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Texto associado
Leia o fragmento a seguir, retirado do romance “O templo dos meus familiares”, de Alice Walker.
“Minha mãe só implorava e suplicava por misericórdia, porque já tinha ouvido falar de traficantes de pessoas, mas esses brutamontes não ouviam. Eram como o acadêmico africano meio zumbi de quem falei. Talvez fosse isso, de fato, quem ele era naquela época. Enfim, aí os caras pegaram e arrastaram a gente até a casa do meu tio, e ele apareceu. Minha mãe tentou se prostrar diante dele, como era costume em nosso país, mas estava tão amarrada que caiu de lado. Um dos lados do rosto dela ficou cheio de terra e seus joelhos estavam esfolados. Agora eu sei que ela nunca foi amada, porque nunca foi vista de verdade, a não ser pelos filhos, que a amavam. (...)”

No fragmento apresentado, observam-se marcas de oralidade. Considerando esse aspecto, assinale a afirmativa que analisa corretamente o papel dessas marcas no texto.

A As marcas de oralidade evidenciam desvios da norma típicos dos textos falados, o que compromete a clareza e a organização das ideias no texto escrito.
B A oralidade se manifesta por meio de estruturas sintáticas simples, indicando limitação expressiva do narrador na construção do relato.
C O uso de marcas de oralidade aproxima o texto da linguagem coloquial, contribuindo para a construção de um relato mais espontâneo e expressivo.
D A presença de expressões coloquiais interfere na progressão temática, desviando propositalmente o foco narrativo para elementos secundários.
E As marcas de oralidade caracterizam o texto como um diálogo direto entre personagens, estruturado por turnos de fala.

Assinale a frase abaixo que mostra uma interferência da língua falada na língua escrita.

A Os Tribunais de Contas (TCs) exercem funções de fiscalização, consultoria, julgamento, sanção, correção, normatização, informação e ouvidoria, garantindo a legalidade e eficiência na gestão dos recursos públicos.
B Tomando-se por parâmetro o Tribunal de Contas da União (TCU) pode-se dizer que são funções/competências das Cortes de Contas: Função Fiscalizadora, Consultiva, Informativa, Judicante, Sancionadora, Corretiva, Normativa e de Ouvidoria, e em alguns casos assumem o caráter Educativo ou Orientador.
C A função de inspeção se refere à obtenção de informações que não têm no Tribunal, quanto para esclarecer dúvidas acerca dos procedimentos, apura fatos trazidos ao Tribunal por meio de representações ou denúncias.
D Monitoramento: é o instrumento utilizado para aferir o cumprimento das deliberações proferidas pelo Tribunal e seus resultados.
E Os TCs respondem às consultas, na forma de parecer, que tem valor normativo e forma prejulgamento de tese, não de fato ou de caso concreto, mas a direção dada aproveitará quando do exame do caso concreto correspondente.
Órgão: TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA (TCE-SC) Cargo: AUDITOR FISCAL DE CONTROLE EXTERNO - ADMINISTRAÇÃO Prova: AUDITOR FISCAL DE CONTROLE EXTERNO - ADMINISTRAÇÃO - TCE-SC
Texto associado
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se às próximas 10 questões.

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma mudança significativa na composição familiar do Brasil: pela primeira vez, 34,1% das mulheres aparecem como responsáveis pelos domicílios, superando o percentual de 25% que ocupa a posição de cônjuge ou companheira. Em 2010, o cenário era inverso, com 29,7% das mulheres como cônjuges e apenas 22,9% como responsáveis pelos lares.

Em termos gerais, os homens ainda são a maioria (50,9%) no comando das residências, somando 37 milhões. Entretanto, as mulheres já representam 49,1% das chefes de domicílios, que correspondem a cerca de 36 milhões de lares. De 2010 para cá, houve uma redução na diferença: naquele ano, 61,3% dos domicílios eram liderados por homens, contra 38,7% por mulheres.

Em termos de idade, a maioria dos responsáveis pelos lares é mais velha do que em 2010, o que reflete um envelhecimento geral da população. Os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul apresentaram as maiores proporções de domicílios unipessoais, com 23,4% e 22,3%, respectivamente, indicando uma população envelhecida.

https://exame.com/brasil/total-de-mulheres-responsaveis-por-domicilios-cresce-revela-censo-2022/

Sobre a linguagem usada no texto, assinale a afirmativa correta.

A É uma linguagem erudita, que utiliza termos muito precisos, selecionando o público a que se destina.
B É uma linguagem formal, coerente com o veículo de informação e o propósito de divulgação.
C É uma linguagem informal, que torna compreensível a reportagem para qualquer público.
D É uma linguagem regional, uma vez que traz dados voltados para a população do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, citados na reportagem.
E É uma linguagem arcaica, que objetiva consolidar dados do passado, contrastando-os com o presente.
Texto associado
Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo. De ele balançar os bracinhos na luz. De eu chorar sem sair lágrimas. Ou de sair lágrimas sem eu chorar. Duvido que me esquecerei de algum detalhe desse dia milagroso. Existir é passar de um estado para outro: tenho fome, como, tenho frio, me agasalho, estou alegre, e agora triste, e depois estarei alegre, penso e chego a conclusões, me lembro de algo que me toca o coração, sinto um cheiro que me lembra alguém, sinto um gosto que me lembra um lugar, me emociono. Emocionar-se é passar de um estado para o outro. Você vê um quadro hoje. Vê o quadro de novo daqui a dez anos, o revê daqui a vinte, trinta, quarenta... É o mesmo quadro com a mesma moldura, na mesma parede do mesmo museu, com a mesma luz, é você, mas cada vez será visto de outra forma. Cada vez ele nos conta uma história. O quadro não mudou. Já nós...
[...]
Se tudo é recriação de algo já inventado, nada é invenção.
Sei que repetirei lá na frente o que narrei antes. Este livro sobre memórias nasce assim. Histórias são recuperadas. Umas puxam outras. As histórias vão e voltam com mais detalhes e referências. Faço uma releitura da vida da minha família. Reescrever o que já escrevi.
Ainda vejo o facho, não quero me afastar. Existem várias formas de contar a história sobre a memória e a falta dela. Procurarei a fogueira no alto quando o mar me puxar. Vou para voltar. Quem nadou em mar aberto sabe: antes de lutar desesperadamente contra a correnteza, é melhor deixar-se levar por instantes; é preciso ter calma e coragem; a correnteza enfraquece, então saímos fora.
PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfagura, 2014. p. 27-9.

A língua varia com base em múltiplos fatores. Dessa forma, faz-se necessário substituir as noções de "certo" e "errado" pelas de “adequado” ou “inadequado" a depender dos diferentes objetivos e contextos discursivos.
Em "Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo." (parágrafo 1), a(o)

A uso do numeral indicativo de hora (8h 45) está inadequado, tendo em vista ser preferível o registro por extenso, já que o nível de formalidade do texto é alto.
B colocação do pronome oblíquo me está adequada, já que tanto o teor da obra quanto o gênero ao qual pertence a permitem.
C flexão do verbo lembrarei está inadequada, uma vez que, em se tratando de memórias, o tempo conveniente seria o pretérito perfeito.
D o substantivo cabecinha, no grau superlativo absoluto, está adequado, visto que o texto conta com um ponto de vista de ordem objetiva.
E forma nominal do verbo sair está inadequada, haja vista que, no contexto, expressa ideia de futuro continuado.
Texto associado
Não sei se é verdade que ao bater as botas vemos um túnel de luz – e taí um mistério que não tenho pressa em desvendar. O que venho descobrindo empiricamente é que quando uma pessoa muito especial parte, cria um túnel de luz do lado de cá, ajudando os que ficam a fazer a passagem. Tem o susto, a dor, mas aos poucos vão surgindo as memórias, histórias engraçadas vão brotando e quando você vê, um papo que começou com “meus pêsames" termina em risada.
Eu não conhecia direito o Marcão, mas ele era dessas pessoas que a gente não precisa conhecer direito pra conhecer bem. Vivia de guarda abaixada, o sorriso à mostra, principalmente quando falava da filha mais velha, Renatinha, minha amiga e colega de trabalho. Todo dia, há três anos, eu, a Renata, a Thais, o Chico e a Hela escrevemos uma série em longas reuniões Zoom. Quando o Marcão faleceu, não faz nem duas semanas, preparei-me pra uma Renata deprimida, calada: eu não contava com o túnel de luz. A cada dia a Renatinha traz uma história, uma memória, um traço do pai que nos leva às lágrimas ou às gargalhadas – não raro, ao mesmo tempo.
Anteontem ela nos contou que um dos maiores orgulhos do Marcão era ser "puxador de palmas". Ele era aquele cara que no teatro ou num show aplaude primeiro, forte, convicto, arrastando milhares atrás de si.
Você pode achar que não há grande mérito em ser puxador de palmas. Que seria uma virtude caxias, tipo: ser o primeiro a chegar numa fila ou o primeiro a acordar na família. Nada disso.
Pedro, meu querido cunhado, mencionou outro dia como O entusiasmo está fora de moda. O arrebatamento é tratado como uma fraqueza. Ficar enlevado é coisa de criança. No mundo das redes sociais, com as opiniões transformadas em commodities, nos tornamos todos "brokers" de nós mesmos, num “day-trade” infernal. Nos exibimos em tempo real nessas vitrines virtuais, ansiosos para que nosso valor seja estabelecido hora a hora pelo número de views, likes, reposts.
Como todo mercado, é um terreno competitivo, hostil. Nos apresentamos, portanto, segurados pela ironia, alavancados pelo sarcasmo, contando com circuit breaker do cinismo. Sai um filme, um álbum novo, um livro, as pessoas consultam as opiniões de duas dúzias antes de dar um pio (ou, agora que mudou o nome, pontificar sobre o X da questão). Na dúvida, falam mal, como se não gostar decorresse de profunda atividade intelectual e o alumbramento de uma espécie de reflexo instintivo.
Diametralmente oposto aos habitantes desta savana vital está o puxador de palmas. O puxador de palmas não tá na bolsa de valores, tá na praça, tá na roda. O que diz com o aplauso é "não importa o que o cês acharam, eu adorei!”. Uma mente amolecida pelo sol da savana veria no "puxador de palmas” um líder. Um influenciador. Talvez lançasse um livro de autoajuda: "Aplauda antes para ser aplaudido depois – como gerir pessoas e liderar equipes".
Não, amizade. O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam, pra quem vem atrás, é o contrário. Ele é alguém que está à vontade dentro de si, despreocupado. Sua convicção não vem da análise macro e microeconômica das tendências culturais, vem do coração.
Esse é o tipo de assunto que surge toda vez que a Renatinha, no meio da lida, evoca o Marcão, orgulhoso puxador de palmas. De repente, do pranto faz-se o riso. Das mãos espalmadas faz-se o encanto. Faz-se de um Zoom uma aventura errante. De repente, não mais que de repente.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/05/o-puxador-de-palmas.shtml. Acesso em: 24 mar. 2026.

Trechos como “O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam [...]” e “[...] ‘não importa o que o cês acharam, eu adorei!" evidenciam a presença de variantes linguísticas fora da norma-padrão. A respeito desse tema, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

() Considerando o gênero textual ao qual o texto pertence, o uso de variantes linguísticas fora da norma-padrão está inadequado.
() A utilização de variantes linguísticas fora da norma-padrão promove uma aproximação com o leitor e é coerente com o tema cotidiano tratado no texto.
() A presença de variantes linguística como “tá” e "o cês” indica que o autor do texto desconhece as regras da norma-padrão da língua portuguesa.

A F-V-F.
B F-F-V.
C V-F - V.
D V-V-F.
E F-F-F.
Órgão: COMPANHIA DOCAS DO RIO GRANDE DO NORTE – CODERN Cargo: TÉCNICO PORTUÁRIO (ASSISTENTE ADMINISTRATIVO / ASSISTENTE ADMINISTRATIVO - OPERAÇÕES PORTUÁRIAS) Prova: TÉCNICO PORTUÁRIO (ASSISTENTE ADMINISTRATIVO / ASSISTENTE ADMINISTRATIVO - OPERAÇÕES PORTUÁRIAS)
Texto associado
Costumamos dizer que é na hora do perrengue que se conhece um verdadeiro amigo. Ele seria a pessoa que não larga nossa mão quando estamos por baixo. Concordo, desde que se leve em conta o outro lado: amigo suporta, igualmente, estar com a gente quando brilhamos. A amizade só se revela no intercâmbio de posições e em diferentes contextos.
Partimos da constatação freudiana de que não há relação isenta de ambivalência e que o amor e o ódio andam de mãos dadas. É através do amor que superamos nossa tendência a controlar ou destruir o outro por medo de que ele nos controle ou destrua antes. A paranoia diante da alteridade está sempre pronta a ser engatilhada; o amor a desarma.
Ele permite que a inveja dê lugar à admiração, sabendo que a primeira está sempre à espreita. Somos crianças egocêntricas que só aprendemos a dividir os brinquedos com prazer sob a condição de um insight: ser o dono da bola não é tão legal quanto ter alguém com quem jogar.
Inveja, ciúme, competição, raiva... as amizades vêm com a paleta completa de afetos humanos, acirrados pela proximidade, pelo convívio e pela longevidade das relações. O que as torna especiais é que nelas o cuidado, a empatia e a intimidade dão mais prazer do que nossa costumeira mesquinhez. Daí que ver o amigo brilhar, quando não consideramos nosso umbigo o centro do universo, pode ser fonte de um genuíno prazer.
Da mesma forma, vê-lo sofrer é dilacerante (e perdê-lo, impensável). A condição para ser um amigo digno do título é que o sadismo diante do sofrimento alheio não roube a cena. Reitero que não existe aqui nenhuma expectativa de que sejamos seres superiores, livres das limitações humanas, mas que o amadurecimento nos permite reconhecê-las, evitar que transbordem em atos danosos e, acima de tudo, desfrutar do prazer de amar e ser amado pelo outro.
O mesmo critério deveria servir para familiares, conhecidos e colegas. Mas estes têm que galgar muitos degraus para receber o especialíssimo título de amigo. A amizade é contingente e implica trocas íntimas e duradouras nas quais podemos nos fiar, quase sempre. Amigos também comem bola, mas ganham no saldo final e por insistência.
Nossos amigos não precisam ser as melhores pessoas do mundo. Basta que sejam as melhores pessoas do nosso mundo. Isso permite que mesmo os bizarros, os malas sem alça e os perdidos de plantão tenham direito a relações significativas na vida. (Considerando que todos somos um pouco bizarros, malas e perdidos, é bom que haja quem nos aguente.) [...]
No fim das contas, amigo mesmo é aquele que sobrevive ao nosso lado na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, sem sadismo nem inveja demais, e com disponibilidade amorosa ao longo da vida.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2025/10/amigos-para-o-bem-e-para-o-mal.shtml). Acesso em: 22 nov. 2025.

Nos excertos "Amigos também comem bola [...]" e "[...] os malas sem alça e os perdidos de plantão [...]", a linguagem empregada

A apresenta nível de informalidade incoerente com o gênero textual em questão.
B está em desacordo com a norma-padrão.
C atribui um tom impessoal ao texto, o que gera efeito de distanciamento do leitor.
D veicula um sentido diferente do significado literal das palavras.
Órgão: SEJUSP - Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais Cargo: Policial Penal (Feminino e Masculino) Prova: Concurso Público Policial Penal (Feminino e Masculino)
Texto associado
Leia o Texto I, a seguir, para responder às questões de 11 a 15.
Texto I
Variação linguística
O termo variação se aplica a uma característica das línguas humanas que faz parte de sua própria natureza: a heterogeneidade. A palavra língua nos dá uma ilusão de uniformidade, de homogeneidade, que não corresponde aos fatos. Quando nos referimos ao português, ao francês, ao chinês, ao árabe etc., usamos um rótulo único para designar uma multiplicidade de modos de falar decorrente da multiplicidade das sociedades e das culturas em que as línguas são faladas. Cada um desses modos de falar recebe o nome de variedade linguística. Por isso, muitos autores definem língua como “um conjunto de variedades” e substituem a noção da língua como um sistema pela noção da língua como um polissistema, formado por essas múltiplas variedades.
A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de “línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.
A consciência de que a língua é variável remonta à Antiguidade, quando os primeiros estudiosos da língua grega tentaram sistematizá-la para o ensino e para a crítica literária. Eles, no entanto, fizeram uma avaliação negativa da variação, que viram como um obstáculo para a unificação territorial e para a difusão da língua. Foi nessa época (século III a.C.) que surgiu a disciplina chamada gramática, dedicada explicitamente a criar um modelo de língua que se elevasse acima da variação e servisse de instrumento de controle social por meio de um instrumento linguístico. A consequência cultural desse processo histórico é que o termo língua passou a ser usado, no senso comum, para rotular exclusivamente esse modelo idealizado, literário, enquanto todos os usos reais, principalmente falados, foram lançados à categoria do erro.
Com os avanços das ciências da linguagem, essa visão foi abandonada: o exame minucioso de cada variedade linguística revela que ela tem sua própria lógica gramatical, é tão regrada quanto a língua literária idealizada, e serve perfeitamente bem como recurso de interação e integração social para seus falantes. Diante disso, um novo projeto de educação linguística vem se formando: é preciso ampliar o repertório e a competência linguística dos aprendizes, levá-los a se apoderar da escrita e dos muitos gêneros discursivos associados a ela, sem contudo desprezar suas variedades linguísticas de origem, valorizando-as, ao contrário, como elementos formadores de sua identidade individual e social e como patrimônio cultural do país.
BAGNO, Marcos. Variação linguística. Glossário Ceale – Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Universidade Federal de Minas Gerais, 2013. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceito-linguistico. Acesso em: 21 mar. 2025.

Considere o excerto a seguir, em que o autor elenca diferentes níveis de variações linguísticas:

“Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.”.

Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.

A As variações relacionadas a “grandes regiões” e “estados” são exemplos de variação diacrônica, pois revelam mudanças históricas na língua.
B “Graus de escolarização” e “profissões” remetem à variação diastrática, por refletirem diferenças socioculturais entre grupos sociais.
C “Usos escritos e usos falados” caracterizam variação diatópica, pois indicam marcas linguísticas distintas de regiões geográficas.
D A variação ligada ao “acesso às tecnologias de informação” pode ser classificada como diacrônica, pois depende da idade do falante.
E A variação que ocorre entre “faixas etárias” e “níveis de renda” é do tipo diatópica, por se relacionar à situação comunicativa específica.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul Cargo: Professor - Área: Português/Inglês Prova: Instituto AOCP - IFMS - Professor - Área: Português/Inglês - 2025

As questões de 13 a 18 referem-se ao Texto II.

Vários fatores podem contribuir para que se estabeleça uma variação linguística.

No quadrinho, qual é o tipo de variação linguística?

A Variação entre língua falada e escrita.
B Variação social.
C Variação relacionada somente à formalidade do momento.
D Variação regional.
E Variação que indica falta de afinidade.
Órgão: Prefeitura de Vitória da Conquista Cargo: Professor de Ensino Fundamental - Área: Educação Física Prova: Instituto AOCP - Prefeitura de Vitória da Conquista - Professor de Ensino Fundamental - Área: Educação Física - 2023

De acordo com Antunes (2007), se uma
criança diz “minhas colegas e meus
colegos”, “um algodão” e “um
algodinho”, é porque já domina as regras
morfossintáticas de indicação do
masculino e do feminino, bem como as
regras de indicação do aumentativo e do
diminutivo em português. Ou seja, já
sabe esses pontos da gramática. Nesse
caso, trata-se de qual gramática?

A Internalizada.
B Histórica.
C Normativa.
D Descritiva.
E Funcional.
Texto associado
TEXTO 1

O que galáxias distantes dizem sobre a
evolução do Universo

Observar galáxias distantes nos ajuda a montar o
quebra-cabeça do Universo: quanto mais longe
enxergamos, mais ao passado voltamos

Seria legal se pudéssemos passar um filminho
revelando a história das galáxias e ver também
como era a Via Láctea no passado. Mas, como
não podemos, temos que observar as galáxias
distantes e tentar montar o quebra-cabeça de
como esses astros fantásticos evoluem.

O telescópio espacial Hubble é peça-chave para
desvendar essa história. Com ele, conseguimos
captar a luz com mais nitidez, já que ela não sofre
interferência da atmosfera, mas mesmo assim
temos que deixá-lo aberto por muito tempo para
obter a luz fraquinha das galáxias distantes.

Em 1995, o ex-diretor do Hubble, Bob Williams, fez
a primeira imagem das profundezas do Universo
exatamente assim. A equipe do Hubble escolheu
uma região do céu sem nenhuma estrela brilhante
por perto para garantir que não interferisse na
imagem das galáxias de fundo. E deixou o Hubble
aberto durante dez dias captando a luz da mesma
região. Uma região do céu que parecia totalmente
vazia mostrou uma imagem incrível cravejada de
galáxias.

O Universo é como se fosse uma “máquina do
tempo”: quanto mais longe enxergamos, mais ao
passado voltamos. Se vemos uma galáxia a 1
bilhão de anos-luz de nós, significa que a sua luz
levou 1 bilhão de anos atravessando o espaço
para chegar até aqui. Ou seja, estamos vendo a
galáxia como ela era há 1 bilhão de anos, no
passado, e não como ela é agora.

Desde a imagem histórica feita pelo Hubble, já
tivemos muitas outras das profundezas do
Universo. E elas revelam que as galáxias mais
longínquas parecem bem pequenas por causa da
distância, como era de se esperar, mas
descobrimos também que elas são realmente
menores e não possuem formatos bem definidos.
Isso significa que elas crescem e se transformam
com o tempo.

A galáxia mais distante já observada é a GN-z11,
que está a 13,4 bilhões de anos-luz de nós! Ou
seja, estamos vendo como ela era quando o Universo tinha apenas 400 milhões de anos. Ela
fica na constelação de Ursa Maior e parece um
pontinho vermelho na imagem do Hubble.

Essas galáxias muito distantes estão se afastando
aceleradamente de nós, por isso vemos sua luz
sempre mais avermelhada do que deveria ser.

Porém, nem os olhos humanos nem o Hubble
conseguem captar o extremo da luz vermelha que
precisamos obter para ver mais além.

Por isso, necessitamos de instrumentos como o
telescópio James Webb. Ele captará luz
infravermelha e enxergará ainda mais longe que o
Hubble. Seu lançamento está previsto para 2021,
segundo a Nasa, e estamos muito empolgadas
com a enxurrada de novas peças para ajudar a
solucionar nosso quebra-cabeça galáctico.

Fonte: Adaptado de:
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2020/01/oque-
galaxias-distantes-dizem-sobre-evolucao-do-universo.html.
Acesso em: 19 jan. 2020.

O termo “num”, empregado algumas
vezes no diálogo do Texto 2, é exemplo
de qual tipo de variação linguística?

A Diastrática, relacionada à faixa etária.
B Diastrática, relacionada ao sexo masculino.
C Diafásica, relacionada às circunstâncias das
interações verbais.
D Diatópica, relacionada às diferenças
linguísticas distribuídas no espaço físico.
E Deôntica, relacionada às transformações
fonológicas por que passou a língua.