A diferenciação entre zonas centrais e regiões marginais — centros e periferias — encontra-se hoje em várias ordens de grandeza em comunidades, distritos, países e grupos inteiros de países. Numa cidade, a atividade comercial concentra-se geralmente numa zona determinada; em cada país há regiões nas quais se concentra mais fortemente a atividade econômica, do que em outras.
A diferença entre regiões centrais e regiões periféricas está baseada em uma multiplicidade de contrastes — geográficos, econômicos e sociais — que, em toda a sua diversidade, também apresentam, em seu contexto, elementos comuns essenciais.
Os centros são primariamente grandes cidades ou cidades de dimensão média, sendo periferias as zonas de economia rural. As aldeias constituem centros menores na periferia.
Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos, privilegiados. Sob perspectiva geométrica, a soma das distâncias entre o ponto central e quaisquer pontos do interior é menor do que entre um ponto da periferia (qualquer que seja esse ponto) e qualquer ponto no interior. Em torno de uma grande cidade (de uma megalópole), encontram-se as maiores artérias de circulação ordenadas de forma radial e não em círculos concêntricos. As vias de uma periferia à outra conduzem, por isso, com frequência através do centro — também quando isso exige maiores desvios.
Para cada tipo de troca (como trânsito, comércio, turismo, transmissão de conhecimentos), os centros oferecem especiais vantagens. Eles dispõem de uma infraestrutura mais rica do que as regiões marginais, e os contatos sociais são mais densos. Hospitais, universidades, institutos de pesquisa, instituições culturais, museus, teatros, salas de concerto etc. encontram-se predominante ou exclusivamente em centros. As possibilidades de formação são mais diversificadas e de melhor qualidade. Mercados de centro se destacam por ofertas mais ricas do que os mercados das periferias. O nível de vida é mais alto, os salários são mais altos, mas também os custos de manutenção da vida são mais altos.
Nos centros, com relação à vida social, vigora uma cultura pluralista, as pessoas são mais individualistas, mas também mais flexíveis do que nas periferias. No interior a cultura é mais fortemente presa à tradição, a mobilidade social é menor, a vida decorre mais calma e vagarosamente, e as pessoas se movimentam menos apressadamente. Quanto às atitudes mentais e intelectuais, elas também são, em geral, menos ágeis e, com frequência, mais conservadoras.
Thomas Kelssering. Dentro e fora. Centro e periferia. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Trad. Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 171-2.
Julgue os itens subsequentes, relativos às ideias e às construções linguísticas do texto precedente.
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Texto associado
Texto CG1A1-I
1 O estudo do desenvolvimento das ciências vai muito
além da simples percepção da progressão da técnica ou do
entendimento de como determinado objeto surgiu e de como
4 ele funciona. Acima de tudo, trata de compreender as variáveis
incutidas nos desdobramentos da evolução
científico-tecnológica. Saber quem melhor se aproveitou dessa
7 evolução, qual teria sido sua finalidade e quais mudanças
sociais e de concepções culturais a ciência operou constitui o
objetivo último do historiador da ciência. Partir da máxima de
10 Francis Bacon, de que o saber confere poder, pode ser um
início muito esclarecedor para essa questão.
A ciência tem como pressuposto de sua práxis a
13 utilização de modelos teóricos que obedeçam a determinados
princípios, sem que isso implique a aceitação de uma razão
universal e impessoal, à medida que os indivíduos inventam e
16 constroem diversas racionalidades inerentes a cada sociedade
e seus respectivos tipos de saberes. Estes, por sua vez,
exprimem estruturas, valores e projetos específicos que geram,
19 no interior dessas sociedades, concepções peculiares de
conhecimento, posto que o modo de questionar é solidário com
o modo de ser e viver, de crenças e valores, de práticas e
22 instituições, presentes em cada grupo social.
Paulo Ferraz de Camargo Oliveira. Herança ou ruptura? In: Revista Leituras da História, n.º 129. São Paulo: Editora Escala, 2019, p. 17 (com adaptações
1 O estudo do desenvolvimento das ciências vai muito
além da simples percepção da progressão da técnica ou do
entendimento de como determinado objeto surgiu e de como
4 ele funciona. Acima de tudo, trata de compreender as variáveis
incutidas nos desdobramentos da evolução
científico-tecnológica. Saber quem melhor se aproveitou dessa
7 evolução, qual teria sido sua finalidade e quais mudanças
sociais e de concepções culturais a ciência operou constitui o
objetivo último do historiador da ciência. Partir da máxima de
10 Francis Bacon, de que o saber confere poder, pode ser um
início muito esclarecedor para essa questão.
A ciência tem como pressuposto de sua práxis a
13 utilização de modelos teóricos que obedeçam a determinados
princípios, sem que isso implique a aceitação de uma razão
universal e impessoal, à medida que os indivíduos inventam e
16 constroem diversas racionalidades inerentes a cada sociedade
e seus respectivos tipos de saberes. Estes, por sua vez,
exprimem estruturas, valores e projetos específicos que geram,
19 no interior dessas sociedades, concepções peculiares de
conhecimento, posto que o modo de questionar é solidário com
o modo de ser e viver, de crenças e valores, de práticas e
22 instituições, presentes em cada grupo social.
Paulo Ferraz de Camargo Oliveira. Herança ou ruptura? In: Revista Leituras da História, n.º 129. São Paulo: Editora Escala, 2019, p. 17 (com adaptações
Assinale a opção cujo conteúdo apresenta reescrita que mantém as relações de sentido e a correção gramatical do seguinte trecho do texto CG1A1-I: “Acima de tudo, trata de compreender as variáveis incutidas nos desdobramentos da evolução científico-tecnológica.” ( ℓ . 4 a 6).
Texto associado
Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto
precedente, julgue os itens seguintes.
precedente, julgue os itens seguintes.
A correção gramatical e a coerência do texto seriam mantidas
caso fosse inserida a expressão por isso , isolada por vírgulas,
entre as palavras “e” e “não”, na linha 13 - e, por isso, não.
Texto associado
Texto CG1A1-I
1 “Família, família/ vive junto todo dia/ nunca perde
essa mania” — os versos da canção Família , composta por
Arnaldo Antunes e Tony Belotto na década de 80 do século
4 passado, no Brasil, parece que já não traduzem mais a
realidade dos arranjos familiares. Observa-se que a solidez dos
lugares ocupados por cada uma das pessoas, nos moldes da
7 família nuclear, não se adéqua à realidade social do momento,
em que as relações são caracterizadas por sua dinamicidade e
pluralidade. De acordo com o médico e psicanalista Jurandir
10 Freire Costa, “família nem é mais um modo de transmissão do
patrimônio material; nem de perpetuação de nomes de
linhagens; nem da tradição moral ou religiosa; tampouco é a
13 instituição que garante a estabilidade do lugar em que são
educadas as crianças”.
Então, o que é a família? Como defini-la,
16 considerando-se que uma de suas marcas na pós-modernidade
é justamente a falta de definição? Para a cientista social e
política Elizabete Dória Bilac, a variabilidade histórica da
19 instituição família desafia qualquer conceito geral de família.
A centralidade assumida pelos interesses individuais
no mundo contemporâneo é um dos aspectos que influenciam
22 a singularidade de cada família e distinguem os propósitos que
justificam a escolha de duas pessoas ou mais viverem juntas,
compartilhando regras, necessidades e obrigações. Se não é
25 fácil definir a família, é legítimo o esforço de tentar decifrar
quem é o homem pós-moderno e quais as necessidades
emergentes que o impulsionam ao encontro com o outro, seja
28 no espaço social, seja no interior da família, produzindo
significados e razões que o lançam na busca de realização.
Segundo o filósofo francês Dany-Robert Dufour, a
31 pós-modernidade produz um sujeito não engendrado, o que
significa um sujeito que se vê na posição de não dever mais
nada à geração precedente. Trata-se de uma condição que
34 comporta riscos, pois, segundo Dufour, desaparece o motivo
geracional. No que tange à família, a consequência é o
surgimento de relações pautadas em trocas reais e carentes de
37 valores simbólicos que se contraponham à lógica do consumo.
Assim, assiste-se a uma ruptura na ordem da transmissão, o que
gera indivíduos desprovidos de identidade sólida, condição esta
40 que acarreta a redução de sua capacidade crítica e dificulta o
estabelecimento de compromisso com a causa que lhe precede.
Fernanda Simplício Cardoso e Leila Maria Torraca de Brito.
Reflexões sobre a paternidade na pós-modernidade.
Internet: (com adaptações).
1 “Família, família/ vive junto todo dia/ nunca perde
essa mania” — os versos da canção Família , composta por
Arnaldo Antunes e Tony Belotto na década de 80 do século
4 passado, no Brasil, parece que já não traduzem mais a
realidade dos arranjos familiares. Observa-se que a solidez dos
lugares ocupados por cada uma das pessoas, nos moldes da
7 família nuclear, não se adéqua à realidade social do momento,
em que as relações são caracterizadas por sua dinamicidade e
pluralidade. De acordo com o médico e psicanalista Jurandir
10 Freire Costa, “família nem é mais um modo de transmissão do
patrimônio material; nem de perpetuação de nomes de
linhagens; nem da tradição moral ou religiosa; tampouco é a
13 instituição que garante a estabilidade do lugar em que são
educadas as crianças”.
Então, o que é a família? Como defini-la,
16 considerando-se que uma de suas marcas na pós-modernidade
é justamente a falta de definição? Para a cientista social e
política Elizabete Dória Bilac, a variabilidade histórica da
19 instituição família desafia qualquer conceito geral de família.
A centralidade assumida pelos interesses individuais
no mundo contemporâneo é um dos aspectos que influenciam
22 a singularidade de cada família e distinguem os propósitos que
justificam a escolha de duas pessoas ou mais viverem juntas,
compartilhando regras, necessidades e obrigações. Se não é
25 fácil definir a família, é legítimo o esforço de tentar decifrar
quem é o homem pós-moderno e quais as necessidades
emergentes que o impulsionam ao encontro com o outro, seja
28 no espaço social, seja no interior da família, produzindo
significados e razões que o lançam na busca de realização.
Segundo o filósofo francês Dany-Robert Dufour, a
31 pós-modernidade produz um sujeito não engendrado, o que
significa um sujeito que se vê na posição de não dever mais
nada à geração precedente. Trata-se de uma condição que
34 comporta riscos, pois, segundo Dufour, desaparece o motivo
geracional. No que tange à família, a consequência é o
surgimento de relações pautadas em trocas reais e carentes de
37 valores simbólicos que se contraponham à lógica do consumo.
Assim, assiste-se a uma ruptura na ordem da transmissão, o que
gera indivíduos desprovidos de identidade sólida, condição esta
40 que acarreta a redução de sua capacidade crítica e dificulta o
estabelecimento de compromisso com a causa que lhe precede.
Fernanda Simplício Cardoso e Leila Maria Torraca de Brito.
Reflexões sobre a paternidade na pós-modernidade.
Internet: (com adaptações).
Seria mantida a correção gramatical do texto CG1A1-I se o segmento “em que”, nas linhas 8 e 13, fosse substituído, respectivamente, por
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
Está gramaticalmente correta a redação do livre comentário que se encontra em:
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
O século XX, Era dos Extremos
O século XX deixou um legado inegável de questões e impasses. Para o grande historiador Eric Hobsbawm, neste livro Era
dos Extremos - o breve século XX - 1914-1991, esse século foi breve e extremado: sua história e suas possibilidades edificaram-se
sobre catástrofes, incertezas e crises, decompondo o que fora construído no longo século XIX.
Hobsbawm divide a história do século XX em três “eras”. A primeira, “da catástrofe”, é marcada pelas duas grandes guerras,
pelas ondas de revolução global em que o sistema político e econômico da URSS surgia como alternativa histórica para o capitalismo
e pela virulência da crise econômica de 1929. Também nesse período os fascismos e o descrédito das democracias liberais surgem
como proposta mundial.
A segunda “era” são os anos dourados das décadas de 1950 e 1960 que, em sua paz congelada, viram a viabilização e a
estabilização do capitalismo, responsável pela promoção de uma extraordinária expansão econômica e profundas transformações
sociais.
Por fim, entre 1970 e 1991, dá-se o “desmoronamento” final, em que caem por terra os sistemas institucionais que previnem e
limitam o barbarismo contemporâneo, dando lugar à brutalização da política e à irresponsabilidade teórica da ortodoxia econômica,
abrindo as portas para um futuro incerto.
(Adaptado da “orelha”, sem indicação autoral, do livro de Eric Hobsbawm acima referido, editado em São Paulo pela Companhia das Letras,
em 1995)
O século XX, Era dos Extremos
O século XX deixou um legado inegável de questões e impasses. Para o grande historiador Eric Hobsbawm, neste livro Era
dos Extremos - o breve século XX - 1914-1991, esse século foi breve e extremado: sua história e suas possibilidades edificaram-se
sobre catástrofes, incertezas e crises, decompondo o que fora construído no longo século XIX.
Hobsbawm divide a história do século XX em três “eras”. A primeira, “da catástrofe”, é marcada pelas duas grandes guerras,
pelas ondas de revolução global em que o sistema político e econômico da URSS surgia como alternativa histórica para o capitalismo
e pela virulência da crise econômica de 1929. Também nesse período os fascismos e o descrédito das democracias liberais surgem
como proposta mundial.
A segunda “era” são os anos dourados das décadas de 1950 e 1960 que, em sua paz congelada, viram a viabilização e a
estabilização do capitalismo, responsável pela promoção de uma extraordinária expansão econômica e profundas transformações
sociais.
Por fim, entre 1970 e 1991, dá-se o “desmoronamento” final, em que caem por terra os sistemas institucionais que previnem e
limitam o barbarismo contemporâneo, dando lugar à brutalização da política e à irresponsabilidade teórica da ortodoxia econômica,
abrindo as portas para um futuro incerto.
(Adaptado da “orelha”, sem indicação autoral, do livro de Eric Hobsbawm acima referido, editado em São Paulo pela Companhia das Letras,
em 1995)
Entre 1970 e 1991 dá-se o desmoronamento final em que caem por terra os sistemas institucionais que previnem e limitam o
barbarismo contemporâneo.
A frase acima permanecerá coerente, coesa e correta caso se substitua o segmento
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
Novas formas de vida?
Uma forma radical de mudar as leis da vida é produzir seres completamente inorgânicos. Os exemplos mais óbvios são
programas de computador e vírus de computador que podem sofrer evolução independente.
O campo da programação genética é hoje um dos mais interessantes no mundo da ciência da computação. Esta tenta emular
os métodos da evolução genética. Muitos programadores sonham em criar um programa capaz de aprender e evoluir de maneira
totalmente independente de seu criador. Nesse caso, o programador seria um primum mobile, um primeiro motor, mas sua criação
estaria livre para evoluir em direções que nem seu criador nem qualquer outro humano jamais poderiam ter imaginado.
Um protótipo de tal programa já existe - chama-se vírus de computador. Conforme se espalha pela internet, o vírus se replica
milhões e milhões de vezes, o tempo todo sendo perseguido por programas de antivírus predatórios e competindo com outros vírus
por um lugar no ciberespaço. Um dia, quando o vírus se replica, um erro ocorre - uma mutação computadorizada. Talvez a mutação
ocorra porque o engenheiro humano programou o vírus para, ocasionalmente, cometer erros aleatórios de replicação. Talvez a
mutação se deva a um erro aleatório. Se, por acidente, o vírus modificado for melhor para escapar de programas antivírus sem perder
sua capacidade de invadir outros computadores, vai se espalhar pelo ciberespaço. Com o passar do tempo, o ciberespaço estará
cheio de novos vírus que ninguém produziu e que passam por uma evolução inorgânica.
Essas são criaturas vivas? Depende do que entendemos por “criaturas vivas”. Mas elas certamente foram criadas a partir de
um novo processo evolutivo, completamente independente das leis e limitações da evolução orgânica.
(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens, Uma breve história da humanidade.Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 38. ed,,
2018, p. 419-420).
Novas formas de vida?
Uma forma radical de mudar as leis da vida é produzir seres completamente inorgânicos. Os exemplos mais óbvios são
programas de computador e vírus de computador que podem sofrer evolução independente.
O campo da programação genética é hoje um dos mais interessantes no mundo da ciência da computação. Esta tenta emular
os métodos da evolução genética. Muitos programadores sonham em criar um programa capaz de aprender e evoluir de maneira
totalmente independente de seu criador. Nesse caso, o programador seria um primum mobile, um primeiro motor, mas sua criação
estaria livre para evoluir em direções que nem seu criador nem qualquer outro humano jamais poderiam ter imaginado.
Um protótipo de tal programa já existe - chama-se vírus de computador. Conforme se espalha pela internet, o vírus se replica
milhões e milhões de vezes, o tempo todo sendo perseguido por programas de antivírus predatórios e competindo com outros vírus
por um lugar no ciberespaço. Um dia, quando o vírus se replica, um erro ocorre - uma mutação computadorizada. Talvez a mutação
ocorra porque o engenheiro humano programou o vírus para, ocasionalmente, cometer erros aleatórios de replicação. Talvez a
mutação se deva a um erro aleatório. Se, por acidente, o vírus modificado for melhor para escapar de programas antivírus sem perder
sua capacidade de invadir outros computadores, vai se espalhar pelo ciberespaço. Com o passar do tempo, o ciberespaço estará
cheio de novos vírus que ninguém produziu e que passam por uma evolução inorgânica.
Essas são criaturas vivas? Depende do que entendemos por “criaturas vivas”. Mas elas certamente foram criadas a partir de
um novo processo evolutivo, completamente independente das leis e limitações da evolução orgânica.
(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens, Uma breve história da humanidade.Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 38. ed,,
2018, p. 419-420).
Considere estas orações:
I. Os vírus de computador são formas inorgânicas.
II. Os vírus de computador podem evoluir por si mesmos.
III. Os vírus de computador replicam-se milhões de vezes.
Essas três orações integram-se num período único, correto e coerente em:
Texto associado
Atenção : Para
responder às questões de
números 1 a 9, considere o texto
abaixo.
1. “Máquinas similares às
hoje existentes
serão construídas a custos mais baixos,
mas com velocidades mais rápidas de
processamento.”
Assim, em um artigo de 1965, o
empreendedor Gordon Moore, hoje com 90
anos de idade, apresentou sua célebre
ideia. Pela “Lei de Moore”, a cada dois
anos, em média, o desempenho dos chips de
computador dobra, sem que aumentem os
custos de fabricação. A máxima,
irretocável, à exceção de pequenos
detalhes, funcionou tal qual intuíra
Moore. É uma regra que
pode, contudo, estar com os dias
contados.
2.
Vive-se, hoje, uma revolução
tecnológica afeita a deixar no passado o
raciocínio da duplicação de capacidade de
cálculos à
base de silício: é a computação quântica.
Ela poderá nos levar a distâncias
inimagináveis: tarefas que o computador
mais poderoso
do planeta demoraria 10.000 anos para
completar seriam feitas em minutos.
3. A
computação quântica, até o início
desta década, não passava de teoria. Nos
últimos anos, começou a ser testada, com
sucesso parcial, até conseguir tração que
parece se encaminhar para uma nova
história. Um documento da NASA, vazado
recentemente,
mostra que uma empresa, ao criar o
primeiro computador quântico funcional da
história, pode estar próxima de romper com
o paradigma imposto pela Lei de
Moore.
4.
A revelação foi resultado de uma
distração. Algum funcionário da NASA,
também envolvido com o projeto,
acidentalmente
publicou no site da agência espacial um
estudo que mostra o feito, realizado por
meio de uma máquina, ainda sob sigilo. O
arquivo, já
programado para ser divulgado
oficialmente, permaneceu poucos segundos
no ar, mas foi flagrado pelo jornal
Financial Times.
5. O avanço ainda se
restringe a âmbitos
estritamente técnicos, sem utilidade
cotidiana, mas já é apelidado de “o Santo
Graal da
computação”. Isso porque o feito, se
comprovado, atingiu o que se conhece como
“supremacia quântica”. A nomenclatura
indica um
momento da civilização em que os
computadores talvez sejam tão (ou mais)
competentes quanto os seres humanos.
6. O
cientista da computação Scott
Aaronson disse, em entrevista: “Isso não
causará mudança imediata na vida das
pessoas.
Mas só por enquanto, pois se trata do
início de um caminho que levará a
transformações radicais em diversas
áreas”. Vale lembrar
que o computador que usamos hoje também
começou com um passo singelo, em 1843,
quando a matemática inglesa Ada Lovelace
(1815-1852) publicou um diagrama numérico
que veio a ser considerado o primeiro
algoritmo computacional.
(Adaptado de:
Revista Veja , edição de
09/10/2019, p. 79)
responder às questões de
números 1 a 9, considere o texto
abaixo.
1. “Máquinas similares às
hoje existentes
serão construídas a custos mais baixos,
mas com velocidades mais rápidas de
processamento.”
Assim, em um artigo de 1965, o
empreendedor Gordon Moore, hoje com 90
anos de idade, apresentou sua célebre
ideia. Pela “Lei de Moore”, a cada dois
anos, em média, o desempenho dos chips de
computador dobra, sem que aumentem os
custos de fabricação. A máxima,
irretocável, à exceção de pequenos
detalhes, funcionou tal qual intuíra
Moore. É uma regra que
pode, contudo, estar com os dias
contados.
2.
Vive-se, hoje, uma revolução
tecnológica afeita a deixar no passado o
raciocínio da duplicação de capacidade de
cálculos à
base de silício: é a computação quântica.
Ela poderá nos levar a distâncias
inimagináveis: tarefas que o computador
mais poderoso
do planeta demoraria 10.000 anos para
completar seriam feitas em minutos.
3. A
computação quântica, até o início
desta década, não passava de teoria. Nos
últimos anos, começou a ser testada, com
sucesso parcial, até conseguir tração que
parece se encaminhar para uma nova
história. Um documento da NASA, vazado
recentemente,
mostra que uma empresa, ao criar o
primeiro computador quântico funcional da
história, pode estar próxima de romper com
o paradigma imposto pela Lei de
Moore.
4.
A revelação foi resultado de uma
distração. Algum funcionário da NASA,
também envolvido com o projeto,
acidentalmente
publicou no site da agência espacial um
estudo que mostra o feito, realizado por
meio de uma máquina, ainda sob sigilo. O
arquivo, já
programado para ser divulgado
oficialmente, permaneceu poucos segundos
no ar, mas foi flagrado pelo jornal
Financial Times.
5. O avanço ainda se
restringe a âmbitos
estritamente técnicos, sem utilidade
cotidiana, mas já é apelidado de “o Santo
Graal da
computação”. Isso porque o feito, se
comprovado, atingiu o que se conhece como
“supremacia quântica”. A nomenclatura
indica um
momento da civilização em que os
computadores talvez sejam tão (ou mais)
competentes quanto os seres humanos.
6. O
cientista da computação Scott
Aaronson disse, em entrevista: “Isso não
causará mudança imediata na vida das
pessoas.
Mas só por enquanto, pois se trata do
início de um caminho que levará a
transformações radicais em diversas
áreas”. Vale lembrar
que o computador que usamos hoje também
começou com um passo singelo, em 1843,
quando a matemática inglesa Ada Lovelace
(1815-1852) publicou um diagrama numérico
que veio a ser considerado o primeiro
algoritmo computacional.
(Adaptado de:
Revista Veja , edição de
09/10/2019, p. 79)
Sem prejuízo para a correção e o sentido, o trecho sublinhado pode ser substituído pelo que se encontra entre parênteses em:
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 6 a 10, baseie-se no texto abaixo.
Novas formas de vida?
Uma forma radical de mudar as leis da vida é produzir seres completamente inorgânicos. Os exemplos mais óbvios são
programas de computador e vírus de computador que podem sofrer evolução independente.
O campo da programação genética é hoje um dos mais interessantes no mundo da ciência da computação. Esta tenta emular
os métodos da evolução genética. Muitos programadores sonham em criar um programa capaz de aprender e evoluir de maneira
totalmente independente de seu criador. Nesse caso, o programador seria um primum mobile, um primeiro motor, mas sua criação
estaria livre para evoluir em direções que nem seu criador nem qualquer outro humano jamais poderiam ter imaginado.
Um protótipo de tal programa já existe - chama-se vírus de computador. Conforme se espalha pela internet, o vírus se replica
milhões e milhões de vezes, o tempo todo sendo perseguido por programas de antivírus predatórios e competindo com outros vírus
por um lugar no ciberespaço. Um dia, quando o vírus se replica, um erro ocorre - uma mutação computadorizada. Talvez a mutação
ocorra porque o engenheiro humano programou o vírus para, ocasionalmente, cometer erros aleatórios de replicação. Talvez a
mutação se deva a um erro aleatório. Se, por acidente, o vírus modificado for melhor para escapar de programas antivírus sem perder
sua capacidade de invadir outros computadores, vai se espalhar pelo ciberespaço. Com o passar do tempo, o ciberespaço estará
cheio de novos vírus que ninguém produziu e que passam por uma evolução inorgânica.
Essas são criaturas vivas? Depende do que entendemos por “criaturas vivas”. Mas elas certamente foram criadas a partir de
um novo processo evolutivo, completamente independente das leis e limitações da evolução orgânica.
(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens, Uma breve história da humanidade.Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 38. ed,,
2018, p. 419-420).
Novas formas de vida?
Uma forma radical de mudar as leis da vida é produzir seres completamente inorgânicos. Os exemplos mais óbvios são
programas de computador e vírus de computador que podem sofrer evolução independente.
O campo da programação genética é hoje um dos mais interessantes no mundo da ciência da computação. Esta tenta emular
os métodos da evolução genética. Muitos programadores sonham em criar um programa capaz de aprender e evoluir de maneira
totalmente independente de seu criador. Nesse caso, o programador seria um primum mobile, um primeiro motor, mas sua criação
estaria livre para evoluir em direções que nem seu criador nem qualquer outro humano jamais poderiam ter imaginado.
Um protótipo de tal programa já existe - chama-se vírus de computador. Conforme se espalha pela internet, o vírus se replica
milhões e milhões de vezes, o tempo todo sendo perseguido por programas de antivírus predatórios e competindo com outros vírus
por um lugar no ciberespaço. Um dia, quando o vírus se replica, um erro ocorre - uma mutação computadorizada. Talvez a mutação
ocorra porque o engenheiro humano programou o vírus para, ocasionalmente, cometer erros aleatórios de replicação. Talvez a
mutação se deva a um erro aleatório. Se, por acidente, o vírus modificado for melhor para escapar de programas antivírus sem perder
sua capacidade de invadir outros computadores, vai se espalhar pelo ciberespaço. Com o passar do tempo, o ciberespaço estará
cheio de novos vírus que ninguém produziu e que passam por uma evolução inorgânica.
Essas são criaturas vivas? Depende do que entendemos por “criaturas vivas”. Mas elas certamente foram criadas a partir de
um novo processo evolutivo, completamente independente das leis e limitações da evolução orgânica.
(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens, Uma breve história da humanidade.Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 38. ed,,
2018, p. 419-420).
Um segmento baseado no texto ganha nova redação, sem prejuízo para sua clareza, sua correção e seu sentido básico, em:
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo.
Distribuição justa
A justiça de um resultado distributivo das riquezas depende das dotações iniciais dos participantes e da lisura do processo do
qual ele decorre. Do ponto de vista coletivo, a questão crucial é: a desigualdade observada reflete essencialmente os talentos,
esforços e valores diferenciados dos indivíduos, ou, ao contrário, ela resulta de um jogo viciado na origem e no processo, de uma
profunda falta de equidade nas condições iniciais de vida, da privação de direitos elementares ou da discriminação racial, sexual, de
gênero ou religiosa?
A condição da família em que uma criança tiver a sorte ou o infortúnio de nascer, um risco comum, a todos, passa a exercer
um papel mais decisivo na definição de seu futuro do que qualquer outra coisa ou escolha que possa fazer no ciclo da vida. A falta de
um mínimo de equidade nas condições iniciais e na capacitação para a vida tolhe a margem de escolha, vicia o jogo distributivo e
envenena os valores da convivência. A igualdade de oportunidades está na origem da emancipação das pessoas. Crianças e jovens
precisam ter a oportunidade de desenvolver seus talentos de modo a ampliar seu leque de escolhas possíveis na vida prática e eleger
seus projetos, apostas e sonhos de realização.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 106)
Distribuição justa
A justiça de um resultado distributivo das riquezas depende das dotações iniciais dos participantes e da lisura do processo do
qual ele decorre. Do ponto de vista coletivo, a questão crucial é: a desigualdade observada reflete essencialmente os talentos,
esforços e valores diferenciados dos indivíduos, ou, ao contrário, ela resulta de um jogo viciado na origem e no processo, de uma
profunda falta de equidade nas condições iniciais de vida, da privação de direitos elementares ou da discriminação racial, sexual, de
gênero ou religiosa?
A condição da família em que uma criança tiver a sorte ou o infortúnio de nascer, um risco comum, a todos, passa a exercer
um papel mais decisivo na definição de seu futuro do que qualquer outra coisa ou escolha que possa fazer no ciclo da vida. A falta de
um mínimo de equidade nas condições iniciais e na capacitação para a vida tolhe a margem de escolha, vicia o jogo distributivo e
envenena os valores da convivência. A igualdade de oportunidades está na origem da emancipação das pessoas. Crianças e jovens
precisam ter a oportunidade de desenvolver seus talentos de modo a ampliar seu leque de escolhas possíveis na vida prática e eleger
seus projetos, apostas e sonhos de realização.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 106)