradecidas talvez fiquem mais propensas a retribuir com seus próprios atos de bondade. Falando de modo mais amplo, uma comunidade em que as pessoas se sentem agradecidas umas com as outras tem mais chance de ser um lugar agradável para se viver do que uma caracterizada por suspeição e ressentimento mútuos.
Os efeitos benéficos da gratidão podem ir ainda mais longe. Por exemplo, quando muitas pessoas se sentem bem sobre o que outra pessoa fez por elas, elas sentem um senso de elevação, com um consequente reforço da sua consideração pela humanidade. Alguns se inspiram a tentar se tornar também pessoas melhores, fazendo mais para ajudar a trazer o melhor nos outros e trazendo mais bondade para o mundo à sua volta.
É claro, atos de bondade também podem fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da gratidão não se realizarão. Do mesmo modo, receber bondade pode fazer surgir um senso de dívida, deixando nos beneficiários uma sensação de que precisam pagar de volta a bondade recebida. A gratidão pode florescer apenas se as pessoas têm confiança o suficiente em si mesmas e nos outros para permitir que isso aconteça.
Outro obstáculo para a gratidão é frequentemente chamado de senso de merecimento. Em vez de sentir um benefício como uma virada boa, as pessoas às vezes o veem como um mero pagamento do que lhes é devido, pelo qual ninguém merece nenhum crédito moral. Ainda que seja importante ver que a justiça está sendo feita, deixar de lado oportunidades por sentimentos genuínos e expressões de generosidade também podem produzir uma comunidade mais impessoal e fragmentada.
Quando Defoe retratou a personagem Robinson Crusoe fazendo da ação de graças uma parte diária de sua vida na ilha, ele estava antecipando descobertas nas ciências sociais e medicina que não apareceriam por centenas de anos. Ele também estava refletindo a sabedoria de tradições religiosas e filosóficas que têm início há milhares de anos. A gratidão é um dos estados mentais mais saudáveis e edificantes, e aqueles que a adotam como hábito estão enriquecendo não apenas suas próprias vidas mas também as vidas daqueles à sua volta.
Adaptado de: https://www.nexojornal.com.br/externo/2018 /08/11/A-gratid%C3%A3o-tem-o-poder-de-salvar- vidas-ou-por-que-voc%C3%AA-deveria-escrever- aquela-nota-de-agradecimento Acesso em: 04 fev. 2020.
Assinale a alternativa que analisa e classifica corretamente a oração em destaque no seguinte excerto: “[…] uma comunidade em que as pessoas se sentem agradecidas umas com as outras tem mais chance de ser um lugar agradável para se viver [...]”.
Texto associado
Analise os textos I e II
para responder às questões 01 a 10.
Texto I
Disponível em:
https://www.espacovital.com.br/publicacao-
36954-fake-news-o-mal-do-seculo-21. Acesso
em: 08 dez. 2019.
Texto II
Fake News: as
mentiras que viram notícias
Será que todos os que se manifestam sobre
qualquer assunto estão devidamente
preparados para utilizar devidamente os
modernos canais de comunicação?
Danillo Saes
A realidade do
mundo de hoje é ligada à
velocidade, à digitalização e,
consequentemente, à exposição em redes. Com
a inserção da tecnologia no dia a dia das
pessoas, é possível presenciar diversas
mudanças, como o fato de um indivíduo com um
perfil em uma plataforma social ser
propagador de informações e não mais apenas
receptor.
Este cenário de disseminação de ideias
–
boas ou ruins, certas ou erradas, do mesmo
ponto de vista que o seu ou não – faz parte
de um mundo moderno e democrático. Neste
contexto, a tecnologia tem sido utilizada
como ferramenta de propagação destes
posicionamentos. Ao ter o poder do clique em
mãos, as pessoas passam a ser mais ativas
diante das informações que recebem. Os meios
de comunicação mudaram as formas de divulgar
suas notícias diante deste comportamento que
os indivíduos passaram a adquirir com o
passar do tempo. Há alguns anos,
pesquisadores divulgaram artigos sobre a
influência da “segunda tela”: o notebook ou
o smartphone começavam a se infiltrar como
coadjuvantes da tela da televisão.
Telespectadores comentavam suas novelas,
criticavam o técnico do seu time de futebol
e faziam outros tipos de comentários. Hoje,
os dispositivos móveis não são mais uma
segunda tela, mas uma extensão real – e,
muitas vezes, protagonista – para receber,
digerir e disseminar as informações
recebidas.
De meros
mortais que até então era como
éramos tratados pela grande mídia, como
depósitos de informações – certas ou
erradas, boas ou ruins, favoráveis ou
contrárias –, passamos a ser também
protagonistas através do “poder” que a tela
de um dispositivo móvel nos dá. É incrível
e, ao mesmo tempo, muito preocupante. Será
que todos os que se manifestam sobre
qualquer tipo de assunto estão devidamente
preparados para isso? Será que têm bagagem
suficiente para criticar? Os ditos
“influenciadores” realmente têm o espírito
crítico necessário unido à sua
responsabilidade de “influenciar” ao
publicar seus posicionamentos? São
provocações, indagações, não
afirmações.
Quando nos
deparamos com as famosas fake
news , por sermos ativos através das
plataformas sociais, assumimos uma parcela
(grande) de responsabilidade ao disseminá-
las. Ao receber aquela notícia através do
WhatsApp, ou aquele áudio que afirmam ser de
uma determinada figura pública e, com nosso
“dedinho ansioso”, compartilhamos o conteúdo
em grupos com o intuito de dar “furos de
reportagem” que até então eram coisa apenas
de jornalistas, damos nosso aval àquela
informação.
As pessoas que
criam as fake news não estão
isentas de responsabilidades – pelo
contrário. O que desejo é provocar o leitor
a desenvolver seu senso crítico diante da
informação que se consome e, com isso, não
tomar como verdade tudo aquilo que o
impacta. O mesmo “poder” que a tecnologia
nos dá para disseminar informações também
nos proporciona a possibilidade de
investigá-las, contestá-las, analisá-las. No
entanto, investigar, contestar e analisar é
trabalhoso, exige esforço de pensamento e
queima de fosfato.
A diferença
entre as fake news serem
desmascaradas ou se transformarem em
“verdade” está no pequeno intervalo de tempo
entre o momento em que as consumimos e o
momento em que clicamos em “encaminhar”.
Danillo Saes é coordenador de Análise e
Desenvolvimento de Sistemas da EAD
Unicesumar.
Disponível em:
https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em:
08 dez. 2019.
para responder às questões 01 a 10.
Texto I
Disponível em:
https://www.espacovital.com.br/publicacao-
36954-fake-news-o-mal-do-seculo-21. Acesso
em: 08 dez. 2019.
Texto II
Fake News: as
mentiras que viram notícias
Será que todos os que se manifestam sobre
qualquer assunto estão devidamente
preparados para utilizar devidamente os
modernos canais de comunicação?
Danillo Saes
A realidade do
mundo de hoje é ligada à
velocidade, à digitalização e,
consequentemente, à exposição em redes. Com
a inserção da tecnologia no dia a dia das
pessoas, é possível presenciar diversas
mudanças, como o fato de um indivíduo com um
perfil em uma plataforma social ser
propagador de informações e não mais apenas
receptor.
Este cenário de disseminação de ideias
–
boas ou ruins, certas ou erradas, do mesmo
ponto de vista que o seu ou não – faz parte
de um mundo moderno e democrático. Neste
contexto, a tecnologia tem sido utilizada
como ferramenta de propagação destes
posicionamentos. Ao ter o poder do clique em
mãos, as pessoas passam a ser mais ativas
diante das informações que recebem. Os meios
de comunicação mudaram as formas de divulgar
suas notícias diante deste comportamento que
os indivíduos passaram a adquirir com o
passar do tempo. Há alguns anos,
pesquisadores divulgaram artigos sobre a
influência da “segunda tela”: o notebook ou
o smartphone começavam a se infiltrar como
coadjuvantes da tela da televisão.
Telespectadores comentavam suas novelas,
criticavam o técnico do seu time de futebol
e faziam outros tipos de comentários. Hoje,
os dispositivos móveis não são mais uma
segunda tela, mas uma extensão real – e,
muitas vezes, protagonista – para receber,
digerir e disseminar as informações
recebidas.
De meros
mortais que até então era como
éramos tratados pela grande mídia, como
depósitos de informações – certas ou
erradas, boas ou ruins, favoráveis ou
contrárias –, passamos a ser também
protagonistas através do “poder” que a tela
de um dispositivo móvel nos dá. É incrível
e, ao mesmo tempo, muito preocupante. Será
que todos os que se manifestam sobre
qualquer tipo de assunto estão devidamente
preparados para isso? Será que têm bagagem
suficiente para criticar? Os ditos
“influenciadores” realmente têm o espírito
crítico necessário unido à sua
responsabilidade de “influenciar” ao
publicar seus posicionamentos? São
provocações, indagações, não
afirmações.
Quando nos
deparamos com as famosas fake
news , por sermos ativos através das
plataformas sociais, assumimos uma parcela
(grande) de responsabilidade ao disseminá-
las. Ao receber aquela notícia através do
WhatsApp, ou aquele áudio que afirmam ser de
uma determinada figura pública e, com nosso
“dedinho ansioso”, compartilhamos o conteúdo
em grupos com o intuito de dar “furos de
reportagem” que até então eram coisa apenas
de jornalistas, damos nosso aval àquela
informação.
As pessoas que
criam as fake news não estão
isentas de responsabilidades – pelo
contrário. O que desejo é provocar o leitor
a desenvolver seu senso crítico diante da
informação que se consome e, com isso, não
tomar como verdade tudo aquilo que o
impacta. O mesmo “poder” que a tecnologia
nos dá para disseminar informações também
nos proporciona a possibilidade de
investigá-las, contestá-las, analisá-las. No
entanto, investigar, contestar e analisar é
trabalhoso, exige esforço de pensamento e
queima de fosfato.
A diferença
entre as fake news serem
desmascaradas ou se transformarem em
“verdade” está no pequeno intervalo de tempo
entre o momento em que as consumimos e o
momento em que clicamos em “encaminhar”.
Danillo Saes é coordenador de Análise e
Desenvolvimento de Sistemas da EAD
Unicesumar.
Disponível em:
https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em:
08 dez. 2019.
Em “O mesmo “poder” que a tecnologia nos dá para disseminar informações também nos proporciona a possibilidade de investigá-las, contestá-las, analisá-las.”, a oração em destaque tem valor de
Texto associado
Texto para os itens de 1 a 14.
1 O câncer é um reverso obscuro da vida. Uma célula tumoral não é senão uma célula sã que mudou de programação
genética, o que lhe permite se reproduzir mais rápido, gerar um tumor primário, mover‐se pelo organismo e gerar tumores
secundários, as metástases, que causam 90% das mortes por câncer. Para tudo isso, a doença usa mecanismos biológicos
4 idênticos aos que permitem o crescimento de um ser vivo saudável.
Essa plasticidade pode ser também um ponto fraco, conforme demonstra um estudo publicado recentemente na revista
Cancer Cell . O trabalho é uma prova de conceito, a demonstração ainda preliminar de que é possível dar marcha à ré no processo
7 de evolução do câncer.
O estudo demonstrou que a combinação de dois fármacos — o antitumoral Trametinib e o antidiabético
Rosiglitazone — transforma as células do câncer de mama em gordura inofensiva no organismo de ratos que receberam de
10 pacientes humanas enxertos de tumores de mama com metástase. O trabalho lidou com tumores triplo‐negativos, o tipo mais
agressivo de câncer de mama, que não responde a tratamentos com base em receptores hormonais.
A chave do estudo foi atacar o câncer em um momento em que as células do tumor fazem a chamada transição
13 epiteliomesenquimal. Essa metamorfose é fundamental para o desenvolvimento de um embrião e para a formação dos
diferentes órgãos e tecidos de um organismo saudável. Também desempenha um papel na proliferação tumoral, pois contribui
para que células tumorais epiteliais que estão fixadas a um tecido se transformem em mesenquimais, o que lhes permite se
16 separar e se deslocar pela corrente sanguínea. Dentro dos tumores de mama, são essas as células encarregadas de disseminar
o câncer a outros órgãos.
O estudo mostra como a combinação dos dois fármacos freia a proliferação do tumor de mama original e também a
19 metástase. Segundo o trabalho, isso se deve ao fato de que os fármacos interferem na transição, transformando células
cancerosas em adipócitos (gordura).
“Por definição, as células de gordura não podem se multiplicar para gerar filhas, por isso, depois da transformação, o
22 tumor não pode crescer, é como um beco sem saída”, explica Dana Ronen, investigadora da Universidade de Basileia e coautora
do estudo. “A transformação em gordura só afeta as células mais externas do tumor, que são as responsáveis por se mover e
causar metástase, por isso não deve ter um efeito negativo na saúde, nem observamos mudanças no peso dos animais. O resto
25 das células do tumor primário se tornam mais diferenciadas, o que possibilita que se tornem mais vulneráveis a outros
tratamentos, como a terapia hormonal”, ressalta.
Agora, a equipe quer investigar se essa mesma estratégia funciona com outros tumores e, também, se pode ajudar
28 animais que já geraram metástases.
Internet: (com adaptações).
Considerando o texto e seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 9 .
1 O câncer é um reverso obscuro da vida. Uma célula tumoral não é senão uma célula sã que mudou de programação
genética, o que lhe permite se reproduzir mais rápido, gerar um tumor primário, mover‐se pelo organismo e gerar tumores
secundários, as metástases, que causam 90% das mortes por câncer. Para tudo isso, a doença usa mecanismos biológicos
4 idênticos aos que permitem o crescimento de um ser vivo saudável.
Essa plasticidade pode ser também um ponto fraco, conforme demonstra um estudo publicado recentemente na revista
Cancer Cell . O trabalho é uma prova de conceito, a demonstração ainda preliminar de que é possível dar marcha à ré no processo
7 de evolução do câncer.
O estudo demonstrou que a combinação de dois fármacos — o antitumoral Trametinib e o antidiabético
Rosiglitazone — transforma as células do câncer de mama em gordura inofensiva no organismo de ratos que receberam de
10 pacientes humanas enxertos de tumores de mama com metástase. O trabalho lidou com tumores triplo‐negativos, o tipo mais
agressivo de câncer de mama, que não responde a tratamentos com base em receptores hormonais.
A chave do estudo foi atacar o câncer em um momento em que as células do tumor fazem a chamada transição
13 epiteliomesenquimal. Essa metamorfose é fundamental para o desenvolvimento de um embrião e para a formação dos
diferentes órgãos e tecidos de um organismo saudável. Também desempenha um papel na proliferação tumoral, pois contribui
para que células tumorais epiteliais que estão fixadas a um tecido se transformem em mesenquimais, o que lhes permite se
16 separar e se deslocar pela corrente sanguínea. Dentro dos tumores de mama, são essas as células encarregadas de disseminar
o câncer a outros órgãos.
O estudo mostra como a combinação dos dois fármacos freia a proliferação do tumor de mama original e também a
19 metástase. Segundo o trabalho, isso se deve ao fato de que os fármacos interferem na transição, transformando células
cancerosas em adipócitos (gordura).
“Por definição, as células de gordura não podem se multiplicar para gerar filhas, por isso, depois da transformação, o
22 tumor não pode crescer, é como um beco sem saída”, explica Dana Ronen, investigadora da Universidade de Basileia e coautora
do estudo. “A transformação em gordura só afeta as células mais externas do tumor, que são as responsáveis por se mover e
causar metástase, por isso não deve ter um efeito negativo na saúde, nem observamos mudanças no peso dos animais. O resto
25 das células do tumor primário se tornam mais diferenciadas, o que possibilita que se tornem mais vulneráveis a outros
tratamentos, como a terapia hormonal”, ressalta.
Agora, a equipe quer investigar se essa mesma estratégia funciona com outros tumores e, também, se pode ajudar
28 animais que já geraram metástases.
Internet: (com adaptações).
Considerando o texto e seus aspectos linguísticos, julgue os itens de 1 a 9 .
Na linha 28, a oração “que já geraram metástases”, com função adjetiva, restringe o substantivo “animais”.
Texto associado
Texto 02
Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2019.
As questões 04 e 05 referem-se ao texto 02.
Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2019.
As questões 04 e 05 referem-se ao texto 02.