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Leia com atenção o seguinte texto, retirado do Livro dos Erros, organizado por Mário Goulart: “O empresário Danilo Bastos comprou cenários e guarda-roupa para uma peça sobre Lucrécia Bórgia. Contratou Nestor de Holanda para escrever o texto e deixou claro:
- O primeiro ato termina com Alexandre VI coroando Lucrécia rainha da Itália.
Nestor se admirou:
- Lucrécia nunca foi rainha da Itália.
Danilo não quis saber:
- Ah, se nunca foi, vai ser. Gastei mais de um milhão nos cenários e no guarda-roupa. Não posso perder esse dinheiro.”

Observe a frase do texto: “O empresário Danilo Bastos comprou cenários e guarda-roupa para uma peça sobre Lucrécia Bórgia. Contratou Nestor de Holanda para escrever o texto...”. Nesse segmento, o termo “o texto” repete o vocábulo anterior, “peça”, como seu hipocorístico. O mesmo ocorre na seguinte frase, em relação ao termo sublinhado:

A O armário do quarto era pesado e, na mudança, foi necessário bastante força para transportar a peça.
B A obra era bastante volumosa, em dois volumes, mas a leitura do romance mostrou-se bastante prazerosa.
C Atrás da porta estava uma eletrola antiga, ainda envolta em bolsa de couro, mas ninguém notava a sua presença.
D O enfermo deixava o remédio que tomava sobre a mesa para que não esquecesse de tomar o medicamento.
E Havia muitos indígenas na plateia do Senado, vestidos em seus trajes típicos, já que o assunto a ser debatido era de interesse dos povos originários.

As frases a seguir mostram um substantivo e um adjetivo sublinhados, sendo que o adjetivo não pertence à mesma família etimológica do substantivo e é considerado culto. Assinale a opção em que o adjetivo não corresponde semanticamente ao substantivo.

A Os produtos embalados em latas são mais caros; os laticínios formam hoje uma grande parte dos supermercados.
B Sou desastrado em relação aos assuntos de dinheiro; em minha casa, as questões pecuniárias são tratadas por minha mulher.
C O cuidado com as armas é uma preocupação militar; as atividades bélicas exigem bom estado delas.
D A cor de chumbo fica bem em algumas roupas, mas pouca gente gosta de sapatos plúmbeos.
E Como sou alérgico a leite, não posso ingerir nenhum produto lácteo.

As opções a seguir mostram frases de Graça Aranha, com o emprego do verbo abaixar. A frase em que deveria ser empregado o verbo baixar, por ser mais adequado, é:

A “O agrimensor calou-se ainda mais solene e entregou-se todo ao instrumento; mirava na objetiva, abaixava-se, erguia-se para espiar por cima...”
B “Todos os moradores do povoado ficaram contentes porque todos os preços tinham abaixado.”
C “Com a presença dos estranhos, o jovem abaixou a cabeça enleado, disfarçando a remexer nos gravetos esparsos no chão.”
D “Ela não respondeu e ligeiramente abaixou os olhos; quando logo depois os ergueu, mudou de assunto.”
E “Por contágio e por instintivo sinal de respeito dos humildes colonos, as saudações propagavam-se e daí só se viam as cabeças abaixando-se na direção dos magistrados, que correspondiam desdenhosos.”

“Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.” Nessa frase, o autor evitou usar expressões negativas ou agressivas, substituindo-as por “vacilante e sem brilhos”. As frases abaixo mostram processos de atenuar expressões consideradas agressivas, prejudiciais ou desagradáveis. Assinale a opção em que esse processo foi realizado de forma adequada.

A O jogador, quando criança, morava num bairro miserável. / numa área socioeconômica baixa.
B O horário dos coletores de lixo no bairro estava marcado às 9 horas / lixeiros.
C A empresa reconhece problemas na nova distribuição de empregos / de desemprego.
D A indústria reconhece estar falida / com fluxo de caixa altamente positivo.
E O foguete lançado chocou-se prematuramente contra o solo / despencou.

“Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras...”. Nessa frase, o vocábulo “amostrassem” equivale a “mostrassem”. Assinale a frase em que houve troca indevida entre parônimos, com relação às palavras sublinhadas.

A “Pode-se precisar espiar não somente más ações, mas erros da própria natureza.” (Marquês de Custine) / espiar / expiar.
B “É de altos espíritos aspirar a coisas altas.” (Cervantes) / aspirar / expirar.
C “A descrença é fenômeno alheio à vontade do eleitor; a abstenção é propósito.” (A Semana, Machado de Assis) / abstenção / abstração.
D “A ternura não embarga a discrição nem esta diminui aquela.” (Memorial de Aires, Machado de Assis) / descrição / discrição.
E “Era esperto e arguto: entendia as coisas sem largo dispêndio de palavras.” (Papéis Avulsos, Machado de Assis) / esperto / experto.

O texto traz uma série de vocábulos cultos, próprios da época do livro. Assinale a frase em que a substituição de um termo abrangente por um mais simples foi feita de forma inadequada.

A “O absurdo é o mistério dos incrédulos/descrentes.” (Mário da Silva Brito)
B “A finalidade/O término da humanidade é produzir grandes homens.” (Renan)
C “O irreligioso/O ateu é como o enjeitado que não conhece o seu pai, é como o animal bruto, comensal do banquete da natureza, que não cuida nem pergunta pelo seu benfeitor.” (Marquês de Maricá)
D “A vida é cheia de obrigatoriedades/obrigações que a gente cumpre por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente.” (Machado de Assis)
E “Os mortos param no cemitério, e lá vai ter a afeição dos vivos, com as suas flores e recordações/lembranças.” (Memorial de Aires, Machado de Assis)
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

Assinale a opção em que a substituição do termo sublinhado por um sinônimo é incorreta.

A A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista (coaduna).
B O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem (objetivo).
C (...) eu aquiesci jovial – e me fiz up to date (concordei).
D (...) no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina (cacografia).
E (...) usando o etarismo a meu favor (idadismo).

Assinale a opção em que a lacuna da frase deve ser preenchida pelo segundo elemento contido nos parênteses.

A Os vereadores _____ (por ora / por hora) decidiram adiar a votação.
B Devido às fortes chuvas, vários brincantes tiveram seus carros _____ (empossados / empoçados) na lama.
C A agremiação do boi Malhadinho foi parcialmente prejudicada em sua apresentação devido ao _____ (mau / mal) tempo.
D O grupo “Flor do Campo” se apresentou na noite desse sábado, _____ (quando / onde) o som de tambores fez a floresta pulsar.
E A agremiação exibiu o Xauara, figura que vai _____ (de encontro à / ao encontro da) preservação da natureza, pois simboliza a destruição das queimadas e a poluição dos rios.
Texto associado
'Quer adressar?', me perguntou a moça De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.
O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:
“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.
A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.
A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:
“Sim, por favor, adressa, sim”.
(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

Assinale a opção em que a substituição do termo sublinhado por um sinônimo é incorreta.

A A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista (coaduna).
B O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem (objetivo).
C (...) eu aquiesci jovial – e me fiz up to date (concordei).
D (...) no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina (cacografia).
E (...) usando o etarismo a meu favor (idadismo).

Em todas as frases abaixo, estão sublinhados um substantivo e um adjetivo. A opção em que o adjetivo NÃO corresponde semanticamente ao substantivo é:

A As crianças algumas vezes mudam de reações diante das mesmas coisas e essa mudança infantil é frequente.
B Os esgotos urbanos são muito importantes para a limpeza das cidades.
C Periódicos exames cardíacos deixam o coração em paz.
D A Lua continua trazendo surpresas e agora mesmo os chineses trouxeram novidades sobre a face lunar oculta.
E Após a leitura de várias linhas, o aluno decidiu abandonar essa leitura literal e ler mais rapidamente.