Atenção : Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto abaixo.
[Tempos muito novos]
O melhor conselho que eu poderia dar a um jovem de quinze anos enfiado numa escola desatualizada em algum lugar do mundo de hoje é: não confie demais nos adultos. A maioria deles tem boas intenções, mas eles não compreendem o mundo. No passado, era relativamente seguro apostar em seguir os adultos, porque eles conheciam as coisas bastante bem, e o mundo se transformava lentamente. Mas o século xx1 será diferente. Devido ao ritmo cada vez mais acelerado das mudanças, você nunca terá certeza se aquilo que os adultos estão lhe dizendo é fruto de uma sabedoria atemporal ou de um preconceito ultrapassado.
A tecnologia não é uma coisa ruim, mas é uma aposta arriscada. Ela pode ajudá-lo muito, mas se ela exercer demasiado poder em sua vida, você pode acabar como um refém. Se você souber o que deseja na vida, ela pode ajudá-lo a conseguir. Mas se você não sabe, será muito fácil para a tecnologia moldar por você seus objetivos e assumir o controle de sua vida. E, à medida que a tecnologia adquire uma melhor compreensão dos humanos, você poderia se ver servindo a ela cada vez mais, em vez de ela servir a você. Você já viu esses zumbis que vagueiam pelas ruas com o rosto grudado em seus smartphones? Você acha que eles estão controlando a tecnologia ou é a tecnologia que os está controlando?
Neste exato momento, os algoritmos estão observando você. Estão observando aonde você vai, o que compra, com quem se encontra. Logo vão monitorar todos os seus passos, todas as suas respirações, todas as batidas de seu coração. Estão se baseando em Big Data e no aprendizado da máquina para conhecer você cada vez melhor. Se você quiser manter algum controle sobre sua existência pessoal e o futuro de sua vida, terá de correr mais rápido que os algoritmos. Para correr tão rápido, não leve muita bagagem consigo. Deixe para trás suas ilusões. Elas são pesadas demais.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21 . São Paulo: Companhia das Letras. 2018, p. 328-329)
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Atenção : Para responder às questões de números 1 a 4, leia o texto abaixo.
Temos a tendência de memorizar os fatos de nossa vida, positivos ou negativos, que apresentam alta carga emocional. Isso envolve estruturas cerebrais, como a amígdala, e redes neurais, como o sistema dopaminérgico, mais conhecido como sistema de recompensa.
Considerando nossas memórias autobiográficas, a notícia ruim é que não temos autonomia para decidir o que vai ser memorizado. Fatores como transtornos depressivos, transtornos de ansiedade e mesmo o estresse afetam o processamento de memória em todas as suas fases, sejam elas a de aquisição, a de consolidação & a de recuperação da lembrança.
O que vivenciamos no dia a dia pode — ou não — ser memorizado. E isso é bom, pois informações ou vivências irrelevantes são mantidas apenas por curto período de tempo no nosso cérebro. É o que se denomina de memória de curta duração.
Outras informações ou vivências perduram por dias, meses e até por toda a vida. São as chamadas memórias de longa duração. Logo, temos sistemas de curta e de longa duração. E essas informações consolidadas no sistema de longa duração têm conteúdos específicos.
Em relação a esses conteúdos, as memórias podem ser classificadas em “tipos” ou categorias diferentes: memórias não-declarativas, como as de procedimento (andar de bicicleta ou nadar, por exemplo), que são, após consolidadas, realizadas de forma automática; memórias declarativas, que podem ser autobiográficas ou semânticas (como o conhecimento que você tem de biologia).
A capacidade de reorganização e adaptação do cérebro pode ser induzida ou facilitada mediante a aprendizagem. Por isso, & muito importante aprender coisas novas sempre, e o envelhecimento não é desculpa para o chamado sedentarismo intelectual.
(Adaptado de: SOARES, Edvaldo. Disponível em: https://theconversation.com)
Temos a tendência de memorizar os fatos de nossa vida, positivos ou negativos, que apresentam alta carga emocional. Isso envolve estruturas cerebrais, como a amígdala, e redes neurais, como o sistema dopaminérgico, mais conhecido como sistema de recompensa.
Considerando nossas memórias autobiográficas, a notícia ruim é que não temos autonomia para decidir o que vai ser memorizado. Fatores como transtornos depressivos, transtornos de ansiedade e mesmo o estresse afetam o processamento de memória em todas as suas fases, sejam elas a de aquisição, a de consolidação & a de recuperação da lembrança.
O que vivenciamos no dia a dia pode — ou não — ser memorizado. E isso é bom, pois informações ou vivências irrelevantes são mantidas apenas por curto período de tempo no nosso cérebro. É o que se denomina de memória de curta duração.
Outras informações ou vivências perduram por dias, meses e até por toda a vida. São as chamadas memórias de longa duração. Logo, temos sistemas de curta e de longa duração. E essas informações consolidadas no sistema de longa duração têm conteúdos específicos.
Em relação a esses conteúdos, as memórias podem ser classificadas em “tipos” ou categorias diferentes: memórias não-declarativas, como as de procedimento (andar de bicicleta ou nadar, por exemplo), que são, após consolidadas, realizadas de forma automática; memórias declarativas, que podem ser autobiográficas ou semânticas (como o conhecimento que você tem de biologia).
A capacidade de reorganização e adaptação do cérebro pode ser induzida ou facilitada mediante a aprendizagem. Por isso, & muito importante aprender coisas novas sempre, e o envelhecimento não é desculpa para o chamado sedentarismo intelectual.
(Adaptado de: SOARES, Edvaldo. Disponível em: https://theconversation.com)
Mantendo a correção e as relações de sentido, uma redação alternativa para um trecho do texto está em:
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 7 a 10, baseie-se no texto abaixo.
Valor social da memória
Não há evocação, não há memória sem uma inteligência do presente, um homem não sabe o que ele é se não for capaz de sair das determinações atuais. Aturada reflexão pode preceder e acompanhar a evocação. Uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito: sem o trabalho da reflexão e da localização, seria uma imagem fugidia. O sentimento também precisa acompanhá-la, para que ela não seja uma repetição do estado antigo, mas uma reaparição.
Se existe uma memória voltada para a ação, com sua prática de hábitos assimilados, e uma outra memória que simplesmente revive o passado, parece ser esta a dos velhos, já libertos das atividades profissionais e familiares. Mas o ancião não sonha quando rememora: desempenha uma função para a qual está maduro, a alta função de unir o começo ao fim, de divisar os limites de uma história inteira. Um mundo social que possui uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos pode chegar-nos pela memória dos velhos. Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu. À conversa evocativa de um velho é sempre uma experiência profunda: para quem sabe ouvi-la, cria um nexo entre o passado e o presente, é instigante e inspiradora.
(Adaptado de: BOSI, Ecléa. Memória a sociedade = Lembranças de velhos. 20.ed. São Paulo: Companhia das Letras, p. 84)
Valor social da memória
Não há evocação, não há memória sem uma inteligência do presente, um homem não sabe o que ele é se não for capaz de sair das determinações atuais. Aturada reflexão pode preceder e acompanhar a evocação. Uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito: sem o trabalho da reflexão e da localização, seria uma imagem fugidia. O sentimento também precisa acompanhá-la, para que ela não seja uma repetição do estado antigo, mas uma reaparição.
Se existe uma memória voltada para a ação, com sua prática de hábitos assimilados, e uma outra memória que simplesmente revive o passado, parece ser esta a dos velhos, já libertos das atividades profissionais e familiares. Mas o ancião não sonha quando rememora: desempenha uma função para a qual está maduro, a alta função de unir o começo ao fim, de divisar os limites de uma história inteira. Um mundo social que possui uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos pode chegar-nos pela memória dos velhos. Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu. À conversa evocativa de um velho é sempre uma experiência profunda: para quem sabe ouvi-la, cria um nexo entre o passado e o presente, é instigante e inspiradora.
(Adaptado de: BOSI, Ecléa. Memória a sociedade = Lembranças de velhos. 20.ed. São Paulo: Companhia das Letras, p. 84)
Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu.
A frase acima ganha nova, coerente e correta redação em:
Texto associado
Atenção : Leia o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 7.
Ninguém come dinheiro
Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos balela, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo que não interessa, o que sobra, a sub-humanidade — alguns de nós fazemos parte dela.
É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra tirar a teta da nossa boca é dizer: “Respirem agora, quero ver”. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se contarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal de humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível, a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do Banco Central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, com a economia deles. Ninguém come dinheiro. Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciões do povo Lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Un Manee, também conhecido como Vernon Foster. (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: “Quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.
Quem sabe a própria ideia de humanidade, essa totalidade que nós aprendemos a chamar assim, venha a se dissolver com esses eventos que estamos experimentando. Se isso acontecer, como é que Os caras que concentram a grana do mundo - que são poucos — vão ficar? Quem sabe a gente consiga tirar o chão debaixo dos pés deles. Porque eles precisam de uma humanidade, nem que seja ilusória, para aterrorizarem toda manhã com a ameaça de que a bolsa vai cair, de que o mercado está nervoso, de que o dólar vai subir Quando tudo isso não tiver sentido nenhum — o dólar que se exploda, o mercado que se coma! -, aí não vai ter mais lugar para toda essa concentração de poder. Porque a concentração, de qualquer coisa, só pode existir num determinado ambiente. Até a poluição, se ela se espalhar, sem contenção, o que vai acontecer? O ar vai passar por um processo de limpeza. O ar das cidades não ficou mais limpo quando diminuirmos o ritmo? Acredito que essa ilusão de uma casta de humanoides que detém o segredo do santo graal, que se entope de riqueza enquanto aterroriza o resto do mundo, pode acabar implodindo. Talvez a pista mais recente sobre isso seja aquela história dos bilionários que estão construindo uma plataforma fora da Terra para irem viver, sei lá, em Marte. A gente deveria dizer “Vão logo, esqueçam a gente aqui”. Deveríamos dar um passe livre para eles, para os donos da Tesla, da Amazon. Podem deixar o endereço que depois a gente manda suprimentos. [...]
(Fragmento de: KRENAK, Aliton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
Ninguém come dinheiro
Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos balela, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade que está na declaração universal dos direitos humanos e nos protocolos das instituições, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no percurso tudo que não interessa, o que sobra, a sub-humanidade — alguns de nós fazemos parte dela.
É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra tirar a teta da nossa boca é dizer: “Respirem agora, quero ver”. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se contarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. Não é preciso nenhum sistema bélico complexo para apagar essa tal de humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.
E, se nós não estamos com nada, deveríamos ter contato com a experiência de estar vivos para além dos aparatos tecnológicos que podemos inventar. A ideia da economia, por exemplo, essa coisa invisível, a não ser por aquele emblema de cifrão. Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos. Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do Banco Central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, com a economia deles. Ninguém come dinheiro. Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciões do povo Lakota falar sobre o coronavírus. É um homem de uns setenta e poucos anos, chamado Wakya Un Manee, também conhecido como Vernon Foster. (Vernon, que é um típico nome americano, pois quando os colonos chegaram na América, além de proibirem as línguas nativas, mudavam os nomes das pessoas.) Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: “Quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.
Quem sabe a própria ideia de humanidade, essa totalidade que nós aprendemos a chamar assim, venha a se dissolver com esses eventos que estamos experimentando. Se isso acontecer, como é que Os caras que concentram a grana do mundo - que são poucos — vão ficar? Quem sabe a gente consiga tirar o chão debaixo dos pés deles. Porque eles precisam de uma humanidade, nem que seja ilusória, para aterrorizarem toda manhã com a ameaça de que a bolsa vai cair, de que o mercado está nervoso, de que o dólar vai subir Quando tudo isso não tiver sentido nenhum — o dólar que se exploda, o mercado que se coma! -, aí não vai ter mais lugar para toda essa concentração de poder. Porque a concentração, de qualquer coisa, só pode existir num determinado ambiente. Até a poluição, se ela se espalhar, sem contenção, o que vai acontecer? O ar vai passar por um processo de limpeza. O ar das cidades não ficou mais limpo quando diminuirmos o ritmo? Acredito que essa ilusão de uma casta de humanoides que detém o segredo do santo graal, que se entope de riqueza enquanto aterroriza o resto do mundo, pode acabar implodindo. Talvez a pista mais recente sobre isso seja aquela história dos bilionários que estão construindo uma plataforma fora da Terra para irem viver, sei lá, em Marte. A gente deveria dizer “Vão logo, esqueçam a gente aqui”. Deveríamos dar um passe livre para eles, para os donos da Tesla, da Amazon. Podem deixar o endereço que depois a gente manda suprimentos. [...]
(Fragmento de: KRENAK, Aliton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
Considere o frecho a seguir.
Pode ser uma ficção afirmar que se a economia não estiver funcionando plenamente nós morremos . (3º parágrafo)
Está mantido o sentido original do trecho acima em:
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 8 a 14, baseie-se no texto abaixo.
Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau
A crítica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau (1713-1784), foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofo sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.
O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.
Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das artes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito crítico, livre de pressões.
(Adaptado do encarte, sem identificação de autoria, do volume Rousseau - Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 474-475)
Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau
A crítica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau (1713-1784), foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofo sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.
O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.
Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das artes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito crítico, livre de pressões.
(Adaptado do encarte, sem identificação de autoria, do volume Rousseau - Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 474-475)
A frase não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras (3º parágrafo) ganha nova forma, na qual se preservam sua correção e seu sentido básico, em:
Texto associado
O papel da memória e a memória de papel
Com espantosa frequência, leilões on-line oferecem ao mercado preciosos documentos públicos. Enquanto atuaram em funções estatais, personagens como Epitácio Pessoa, José de Alencar, Machado de Assis ou Pedro 2º produziram documentos públicos que, hoje, são disputados como investimento, como raridade colecionável e até como instrumento de crimes financeiros. A depender do conteúdo, do autógrafo, do estado de conservação e da procedência, um documento pode alcançar milhares de reais.
Papéis tramitados entre duas esferas públicas, contudo, estão sujeitos, caso autênticos, ao art. 10 da Lei nº 8.159/1991, que proíbe a comercialização de documentos de valor histórico egressos de arquivos públicos.
A Instrução Normativa 01/2007 do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) exige que leilões contendo documentos produzidos até o ano de 2000 sejam previamente informados ao órgão para análise de restrições de circulação ou identificação de eventual interesse de alguma instituição de acautelamento de patrimônio cultural.
A partir dessa informação, a autoridade pode exigir a retirada do documento do leilão definitivamente ou, caso seja necessário, para a realização de perícia, a fim de identificar, por exemplo, numerações, carimbos, vestígios de amarração, marcas de que o papel foi destacado de alguma encadernação, além do próprio conteúdo oficial do documento. Tudo isso para definir autenticidade e procedência do documento, mas nem sempre a comunicação prévia é feita.
Um documento público original assinado por Epitácio Pessoa, por exemplo, antes de chegar a uma grande plataforma de leilão on-line como eBay, Catawiki, Mercado Livre ou LeilõesBR, ou a grupos de WhatsApp, Facebook e Telegram, provavelmente saiu de modo ilícito de algum arquivo federal ou estadual. O aperfeiçoamento da legislação esparsa e a adoção de medidas interinstitucionais são um caminho urgente e necessário para salvaguardar o patrimônio documental.
Neste momento, a Câmara dos Deputados discute o Projeto de Lei nº 2.789/2021, que atualiza a Lei de Arquivos (Lei nº 8.159/1991) e torna improbidade administrativa o ato de "agir ou concorrer para a perda, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens materiais e imateriais do patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro, inclusive mediante desestruturação e corte de verbas para custeio dos órgãos incumbidos de proteger tal acervo".
A proposta é bem-vinda. Não é razoável que a Lei de Improbidade (Lei nº 8.429/1992) ainda não contenha uma única referência a bens culturais. Mas essa medida ainda demoraria algum tempo até produzir efeitos concretos em uma realidade que, neste momento, já exige providências urgentes.
Uma ação complementar, de efeitos mais rápidos, poderia mobilizar os ministérios da Cultura e da Justiça e o Ministério Público para obrigar os marketplaces a se comprometer com "effective moderation policies" e impedir a venda de bens culturais sem prova de origem e comercialização lícitas. Medidas auxiliares incluiriam a adoção de códigos de conduta para essas plataformas digitais e o desenvolvimento de "bots" para detectar automaticamente, a partir da análise de imagens ou palavras-chave via inteligência artificial, bens procurados.
A Constituição Federal definiu os documentos como parte do patrimônio cultural do Brasil (art. 216, inc. IV) e fixou que é competência comum de todos os entes da Federação protegê-los (art. 23, inc. III). A Unesco, por sua vez, ao aprovar a "Declaração Universal sobre Arquivos", em 2011, destacou o "papel essencial dos arquivos para (...) assegurar a memória individual e coletiva, e para compreender o passado, documentar o presente com vista a orientar o futuro".
Documentos – textuais, cartográficos, iconográficos, fonográficos etc. – são preciosas fontes de informação, e subtraí-los, extraviá-los, danificar ou destruir é pôr em risco a nossa memória. Sem memória, é impossível haver cultura e, sem cultura, nada resta da sociedade. Descuidar do patrimônio arquivístico, portanto, é o mesmo que abandonar uma parte de nós mesmos, de nossa humanidade.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/11/o-papel-da-memoria-e-a-memoria-de-papel.shtml. Acesso em: 17 nov. 2023.
Com espantosa frequência, leilões on-line oferecem ao mercado preciosos documentos públicos. Enquanto atuaram em funções estatais, personagens como Epitácio Pessoa, José de Alencar, Machado de Assis ou Pedro 2º produziram documentos públicos que, hoje, são disputados como investimento, como raridade colecionável e até como instrumento de crimes financeiros. A depender do conteúdo, do autógrafo, do estado de conservação e da procedência, um documento pode alcançar milhares de reais.
Papéis tramitados entre duas esferas públicas, contudo, estão sujeitos, caso autênticos, ao art. 10 da Lei nº 8.159/1991, que proíbe a comercialização de documentos de valor histórico egressos de arquivos públicos.
A Instrução Normativa 01/2007 do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) exige que leilões contendo documentos produzidos até o ano de 2000 sejam previamente informados ao órgão para análise de restrições de circulação ou identificação de eventual interesse de alguma instituição de acautelamento de patrimônio cultural.
A partir dessa informação, a autoridade pode exigir a retirada do documento do leilão definitivamente ou, caso seja necessário, para a realização de perícia, a fim de identificar, por exemplo, numerações, carimbos, vestígios de amarração, marcas de que o papel foi destacado de alguma encadernação, além do próprio conteúdo oficial do documento. Tudo isso para definir autenticidade e procedência do documento, mas nem sempre a comunicação prévia é feita.
Um documento público original assinado por Epitácio Pessoa, por exemplo, antes de chegar a uma grande plataforma de leilão on-line como eBay, Catawiki, Mercado Livre ou LeilõesBR, ou a grupos de WhatsApp, Facebook e Telegram, provavelmente saiu de modo ilícito de algum arquivo federal ou estadual. O aperfeiçoamento da legislação esparsa e a adoção de medidas interinstitucionais são um caminho urgente e necessário para salvaguardar o patrimônio documental.
Neste momento, a Câmara dos Deputados discute o Projeto de Lei nº 2.789/2021, que atualiza a Lei de Arquivos (Lei nº 8.159/1991) e torna improbidade administrativa o ato de "agir ou concorrer para a perda, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens materiais e imateriais do patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro, inclusive mediante desestruturação e corte de verbas para custeio dos órgãos incumbidos de proteger tal acervo".
A proposta é bem-vinda. Não é razoável que a Lei de Improbidade (Lei nº 8.429/1992) ainda não contenha uma única referência a bens culturais. Mas essa medida ainda demoraria algum tempo até produzir efeitos concretos em uma realidade que, neste momento, já exige providências urgentes.
Uma ação complementar, de efeitos mais rápidos, poderia mobilizar os ministérios da Cultura e da Justiça e o Ministério Público para obrigar os marketplaces a se comprometer com "effective moderation policies" e impedir a venda de bens culturais sem prova de origem e comercialização lícitas. Medidas auxiliares incluiriam a adoção de códigos de conduta para essas plataformas digitais e o desenvolvimento de "bots" para detectar automaticamente, a partir da análise de imagens ou palavras-chave via inteligência artificial, bens procurados.
A Constituição Federal definiu os documentos como parte do patrimônio cultural do Brasil (art. 216, inc. IV) e fixou que é competência comum de todos os entes da Federação protegê-los (art. 23, inc. III). A Unesco, por sua vez, ao aprovar a "Declaração Universal sobre Arquivos", em 2011, destacou o "papel essencial dos arquivos para (...) assegurar a memória individual e coletiva, e para compreender o passado, documentar o presente com vista a orientar o futuro".
Documentos – textuais, cartográficos, iconográficos, fonográficos etc. – são preciosas fontes de informação, e subtraí-los, extraviá-los, danificar ou destruir é pôr em risco a nossa memória. Sem memória, é impossível haver cultura e, sem cultura, nada resta da sociedade. Descuidar do patrimônio arquivístico, portanto, é o mesmo que abandonar uma parte de nós mesmos, de nossa humanidade.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/11/o-papel-da-memoria-e-a-memoria-de-papel.shtml. Acesso em: 17 nov. 2023.
Analise o trecho a seguir:
“A proposta é bem-vinda. Não é razoável que a Lei de Improbidade (Lei nº 8.429/1992) ainda não contenha uma única referência a bens culturais.”
Coordenando os períodos desse trecho por meio de conjunção explicativa, o destaque pode ser reescrito da seguinte maneira, sem prejuízo para a correção gramatical:
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Ler pouco
Rubem Alves
Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle, cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.
Notei, à medida em que envelhecia, uma mudança nas minhas preferências: passei a ter mais prazer na seção dos livros de arte nas livrarias. Os livros de ciência a gente lê uma vez, fica sabendo e não tem necessidade de ler de novo. Com os livros de arte acontece diferente. Cada vez que os abrimos é um encantamento novo! Creio que meu amor pelos livros de arte tem a ver com experiências infantis.
Talvez que os psicanalistas interpretem esse amor como uma manifestação neurótica de regressão. Não me incomodo. Pois, em oposição à psicanálise que considera a infância como um período de imaturidade que deve ser ultrapassado para que nos tornemos adultos, eu, inspirado por teólogos e poetas, considero a maturidade como uma doença a ser curada. Bem reza a Adélia Prado: “Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande…” E não pensem que isso é maluquice de poeta. Peter Berger, um sociólogo inteligente e com senso de humor, definiu “maturidade”, essa qualidade tão valorizada, como “um estado de mente que se acomodou, ajustou-se ao status quo e abandonou os sonhos selvagens de aventura e realização…” Menino de cinco anos, eu passava horas vendo um livro da minha mãe, cheio de figuras. Lembro-me: uma delas era um prédio de dez andares com a seguinte explicação: “Nos Estados Unidos há casas de dez andares.” E havia a figura de um caçador de jacarés, e de crianças esquimós saudando a chegada do sol.
O fato é que comecei a mudar os meus gostos e chegou um momento em que, olhando para aquelas estantes cheias de livros, eu me perguntei: “Já sou velho. Terei tempo de ler todos esses livros? Eu quero ler todos esses livros?” Não, nem tenho tempo e nem quero. Então, por que guardá-los? Resolvi dar os livros que eu não amava. Compreendi, então, que não se pode falar em amor pelos livros, em geral. Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros. Assim, fui aos meus livros com a pergunta: “Você me ama?” (Acha que estou louco? É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja. Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim…). “Vou querer ler você de novo?” Se as respostas eram negativas o livro era separado para ser dado. [...]
Adaptado de: https://www.redarte.org.br/2011/02/08/ler-pouco-rubem-alves/. Acesso em: 29 dez 2023.
Rubem Alves
Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle, cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.
Notei, à medida em que envelhecia, uma mudança nas minhas preferências: passei a ter mais prazer na seção dos livros de arte nas livrarias. Os livros de ciência a gente lê uma vez, fica sabendo e não tem necessidade de ler de novo. Com os livros de arte acontece diferente. Cada vez que os abrimos é um encantamento novo! Creio que meu amor pelos livros de arte tem a ver com experiências infantis.
Talvez que os psicanalistas interpretem esse amor como uma manifestação neurótica de regressão. Não me incomodo. Pois, em oposição à psicanálise que considera a infância como um período de imaturidade que deve ser ultrapassado para que nos tornemos adultos, eu, inspirado por teólogos e poetas, considero a maturidade como uma doença a ser curada. Bem reza a Adélia Prado: “Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande…” E não pensem que isso é maluquice de poeta. Peter Berger, um sociólogo inteligente e com senso de humor, definiu “maturidade”, essa qualidade tão valorizada, como “um estado de mente que se acomodou, ajustou-se ao status quo e abandonou os sonhos selvagens de aventura e realização…” Menino de cinco anos, eu passava horas vendo um livro da minha mãe, cheio de figuras. Lembro-me: uma delas era um prédio de dez andares com a seguinte explicação: “Nos Estados Unidos há casas de dez andares.” E havia a figura de um caçador de jacarés, e de crianças esquimós saudando a chegada do sol.
O fato é que comecei a mudar os meus gostos e chegou um momento em que, olhando para aquelas estantes cheias de livros, eu me perguntei: “Já sou velho. Terei tempo de ler todos esses livros? Eu quero ler todos esses livros?” Não, nem tenho tempo e nem quero. Então, por que guardá-los? Resolvi dar os livros que eu não amava. Compreendi, então, que não se pode falar em amor pelos livros, em geral. Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros. Assim, fui aos meus livros com a pergunta: “Você me ama?” (Acha que estou louco? É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja. Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim…). “Vou querer ler você de novo?” Se as respostas eram negativas o livro era separado para ser dado. [...]
Adaptado de: https://www.redarte.org.br/2011/02/08/ler-pouco-rubem-alves/. Acesso em: 29 dez 2023.
Leia o trecho a seguir e assinale a alternativa que substitui adequadamente os sentidos da frase em destaque:
“ A despeito desse método de controle , cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.”.
Texto associado
Texto 1
Quais são as ilhas mais densamente povoadas do
mundo?
Mais de 700 milhões de pessoas moram em ilhas no
mundo. Mas a distribuição é bastante desigual.
Mais de 700 milhões de pessoas – 9% da população mundial – vivem em ilhas. Mas a distribuição desse povo todo é desigual: Java, na Indonésia, abriga sozinha quase 2% dos humanos (150 milhões), por exemplo. É lá que fica Jacarta, a vibrante capital do país, com seus 10 milhões de habitantes. A Indonésia, aliás, é uma nação formada por mais de 17 mil ilhas, muitas delas densamente povoadas.
Em segundo lugar fica Honshu, a principal ilha do Japão – é lá que ficam cidades como Kyoto, Osaka e, claro, a capital Tóquio, maior centro urbano do mundo. No total, a ilha abriga 103 milhões de pessoas.
A concentração de gente nas ilhas mundo afora também é bastante diferente. Em Salsette, a ilha indiana em que Mumbai está localizada, são 38 mil habitantes por km². Na Groenlândia, maior ilha do mundo, são só 0,03 – a menor densidade demográfica entre todos os países e territórios do mundo.
É que Salsette abriga Mumbai, a maior cidade indiana, somando assim 24 mil pessoas. E tudo numa área bem pequeninha: 619 km². Haja prédio. Curiosidade: essa ilha indiana foi território português por dois séculos, entre 1534 e 1737. Já a Groenlândia é o oposto: muita terra pra pouca gente. São 2.166.00 km² para dividir para só 57 mil pessoas. A explicação para isso, é claro, é climática: o país possui um clima polar, com temperaturas muito frias e pouco amigáveis. Tanto que a maior parte dos habitantes vive na costa sudoeste da ilha, onde o tempo é um pouco mais ameno.
Hoje, a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca, o que significa que seus habitantes são cidadãos do país europeu, mas a ilha tem uma certa autonomia para se governar. A maior parte dos moradores são do povo Inuit (antigamente chamados de “esquimós”), ou seja, indígenas da ilha.
[...]
Adaptado de: https://super.abril.com.br/sociedade/quais-sao-as-ilhas-mais-densamente-povoadas-do-mundo/. Acesso em: 23 maio 2024.
Texto 2
Irlanda pagará R$ 440 mil para quem se mudar para ilhas remotas do país
Você já sonhou em largar tudo para viver em uma ilha remota? Seus sonhos estão prestes a se tornar realidade na Irlanda, que anunciou que pagará até € 84.000 (cerca de R$ 440 mil) às pessoas que se mudarem para uma das 30 ilhas remotas do país.
O programa se chama “Nossas Ilhas Vivas” e é um projeto visionário do governo irlandês que visa revitalizar cerca de 30 áreas afastadas e pouco povoadas.
[...]
Adaptado de: https://forbes.com.br/forbeslife/2023/06/irlanda-pagara-r-440-mil-para-quem-se-mudar-para-ilhas-remotas-do-pais/.
Acesso em: 23 maio 2024.
Quais são as ilhas mais densamente povoadas do
mundo?
Mais de 700 milhões de pessoas moram em ilhas no
mundo. Mas a distribuição é bastante desigual.
Mais de 700 milhões de pessoas – 9% da população mundial – vivem em ilhas. Mas a distribuição desse povo todo é desigual: Java, na Indonésia, abriga sozinha quase 2% dos humanos (150 milhões), por exemplo. É lá que fica Jacarta, a vibrante capital do país, com seus 10 milhões de habitantes. A Indonésia, aliás, é uma nação formada por mais de 17 mil ilhas, muitas delas densamente povoadas.
Em segundo lugar fica Honshu, a principal ilha do Japão – é lá que ficam cidades como Kyoto, Osaka e, claro, a capital Tóquio, maior centro urbano do mundo. No total, a ilha abriga 103 milhões de pessoas.
A concentração de gente nas ilhas mundo afora também é bastante diferente. Em Salsette, a ilha indiana em que Mumbai está localizada, são 38 mil habitantes por km². Na Groenlândia, maior ilha do mundo, são só 0,03 – a menor densidade demográfica entre todos os países e territórios do mundo.
É que Salsette abriga Mumbai, a maior cidade indiana, somando assim 24 mil pessoas. E tudo numa área bem pequeninha: 619 km². Haja prédio. Curiosidade: essa ilha indiana foi território português por dois séculos, entre 1534 e 1737. Já a Groenlândia é o oposto: muita terra pra pouca gente. São 2.166.00 km² para dividir para só 57 mil pessoas. A explicação para isso, é claro, é climática: o país possui um clima polar, com temperaturas muito frias e pouco amigáveis. Tanto que a maior parte dos habitantes vive na costa sudoeste da ilha, onde o tempo é um pouco mais ameno.
Hoje, a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca, o que significa que seus habitantes são cidadãos do país europeu, mas a ilha tem uma certa autonomia para se governar. A maior parte dos moradores são do povo Inuit (antigamente chamados de “esquimós”), ou seja, indígenas da ilha.
[...]
Adaptado de: https://super.abril.com.br/sociedade/quais-sao-as-ilhas-mais-densamente-povoadas-do-mundo/. Acesso em: 23 maio 2024.
Texto 2
Irlanda pagará R$ 440 mil para quem se mudar para ilhas remotas do país
Você já sonhou em largar tudo para viver em uma ilha remota? Seus sonhos estão prestes a se tornar realidade na Irlanda, que anunciou que pagará até € 84.000 (cerca de R$ 440 mil) às pessoas que se mudarem para uma das 30 ilhas remotas do país.
O programa se chama “Nossas Ilhas Vivas” e é um projeto visionário do governo irlandês que visa revitalizar cerca de 30 áreas afastadas e pouco povoadas.
[...]
Adaptado de: https://forbes.com.br/forbeslife/2023/06/irlanda-pagara-r-440-mil-para-quem-se-mudar-para-ilhas-remotas-do-pais/.
Acesso em: 23 maio 2024.
A respeito dos seguintes trechos do Texto 1, assinale a alternativa que apresenta uma reescrita INCORRETA do termo destacado.
Texto associado
Texto 1
Quais são as ilhas mais densamente povoadas do
mundo?
Mais de 700 milhões de pessoas moram em ilhas no
mundo. Mas a distribuição é bastante desigual.
Mais de 700 milhões de pessoas – 9% da população mundial – vivem em ilhas. Mas a distribuição desse povo todo é desigual: Java, na Indonésia, abriga sozinha quase 2% dos humanos (150 milhões), por exemplo. É lá que fica Jacarta, a vibrante capital do país, com seus 10 milhões de habitantes. A Indonésia, aliás, é uma nação formada por mais de 17 mil ilhas, muitas delas densamente povoadas.
Em segundo lugar fica Honshu, a principal ilha do Japão – é lá que ficam cidades como Kyoto, Osaka e, claro, a capital Tóquio, maior centro urbano do mundo. No total, a ilha abriga 103 milhões de pessoas.
A concentração de gente nas ilhas mundo afora também é bastante diferente. Em Salsette, a ilha indiana em que Mumbai está localizada, são 38 mil habitantes por km². Na Groenlândia, maior ilha do mundo, são só 0,03 – a menor densidade demográfica entre todos os países e territórios do mundo.
É que Salsette abriga Mumbai, a maior cidade indiana, somando assim 24 mil pessoas. E tudo numa área bem pequeninha: 619 km². Haja prédio. Curiosidade: essa ilha indiana foi território português por dois séculos, entre 1534 e 1737. Já a Groenlândia é o oposto: muita terra pra pouca gente. São 2.166.00 km² para dividir para só 57 mil pessoas. A explicação para isso, é claro, é climática: o país possui um clima polar, com temperaturas muito frias e pouco amigáveis. Tanto que a maior parte dos habitantes vive na costa sudoeste da ilha, onde o tempo é um pouco mais ameno.
Hoje, a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca, o que significa que seus habitantes são cidadãos do país europeu, mas a ilha tem uma certa autonomia para se governar. A maior parte dos moradores são do povo Inuit (antigamente chamados de “esquimós”), ou seja, indígenas da ilha.
[...]
Adaptado de: https://super.abril.com.br/sociedade/quais-sao-as-ilhas-mais-densamente-povoadas-do-mundo/. Acesso em: 23 maio 2024.
Texto 2
Irlanda pagará R$ 440 mil para quem se mudar para ilhas remotas do país
Você já sonhou em largar tudo para viver em uma ilha remota? Seus sonhos estão prestes a se tornar realidade na Irlanda, que anunciou que pagará até € 84.000 (cerca de R$ 440 mil) às pessoas que se mudarem para uma das 30 ilhas remotas do país.
O programa se chama “Nossas Ilhas Vivas” e é um projeto visionário do governo irlandês que visa revitalizar cerca de 30 áreas afastadas e pouco povoadas.
[...]
Adaptado de: https://forbes.com.br/forbeslife/2023/06/irlanda-pagara-r-440-mil-para-quem-se-mudar-para-ilhas-remotas-do-pais/.
Acesso em: 23 maio 2024.
Quais são as ilhas mais densamente povoadas do
mundo?
Mais de 700 milhões de pessoas moram em ilhas no
mundo. Mas a distribuição é bastante desigual.
Mais de 700 milhões de pessoas – 9% da população mundial – vivem em ilhas. Mas a distribuição desse povo todo é desigual: Java, na Indonésia, abriga sozinha quase 2% dos humanos (150 milhões), por exemplo. É lá que fica Jacarta, a vibrante capital do país, com seus 10 milhões de habitantes. A Indonésia, aliás, é uma nação formada por mais de 17 mil ilhas, muitas delas densamente povoadas.
Em segundo lugar fica Honshu, a principal ilha do Japão – é lá que ficam cidades como Kyoto, Osaka e, claro, a capital Tóquio, maior centro urbano do mundo. No total, a ilha abriga 103 milhões de pessoas.
A concentração de gente nas ilhas mundo afora também é bastante diferente. Em Salsette, a ilha indiana em que Mumbai está localizada, são 38 mil habitantes por km². Na Groenlândia, maior ilha do mundo, são só 0,03 – a menor densidade demográfica entre todos os países e territórios do mundo.
É que Salsette abriga Mumbai, a maior cidade indiana, somando assim 24 mil pessoas. E tudo numa área bem pequeninha: 619 km². Haja prédio. Curiosidade: essa ilha indiana foi território português por dois séculos, entre 1534 e 1737. Já a Groenlândia é o oposto: muita terra pra pouca gente. São 2.166.00 km² para dividir para só 57 mil pessoas. A explicação para isso, é claro, é climática: o país possui um clima polar, com temperaturas muito frias e pouco amigáveis. Tanto que a maior parte dos habitantes vive na costa sudoeste da ilha, onde o tempo é um pouco mais ameno.
Hoje, a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca, o que significa que seus habitantes são cidadãos do país europeu, mas a ilha tem uma certa autonomia para se governar. A maior parte dos moradores são do povo Inuit (antigamente chamados de “esquimós”), ou seja, indígenas da ilha.
[...]
Adaptado de: https://super.abril.com.br/sociedade/quais-sao-as-ilhas-mais-densamente-povoadas-do-mundo/. Acesso em: 23 maio 2024.
Texto 2
Irlanda pagará R$ 440 mil para quem se mudar para ilhas remotas do país
Você já sonhou em largar tudo para viver em uma ilha remota? Seus sonhos estão prestes a se tornar realidade na Irlanda, que anunciou que pagará até € 84.000 (cerca de R$ 440 mil) às pessoas que se mudarem para uma das 30 ilhas remotas do país.
O programa se chama “Nossas Ilhas Vivas” e é um projeto visionário do governo irlandês que visa revitalizar cerca de 30 áreas afastadas e pouco povoadas.
[...]
Adaptado de: https://forbes.com.br/forbeslife/2023/06/irlanda-pagara-r-440-mil-para-quem-se-mudar-para-ilhas-remotas-do-pais/.
Acesso em: 23 maio 2024.
Assinale a alternativa na qual a reescrita do trecho a seguir, do Texto 1, NÃO conserva a correção gramatical quanto ao uso de pontuação:
“Java, na Indonésia, abriga sozinha quase 2% dos humanos (150 milhões), por exemplo”.
Texto associado
GELEIRAS ARTIFICIAIS ARMAZENAM ÁGUA E IMPACTAM CLIMA NO CHILE
Startup apoiada pela Coca-Cola Foundation cria solução para escassez de água provocada pelo degelo acelerado nos Andes
Rodrigo Brito (18.set.2023)
Head de sustentabilidade da Coca-Cola para o Brasil e Cone Sul, é cofundador e conselheiro da Emerge e da Aliança Empreendedora e integra a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais
Inovações tecnológicas podem ajudar a resolver desafios relacionados à água, energia, clima e sustentabilidade. Uma dessas soluções vem das cordilheiras do Chile, onde a startup Nilus construiu quatro “geleiras artificiais”.
Com o apoio da The Coca-Cola Company e The Coca-Cola Foundation, essas geleiras utilizam a gravidade para criar cones de gelo que reduzem a velocidade de derretimento, aumentando a disponibilidade de água durante os períodos de seca.
O degelo nas geleiras andinas, responsáveis pelo abastecimento de 7 milhões de pessoas na cidade de Santiago, é um problema crescente. [...]
Previsões apontam que muitas dessas geleiras podem desaparecer nas próximas décadas, o que seria um desastre ecológico, econômico e social para o Chile.
Para enfrentar esse desafio, a Nilus desenvolveu soluções capazes de reverter ou retardar o processo de degelo. Utilizando natureza e alta tecnologia, as geleiras artificiais buscam restaurar os ecossistemas das Cordilheiras dos Andes, aumentando a disponibilidade de água e atenuando os efeitos climáticos. [...]
Com potencial de serem replicadas futuramente, as geleiras artificiais integram natureza e alta tecnologia na missão de restaurar os ecossistemas de cordilheiras como a dos Andes. A tecnologia remodela o ciclo sazonal da água para aumentar sua disponibilidade, além de mitigar os efeitos climáticos por guardar e manter a água que alimentará rios, plantações, comunidades e paisagens.
A água é um item de suma importância em nossa estratégia de sustentabilidade global. Desde 2007 contamos com um compromisso global com metas claras, investimentos e iniciativas em três pilares de atuação.
O primeiro é a eficiência hídrica nas operações por meio de redução de desperdícios, melhores processos e uso regenerativo da água. Depois, a reposição hídrica com projetos, parcerias e soluções que contribuem para reabastecer bacias hidrográficas onde operamos por meio de programas de conservação, proteção e reflorestamento de florestas e áreas naturais. E, por último, programas e projetos que contribuem para ampliar o acesso e tratamento de água a comunidades rurais, ribeirinhas, isoladas e/ou de baixa renda. [...]
A inovação tem sido um componente fundamental para a Coca-Cola ao longo dos seus 137 anos e apoiar iniciativas como a da Nilus nos permite continuar a fazer a diferença.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-deresponsa/2023/09/geleiras-artificiais-armazenam-agua-e-impactamclima-no-chile.shtml. Acesso em: 05 fev. 2024.
Startup apoiada pela Coca-Cola Foundation cria solução para escassez de água provocada pelo degelo acelerado nos Andes
Rodrigo Brito (18.set.2023)
Head de sustentabilidade da Coca-Cola para o Brasil e Cone Sul, é cofundador e conselheiro da Emerge e da Aliança Empreendedora e integra a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais
Inovações tecnológicas podem ajudar a resolver desafios relacionados à água, energia, clima e sustentabilidade. Uma dessas soluções vem das cordilheiras do Chile, onde a startup Nilus construiu quatro “geleiras artificiais”.
Com o apoio da The Coca-Cola Company e The Coca-Cola Foundation, essas geleiras utilizam a gravidade para criar cones de gelo que reduzem a velocidade de derretimento, aumentando a disponibilidade de água durante os períodos de seca.
O degelo nas geleiras andinas, responsáveis pelo abastecimento de 7 milhões de pessoas na cidade de Santiago, é um problema crescente. [...]
Previsões apontam que muitas dessas geleiras podem desaparecer nas próximas décadas, o que seria um desastre ecológico, econômico e social para o Chile.
Para enfrentar esse desafio, a Nilus desenvolveu soluções capazes de reverter ou retardar o processo de degelo. Utilizando natureza e alta tecnologia, as geleiras artificiais buscam restaurar os ecossistemas das Cordilheiras dos Andes, aumentando a disponibilidade de água e atenuando os efeitos climáticos. [...]
Com potencial de serem replicadas futuramente, as geleiras artificiais integram natureza e alta tecnologia na missão de restaurar os ecossistemas de cordilheiras como a dos Andes. A tecnologia remodela o ciclo sazonal da água para aumentar sua disponibilidade, além de mitigar os efeitos climáticos por guardar e manter a água que alimentará rios, plantações, comunidades e paisagens.
A água é um item de suma importância em nossa estratégia de sustentabilidade global. Desde 2007 contamos com um compromisso global com metas claras, investimentos e iniciativas em três pilares de atuação.
O primeiro é a eficiência hídrica nas operações por meio de redução de desperdícios, melhores processos e uso regenerativo da água. Depois, a reposição hídrica com projetos, parcerias e soluções que contribuem para reabastecer bacias hidrográficas onde operamos por meio de programas de conservação, proteção e reflorestamento de florestas e áreas naturais. E, por último, programas e projetos que contribuem para ampliar o acesso e tratamento de água a comunidades rurais, ribeirinhas, isoladas e/ou de baixa renda. [...]
A inovação tem sido um componente fundamental para a Coca-Cola ao longo dos seus 137 anos e apoiar iniciativas como a da Nilus nos permite continuar a fazer a diferença.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-deresponsa/2023/09/geleiras-artificiais-armazenam-agua-e-impactamclima-no-chile.shtml. Acesso em: 05 fev. 2024.