Texto 6A3BBB
1 Um elemento parece caracterizar a gestão pública
brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e
práticas gerenciais típicas do mundo corporativo. Criatividade,
4 postura empreendedora, inovação gerencial, gestão por
resultados, contratos de gestão, gestão por competências são
alguns dos termos e expressões que, paulatinamente,
7 incorporam-se ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias
da gestão pública nacional.
Influenciadas pela disseminação de concepções
10 neoliberais, calcadas nas noções de Estado mínimo e gestão por
resultados, as instituições públicas cada vez mais aparentam
aderir à lógica de mercado, concebendo o cidadão como cliente
13 e adotando novas políticas e práticas de gestão, conforme
disseminadas na esfera privada.
No Brasil, tal fenômeno ganhou espaço a partir do
16 processo de redemocratização, nos anos 80 do século XX,
alimentado pela difusão de discursos que enfatizam uma ampla
crise da administração pública, cujo equacionamento
19 demandaria novos paradigmas de gestão, capazes de superar as
estruturas centralizadas, as hierarquias formais e os sistemas de
controle tayloristas prevalentes. Em outros termos, acentuou-se
22 a necessidade de superação dos tradicionais modelos de gestão
pública, burocráticos e autocráticos, por meio da difusão de
novos sistemas, mais democráticos, participativos e
25 meritocráticos. Ademais, disseminou-se, na esteira do
movimento em torno da qualidade total, a relevância de as
organizações públicas considerarem com maior atenção seus
28 clientes e outras partes interessadas, rompendo corporativismos
e privilégios históricos.
Mesmo reconhecendo-se que o objetivo das
31 organizações vinculadas ao Estado não deveria ser o lucro,
demandava-se maior eficiência e transparência quanto ao valor
que, efetivamente, elas agregavam à sociedade. Nesse sentido,
34 as organizações públicas se veem pressionadas a rever suas
estruturas e dinâmicas de funcionamento, a fim de otimizarem
seus processos e rotinas, assegurando melhor desempenho e
37 resultados mais efetivos. Como resultante, a demanda por
reformas no setor passou a constituir importante elemento da
agenda política nacional, inserindo-se, de forma sistemática,
40 nos discursos de lideranças e gestores públicos, que, cada vez
mais, deveriam assumir um perfil empresarial e gerencial.
Fátima B. de Oliveira; Anderson de S. Sant’Anna e Samir L. Vaz. Liderança no contexto da nova administração pública: uma análise sob a perspectiva de gestores públicos de MG e RJ. In: Revista de administração pública. Rio de Janeiro, 44(6):1453-75, nov.-dez./2010 (com adaptações).
Considerando as informações e as ideias do texto 6A3BBB, assim como seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.
Banco público de questões
Questões para Concursos
Pesquise questões reais por disciplina, assunto, tópico, banca, órgão, cargo, ano e modalidade.
Questões por banca
29 bancas disponíveis.
Clique para visualizar todas.
Questões por banca
29 bancas disponíveis. Clique para visualizar todas.
Acesse diretamente as bancas disponíveis na QuestLab. As quantidades abaixo consideram as questões ativas do banco.
CEBRASPE
51.363 questões
FGV
25.316 questões
FCC
24.632 questões
AOCP
23.456 questões
IBFC
11.190 questões
VUNESP
10.983 questões
Instituto Quadrix
9.793 questões
FUNDATEC
9.088 questões
IBADE
7.820 questões
CESGRANRIO
6.013 questões
OBJETIVA
4.740 questões
CONSULPLAN
4.174 questões
FEPESE
3.585 questões
IADES
3.439 questões
IESES
2.627 questões
SELECON
2.377 questões
IDECAN
1.907 questões
MS CONCURSOS
1.485 questões
Instituto Legalle
1.281 questões
FAFIPA
1.161 questões
FUMARC
842 questões
ACAFE
551 questões
INSTITUTO AOCP
430 questões
NUCEPE
378 questões
FUNIVERSA
348 questões
FAURGS
203 questões
FIOCRUZ
48 questões
MACKENZIE
48 questões
CETRO
17 questões
8 questões encontradas
Texto associado
Texto 6A4AAA
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
A substituição da forma verbal “desencaminhadas” (l.20) por desencaminhados manteria a correção gramatical e a coerência textual, caso em que passaria a concordar com “estudantes” (l.20).
Texto associado
Texto 6A2AAA
1 Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer.
De que vale aprender a conduzir melhor seu carro quando se
está no fim do percurso? Só resta pensar então em como
4 abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer,
é unicamente o de aprender a morrer e é precisamente o que
menos se faz na minha idade, pensa-se em tudo, menos nisso.
7 Todos os velhos dão mais apreço à vida do que as crianças e a
deixam com maior má vontade do que os jovens. É que, como
todos os seus trabalhos tiveram essa mesma vida por objetivo,
10 veem, no final, que perderam seus esforços. Todos os seus
cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas laboriosas
vigílias, tudo deixam quando se vão. Não pensaram em adquirir
13 alguma coisa, durante a vida, que possam levar com a morte.
Disse tudo isso a mim mesmo quando era tempo de
mo dizer, e, se não soube tirar melhor partido de minhas
16 reflexões, não foi por não as ter feito a tempo e por não as ter
bem amadurecido. Lançado, desde a infância, no torvelinho da
sociedade, aprendi cedo, por experiência, que não era feito
19 para viver nela, onde nunca conseguiria chegar ao estado
de que meu coração precisava. Cessando, portanto, de procurar
entre os homens a felicidade que sentia não poder encontrar,
22 minha ardente imaginação já saltava por cima da
recém-iniciada época de minha vida, como sobre um terreno
desconhecido, para descansar em uma situação tranquila
25 em que me pudesse fixar.
Jean Jacques Rousseau. Terceira caminhada. In: Jean Jacques Rousseau. Os devaneios do caminhante solitário. Organização e tradução de Fúlvia Maria Luíza Moretto. Brasília: Editora da UnB, 1991, p. 16 (com adaptações)
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto 6A2AAA, julgue os itens a seguir.
1 Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer.
De que vale aprender a conduzir melhor seu carro quando se
está no fim do percurso? Só resta pensar então em como
4 abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer,
é unicamente o de aprender a morrer e é precisamente o que
menos se faz na minha idade, pensa-se em tudo, menos nisso.
7 Todos os velhos dão mais apreço à vida do que as crianças e a
deixam com maior má vontade do que os jovens. É que, como
todos os seus trabalhos tiveram essa mesma vida por objetivo,
10 veem, no final, que perderam seus esforços. Todos os seus
cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas laboriosas
vigílias, tudo deixam quando se vão. Não pensaram em adquirir
13 alguma coisa, durante a vida, que possam levar com a morte.
Disse tudo isso a mim mesmo quando era tempo de
mo dizer, e, se não soube tirar melhor partido de minhas
16 reflexões, não foi por não as ter feito a tempo e por não as ter
bem amadurecido. Lançado, desde a infância, no torvelinho da
sociedade, aprendi cedo, por experiência, que não era feito
19 para viver nela, onde nunca conseguiria chegar ao estado
de que meu coração precisava. Cessando, portanto, de procurar
entre os homens a felicidade que sentia não poder encontrar,
22 minha ardente imaginação já saltava por cima da
recém-iniciada época de minha vida, como sobre um terreno
desconhecido, para descansar em uma situação tranquila
25 em que me pudesse fixar.
Jean Jacques Rousseau. Terceira caminhada. In: Jean Jacques Rousseau. Os devaneios do caminhante solitário. Organização e tradução de Fúlvia Maria Luíza Moretto. Brasília: Editora da UnB, 1991, p. 16 (com adaptações)
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto 6A2AAA, julgue os itens a seguir.
No primeiro parágrafo, apresentando-se como velho, o autor adota um tom de autocomiseração ao afirmar que estudar o envelhecimento implica aprender a lidar com a morte e que esse aprendizado deveria ter prioridade sobre outras reflexões humanas.
Texto associado
Texto 6A4AAA
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
A caracterização do revisor como “a pessoa mais importante na vida de quem escreve” (l. 2 e 3) deve-se ao fato de o destino de um autor ser definido pelo texto final apresentado — tarefa do revisor — e não pela mensagem veiculada — tarefa do autor.
Texto associado
Texto 6A1AAA
1 Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que
se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas
venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
4 confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é
próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as
palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que
7 não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser
utilizada como desculpa universal que a todos nos absolveria
de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve
10 perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar
deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem
sequer precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está
13 trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam
se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores,
16 não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade
inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu
19 próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor
ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de
informação, embora um simples olhar nos revele que estão
22 faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o
dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é
altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.
25 Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao
seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
28 tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do
saber total não se tenha insinuado, como o diabo no convento,
o erro tentador.
31 Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros
estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as palavras, dentro
deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar
34 que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo,
porque assim como vão variando as explicações do universo,
também a sentença que antes parecera imutável para todo o
37 sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio.
Aqui, neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que
40 uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes, estão os
costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e
Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o
43 Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa.
São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.
Com relação à variação linguística bem como aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto 6A1AAA, julgue os próximos itens.
1 Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que
se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas
venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
4 confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é
próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as
palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que
7 não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser
utilizada como desculpa universal que a todos nos absolveria
de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve
10 perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar
deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem
sequer precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está
13 trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam
se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores,
16 não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade
inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu
19 próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor
ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de
informação, embora um simples olhar nos revele que estão
22 faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o
dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é
altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.
25 Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao
seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
28 tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do
saber total não se tenha insinuado, como o diabo no convento,
o erro tentador.
31 Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros
estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as palavras, dentro
deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar
34 que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo,
porque assim como vão variando as explicações do universo,
também a sentença que antes parecera imutável para todo o
37 sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio.
Aqui, neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que
40 uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes, estão os
costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e
Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o
43 Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa.
São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.
Com relação à variação linguística bem como aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto 6A1AAA, julgue os próximos itens.
O vocábulo “daí” (l.15) e a expressão “da ignorância” (l.16) exercem a mesma função sintática no período em que ocorrem.
Texto associado
Texto 6A1AAA
1 Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que
se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas
venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
4 confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é
próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as
palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que
7 não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser
utilizada como desculpa universal que a todos nos absolveria
de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve
10 perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar
deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem
sequer precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está
13 trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam
se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores,
16 não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade
inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu
19 próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor
ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de
informação, embora um simples olhar nos revele que estão
22 faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o
dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é
altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.
25 Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao
seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
28 tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do
saber total não se tenha insinuado, como o diabo no convento,
o erro tentador.
31 Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros
estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as palavras, dentro
deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar
34 que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo,
porque assim como vão variando as explicações do universo,
também a sentença que antes parecera imutável para todo o
37 sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio.
Aqui, neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que
40 uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes, estão os
costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e
Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o
43 Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa.
São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.
No que se refere às ideias, aos fatores de textualidade do texto 6A1AAA e à variação linguística, julgue os seguintes itens.
1 Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que
se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas
venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
4 confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é
próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as
palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que
7 não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser
utilizada como desculpa universal que a todos nos absolveria
de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe deve
10 perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar
deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem
sequer precisaria sair de sua casa, do escritório onde agora está
13 trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam
se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores,
16 não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade
inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu
19 próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do revisor
ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de
informação, embora um simples olhar nos revele que estão
22 faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o
dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é
altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe.
25 Um dia, mas Alá é maior, qualquer corrector de livros terá ao
seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não
28 tendo ele, e nós, mais que desejar que entre esses dados do
saber total não se tenha insinuado, como o diabo no convento,
o erro tentador.
31 Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros
estão aqui, como uma galáxia pulsante, e as palavras, dentro
deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do olhar
34 que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo,
porque assim como vão variando as explicações do universo,
também a sentença que antes parecera imutável para todo o
37 sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio.
Aqui, neste escritório onde a verdade não pode ser mais do que
40 uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes, estão os
costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e
Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o
43 Manual do Perfeito Revisor, vademeco de ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa.
São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 25-6.
No que se refere às ideias, aos fatores de textualidade do texto 6A1AAA e à variação linguística, julgue os seguintes itens.
Conclui-se do texto que é por falta de dinheiro que “o revisor” não tem ao seu dispor “as tecnologias da informática”.
Texto associado
Texto 6A4AAA
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
1 Todo escritor convive com um terror permanente: o do
erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida
de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
4 profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma
letra ou de uma vírgula no que sai impresso pode decidir se o
autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado,
7 consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois
autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que
manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos
10 do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada,
internacional, de revisores significaria para a nossa
13 civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque
ainda não se deram conta do poder que têm. Eles
desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
16 pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações
involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por
19 manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de
estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas
e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma
22 revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais
para contemplar.
Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7 (com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
Conclui-se do texto que “o poder de vida ou de morte profissional sobre o autor” (l. 3 e 4) que os revisores têm restringe-se a alterações na forma superficial dos textos, sem atingir seu conteúdo.
Texto associado
Texto 6A3BBB
1 Um elemento parece caracterizar a gestão pública
brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e
práticas gerenciais típicas do mundo corporativo. Criatividade,
4 postura empreendedora, inovação gerencial, gestão por
resultados, contratos de gestão, gestão por competências são
alguns dos termos e expressões que, paulatinamente,
7 incorporam-se ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias
da gestão pública nacional.
Influenciadas pela disseminação de concepções
10 neoliberais, calcadas nas noções de Estado mínimo e gestão por
resultados, as instituições públicas cada vez mais aparentam
aderir à lógica de mercado, concebendo o cidadão como cliente
13 e adotando novas políticas e práticas de gestão, conforme
disseminadas na esfera privada.
No Brasil, tal fenômeno ganhou espaço a partir do
16 processo de redemocratização, nos anos 80 do século XX,
alimentado pela difusão de discursos que enfatizam uma ampla
crise da administração pública, cujo equacionamento
19 demandaria novos paradigmas de gestão, capazes de superar as
estruturas centralizadas, as hierarquias formais e os sistemas de
controle tayloristas prevalentes. Em outros termos, acentuou-se
22 a necessidade de superação dos tradicionais modelos de gestão
pública, burocráticos e autocráticos, por meio da difusão de
novos sistemas, mais democráticos, participativos e
25 meritocráticos. Ademais, disseminou-se, na esteira do
movimento em torno da qualidade total, a relevância de as
organizações públicas considerarem com maior atenção seus
28 clientes e outras partes interessadas, rompendo corporativismos
e privilégios históricos.
Mesmo reconhecendo-se que o objetivo das
31 organizações vinculadas ao Estado não deveria ser o lucro,
demandava-se maior eficiência e transparência quanto ao valor
que, efetivamente, elas agregavam à sociedade. Nesse sentido,
34 as organizações públicas se veem pressionadas a rever suas
estruturas e dinâmicas de funcionamento, a fim de otimizarem
seus processos e rotinas, assegurando melhor desempenho e
37 resultados mais efetivos. Como resultante, a demanda por
reformas no setor passou a constituir importante elemento da
agenda política nacional, inserindo-se, de forma sistemática,
40 nos discursos de lideranças e gestores públicos, que, cada vez
mais, deveriam assumir um perfil empresarial e gerencial.
Fátima B. de Oliveira; Anderson de S. Sant’Anna e Samir L. Vaz. Liderança no contexto da nova administração pública: uma análise sob a perspectiva de gestores públicos de MG e RJ. In: Revista de administração pública. Rio de Janeiro, 44(6):1453-75, nov.-dez./2010 (com adaptações).
Considerando as informações e as ideias do texto 6A3BBB, assim como seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.
1 Um elemento parece caracterizar a gestão pública
brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e
práticas gerenciais típicas do mundo corporativo. Criatividade,
4 postura empreendedora, inovação gerencial, gestão por
resultados, contratos de gestão, gestão por competências são
alguns dos termos e expressões que, paulatinamente,
7 incorporam-se ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias
da gestão pública nacional.
Influenciadas pela disseminação de concepções
10 neoliberais, calcadas nas noções de Estado mínimo e gestão por
resultados, as instituições públicas cada vez mais aparentam
aderir à lógica de mercado, concebendo o cidadão como cliente
13 e adotando novas políticas e práticas de gestão, conforme
disseminadas na esfera privada.
No Brasil, tal fenômeno ganhou espaço a partir do
16 processo de redemocratização, nos anos 80 do século XX,
alimentado pela difusão de discursos que enfatizam uma ampla
crise da administração pública, cujo equacionamento
19 demandaria novos paradigmas de gestão, capazes de superar as
estruturas centralizadas, as hierarquias formais e os sistemas de
controle tayloristas prevalentes. Em outros termos, acentuou-se
22 a necessidade de superação dos tradicionais modelos de gestão
pública, burocráticos e autocráticos, por meio da difusão de
novos sistemas, mais democráticos, participativos e
25 meritocráticos. Ademais, disseminou-se, na esteira do
movimento em torno da qualidade total, a relevância de as
organizações públicas considerarem com maior atenção seus
28 clientes e outras partes interessadas, rompendo corporativismos
e privilégios históricos.
Mesmo reconhecendo-se que o objetivo das
31 organizações vinculadas ao Estado não deveria ser o lucro,
demandava-se maior eficiência e transparência quanto ao valor
que, efetivamente, elas agregavam à sociedade. Nesse sentido,
34 as organizações públicas se veem pressionadas a rever suas
estruturas e dinâmicas de funcionamento, a fim de otimizarem
seus processos e rotinas, assegurando melhor desempenho e
37 resultados mais efetivos. Como resultante, a demanda por
reformas no setor passou a constituir importante elemento da
agenda política nacional, inserindo-se, de forma sistemática,
40 nos discursos de lideranças e gestores públicos, que, cada vez
mais, deveriam assumir um perfil empresarial e gerencial.
Fátima B. de Oliveira; Anderson de S. Sant’Anna e Samir L. Vaz. Liderança no contexto da nova administração pública: uma análise sob a perspectiva de gestores públicos de MG e RJ. In: Revista de administração pública. Rio de Janeiro, 44(6):1453-75, nov.-dez./2010 (com adaptações).
Considerando as informações e as ideias do texto 6A3BBB, assim como seus aspectos linguísticos, julgue os itens a seguir.