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Texto 5A1-III

Chegando ao Brasil em 1500 com nossos descobridores, praticamente só em 1534 foi introduzida a língua portuguesa com início efetivo da colonização, com o regime das capitanias hereditárias. Conclui-se que a língua que chegou ao Brasil pertence à fase de transição entre a arcaica e a moderna, já alicerçada literalmente.
No Brasil dessa época, encontraram os descobridores e colonizadores portugueses uma variedade de falares indígenas, no cômputo aproximado de trezentos, hoje reduzidos a cerca de 170, na opinião de um dos seus mais categorizados conhecedores, Aryon Dall’Igna Rodrigues. Grande extensão territorial da nova terra era ocupada pela família Tupi-Guarani, que apresentava pouca diferenciação nas línguas que a integram.
Veio depois a contribuição das línguas africanas em suas duas principais correntes para o Brasil: ao Norte, de procedência sudanesa, e ao Sul, de procedência banto; temos, assim, no Norte, na Bahia, a língua nagô ou iorubá; no Sul, no Rio de Janeiro e Minas Gerais, o quimbundo.
A pouco e pouco, à medida que se ia impondo, pela cultura dos europeus, o desenvolvimento e o progresso da colônia e do país independente, a língua portuguesa foi predominando sobre a “língua geral” de base indígena e dos falares africanos, a partir da segunda metade do século XVIII.

Evanildo Bechara. Breve história externa da língua portuguesa. In: Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2 ed. ampliada e atualizada pelo novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010, p. 690-691(com adaptações).

Conforme o texto 5A1-III,

A a língua portuguesa foi introduzida no Brasil em 1500, com a chegada dos descobridores.
B somente a partir da segunda metade do século XVIII é que a língua portuguesa foi predominando sobre a ‘língua geral’ de base indígena e dos falares africanos.
C os descobridores e colonizadores portugueses encontraram no Brasil uma variedade de falares indígenas, no cômputo aproximado de 170.
D a língua portuguesa que chegou ao Brasil pertence à fase moderna, já alicerçada em Portugal.
E grande extensão territorial do Brasil, na época do descobrimento, era ocupada pelas línguas africanas: ao Norte, de procedência sudanesa, e ao Sul, de procedência banto.
Texto associado
Atenção : Considere a crônica “ Vende a casa ”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder às questões de números 1 a 10.

1. --- O homem falou:
2. --- − Comprei esta casa; vendi-a. No intervalo, passaram-se 21 anos. Aconteceram diferentes coisas nesse intervalo. O ditador caiu, subiu de novo, matou-se. A bomba atômica explodiu, inventou-se outra bomba ainda mais terrível. Veio a paz, ou uma angústia com esse nome. Apareceram antibióticos, aviões a jato, computadores eletrônicos. O homem deu a volta ao universo e viu que a terra era azul. Fabricaram-se automóveis no Brasil. Pela rua passam biquínis aos três, aos quatro, e a geração nova usa rosto novo e nova linguagem. Mas a casa não mudou.
3. --- Veja esta pérgula. Está cercada de edifícios agressivos, não tem mais razão de ser, mas é uma pérgula. Quem a mandou fazer deu recepções neste terraço, de onde se descortinavam os morros da Gávea e o mar. Hoje não se vê nada em redor, mas a pérgula é a mesma. O construtor morreu, como o dono primitivo; a pérgula está viva, com sua buganvília.
4. --- Esta escada, eu a subia com pernas de gato, nem reparava. Hoje subo contando os degraus que faltam, e, podendo evitar, evito a subida, fico lá embaixo. Ela deve estar-se rindo de mim, que me cansei depressa.
5. --- A sala, o pequeno escritório, está vendo? Tudo resistiu mais do que o morador. Não queria acabar, e decerto, chegando a hora, me enterraria. Não usa mais sair defunto de casa, mas bem que a casa gostaria se, depois de me abrigar tanto tempo, pudesse me expor na sala, prestando mais um serviço. Porque não tem feito outra coisa senão prestar serviço. Às vezes com ironia ou aparentemente de mau humor: porta empenada, soalho abatido, defeitos na instalação elétrica antiquada. Porém seu mau humor nunca foi maior do que o meu, que usei e abusei de seus serviços com impaciência e tantas vezes a desprezei, chamando-a feia e desajeitada.
6. --- Tem goteiras; sempre teve, é um de seus orgulhos, ao que parece. Certa madrugada acordamos com a cachoeira no quarto. Tinham-se rompido umas telhas, e o mundo parecia vir abaixo, derretido em chuva. Pois não havia nada de mais sólido na terra do que esta velha casa remendada e maltratada. A prova aí está. Você nos compare, e diga.
7. --- Ratos? Sim, é próprio do lugar. Baratas, nem me fale. Passamos 21 anos lutando contra bichos pequenos, mas era combate leal, em igualdade de condições. Eles moravam no porão; nós, na parte de cima. A luta nunca se decidiu, e a casa nos dava chances idênticas. Era seu ingênuo divertimento.
8. --- Creio que fui feliz aqui. Trouxemos uma menina, que se levantava cedinho para ir ao colégio; ouço ainda o despertador, vozes matutinas, sinto o cheiro de café coado na hora. Seu quarto é o mesmo, a mesma mobília de sucupira que naquele tempo se usava. O retrato dela, feito por um pintor que já morreu, está ali. Hoje é uma senhora que mora longe, e uma vez por ano chega com um senhor e três garotos do capeta. É quando a casa fica matinal, ruidosa, fica plenamente casa, bagunça, festa cheia de gritos. Esses rabiscos na parede, cadeiras remendadas, vidros partidos, está reparando? São das melhores alegrias da casa.
9. --- Agora temos de fechar e sair; vendi a casa. Será demolida, como todas as casas que restam serão demolidas. Era a única que sobrava nesta quadra; fora do alinhamento, sua massa barriguda tinha alguma coisa de insolente, de provocativo. Não podia continuar.
10. --- Isto é, podia. Eu é que entreguei os pontos. Agora veja o que está se passando. Mal assinei a escritura e voltei, começo a sentir-me estranho na casa. Rompeu-se um laço, mais do que isso, uma fibra. Eu não sabia ao certo o que é uma casa. Agora sei, e estou meio envergonhado.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço . São Paulo: Companhia das Letras, 2020)

Na crônica, o homem dirige-se diretamente a seu interlocutor no seguinte trecho:

A Hoje não se vê nada em redor, mas a pérgula é a mesma . (3 o parágrafo)
B Certa madrugada acordamos com a cachoeira no quarto . (6 o parágrafo)
C Era seu ingênuo divertimento . (7 o parágrafo)
D Agora temos de fechar e sair; vendi a casa. (9 o parágrafo)
E Agora veja o que está se passando . (10 o parágrafo)
Texto associado
Medo da eternidade

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático
contato com a eternidade. Quando eu era muito pe-
quena ainda não tinha provado chicles e mesmo em
Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de
5 que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo
o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com
o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao
sairmos de casa para a escola me explicou:
10 ___ —Tome cuidado para não perder, porque esta
bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba? — Parei um instante na
rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto.
15 ___ Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada
para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei
a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o
elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia
acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças,
20 às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para
chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me
com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente,
tornando possível o mundo impossível do qual
eu já começara a me dar conta.
25 ___ Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle
na boca.
— E agora que é que eu faço? —Perguntei para
não errar no ritual que certamente deveria haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do do-
30 cinho dele, e só depois que passar o gosto você co-
meça a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos
que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia
35 dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-
nos para a escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não sabia dizer por quê Comecei a
40 mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa
cinzento de borracha que não tinha gosto de nada.
Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na
verdade eu não estava gostando do gosto. E a van-
tagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie
45 de medo, como se tem diante da ideia de eternidade
ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da
eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso,
eu mastigava obedientemente, sem parar.
50 ___ Até que não suportei mais, e, atravessando o
portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado
cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em
fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mas-
55 tigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ele não aca-
ba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite
a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no
sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste,
60 um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de
minha irmã, envergonhada da mentira que pregara
dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre
65 mim.

LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p.2, 6 jun. 1970.

A frase que guarda o mesmo sentido do trecho “Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.” (l. 50-52) é:

A Até que não suportei mais, e, como atravessei o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
B Até que não suportei mais, e, já que atravessei o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
C Até que não suportei mais, e, para que atravessasse o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
D Até que não suportei mais, e, embora atravessasse o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
E Até que não suportei mais, e, quando atravessei o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
Texto associado
Filosofia em dois desenhos

Fui caminhar. E na calçada me deparei com um estranho indivíduo. Carregava um saco plástico enorme que, pelo perfil do conteúdo, calculei estivesse cheio de latinhas. Mal acabei de pensar, o homem se acocorou na calçada. Extraiu de alguma parte uma pedra branca parecendo ser cal prensada, e com ela começou a desenhar no cimento.
Parei para ver, atraída pelo ritual que se esboçava. O homem desenhou dois círculos um diante do outro, quase encostados, e dentro deles desenhou duas setas convergentes.
Levantou-se, olhou sua obra com satisfação, andou cinco ou seis passos e, novamente, se acocorou. Continuava com a pedra de cal na mão.
Mas o desenho que fez foi diferente. Riscou dois traços, colocados na mesma distância dos dois círculos, e atrás deles desenhou duas setas que apontavam uma para a outra.
Segui adiante refletindo sobre o que havia presenciado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a Serra da Capivara, que visitei numa ida a Teresina para algum congresso ou palestra. Trouxe de volta a louça que a arqueóloga franco-brasileira Niéde Guidon, há muitos anos responsável pelo sítio arqueológico, ensinou os locais a fazerem para terem uma fonte de subsistência. Louça com impressos os mesmos desenhos estampados na rocha, que se acredita serem vestígios de uma cultura paleoamericana. Pois, como um ser primitivo, o homem havia estampado seus pensamentos e sua visão interior na mais moderna das rochas: o cimento.
Havia reparado que o homem estava muito sujo e desgrenhado. Calçava havaianas de sola já bem fininha e roupas indefinidas. Provavelmente era mais um morador de rua. E como morador de rua, usava a mesma calçada em que dormia para se expressar. Usava a calçada, único bem que lhe pertencia, como se fosse papel para desenhar ou escrever. Porque não há dúvida de que, ao desenhar, aquele homem estava escrevendo.
Estava escrevendo a sua dificuldade para se comunicar. Preso dentro de um círculo, pouco adiantava que as setas apontassem em direção uma da outra. Ele não conseguia obedecer à ordem das setas, pois continuava contido pela linha que delimitava o círculo.
Coisa idêntica dizia o segundo desenho, agora com um traço, uma parede, um muro, impedindo-o de obedecer ao comando das setas.
Pode até ser que o homem, através de seus desenhos estivesse desenvolvendo uma teoria filosófica sobre a incomunicabilidade dos seres humanos. Que, se por um lado não conseguem viver sozinhos (significado das setas instando à comunicação), por outro lado não conseguem se entender (significado dos círculos e dos traços impeditivos).
Avançando nessa teoria, chegaríamos à conclusão de que tudo o que é coletivo resvala no pessoal. Assim como os desenhos do homem, tão íntimos e pessoais, destinavam-se a quem quer que passasse naquela exata calçada de Ipanema.

Adaptado de: https://www.marinacolasanti.com/2021/09/filosofiaem- dois-desenhos.html [Fragmentos]. Acesso em: 18 set. 2021.

Considerando os aspectos relacionados à organização das informações, à estruturação do texto de apoio e aos sentidos por ele expressos, julgue os seguintes itens.

A partir da leitura do 5º parágrafo, é possível depreender que a autora considera as composições humanas, tanto as contemporâneas quanto as rudimentares, como formas de expressão.

C Certo
E Errado
Órgão: Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário Cargo: Analista de Investimentos Prova: Instituto AOCP - FUNPRESP-JUD - Analista de Investimentos - 2021
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões 11 a 20.

NÃO SENTA LÁ, CLÁUDIA

A sua cadeira vai matar você. Isso porque muitos problemas estão associados a quem passa a vida sentado, como aumento de chances de diabetes, problemas urinários e lesões na coluna. E não adianta fazer academia. Uma pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, concluiu que, a cada hora sentada, a pessoa reduz em 21 minutos sua expectativa de vida. Outro estudo comparou dois grupos de meninas. O primeiro, que ficou sentado por três horas consecutivas, apresentou uma redução das funções cardiovasculares, associadas a problemas como infarto.
Os fundadores da startup americana Jaswig questionam a cultura de produzir tudo sentado, e acham que a luta contra esse perigo tem de começar cedo. A empresa criou carteiras para que as crianças possam estudar em pé. A ideia é acostumar os pequenos para que não se tornem adultos dependentes de assentos.
A companhia diz ter analisado a maneira como as crianças levantam objetos para que a carteira pudesse facilmente ser ajustada entre os modos “em pé” e “sentado”. Embora venda os móveis para qualquer um que queira tê-los em casa, a Jaswig imagina que sua criação possa ser ainda mais importante na escola. [...]
Para quem passa muito tempo sentado, o ideal é se levantar por 10 ou 15 minutos a cada hora. A mudança de posição também vale para quem trabalha em pé. “A proposta da Jaswig pode estar relacionada à busca de maior produtividade no trabalho na vida adulta, o que é questionável”, diz Francisco Lacaz, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.

(Adaptado de: ROMANI, Bruno. Não senta lá, Cláudia. Revista Galileu. Nov. 2015.)

A partir da leitura do texto, assinale a alternativa correta.

A São citados três estudos que comprovam que ficar muito tempo sentado faz mal à saúde.
B Também há riscos à saúde em se trabalhar por muito tempo em pé.
C Segundo a Jaswig, o objetivo da empresa é aumentar a produtividade no trabalho.
D O ideal é que as pessoas não passem mais que 40 minutos por hora sentadas.
E As carteiras criadas pela Jaswig dão preferência para o modo “em pé”.
Órgão: Empresa de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul Cargo: Técnico - Área Enfermagem do Trabalho Prova: Instituto AOCP - SANESUL - Técnico - Área Enfermagem do Trabalho - 2021

Analise a charge a seguir e assinale a alternativa correta.

A A charge é incoerente, pois o som produzido pela panela de pressão se assemelha ao som do fonema /s/.
B A charge é coerente tendo em vista que o chiado produzido pelo carioca é representado pelo fonema /z/, que se assemelha ao da panela de pressão. Um exemplo desse uso encontramos na palavra [mezmu].
C A charge é coerente, tendo em vista o som produzido pela panela de pressão, o qual se assemelha ao produzido pela maioria dos brasileiros na palavra “texto” e “experiência”.
D A charge é coerente, pois o som produzido pela panela de pressão, o mesmo encontrado na palavra “cheiro”, assemelha-se ao chiado carioca em algumas palavras finalizadas em “s”, como em “lápis”.
E O chiado produzido pelos cariocas em algumas palavras se assemelha ao som produzido pela maioria dos falantes no território brasileiro, como em “excelente” e “máximo”.
Texto associado
Voto? Nos EUA de 100 anos atrás, dava para
enviar até crianças pelo correio

Por Rafael Battaglia 4 nov 2020, 16h39

As eleições dos Estados Unidos deste ano terminaram na última terça (3/11). A apuração, contudo, ainda não. Motivo: parte dos votos foi enviada pelo correio, o que atrasou o resultado pela disputa da presidência entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden.
Para nós, brasileiros, acostumados com a urna eletrônica, isso pode soar estranho. Acontece que, por lá, é possível votar antecipadamente, e não apenas no dia da eleição. Em 2020, por conta da pandemia, o número de votos pelo correio bateu recorde.
[...] Os americanos costumam usar bastante os correios para receber e enviar encomendas – e até cheques, usados para pagar contas e serviços, são enviados dessa forma.
Mas, 100 anos atrás, os correios da terra do Tio Sam entregavam coisas inusitadas: bebês e crianças.
Querida, enviei as crianças
Em janeiro de 1913, o governo anunciou a criação do Parcel Post, um serviço que permitiria às pessoas enviar e receber correspondências mais pesadas. Até então, os correios só trabalhavam com cartas e pacotes de até quatro libras (1,8 kg). Foi revolucionário – mas não demorou até que algumas pessoas tentassem tirar proveito da nova medida.
Poucas semanas após o começo do Parcel Post, um casal de Ohio chamado Jesse e Mathilda Beagle decidiu enviar o filho James, de apenas oito meses, até a casa de sua avó, a alguns quilômetros dali.
Esse foi o primeiro registro de uma criança enviada pelos correios – e custou a família Beagle apenas 15 centavos (US$ 4, em valores atuais). Os pais inclusive colocaram o bebê no seguro, para o caso dos correios o perderem. Se isso acontecesse, receberiam US$ 50, o que corresponde a US$ 1,3 mil hoje em dia.
Depois disso, outras histórias similares começaram a pipocar nos jornais do país. Mas o caso mais famoso talvez seja o da garota Charlotte May Pierstorff, em fevereiro de 1914. A menina, de apenas quatro anos, viajou 117 quilômetros de trem da sua casa em Grangeville, Idaho (noroeste dos EUA) até a cidade de seus avós.
“O serviço postal era mais barato do que comprar uma passagem de trem”, explicou Jenny Lynch, historiadora do USPS, à revista Smithsonian . Mas pode ficar tranquilo: a pequena Charlotte não foi empacotada como um saco de batatas. Na verdade, o primo de sua mãe trabalhava como balconista no serviço de correio ferroviário. Bastou apenas conversar com asa autoridades locais para acompanhá-la na viagem.
Com o passar dos anos, a história ganhou detalhes cada vez mais bizarros: os selos postais teriam sido colados no casaco de Charlotte, e há relatos, inclusive, de que ela havia sido taxada como carga animal, custando o mesmo que um frango.
Não é verdade: naquela época, apenas bichos como abelhas e insetos podiam ser transportados. O correio só passou a aceitar frangos em 1918. Seja como for, o caso da menina ficou tão conhecido que inspirou até um livro infantil, Mailing May , em 1997.
Ao todo, há registros de pelo menos sete crianças enviadas pelo correio nos EUA – uma dela, inclusive, teria viajado mais de 1.150 quilômetros. A prática só terminou de vez no final dos anos 1910, quando grandes jornais do país, como Washington Post, New York Times e Los Angeles Times publicaram reportagens nas quais o chefe dos correios reiterava que isso não poderia acontecer mais.
Adaptado de: . Acesso em: 16 nov. 2020.

Em que dia da semana o texto foi publicado?

A Segunda-feira.
B Terça-feira.
C Quarta-feira.
D Quinta-feira.
E Sexta-feira.
Texto associado
DOCE

___ Lembrasse antes quanto tempo gastaria na beira do fogão mexendo o doce de abóbora e Maria talvez nem tivesse começado. Mas não é assim que funciona, a coisa vem de trás pra frente: primeiro o gosto no fundo da lembrança, na garganta, daí a saliva na língua. Depois, o cheiro de algo que nem recordava parece que está aqui, dentro das narinas. Os ingredientes, todos comprados, a panela na mão. Só na hora de mexer o doce é que a gente lembra, com esse misto de cansaço e tristeza, que o doce é feito de mexer o doce. É feito do braço girando, girando, o outro braço solto escorado na anca, o peso do corpo passando da perna de cá pra de lá.
___ O doce já começado é doce inteiro na imaginação, não tem volta. E Maria nunca foi de voltar atrás, mesmo com o que era bom só na primeira mordida e depois deixava um retrogosto amargo – na boca ou no jeito de olhar. Maria que nem puxa-puxa, presa às escolhas e caminhos e ao que por vezes não foi tão escolha quanto foi acaso.
___ Bem que às vezes queria ser pássaro solto, escolher caminhos. A cozinha fica pequena da falta que voar livre faz, as paredes suam. Tudo o que é sonho vai evaporando do seu corpo, a pele fica grossa, dura. O açúcar carameliza angústias. E Maria pensa se não seria melhor ter virado cambalhota por sobre um ou outro acontecimento, em vez de vivê-los todinhos.
___ O marido mesmo. Ela cansava de topar com ele encostado no sofá, vendo TV. Ia de um canal para o outro, como se não estivesse ali. Queria que estivesse. Que contasse uma bobagem que aconteceu no trabalho ou na rua, que atentasse ao gosto novo no doce que ela fez, “cê colocou coco?”, “que cheiro diferente, que foi que cê botou aí?”, qualquer coisa. Qualquer coisa que fizesse com que os dois parecessem vivos, que parecessem ligados, nem que pelo diferente do hoje no doce sempre igual.
___ Tomasse uma atitude agora, talvez a coisa toda desembrulhasse diferente. Ela botaria uma roupa bonita e dançaria pela casa, pintaria a cara toda faceira e vibrante e mostraria para ele que ainda era mulher, poxa vida, ainda sou bem mulher! [...]
___ Também podia ir embora, pegar as meninas e as próprias coisas e voltar para a casa da mãe. Ou podia queimar esse doce, derrubar panela, fazer escândalo. Pedir tenência, uma mudança, alguma coisa que mostrasse que ainda estava viva, viva! Vibrante como esse cor-de-laranja borbulhando na panela. [...]

PRETTI, Thays. A mulher que ri . São Paulo: Editora Patuá, 2019.

Assinale a alternativa que descreve corretamente as três diferentes atitudes que a personagem cogita tomar.

A Cuidar de sua aparência, pedir conselhos à mãe, denunciar o marido à polícia.
B Arrumar-se para o marido, abandoná-lo, brigar com ele.
C Trair o marido, proibi-lo de ver as filhas, queimar o doce de abóbora.
D Mostrar ao marido que era mulher, expulsá-lo de casa, fazer um escândalo na rua.
E Mudar sua aparência, ir para outra cidade com as filhas, bater no marido.
Texto associado
Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último Quarto de Badulaques . Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário. O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.
Rubem Alves. Internet: (com adaptações).

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os seguintes itens.

Considerando-se os sentidos do texto, é correto afirmar que, nos dois últimos períodos, o autor faz uma reflexão sobre a dicotomia forma e conteúdo, a partir da opinião de seu amigo sobre seu texto.

C Certo
E Errado
Texto associado
Texto CG1A1-II

1 A ideia de sujeito é um legado da filosofia moderna.
Trata-se de uma das noções fundadoras do humanismo e de
alguns dos principais valores do mundo ocidental. Embora
4 encontremos referências às faculdades e disposições da
subjetividade (razão, paixões, vontades, desejos) ao longo dos
pensamentos antigo e medieval, é somente com René Descartes
7 que a noção de sujeito é constituída sob a égide de sua filosofia
da consciência. O sujeito cartesiano emerge para a filosofia
como um composto de alma e corpo, cuja atividade
10 fundamental, o pensamento, edifica as bases de todo
conhecimento possível. Com Descartes surge, pois, o sujeito
cognoscente, cuja prerrogativa fundamental consiste no uso do
13 intelecto, que, enquanto faculdade da alma, se impõe como
única via de acesso à verdade. De posse desse atributo
superior, o ser humano torna-se capaz de compreender a
16 constituição do seu corpo e apreender a realidade do mundo. O
privilégio do pensamento tem como contraponto o menosprezo
das paixões que animam a vida do indivíduo.
19 A história do pensamento demonstra, porém, que, aos
poucos, a noção de sujeito ampliou seus horizontes de
revelação. A consciência cognoscente, que definia o sujeito
22 apenas com base em sua relação com o objeto (mundo), foi
enriquecida em suas funções a partir do momento em que a
subjetividade tornou-se também reconhecida como fluxo de
25 vivências corporais e mentais. À natureza do sujeito,
constituída até então por pensamentos e intuições, foram
acrescidos percepções, sentimentos e emoções. O sujeito, em
28 sua tessitura psicológica, passou a ser representado sob a forma
de eu. O eu define o modo como percebemos, sentimos,
intuímos, decidimos, escolhemos, imaginamos, tudo que se nos
31 refere e nos afeta em nossa dimensão existencial. Esta
consciência que vive sua interioridade (identidade do eu) e
interage com o mundo é também situada no espaço onde
34 convivem outras consciências. O eu encontra aqui o seu
correlato: o outro.

Marconi Pequeno. Sujeito, autonomia e moral. In: Rosa Maria Godoy Silveira
et al. Educação em direitos humanos: fundamentos teórico-metodológicos. João
Pessoa: Editora Universitária, 2007, p. 187-8 (com adaptações).

Assinale a opção cujo conteúdo apresenta reescrita que mantém a correção gramatical e os sentidos do seguinte trecho do texto CG1A1-II: “À natureza do sujeito, constituída até então por pensamentos e intuições, foram acrescidos percepções, sentimentos e emoções.” (ℓ. 25 a 27).

A Percepções, sentimentos e emoções foram somados à natureza do sujeito, a qual se constituía até então de pensamentos e intuições.
B Ao sujeito natural, a quem até ali apenas o pensamento e as intuições conduziam, são adicionados, percepções, sentimentos e emoções.
C Percepções, sentimentos e emoções foram trazidos ao sujeito, para quem a natureza original era formada apenas por pensamentos e intuições.
D O sujeito, que a natureza fora até aquele momento constituída por pensamentos e intuições, passa a contar também com percepções, sentimentos e emoções.
E A natureza do sujeito era mantida até então por pensamentos e intuição, que foram-lhes complementado por percepções, sentimentos e emoções.