Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
O século XX, Era dos Extremos
O século XX deixou um legado inegável de questões e impasses. Para o grande historiador Eric Hobsbawm, neste livro Era
dos Extremos - o breve século XX - 1914-1991, esse século foi breve e extremado: sua história e suas possibilidades edificaram-se
sobre catástrofes, incertezas e crises, decompondo o que fora construído no longo século XIX.
Hobsbawm divide a história do século XX em três “eras”. A primeira, “da catástrofe”, é marcada pelas duas grandes guerras,
pelas ondas de revolução global em que o sistema político e econômico da URSS surgia como alternativa histórica para o capitalismo
e pela virulência da crise econômica de 1929. Também nesse período os fascismos e o descrédito das democracias liberais surgem
como proposta mundial.
A segunda “era” são os anos dourados das décadas de 1950 e 1960 que, em sua paz congelada, viram a viabilização e a
estabilização do capitalismo, responsável pela promoção de uma extraordinária expansão econômica e profundas transformações
sociais.
Por fim, entre 1970 e 1991, dá-se o “desmoronamento” final, em que caem por terra os sistemas institucionais que previnem e
limitam o barbarismo contemporâneo, dando lugar à brutalização da política e à irresponsabilidade teórica da ortodoxia econômica,
abrindo as portas para um futuro incerto.
(Adaptado da “orelha”, sem indicação autoral, do livro de Eric Hobsbawm acima referido, editado em São Paulo pela Companhia das Letras,
em 1995)
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Texto associado
Atenção : Para
responder às questões de
números 1 a 4, baseie-se no texto
abaixo.
Tempos da
arte
Os tempos mudam, os costumes
mudam, mudam
as pessoas – e tantas obras de arte ficam.
Elas não mudam? Certamente a
linguagem em que se plasmaram permanece a
mesma, mas os focos de leitura e a
recepção delas mudam, e fazem caminhar no
tempo o sentido delas. A principal
característica de um grande artista é a
atualização possível de sua obra. Mais do
que “resistir ao
tempo”, ela sabe se transformar com ele,
acionada pelas mudanças de perspectiva de
quem a contempla.
Artistas grandes produzem
objetos que são
capazes de refletir dinamicamente a
diversidade dos tempos históricos, das
culturas nacionais, dos avanços da
ciência. São obras por cuja maleabilidade
ameaçam eternizar-se, na medida mesma em
que
funcionam como espelhos possíveis de cada
momento. É um paradoxo, este, o de algo
permanecer vivo quando tudo que o produziu
já feneceu. Podemos contar com as artes
como testemunhas dinâmicas que são de seu
tempo, do nosso tempo e do que ainda
virá.
(Gaudêncio Firmino, inédito )
responder às questões de
números 1 a 4, baseie-se no texto
abaixo.
Tempos da
arte
Os tempos mudam, os costumes
mudam, mudam
as pessoas – e tantas obras de arte ficam.
Elas não mudam? Certamente a
linguagem em que se plasmaram permanece a
mesma, mas os focos de leitura e a
recepção delas mudam, e fazem caminhar no
tempo o sentido delas. A principal
característica de um grande artista é a
atualização possível de sua obra. Mais do
que “resistir ao
tempo”, ela sabe se transformar com ele,
acionada pelas mudanças de perspectiva de
quem a contempla.
Artistas grandes produzem
objetos que são
capazes de refletir dinamicamente a
diversidade dos tempos históricos, das
culturas nacionais, dos avanços da
ciência. São obras por cuja maleabilidade
ameaçam eternizar-se, na medida mesma em
que
funcionam como espelhos possíveis de cada
momento. É um paradoxo, este, o de algo
permanecer vivo quando tudo que o produziu
já feneceu. Podemos contar com as artes
como testemunhas dinâmicas que são de seu
tempo, do nosso tempo e do que ainda
virá.
(Gaudêncio Firmino, inédito )
No primeiro parágrafo fundamenta-se a tese de que a longevidade de tantas obras de arte deve-se
No processo de leitura, o sujeito faz uma leitura textual com todo seu ser e sua bagagem
sociocultural, o leitor constitui-se, identifica-se e projeta-se no texto, aproximando-se e
distanciando-se das ideias que o texto sugere, mesclando às suas ideias as saliências textuais
que lhe sobressaem, o que lhe é permitido pela incompletude do texto, pelas lacunas deixadas
pelo autor. Para melhor compreender o processo de leitura, considerando as etapas
apresentadas por Cabral (1986), é correto afirmar que fazem parte do processo, EXCETO
Sobre a prática de leitura de textos, para a compreensão de textos considerando os contextos
de produção, circulação e recepção, assinale o que NÃO deve ser levado em consideração.
No texto CG1A1-I, a forma verbal “recrudesce” (R.27) tem o
mesmo sentido de
Texto associado
Texto CB1A1-I
1 ____ É impressionante como, em nosso tempo, somos
contraditórios no que diz respeito aos direitos humanos.
Em comparação a eras passadas, chegamos a um máximo
4 de racionalidade técnica e de domínio sobre a natureza,
o que permite imaginar a possibilidade de resolver grande
número de problemas materiais do homem, quem sabe,
7 inclusive, o da alimentação.
No entanto, a irracionalidade do comportamento
é também máxima, servida frequentemente pelos mesmos
10 meios que deveriam realizar os desígnios da racionalidade.
Assim, com a energia atômica, podemos, ao mesmo tempo,
gerar força criadora e destruir a vida pela guerra; com incrível
13 progresso industrial, aumentamos o conforto até alcançar
níveis nunca sonhados, mas excluímos dele as grandes
massas que condenamos à miséria; em muitos países,
16 quanto mais cresce a riqueza, mais aumenta a péssima
distribuição dos bens. Portanto, podemos dizer que os
mesmos meios que permitem o progresso podem provocar
19 a degradação da maioria.
Na Grécia antiga, por exemplo, teria sido impossível
pensar em uma distribuição equitativa dos bens materiais,
22 porque a técnica ainda não permitia superar as formas brutais
de exploração do homem, nem criar abundância para todos.
Em nosso tempo, é possível pensar nisso, mas o fazemos
25 relativamente pouco. Essa insensibilidade nega uma das
linhas mais promissoras da história do homem ocidental,
aquela que se nutriu das ideias amadurecidas no correr
28 dos séculos XVIII e XIX.
Essas ideias abriram perspectivas que pareciam
levar à solução dos problemas dramáticos da vida em
31 sociedade. E, de fato, durante muito tempo, acreditou-se que,
removidos uns tantos obstáculos, como a ignorância e os
sistemas despóticos de governo, as conquistas do progresso
34 seriam canalizadas no rumo imaginado pelos utopistas, porque
a instrução, o saber e a técnica levariam, necessariamente,
à felicidade coletiva. Contudo, mesmo onde esses obstáculos
37 foram removidos, a barbárie continuou entre os homens,
embora não mais se ache normal o seu elogio, como se todos
soubessem que ela é algo a ser ocultado e não proclamado.
Antonio Candido. Vários escritos . 3.ª ed. rev. e ampl.
São Paulo: Duas Cidades, 1995, p. 169-70 (com adaptações).
1 ____ É impressionante como, em nosso tempo, somos
contraditórios no que diz respeito aos direitos humanos.
Em comparação a eras passadas, chegamos a um máximo
4 de racionalidade técnica e de domínio sobre a natureza,
o que permite imaginar a possibilidade de resolver grande
número de problemas materiais do homem, quem sabe,
7 inclusive, o da alimentação.
No entanto, a irracionalidade do comportamento
é também máxima, servida frequentemente pelos mesmos
10 meios que deveriam realizar os desígnios da racionalidade.
Assim, com a energia atômica, podemos, ao mesmo tempo,
gerar força criadora e destruir a vida pela guerra; com incrível
13 progresso industrial, aumentamos o conforto até alcançar
níveis nunca sonhados, mas excluímos dele as grandes
massas que condenamos à miséria; em muitos países,
16 quanto mais cresce a riqueza, mais aumenta a péssima
distribuição dos bens. Portanto, podemos dizer que os
mesmos meios que permitem o progresso podem provocar
19 a degradação da maioria.
Na Grécia antiga, por exemplo, teria sido impossível
pensar em uma distribuição equitativa dos bens materiais,
22 porque a técnica ainda não permitia superar as formas brutais
de exploração do homem, nem criar abundância para todos.
Em nosso tempo, é possível pensar nisso, mas o fazemos
25 relativamente pouco. Essa insensibilidade nega uma das
linhas mais promissoras da história do homem ocidental,
aquela que se nutriu das ideias amadurecidas no correr
28 dos séculos XVIII e XIX.
Essas ideias abriram perspectivas que pareciam
levar à solução dos problemas dramáticos da vida em
31 sociedade. E, de fato, durante muito tempo, acreditou-se que,
removidos uns tantos obstáculos, como a ignorância e os
sistemas despóticos de governo, as conquistas do progresso
34 seriam canalizadas no rumo imaginado pelos utopistas, porque
a instrução, o saber e a técnica levariam, necessariamente,
à felicidade coletiva. Contudo, mesmo onde esses obstáculos
37 foram removidos, a barbárie continuou entre os homens,
embora não mais se ache normal o seu elogio, como se todos
soubessem que ela é algo a ser ocultado e não proclamado.
Antonio Candido. Vários escritos . 3.ª ed. rev. e ampl.
São Paulo: Duas Cidades, 1995, p. 169-70 (com adaptações).
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita
que altera o seguinte trecho do texto CB1A1-I: “o que permite
imaginar a possibilidade de resolver grande número de problemas
materiais do homem, quem sabe, inclusive, o da alimentação”
(L. 5 a 7). Assinale a opção em que a proposta apresentada mantém
a correção e os sentidos originais do texto.
Texto associado
Mentalidade Self-service e a ilusão
de liberdade
Simone Ribeiro Cabral Fuzaro
Hoje, gostaria de refletir sobre uma ideia que
foi entrando em nosso cotidiano, foi se enraizando
em nossas vidas e transformando nosso modo
de ver o mundo e as coisas: a mentalidade “selfservice”.
Essa expressão da língua inglesa,
traduzida livremente ao Português, significa
“serviço próprio” ou “autosserviço”. O selfservice
é um sistema de atendimento adotado
principalmente em restaurantes, pelo qual o
cliente tem a possibilidade de servir o seu próprio
prato, de acordo com as opções disponibilizadas
pelo estabelecimento.
Apesar de ter tido seu início em restaurantes,
esse tipo de serviço foi se expandindo a diversos
outros estabelecimentos, em que é possível que o
próprio cliente execute integral ou parcialmente o
atendimento (lavanderias, postos de combustível,
caixas eletrônicos...).
Apesar dos benefícios e facilidades inegáveis
trazidas por esse tipo de serviço, é importante
olharmos para os demais efeitos que causa em
nosso modo de ver as coisas e, consequentemente,
em nossas vidas. Essa possibilidade de
autosserviço, no qual se paga por exatamente
aquilo que se deseja consumir, foi aos poucos
contribuindo na transformação das relações, uma
vez que foi fomentando a possibilidade de que
cada um atenda efetivamente aos seus próprios
desejos e interesses sem restrições relativas ao
grupo que o acompanha ou àquele que presta
o serviço. Já não há mais a necessidade de se
escolher em família (ou em grupo) que prato
pedir no restaurante e, com isso, de se negociar
desejos, gostos, preferências. Mesmo que não
percebamos com muita clareza, está implícito aí
um engrandecimento do eu em detrimento do nós.
Já não se faz mais necessário abrir mão de um
gosto, de comer um pouco do que não aprecio
tanto para satisfazer alguém com quem me
importo. Pouco a pouco, sem percebermos, vamos
vivendo cada vez mais um modo autocentrado de
ver os serviços que utilizamos, as pessoas que
nos rodeiam.... o mundo. Vai ficando forte a ideia
de que pago somente pelo que quero consumir,
consumo somente aquilo que me interessa do serviço oferecido, ganhando o direito de “recortálo”
segundo meus interesses e sem considerar os
interesses daqueles que prestam o serviço e, às
vezes, até mesmo se o serviço prestado será de
qualidade se for adaptado ao meu querer.
Se olharmos a realidade, por exemplo, das
escolas infantis, veremos uma quantidade cada
vez maior de pais que querem escolher livremente
o horário de entrada e saída dos filhos sem
levar em conta os períodos escolares que são
importantíssimos por vários motivos: contemplam
uma rotina necessária para as crianças pequenas,
asseguram um mesmo grupo de colegas e
professores, o que transmite segurança e conforto
afetivo, possibilitam que participem das atividades
planejadas à fase escolar em que se encontram
etc. O que os pais estão buscando, no entanto,
é uma “escola self-service” e não percebem que
acabam por prejudicar o próprio filho, que terá um
serviço que não garantirá o atendimento às suas
necessidades básicas para um desenvolvimento
saudável.
Reina uma ideia de que temos o direito de ser
“livres” para escolher segundo nossos desejos
e nossas necessidades. Questiono, porém:
podemos considerar essa possibilidade de
escolha como liberdade? Parece-me haver um
equívoco claro nessa ideia, afinal, a liberdade nos
leva a escolher o bem. O que há hoje são pessoas
absolutamente escravizadas, em primeiro lugar,
pelos seus próprios desejos de satisfação,
conforto, facilidade. Depois, escravizadas ao
ter – é preciso muito para viver nessa gana de
satisfações, e, então, escravizamo-nos às rotinas
malucas de trabalho que roubam o direito de
atendermos às necessidades reais de nossa
saúde, de nossa família, de uma vida mais
equilibrada.
Vale refletirmos: em que situações estamos
nos deixando levar por essa “mentalidade selfservice”
exagerada? Vamos olhar de modo crítico
as facilidades, afinal, já sabemos: as grandes e
fundamentais aprendizagens acontecem quando
enfrentamos as dificuldades e não quando nos
desviamos delas.
Disponível em: < http: e-a-ilusao-de-liberdade="" mentalidade-selfservice-="" colunas="" www.osaopaulo.org.br="" >. Acesso em: 25 jun. 2019.
de liberdade
Simone Ribeiro Cabral Fuzaro
Hoje, gostaria de refletir sobre uma ideia que
foi entrando em nosso cotidiano, foi se enraizando
em nossas vidas e transformando nosso modo
de ver o mundo e as coisas: a mentalidade “selfservice”.
Essa expressão da língua inglesa,
traduzida livremente ao Português, significa
“serviço próprio” ou “autosserviço”. O selfservice
é um sistema de atendimento adotado
principalmente em restaurantes, pelo qual o
cliente tem a possibilidade de servir o seu próprio
prato, de acordo com as opções disponibilizadas
pelo estabelecimento.
Apesar de ter tido seu início em restaurantes,
esse tipo de serviço foi se expandindo a diversos
outros estabelecimentos, em que é possível que o
próprio cliente execute integral ou parcialmente o
atendimento (lavanderias, postos de combustível,
caixas eletrônicos...).
Apesar dos benefícios e facilidades inegáveis
trazidas por esse tipo de serviço, é importante
olharmos para os demais efeitos que causa em
nosso modo de ver as coisas e, consequentemente,
em nossas vidas. Essa possibilidade de
autosserviço, no qual se paga por exatamente
aquilo que se deseja consumir, foi aos poucos
contribuindo na transformação das relações, uma
vez que foi fomentando a possibilidade de que
cada um atenda efetivamente aos seus próprios
desejos e interesses sem restrições relativas ao
grupo que o acompanha ou àquele que presta
o serviço. Já não há mais a necessidade de se
escolher em família (ou em grupo) que prato
pedir no restaurante e, com isso, de se negociar
desejos, gostos, preferências. Mesmo que não
percebamos com muita clareza, está implícito aí
um engrandecimento do eu em detrimento do nós.
Já não se faz mais necessário abrir mão de um
gosto, de comer um pouco do que não aprecio
tanto para satisfazer alguém com quem me
importo. Pouco a pouco, sem percebermos, vamos
vivendo cada vez mais um modo autocentrado de
ver os serviços que utilizamos, as pessoas que
nos rodeiam.... o mundo. Vai ficando forte a ideia
de que pago somente pelo que quero consumir,
consumo somente aquilo que me interessa do serviço oferecido, ganhando o direito de “recortálo”
segundo meus interesses e sem considerar os
interesses daqueles que prestam o serviço e, às
vezes, até mesmo se o serviço prestado será de
qualidade se for adaptado ao meu querer.
Se olharmos a realidade, por exemplo, das
escolas infantis, veremos uma quantidade cada
vez maior de pais que querem escolher livremente
o horário de entrada e saída dos filhos sem
levar em conta os períodos escolares que são
importantíssimos por vários motivos: contemplam
uma rotina necessária para as crianças pequenas,
asseguram um mesmo grupo de colegas e
professores, o que transmite segurança e conforto
afetivo, possibilitam que participem das atividades
planejadas à fase escolar em que se encontram
etc. O que os pais estão buscando, no entanto,
é uma “escola self-service” e não percebem que
acabam por prejudicar o próprio filho, que terá um
serviço que não garantirá o atendimento às suas
necessidades básicas para um desenvolvimento
saudável.
Reina uma ideia de que temos o direito de ser
“livres” para escolher segundo nossos desejos
e nossas necessidades. Questiono, porém:
podemos considerar essa possibilidade de
escolha como liberdade? Parece-me haver um
equívoco claro nessa ideia, afinal, a liberdade nos
leva a escolher o bem. O que há hoje são pessoas
absolutamente escravizadas, em primeiro lugar,
pelos seus próprios desejos de satisfação,
conforto, facilidade. Depois, escravizadas ao
ter – é preciso muito para viver nessa gana de
satisfações, e, então, escravizamo-nos às rotinas
malucas de trabalho que roubam o direito de
atendermos às necessidades reais de nossa
saúde, de nossa família, de uma vida mais
equilibrada.
Vale refletirmos: em que situações estamos
nos deixando levar por essa “mentalidade selfservice”
exagerada? Vamos olhar de modo crítico
as facilidades, afinal, já sabemos: as grandes e
fundamentais aprendizagens acontecem quando
enfrentamos as dificuldades e não quando nos
desviamos delas.
Disponível em: < http: e-a-ilusao-de-liberdade="" mentalidade-selfservice-="" colunas="" www.osaopaulo.org.br="" >. Acesso em: 25 jun. 2019.
Em “Essa possibilidade de
autosserviço, no qual se paga por
exatamente aquilo que se deseja
consumir, foi aos poucos contribuindo
na transformação das relações, uma
vez que foi fomentando a possibilidade
de que cada um atenda efetivamente
aos seus próprios desejos...”, o termo
destacado poderia ser substituído, sem
alteração de sentido no contexto em que
está inserido, por
Está inteiramente correta a redação da seguinte frase:
Texto associado
Leia o trecho inicial de um poema de Charles Baudelaire para responder à questão. Bênção Quando, por uma lei das supremas potências, O Poeta se apresenta à plateia entediada, Sua mãe, estarrecida e prenhe de insolências, Pragueja com Deus, que dela então se apieda: “Ah! tivesse eu gerado um ninho de serpentes, Em vez de amamentar esse aleijão sem graça! Maldita a noite dos prazeres mais ardentes Em que meu ventre concebeu minha desgraça! Pois que entre todas neste mundo fui eleita Para ser o desgosto de meu triste esposo, E ao fogo arremessar não posso, qual se deita Uma carta de amor, esse monstro asqueroso, Eu farei recair teu ódio que me afronta Sobre o instrumento vil de tuas maldições, E este mau ramo hei de torcer de ponta a ponta, Para que aí não vingue um só de seus botões!” ( As flores do mal, 2012.)
Assinale a alternativa em que a reescrita do verso mantém o seu sentido original.
Texto associado
Leia o texto para responder à questão. 15 DE JULHO DE 1955 Aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela. Mas o custo dos generos alimenticios nos impede a realização dos nossos desejos. Atualmente somos escravos do custo de vida. Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar. Eu não tinha um tostão para comprar pão. Então eu lavei 3 litros e troquei com o Arnaldo. Ele ficou com os litros e deu-me pão. Fui receber o dinheiro do papel. Recebi 65 cruzeiros. Comprei 20 de carne, 1 quilo de toucinho e 1 quilo de açucar e seis cruzeiros de queijo. E o dinheiro acabou-se. Passei o dia indisposta. Percebi que estava resfriada. A noite o peito doia-me. Comecei tussir. Resolvi não sair a noite para catar papel. Procurei meu filho João José. Ele estava na rua Felisberto de Carvalho, perto do mercadinho. O onibus atirou um garoto na calçada e a turba afluiu-se. Ele estava no nucleo. Dei-lhe uns tapas e em cinco minutos ele chegou em casa. Ablui as crianças, aleitei-as e ablui-me e aleitei-me. Esperei até as 11 horas, um certo alguem. Ele não veio. Tomei um melhoral e deitei-me novamente. Quando despertei o astro rei deslisava no espaço. A minha filha Vera Eunice dizia: — Vai buscar agua mamãe! (Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo — diário de uma favelada , 1993.)