QuestLab Plataforma Inteligente de Questões
Banco público de questões

Questões para Concursos

Pesquise questões reais por disciplina, assunto, tópico, banca, órgão, cargo, ano e modalidade.

Questões por banca

29 bancas disponíveis. Clique para visualizar todas.

Encontre as questões que procura
Limpar filtros
231 questões encontradas
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 11, leia o texto.

A primeira lembrança que tenho da cidade, do Recife, é de um Carnaval. Eu, muito menino, preso em um carro que corria pela praça Maciel Pinheiro desviando dos foliões, ia para o Hospital Português onde meu avó convalescia. Certamente que não foi nessa hora que compreendi, mas nesse momento passei a conviver com uma urbe de contradições, alegrias e tristezas, sonhos e desilusões.
Vivendo no interior, a cidade me chegava pelo relato dos cronistas, dos escritores. Um deles falava da Estrada dos Remédios cercada por mangueiras. E fui descobrindo os segredos vividos sob os telhados seculares dos sobrados, a miséria oculta pelas folhas dos mangues, pelas paredes precárias dos mocambos, a glória da piedade resvalando nas grossas paredes das Igrejas. Mecanismo vivo e contraditório, Recife tinha, e ainda tem, poesia.
Sempre que ali desembarcava -e até hoje isso acontece — batia-me a sensação de pertencimento. “Sou do Recife com orgulho e com saudade”, solfejava Antônio Maria em meus ouvidos. Quando, enfim, cheguei para viver na cidade, na Boa Vista, já conhecia a intimidade dos mistérios de suas ruas. Tudo me chegara pela literatura, pelos relatos históricos e ficcionais, mas caminhando por suas vielas e avenidas, atravessando os rios, as pontes, descobri que um mistério nunca se revela plenamente.
Foi tentando desvendar a esfinge que a cidade do Recife foi transformada em cenário por mim para o romance “Não me empurre para os perdidos". Um escritor estrangeiro, em junho de 1924, percorre as ruas da cidade procurando os sentidos da modernidade que os intelectuais tanto discutem no Café Continental, na esquina da Lafayete. Mesmo depois de todo trabalho, à Recife continua em mim como algo onírico. Sim, ele é coisa de se pegar, é concreto, mas para ser pleno é preciso vivê-lo.

(Adaptado de: MELO JÚNIOR, Maurício. Nexo Jornal. Disponível em: https:/wwnanexojornal.com.br )

Com base no texto, a relação do autor com Recife ao longo do tempo é a de quem

A considera Recife uma cidade sem mistérios.
B acha que Recife perdeu sua poesia com o tempo.
C descobriu a cidade através de relatos jornalísticos.
D pensa não ser pertinente à cidade de Recife.
E conheceu a cidade por experiências pessoais e literárias.
Órgão: Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes Cargo: Assistente - Área: Suporte à Gestão Prova: FCC - Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes - Assistente - Área: Suporte à Gestão - 2024
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 6, baseie.se no texto abaixo.

A Ilha do Conhecimento e o Oceano do Desconhecido

A totalidade do nosso conhecimento acumulado constitui uma ilha, que eu chamo de "Ilha do Conhecimento". Por "conhecimento" refiro-me principalmente ao conhecimento científico e tecnológico, embora a Ilha também possa incluir as criações artísticas e culturais da humanidade no decorrer da história. A Ilha do Conhecimento é cercada por um vasto oceano, o inexplorado "Oceano do Desconhecido" onde, inevitavelmente, ocultam-se os inúmeros mistérios.
Imaginemos então que a Ilha do Conhecimento cresce a cada vez que descobrimos algo mais sobre o mundo e sobre nós. Muitas vezes, esse crescimento faz um percurso incerto, refletido na região costeira da Ilha, cuja geografia dramática representa a fronteira entre o conhecido e o desconhecido. Considere-se ainda que o conhecimento pode até retroceder, quando ideias que achávamos corretas têm de ser abandonadas à luz de novas descobertas.
O crescimento da Ilha tem uma consequência tão surpreendente quanto essencial. Seria razoável supor que. quanto mais sabemos sobre o mundo, mais perto estaríamos de um destino final, que alguns chamam de Teoria de Tudo e outros de realidade última. No entanto vemos que quando a Ilha do Conhecimento cresce, nossa ignorância também cresce, delimitada pelo perímetro da Ilha, a fronteira entre o conhecido e o desconhecido: aprender mais sobre o mundo não nos aproxima de um destino final - cuja existência não passa de uma suposição alimentada por esperanças infundadas -, mas, sim, leva a novas perguntas e mistérios. Quanto mais sabemos, melhor nos damos conta de nossa ignorância e mais perguntas somos capazes de fazer, perguntas que, previamente, nem poderiam ter sido sonhadas.
O impulso criativo, o desejo que temos de sempre querer saber mais, vem justamente da atração pelo mistério, da compulsão que temos de ir além das fronteiras do conhecido. O alargamento da Ilha do Conhecimento é também um alargamento do Oceano do Desconhecido. O não saber é a musa do saber.

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 14 e 22-23)

Entre o que chama de "Ilha do Conhecimento" e "Oceano do Desconhecido", o autor do texto estabelece uma relação na qual esses dois elementos

A devem conservar-se independentes para que um cientista se valha do mérito próprio de cada um.
B opõem-se diametralmente, de modo a constituírem saberes que se negam para poderem evoluir solitariamente.
C dialogam fraternalmente para poderem atingir um mesmo ponto de excelência cientifica e tecnológica.
D excluem-se de modo determinante, o que toma inoperante qualquer projeto cientifico que busque associá-los.
E têm sua dimensão ampliada numa proporção de crescimento que se revela comum a ambos.
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 4, baseie-se no texto abaixo.

"Fala, amendoeira"
Este oficio de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção á natureza. Abrindo a janela, o cronista pousou a vista nas árvores, que estavam todas verdes, menos uma. Essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira! - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:
- Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data que as folhinhas assinalam o equinócio de outono. Cumpro meu dever de árvore.
- E vais outoneando sozinha?
- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação da primavera, e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga, uma suspeita de inverno.
- Somos todos assim.
- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que Já não é clara, mas ainda não se diluí em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.
-Não me entristeça.
- Não, querido, sou tua árvore da guarda e simbolizo teu outono pessoa/. Quero apenas que outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá ás frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves ... Outoniza-te com dignidade, meu velho.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.. p. 13-14)

O texto se constrói na forma de um diálogo, no qual

A a natureza se apresenta como uma força inteiramente alheia à realidade existencial do sensível cronista.
B o cronista e a natureza se identificam plenamente por conta da simplicidade que marca ambos os temperamentos.
C o cronista encontra na natureza uma exata correspondência com a natureza de seu caráter pessoal.
D o gênero da crônica é visto como ideal para se imaginar a natureza para muito além de sua manifestação física.
E a natureza e o cronista consideram a aproximação e a distinção entre suas respectivas qualidades.
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.

De Rubem Braga para Vinicius de Moraes

Gosto muito da crônica que Rubem Braga publicou depois que seu amigo Vinicius de Moraes se foi. Em forma de carta, o cronista dá ao poeta notícias atualizadas sobre o Rio, as moças do Rio, a vida, a natureza em for, a chegada da primavera, as promessas no ar... E para arrematar sua despedida, diz:
— Vou ficando por aqui mais um pouco...
Esse “vou ficando” resume a contingência de todos nós, esse estado provisório que gostamos de tratar como se etemo fosse. Esse “vou ficando” soa como desculpa por ainda estar vivo O cronista melancólico diante da ausência de um ardoroso posta amigo, que tanto soube amar à vida.
Quem conheceu o velho Braga admitirá que o tempo dele foi sempre marcado por uma nostalgia profunda, dessas que existem garantindo que não tem cura. Esse “vou ficando” soa, assim, como uma espécie de resignação final de quem não alcançou o teto das expectativas e aguarda agora os protocolos do tempo implacável.
Admiro muito essas frases sintéticas, supostamente simples, mas de muitas camadas, ressonâncias e projeções A gente se abeira delas e elas vão minando água fresca, para saciar nossa sede de consolos. Agora mesmo tive vontade de dizer a todos os parentes e amigos que já partiram:
— Vou ficando mais um pouco...
Como nada mais tenho que possa lhes oferecer, fico recitando essa frase, com esse gerúndio expressivo, essa indiscrição de um vivo, essa penitência de quem fica à espera da curva depois da qual não se pode mais ficar nem um pouquinho.
(Almeida Tibinçã, a editar)

São expressões que apresentam, no contexto em que são utilizadas, sentidos semelhantes:

A nostalgia profunda Il protocolos do tempo (4º parágrafo)
B gerúndio expressivo Il fico recitando essa frase (7º parágrafo)
C contingência de todos Il estado provisório (3º parágrafo)
D soa como desculpa Il como se etemo fosse (3º parágrafo)
E cronista melancólico Il ardoroso poeta (3º parágrafo)
Órgão: Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região Cargo: Técnico Judiciário - Área: Agente da Polícia Judicial Prova: FCC - TRT 20 - Técnico Judiciário - Área: Agente da Polícia Judicial - 2024
Texto associado
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.

Leis dos homens e leis da Natureza

Enquanto as leis dos homens buscam ordenar o comportamento dos indivíduos e da sociedade como um todo, de modo a tornar a vida comunal mais segura, as leis da Natureza são deduzidas de observações de toda uma variedade de fenômenos. Da mesma forma, enquanto as leis dos homens são baseadas em valores morais que variam de cultura para cultura e conforme o decorrer do tempo, as leis da Natureza buscam uma universalidade, tentando descrever comportamentos concretos - e verificáveis — que ocorrem no espaço e no tempo.
Com isso, se para um grupo certos rituais são aceitáveis, enquanto para outro os mesmos rituais são considerados bárbaros, estrelas em todo à cosmos vêm fundindo hidrogênio em hélio seguindo as mesmas regras desde o seu aparecimento, por volta de 200 milhões de anos após o Big Bang. Se em alguns países a pena de morte é um ato imoral, enquanto em outros é instituída com um zelo quase que fanático, moléculas em trilhões de planetas e luas nesta e em outras galáxias combinam-se e recombinam-se em reações químicas que seguem as mesmas leis de conservação, de atração e repulsão entre 05 reagentes.
Às variações nas leis dos homens mostram que pouco sabemos sobre nós mesmos, e tampouco conseguimos concordar sobre quais são os valores morais universais, ou mesmo se esses existem. Por outro lado, a precisão das leis da Natureza, sua universalidade, vem inspirando muitos pensadores a usá-las como base para todas as leis, incluindo as leis dos homens. Basta lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade que caracterizou à Iluminismo. Essa busca não começou aí, existindo já bem antes do século XVIII. Consideremos, por exemplo, Platão e suas Formas Ideais: há no pensamento desse filósofo da Antiguidade, um senso de veneração com o poder da matemática, e ainda mais com o poder da mente humana, por ter concebido o que pareciam ser verdades eternas a partir da observação do comportamento da Natureza.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A Ilha do conhecimento . Rio de Janeiro: Record, 2023, 7.ed., p. 288-289)

No 1º parágrafo, argumenta-se em favor da ideia de que

A as leis humanas potenciam as leis da Natureza quando imbuídas de um propósito de universalidade.
B a vigência temporal das leis dos homens é o que essencialmente as distingue das leis naturais.
C os códigos das leis humanas buscam organizar e disciplinar toda uma variedade de fenômenos.
D o caráter verificável de comportamentos concretos é um componente característico das leis naturais.
E nas diferentes culturas variam os valores morais com base na variação mesma dos valores naturais.
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 6 a 8, baseie-se no texto abaixo.
Virando esquinas
Como não há linha reta continua na vida, virar esquinas é obrigatório. A cada momento, uma decisão a tomar: para este lado ou para o outro? E numa encruzilhada de múltiplas vias tudo se complica ainda mais: virar pra onde?
Uma vez tomada a decisão, logo surge outra esquina, à necessidade de uma nova decisão. E assim vamos costurando nosso caminho, de esquina em esquina, por vezes escolhendo, outras vezes sendo tocados pela rajada de um vento súbito, ou por empurrão de gente, ou um grito de urgência, um imprevisto maroto, um tropeção na pedra.
Mas sabe O que faz falta, mesmo, nessa trajetória de tantos cotovelos e torções? É poder voltar pelo caminho e escolher esquinas descartadas. Dar-se uma nova chance. Revisar escolhas feitas.
Ah, refazer o roteiro já cumprido, nem que fosse apenas para saber o que poderia haver nas direções não tomadas. Mas quem determinou nossos roteiros implacáveis parece querer nos consolar, quando abre espaço nas ruas dos nossos sonhos mais imaginosos. Nesses sonhos, revisitamos cada esquina virada pra saber o que havia na contramão dela, estamos prontos para uma nova aventura, e aí acordamos, dando fim ao consolo .
(Tércio de Mendonça, a editar)

Hã uma oposição de sentido entre estes dois segmentos textuais:

A refazer o roteiro já cumprido // nossos roteiros implacáveis (4º parágrafo)
B revisitamos cada esquina // estamos prontos para uma nova aventura (4º parágrafo)
C não há linha reta continua na vida // virar esquinas é obrigatório (1º parágrafo)
D logo surge outra esquina // a necessidade de uma nova decisão (2º parágrafo)
E É poder voltar pelo caminho // Dar-se uma nova chance (3º parágrafo)
Órgão: Companhia de Gás da Bahia Cargo: Analista de Processos Organizacionais - Área: Administração Prova: FCC - BAHIAGÁS - Analista de Processos Organizacionais - Área: Administração - 2024
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 5 a 8, baseie-se no texto abaixo.

"Que menino especula!"
Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: — Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino "especula" não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: — Mas perguntar não ofende...
Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um speculum, que fixavam no chão apontado para o alto. Na superfície plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astrônomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrônomos foram grandes especulas.
Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o princípio mesmo da inquirição filosófica.
Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, do tempo cósmico, do destino das esferas — coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os eternos meninos especulas.
(Alceblades Villanova, a editar)

Ao longo do tempo, a compreensão do termo especula, para o autor do texto,

A desde sempre lhe pareceu abonadora, pois o distinguia de todos os outros meninos.
B esmoreceu e perdeu a expressão, quando ele confirmou a raiz mesma de seu sentido.
C manteve-se tão somente no sentido que lhe davam os que o acusavam quando menino.
D foi assimilada como uma acusação progressiva, mesmo quando já era elogiosa.
E desdobrou•se em sentidos vários, culminando por ser o reconhecimento de uma virtude.
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 4, baseie-se no texto abaixo.

"Fala, amendoeira"
Este oficio de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção á natureza. Abrindo a janela, o cronista pousou a vista nas árvores, que estavam todas verdes, menos uma. Essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira! - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:
- Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data que as folhinhas assinalam o equinócio de outono. Cumpro meu dever de árvore.
- E vais outoneando sozinha?
- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação da primavera, e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga, uma suspeita de inverno.
- Somos todos assim.
- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que Já não é clara, mas ainda não se diluí em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.
-Não me entristeça.
- Não, querido, sou tua árvore da guarda e simbolizo teu outono pessoa/. Quero apenas que outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá ás frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves ... Outoniza-te com dignidade, meu velho.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.. p. 13-14)

Caso o autor do texto optasse pelo uso do discurso indireto, o segmento Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal adotaria a seguinte redação:
A árvore me contestou dizendo que

A tal como um exemplo meu, seu outono era também manifesto e exclusivo.
B em mim, por exemplo, a quem achava outonal, o outono era manifesto e exclusivo.
C a exemplo de mim, o outono era manifesto e exclusivo, tão outonal quanto eu.
D teu outono, por exemplo, sendo manifesto e exclusivo, acho bem outonal.
E teu exemplo, manifesto e exclusivo, ela achava suficientemente outonal.
Texto associado
Atenção: Leia o texto para responder às questões de números 1 a 6.

Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome.
Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial), que podem nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça.
Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. Por que somos tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria? Muitas tradições ao longo da história acreditaram que temos alguma imperfeição fatal que desperta a tentação de buscar poderes com que não sabemos lidar.

(HARARI, Yuval. Nexus. Companhia das Letras, edição digital. Adaptado)

Está gramaticalmente correta a redação do seguinte comentário a respeito das ideias do texto:

A Muitas opções haveriam, para mitigar os efeitos nocivos da crise climática se escolhêssemos cooperar mutuamente.
B Causam questionamentos o fato de que o homo sapiens, com milênios de existência ainda não tenha delineado um futuro alentador.
C Não se devem considerar menos efetiva que as dos nossos ancestrais a suscetibilidade humana a fantasias e ilusões.
D Opõe-se aos benefícios advindos dos investimentos em novas tecnologias a ampliação dos arsenais de destruição em massa.
E Cabem a diversas tradições adotadas ao longo da história, explicitar a tese de que o ser humano é dotado de imperfeições cabais.
Órgão: Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região Cargo: Analista Judiciário - Área Tecnologia da Informação Prova: FCC - TRT 20 - Analista Judiciário - Área Tecnologia da Informação - 2024
Texto associado
Atenção: Leia o texto para responder às questões de números 1 a 6.

Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome.
Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial), que podem nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça.
Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. Por que somos tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria? Muitas tradições ao longo da história acreditaram que temos alguma imperfeição fatal que desperta a tentação de buscar poderes com que não sabemos lidar.

(HARARI, Yuval. Nexus. Companhia das Letras, edição digital. Adaptado)

No texto, a reiterada referência a descobertas, invenções e conquistas alicerça a ideia do autor de que,

A como consequência delas, o homo sapiens se fez merecedor desta alcunha.
B a seu próprio tempo, elas apontarão para as soluções da crise climática.
C para apreendê-las, é preciso compreender os eventos que as precederam.
D por causa delas, a inteligência artificial irá sanar dúvidas humanas existenciais.
E a despeito delas, a existência humana está sob ameaça.