MUITOS DADOS, POSSÍVEIS LEITURAS
Carla Madureira Cruz (Instituo de Geociência - UFRJ)
Estamos cada vez mais exigentes aos detalhes do mundo que nos rodeia, seja espacial ou temporalmente. Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades de forma cada vez mais rápida. Vejamos a questão da escala...
Não faz muito tempo que observar o mundo através de manchas indicativas do tipo de ocupação (como é o caso das áreas urbanas e dos fragmentos florestais) era o que havia de melhor para fazer medições, monitoramentos e diagnósticos. Isso tudo a intervalos de anos, às vezes, décadas. Afinal, a produção cartográfica sempre foi, historicamente, um desafio complexo, exigindo tempo, métodos e recursos pouco triviais. Não é à toa que era restrita a poucos.
Atualmente, e cada vez mais rapidamente, temos sido capazes de romper muitas dessas fronteiras. E por que isto é importante? Porque a representação de dados depende da escala e esta, por sua vez, depende do conjunto de dados primários utilizados. Assim, se quisermos analisar um território de modo mais detalhado, precisaremos de dados suficientemente ajustados ao nível de escala exigido para cada demanda. Hoje, tornou-se comum trocarmos manchas por indivíduos (como casas e árvores) em algumas aplicações como as voltadas aos estudos urbanos.
As formas de levantamentos de dados são variáveis e podem ser do tipo in situ (no campo) ou remoto. Com o avanço tecnológico, cresce em qualidade e diversidade as opções remotas de obtenção de dados, como é o caso do sensoriamento remoto com suas múltiplas facetas. Ele nos permite acesso, cada vez mais amplo, a um parque de imagens muito variadas, que buscam atender a estudos e aplicações diversas. Afinal, a leitura espacial é um quesito fundamental para a quantificação e compreensão da evolução da paisagem, podendo considerar aspectos antrópicos ou naturais.
Com a facilidade tecnológica de acesso, produção e disponibilização de dados espaciais, as pressões por soluções que passam por essas representações espaciais só crescem. Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos - informações consideradas cruciais para lidar com as complexidades do mundo atual.
Não devemos esquecer que o que existe e o que representamos nunca é a mesma coisa. Toda representação em escala carrega em si alguma perda, que denominamos generalização. E isso é importante, porque possibilita a análise de áreas maiores. O desafio, portanto, é saber escolher a escala adequada ao estudo: aquela que não invisibiliza o que precisamos observar e medir.
Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/muitos-dadospossiveis-leituras/. Acesso em: 05 abr. 2023.
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Texto associado
Com base no texto, julgue os itens a seguir.
Nas linhas 9 e 35, embora estejam empregados de
maneira correta, o autor utiliza o “Porque” como
substantivo e, em ambos os casos, ele poderia ser
reescrito como Por que, sem prejuízo gramatical e de
sentido ao texto.
Preenche respectivamente as lacunas o que se encontra em:
Texto associado
O vício da tecnologia
Entusiastas de tecnologia passaram a semana
com os olhos voltados para uma exposição de novi-
dades eletrônicas realizada recentemente nos Esta-
dos Unidos. Entre as inovações, estavam produtos
5 relacionados a experiências de realidade virtual e à
utilização de inteligência artificial — que hoje é um
dos temas que mais desperta interesse em profissio-
nais da área, tendo em vista a ampliação do uso des-
se tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos.
10 __ Mais do que prestar atenção às novidades lan-
çadas no evento, vale refletir sobre o motivo que nos
leva a uma ansiedade tão grande para consumir pro-
dutos que prometem inovação tecnológica. Por que
tanta gente se dispõe a dormir em filas gigantescas
15 só para ser um dos primeiros a comprar um novo mo-
delo de smartphone ? Por que nos dispomos a pagar
cifras astronômicas para comprar aparelhos que não
temos sequer certeza de que serão realmente úteis
em nossas rotinas?
20 __ A teoria de um neurocientista da Universidade
de Oxford (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida
desenfreada” por novos gadgets . De modo geral, em
nosso processo evolutivo como seres humanos, nos-
so cérebro aprendeu a suprir necessidades básicas
25 para a sobrevivência e a perpetuação da espécie, tais
como sexo, segurança e status social.
Nesse sentido, a compra de uma novidade tec-
nológica atende a essa última necessidade citada:
nós nos sentimos melhores e superiores, ainda que
30 momentaneamente, quando surgimos em nossos
círculos sociais com um produto que quase ninguém
ainda possui.
Foi realizado um estudo de mapeamento cere-
bral que mostrou que imagens de produtos tecnoló-
35 gicos ativavam partes do nosso cérebro idênticas às
que são ativadas quando uma pessoa muito religiosa
se depara com um objeto sagrado. Ou seja, não seria
exagero dizer que o vício em novidades tecnológicas
é quase uma religião para os mais entusiastas.
40 __ O ato de seguir esse impulso cerebral e com-
prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
dopamina, responsável por nos causar sensações de
prazer. Ele é liberado quando nosso cérebro identifica
45 algo que represente uma recompensa.
O grande problema é que a busca excessiva
por recompensas pode resultar em comportamentos
impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego
excessivo a redes sociais e até mesmo alcoolismo.
50 No caso do consumo, podemos observar a situação
problematizada aqui: gasto excessivo de dinheiro em
aparelhos eletrônicos que nem sempre trazem novidade
–– as atualizações de modelos de smartphones , por
exemplo, na maior parte das vezes apresentam
55 poucas mudanças em relação ao modelo anterior,
considerando-se seu preço elevado. Em outros
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum
aparelho novo que não se sabe se terá tanta utilidade
prática ou inovadora no cotidiano.
60 __ No fim das contas, vale um lembrete que pode
ajudar a conter os impulsos na hora de comprar um
novo smartphone ou alguma novidade de mercado:
compare o efeito momentâneo da dopamina com o
impacto de imaginar como ficarão as faturas do seu
65 cartão de crédito com a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orça-
mento pode ser suficiente para que você decida pen-
sar duas vezes a respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018. Adaptado.
Entusiastas de tecnologia passaram a semana
com os olhos voltados para uma exposição de novi-
dades eletrônicas realizada recentemente nos Esta-
dos Unidos. Entre as inovações, estavam produtos
5 relacionados a experiências de realidade virtual e à
utilização de inteligência artificial — que hoje é um
dos temas que mais desperta interesse em profissio-
nais da área, tendo em vista a ampliação do uso des-
se tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos.
10 __ Mais do que prestar atenção às novidades lan-
çadas no evento, vale refletir sobre o motivo que nos
leva a uma ansiedade tão grande para consumir pro-
dutos que prometem inovação tecnológica. Por que
tanta gente se dispõe a dormir em filas gigantescas
15 só para ser um dos primeiros a comprar um novo mo-
delo de smartphone ? Por que nos dispomos a pagar
cifras astronômicas para comprar aparelhos que não
temos sequer certeza de que serão realmente úteis
em nossas rotinas?
20 __ A teoria de um neurocientista da Universidade
de Oxford (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida
desenfreada” por novos gadgets . De modo geral, em
nosso processo evolutivo como seres humanos, nos-
so cérebro aprendeu a suprir necessidades básicas
25 para a sobrevivência e a perpetuação da espécie, tais
como sexo, segurança e status social.
Nesse sentido, a compra de uma novidade tec-
nológica atende a essa última necessidade citada:
nós nos sentimos melhores e superiores, ainda que
30 momentaneamente, quando surgimos em nossos
círculos sociais com um produto que quase ninguém
ainda possui.
Foi realizado um estudo de mapeamento cere-
bral que mostrou que imagens de produtos tecnoló-
35 gicos ativavam partes do nosso cérebro idênticas às
que são ativadas quando uma pessoa muito religiosa
se depara com um objeto sagrado. Ou seja, não seria
exagero dizer que o vício em novidades tecnológicas
é quase uma religião para os mais entusiastas.
40 __ O ato de seguir esse impulso cerebral e com-
prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
dopamina, responsável por nos causar sensações de
prazer. Ele é liberado quando nosso cérebro identifica
45 algo que represente uma recompensa.
O grande problema é que a busca excessiva
por recompensas pode resultar em comportamentos
impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego
excessivo a redes sociais e até mesmo alcoolismo.
50 No caso do consumo, podemos observar a situação
problematizada aqui: gasto excessivo de dinheiro em
aparelhos eletrônicos que nem sempre trazem novidade
–– as atualizações de modelos de smartphones , por
exemplo, na maior parte das vezes apresentam
55 poucas mudanças em relação ao modelo anterior,
considerando-se seu preço elevado. Em outros
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum
aparelho novo que não se sabe se terá tanta utilidade
prática ou inovadora no cotidiano.
60 __ No fim das contas, vale um lembrete que pode
ajudar a conter os impulsos na hora de comprar um
novo smartphone ou alguma novidade de mercado:
compare o efeito momentâneo da dopamina com o
impacto de imaginar como ficarão as faturas do seu
65 cartão de crédito com a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orça-
mento pode ser suficiente para que você decida pen-
sar duas vezes a respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018. Adaptado.
No trecho “Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica atende a essa última necessidade citada: nós nos sentimos melhores e superiores, ainda que momentaneamente, quando surgimos em nossos círculos sociais com um produto que quase ninguém ainda possui.” (l. 27-32), os dois pontos poderiam ser substituídos, sem alterar a relação entre as ideias, por
Texto associado
Energia eólica na história da Humanidade
Energia, derivada de energeia , que em grego
significa “em ação”, é a propriedade de um sistema
que lhe permite existir, ou seja, realizar “trabalho” (em
Física). Energia é vida, é movimento — sem a sua
5 presença o mundo seria inerte. Saber usar e admi-
nistrar sua produção por meio de diferentes fontes de
energia é fundamental.
Desde o início da vida em sociedade, as fontes
de energia de que o homem precisa devem ser ge-
10 radas continuamente, ou armazenadas para serem
consumidas nos momentos de necessidade. A utili-
zação de diversas formas de energia possibilita ao
homem cozinhar seu alimento, fornecer combustível
aos seus sistemas de transporte, aquecer ou refrige-
15 rar suas residências e movimentar suas indústrias.
Existem fontes de energia alternativas que, ade-
quadamente utilizadas, podem substituir os combus-
tíveis fósseis em alguns de seus usos, reservando-os
para aquelas situações em que a substituição ainda
20 não é possível. A energia eólica é uma delas.
A energia eólica é a energia gerada pela força
do vento, ou seja, é a força capaz de transformar a
energia do vento em energia aproveitável. É captada
através de estruturas como: aerogeradores, que pos-
25 sibilitam a produção de eletricidade; moinhos de ven-
to, com o objetivo de produzir energia mecânica que
pode ser usada na moagem de grãos e na fabricação
de farinha; e velas, já que a força do ar em movimen-
to é útil para impulsionar embarcações.
30 A mais antiga forma de utilização da energia eó-
lica foi o transporte marítimo. Naus e caravelas mo-
vidas pelo vento possibilitaram empreender grandes
viagens, por longas distâncias, levando a importantís-
simas descobertas.
35 Atualmente, o desenvolvimento tecnológico des-
cobriu outras formas de uso para a força eólica. A
mais conhecida e explorada está voltada para a ge-
ração de força elétrica. Isso é possível por meio de
aerogeradores, geradores elétricos associados ao
40 eixo de cata-ventos que convertem a força cinética
contida no vento em energia elétrica. A quantidade
de energia produzida vai depender de alguns fatores,
entre eles a velocidade do vento no local e a capaci-
dade do sistema montado.
45 A criação de usinas para captação da energia
eólica possui determinadas vantagens. O impacto
negativo causado pelas grandes turbinas é mínimo
quando comparado aos causados pelas grandes in-
dústrias, mineradoras de carvão, hidrelétricas, etc.
50 Esse baixo impacto ocorre porque usinas eólicas
não promovem queima de combustível, nem geram
dejetos que poluem o ar, o solo ou a água, além de
promoverem maior geração de empregos em regiões
desfavorecidas. É uma fonte de energia válida econo-
55 micamente pois é mais barata.
A energia eólica é uma fonte de energia que não
polui e é renovável, mas que, apesar disso, causa
alguns impactos no ambiente. Isso acontece devido
aos parques eólicos ocuparem grandes extensões,
60 com imensos aerogeradores instalados. Essas inter-
ferências no ambiente são vistas, muitas vezes, como
desvantagens da energia eólica. Assim, citam-se
as seguintes desvantagens: a vasta extensão de ter-
ra ocupada pelos parques eólicos; o impacto sonoro
65 provocado pelos ruídos emitidos pelas turbinas em
um parque eólico; o impacto visual causado pelas
imensas hélices que provocam certas sombras e re-
flexos desagradáveis em áreas residenciais; o impac-
to sobre a fauna, provocando grande mortandade de
70 aves que batem em suas turbinas por não consegui-
rem visualizar as pás em movimento; e a interferência
na radiação eletromagnética, atrapalhando o funcio-
namento de receptores e transmissores de ondas de
rádio, TV e micro-ondas.
75 Esse tipo de energia já é uma realidade no Bra-
sil. Nosso país já conta com diversos parques e usi-
nas. A tendência é que essa tecnologia de geração
de energia cresça cada vez mais, com a presença de
diversos parques eólicos espalhados pelo Brasil.
Disponível em: renovaveis/energia-eolica/>. Acesso em: 5 ago. 2017.
Adaptado.
Energia, derivada de energeia , que em grego
significa “em ação”, é a propriedade de um sistema
que lhe permite existir, ou seja, realizar “trabalho” (em
Física). Energia é vida, é movimento — sem a sua
5 presença o mundo seria inerte. Saber usar e admi-
nistrar sua produção por meio de diferentes fontes de
energia é fundamental.
Desde o início da vida em sociedade, as fontes
de energia de que o homem precisa devem ser ge-
10 radas continuamente, ou armazenadas para serem
consumidas nos momentos de necessidade. A utili-
zação de diversas formas de energia possibilita ao
homem cozinhar seu alimento, fornecer combustível
aos seus sistemas de transporte, aquecer ou refrige-
15 rar suas residências e movimentar suas indústrias.
Existem fontes de energia alternativas que, ade-
quadamente utilizadas, podem substituir os combus-
tíveis fósseis em alguns de seus usos, reservando-os
para aquelas situações em que a substituição ainda
20 não é possível. A energia eólica é uma delas.
A energia eólica é a energia gerada pela força
do vento, ou seja, é a força capaz de transformar a
energia do vento em energia aproveitável. É captada
através de estruturas como: aerogeradores, que pos-
25 sibilitam a produção de eletricidade; moinhos de ven-
to, com o objetivo de produzir energia mecânica que
pode ser usada na moagem de grãos e na fabricação
de farinha; e velas, já que a força do ar em movimen-
to é útil para impulsionar embarcações.
30 A mais antiga forma de utilização da energia eó-
lica foi o transporte marítimo. Naus e caravelas mo-
vidas pelo vento possibilitaram empreender grandes
viagens, por longas distâncias, levando a importantís-
simas descobertas.
35 Atualmente, o desenvolvimento tecnológico des-
cobriu outras formas de uso para a força eólica. A
mais conhecida e explorada está voltada para a ge-
ração de força elétrica. Isso é possível por meio de
aerogeradores, geradores elétricos associados ao
40 eixo de cata-ventos que convertem a força cinética
contida no vento em energia elétrica. A quantidade
de energia produzida vai depender de alguns fatores,
entre eles a velocidade do vento no local e a capaci-
dade do sistema montado.
45 A criação de usinas para captação da energia
eólica possui determinadas vantagens. O impacto
negativo causado pelas grandes turbinas é mínimo
quando comparado aos causados pelas grandes in-
dústrias, mineradoras de carvão, hidrelétricas, etc.
50 Esse baixo impacto ocorre porque usinas eólicas
não promovem queima de combustível, nem geram
dejetos que poluem o ar, o solo ou a água, além de
promoverem maior geração de empregos em regiões
desfavorecidas. É uma fonte de energia válida econo-
55 micamente pois é mais barata.
A energia eólica é uma fonte de energia que não
polui e é renovável, mas que, apesar disso, causa
alguns impactos no ambiente. Isso acontece devido
aos parques eólicos ocuparem grandes extensões,
60 com imensos aerogeradores instalados. Essas inter-
ferências no ambiente são vistas, muitas vezes, como
desvantagens da energia eólica. Assim, citam-se
as seguintes desvantagens: a vasta extensão de ter-
ra ocupada pelos parques eólicos; o impacto sonoro
65 provocado pelos ruídos emitidos pelas turbinas em
um parque eólico; o impacto visual causado pelas
imensas hélices que provocam certas sombras e re-
flexos desagradáveis em áreas residenciais; o impac-
to sobre a fauna, provocando grande mortandade de
70 aves que batem em suas turbinas por não consegui-
rem visualizar as pás em movimento; e a interferência
na radiação eletromagnética, atrapalhando o funcio-
namento de receptores e transmissores de ondas de
rádio, TV e micro-ondas.
75 Esse tipo de energia já é uma realidade no Bra-
sil. Nosso país já conta com diversos parques e usi-
nas. A tendência é que essa tecnologia de geração
de energia cresça cada vez mais, com a presença de
diversos parques eólicos espalhados pelo Brasil.
Disponível em: renovaveis/energia-eolica/>. Acesso em: 5 ago. 2017.
Adaptado.
A palavra ou a expressão destacada aparece corretamente grafada, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, em:
Texto associado
Texto 2 – itens 12 a 15
(Disponível em http://www.lucaslima.com/ )
Em relação ao Texto 2, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.
(Disponível em http://www.lucaslima.com/ )
Em relação ao Texto 2, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.
No segundo quadrinho, o “Por que” é utilizado sem acento circunflexo e separadamente por
introduzir uma frase interrogativa. Esse termo deve ser escrito dessa mesma maneira quando for
uma palavra substantivada.
Texto associado
Para responder às questões de 6 a 10 , leia o quadrinho abaixo.
(nerdesporte.blogspot.com)
(nerdesporte.blogspot.com)
No primeiro balão do quadrinho, a forma "por que" foi utilizada corretamente. Caso o autor do quadrinho optasse por iniciar o segundo balão com uma conjunção que respondesse à pergunta do primeiro balão, a forma correta e coerente seria:
Texto associado
Texto II
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Es-
tou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, con-
seguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estu-
dos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo.
5 Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que
essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as
novidades envelhecem e que não é seguro se sentir
feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor
é ser feliz por nada.
10 Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz por-
que alguém o elogiou. Feliz porque existe uma pers-
pectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque
você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a
pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo
15 mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo mo-
tivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela
total despreocupação com essa busca.
Particularmente, gosto de quem tem compromis-
20 so com a alegria, que procura relativizar as chatices
diárias e se concentrar no que importa pra valer, e
assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos
outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz
também. Não estando “realizado”, também. Estando
25 triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é
tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochada-
mente assombrado consigo próprio: como é que eu
me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?
30 Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz.
Os que não se cobram por não terem cumprido suas
resoluções, que não se culpam por terem falhado,
não se torturam por terem sido contraditórios, não se
35 punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o
melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então
que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do
pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao
40 mesmo tempo ser livre. Adequação à sociedade e li-
berdade simultaneamente? É uma senhora ambição.
Demanda a energia de uma usina. Para que se con-
sumir tanto?
A vida não é um questionário. Você não precisa
45 ter que responder ao mundo quais são suas qualida-
des, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho
seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se
autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-
-intencionado e que muda de opinião sem a menor
50 culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
MEDEIROS, Martha. Feliz por nada . Porto Alegre: L&PM, jul. 2011.
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Es-
tou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, con-
seguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estu-
dos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo.
5 Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que
essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as
novidades envelhecem e que não é seguro se sentir
feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor
é ser feliz por nada.
10 Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz por-
que alguém o elogiou. Feliz porque existe uma pers-
pectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque
você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a
pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo
15 mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo mo-
tivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela
total despreocupação com essa busca.
Particularmente, gosto de quem tem compromis-
20 so com a alegria, que procura relativizar as chatices
diárias e se concentrar no que importa pra valer, e
assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos
outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz
também. Não estando “realizado”, também. Estando
25 triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é
tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochada-
mente assombrado consigo próprio: como é que eu
me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?
30 Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz.
Os que não se cobram por não terem cumprido suas
resoluções, que não se culpam por terem falhado,
não se torturam por terem sido contraditórios, não se
35 punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o
melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então
que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do
pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao
40 mesmo tempo ser livre. Adequação à sociedade e li-
berdade simultaneamente? É uma senhora ambição.
Demanda a energia de uma usina. Para que se con-
sumir tanto?
A vida não é um questionário. Você não precisa
45 ter que responder ao mundo quais são suas qualida-
des, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho
seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se
autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-
-intencionado e que muda de opinião sem a menor
50 culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
MEDEIROS, Martha. Feliz por nada . Porto Alegre: L&PM, jul. 2011.