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Conto de você fica ressoando na memória

De: Carlos Drummond de Andrade
Para: Lygia Fagundes Telles

Contemporâneo de Lygia Fagundes Telles e 21 anos mais velho que ela, Drummond pôde acompanhar a trajetória de uma das maiores contistas da literatura brasileira e tecer considerações sobre a obra da amiga. É o que faz nesta carta em que comenta os contos de O jardim selvagem, publicado no ano anterior.

Rio de Janeiro, 28 [de] janeiro [de] 1966
Lygia querida,
Sabe que ganhei de Natal […] um livro de contos [1] no qual o meu santo nome aparece no ofertório de uma das histórias mais legais, intitulada “A chave”, em que por trás da chave há um casal velho-com-moça e uma outra mulher na sombra, tudo expresso de maneira tão sutil que pega as mínimas ondulações do pensamento do homem, inclusive esta, feroz: chateado de tanta agitação animal da esposa, com o corpo sempre em movimento, o velho tem um relâmpago: “A perna quebrada seria uma solução…” Por sinal que comparei o texto do livro com o texto do jornal de há três anos, e verifiquei o minucioso trabalho de polimento que o conto recebeu. Parece escrito de novo, mais preciso e ao mesmo tempo mais vago, essa vaguidão que é um convite ao leitor para aprofundar a substância, um dizer múltiplo, quase feito de silêncio. Sim, ficou ainda melhor do que estava, mas alguma coisa da primeira versão foi sacrificada, e é esse o preço da obra acabada: não se pode aproveitar tudo que veio do primeiro jato, o autor tem de escolher e pôr de lado alguma coisa válida.
O livro está perfeito como unidade na variedade, a mão é segura e sabe sugerir a história profunda sob a história aparente. Até mesmo um conto passado na China [2 ] você consegue fazer funcionar, sem se perder no exotismo ou no jornalístico. Sua grande força me parece estar no psicologismo oculto sob a massa de elementos realistas, assimiláveis por qualquer um. Quem quer simplesmente uma estória tem quase sempre uma estória. Quem quer a verdade subterrânea das criaturas, que o comportamento social disfarça, encontra-a maravilhosamente captada por trás da estória. Unir as duas faces, superpostas, é arte da melhor. Você consegue isso.
Ciao, amiga querida. Desejo para você umas férias tranquilas, bem virgilianas. O abraço e a saudade do
Carlos
[ 1 ] N.S.: Trata-se de O jardim selvagem, livro de contos de Lygia publicado em 1965.
[ 2 ] N.S.: Referência ao conto “Meia-noite em ponto em Xangai”, incluído em O jardim selvagem.
---
Adaptado de https://www.correioims.com.br/carta/conto-de-voce-fica-ressoando-na-memoria/. Acesso em 20/09/2021.
--
Considerando os aspectos linguísticos do texto de apoio e os sentidos por eles expressos, julgue os seguintes itens.

Na última frase do 1° parágrafo, os sinais de dois-pontos poderiam ser substituídos pela expressão ou seja , utilizada entre vírgulas, sem prejudicar a correção e os sentidos do texto.

C Certo
E Errado
Órgão: Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário Cargo: Analista - Área: Contabilidade Prova: Instituto AOCP - FUNPRESP-JUD - Analista - Área: Contabilidade - 2021
Texto associado
Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto
precedente, julgue os itens seguintes.

É facultativo o emprego da vírgula presente na afirmação atribuída a Voltaire, no primeiro período do texto.

C Certo
E Errado
Texto associado
A diferenciação entre zonas centrais e regiões marginais — centros e periferias — encontra-se hoje em várias ordens de grandeza em comunidades, distritos, países e grupos inteiros de países. Numa cidade, a atividade comercial concentra-se geralmente numa zona determinada; em cada país há regiões nas quais se concentra mais fortemente a atividade econômica, do que em outras.
A diferença entre regiões centrais e regiões periféricas está baseada em uma multiplicidade de contrastes — geográficos, econômicos e sociais — que, em toda a sua diversidade, também apresentam, em seu contexto, elementos comuns essenciais.
Os centros são primariamente grandes cidades ou cidades de dimensão média, sendo periferias as zonas de economia rural. As aldeias constituem centros menores na periferia.
Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos, privilegiados. Sob perspectiva geométrica, a soma das distâncias entre o ponto central e quaisquer pontos do interior é menor do que entre um ponto da periferia (qualquer que seja esse ponto) e qualquer ponto no interior. Em torno de uma grande cidade (de uma megalópole), encontram-se as maiores artérias de circulação ordenadas de forma radial e não em círculos concêntricos. As vias de uma periferia à outra conduzem, por isso, com frequência através do centro — também quando isso exige maiores desvios.
Para cada tipo de troca (como trânsito, comércio, turismo, transmissão de conhecimentos), os centros oferecem especiais vantagens. Eles dispõem de uma infraestrutura mais rica do que as regiões marginais, e os contatos sociais são mais densos. Hospitais, universidades, institutos de pesquisa, instituições culturais, museus, teatros, salas de concerto etc. encontram-se predominante ou exclusivamente em centros. As possibilidades de formação são mais diversificadas e de melhor qualidade. Mercados de centro se destacam por ofertas mais ricas do que os mercados das periferias. O nível de vida é mais alto, os salários são mais altos, mas também os custos de manutenção da vida são mais altos.
Nos centros, com relação à vida social, vigora uma cultura pluralista, as pessoas são mais individualistas, mas também mais flexíveis do que nas periferias. No interior a cultura é mais fortemente presa à tradição, a mobilidade social é menor, a vida decorre mais calma e vagarosamente, e as pessoas se movimentam menos apressadamente. Quanto às atitudes mentais e intelectuais, elas também são, em geral, menos ágeis e, com frequência, mais conservadoras.

Thomas Kelssering. Dentro e fora. Centro e periferia. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Trad. Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 171-2.

Julgue os itens subsequentes, relativos às ideias e às construções linguísticas do texto precedente.

A correção gramatical do texto seria mantida caso as vírgulas que isolam o trecho “com relação à vida social” (início do último parágrafo) fossem suprimidas.

C Certo
E Errado
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.

A supressão da vírgula altera o sentido da seguinte frase:

A O segundo é o “capitalismo de Estado”, que confia ao governo a tarefa de estabelecer a direção da economia.
B milhões prosperaram, à medida que empresas abriam mercados.
C Por fim, executivos e investidores começaram a reconhecer que seu sucesso em longo prazo está intimamente ligado ao
de seus clientes.
D De início, um novo indicador de “criação de valor compartilhado” deveria incluir metas ecológicas.
E Na verdade, esse deveria ser seu propósito definitivo.
Órgão: Assembléia Legislativa do Amapá Cargo: Auxiliar Legislativo Atividade Administrativa e Operacional Especialidade: Auxiliar Operacional Prova: FCC - ALE AP - Auxiliar Legislativo Atividade Administrativa e Operacional Especialidade: Auxiliar Operacional - 2020
Texto associado
Texto II

O vício em smartphones prejudica profissionais e empresas

Nomofobia é a moléstia psíquica relacionada ao pavor de ser separado de seu smartphone

(...) Os smartphones surgiram no fim da década de 1990 e foram adotados em massa na década seguinte. De símbolo de status, transformaram-se rapidamente em bem de consumo obrigatório para todas as idades e estratos sociais.

Junto às fantasias prometidas pela tecnologia, vieram os efeitos colaterais. No fim de 2016, a American Academy of Pediatrics divulgou um estudo bem amplo sobre os efeitos das mídias digitais (frequentemente difundidas por meio de smartphones) sobre crianças e adolescentes.

Na longa lista de problemas, velhos conhecidos de pais e mães: efeitos negativos sobre o sono, a atenção e o aprendizado; relação preocupante com a obesidade e a depressão; exposição a conteúdos inadequados; e riscos relacionados à privacidade.


Em um ensaio de grande repercussão veiculado na revista The Atlantic em 2017, Jean M. Twenge, professora de psicologia na Universidade Estadual de San Diego, alertou sobre o risco de uma crise mental iminente afetando crianças e adolescentes. (...)

Para adultos no mundo do trabalho, os efeitos começam a ser estudados e analisados. A conectividade 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana) já existia antes dos smartphones, porém foi intensificada com os novos aplicativos de troca de mensagens. A disponibilidade permanente gera ansiedade e estresse ou tecnoestresse, outra invenção da época. (...)

No trabalho, percebe-se facilmente o efeito negativo dos aparelhinhos sobre a produtividade. Faltava, entretanto, comprovação científica. O estudo, conduzido com 262 voluntários, comprova que há relação entre o vício em smartphone e a percepção de perda de produtividade.

Diversos outros estudos revelam que o uso dos smartphones rouba horas do dia de trabalho. Seus sinais visuais e sonoros constantes interrompem fluxos de raciocínio e prolongam desnecessariamente o tempo de realização de atividades.

O uso mal administrado de smartphones ajuda a criar um ambiente de emergência permanente, transforma problemas gerenciáveis em incêndios ameaçadores e faz com que todos se sintam como bombeiros sem equipamentos, frustrados e impotentes, diante de circunstâncias supostamente avassaladoras.

De forma geral, o entendimento científico sobre os efeitos colaterais dos smartphones ainda está engatinhando. Vários efeitos e fenômenos correlatos precisam ser estudados e compreendidos. (...)

Realizar mais estudos científicos é importante para contrapor à propaganda avassaladora dos fabricantes de smartphones, coligados e inocentes úteis da mídia. Não se trata de combater, tal qual luditas, a tecnologia. Os pequenos computadores pessoais constituem avanço importante. É preciso, entretanto, conhecer melhor seus efeitos colaterais e desenvolver antídotos.

Adaptado de: http://debatendo-a-educacao.blogspot.com/2017/12/. Acesso em: 08 dez. 2019.

Assinale a alternativa que apresenta uma explicação INCORRETA quanto ao emprego da vírgula.

A Em “No fim de 2016, a American Academy of Pediatrics divulgou um estudo bem amplo sobre os efeitos das mídias digitais (...).”, a vírgula foi utilizada para marcar inversão na posição do adjunto adverbial para o início da oração.
B No excerto “Faltava, entretanto, comprovação científica.”, tal sinal de pontuação foi empregado para marcar a intercalação da conjunção “entretanto”.
C Em “O uso mal administrado de smartphones ajuda a criar um ambiente de emergência permanente, transforma problemas gerenciáveis em incêndios ameaçadores e faz com que todos se sintam como bombeiros sem equipamentos (...)”, a vírgula foi utilizada para separar orações coordenadas assindéticas.
D No excerto “(...) Jean M. Twenge, professora de psicologia na Universidade Estadual de San Diego, alertou sobre o risco de uma crise mental iminente afetando crianças e adolescentes. (...)”, as vírgulas foram empregadas para isolar um vocativo.
Texto associado
“O último baobá”, conheça a lenda
africana

sobre o renascimento da
esperança


Ninguém
acreditava mais nas antigas lendas. Os
narradores que se sentavam embaixo do baobá
a
desemaranhar longas histórias, protegidos
pelas estrelas, já tinham partido quando a
areia chegou.


As
palavras
estavam caladas.


Ninguém mais
acreditava em um céu protetor. África era um
enorme lençol amarelo. A areia, grão a grão,
tinha construído um grande deserto.
Interminável. Ninguém percebeu, ou ninguém
quis se dar conta.


A
desolação chegou
em silêncio. Aconteceu quando os glaciais se
esvaneceram em uma queixa interminável,
quando os ursos e as baleias se converteram
em recordação, quando as águias perderam o
rumo.

O céu, cansado da torpeza da
humanidade, se
refugiou em outro céu, mais distante. Fugiu.
Não podia mais proteger a terra.


O velho
tinha visto
as pessoas partirem, os mais jovens em
direção ao norte, os mais fracos em direção
à
escuridão.

Sentiu uma nostalgia distante o
invadir
lentamente. O velho narrador, embaixo do
último baobá, contou uma lenda antiga.
Nela,
falava do nascimento das estrelas, da
luz, do mundo… Mas não havia ninguém mais
disposto a escutar um velho prosador. Olhou
em torno, procurando algum ouvido. África,
rio amarelo, estava rodeada de silêncio.
Buscou uma estrela perdida, no céu só havia
escuridão.
O
velho apoiou as costas cansadas no tronco
dolorido do baobá. Casca com casca. Pele
rachada, alma dolorida.

A árvore da vida estremeceu. O vento
dava
rajadas contra a areia carbonizada. Tinha
que
partir. Sabia que tudo se acabava. O último
baobá e a última voz da África iriam embora
juntos. Abriu o punho. Trêmulo, contemplou a
semente diminuta que havia guardado tanto
tempo. A semente da esperança.


Olhou a
árvore. Era
o momento. Não se pode atrasar a retirada.


Separou a
areia até
chegar à terra. Virou a mão e, pela linha da
vida, girou a semente até encontrar um
sulco.


O baobá
havia
aberto a casca e do oculto coração brotou a
água milagrosa. A árvore era a vida.

O velho
voltou a fazer
crescer baobás grandiosos como gigantes que
beijavam as nuvens. Agora, sobre os
escritórios, nos telhados, sobre as avenidas
e os trens; nos beirais, sobre comércios,
bancos e ministérios crescem trepadeiras
coloridas. Embaixo delas, está escondida a
destruição como uma lembrança dolorosa.

Adaptado de
https://www.revistapazes.com/o-ultimo-baoba-
conheca-a-lenda-africana-sobre-o-
renascimento-da-esperanca/

Considerando as vírgulas utilizadas em “O velho narrador, embaixo do último baobá, contou uma lenda antiga.”, assinale o que for correto.

A Foram usadas para isolar um vocativo, isto é, um chamamento.
B Isolam uma frase que caracteriza “o velho narrador”.
C Separam uma oração independente, que possui sentido completo.
D Demarcam um adjunto adverbial de lugar que não está na ordem direta da oração.
E Isolam uma circunstância que indica o tempo em que o velho narrador contou a lenda.
Órgão: Prefeitura de Novo Hamburgo Cargo: Técnico Operador de Sonorização e Iluminação Prova: Instituto AOCP - Prefeitura de Novo Hamburgo - Técnico Operador de Sonorização e Iluminação - 2020
Texto associado
TEXTO 1


Brasil é um dos maiores consumidores de

plástico, mas só recicla 2% do
total

Entre os entraves
para melhorar o índice estão a
falta de incentivos e de infraestrutura, além
da
baixa qualidade dos produtos reciclados

Na
última semana,
um brasileiro comum
possivelmente gerou 1 kg de lixo plástico. Um
italiano gera a mesma quantia em cinco dias e
alguém que mora na Indonésia, em dez. No
Brasil,
menos de 2% desse plástico será reciclado.

Os dados fazem parte de um estudo da WWF
lançado na noite desta segunda (4). A
organização
fez um levantamento de pesquisas relacionadas
ao plástico e elaborou um relatório que
aponta o
crescimento desse tipo de resíduo e sugere
possíveis caminhos para solucionar a questão.


Os números do plástico são enormes. Nos
oceanos há perto de 300 milhões de toneladas
(o
que equivale a cerca de 11 trilhões de
garrafas
plásticas de 500 ml). E essa estimativa não
leva
em conta o lixo terrestre. Daqui a 11 anos,
em
2030, o total de lixo plástico poderá ter
dobrado.

Em 2016, 396
milhões de toneladas de plástico
virgem foram produzidos —cerca de 53 kg por
pessoa. Parte desses produtos se tornou lixo,
especialmente nos quatro países maiores
poluentes: Estados Unidos, China, Índia e
Brasil.

Somente uma
pequena parcela desse lixo é
devidamente manejado e reciclado. Por aqui, a
reciclagem é inferior a 2%, o menor valor
entre os
líderes em produção de detritos. Nos EUA o
valor
chega a 35%; na China, 22%; na Índia, 6%.


Considerando o
mundo inteiro, cerca de 20%
do plástico é coletado para reciclagem, mas
isso
não significa que ele realmente o terá esse
destino
honroso. Segundo o estudo da WWF, na Europa,
por exemplo, menos da metade do material é
reaproveitado.

A baixa
qualidade de produtos feitos com o
material reciclado, seu baixo valor de
mercado e a
possível presença de contaminação atrapalham
a
expansão da atividade.


Um tratado
internacional pode ser o início da
solução, segundo Anna Carolina Lobo,
coordenadora da WWF-Brasil. A organização
defende um caminho semelhante ao protocolo de
Montreal. Nele, os países se comprometeram,
em
1987, à proteção da camada de ozônio a partir
da
interrupção no uso de substâncias que a
destroem
(a deterioração da camada aumenta o índice de
radiação e, consequentemente, as chances de
câncer de pele, além de agredir florestas e
prejudicar a atividade agropecuária).

Adaptado de: <
https: maiores-consumidores-
de-plastico-mas-so-recicla-2-do-
total.shtml="" brasil-e-umdos-="" 03=""
2019="" ambiente="" www1.folha.uol.com.br=""
>.
Acesso em: 19 jan. 2020

Assinale a alternativa que analisa
corretamente a função das vírgulas
empregadas no trecho “Nos EUA o valor
chega a 35%; na China, 22%; na Índia,
6%.”, do Texto 1.

A As vírgulas separam elementos que
exercem a mesma função sintática.
B As vírgulas isolam adjuntos adverbiais
antecipados e de pequenos corpos.
C As vírgulas indicam a supressão de um
grupo de palavras.
D As vírgulas isolam vocativos.
E As vírgulas intercalam apostos.
Texto associado
Cachorrinhos quase humanos

Clara Braga

Observei que
ultimamente o termo “pais de
pets” tem se popularizado e eu acho isso
muito legal! Eu mesma me considero mãe de
pet, tenho uma cadelinha linda, que é uma
companheira da família, principalmente do
meu filho.

Mas, uma coisa
me preocupou em relação a
algumas pessoas com quem conversei nos
últimos dias. Não foi uma ou duas, foram
algumas várias pessoas que compartilharam do
mesmo pensamento. Todas disseram que
decidiram ter um cachorro ou um gato para
ver se levavam jeito para serem pais e,
então, decidirem se teriam ou não filhos
humanos!

Lembrei-me do dia que minha cadelinha
chegou
em casa: coloquei água, ração, deixei um
brinquedinho à disposição e fui trabalhar.
Então, lembrei-me de quando meu filho
chegou: choro de 3 em 3 horas, peito rachado
por causa da amamentação, pacotes e mais
pacotes de fraldas e, para sair de casa,
parecia que estávamos de mudança. Lembrei-me
das cólicas que minha cadela nunca teve, das
febres altas e viroses que ela nunca
experimentou, dos quilos de roupas golfadas
que nunca precisei lavar dela e dos banhos
que são apenas semanais e não diários!

A gente
ama os pets como se fossem filhos,
eles são da família, aparecem nas fotos de
natal, têm seu próprio book, dormem na nossa
cama, estão sempre do nosso lado, se ficam
doentes, a gente sofre, mas mesmo doentes
não dão o trabalho que uma criança dá!

Comparar
as situações é injusto até com o
pet, já que ele também não sabe se está
preparado para a chegada de um mini humano.
Só o pet sabe o que é ter seu rabo puxado
constantemente, ver seu pote de água sendo
virado, ver brinquedos espalhados no chão e
não poder brincar, enfim, aposto que eles
também têm suas dúvidas!
E sabe quem
mais tem dúvida? Quem já é pai e
mãe, pois eles sabem que tudo que funcionou
com um pode não funcionar com o segundo,
então bate o pânico de novo! Ou seja, nada
se compara a ter um filho, nem ter um
filho!

Verdade seja dita, nós nunca estamos
preparados, contudo damos um jeito. Depois
de um dia difícil, segurar seu filho no
colo, ganhar um beijo e um sorriso, faz você
entender todo o resto. Não te faz esquecer,
não te deixa menos cansado, não faz você
levantar e sair cantando e dançando como se
estivesse em um musical, mas faz você
entender, principalmente se junto você tiver
seu pet pronto para também ganhar e dar
carinho para todo mundo.

Adaptado de:
http//www.cronicadodia.com.br/2019/12/cachor
rinhos-quase-humanos-clara-braga.html.
Acesso em: 10 dez. 2019.

Assinale a alternativa que apresenta o motivo pelo qual a vírgula foi utilizada no trecho “Não te faz esquecer, não te deixa menos cansado...”.

A Isolar uma adjunto adverbial que está no início da frase.
B Separar orações coordenadas, ou seja, que não dependem uma da outra para que tenham sentido completo.
C Marcar a omissão de um termo essencial para o entendimento do trecho.
D Dividir orações subordinadas, isto é, que dependem uma da outra para serem compreendidas.
Texto associado
Conto: uma morada

O sonho de uma velha
senhora

Juremir Machado da
Silva

Contava-se que ela havia passado a vida lutando
contra homens, doenças e intempéries. Dizia-se
que criara sozinha onze filhos e enfrentara oito
tormentas de derrubar casas e deixar muita gente
desesperada. Durante muito tempo, teve um
apelido: a flagelada. Era alta, magérrima e de
olhos muito negros, duas bolas escuras que
pareciam cintilar à beira do abismo. Era uma
mulher de fala forte, voz rouca, agravada pelo
cigarro, não menos de trinta por dia, do palheiro ao
sem filtro, o que viesse, qualquer coisa que lhe
permitisse sair do ar.
– Meu silêncio diz tudo – era o máximo que
concedia a algum vizinho.
Apesar do seu jeito esquisito, era amada por
quase todos. Gostava-se da sua coragem, da sua
franqueza, alguns até falavam de uma ternura
escondida por trás dos gestos de fera indomável.
Muitos nem sabiam mais o nome dela. Era
chamada simplesmente de “a velha”. Contava-se
que prometera a si mesma viver cem anos para
debochar das agruras da vida. Servira durante
décadas de parteira, de benzedeira e até de
responsável pela ordem nas redondezas. Impunha
respeito, resolvia litígios, dava bons conselhos,
sentia pena das jovens apaixonadas. Com o
passar do tempo, ficou mais impaciente e menos
propensa a ouvir longas e repetitivas histórias.
(...)

Destino – Não se contava, porém, quando havia
perdido tudo. Ficara sem casa. Vivia na cidade
num quarto emprestado por um velho conhecido.
Quando se imaginava que estava esgotada, que
só esperava o fim para se livrar dos tormentos, ela
se revelou mais firme do que nunca. Queria viver.
Mais do que isso, deu para dizer a quem quisesse
ouvir que tinha um sonho.
– Um sonho?
– Sim, a Velha tem um
sonho.
A notícia espalhou-se como um acontecimento
improvável. Com o que podia sonhar a velha?
Contava-se que homens faziam apostas enquanto
jogavam cartas ou discutiam futebol, mulheres
especulavam sobre esse sonho, crianças se
interessavam pelo assunto, todos queriam entender como podia aquela mulher árida ter um
sonho, algo que a maioria, mais nova, já não tinha.
Por alguns meses, pois
ela fazia do seu novo
silêncio um trunfo, foi cercada de atenção na
busca obsessiva por uma resposta. Teriam até lhe
oferecido dinheiro para revelar o seu sonho num
programa de rádio.
Conta-se que numa tarde mormacenta de janeiro,
com um temporal prestes a desabar, ela disse com
a sua voz grave um pouco mais vibrante para
quem pudesse ouvir (nunca se soube quem foi o
primeiro saber):
– Quero voltar para casa.
Que casa era
essa? A velha queria retornar ao
lugar onde havia nascido, um lugar perdido na
campanha onde vicejava solitário um cinamomo.
Sonhava em ter uma casinha ali para viver os seus
últimos anos. Desse ponto de observação, podia-se
enxergar um enorme vazio. A comunidade,
sempre tão dispersa, mobilizou-se como se, de
repente, tudo fizesse sentido. O dono da terra
aceitou que lhe erguessem um rancho no meio do
nada para que ela fincasse suas raízes por alguns
anos. Um mutirão foi organizado para erguer a
morada. Até políticos contribuíram para a compra
do modesto material – tábuas, pregos, latas –
necessário à construção da residência. Num final
de semana de fevereiro, a casa foi erguida.
Um rancho de duas peças: quarto
e cozinha. Uma
latrina a dez passos do cinamomo. Caía a noite
quando tudo ficou pronto. Os homens
embarcaram na carroceria de um velho caminhão
e partiram. Ela ficou só no lugar que escolhera
para viver depois de tantas lutas encarniçadas
com o destino. Sentia-se vitoriosa. A lua cheia
banhou os campos naquela noite. Ela passeou até
onde as velhas pernas lhe permitiram. Deitou-se
no catre com colchão novo. Fez questão de
manter a sua cama. Morreu ao amanhecer com o
sol faiscando na cobertura de lata reluzindo de tão
nova e duradoura.

Adaptado de:
< https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/contouma-
morada-1.392657 >. Acesso em 26 jan. 2020.

Em “Num final de semana de fevereiro, a
casa foi erguida.”, a vírgula foi utilizada
para

A demonstrar uma adversidade.
B isolar orações que dependem uma da outra
para terem sentido completo.
C demarcar um aposto explicativo, pois se
informa quando a casa foi erguida.
D sinalizar um adjunto adverbial de tempo que
não obedece à ordem direta da frase, visto
que aparece no início.
E separar orações independentes, as quais
possuem sentido completo isoladamente.

Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos do texto CB1A1-I,
poderia ser inserida uma vírgula logo após

A “construções” (R.3).
B “música” (R.16).
C “azul” (R.17).
D “porta” (R.23).
E “triste” (R.10).
Órgão: Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará Cargo: Auditor de Controle Interno - Área Auditoria Governamental Prova: CESPE/CEBRASPE - CGE CE - Auditor de Controle Interno - Área Auditoria Governamental - 2019