Texto CG2A2-I
1 Atribui-se ao filósofo Rousseau o uso originário da
expressão serviço público. Em um texto da obra O contrato
social , a expressão abrange qualquer atividade estatal. E o faz
4 com duas conotações: de um lado, trata-se de atividades
destinadas ao serviço do público, isto é, ações pelas quais se
assegura aos cidadãos a satisfação de uma necessidade sentida
7 coletivamente, sem que cada um tenha de atendê-la
pessoalmente; de outro, é concebida como uma atividade
estatal que sucede ao serviço do rei, porque se operou uma
10 substituição na titularidade da soberania.
Na França e nos países que sofreram sua influência,
esse conceito político de Rousseau vai extravasar para o plano
13 jurídico, com as duas mesmas notas entrelaçadas, que, por
sinal, permanecem válidas na configuração atual do conceito,
quais sejam: 1) trata-se de uma atividade estatal, não de uma
16 atividade privada; 2) trata-se de uma atuação a serviço do
público para satisfazer a uma necessidade sentida
coletivamente pela sociedade.
19 Ademais, para a captação do conceito de serviço
público, deve-se considerar ainda o fator histórico-político, o
seu surgimento em uma época presidida ideologicamente por
22 determinada concepção das relações entre Estado e sociedade
e pela separação de suas distintas esferas de atuação, que
apareceram com a Revolução Francesa.
25 A concepção predominante no século XIX, na fórmula
do Estado liberal ou Estado abstencionista, pretendia o
distanciamento do Estado em relação à vida social, econômica
28 e religiosa dos indivíduos.
Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não
interferência do Estado na sociedade; daí as reduzidas funções
31 que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e
social. Em segundo lugar, importava no antagonismo à
existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se
34 entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas,
culturais, profissionais.
Ficando o indivíduo politicamente só diante do
37 Estado, este se viu progressivamente obrigado a assumir, como
próprias, algumas tarefas que, até então, não tinham sido
consideradas estatais, por serem desenvolvidas pela sociedade
40 organicamente estruturada, ou seja, eram assumidas pela Igreja
(em todas as suas múltiplas personificações), pelas fundações,
pelas corporações, pelas universidades e por outros entes
43 representativos do corpo social.
Assim aconteceu, até meados do século XIX, com os
hoje chamados serviços públicos assistenciais e sociais, aqueles
46 que garantiam o direito do administrado à conservação da vida
e da saúde e ao aprimoramento de sua personalidade, como
beneficência, saúde e educação, que eram atividades assumidas
49 pela sociedade, embora o Estado as regulasse.
Dinorá Adelaide Mussetti Grossi. Evolução da teoria do serviço público.
Internet: (com adaptações).
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Cartilha do povo
Raimundo Santa Helena
Ninguém nasceu neste mundo
Pra sofrer e virar Santo
Deus nos fez para gozar
Mais do que derramar pranto
Mas na panela do povo
Só tem farofa de ovo
Quando almoço não janto.
E todo trabalhador
Ao teto vai ter direito
Pelo salário compatível
Pelo que faz ou foi feito
Quem lavrar terra é dono
Não haverá abandono
Para quem tiver defeito.
Contestação não é crime
Onde há Democracia.
Só ao cidadão pertence
A sua soberania.
No poder coercitivo
Jesus foi subversivo
Na versão da tirania.
Eu sou dono do meu passe
Faço arte sem patrão
Deve ser oposição
Porque lutar pelos fracos
É tatear nos buracos
Na densa escuridão.
Internet: .
O texto da literatura de cordel apresentado retrata uma situação de
Texto associado
Texto CG2A2-I
1 Atribui-se ao filósofo Rousseau o uso originário da
expressão serviço público. Em um texto da obra O contrato
social , a expressão abrange qualquer atividade estatal. E o faz
4 com duas conotações: de um lado, trata-se de atividades
destinadas ao serviço do público, isto é, ações pelas quais se
assegura aos cidadãos a satisfação de uma necessidade sentida
7 coletivamente, sem que cada um tenha de atendê-la
pessoalmente; de outro, é concebida como uma atividade
estatal que sucede ao serviço do rei, porque se operou uma
10 substituição na titularidade da soberania.
Na França e nos países que sofreram sua influência,
esse conceito político de Rousseau vai extravasar para o plano
13 jurídico, com as duas mesmas notas entrelaçadas, que, por
sinal, permanecem válidas na configuração atual do conceito,
quais sejam: 1) trata-se de uma atividade estatal, não de uma
16 atividade privada; 2) trata-se de uma atuação a serviço do
público para satisfazer a uma necessidade sentida
coletivamente pela sociedade.
19 Ademais, para a captação do conceito de serviço
público, deve-se considerar ainda o fator histórico-político, o
seu surgimento em uma época presidida ideologicamente por
22 determinada concepção das relações entre Estado e sociedade
e pela separação de suas distintas esferas de atuação, que
apareceram com a Revolução Francesa.
25 A concepção predominante no século XIX, na fórmula
do Estado liberal ou Estado abstencionista, pretendia o
distanciamento do Estado em relação à vida social, econômica
28 e religiosa dos indivíduos.
Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não
interferência do Estado na sociedade; daí as reduzidas funções
31 que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e
social. Em segundo lugar, importava no antagonismo à
existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se
34 entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas,
culturais, profissionais.
Ficando o indivíduo politicamente só diante do
37 Estado, este se viu progressivamente obrigado a assumir, como
próprias, algumas tarefas que, até então, não tinham sido
consideradas estatais, por serem desenvolvidas pela sociedade
40 organicamente estruturada, ou seja, eram assumidas pela Igreja
(em todas as suas múltiplas personificações), pelas fundações,
pelas corporações, pelas universidades e por outros entes
43 representativos do corpo social.
Assim aconteceu, até meados do século XIX, com os
hoje chamados serviços públicos assistenciais e sociais, aqueles
46 que garantiam o direito do administrado à conservação da vida
e da saúde e ao aprimoramento de sua personalidade, como
beneficência, saúde e educação, que eram atividades assumidas
49 pela sociedade, embora o Estado as regulasse.
Dinorá Adelaide Mussetti Grossi. Evolução da teoria do serviço público.
Internet: (com adaptações).
1 Atribui-se ao filósofo Rousseau o uso originário da
expressão serviço público. Em um texto da obra O contrato
social , a expressão abrange qualquer atividade estatal. E o faz
4 com duas conotações: de um lado, trata-se de atividades
destinadas ao serviço do público, isto é, ações pelas quais se
assegura aos cidadãos a satisfação de uma necessidade sentida
7 coletivamente, sem que cada um tenha de atendê-la
pessoalmente; de outro, é concebida como uma atividade
estatal que sucede ao serviço do rei, porque se operou uma
10 substituição na titularidade da soberania.
Na França e nos países que sofreram sua influência,
esse conceito político de Rousseau vai extravasar para o plano
13 jurídico, com as duas mesmas notas entrelaçadas, que, por
sinal, permanecem válidas na configuração atual do conceito,
quais sejam: 1) trata-se de uma atividade estatal, não de uma
16 atividade privada; 2) trata-se de uma atuação a serviço do
público para satisfazer a uma necessidade sentida
coletivamente pela sociedade.
19 Ademais, para a captação do conceito de serviço
público, deve-se considerar ainda o fator histórico-político, o
seu surgimento em uma época presidida ideologicamente por
22 determinada concepção das relações entre Estado e sociedade
e pela separação de suas distintas esferas de atuação, que
apareceram com a Revolução Francesa.
25 A concepção predominante no século XIX, na fórmula
do Estado liberal ou Estado abstencionista, pretendia o
distanciamento do Estado em relação à vida social, econômica
28 e religiosa dos indivíduos.
Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não
interferência do Estado na sociedade; daí as reduzidas funções
31 que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e
social. Em segundo lugar, importava no antagonismo à
existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se
34 entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas,
culturais, profissionais.
Ficando o indivíduo politicamente só diante do
37 Estado, este se viu progressivamente obrigado a assumir, como
próprias, algumas tarefas que, até então, não tinham sido
consideradas estatais, por serem desenvolvidas pela sociedade
40 organicamente estruturada, ou seja, eram assumidas pela Igreja
(em todas as suas múltiplas personificações), pelas fundações,
pelas corporações, pelas universidades e por outros entes
43 representativos do corpo social.
Assim aconteceu, até meados do século XIX, com os
hoje chamados serviços públicos assistenciais e sociais, aqueles
46 que garantiam o direito do administrado à conservação da vida
e da saúde e ao aprimoramento de sua personalidade, como
beneficência, saúde e educação, que eram atividades assumidas
49 pela sociedade, embora o Estado as regulasse.
Dinorá Adelaide Mussetti Grossi. Evolução da teoria do serviço público.
Internet: (com adaptações).
De acordo com o texto CG2A2-I, o motivo que levou o Estado a assumir tarefas antes não consideradas estatais foi
Texto associado
Texto CG1A2-I
1 A empatia é, em termos simples, a habilidade de se
colocar no lugar do outro. Por exemplo, se você, leitor, escuta
uma história sobre uma criança que teve muitos problemas de
4 saúde, que vem de uma família muito pobre, e se comove, é
possível ter dois tipos de emoção: o dó, que é a simpatia; ou
colocar-se no lugar daquela criança, imaginar o que ela passou
7 e tentar entender o que ela sentia, enxergar o panorama a partir
dos olhos dela. “É ser sensível a ponto de compreender
emoções e sentimentos de outras pessoas”, explica Rodrigo
10 Scaranari, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.
E é uma característica que pode, sim, ser aprendida —
ou, pelo menos, treinada. Para Rodrigo, o exercício passa pelo
13 autoconhecimento: para compreender a emoção do outro, é
preciso conhecer e entender o que se passa dentro da própria
cabeça. “Assim como podemos treinar os bíceps na academia,
16 e ficar mais fortes, podemos ser cada vez mais empáticos com
a prática. A plasticidade do cérebro torna isso possível”,
explica a professora Anita Nowak, pesquisadora da empatia e
19 diretora da Área de Iniciativas Sociais e Econômicas da
Universidade McGill, em Montreal.
Mas por que nos colocamos no lugar do outro? Para
22 o psicólogo, psicanalista e professor João Ângelo Fantini, da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a empatia seria
“uma forma de restabelecer um contato com um objeto de amor
25 perdido, uma parte incompreendida do sujeito”. Enxergamos
no outro uma humanidade compartilhada, sentimentos que
também temos e que são aplicados em situações
28 completamente diferentes. Por reconhecermos nós mesmos no
próximo, temos empatia.
Tal sentimento é uma via de mão dupla: beneficia não
31 só quem o desenvolve, mas também o emissor. “A empatia é,
sem dúvida nenhuma, uma das habilidades mais importantes
para que se tenha uma boa convivência social, interferindo
34 diretamente tanto no sucesso pessoal como no profissional. Ao
entender melhor as emoções e as necessidades de cada um,
temos menos dificuldades para lidar com eventuais conflitos
37 pessoais em qualquer ambiente ou situação”, afirma Rodrigo.
Juliana Contaifer e Renata Rusky. Colocando-se no lugar do outro. In: Correio
Braziliense, 1/1/2017. Internet: (com adaptações).
1 A empatia é, em termos simples, a habilidade de se
colocar no lugar do outro. Por exemplo, se você, leitor, escuta
uma história sobre uma criança que teve muitos problemas de
4 saúde, que vem de uma família muito pobre, e se comove, é
possível ter dois tipos de emoção: o dó, que é a simpatia; ou
colocar-se no lugar daquela criança, imaginar o que ela passou
7 e tentar entender o que ela sentia, enxergar o panorama a partir
dos olhos dela. “É ser sensível a ponto de compreender
emoções e sentimentos de outras pessoas”, explica Rodrigo
10 Scaranari, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.
E é uma característica que pode, sim, ser aprendida —
ou, pelo menos, treinada. Para Rodrigo, o exercício passa pelo
13 autoconhecimento: para compreender a emoção do outro, é
preciso conhecer e entender o que se passa dentro da própria
cabeça. “Assim como podemos treinar os bíceps na academia,
16 e ficar mais fortes, podemos ser cada vez mais empáticos com
a prática. A plasticidade do cérebro torna isso possível”,
explica a professora Anita Nowak, pesquisadora da empatia e
19 diretora da Área de Iniciativas Sociais e Econômicas da
Universidade McGill, em Montreal.
Mas por que nos colocamos no lugar do outro? Para
22 o psicólogo, psicanalista e professor João Ângelo Fantini, da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a empatia seria
“uma forma de restabelecer um contato com um objeto de amor
25 perdido, uma parte incompreendida do sujeito”. Enxergamos
no outro uma humanidade compartilhada, sentimentos que
também temos e que são aplicados em situações
28 completamente diferentes. Por reconhecermos nós mesmos no
próximo, temos empatia.
Tal sentimento é uma via de mão dupla: beneficia não
31 só quem o desenvolve, mas também o emissor. “A empatia é,
sem dúvida nenhuma, uma das habilidades mais importantes
para que se tenha uma boa convivência social, interferindo
34 diretamente tanto no sucesso pessoal como no profissional. Ao
entender melhor as emoções e as necessidades de cada um,
temos menos dificuldades para lidar com eventuais conflitos
37 pessoais em qualquer ambiente ou situação”, afirma Rodrigo.
Juliana Contaifer e Renata Rusky. Colocando-se no lugar do outro. In: Correio
Braziliense, 1/1/2017. Internet: (com adaptações).
No trecho ‘Assim como podemos treinar os bíceps na academia, e ficar mais fortes, podemos ser cada vez mais empáticos com a prática’ (ℓ. 15 a 17), do texto CG1A2-I,
Texto associado
Texto CG2A1-I
1 A tecnologia, especialmente a Internet, exerce grande
influência em vários segmentos do nosso dia a dia. Você já
reparou que hoje assistimos a filmes e ouvimos músicas via
4 computador e celulares com sistema operacional? Esses
exemplos são só alguns que sofrem influência das novas
tecnologias de informação e comunicação e que refletem no
7 modo como consumimos entretenimento. A praticidade que as
lojas virtuais oferecem para quem quer adquirir um produto é
outro exemplo. Graças ao comércio eletrônico, bastam alguns
10 cliques no mouse para você efetuar a sua compra.
O trânsito também é influenciado diariamente pelas
novas tecnologias. O modo como trabalham as oficinas, como
13 ensinam os centros de instrução de condutores e até como atua
a legislação na fiscalização das infrações tem relação com os
recursos proporcionados pelas ferramentas tecnológicas.
16 Graças a programas de computador avançados, a
educação no trânsito passou por alguns avanços, como, por
exemplo, a criação de um sistema de escola online , que traz
19 controle de frequência, grade de conteúdo e disponibilidade de
atividades e tarefas para alunos. Há, também, simuladores que
atuam para aperfeiçoar a prática dos alunos na direção de um
22 veículo.
Quem reside nas grandes cidades brasileiras sabe que
é possível perder horas preciosas do dia em engarrafamentos
25 intermináveis. O fato é que, quanto maior a cidade, melhor
deve ser o planejamento urbano. Assim, algumas ferramentas
da tecnologia podem dar uma mãozinha: controle de semáforos
28 por meio de sensores que percebem a presença de veículos e
regulam o funcionamento do semáforo conforme o fluxo de
tráfego, de forma a evitar o acúmulo de carros; monitoramento
31 remoto por câmeras de alta resolução com capacidade de
captar infrações às leis de trânsito, tais como não utilização de
cinto de segurança, estacionamento em local indevido e
34 excesso de velocidade; análises de tráfego (por exemplo, ruas
onde passam mais veículos de carga, horários em que
determinada via apresenta maior fluxo de veículos etc.).
37 Seja para a educação de pedestres e motoristas, seja
para quem quer iniciar um investimento no ramo automotivo,
as ferramentas tecnológicas atuais estão aí para trazer mais
40 facilidade. Portanto, se você é (ou pretende se tornar) um
profissional que atua nesse segmento, deve, sempre, estar
atualizado com as novidades tecnológicas criadas para essa
43 área.
Como a tecnologia influencia o trânsito. 19/9/2019.
Internet: (com adaptações).
1 A tecnologia, especialmente a Internet, exerce grande
influência em vários segmentos do nosso dia a dia. Você já
reparou que hoje assistimos a filmes e ouvimos músicas via
4 computador e celulares com sistema operacional? Esses
exemplos são só alguns que sofrem influência das novas
tecnologias de informação e comunicação e que refletem no
7 modo como consumimos entretenimento. A praticidade que as
lojas virtuais oferecem para quem quer adquirir um produto é
outro exemplo. Graças ao comércio eletrônico, bastam alguns
10 cliques no mouse para você efetuar a sua compra.
O trânsito também é influenciado diariamente pelas
novas tecnologias. O modo como trabalham as oficinas, como
13 ensinam os centros de instrução de condutores e até como atua
a legislação na fiscalização das infrações tem relação com os
recursos proporcionados pelas ferramentas tecnológicas.
16 Graças a programas de computador avançados, a
educação no trânsito passou por alguns avanços, como, por
exemplo, a criação de um sistema de escola online , que traz
19 controle de frequência, grade de conteúdo e disponibilidade de
atividades e tarefas para alunos. Há, também, simuladores que
atuam para aperfeiçoar a prática dos alunos na direção de um
22 veículo.
Quem reside nas grandes cidades brasileiras sabe que
é possível perder horas preciosas do dia em engarrafamentos
25 intermináveis. O fato é que, quanto maior a cidade, melhor
deve ser o planejamento urbano. Assim, algumas ferramentas
da tecnologia podem dar uma mãozinha: controle de semáforos
28 por meio de sensores que percebem a presença de veículos e
regulam o funcionamento do semáforo conforme o fluxo de
tráfego, de forma a evitar o acúmulo de carros; monitoramento
31 remoto por câmeras de alta resolução com capacidade de
captar infrações às leis de trânsito, tais como não utilização de
cinto de segurança, estacionamento em local indevido e
34 excesso de velocidade; análises de tráfego (por exemplo, ruas
onde passam mais veículos de carga, horários em que
determinada via apresenta maior fluxo de veículos etc.).
37 Seja para a educação de pedestres e motoristas, seja
para quem quer iniciar um investimento no ramo automotivo,
as ferramentas tecnológicas atuais estão aí para trazer mais
40 facilidade. Portanto, se você é (ou pretende se tornar) um
profissional que atua nesse segmento, deve, sempre, estar
atualizado com as novidades tecnológicas criadas para essa
43 área.
Como a tecnologia influencia o trânsito. 19/9/2019.
Internet: (com adaptações).
Infere-se do texto CG2A1-I que a Internet
Texto associado
Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos de uma coletividade democrática. Pois lá pelas tantas da noite, como eu pressentisse, em meu entredormir, um vulto junto à minha cama, sentei-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
Mário Quintana. In: As cem melhores crônicas brasileiras. São Paulo: Objetiva, 2007.
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os próximos itens.
— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
Mário Quintana. In: As cem melhores crônicas brasileiras. São Paulo: Objetiva, 2007.
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os próximos itens.
Infere-se do trecho “Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo” que, quando era criança, o autor do texto desconhecia o significado da palavra “mormaço”, já que imaginava tratar-se de uma pessoa.
Texto associado
Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafia correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último Quarto de Badulaques . Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” — do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário. O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário. Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.
Rubem Alves. Internet: (com adaptações).
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os seguintes itens.
Rubem Alves. Internet: (com adaptações).
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue os seguintes itens.
Depreende-se dos sentidos do texto que o vocábulo “vernáculo”, no segundo período do texto, refere-se à variante popular rural da língua portuguesa falada no Brasil.
Texto associado
Texto CG2A1-I
1 A tecnologia, especialmente a Internet, exerce grande
influência em vários segmentos do nosso dia a dia. Você já
reparou que hoje assistimos a filmes e ouvimos músicas via
4 computador e celulares com sistema operacional? Esses
exemplos são só alguns que sofrem influência das novas
tecnologias de informação e comunicação e que refletem no
7 modo como consumimos entretenimento. A praticidade que as
lojas virtuais oferecem para quem quer adquirir um produto é
outro exemplo. Graças ao comércio eletrônico, bastam alguns
10 cliques no mouse para você efetuar a sua compra.
O trânsito também é influenciado diariamente pelas
novas tecnologias. O modo como trabalham as oficinas, como
13 ensinam os centros de instrução de condutores e até como atua
a legislação na fiscalização das infrações tem relação com os
recursos proporcionados pelas ferramentas tecnológicas.
16 Graças a programas de computador avançados, a
educação no trânsito passou por alguns avanços, como, por
exemplo, a criação de um sistema de escola online , que traz
19 controle de frequência, grade de conteúdo e disponibilidade de
atividades e tarefas para alunos. Há, também, simuladores que
atuam para aperfeiçoar a prática dos alunos na direção de um
22 veículo.
Quem reside nas grandes cidades brasileiras sabe que
é possível perder horas preciosas do dia em engarrafamentos
25 intermináveis. O fato é que, quanto maior a cidade, melhor
deve ser o planejamento urbano. Assim, algumas ferramentas
da tecnologia podem dar uma mãozinha: controle de semáforos
28 por meio de sensores que percebem a presença de veículos e
regulam o funcionamento do semáforo conforme o fluxo de
tráfego, de forma a evitar o acúmulo de carros; monitoramento
31 remoto por câmeras de alta resolução com capacidade de
captar infrações às leis de trânsito, tais como não utilização de
cinto de segurança, estacionamento em local indevido e
34 excesso de velocidade; análises de tráfego (por exemplo, ruas
onde passam mais veículos de carga, horários em que
determinada via apresenta maior fluxo de veículos etc.).
37 Seja para a educação de pedestres e motoristas, seja
para quem quer iniciar um investimento no ramo automotivo,
as ferramentas tecnológicas atuais estão aí para trazer mais
40 facilidade. Portanto, se você é (ou pretende se tornar) um
profissional que atua nesse segmento, deve, sempre, estar
atualizado com as novidades tecnológicas criadas para essa
43 área.
Como a tecnologia influencia o trânsito. 19/9/2019.
Internet: (com adaptações).
1 A tecnologia, especialmente a Internet, exerce grande
influência em vários segmentos do nosso dia a dia. Você já
reparou que hoje assistimos a filmes e ouvimos músicas via
4 computador e celulares com sistema operacional? Esses
exemplos são só alguns que sofrem influência das novas
tecnologias de informação e comunicação e que refletem no
7 modo como consumimos entretenimento. A praticidade que as
lojas virtuais oferecem para quem quer adquirir um produto é
outro exemplo. Graças ao comércio eletrônico, bastam alguns
10 cliques no mouse para você efetuar a sua compra.
O trânsito também é influenciado diariamente pelas
novas tecnologias. O modo como trabalham as oficinas, como
13 ensinam os centros de instrução de condutores e até como atua
a legislação na fiscalização das infrações tem relação com os
recursos proporcionados pelas ferramentas tecnológicas.
16 Graças a programas de computador avançados, a
educação no trânsito passou por alguns avanços, como, por
exemplo, a criação de um sistema de escola online , que traz
19 controle de frequência, grade de conteúdo e disponibilidade de
atividades e tarefas para alunos. Há, também, simuladores que
atuam para aperfeiçoar a prática dos alunos na direção de um
22 veículo.
Quem reside nas grandes cidades brasileiras sabe que
é possível perder horas preciosas do dia em engarrafamentos
25 intermináveis. O fato é que, quanto maior a cidade, melhor
deve ser o planejamento urbano. Assim, algumas ferramentas
da tecnologia podem dar uma mãozinha: controle de semáforos
28 por meio de sensores que percebem a presença de veículos e
regulam o funcionamento do semáforo conforme o fluxo de
tráfego, de forma a evitar o acúmulo de carros; monitoramento
31 remoto por câmeras de alta resolução com capacidade de
captar infrações às leis de trânsito, tais como não utilização de
cinto de segurança, estacionamento em local indevido e
34 excesso de velocidade; análises de tráfego (por exemplo, ruas
onde passam mais veículos de carga, horários em que
determinada via apresenta maior fluxo de veículos etc.).
37 Seja para a educação de pedestres e motoristas, seja
para quem quer iniciar um investimento no ramo automotivo,
as ferramentas tecnológicas atuais estão aí para trazer mais
40 facilidade. Portanto, se você é (ou pretende se tornar) um
profissional que atua nesse segmento, deve, sempre, estar
atualizado com as novidades tecnológicas criadas para essa
43 área.
Como a tecnologia influencia o trânsito. 19/9/2019.
Internet: (com adaptações).
Conclui-se do texto CG2A1-I que
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
No 5 o parágrafo, o autor
Texto associado
ENTÃO, ADEUS!
Lygia Fagundes Telles
Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:
— Vejo que aprecia essas imagens antigas — sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: – Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?
Solícito e trêmulo foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos… Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.
— Volte sempre — pediu-me.
— Impossível — eu disse. — Não moro aqui, mas, em todo o caso, quem sabe um dia… — acrescentei sem nenhuma esperança.
— E então, até logo! — ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.
Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?… “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!…
Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerálas nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.
— Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.
Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. “Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”
Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.
Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.
— Boa noite!
Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.
— Que coincidência… — balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer.— Eu não esperava vê-lo… tão cedo.
Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com a minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.
Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho…”
Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:
— Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?
Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para o velhinho lá na ponta da mesa.
— Ah, não sei… Antes eu sabia, mas agora já não sei.
Disponível em:
Acesso em: 06 jul. 2020.
Lygia Fagundes Telles
Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:
— Vejo que aprecia essas imagens antigas — sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: – Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?
Solícito e trêmulo foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos… Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.
— Volte sempre — pediu-me.
— Impossível — eu disse. — Não moro aqui, mas, em todo o caso, quem sabe um dia… — acrescentei sem nenhuma esperança.
— E então, até logo! — ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.
Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?… “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!…
Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerálas nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.
— Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.
Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. “Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”
Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.
Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.
— Boa noite!
Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.
— Que coincidência… — balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer.— Eu não esperava vê-lo… tão cedo.
Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com a minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.
Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho…”
Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:
— Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?
Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para o velhinho lá na ponta da mesa.
— Ah, não sei… Antes eu sabia, mas agora já não sei.
Disponível em:
Acesso em: 06 jul. 2020.