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São características da atuação dos Jesuítas no Brasil colonial:

A a vida em mosteiros com rígida disciplina interna; o empenho na educação cristã, abarcando a alfabetização de indígenas
e africanos; a criação e administração de Universidades católicas.
B o estabelecimento de missões em regiões com potencial de exploração econômica, como as drogas do sertão; a defesa
dos indígenas ante os ataques dos bandeirantes; a formação da elite colonial segundo princípios iluministas.
C a expansão das fronteiras do território português; a conversão de judeus ao cristianismo segundo as leis inquisitoriais; a
pacificação dos conflitos intertribais, sob a justificativa da Guerra Justa.
D a mobilidade dentro do território; a preocupação com a conversão dos indígenas ao catolicismo; o estabelecimento de
colégios em várias cidades da Colônia, como o Colégio da Bahia.
E a pregação e a manutenção da fé cristã entre os colonizadores; o combate à escravidão, sobretudo a de negros; e o cultivo
e exportação da cana de açúcar nas missões.

Considere abaixo o trecho do Hino da Inconfidência Baiana.

Igualdade e liberdade / No sacrário da Razão / ao lado da Sã Justiça / Preenchem meu coração / (...) Se este dogma for seguido
(...) e assim que florescido / tem na América a Nação / Assim flutue o pendão dos franceses / que a imitaram / depois que
afoitos, entraram / no sacrário da Razão.

(Apud MOURA, Clóvis. Dicionário da Escravidão Negra no Brasil. Edusp, 2004, p. 205)

O trecho revela as seguintes influências da chamada Inconfidência Baiana (1798), também conhecida como Conjuração Baiana
e Revolta dos Búzios:

A o Império Napoleônico e o positivismo, escola que cultuava a ciência como Razão universal.
B a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, e a Justiça praticada pela Maçonaria, como exemplos da defesa da
igualdade em nome da Razão.
C a Revolução Francesa e o iluminismo, corrente que cultuava a Razão como valor universal.
D a Revolução Pernambucana e o nacionalismo como exemplos de libertação racional dos povos contra a escravidão e o
colonialismo.
E o liberalismo e a religião calvinista, crença que considerava Deus como símbolo da Justiça e da Razão.

Em seu conhecido artigo publicado em 1992 sobre a relação entre história e memória (A história, cativa da memória?), Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses rejeita o senso comum que associa a memória a mecanismo de registro e retenção de informações.
Para o autor,

A a história confunde-se com a memória, pois ambas são operações ideológicas e processos psicossociais de representação do mundo.
B a memória está enraizada no passado, e seu legado, na contemporaneidade, é representado pelas instituições de custódia de documentos, como os museus, arquivos e organismos congêneres.
C a memória nacional é a somatória das memórias de diferentes grupos que, em razão de seus frágeis laços de coesão interna, acabam por se integrar à grande comunidade da nação.
D uma espécie de militância da memória como bandeira política tem estimulado movimentos sociais e mobilizado historiadores em torno de certas práticas, a exemplo da chamada história oral.
E a amnésia social é fruto da queima sistemática de arquivos e do descaso a que são relegados os bens culturais e o patrimônio histórico de determinado país.

No debate historiográfico, vários autores sustentam a tese de que, apesar de autoritário e repressivo, o Estado Novo brasileiro não pode ser considerado tipicamente fascista, pois lhe faltava

A um movimento miliciano controlado pelas Forças Armadas, uma polícia política organizada e uma política expansionista.
B um partido de massas oficial organizado em nível nacional, o investimento na formação de milícias paramilitares e uma política colonialista ou imperialista sobre os outros países.
C uma política ostensiva de propaganda de massas, uma constituição autoritária e o controle do Estado pelos altos oficiais do Exército.
D uma ideologia nacionalista, um partido único e centralizador e o uso do terror de Estado contra os oponentes.
E uma ideologia nacionalista, um partido únicoum ditador com amplos poderes, a instalação de campos clandestinos de concentração e o uso da censura sistemática nos meios de comunicação.

Em história, tudo começa com o gesto de separar e reunir, transformando-os em documentos, determinados objetos antes dispostos de outra maneira. A frase utilizada por Michel de Certeau no livro A escrita da história (Paris, 1975) significa que

A o historiador quebra a ordem natural das coisas para colocar em seu lugar uma narrativa sobre o passado.
B é o historiador que, ao mesmo tempo em que confere estatuto documental a certos elementos, faz com que respondam a suas indagações.
C objetos tridimensionais, emblemáticos da cultura material de determinada sociedade, constituem importante fonte de pesquisa para o historiador.
D os documentos de arquivo, obedientes à lógica dos órgãos produtores, não se sujeitam aos arranjos feitos pelo historiador.
E a pesquisa histórica tem caráter aleatório, desobrigando o historiador de justificar suas opções metodológicas.

No processo de afirmação da História como disciplina científica, no século XIX,

A aceitava-se como “verdade sobre o passado” as memórias comunitárias orais que eram transcritas pelos historiadores e transformadas em documentos oficiais de Arquivo de historiadores.
B predominava o documento escrito de caráter oficial como forma de conhecer os fatos ocorridos, em detrimento das formas de narrativa oral e comunitária sobre o passado.
C considerava-se a memória como uma ciência auxiliar da história científica, à medida em que ajudava a elucidar o conteúdo dos documentos escritos, prática que deu origem à Paleografia.
D valorizava-se a memória comunitária como base alternativa à história oficial dos Estados-Nação que surgiram no século XIX.
E defendia-se que história e memória tinham uma relação de completude, sendo a memória oral e coletiva utilizada para preencher as lacunas narrativas do discurso científico da história.

Costuma-se fazer a distinção entre arquivos, bibliotecas e museus a partir das diferenças observadas em suas funções primárias, nos mecanismos que adotam para a constituição dos respectivos acervos, na natureza e características predominantes dos documentos que possuem e no tipo de abordagem a que os submetem. Nesse processo comparativo, é correto afirmar:

A Os documentos de bibliotecas e museus têm caráter contingente.
B Nos arquivos predominam exemplares múltiplos.
C Os documentos de arquivo formam coleções representativas das linhas temáticas do órgão de origem.
D Transferência e recolhimento são mecanismos próprios dos museus históricos.
E Os livros e periódicos de uma biblioteca científica têm estatuto documental congênito.

Apesar do pioneirismo de Alcântara Machado na utilização de inventários como fonte para a história (Vida e morte do bandeirante foi publicado em 1929), é nas décadas de 1960 e 1970, em razão das novas tendências da historiografia, que os pesquisadores brasileiros passam a utilizar os arquivos judiciais de modo mais sistemático. Tal fenômeno está relacionado com

A a própria natureza dos processos judiciais, cuja estrutura dialógica põe em cena litigantes de diferentes extratos sociais e estimula uma multiplicidade de versões e abordagens.
B o abandono e o descrédito de fontes discursivas e generalizantes, como a legislação, os relatórios administrativos e os relatos de viajantes.
C a criação dos cursos superiores de Arquivologia, formando bacharéis que passaram a produzir instrumentos de acesso aos arquivos do Poder Judiciário.
D as recomendações do Conselho Internacional de Arquivos e dos organismos que o representam no Brasil: associações profissionais e Conselho Nacional de Arquivos (Conarq).
E a Lei de Acesso à Informação, liberando os arquivos dos órgãos judiciais dos prazos de confidencialidade e de sigilo que incidiam sobre a grande maioria dos processos por eles acumulados.

Em Apologia da história, depois de afirmar que o modelo das ciências da natureza não se aplica à história, Marc Bloch discorre sobre a especificidade da ciência dos homens no tempo e defende a ideia de que cabe ao historiador

A render-se à evidência dos documentos, submetendo-os às críticas interna e externa.
B descrever, o mais fielmente possível, os acontecimentos do passado.
C formular perguntas aos documentos e forçá-los a dar respostas.
D isolar o tempo presente de seu universo de preocupações e referências.
E eximir-se de interpretar os vestígios do passado, evitando toda e qualquer subjetividade.