O cinzeiro
Mário Viana
Procura-se um martelinho de ouro. Aceitam-se indicações de profissionais pacientes e com certa delicadeza para restaurar um cinzeiro que está na família há mais de cinco décadas. Não se trata de joia de valor financeiro incalculável, mas de uma peça que teve seus momentos úteis nos tempos em que muita gente fumava. Hoje, é apenas o símbolo de uma época.
Arredondado e de alumínio, o cinzeiro chegou lá em casa porque meu pai o ganhara de presente de seu patrão, o empresário Baby Pignatari – como ficou mais conhecido o napolitano Francisco Matarazzo Pignatari (1917- 1977). Baby misturou na mesma medida as ousadias de industrial com as estripulias de playboy. No corpo do cinzeiro destaca-se um “P” todo trabalhado em relevo.
Nunca soube direito se meu pai ganhou o cinzeiro das mãos de Baby ou de sua mulher, a dona Ira – era assim que a princesa e socialite italiana Ira von Furstenberg era conhecida lá em casa. Só muitos anos depois, já adulto e jornalista formado, descobri a linha de nobreza que fazia de dona Ira um celebridade internacional.
[...]
Pois esse objeto que já passou pelas mãos de uma princesa – italiana, mas principessa , que diacho – despencou outro dia do 12º andar até o térreo. Amassou, coitado. A tampa giratória ficou toda prejudicada E o botão de borracha que era pressionado também foi para o devido beleléu.
Mesmo assim, não acredito em perda total. Tenho fé em que um bom desamassador dê um jeito e devolva o cinzeiro, se não a seus dias de glória, pelo menos a uma aparência menos miserável. É o símbolo de uma trajetória, afinal de contas, há que respeitar isso.
Praticamente aposentado – a maioria dos meus amigos e eu deixamos de fumar –, o cinzeiro ocupava lugar de destaque na memorabilia do meu hipotético museu pessoal. Aquele que todos nós criamos em nosso pensamento mais secreto, com um acervo repleto de pequenos objetos desimportantes para o mundo.
Cabem nessa vitrine imaginária o primeiro livro sério que ganhamos, com a capa rasgada e meio desmontado; o chaveiro que alguém especial trouxe de um rolê mochileiro pelos Andes; o LP com dedicatória de outro alguém ainda mais especial; uma caneca comprada na Disney; o calção usado aos 2 anos de idade... e o velho cinzeiro carente de reparo.
Adaptado de: . Acesso em: 10 set. 2020
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Texto associado
Para Maria da Graça
Paulo Mendes Campos
Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia, pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste. [...]
Adaptado de: https://contobrasileiro.com.br/tag/cronica-de-paulo-mendes-campos/ Acesso em: 04/02/2020.
Paulo Mendes Campos
Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia, pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gato se fosses eu?"
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! Mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste. [...]
Adaptado de: https://contobrasileiro.com.br/tag/cronica-de-paulo-mendes-campos/ Acesso em: 04/02/2020.
Assinale a alternativa que reescreve adequadamente a frase “O importante é que ela conseguiu sair de lá [...]”, preservando-lhe o sentido.
Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos originais do
texto, o trecho “Garantida (...) inauditas” (R. 10 a 12) poderia
ser reescrito da seguinte maneira: A expansão da atuação do
Poder Judiciário para novas searas não ocorreu fortuitamente,
tendo em vista a garantia da autonomia do Poder Judiciário e
sua elevação ao papel de guardião do texto constitucional.
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita
para o seguinte trecho do texto CG1A1-I: “Ela, agora, reúne
todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos.”
(R. 36 e 37). Assinale a opção em que a proposta apresentada
preserva a correção gramatical e os sentidos do texto.
Texto associado
Texto para as questões de 1 a 8.
1 A influência das emoções na saúde humana, já apontada pelo grego Hipócrates no século IV a.C., recebe atenção
cada vez maior na área médica. Em várias pesquisas, observa‐se a associação das condições emocionais dos pacientes ao
aparecimento e tratamento de doenças. Há linhas de investigação, por exemplo, em que é destacada a relação existente
4 entre o câncer e mulheres com problemas como estresse, distúrbios familiares e conjugais. Há trabalhos também nos quais
se analisa como o sistema imunológico humano é afetado pelos sentimentos.
A psicóloga Carmen Neme, docente da Faculdade de Ciências da Unesp, campus de Bauru, enfatiza que o câncer é
7 determinado por complexas relações genéticas, psicológicas, imunológicas e ambientais, mas assinala que um dos fatores
mais significativos nesse processo é o chamado estresse crônico, provocado por um ritmo de vida desgastante e pequenas
e frequentes frustrações, responsáveis por uma elevada excitação emocional, que, por sua vez, leva ao desequilíbrio
10 psíquico e fisiológico. Ela se baseia em três estudos que promoveu sobre o tema, apresentados no II Congresso Brasileiro
de Estresse, em setembro de 2005, na cidade de São Paulo.
O imunologista José Mauricio Sforcin, do Instituto de Biociências da Unesp, campus de Botucatu, trabalha, em uma
13 de suas linhas de investigação, com a associação do estresse com o sistema de defesa do corpo. “Muitos trabalhos
têm sugerido essa relação, nos últimos anos, principalmente a partir da descoberta da interligação dos sistemas
imunológico, nervoso e endócrino”, comenta o docente.
16 Sforcin ressalta que indivíduos depressivos costumam apresentar baixa produção de citocina IL‐3 – uma proteína
que regula as respostas do sistema imunológico às ameaças ao organismo – e reduzido número de células de defesa, os
linfócitos, que combatem infecções específicas. “A resposta imunecelular é mais afetada durante o estresse, o que pode
19 levar à progressão do câncer”, completa o imunologista.
O infectologista Domingos Alves Meira, responsável pelo Hospital‐Dia da Faculdade de Medicina em Botucatu, que
atende pacientes com AIDS no município, também acentua que doenças infectocontagiosas como herpes e AIDS podem
22 ter origem psicossomática. “Como há uma relação íntima entre o estresse e os sistemas imunológico e endócrino, os
estados emocionais alterados se transformam em portas de entrada para essas doenças”, afirma.
A mudança de ênfase na compreensão e no enfrentamento das doenças é destacada pelo antropólogo Cláudio
25 Bertolli, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, campus de Bauru. Autor de vários livros
sobre saúde, Bertolli enfatiza que, durante séculos, a atividade médica foi dominada por uma concepção de caráter
materialista, que encara a saúde e a doença como fenômenos biológicos, sem influência de fatores psíquicos.
28 No entanto, segundo o antropólogo, em decorrência de processos como o surgimento da contracultura, na década
de 1960, ganhou força uma tendência que existe desde a Antiguidade, a medicina psicossomática. “O grande desafio da
medicina psicossomática é estabelecer relações causais claras entre a manifestação da saúde e da doença e fatores mais
31 complexos, sejam aqueles de ordem exclusivamente psicológica, sejam os que integram corpo, mente e sociedade”,
destaca Bertolli.
Internet: (com adaptações).
1 A influência das emoções na saúde humana, já apontada pelo grego Hipócrates no século IV a.C., recebe atenção
cada vez maior na área médica. Em várias pesquisas, observa‐se a associação das condições emocionais dos pacientes ao
aparecimento e tratamento de doenças. Há linhas de investigação, por exemplo, em que é destacada a relação existente
4 entre o câncer e mulheres com problemas como estresse, distúrbios familiares e conjugais. Há trabalhos também nos quais
se analisa como o sistema imunológico humano é afetado pelos sentimentos.
A psicóloga Carmen Neme, docente da Faculdade de Ciências da Unesp, campus de Bauru, enfatiza que o câncer é
7 determinado por complexas relações genéticas, psicológicas, imunológicas e ambientais, mas assinala que um dos fatores
mais significativos nesse processo é o chamado estresse crônico, provocado por um ritmo de vida desgastante e pequenas
e frequentes frustrações, responsáveis por uma elevada excitação emocional, que, por sua vez, leva ao desequilíbrio
10 psíquico e fisiológico. Ela se baseia em três estudos que promoveu sobre o tema, apresentados no II Congresso Brasileiro
de Estresse, em setembro de 2005, na cidade de São Paulo.
O imunologista José Mauricio Sforcin, do Instituto de Biociências da Unesp, campus de Botucatu, trabalha, em uma
13 de suas linhas de investigação, com a associação do estresse com o sistema de defesa do corpo. “Muitos trabalhos
têm sugerido essa relação, nos últimos anos, principalmente a partir da descoberta da interligação dos sistemas
imunológico, nervoso e endócrino”, comenta o docente.
16 Sforcin ressalta que indivíduos depressivos costumam apresentar baixa produção de citocina IL‐3 – uma proteína
que regula as respostas do sistema imunológico às ameaças ao organismo – e reduzido número de células de defesa, os
linfócitos, que combatem infecções específicas. “A resposta imunecelular é mais afetada durante o estresse, o que pode
19 levar à progressão do câncer”, completa o imunologista.
O infectologista Domingos Alves Meira, responsável pelo Hospital‐Dia da Faculdade de Medicina em Botucatu, que
atende pacientes com AIDS no município, também acentua que doenças infectocontagiosas como herpes e AIDS podem
22 ter origem psicossomática. “Como há uma relação íntima entre o estresse e os sistemas imunológico e endócrino, os
estados emocionais alterados se transformam em portas de entrada para essas doenças”, afirma.
A mudança de ênfase na compreensão e no enfrentamento das doenças é destacada pelo antropólogo Cláudio
25 Bertolli, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, campus de Bauru. Autor de vários livros
sobre saúde, Bertolli enfatiza que, durante séculos, a atividade médica foi dominada por uma concepção de caráter
materialista, que encara a saúde e a doença como fenômenos biológicos, sem influência de fatores psíquicos.
28 No entanto, segundo o antropólogo, em decorrência de processos como o surgimento da contracultura, na década
de 1960, ganhou força uma tendência que existe desde a Antiguidade, a medicina psicossomática. “O grande desafio da
medicina psicossomática é estabelecer relações causais claras entre a manifestação da saúde e da doença e fatores mais
31 complexos, sejam aqueles de ordem exclusivamente psicológica, sejam os que integram corpo, mente e sociedade”,
destaca Bertolli.
Internet: (com adaptações).
Assinale a alternativa em que a substituição proposta manteria a correção gramatical e a coerência das ideias do texto.
Texto associado
Texto para os itens de 1 a 14.
No que se refere aos aspectos linguísticos e gramaticais do
texto, julgue os itens de 7 a 14.
No que se refere aos aspectos linguísticos e gramaticais do
texto, julgue os itens de 7 a 14.
A oração “pede para que o idoso permaneça no seu
lugar” (linhas 17 e 18) pode ser reescrita, sem prejuízo
para a correção gramatical, como pede para o idoso
manter-se nele .
Texto associado
No que se refere à correção gramatical e à coerência da
proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados
do texto, julgue os itens de 12 a 14.
proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados
do texto, julgue os itens de 12 a 14.
“Apesar de o Brasil contar com” (linhas 27 e 28): Embora
o Brasil conte com.
Texto associado
Texto para os itens de 1 a 14.
__
1 ____ Em 1960, a expectativa de vida do brasileiro era
de 48 anos. Hoje, quase sessenta anos depois, alcança
os 75 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de
4 Geografia e Estatística (IBGE). Se, por um lado, a longevidade
é sinal de evolução social e econômica, por outro, ela
demanda mais investimentos na área de saúde, já que há
7 necessidade de maior assistência durante o envelhecimento.
Assim, um importante desafio da medicina é garantir
não apenas que a população viva mais, mas também que
10 viva melhor. Tendo em vista o grande desafio para os
próximos anos, a medicina volta seu olhar para a tecnologia,
uma das áreas em que pode encontrar um apoio efetivo.
13 ___ Carlos Alberto Goulart, presidente‐executivo da
Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de
Produtos de Saúde, considera que o uso eficiente da
16 tecnologia na área da saúde pode ajudar a reduzir custos em
todo o setor, além de promover diagnósticos precoces e
tratamentos mais acertados. “A tecnologia é um elemento
19 de sustentabilidade, porque gera maior eficiência no
atendimento médico e redução de custos, além de ser vetor
de desenvolvimento econômico”, afirma Goulart.
22 _ __ Um bom exemplo do uso ativo de novas tecnologias
na medicina é o monitoramento remoto de pacientes. Entre
outras vantagens, esse recurso diminui o tempo de
25 internação e a necessidade de retorno frequente ao hospital,
o que promove mais conforto ao paciente. Além disso, amplia
a capacidade de atendimento do estabelecimento.
28 ___ De acordo com o presidente da Aliança Brasileira da
Indústria Inovadora em Saúde, há mais de quinhentas mil
tecnologias médicas diferentes em uso atualmente, entre
31 exames laboratoriais e tratamento de vários tipos de câncer
por meio da biologia molecular. Segundo ele, novas áreas
de conhecimento, como a genômica, a farmacogenômica e
34 a farmacogenética, identificam a propensão para
determinadas doenças e permitem a personalização da
medicina, tornando a despesa pública com saúde mais
37 eficiente.
Paulo Chapchap, diretor‐geral e CEO do Hospital
Sírio‐Libanês, em São Paulo, um dos centros de medicina
40 mais desenvolvidos do País, destaca a importância do
diagnóstico precoce do câncer de mama, que pode passar
por até quatro estágios. O diagnóstico na fase um garante
43 95% de cura. Já no quarto estágio, o número se inverte: a
taxa de mortalidade é de 95%. Daí o valor da tecnologia para
a medicina. “O ganho humanitário do uso das diversas
46 tecnologias aplicadas à medicina é indiscutível, mas
vivemos o risco de uma medicina cada vez melhor para cada
vez menos pessoas. Este é o desafio que temos de
49 enfrentar: uma melhor gestão para aumentar o acesso de
grande parte da população à tecnologia que transforma”,
afirma Chapchap acerca da necessidade de popularizar o
52 acesso aos tratamentos médicos mais modernos.
Internet: (com adaptações).
Julgue os itens 13 e 14 no que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
__
1 ____ Em 1960, a expectativa de vida do brasileiro era
de 48 anos. Hoje, quase sessenta anos depois, alcança
os 75 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de
4 Geografia e Estatística (IBGE). Se, por um lado, a longevidade
é sinal de evolução social e econômica, por outro, ela
demanda mais investimentos na área de saúde, já que há
7 necessidade de maior assistência durante o envelhecimento.
Assim, um importante desafio da medicina é garantir
não apenas que a população viva mais, mas também que
10 viva melhor. Tendo em vista o grande desafio para os
próximos anos, a medicina volta seu olhar para a tecnologia,
uma das áreas em que pode encontrar um apoio efetivo.
13 ___ Carlos Alberto Goulart, presidente‐executivo da
Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de
Produtos de Saúde, considera que o uso eficiente da
16 tecnologia na área da saúde pode ajudar a reduzir custos em
todo o setor, além de promover diagnósticos precoces e
tratamentos mais acertados. “A tecnologia é um elemento
19 de sustentabilidade, porque gera maior eficiência no
atendimento médico e redução de custos, além de ser vetor
de desenvolvimento econômico”, afirma Goulart.
22 _ __ Um bom exemplo do uso ativo de novas tecnologias
na medicina é o monitoramento remoto de pacientes. Entre
outras vantagens, esse recurso diminui o tempo de
25 internação e a necessidade de retorno frequente ao hospital,
o que promove mais conforto ao paciente. Além disso, amplia
a capacidade de atendimento do estabelecimento.
28 ___ De acordo com o presidente da Aliança Brasileira da
Indústria Inovadora em Saúde, há mais de quinhentas mil
tecnologias médicas diferentes em uso atualmente, entre
31 exames laboratoriais e tratamento de vários tipos de câncer
por meio da biologia molecular. Segundo ele, novas áreas
de conhecimento, como a genômica, a farmacogenômica e
34 a farmacogenética, identificam a propensão para
determinadas doenças e permitem a personalização da
medicina, tornando a despesa pública com saúde mais
37 eficiente.
Paulo Chapchap, diretor‐geral e CEO do Hospital
Sírio‐Libanês, em São Paulo, um dos centros de medicina
40 mais desenvolvidos do País, destaca a importância do
diagnóstico precoce do câncer de mama, que pode passar
por até quatro estágios. O diagnóstico na fase um garante
43 95% de cura. Já no quarto estágio, o número se inverte: a
taxa de mortalidade é de 95%. Daí o valor da tecnologia para
a medicina. “O ganho humanitário do uso das diversas
46 tecnologias aplicadas à medicina é indiscutível, mas
vivemos o risco de uma medicina cada vez melhor para cada
vez menos pessoas. Este é o desafio que temos de
49 enfrentar: uma melhor gestão para aumentar o acesso de
grande parte da população à tecnologia que transforma”,
afirma Chapchap acerca da necessidade de popularizar o
52 acesso aos tratamentos médicos mais modernos.
Internet: (com adaptações).
Julgue os itens 13 e 14 no que se refere à correção gramatical e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos destacados do texto.
“Além disso, amplia a capacidade de atendimento do estabelecimento.” (linhas 26 e 27): Além do mais, amplia‐se à capacidade de atenção do estabelecimento.
Em verdade, todos nós, cidadãos brasileiros, tendo em vista o que observamos no nosso dia a dia, deveríamos ter consciência do problema da poluição.
A frase acima fica reescrita com correção e sem prejuízo de sentido em:
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 7 a 11, baseie-se no texto abaixo.
Limites da propriedade
Direito à terra? Sim. O problema está em onde se colocam as cercas.
Tenho, numa árvore, um daqueles bebedouros para beija-flores. E um deles já tomou posse. Quando aparece qualquer intruso, lá vem ele, como uma flecha, defender sua água. É a própria vida que determina o círculo de espaço que lhe pertence, que lhe é próprio. Daí, propriedade : aquilo que não me é estranho, que é parte de mim mesmo, que não pode ser tocado sem que eu sinta. O espaço que é propriedade do meu corpo é um dos direitos que a vida tem. Os limites da minha terra são os limites do que necessito para viver.
Mas há aqueles que fincam cercas para além dos limites da necessidade do seu corpo. Quando a terra é, de fato, uma propriedade , algo que é próprio ao corpo, ela está sendo constantemente transformada em vida. Mas quando a terra é mais do que meu corpo necessita, ela deixa de ser vida e se transforma em lucro. Lucro é aquilo que não foi consumido pela vida.
(Adaptado de: ALVES, Rubem. Tempus fugit . São Paulo: Paulus, 1990, p. 33-34)
Limites da propriedade
Direito à terra? Sim. O problema está em onde se colocam as cercas.
Tenho, numa árvore, um daqueles bebedouros para beija-flores. E um deles já tomou posse. Quando aparece qualquer intruso, lá vem ele, como uma flecha, defender sua água. É a própria vida que determina o círculo de espaço que lhe pertence, que lhe é próprio. Daí, propriedade : aquilo que não me é estranho, que é parte de mim mesmo, que não pode ser tocado sem que eu sinta. O espaço que é propriedade do meu corpo é um dos direitos que a vida tem. Os limites da minha terra são os limites do que necessito para viver.
Mas há aqueles que fincam cercas para além dos limites da necessidade do seu corpo. Quando a terra é, de fato, uma propriedade , algo que é próprio ao corpo, ela está sendo constantemente transformada em vida. Mas quando a terra é mais do que meu corpo necessita, ela deixa de ser vida e se transforma em lucro. Lucro é aquilo que não foi consumido pela vida.
(Adaptado de: ALVES, Rubem. Tempus fugit . São Paulo: Paulus, 1990, p. 33-34)