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Texto 10A1-I
A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras ) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete ).
Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.
Internet: (com adaptações).
Acerca de aspectos linguísticos do texto 10A1-I, julgue os itens que se seguem.

Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias do texto caso o primeiro período do terceiro parágrafo fosse reescrito da seguinte forma: No entanto, com relação à essa abordagem, não há unânimidade no campo da lingüística.

C Certo
E Errado
Órgão: Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco Cargo: Professor de Língua Portuguesa Prova: CESPE/CEBRASPE - Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco - Professor de Língua Portuguesa - 2022
Texto associado
Aprimorar a saúde mental e física, prevenir doenças, ajudar a suportar o estresse, lidar com sentimentos de impotência e racionalizar fracassos de modo mais positivo e produtivo: são essas as promessas de um amplo leque de técnicas que, baseadas na ciência, podem adequar-se a necessidades ou circunstâncias de qualquer um. Algumas visam alterar estilos cognitivos e emocionais — ou seja, como racionalizar as causas de sucessos e fracassos —, outras se concentram em repetir chavões de autoafirmação. Há ainda técnicas voltadas para treinar a esperança — pensamento orientado por objetivos em que as pessoas percebem que podem produzir itinerários para metas desejadas e a motivação necessária para segui-los —, praticar a gratidão e o perdão ou cultivar o otimismo — uma diferença individual variável que reflete em que medida as pessoas mantêm expectativas favoráveis sobre o futuro. Em síntese, todos esses métodos compartilham alguns atributos. De um lado, são feitos sob medida para um consumo rápido; de outro lado, dizem proporcionar retornos rápidos e mensuráveis em troca de pouco investimento e esforço.

Edgar Cabanas. Happycracia : fabricando cidadãos felizes. Trad. Humberto do Amaral. São Paulo: Ubu Editora, 2022 (com adaptações).

Considerando as ideias e as propriedades linguísticas do texto precedente, julgue os itens que se seguem.

Estariam preservados a correção e os sentidos do texto se o segundo período fosse reescrito da seguinte forma: Algumas visam alterar estilos cognitivos e emocionais, ou seja, como racionalizar as causas de sucessos e fracassos; outras se concentram em repetir chavões de autoafirmação.

C Certo
E Errado
Texto associado
Texto CB1A1-II

As exportações do Brasil dependem, cada vez mais, de recursos naturais pelo fato de o país não ter entrado nas cadeias globais de valor (CGV). O papel do Brasil na economia global é, principalmente, o de exportador de commodities primárias ou de produtos baseados em recursos naturais. Com isso, o país gera receita em exportações, que é relevante, mas deixa de lado uma importante forma de integração ao comércio global, o que poderia gerar mais benefícios econômicos e sociais ao país.
O volume de investimentos estrangeiros no país é bastante elevado, porém, com empresas voltadas a atender o mercado interno brasileiro, em muitos casos com grande conteúdo tecnológico importado. A não exportação de bens de maior valor agregado significa perda de oportunidade de ganhos de escala maiores e de ampliação de investimentos produtivos no país. Governo e empresas brasileiras precisam rever acordos e relações comerciais. A celebração de acordos comerciais com países que estão no centro das CGV é importante para facilitar a entrada do Brasil nas cadeias. Além da revisão de acordos comerciais, o esforço do Brasil em ampliar sua presença internacional também passa necessariamente pela maior digitalização e integração dos processos em busca do aumento da maturidade e da sofisticação na gestão da indústria nacional. Com uma gestão mais moderna, mais robusta e mais bem planejada, é possível ampliar a produtividade, fortalecer o mercado brasileiro e, assim, expandir a participação do país nas CGV.

Internet: (com adaptações).

Assinale a opção em que a proposta de reescrita apresentada mantém a coerência e a correção gramatical do seguinte trecho do texto CB1A1-II: “Governo e empresas brasileiras precisam rever acordos e relações comerciais.” (segundo parágrafo)

A Rever acordos e relações comerciais são requeridos ao governo e às empresas brasileiras.
B É necessário que governo e empresas brasileiras revejam acordos e relações comerciais.
C Deve o governo e empresas brasileiras reverem acordos e relações comerciais.
D É preciso ao governo e empresas brasileiras a revisão dos acordos e relações comerciais.
Texto associado
Texto CG1A1-I

__ É uma falácia comum supor que mudanças graduais, pequenas, só podem engendrar resultados graduais, incrementais. Mas esse é um raciocínio linear, que parece ser nosso modo padrão de pensar a respeito do mundo. Isso pode decorrer do simples fato de que a maior parte dos fenômenos perceptíveis para os seres humanos, em escalas de tempo e de magnitude habituais e dentro do escopo limitado de nossos sentidos, tende a seguir direções lineares — duas pedras parecem duas vezes mais pesadas que uma; é necessária uma quantidade de comida três vezes maior para alimentar um número três vezes maior de pessoas, e assim por diante. No entanto, fora da esfera das ocupações humanas práticas, a natureza está cheia de fenômenos não lineares. Processos de extrema complexidade podem emergir de regras ou partes enganosamente simples, e pequenas mudanças num fator subjacente a um sistema complexo podem engendrar mudanças radicais e qualitativas em outros fatores que dele dependem.
__ Pense neste exemplo muito simples: imagine que você tenha um bloco de gelo na sua frente e esteja aquecendo-o pouco a pouco. Na maior parte do tempo, o aquecimento por um grau a mais não causa nenhum efeito interessante: a única coisa que você tem e que não tinha um minuto atrás é um bloco de gelo ligeiramente menos gelado. Mas, então, chega-se a 0 °C e, assim que essa temperatura crítica é atingida, você vê uma mudança abrupta, espetacular. A estrutura cristalina do gelo desagrega-se, e, de repente, as moléculas de água começam a escorregar e a fluir livremente umas em torno das outras. Sua água congelada torna-se líquida, graças a um grau crítico de energia térmica. Nesse ponto-chave, mudanças incrementais cessaram de ter efeitos incrementais e precipitaram uma súbita mudança qualitativa chamada transição de fase.

Vilayanur Subramanian Ramachadran. O que o cérebro tem para contar: desvendando os mistérios a natureza humana. Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 32-3 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, referentes a propostas de reescrita para trechos do texto CG1A1-I.

A correção gramatical e a coerência do texto seriam preservadas caso o terceiro período do segundo parágrafo fosse assim reescrito: Entretanto, assim que se atinge a temperatura de 0 °C, observa-se uma mudança abrupta, espetacular.

C Certo
E Errado
Órgão: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Cargo: Atividades de Regulação de Novas Atribuições Prova: CESPE/CEBRASPE - ANP - Atividades de Regulação de Novas Atribuições - 2022
Texto associado
Texto CB2A1-I

A astrônoma Jocelyn Bell Burnell disse sobre Ron Drever: “Ele realmente curtia ser tão engenhoso”. Ela tinha ido da Irlanda do Norte para Glasgow para estudar física e Drever foi arbitrariamente designado para ser seu supervisor. Ele contava ao grupo de seus poucos orientandos as ideias mais interessantes que surgiam em sua mente, inclusive as que levaram ao experimento de Hughes-Drever (embora ela não tivesse se dado conta de que ele o realizara no quintal da propriedade rural de sua família), mas nenhuma que os ajudasse a passar nos exames. Após a frustração inicial, ao ver que ele não ia ajudá-la em seu dever de casa de física de estado sólido, ela acabou admirando seu profundo entendimento de física fundamental e seu notável talento como pesquisador.
Drever, por sua vez, seria influenciado pelas iminentes e vitais descobertas de sua ex-aluna de graduação. A respeito de Bell Burnell, disse: “Ela também era obviamente melhor do que a maioria deles… então cheguei a conhecê-la muito bem”. Drever escreveu uma carta de recomendação para apoiar o pedido de emprego dela à principal instalação de radioastronomia na Inglaterra, em meados da década de 60, Jodrell Bank. Mas, ele continua, “não a admitiram, e a história conta que foi porque era mulher. Mas isso não é oficial, você sabe. Ela ficou muito desapontada”. Drever acrescenta, esperando que se reconheça a obviedade daquele absurdo: “Sua segunda opção era ir para Cambridge. Vê como são as coisas?”. Ele considerou isso uma reviravolta muito feliz. “Então ela foi para Cambridge e descobriu pulsares. Vê como são as coisas?”, ele diz, rindo.

Janna Levin. A música do universo : ondas gravitacionais e a maior descoberta científica dos últimos cem anos. São Paulo, Cia. das Letras, 2016, p. 103-104 (com adaptações).

Acerca de aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue os itens que se seguem.

Seria preservada a correção gramatical do texto caso o segmento “(embora ela não tivesse se dado conta de que ele o realizara no quintal da propriedade rural de sua família)” (primeiro parágrafo) fosse assim reescrito: (conquanto ela não tivesse notado que ele o havia realizado no quintal da propriedade rural de sua família).

C Certo
E Errado
Texto associado
Texto CG1A1-II
..
As plantas, os animais domésticos e os produtos deles obtidos (frutas, ervas, carnes, ovos, queijos etc.) pertencem aos mais antigos produtos comercializáveis. A palavra latina para dinheiro, pecunia , deriva da relação com o gado ( pecus ). Esse comércio é provavelmente tão antigo quanto a divisão do trabalho entre agricultores e criadores de gado. Embora inicialmente o comércio e a distribuição econômica de produtos de colheita fossem geograficamente bem delimitados, eles conduziram a uma difusão cada vez mais ampla das sementes, desenvolvendo-se, então, um número cada vez maior de variações. Sem milênios de constantes contatos entre os povos e sem o trânsito intercontinental, o nosso cardápio teria uma aparência bastante pobre. Das aproximadamente trinta plantas que constituem os recursos de nossa alimentação básica, quase todas têm sua origem fora da Europa e provêm, predominantemente, de regiões que hoje enumeramos entre os países em desenvolvimento.
Já que hoje as plantas nutritivas domésticas são cultivadas em praticamente todas as regiões habitadas, a humanidade também poderia alimentar-se, se o comércio de produtos agrários se limitasse a áreas menores, de proporção regional. O transporte de gêneros alimentícios por distâncias maiores se justifica, em primeiro lugar, para prevenir e combater epidemias de fome. Há, sem dúvida, uma série de razões ulteriores em favor do comércio mundial de gêneros alimentícios: a falta de arroz, chá, café, cacau e muitos temperos em nossos supermercados levaria a um significativo empobrecimento da culinária, coisa que não se poderia exigir de ninguém. O comércio internacional com produtos agrícolas aporta, além disso, às nações exportadoras a entrada de divisas, facilitando o pagamento de dívida. E, em muitos lugares, os próprios trabalhadores rurais e pequenos agricultores tiram proveito da venda de seus produtos a nações de alta renda, sobretudo quando ela ocorre segundo os critérios do comércio equitativo.
..
Thomas Kelssering. Ética, política e desenvolvimento humano : a justiça na era da globalização. Tradução: Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: EDUCS, 2007, p. 209-10 (com adaptações).
..
Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CG1A1-II, julgue os itens que se seguem.

A coerência do texto e sua correção gramatical seriam mantidas se o quarto período do segundo parágrafo fosse reescrito da seguinte forma: Além disso, o comércio internacional com produtos agrícolas aporta a entrada de divisas às nações exportadoras e, assim, facilita o pagamento de dívida.

C Certo
E Errado
Texto associado
O surpreendente efeito da positividade tóxica na saúde mental
-
Lucía Blasco
-
Pode parecer contraditório, mas a positividade pode ser tóxica.
-
"Qualquer tentativa de escapar do negativo — evitá-lo, sufocá-lo ou silenciá-lo — falha. Evitar o sofrimento é uma forma de sofrimento", escreveu o escritor americano Mark Manson em seu livro A Arte Sutil de Ligar o Foda-se . É precisamente nisso que consiste a positividade tóxica ou positivismo extremo: impor a nós mesmos — ou aos outros — uma atitude falsamente positiva, generalizar um estado feliz e otimista seja qual for a situação, silenciar nossas emoções "negativas" ou as dos outros. (...)
O psicólogo da saúde Antonio Rodellar, especialista em transtornos de ansiedade e hipnose clínica, prefere falar em "emoções desreguladas" do que "negativas". "A paleta de cores emocionais engloba emoções desreguladas, como tristeza, frustração, raiva, ansiedade ou inveja. Não podemos ignorar que, como seres humanos, temos aquela gama de emoções que têm uma utilidade e que nos dão informações sobre o que acontece no nosso meio e no nosso corpo", explica Rodellar à BBC News Mundo.
Para a terapeuta e psicóloga britânica Sally Baker, "o problema com a positividade tóxica é que ela é uma negação de todos os aspectos emocionais que sentimos diante de qualquer situação que nos represente um desafio." " É desonesto em relação a quem somos permitir-nos apenas expressões positivas", diz Baker. (...) “Nós nos escondemos atrás da positividade para manter outras pessoas longe de uma imagem que nos mostra imperfeitos." (...) "Quando ignoramos nossas emoções negativas, nosso corpo aumenta o volume para chamar nossa atenção para esse problema. Suprimir as emoções nos esgota mental e fisicamente. Não é saudável e não é sustentável a longo prazo", diz a terapeuta. (...)
Teresa Gutiérrez, psicopedagoga e especialista em neuropsicologia, considera que "o positivismo tóxico tem consequências psicológicas e psiquiátricas mais graves do que a depressão". "Pode levar a uma vida irreal que prejudica nossa saúde mental. Tanto positivismo não é positivo para ninguém. Se não houver frustração e fracasso, não aprendemos a desenvolver em nossas vidas", disse ele à BBC Mundo.
O positivismo tóxico está na moda? Baker pensa que sim e atribui isso às redes sociais, "que nos obrigam a comparar nossas vidas com as vidas perfeitas que vemos online". (...) "Se houvesse mais honestidade sobre as vulnerabilidades, nos sentiríamos mais livres para experimentar todos os tipos de emoções. Somos humanos e devemos nos permitir sentir todo o espectro de emoções. É ok não estar bem. Não podemos ser positivos o tempo todo."
Gutiérrez acredita que houve um aumento do positivismo tóxico "nos últimos anos", mas principalmente durante a pandemia. (...) "Todas as emoções são como ondas: ganham intensidade e depois descem e tornam-se espuma, até desaparecer aos poucos. O problema é quando não as queremos sentir porque nos tornamos mais dóceis perante uma 'onda' que se aproxima". (...)
Stephanie Preston, professora de psicologia da Universidade de Michigan, nos EUA, acredita que a melhor maneira de validar as emoções é "apenas ouvi-las". "Quando alguém compartilha sentimentos negativos com você, em vez de correr para fazer essa pessoa se sentir melhor ou pensar mais positivamente ("Tudo vai ficar bem"), tente levar um segundo para refletir sobre seu desconforto ou medo e faça o possível para ouvir", aconselha a especialista. (...)
Como aplicar isso na prática? Em vez de dizer "não pense nisso, seja positivo", diga "me diz o que você está sentindo, eu te escuto". Em vez de falar "poderia ser pior", diga "sinto muito que está passando por isso". Em vez de "não se preocupe, seja feliz", diga "estou aqui para você". (...) "Tudo bem olhar para o copo meio cheio , mas aceitando que pode haver situações em que o copo está meio vazio e, a partir daí, assumir a responsabilidade de como construímos nossas vidas".
Para Baker, o que devemos lembrar é que "todas as nossas emoções são autênticas e reais, e todas elas são válidas".
-
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55278174. Acesso em: 28 dez. 2021.

Leia o excerto que segue e analise as respectivas reescritas propostas para ele. (Atente-se às alterações destacadas, comparando-as com o excerto original).
-
“O problema é quando não as queremos sentir porque nos tornamos mais dóceis perante uma 'onda' que se aproxima”.
-
I. “O problema é se não queremos senti- las porque nos tornamos mais dóceis perante uma ‘onda’ que se aproxima”.
II. “O problema é no momento em que não as queremos sentir por tornarmo-nos mais dóceis perante uma 'onda' que se aproxima”.
III. “O problema é quando não queremos as sentir porque nos tornamos mais dóceis perante uma 'onda' que aproxima- se ”.
IV. “O problema é quando não as queremos sentir na medida em que nos tornamos mais dóceis perante uma 'onda' que aproxima- se ”.
V. “O problema é quando não as queremos sentir uma vez que tornamo-nos mais dóceis perante uma 'onda' que se aproxima”.
-
O sentido e a correção gramatical do excerto foram devidamente mantidos apenas em

A I.
B II.
C V.
D II e IV.
E III e V.
Órgão: Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul Cargo: Analista Previdenciário - Área Economia Prova: Instituto AOCP - Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul - Analista Previdenciário - Área Economia - 2022
Texto associado
CIÊNCIA E A PERCEPÇÃO INTUITIVA DAS CRIANÇAS

Drauzio Varella

A dificuldade para aceitar fatos científicos é universal na espécie humana. Por isso, por exemplo, tanta gente não sai de casa antes de ler o horóscopo.
Em artigo publicado na revista Science, Paul Bloom e Deena Weisberg, que pertencem ao Departamento de Psicologia da Universidade de Yale, atribuem essa dificuldade a duas características psicológicas das crianças: a primeira, diz respeito ao que elas sabem, e a segunda, a como elas aprendem, conforme os estudos que foram desenvolvidos pelos pesquisadores.
Hoje sabemos que o cérebro das crianças está longe de ser um livro em branco. Bebês de um ano possuem noções claras sobre o mundo físico e o universo das relações sociais. Da mesma forma, percebem que as pessoas respondem a estímulos físicos e sociais, agem e reagem segundo seus objetivos e de acordo com as emoções daquele momento.
Se de um lado tais intuições infantis servem como ponto de partida para entender o universo racional, de outro podem chocar-se com qualquer evidência experimental que esteja em desacordo com elas.
Por exemplo, a percepção de que os objetos caem no chão, adquirida na mais tenra idade, pode dificultar a aceitação de que a Terra é esférica. Como as pessoas situadas no lado oposto não despencam? Apenas aos oito ou nove anos de idade é que esse conceito se torna compreensível.
Em sua ingenuidade, as crianças tendem a achar que tudo foi criado para atender a determinada finalidade, propensão chamada de teleologia promíscua. Para quem tem quatro anos, as borboletas foram feitas para voar, as flores para embelezar, os cachorros para guardar a casa e os golfinhos para fazer acrobacias.
No futuro, essa característica poderá se tornar incompatível com a ideia de que a vida surgiu por acaso e que chegou até nós através da seleção natural.
O caso do dualismo entre cérebro e mente é didático. Para as crianças, parte considerável da vida mental nada tem a ver com o sistema nervoso. Na fase pré-escolar, elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, mas imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
Numa experiência clássica, alunos da pré-escola foram colocados diante da questão: “O que aconteceria se um cérebro humano fosse transplantado para um porco?” A maioria respondeu que o animal ficaria muito inteligente, mas que conservaria os desejos e a vida mental de um porco.
A crença nesse dualismo representará um obstáculo para aceitar a lógica de que a vida mental emerge a partir de eventos físico-químicos.
Na vida adulta, avaliar a lógica de uma teoria nem sempre está a nosso alcance. Quantos são capazes de julgar se existe coerência entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica, ou avaliar a profundidade das ideias de Darwin e Wallace?
Para fazê-lo, os adultos geralmente se baseiam na credibilidade dos que defendem essas ideias. A criança faz o mesmo. Aos quatro ou cinco anos, ela já sabe que um adulto merece mais crédito quando sua opinião é conflitante com a de outra criança. E que, numa competição de resultado incerto, o contendor que reconhece ter perdido merece mais crédito do que aquele que se declara vencedor.
Esses estudos sugerem que a resistência ao pensamento científico surge nas crianças, quando as evidências se chocam com suas expectativas intuitivas, e que essa resistência poderá ser reforçada na vida adulta.

Adaptado de: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/ciencia-e-a-percepcao-intuitiva-das-criancas-artigo/. Acesso em: 30 jun. 2022.

Observe o excerto retirado do texto “Ciência e a percepção intuitiva das crianças”: “Na fase pré-escolar, elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, mas imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.” e assinale a alternativa cujas alterações mantêm as relações sintáticas e semânticas originais.

A Na fase pré-escolar, elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, porque imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
B Na fase pré-escolar, elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, porém imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
C Na fase pré-escolar, elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, de modo que imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
D Na fase pré-escolar, como elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, motivo pelo qual imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
E Na fase pré-escolar, para que considerem o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, elas imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
Órgão: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte Cargo: Analista Legislativo - Área Contabilidade Prova: Instituto AOCP - ALE RN - Analista Legislativo - Área Contabilidade - 2022
Texto associado
As questões de 1 a 4 referem-se ao Texto I.

TEXTO I

NA ESTRADA, SEM CINTO NEM CAPACETE

Camille Lichotti e Renata Buono | 30maio2022_10h09

[...]
Durante a pandemia, os brasileiros ficaram mais imprudentes ao volante. O número de infrações relacionadas ao não uso do cinto de segurança em rodovias federais atingiu o pico – tanto para condutores quanto para passageiros de veículos. Ao todo, foram mais de 271 mil infrações desse tipo em 2020, o recorde da série histórica registrada pela Polícia Rodoviária Federal. No ano seguinte, em 2021, foram 252 mil, também acima dos valores registrados desde 2007.
Os motociclistas também ficaram mais descuidados no primeiro ano de pandemia. Os registros de infrações por falta de capacete nas rodovias estavam em queda desde 2015. Em 2019, houve um pequeno aumento. Mas no ano seguinte, em 2020, esse número aumentou 51% e atingiu o pico da série histórica. Naquele ano, a Polícia Rodoviária Federal registrou 71 mil infrações por falta de capacete – quase 24 mil a mais que no ano anterior. Em 2019, foram cerca de 47 mil infrações desse tipo.
Apesar de o número total de acidentes em rodovias federais ter diminuído ao longo da série histórica, o perfil das ocorrências também revela a crescente irresponsabilidade no trânsito. O consumo de álcool se tornou uma das principais causas de acidentes em rodovias federais no ano passado – só perde para falta de atenção, dificuldade de reação ao volante e velocidade indevida na pista. De cada 100 acidentes atendidos pela Polícia Rodoviária Federal, cerca de 8 foram causados por ingestão de álcool em 2021 – quase o dobro da proporção registrada dez anos antes. Em 2011, a cada 100 acidentes nas rodovias federais, quatro foram causados por ingestão de álcool.
A rodovia BR-101, no trecho localizado em Santa Catarina, foi a campeã de acidentes em 2021. Ao todo, a Polícia Rodoviária Federal registrou 4.094 ocorrências, com 129 mortes. Isso significa que, a cada 32 acidentes na região, uma pessoa morreu. Mas a BR-116, conhecida como a rodovia da morte, é mais letal – especialmente no estado de São Paulo, cujo trecho concentra o maior número de vítimas do país. Apesar de registrar menos acidentes (3.099), só nesse trecho específico da BR-116 morreram 173 pessoas em 2021. Ou seja, a cada dois dias, uma pessoa morreu no trecho paulista da BR-116. As duas vias atravessam vários estados brasileiros, ligando o Nordeste ao Sul do país.
Desde 2008, primeiro ano da série histórica disponibilizada pelo Ministério da Saúde, nunca houve tantos feridos por acidentes de trânsito no Brasil como em 2021, levando em conta todos os tipos de vias do país. O número de pessoas internadas na rede pública de saúde com lesões causadas por acidentes de trânsito bateu recorde no ano passado. Foram mais de 234 mil – uma média de 642 internados por dia. Em 2011, a média diária era de 480 internações. Ou seja, em dez anos houve um aumento de 34% nas hospitalizações por acidente de trânsito.
Os ciclistas estão cada vez mais propensos a acidentes graves no Brasil. Enquanto o número total de internações por acidentes de trânsito cresceu 34% em dez anos, o aumento entre os motociclistas foi de 62%. Entre os ciclistas, o crescimento foi de 71% – mais que o dobro do observado na média geral. Isso acontece porque o número de pedestres e ocupantes de automóveis lesionados, por exemplo, caiu durante praticamente todo o período de 2011 a 2021. Mas entre ciclistas e motociclistas, as hospitalizações aumentaram progressivamente até atingirem o pico em 2021.
Apesar do aumento observado entre os ciclistas, mais da metade dos internados por acidentes de trânsito ainda são motociclistas. Dos 234 mil hospitalizados no SUS em 2021, cerca de 127 mil pertencem a esse grupo. Além disso, a maior parte dos motociclistas hospitalizados (cerca de 75% deles) foi atendida em caráter de urgência, o que indica maior gravidade das ocorrências. O atendimento hospitalar desse grupo é o mais custoso para os cofres públicos. As internações de motociclistas lesionados em acidentes no ano de 2021 custaram, ao todo, 187 milhões de reais. Esse valor é sete vezes o custo de internação dos feridos em acidentes com carros, 27 milhões.

Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/na-estrada-sem-cinto-nem-capacete/. Acesso em: ago. 2022.

O sentido do excerto do Texto I “Apesar de o número total de acidentes em rodovias federais ter diminuído ao longo da série histórica, o perfil das ocorrências também revela a crescente irresponsabilidade no trânsito.” é mantido em

A “O perfil das ocorrências também revela a crescente irresponsabilidade no trânsito, consequentemente, o número total de acidentes em rodovias federais diminuiu ao longo da série histórica.”.
B “O perfil das ocorrências também revela a crescente responsabilidade no trânsito, por isso, o número total de acidentes em rodovias federais diminuiu ao longo da série histórica.”.
C “Em vez de o número total de acidentes em rodovias federais ter diminuído ao longo da série histórica, o perfil das ocorrências também revela, por outro lado, a crescente responsabilidade no trânsito.”.
D “Ainda que o número total de acidentes em rodovias federais tenha diminuído ao longo da série histórica, o perfil das ocorrências também revela a crescente irresponsabilidade no trânsito.”.
E O perfil das ocorrências também revela a crescente responsabilidade no trânsito, porque o número total de acidentes em rodovias federais diminuiu ao longo da série histórica.”.
Órgão: Empresa Baiana de Águas e Saneamento Cargo: Técnico Operacional - Área: Automação e Controle Prova: Instituto AOCP - EMBASA - Técnico Operacional - Área: Automação e Controle - 2022
Texto associado
No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição vai-se extinguindo. Nessa transformação, misturaram-se dois processos. Não tiveram nem a mesma cronologia, nem as mesmas razões de ser. De um lado, a supressão do espetáculo punitivo. O cerimonial da pena vai sendo obliterado e passa a ser apenas um novo ato de procedimento ou de administração. A punição pouco a pouco deixou de ser uma cena. E tudo o que pudesse implicar de espetáculo desde então terá um cunho negativo; e como as funções da cerimônia penal deixavam pouco a pouco de ser compreendidas, ficou a suspeita de que tal rito que dava um “fecho” ao crime mantinha com ele afinidades espúrias: igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria, acostumando os espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos crimes, fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes com os assassinos, invertendo no último momento os papéis, fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.
A execução pública é vista então como uma fornalha em que se acende a violência. A punição vai-se tornando, pois, a parte mais velada do processo penal, provocando várias consequências: deixa o campo da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro; a mecânica exemplar da punição muda as engrenagens.

Michel Foucault. Vigiar e punir : nascimento da prisão. Tradução: Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987 (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado, julgue os itens seguintes.

No trecho “E tudo o que pudesse implicar de espetáculo desde então terá um cunho negativo” (primeiro parágrafo), a supressão da preposição “de” manteria a correção gramatical e os sentidos originais do texto.

C Certo
E Errado