O QUE VIVI AO FICAR PRESO NO ELEVADOR
Por Ton Paulo – 20 novembro 2019
As portas do elevador estacionado no térreo já se fechavam quando, numa corrida rápida, coloco o braço no rumo do sensor a tempo de fazê-las reabrirem. Entro ainda ofegante no cubículo vazio, não sem antes soltar um “que sorte!” em voz baixa.
Sou apaixonado por elevadores vazios. O intervalo do térreo até o andar escolhido é sempre o momento oportuno do dia para dar uma ajeitada no cabelo no espelho, olhar as mensagens ainda não visualizadas e respirar. Mas não hoje.
O elevador parou no meu andar, o 25º, mas as portas não se abriram. Espero, estranhando o delay, e nada. Alguns instantes depois, o ventilador de teto para. Era isso: eu estava preso em um elevador enguiçado.
Desato a tocar o interfone, mas, no lugar de uma voz humana, só recebo uma luzinha que pisca insistentemente. Do nada, me vem a palavra “claustrofobia” – do latim, claustro phobos : medo de lugares fechados. Eu não tinha aquilo, mas sentia que meus pulmões já puxavam o ar de maneira irregular.
Sento, levanto, sento novamente, dou voltas só de meias dentro do cubículo de metal. Exatos uma hora e cinquenta minutos se passam até que um funcionário abre a porta, com o elevador já no térreo e me encontra no chão abraçado às minhas pernas. Ainda um pouco trêmulo e puxando o ar com força, caminho até a recepcionista: “Onde ficam as escadas mesmo?”
Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/o-que-vivi-ao-ficar-preso-no-elevador-221327/. Acesso em: 20 maio 2023.
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Texto associado
Texto 10A1-II
O emprego mais comum e cotidiano do termo gramática diz respeito a um tipo de livro, em geral, volumoso, que consultamos quando temos dúvidas na redação de um trabalho. Na biblioteca escolar, as gramáticas costumam ficar no acervo de referência, i.e., fazem parte do conjunto de obras de consulta a que nós, leitores/alunos, temos acesso, localizadas perto das mesas de trabalho.
O objetivo dessas obras não se restringiu à ajuda apenas na redação de textos mais cuidados. É o que se depreende da divisa “ensinar a falar e a escrever corretamente”. Em qualquer situação, na fala ou na escrita, aquelas formas recomendadas na gramática deveriam ser as formas utilizadas.
Ao começarmos o curso de Letras, o termo gramática se torna bem mais frequente – mas aquele significado do tempo da escola não parece fazer sentido nos artigos científicos que temos de ler, nem no que ouvimos nas aulas de Linguística. É porque, na maioria das vezes, o significado é outro mesmo. Isso acontece com parte da terminologia empregada nos estudos linguísticos: parte dela tem origem no mundo antigo, e seu significado foi mudando ao longo dos séculos. Gramática está nesse grupo.
Maria Carlota Rosa. Uma viagem com a Linguística: um panorama para iniciantes [recurso eletrônico]. São Paulo: Pá de Palavra, 2022, p. 74 (com adaptações).
O emprego mais comum e cotidiano do termo gramática diz respeito a um tipo de livro, em geral, volumoso, que consultamos quando temos dúvidas na redação de um trabalho. Na biblioteca escolar, as gramáticas costumam ficar no acervo de referência, i.e., fazem parte do conjunto de obras de consulta a que nós, leitores/alunos, temos acesso, localizadas perto das mesas de trabalho.
O objetivo dessas obras não se restringiu à ajuda apenas na redação de textos mais cuidados. É o que se depreende da divisa “ensinar a falar e a escrever corretamente”. Em qualquer situação, na fala ou na escrita, aquelas formas recomendadas na gramática deveriam ser as formas utilizadas.
Ao começarmos o curso de Letras, o termo gramática se torna bem mais frequente – mas aquele significado do tempo da escola não parece fazer sentido nos artigos científicos que temos de ler, nem no que ouvimos nas aulas de Linguística. É porque, na maioria das vezes, o significado é outro mesmo. Isso acontece com parte da terminologia empregada nos estudos linguísticos: parte dela tem origem no mundo antigo, e seu significado foi mudando ao longo dos séculos. Gramática está nesse grupo.
Maria Carlota Rosa. Uma viagem com a Linguística: um panorama para iniciantes [recurso eletrônico]. São Paulo: Pá de Palavra, 2022, p. 74 (com adaptações).
Predomina no texto 10A1-II
Texto associado
Leia o seguinte texto e responda às questões
49 e 50.
Agenda para a noite de núpcias
“Senhora Presidente:
Na qualidade de futuro Diretor-Gerente das
empresas dirigidas por V. S., e também na
qualidade de seu futuro genro, submeto à sua
apreciação a seguinte:
Agenda para a Noite de núpcias
1. Os trabalhos terão início às vinte horas na
suíte 1.102 do Hotel Real Navarino. Trata-se de
hotel, e de aposento, habitualmente escolhido por
nubentes para a noite de núpcias. O apartamento
é simpático e acolhedor; há música ambiental,
suave e romântica; uma reprodução de Maja
Desnuda proporciona, particularmente para quem
vem de um ambiente culto e refinado, como é o
caso de sua filha, um sutil estímulo erótico.
Providenciarei champanhe, e do melhor; entrando,
proporei de imediato um brinde. Pretendo que o
efeito inebriante da bebida elimine qualquer
inibição ainda presente na noiva.
2. A seguir, usarei a palavra, fazendo um breve,
mas emocionado retrospecto de um namoro
apaixonado, um noivado ardente; evocarei cenas
pitorescas ou ternas, cômicas ou dramáticas; ao
concluir, abraçarei a noite, declarando
enfaticamente que a amo.
3. Beijar-nos-emos. O beijo será muito
prolongado, da variedade conhecida como ‘de
língua’ na qual, modéstia à parte, sou mestre. Com
este beijo tenho despertado poderosas paixões,
inclusive nas mais frígidas. Ao final desse beijo,
pode V. S. crer, sua filha estará gemendo de
prazer.
4. Seguir-se-á a operação de retirada das
roupas. Ajudá-la-ei, transformando este momento
numa ocasião para carícias e elogios: aos belos
seios, à graciosa cintura, às coxas, que de acordo
com Lorca, compararei a peixes movendo-se na
semi-obscuridade. Em seguida me despirei. Ela
poderá constatar que seu noivo é uma bela figura
de macho, alto, forte, bronzeado; e se, ao avistar
o membro viril, soltar uma pequena exclamação,
será, não de susto, mas sim de excitação.
5. Folguedos amorosos. Tomarei a iniciativa,
começando por pequenos e úmidos beijos no
pescoço, na nuca, nas orelhinhas; e nos seios.
Demorar-me-ei a explorar a ponta da língua os
delicados mamilos, passando depois à sucção o
que arrancará a ela, estou seguro, numerosos e
repetidos gemidos de prazer. Descendo,
prosseguirei, via ventre, nos pequenos lábios, que
serão acariciados e sugados. Ela então se renderá
completamente e a levarei nos braços até a cama.
Com a experiência acumulada de muitos anos (em
camas, bancos de automóveis e macegas)
decidirei sobre o momento oportuno para a
penetração.
6. Cópula. Será o momento culminante do
programa. Tenho para mim que será uma cópula
arrebatadora, uma torrente de paixão rompendo
as comportas para, em meio a gemidos de prazer,
culminar num cataclísmico orgasmo: triunfo do
amor!
Cópula realizada, direi, ainda que ofegante,
breves palavras sobre os belos momentos vividos.
Repetirei que a amo, que a amo. E então sono
reparador.
Para a segunda noite, a agenda será
ligeiramente alterada, com introdução de novos
tipos de folguedo, e assim na terceira e na quarta
noites (na quinta não haverá atividades). Ao cabo
de meses um padrão acabará por se estabelecer,
e tudo cairá na rotina. O noivo, contudo, aguardará
ansioso a oportunidade de novas experiências:
outra boca a se beijar, outras coxas a acariciar.
Boca e coxas que poderão ser as suas Senhora
Presidente.”
Retirado de: SCLIAR, Moacyr. Contos reunidos. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995.
49 e 50.
Agenda para a noite de núpcias
“Senhora Presidente:
Na qualidade de futuro Diretor-Gerente das
empresas dirigidas por V. S., e também na
qualidade de seu futuro genro, submeto à sua
apreciação a seguinte:
Agenda para a Noite de núpcias
1. Os trabalhos terão início às vinte horas na
suíte 1.102 do Hotel Real Navarino. Trata-se de
hotel, e de aposento, habitualmente escolhido por
nubentes para a noite de núpcias. O apartamento
é simpático e acolhedor; há música ambiental,
suave e romântica; uma reprodução de Maja
Desnuda proporciona, particularmente para quem
vem de um ambiente culto e refinado, como é o
caso de sua filha, um sutil estímulo erótico.
Providenciarei champanhe, e do melhor; entrando,
proporei de imediato um brinde. Pretendo que o
efeito inebriante da bebida elimine qualquer
inibição ainda presente na noiva.
2. A seguir, usarei a palavra, fazendo um breve,
mas emocionado retrospecto de um namoro
apaixonado, um noivado ardente; evocarei cenas
pitorescas ou ternas, cômicas ou dramáticas; ao
concluir, abraçarei a noite, declarando
enfaticamente que a amo.
3. Beijar-nos-emos. O beijo será muito
prolongado, da variedade conhecida como ‘de
língua’ na qual, modéstia à parte, sou mestre. Com
este beijo tenho despertado poderosas paixões,
inclusive nas mais frígidas. Ao final desse beijo,
pode V. S. crer, sua filha estará gemendo de
prazer.
4. Seguir-se-á a operação de retirada das
roupas. Ajudá-la-ei, transformando este momento
numa ocasião para carícias e elogios: aos belos
seios, à graciosa cintura, às coxas, que de acordo
com Lorca, compararei a peixes movendo-se na
semi-obscuridade. Em seguida me despirei. Ela
poderá constatar que seu noivo é uma bela figura
de macho, alto, forte, bronzeado; e se, ao avistar
o membro viril, soltar uma pequena exclamação,
será, não de susto, mas sim de excitação.
5. Folguedos amorosos. Tomarei a iniciativa,
começando por pequenos e úmidos beijos no
pescoço, na nuca, nas orelhinhas; e nos seios.
Demorar-me-ei a explorar a ponta da língua os
delicados mamilos, passando depois à sucção o
que arrancará a ela, estou seguro, numerosos e
repetidos gemidos de prazer. Descendo,
prosseguirei, via ventre, nos pequenos lábios, que
serão acariciados e sugados. Ela então se renderá
completamente e a levarei nos braços até a cama.
Com a experiência acumulada de muitos anos (em
camas, bancos de automóveis e macegas)
decidirei sobre o momento oportuno para a
penetração.
6. Cópula. Será o momento culminante do
programa. Tenho para mim que será uma cópula
arrebatadora, uma torrente de paixão rompendo
as comportas para, em meio a gemidos de prazer,
culminar num cataclísmico orgasmo: triunfo do
amor!
Cópula realizada, direi, ainda que ofegante,
breves palavras sobre os belos momentos vividos.
Repetirei que a amo, que a amo. E então sono
reparador.
Para a segunda noite, a agenda será
ligeiramente alterada, com introdução de novos
tipos de folguedo, e assim na terceira e na quarta
noites (na quinta não haverá atividades). Ao cabo
de meses um padrão acabará por se estabelecer,
e tudo cairá na rotina. O noivo, contudo, aguardará
ansioso a oportunidade de novas experiências:
outra boca a se beijar, outras coxas a acariciar.
Boca e coxas que poderão ser as suas Senhora
Presidente.”
Retirado de: SCLIAR, Moacyr. Contos reunidos. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995.
Atentando-se para o narrador e o foco
narrativo do conto “Agenda para a noite
de núpcias”, é correto afirmar que esse
conto possui, respectivamente:
Texto associado
“O último baobá”, conheça a lenda
africana
sobre o renascimento da
esperança
Ninguém
acreditava mais nas antigas lendas. Os
narradores que se sentavam embaixo do baobá
a
desemaranhar longas histórias, protegidos
pelas estrelas, já tinham partido quando a
areia chegou.
As
palavras
estavam caladas.
Ninguém mais
acreditava em um céu protetor. África era um
enorme lençol amarelo. A areia, grão a grão,
tinha construído um grande deserto.
Interminável. Ninguém percebeu, ou ninguém
quis se dar conta.
A
desolação chegou
em silêncio. Aconteceu quando os glaciais se
esvaneceram em uma queixa interminável,
quando os ursos e as baleias se converteram
em recordação, quando as águias perderam o
rumo.
O céu, cansado da torpeza da
humanidade, se
refugiou em outro céu, mais distante. Fugiu.
Não podia mais proteger a terra.
O velho
tinha visto
as pessoas partirem, os mais jovens em
direção ao norte, os mais fracos em direção
à
escuridão.
Sentiu uma nostalgia distante o
invadir
lentamente. O velho narrador, embaixo do
último baobá, contou uma lenda antiga.
Nela,
falava do nascimento das estrelas, da
luz, do mundo… Mas não havia ninguém mais
disposto a escutar um velho prosador. Olhou
em torno, procurando algum ouvido. África,
rio amarelo, estava rodeada de silêncio.
Buscou uma estrela perdida, no céu só havia
escuridão.
O
velho apoiou as costas cansadas no tronco
dolorido do baobá. Casca com casca. Pele
rachada, alma dolorida.
A árvore da vida estremeceu. O vento
dava
rajadas contra a areia carbonizada. Tinha
que
partir. Sabia que tudo se acabava. O último
baobá e a última voz da África iriam embora
juntos. Abriu o punho. Trêmulo, contemplou a
semente diminuta que havia guardado tanto
tempo. A semente da esperança.
Olhou a
árvore. Era
o momento. Não se pode atrasar a retirada.
Separou a
areia até
chegar à terra. Virou a mão e, pela linha da
vida, girou a semente até encontrar um
sulco.
O baobá
havia
aberto a casca e do oculto coração brotou a
água milagrosa. A árvore era a vida.
O velho
voltou a fazer
crescer baobás grandiosos como gigantes que
beijavam as nuvens. Agora, sobre os
escritórios, nos telhados, sobre as avenidas
e os trens; nos beirais, sobre comércios,
bancos e ministérios crescem trepadeiras
coloridas. Embaixo delas, está escondida a
destruição como uma lembrança dolorosa.
Adaptado de
https://www.revistapazes.com/o-ultimo-baoba-
conheca-a-lenda-africana-sobre-o-
renascimento-da-esperanca/
africana
sobre o renascimento da
esperança
Ninguém
acreditava mais nas antigas lendas. Os
narradores que se sentavam embaixo do baobá
a
desemaranhar longas histórias, protegidos
pelas estrelas, já tinham partido quando a
areia chegou.
As
palavras
estavam caladas.
Ninguém mais
acreditava em um céu protetor. África era um
enorme lençol amarelo. A areia, grão a grão,
tinha construído um grande deserto.
Interminável. Ninguém percebeu, ou ninguém
quis se dar conta.
A
desolação chegou
em silêncio. Aconteceu quando os glaciais se
esvaneceram em uma queixa interminável,
quando os ursos e as baleias se converteram
em recordação, quando as águias perderam o
rumo.
O céu, cansado da torpeza da
humanidade, se
refugiou em outro céu, mais distante. Fugiu.
Não podia mais proteger a terra.
O velho
tinha visto
as pessoas partirem, os mais jovens em
direção ao norte, os mais fracos em direção
à
escuridão.
Sentiu uma nostalgia distante o
invadir
lentamente. O velho narrador, embaixo do
último baobá, contou uma lenda antiga.
Nela,
falava do nascimento das estrelas, da
luz, do mundo… Mas não havia ninguém mais
disposto a escutar um velho prosador. Olhou
em torno, procurando algum ouvido. África,
rio amarelo, estava rodeada de silêncio.
Buscou uma estrela perdida, no céu só havia
escuridão.
O
velho apoiou as costas cansadas no tronco
dolorido do baobá. Casca com casca. Pele
rachada, alma dolorida.
A árvore da vida estremeceu. O vento
dava
rajadas contra a areia carbonizada. Tinha
que
partir. Sabia que tudo se acabava. O último
baobá e a última voz da África iriam embora
juntos. Abriu o punho. Trêmulo, contemplou a
semente diminuta que havia guardado tanto
tempo. A semente da esperança.
Olhou a
árvore. Era
o momento. Não se pode atrasar a retirada.
Separou a
areia até
chegar à terra. Virou a mão e, pela linha da
vida, girou a semente até encontrar um
sulco.
O baobá
havia
aberto a casca e do oculto coração brotou a
água milagrosa. A árvore era a vida.
O velho
voltou a fazer
crescer baobás grandiosos como gigantes que
beijavam as nuvens. Agora, sobre os
escritórios, nos telhados, sobre as avenidas
e os trens; nos beirais, sobre comércios,
bancos e ministérios crescem trepadeiras
coloridas. Embaixo delas, está escondida a
destruição como uma lembrança dolorosa.
Adaptado de
https://www.revistapazes.com/o-ultimo-baoba-
conheca-a-lenda-africana-sobre-o-
renascimento-da-esperanca/
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Texto associado
Texto CB3A1-I
1 ____ O maior desafio do Poder Judiciário no Brasil é
tornar-se cada vez mais acessível às pessoas, até mesmo
a quem não pode arcar com o custo financeiro de um processo.
4 De um modo amplo, o acesso à justiça significa a garantia de
amparo aos direitos do cidadão por meio de uma ordem
jurídica justa e, caso tais direitos sejam violados, a
7 possibilidade de ele buscar a devida reparação. Para tornar
efetivo esse direito fundamental e popularizá-lo, foram feitas
várias mudanças na lei ao longo dos anos. Esse movimento de
10 inclusão é conhecido como ondas renovatórias. Atualmente, já
se fala no surgimento da quarta onda, que está relacionada aos
avanços da tecnologia.
13 ___ Na primeira onda renovatória, buscou-se superar as
barreiras econômicas do acesso à justiça. No Brasil, as medidas
para garantir a assistência judiciária a quem não pode arcar
16 com as custas de um processo ou ser assistido por um
advogado particular foram efetivadas principalmente pela
Lei n.º 1.060, de 1950, e pela criação da Defensoria Pública da
19 União, em 1994, que atende muitos segurados do INSS que
têm de recorrer ao Poder Judiciário para conseguir um benefício.
A segunda onda renovatória enfrentou os desafios de
22 tornar o processo judicial acessível a interesses coletivos, de
grupos indeterminados, e não apenas limitado a ser um
instrumento de demandas individuais. Para assegurar a tutela
25 dos direitos difusos, que dizem respeito à sociedade em geral,
foram criados instrumentos para estimular a democracia
participativa. Os principais avanços ocorreram com a entrada
28 em vigor da Lei da Ação Civil Pública, em 1985, e do Código
de Defesa do Consumidor, em 1990, que, conjuntamente,
formaram o microssistema processual para assegurar os
31 interesses da população.
A terceira onda encorajou uma ampla variedade de
reformas na estrutura e na organização dos tribunais, o que
34 possibilitou a simplificação de procedimentos e,
consequentemente, do processo. Entendeu-se que cada tipo de
conflito tem uma forma adequada de solução: a decisão final
37 para uma controvérsia pode ser tomada por um juiz, árbitro ou
pelas próprias partes, com ou sem o auxílio de terceiros
neutros, como mediadores e conciliadores.
40 ___ Hoje, na quarta onda renovatória, a chamada
revolução digital e suas mudanças rápidas aceleraram a
engrenagem judicial. Esse processo de transição do analógico
43 para o digital não se resume apenas à virtualização dos
tribunais com a chegada do processo eletrônico. As tecnologias
da informação e comunicação oferecem infinitas possibilidades
46 para redesenhar o que se entende por justiça.
As plataformas digitais de solução de conflitos
popularizaram serviços antes tidos como caros e pouco
49 acessíveis. Hoje existe até a oferta de experiências de cortes
online , nas quais as pessoas têm acesso aos tribunais com um
clique, sem sair de casa.
Mariana Faria. O que tecnologia tem a ver com acesso à justiça? 13/6/2018. Internet: (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto CB3A1-I, julgue os itens a seguir.
1 ____ O maior desafio do Poder Judiciário no Brasil é
tornar-se cada vez mais acessível às pessoas, até mesmo
a quem não pode arcar com o custo financeiro de um processo.
4 De um modo amplo, o acesso à justiça significa a garantia de
amparo aos direitos do cidadão por meio de uma ordem
jurídica justa e, caso tais direitos sejam violados, a
7 possibilidade de ele buscar a devida reparação. Para tornar
efetivo esse direito fundamental e popularizá-lo, foram feitas
várias mudanças na lei ao longo dos anos. Esse movimento de
10 inclusão é conhecido como ondas renovatórias. Atualmente, já
se fala no surgimento da quarta onda, que está relacionada aos
avanços da tecnologia.
13 ___ Na primeira onda renovatória, buscou-se superar as
barreiras econômicas do acesso à justiça. No Brasil, as medidas
para garantir a assistência judiciária a quem não pode arcar
16 com as custas de um processo ou ser assistido por um
advogado particular foram efetivadas principalmente pela
Lei n.º 1.060, de 1950, e pela criação da Defensoria Pública da
19 União, em 1994, que atende muitos segurados do INSS que
têm de recorrer ao Poder Judiciário para conseguir um benefício.
A segunda onda renovatória enfrentou os desafios de
22 tornar o processo judicial acessível a interesses coletivos, de
grupos indeterminados, e não apenas limitado a ser um
instrumento de demandas individuais. Para assegurar a tutela
25 dos direitos difusos, que dizem respeito à sociedade em geral,
foram criados instrumentos para estimular a democracia
participativa. Os principais avanços ocorreram com a entrada
28 em vigor da Lei da Ação Civil Pública, em 1985, e do Código
de Defesa do Consumidor, em 1990, que, conjuntamente,
formaram o microssistema processual para assegurar os
31 interesses da população.
A terceira onda encorajou uma ampla variedade de
reformas na estrutura e na organização dos tribunais, o que
34 possibilitou a simplificação de procedimentos e,
consequentemente, do processo. Entendeu-se que cada tipo de
conflito tem uma forma adequada de solução: a decisão final
37 para uma controvérsia pode ser tomada por um juiz, árbitro ou
pelas próprias partes, com ou sem o auxílio de terceiros
neutros, como mediadores e conciliadores.
40 ___ Hoje, na quarta onda renovatória, a chamada
revolução digital e suas mudanças rápidas aceleraram a
engrenagem judicial. Esse processo de transição do analógico
43 para o digital não se resume apenas à virtualização dos
tribunais com a chegada do processo eletrônico. As tecnologias
da informação e comunicação oferecem infinitas possibilidades
46 para redesenhar o que se entende por justiça.
As plataformas digitais de solução de conflitos
popularizaram serviços antes tidos como caros e pouco
49 acessíveis. Hoje existe até a oferta de experiências de cortes
online , nas quais as pessoas têm acesso aos tribunais com um
clique, sem sair de casa.
Mariana Faria. O que tecnologia tem a ver com acesso à justiça? 13/6/2018. Internet: (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto CB3A1-I, julgue os itens a seguir.
Como o texto elenca fatos ocorridos ao longo da história da
justiça brasileira, é correto classificá-lo como
predominantemente narrativo.
Texto associado
Texto CB1A1CCC
1 Os meninos deitaram-se e pegaram no sono. Sinha
Vitória pediu o binga ao companheiro e acendeu o cachimbo.
Fabiano preparou um cigarro. Por enquanto estavam
4 sossegados. Voltaram a cochichar projetos, as fumaças do
cigarro e do cachimbo misturaram-se. Fabiano insistiu nos seus
conhecimentos topográficos, falou no cavalo de fábrica.
7 Ia morrer na certa, um animal tão bom. Se tivesse vindo com
eles, transportaria a bagagem. Ia morrer o amigo, num canto de
cerca, vendo os urubus chegarem banzeiros, saltando, os bicos
10 ameaçando-lhe os olhos. A lembrança das aves medonhas, que
ameaçavam com os bicos pontudos os olhos de criaturas vivas,
horrorizou Fabiano. Sinha Vitória percebeu-lhe a inquietação
13 na cara torturada e levantou-se, acordou os filhos, arrumou os
picuás. Fabiano retomou o carrego. Pouco a pouco uma vida
nova, ainda confusa, se foi esboçando. Fabiano estava contente
16 e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem
onde era. E andavam para o sul, metidos naquele sonho.
Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em
19 escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Chegariam a
uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela.
E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão
22 mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano,
Sinha Vitória e os dois meninos.
Graciliano Ramos. Vidas Secas.
Acerca dos sentidos do texto CB1A1CCC, julgue os itens subsequentes.
1 Os meninos deitaram-se e pegaram no sono. Sinha
Vitória pediu o binga ao companheiro e acendeu o cachimbo.
Fabiano preparou um cigarro. Por enquanto estavam
4 sossegados. Voltaram a cochichar projetos, as fumaças do
cigarro e do cachimbo misturaram-se. Fabiano insistiu nos seus
conhecimentos topográficos, falou no cavalo de fábrica.
7 Ia morrer na certa, um animal tão bom. Se tivesse vindo com
eles, transportaria a bagagem. Ia morrer o amigo, num canto de
cerca, vendo os urubus chegarem banzeiros, saltando, os bicos
10 ameaçando-lhe os olhos. A lembrança das aves medonhas, que
ameaçavam com os bicos pontudos os olhos de criaturas vivas,
horrorizou Fabiano. Sinha Vitória percebeu-lhe a inquietação
13 na cara torturada e levantou-se, acordou os filhos, arrumou os
picuás. Fabiano retomou o carrego. Pouco a pouco uma vida
nova, ainda confusa, se foi esboçando. Fabiano estava contente
16 e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem
onde era. E andavam para o sul, metidos naquele sonho.
Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em
19 escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Chegariam a
uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela.
E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão
22 mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano,
Sinha Vitória e os dois meninos.
Graciliano Ramos. Vidas Secas.
Acerca dos sentidos do texto CB1A1CCC, julgue os itens subsequentes.