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O texto a seguir refere-se às questões de 12 a 17.

ENTREVISTA COM O PROFESSOR, EDUCADOR E FILÓSOFO MARIO SERGIO CORTELLA

Cada vez mais a aprendizagem ocorre fora do espaço escolar. O que é preciso fazer para conquistar o aluno quando tudo fora da escola parece mais interessante?
Vou te dizer uma coisa que parece óbvia: Ninguém deixa de se interessar por aquilo que interessa. Nós temos de saber o que interessa ao aluno para, a partir daí, chegar ao que é necessário. É preciso conhecer o universo circunstancial dos alunos: as músicas que eles estão ouvindo, o que estão assistindo de programas e vendo de desenho animado, para chegar à seleção do conteúdo científico necessário. Temos de partir do universo vivencial que o aluno carrega para chegar até aquilo que de fato é necessário acumular como cultura produzida pela humanidade. Hoje, a escola não pode ser extremamente abstrata, como no meu tempo. O conteúdo tem de ser conectado com o dia a dia.
[...]
Conversando com pais e professores, a impressão é de que estão insatisfeitos. As famílias se queixam das escolas e as escolas, dos pais. O que acontece?
Antes de mais nada, não estamos diante do crime perfeito, em que só há vítimas. Temos autor também. E essa autoria é multifacetada. A escola foi soterrada nos últimos 30 anos com uma série de ocupações que ela não dá conta – e não dará. Em uma sociedade em que os adultos passaram a se ausentar da convivência com as crianças, seja por conta do excesso de trabalho, da distância nas megalópoles ou da falta de paciência para conviver com aqueles que têm menos idade, a escola ficou soterrada de tarefas. A escola passou a ser vista como um espaço de salvação.
[...]

Adaptado de: https://colegiopalavraviva.com.br/entrevistas/entrevistacom-o-professor-educador-e-filosofo-mario-sergio-cortella/. Acesso em: 24 fev. 2022.

Em “As famílias se queixam das escolas e as escolas, dos pais.”, qual é a função da vírgula?

A Sinalizar uma pausa maior.
B Separar termos coordenados.
C Indicar a elipse de um verbo.
D Isolar um adjunto adverbial.
E Demarcar uma expressão explicativa.
Texto associado
CIÊNCIA E A PERCEPÇÃO INTUITIVA DAS CRIANÇAS

Drauzio Varella

A dificuldade para aceitar fatos científicos é universal na espécie humana. Por isso, por exemplo, tanta gente não sai de casa antes de ler o horóscopo.
Em artigo publicado na revista Science, Paul Bloom e Deena Weisberg, que pertencem ao Departamento de Psicologia da Universidade de Yale, atribuem essa dificuldade a duas características psicológicas das crianças: a primeira, diz respeito ao que elas sabem, e a segunda, a como elas aprendem, conforme os estudos que foram desenvolvidos pelos pesquisadores.
Hoje sabemos que o cérebro das crianças está longe de ser um livro em branco. Bebês de um ano possuem noções claras sobre o mundo físico e o universo das relações sociais. Da mesma forma, percebem que as pessoas respondem a estímulos físicos e sociais, agem e reagem segundo seus objetivos e de acordo com as emoções daquele momento.
Se de um lado tais intuições infantis servem como ponto de partida para entender o universo racional, de outro podem chocar-se com qualquer evidência experimental que esteja em desacordo com elas.
Por exemplo, a percepção de que os objetos caem no chão, adquirida na mais tenra idade, pode dificultar a aceitação de que a Terra é esférica. Como as pessoas situadas no lado oposto não despencam? Apenas aos oito ou nove anos de idade é que esse conceito se torna compreensível.
Em sua ingenuidade, as crianças tendem a achar que tudo foi criado para atender a determinada finalidade, propensão chamada de teleologia promíscua. Para quem tem quatro anos, as borboletas foram feitas para voar, as flores para embelezar, os cachorros para guardar a casa e os golfinhos para fazer acrobacias.
No futuro, essa característica poderá se tornar incompatível com a ideia de que a vida surgiu por acaso e que chegou até nós através da seleção natural.
O caso do dualismo entre cérebro e mente é didático. Para as crianças, parte considerável da vida mental nada tem a ver com o sistema nervoso. Na fase pré-escolar, elas consideram o cérebro responsável pela execução de tarefas como resolver problemas de matemática ou descobrir como funciona um brinquedo, mas imaginam que ele nada tenha a ver com os sentimentos e a imaginação.
Numa experiência clássica, alunos da pré-escola foram colocados diante da questão: “O que aconteceria se um cérebro humano fosse transplantado para um porco?” A maioria respondeu que o animal ficaria muito inteligente, mas que conservaria os desejos e a vida mental de um porco.
A crença nesse dualismo representará um obstáculo para aceitar a lógica de que a vida mental emerge a partir de eventos físico-químicos.
Na vida adulta, avaliar a lógica de uma teoria nem sempre está a nosso alcance. Quantos são capazes de julgar se existe coerência entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica, ou avaliar a profundidade das ideias de Darwin e Wallace?
Para fazê-lo, os adultos geralmente se baseiam na credibilidade dos que defendem essas ideias. A criança faz o mesmo. Aos quatro ou cinco anos, ela já sabe que um adulto merece mais crédito quando sua opinião é conflitante com a de outra criança. E que, numa competição de resultado incerto, o contendor que reconhece ter perdido merece mais crédito do que aquele que se declara vencedor.
Esses estudos sugerem que a resistência ao pensamento científico surge nas crianças, quando as evidências se chocam com suas expectativas intuitivas, e que essa resistência poderá ser reforçada na vida adulta.
Adaptado de: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/ciencia-e-apercepcao-intuitiva-das-criancas-artigo/. Acesso em: 30 jun. 2022.

Considerando os excertos retirados do texto “Ciência e a percepção intuitiva das crianças”, assinale a alternativa correta.

A No período “Paul Bloom e Deena Weisberg, que pertencem ao Departamento de Psicologia da Universidade de Yale, atribuem essa dificuldade a duas características psicológicas das crianças [...]”, o uso das vírgulas justifica-se por separar uma oração explicativa.
B No período “Bebês de um ano possuem noções claras sobre o mundo físico e o universo das relações sociais.”, o verbo destacado estabelece concordância com o sujeito posposto “noções claras”.
C Nas frases “O caso do dualismo entre cérebro e mente é didático .” e “Quantos são capazes de julgar se existe coerência entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica [...]”, as palavras destacadas podem ser substituídas sem prejuízo semântico, respectivamente, por: instrutivo, avaliar e discrepância.
D Na oração “ Quantos são capazes de julgar se existe coerência entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica [...]” (parágrafo 11 do texto “Ciência e a percepção intuitiva das crianças”), o referente do pronome destacado é “alunos”.
E Por se tratar de um artigo, o texto “Ciência e a percepção intuitiva das crianças” tem predominância da função conativa da linguagem.
Órgão: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte Cargo: Analista Legislativo - Área Administração Prova: Instituto AOCP - ALE RN - Analista Legislativo - Área Administração - 2022
Texto associado
SAÚDE MENTAL NO TRABALHO

“Trabalhe enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem”. Muito provavelmente você já ouviu essa e outras expressões semelhantes, indicando que, quanto mais trabalharmos, maior será nosso sucesso e nossa prosperidade na vida.
Porém, você já parou para pensar sobre as implicações de uma vida em que a centralidade está no trabalho? Já observou como muitas vezes as pessoas estão exaustas, sem energia para atividades de lazer ou mesmo para estar com amigos e família?
Essa lógica produtivista, em que as pessoas se tornam seus chefes (e, por vezes, seus piores carrascos), ignora que há sempre uma condição de possibilidade (social, material, cultural) para o alcance de certos objetivos e daquilo que a sociedade considera como sucesso. Além disso, produz, com frequência, adoecimento nos ambientes laborais, sem estimular que as pessoas questionem a que condições de trabalho estão submetidas e o quanto o estilo de vida laboral pode impactar em sua saúde de modo global.

Como cuidar da saúde mental no trabalho?

É importante que as empresas pensem em práticas que considerem, na medida do possível, a singularidade de cada sujeito, visando contemplar suas necessidades e características, tornando as condições de trabalho favoráveis ao bem-estar.
Entre essas práticas, estão, por exemplo, a flexibilização da jornada de trabalho, incluindo possibilidade de home office e de saídas para cuidados com a saúde, como consultas médicas e psicoterapia, ou até mesmo períodos para oferecer cuidados à família, quando necessário, sem que haja prejuízos ao trabalhador.
Também podem ser pensadas ações para o enfrentamento de dinâmicas negativas e punitivas no ambiente, estimulando que os trabalhadores se sintam confiantes em participar das decisões que impactam diretamente em suas atividades e também em seu bem-estar.
Por fim, é fundamental trabalhar as relações entre gestores e colegas, para que se crie um ambiente mais cooperativo e menos competitivo, incentivando que haja constituição, alinhamento e reforço constante de um projeto coletivo de trabalho.

Adaptado de: https://conscienciapsicologia.com.br/saude-mentalno-trabalho%ef%bf%bc/. Acesso em: 3 jun. 2022.

Assinale a alternativa em que a(s) vírgula(s) pode(m) ser omitida(s) sem que isso cause prejuízo sintático ao excerto.

A “Essa lógica produtivista, em que as pessoas se tornam seus chefes [...]”.
B “[...] incentivando que haja constituição, alinhamento [...]”.
C “[...] e, por vezes, seus piores carrascos [...]”.
D “[...] estão, por exemplo, a flexibilização da jornada de trabalho [...]”.
E “[...] social, material, cultural [...]”.
Texto associado
O Texto a seguir refere-se aos itens 1 a 15.
g
ELES NÃO APRENDEM
g
Estudo monitora psicopatas condenados por
crimes violentos e descobre que eles respondem
mal a penalizações como forma de aprendizado
g
O neurologista norte-americano James Fallon já estudava há décadas o cérebro de pacientes diagnosticados com distúrbios psíquicos quando ficou sabendo de seis assassinatos na família de seu pai. Decidiu, então, fazer uma tomografia, e, ao analisar o resultado, encontrou características semelhantes às apresentadas por psicopatas. “Minha mãe teve quatro abortos espontâneos, então, quando cheguei, me trataram como um garoto de ouro. Se tivesse sido tratado normalmente, talvez fosse hoje meio barra-pesada”, ele diz.
Fallon agora se reconhece como psicopata. Ele faz parte da corrente que acredita que é possível diagnosticar a psicopatia a partir de anomalias no cérebro, teoria ainda contestada por parte da comunidade médica, mas que acaba de ganhar um reforço importante. Um estudo feito pela Universidade de Montreal e pelo King’s College London analisou 12 homens condenados por conduta violenta e diagnosticados clinicamente como psicopatas e outros 20 condenados pelo mesmo motivo, mas diagnosticados apenas como antissociais. Eles jogaram uma espécie de jogo da memória enquanto estavam dentro de uma máquina de ressonância magnética. As regras eram alteradas com frequência, e a ideia era justamente observar como eles se adaptavam a essas mudanças – errar é uma forma de aprendizado, já que o cérebro costuma entender a mensagem, representada no jogo pela perda de pontos, e deixa de repetir o padrão que levou à punição.
Os psicopatas tiveram mais dificuldades que os antissociais para aprender com as penalidades, e duas áreas do cérebro apresentaram comportamentos anormais. “Nosso estudo desafia a visão de que psicopatas têm baixa sensibilidade neural a punições”, dizem os pesquisadores. “Em vez disso, o problema é que existem alterações no sistema de processamento de informações responsável pelo aprendizado”. A expectativa é que a descoberta seja útil na busca por novos tratamentos para prevenir ações violentas.
g
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/05/psicopatas-podem-se-recuperar-ao-serem-penalizados.html. Acesso em: 16 mar. 2022.
g
Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue os seguintes itens.

Em “As regras eram alteradas com frequência, e a ideia era justamente observar como eles se adaptavam a essas mudanças [...]”, a vírgula está sendo empregada porque separa uma oração coordenada sindética aditiva.

C Certo
E Errado
Órgão: Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal Cargo: Agente Penitenciário (polícia penal) Prova: Instituto AOCP - SEAPE DF - Agente Penitenciário (polícia penal) - 2022
Texto associado
A AMIZADE É UMA REVOLUÇÃO SILENCIOSA

Thays Pretti

Na nossa sociedade, tendemos a valorizar mais as interações românticas e os laços sanguíneos do que as relações de amizade. Colocamos muita expectativa naquelas relações e, talvez por isso, elas por vezes nos frustram. Além disso, com a idealização, também acabamos tolerando coisas que não deveriam ser toleradas. Vale lembrar, nesse sentido, que a maioria das violências contra a mulher e a criança, por exemplo, ocorrem dentro desses dois espaços – o das interações românticas e o familiar.
No caso das amizades, se, por um lado, nós nem sempre as valorizamos o suficiente por supervalorizarmos esses outros tipos de relação, por outro, a amizade não é um espaço em que aceitamos tão facilmente a presença da violência (de qualquer tipo). Uma “mancada” de um amigo ou amiga – especialmente quando envolve traição ou violência – pode ser muito mais difícil de perdoar do que a de um interesse romântico, por exemplo.
Tenho conversado muito com minhas amigas sobre a importância das amizades e o quanto é fundamental que essas relações sejam mais centrais na nossa vida. A ideia de que “os amigos são a família que escolhemos” faz cada vez mais sentido para mim, até porque, mesmo quando temos muito afeto pela nossa família de sangue, os laços com os amigos se dão a partir de um nível mais sutil de identificação. É uma conexão afetiva, intelectual e – por que não dizer? – espiritual. A ligação com os amigos é uma ligação que envolve decisão, ação ativa. A relação consanguínea acontece à nossa revelia: não é uma busca, ela existe fora do nosso espaço de escolha.
Não quero dizer com isso que as relações familiares não podem ser sinceras e profundas. Frequentemente, elas também carregam muita identificação e afeto, o que é lindo. Mas nem sempre é assim, e é importante normalizar que podemos não nos dar tão bem com nossa família como nos damos com nosso círculo de amigos – e tudo bem. Partir desse princípio também nos ajuda a evitar dores e traumas nascidos dessa idealização da relação familiar.
Valorizar as amizades é valorizar esse ninho, esse abrigo que fazemos uns para os outros de modo tão despretensioso e livre. E, repito: a amizade é uma revolução silenciosa. Muito do que eu sou hoje vem das minhas interações, do meu aprendizado amoroso com os amigos e amigas que passaram e, principalmente, os que permaneceram.

Adaptado de: https://www.dicasdemulher.com.br/colunistas/aamizade-e-uma-revolucao-silenciosa/. Acesso em 3 jun. 2022.

O travessão empregado no primeiro parágrafo do texto

A indica uma exclamação.
B indica a mudança de interlocutor, em um diálogo.
C poderia ser omitido sem que isso prejudicasse a sintaxe do excerto.
D poderia ser substituído por ponto final sem que isso prejudicasse a sintaxe do excerto.
E poderia ser substituído por vírgula sem que isso prejudicasse a sintaxe do excerto.
Texto associado
Relatório da ONU sobre poluição plástica alerta sobre falsas soluções e confirma necessidade de ação global urgente

Nairobi, 21 de outubro de 2021 - Uma redução drástica do plástico desnecessário, evitável e problemático é crucial para enfrentar a crise global de poluição [...]
Acelerar a transição para energias renováveis, eliminar subsídios e adotar abordagens circulares ajudará a reduzir os resíduos plásticos na escala necessária, de acordo com o relatório Da Poluição à Solução: Uma Análise Global sobre Lixo Marinho e Poluição Plástica ( From Pollution to Solution: A Global Assessment of Marine Litter and Plastic Pollution ).
O relatório mostra que a poluição plástica é uma ameaça crescente em todos os ecossistemas, de onde a poluição se origina até o mar. O estudo destaca que a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos cresceu consideravelmente nos últimos anos e deve dobrar até 2030, com consequências terríveis para a saúde, a economia, a biodiversidade e o clima. [...]
Os autores rejeitam a possibilidade de reciclagem como uma saída para esta crise e alertam para alternativas nocivas aos produtos de uso único, tais como plásticos de base biológica ou biodegradáveis, que atualmente representam uma ameaça química semelhante aos plásticos convencionais.
O relatório analisa falhas críticas do mercado, tais como preços baixos de matérias-primas fósseis virgens versus materiais reciclados; esforços mal articulados no gerenciamento formal e informal de resíduos plásticos; e a falta de consenso sobre soluções globais. [...]
O relatório pede a redução imediata dos plásticos, incentiva a transformação de toda a cadeia de valor envolvida e indica que há necessidade de reforçar os investimentos em sistemas de monitoramento muito mais abrangentes e eficazes para identificar a origem, escala e destino do plástico, bem como o desenvolvimento de uma estrutura de risco, que atualmente não existe globalmente. [...]

Adaptado de: https://www.unep.org/pt-br/noticias-ereportagens/comunicado-de-imprensa/relatorio-da-onu-sobrepoluicao-plastica-alerta-sobre. Acesso em: 08 ago. 2022.

Considere o uso da vírgula presente no trecho “O relatório pede a redução imediata dos plásticos, incentiva a transformação de toda a cadeia de valor envolvida e indica que há necessidade de reforçar os investimentos [...]” e assinale a alternativa que justifique corretamente o uso dessa vírgula.

A Separa o vocativo de sua explicação.
B Isola o adjunto adverbial deslocado.
C Inicia orações restritivas sobre o mesmo fato.
D Intercala o sujeito sintático do verbo da oração explicativa.
E Separa elementos de mesma função sintática em uma enumeração.
Texto associado
1 ______ A compreensão da comunicação como direito
___ humano é formulação mais ou menos recente na história
___ do direito. Tal conceito foi expresso pela primeira vez em
4 __ 1969 por Jean D’Arcy, então diretor dos Serviços Visuais
___ e de Rádio no Escritório de Informação Pública da
___ Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque,
7 _ em artigo na revista EBU Review, do European Broadcasting
___ Union (EBU): “Virá o tempo em que a Declaração Universal
___ dos Direitos Humanos terá de abarcar um direito mais
10 _ amplo que o direito humano à informação, estabelecido
__ pela primeira vez 21 anos atrás no artigo 19. Trata-se
__ do direito do homem de se comunicar.”.
13 _____ Na década de 70 do século XX, o direito à
___ comunicação passou a ser discutido no âmbito da
___ Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
16 ´ - e a Cultura (UNESCO). Desde 2000, vem ganhando
___ ressonância no debate político. Primeiro na União Europeia
_ _ — o Parlamento Europeu aprovou em 2008 uma diretiva,
19 _ válida em todos os países-membros, estabelecendo limites
___ à publicidade e padrões mínimos de veiculação de conteúdo
___ independente, regional e acessível — e, em seguida,
22 ´- na América Latina, onde marcos regulatórios foram
___ aprovados na Argentina (2009), na Venezuela (2010),
___ no Equador (2013) e no Uruguai (2013).
25 _____ No Brasil, o direito à comunicação foi oficialmente
___ reconhecido pelo Estado em 2009, no Decreto n.º 7.037,
___ que instituiu a terceira edição do Programa Nacional de
28 _ Direitos Humanos (PNDH-3). Sua diretriz número 22
___ tem o condão de conciliar os conceitos de “comunicação”,
___ “informação” e “democracia”, e apresentá-los como
31 _ princípios orientadores da abordagem contemporânea dos
___ direitos humanos: “Garantia do direito à comunicação
___ democrática e ao acesso à informação para consolidação
34 _ de uma cultura em Direitos Humanos”, diz a diretriz.
___ Ao referir-se nominalmente ao “direito à comunicação”,
___ o PNDH-3 contribuiu para inaugurar uma nova etapa no
37 _ debate sobre o tema. Até então, as instituições se referiam,
___ quando muito, ao direito à informação.
Camilo Vannuchi Galaxia. São Paulo, online, ISSN 1982 – 2553, n.º 38,
maio-ago./2018, p. 167-80. Internet: (com adaptações).

No que se refere às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens que se seguem.

O emprego de vírgula no lugar do ponto final logo após “direito” (L.3), com a devida alteração de maiúscula e minúscula, manteria a correção gramatical do texto.

C Certo
E Errado
Órgão: Procuradoria Geral do Distrito Federal Cargo: Técnico Jurídico - Área Apoio Administrativo Prova: CESPE/CEBRASPE - PGDF - Técnico Jurídico - Área Apoio Administrativo - 2021
Texto associado
Lições após um ano de ensino remoto na pandemia

1 No momento em que se tornam ainda mais
complexas as discussões sobre a volta às aulas
presenciais, o ensino remoto continua a ser a rotina
de muitas famílias, atualmente.
2 Mas um ano sem precedentes na história veio
acompanhado de lições inéditas para professores,
alunos e estudiosos. Diante do pouco acesso a
planos de dados ou a dispositivos, a alternativa de
muitas famílias e professores tem sido se conectar
regularmente via aplicativos de mensagens.
3 Uma pesquisa apontou que 83% dos professores
mantinham contato com seus alunos por meio dos
aplicativos de mensagens, muito mais do que pelas
próprias plataformas de aprendizagem. Esse uso
foi uma grande surpresa, mas é porque não temos
outras ferramentas de massificação. A maior parte
do ensino foi feita pelo celular e, geralmente, por
um celular compartilhado (entre vários membros da
família), o que é algo muito desafiador.
4 Outro aspecto a ser considerado é que,
felizmente, mensagens direcionadas são uma forma
relativamente barata de comunicação. A importância
de cultivar interações entre os estudantes, mesmo
que eles não estejam no mesmo ambiente físico,
também é uma forma de motivá-los e melhorar
seus resultados. Recentemente, uma pesquisadora
afirmou que “Aprendemos que precisamos dos
demais: comparar estratégias, falar com alunos,
com outros professores e dar mais oportunidades de
trabalho coletivo, mesmo que seja cada um na sua
casa. Além disso, a pandemia ressaltou a importância
do vínculo anterior entre escolas e comunidades”.
5 Embora seja difícil prever exatamente como o
fechamento das escolas vai afetar o desenvolvimento
futuro dos alunos, educadores internacionais
estimam que estudantes da educação básica já foram
impactados. É preciso pensar em como agrupar esses
alunos e averiguar os que tiveram ensino mínimo ou
nulo e decidir como enfrentar essa ruptura, com aulas
ou encontros extras, com anos (letivos) de transição.

IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pandemia. Disponível em: . Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado.

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, o emprego adequado da vírgula está plenamente atendido em:

A O ensino remoto, com a pandemia de Covid-19 passou a fazer parte do processo de escolarização em todo o Brasil.
B A melhor fase do ensino on-line tem sido vivida, atualmente embora permaneça a dúvida se é possível ensinar às crianças de forma remota.
C Como o país não tinha experiências significativas no ensino remoto, precisou aderir à prática de forma emergencial.
D A qualidade do ensino remoto era questionada, no passado porém o aprendizado conta com tecnologias que garantem ótimos resultados.
E Um grande número de pesquisadores tem procurado avaliar, quais são as vantagens e desvantagens da educação a distância.
Texto associado
Filosofia em dois desenhos

Fui caminhar. E na calçada me deparei com um estranho indivíduo. Carregava um saco plástico enorme que, pelo perfil do conteúdo, calculei estivesse cheio de latinhas. Mal acabei de pensar, o homem se acocorou na calçada. Extraiu de alguma parte uma pedra branca parecendo ser cal prensada, e com ela começou a desenhar no cimento.
Parei para ver, atraída pelo ritual que se esboçava. O homem desenhou dois círculos um diante do outro, quase encostados, e dentro deles desenhou duas setas convergentes.
Levantou-se, olhou sua obra com satisfação, andou cinco ou seis passos e, novamente, se acocorou. Continuava com a pedra de cal na mão.
Mas o desenho que fez foi diferente. Riscou dois traços, colocados na mesma distância dos dois círculos, e atrás deles desenhou duas setas que apontavam uma para a outra.
Segui adiante refletindo sobre o que havia presenciado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a Serra da Capivara, que visitei numa ida a Teresina para algum congresso ou palestra. Trouxe de volta a louça que a arqueóloga franco-brasileira Niéde Guidon, há muitos anos responsável pelo sítio arqueológico, ensinou os locais a fazerem para terem uma fonte de subsistência. Louça com impressos os mesmos desenhos estampados na rocha, que se acredita serem vestígios de uma cultura paleoamericana. Pois, como um ser primitivo, o homem havia estampado seus pensamentos e sua visão interior na mais moderna das rochas: o cimento.
Havia reparado que o homem estava muito sujo e desgrenhado. Calçava havaianas de sola já bem fininha e roupas indefinidas. Provavelmente era mais um morador de rua. E como morador de rua, usava a mesma calçada em que dormia para se expressar. Usava a calçada, único bem que lhe pertencia, como se fosse papel para desenhar ou escrever. Porque não há dúvida de que, ao desenhar, aquele homem estava escrevendo.
Estava escrevendo a sua dificuldade para se comunicar. Preso dentro de um círculo, pouco adiantava que as setas apontassem em direção uma da outra. Ele não conseguia obedecer à ordem das setas, pois continuava contido pela linha que delimitava o círculo.
Coisa idêntica dizia o segundo desenho, agora com um traço, uma parede, um muro, impedindo-o de obedecer ao comando das setas.
Pode até ser que o homem, através de seus desenhos estivesse desenvolvendo uma teoria filosófica sobre a incomunicabilidade dos seres humanos. Que, se por um lado não conseguem viver sozinhos (significado das setas instando à comunicação), por outro lado não conseguem se entender (significado dos círculos e dos traços impeditivos).
Avançando nessa teoria, chegaríamos à conclusão de que tudo o que é coletivo resvala no pessoal. Assim como os desenhos do homem, tão íntimos e pessoais, destinavam-se a quem quer que passasse naquela exata calçada de Ipanema.

Adaptado de: https://www.marinacolasanti.com/2021/09/filosofiaem- dois-desenhos.html [Fragmentos]. Acesso em: 18 set. 2021.

Considerando os aspectos linguísticos do texto de apoio e os sentidos por eles expressos, julgue os seguintes itens.

Na frase “Extraiu de alguma parte uma pedra branca parecendo ser cal prensada, e com ela começou a desenhar no cimento.”, ocorre um desvio relacionado à pontuação, que poderia ser resolvido com a omissão da vírgula.

C Certo
E Errado
Órgão: Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário Cargo: Analista - Área Administração e Finanças Prova: Instituto AOCP - FUNPRESP-JUD - Analista de Administração e Finanças - 2021
Texto associado
O texto a seguir refere-se às questões de 21 a 25.

SOLTEIRO SIM, SOZINHO TAMBÉM

Ao contrário do que cantou Tom Jobim, aparentemente é possível, sim, ser feliz sozinho – e isso quem diz é um estudo da Universidade de Auckland, não algum sucesso qualquer de funk ou pagode. Feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, a pesquisa revelou que, diferentemente das pessoas que buscam intimidade, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.
Até agora, estudos sobre relacionamento costumavam indicar que os comprometidos são ligeiramente mais felizes e saudáveis que os solteiros. A lógica parece simples: o apoio de um parceiro ajudaria a lidar com o estresse cotidiano, o que provocaria maior sensação de bem-estar. “Mas mesmo as melhores relações podem ser difíceis e expor o indivíduo a mágoas e decepções”, explica a autora do estudo, a psicóloga Yuthika Girme. Em alguns casos, são motivo inclusive de ansiedade e depressão. E, para certas pessoas, passar por isso simplesmente não vale a pena.

(Adaptado de: MARASCIULO, Marília. Solteiro sim, sozinho também. Revista Galileu. Out. 2015.)

Sobre a vírgula presente no excerto “Até agora, estudos sobre relacionamento [...]”, é correto afirmar que ela

A é obrigatória.
B não poderia ser retirada sem que isso modificasse o sentido do texto.
C é opcional, pois isola um termo essencial da oração.
D tem a mesma função que o ponto e vírgula (;).
E isola um adjunto adverbial deslocado.