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A noticiabilidade é um conceito fundamental para o jornalismo, pois se refere aos critérios utilizados pelas redações para selecionar e hierarquizar os acontecimentos que serão transformados em notícia. Entre esses critérios se destacam a relevância social, a atualidade, a proximidade (geográfica ou cultural), o impacto, o ineditismo e o interesse público, entre outros. No entanto, a definição de quais fatos merecem cobertura e destaque não é um processo meramente técnico: envolve valores jornalísticos, pressões de mercado e perspectivas políticas e éticas. Assim, compreender o que torna um evento “noticiável” exige um olhar crítico sobre as rotinas produtivas e as implicações sociais do jornalismo. Considere que a editoria de um grande jornal receba uma denúncia sobre a possível contaminação no sistema de abastecimento de água de uma pequena cidade do interior. A fonte afirma que uma substância química, liberada por uma fábrica local, estaria se infiltrando e em lençóis freáticos, com potencial de causar doenças graves a longo prazo. Ao mesmo tempo, a redação está voltada à cobertura de uma crise política que mobiliza as atenções em nível nacional. Diante desse cenário, os editores debatem se a notícia local sobre contaminação tem “peso” suficiente para disputar espaço com o noticiário político já em curso. Com base nos critérios de noticiabilidade, para decidir se a pauta sobre a suposta contaminação na água deverá ser publicada e como ela poderá ser enquadrada, é necessário:

A Optar por não publicar a matéria sobre contaminação, pois, apesar de o tema ter relevância local, ele não gera grande audiência e não compete com a intensidade de uma crise política nacional.
B Publicar imediatamente a notícia baseada apenas em depoimentos iniciais, pois qualquer alerta de risco à saúde justifica a divulgação urgente, dispensando investigações adicionais ou contraprovas.
C Centrar a cobertura nos possíveis embates legais entre a fábrica e o governo municipal, deixando de lado a análise dos riscos sanitários, pois conflitos entre autoridades e empresas têm maior capacidade de atrair repercussão nacional.
D Considerar não apenas a localização geográfica e o tamanho do público afetado, mas também a dimensão de potencial impacto social; avaliar a gravidade das consequências para a saúde coletiva, a possibilidade de conflito com interesses econômicos e o interesse público subjacente, de modo a decidir pela publicação com apuração sólida e cruzamento de fontes.

A ideia de “interesse público” costuma ser apontada como o fundamento ético e social do jornalismo. Porém, há debates que questionam até que ponto as produções jornalísticas, sobretudo em ambientes competitivos e comerciais, conseguem de fato priorizar questões relevantes para a coletividade. Entre o que interessa ao público (aquilo que desperta curiosidade ou audiência) e o que é efetivamente de interesse público (temas que impactam direitos, deveres, políticas e responsabilidade social) há uma tensão contínua. Além disso, fatores como a influência de grupos econômicos ou políticos e a busca por audiência podem desvirtuar o compromisso com a cidadania. Considerando os desafios que envolvem a definição e a prática do interesse público no jornalismo, expressa uma compreensão teórica e prática consistente sobre essa categoria fundamental da profissão:

A O interesse público coincide integralmente com aquilo que o público quer consumir, prescindindo de qualquer mediação ética ou reflexiva por parte dos jornalistas.
B Toda matéria que denuncie ilegalidades ou escândalos políticos se enquadra automaticamente em interesse público, independentemente da forma ou dos efeitos sociais de sua divulgação.
C As redações não devem se preocupar com o interesse público, pois a audiência já determina se a cobertura é relevante ou não para a sociedade, tornando desnecessário qualquer tipo de avaliação editorial sobre o tema.
D O interesse público se constitui a partir de um processo de negociação entre as demandas coletivas, a responsabilidade jornalística de buscar a verdade e a necessidade de ponderar valores como privacidade, dignidade humana e relevância social.

Em seu livro Teoria do Jornalismo , Felipe Pena

( 2005 ) retoma autores clássicos para apresentar os valores-notícia que impactam a produção jornalística cotidiana. Ele apresenta cinco opções de categorias: substantivas, relativas ao produto, à concorrência, ao público e ao meio de informação. A categoria relativa à concorrência refere-se

A à quantidade e notoriedade das pessoas envolvidas em um determinado acontecimento.
B à capacidade de um fato ser relevante para o interesse nacional ou gerar interesse humano.
C à facilidade de acesso ao local do ocorrido ou às fontes capazes de esclarecer o contexto de um determinado fato.
D a informações de interesse público, como campanhas vacinais, onde se candidatar a vagas de emprego ou como obter documentação.
E a informações exclusivas capazes de gerar expectativas e atrair o público para o conteúdo do veículo noticioso.

Assinale a alternativa que melhor caracteriza a teoria organizacional do jornalismo.

A Afirmar que uma notícia é uma estória não a torna fictícia.
B Na produção das notícias, os jornalistas, representando as empresas, colocam-se à disposição das fontes noticiosas.
C O jornalista deve informar, procurar a verdade, doa a quem doer.
D O jornalista deve interpretar o fato de acordo com seus valores.
E O primeiro mecanismo que promove o conformismo é a socialização do redator no que diz respeito às normas de seu trabalho.

Sobre o processo de produção noticiosa, SEABRA

( 2018 ) nos explica: “(...) a notícia nasce de uma pauta, passa pelas mãos do repórter e/ou do redator e chega ao editor. A ele cabe decidir se a notícia será aproveitada, ou como será aproveitada. Essa decisão em geral obedece a “critérios técnicos” (não perguntem quais, pois cada veículo tem os seus). Se o editor decidir que tal notícia será aproveitada, ela receberá um tratamento de praxe para ficar no formato do veículo.” Nesse contexto, o editor desempenha o papel de

A Pauteiro.
B Ombusdman.
C Gatewatcher.
D CMO da publicação.
E Gatekeeper.