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Sabemos que Ana não opera mais no senso comum porque

A acalmou os seus reais medos e temores.
B expõe suas crenças pessoais sobre pessoas cegas.
C o que é banal e familiar tornou-se estranho para ela.
D o ato revela o caráter egoísta do seu pensamento.
E deposita confiança no que seus sentidos revelam.

Do ponto de vista da experiência filosófica, o que ocorreu com Ana revela que

A ela na verdade ficou presa em seus pensamentos.
B o excerto é apenas uma narrativa da vida cotidiana.
C ela experiencia a atitude filosófica por ter se espantado.
D ela percebeu que há preconceitos em seu íntimo.
E ela percebe que o cotidiano pode revelar-se enfadonho.

No século XVII já eram fabricados autômatos que despertavam interesse e admiração pela complexidade e perfeição de
movimentos. O pensador francês René Descartes reflete então sobre a possibilidade de ser fabricado um autômato a tal ponto
semelhante a um ser humano que tornasse quase impossível a tarefa de diferenciar o homem da máquina. Para distingui-los,
sugere dois critérios. Máquinas poderiam até proferir palavras obedecendo a comandos, mas nunca arranjar as palavras para
responder ao sentido de tudo quanto se disser na sua presença . E, do mesmo modo, ainda que máquinas pudessem vir a
desempenhar algumas tarefas de modo muito superior aos seres humanos, contudo, falhariam infalivelmente em algumas
outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento .

(DESCARTES, René. Discurso do Método , Parte V, § 10)

Traduz os argumentos do filósofo para o nosso tempo o que se encontra em:

A Os notáveis desenvolvimentos da Inteligência Artificial permitem mimetizar raciocínios e comportamentos, porém não
operam com a plasticidade e inventividade da razão criadora enquanto um atributo exclusivamente humano.
B O funcionamento de máquinas não guarda qualquer semelhança com a mente de seus criadores.
C No século XVII o conhecimento técnico ainda era restrito, então não seria possível ao filósofo fazer qualquer avaliação
sobre a relação entre humanos e máquinas.
D Com os avanços dos conhecimentos em Inteligência Artificial é razoável prever que computadores e robôs eventualmente
conseguirão reproduzir todos os aspectos e características do comportamento humano.
E Robôs e computadores devem ser destinados sobretudo ao entretenimento como os autômatos do passado, seus precursores.

Na Investigação sobre o Entendimento Humano , escrita em meados do século XVIII, o filósofo escocês David Hume trata, dentre outros temas, da aquisição do conhecimento humano. O príncipe indiano que recusou crédito aos primeiros relatos sobre os efeitos da geada raciocinava com acerto; e, naturalmente, era preciso um testemunho muito forte para levá-lo a admitir fatos decorrentes de um estado da natureza que ele desconhecia por completo e que tão pouca analogia mostravam com os acontecimentos de que tinha experiência constante e uniforme. (Cf. HUME, David. Investigação sobre o Entendimento Humano , § 89) O exemplo do filósofo

A não se refere à diversidade de conhecimentos entre diferentes povos e culturas.
B sugere que as trocas culturais também são ocasiões de entretenimento.
C enfatiza o papel da experiência constante e uniforme na formação do conhecimento acerca das causas e efeitos que explicam os fenômenos naturais.
D exclui os testemunhos na formação do conhecimento da natureza.
E mostra que quem raciocina com acerto ignora as razões dos outros.

Francis Bacon, filósofo inglês do século XVI, diz-se arauto da ciência experimental em busca de um novo método. Esse caminho é dificultado pelos ídolos, os enganos que enredam a busca pelo conhecimento verdadeiro: as opiniões preconcebidas (ídolos da caverna), a perspectiva antropocêntrica sobre a natureza (ídolos da tribo), a força das opiniões compartilhadas (ídolos do mercado) e das tradições sedimentadas (ídolos do teatro). Os ídolos, embora aninhados na mente dos homens, só revelam sua ação se observados na trama social, ou seja, no interior das culturas. A teoria dos ídolos é hoje considerada pela sociologia do conhecimento o vestíbulo das ideologias. Desse modo, pode-se concluir que

A o combate aos ídolos pode dificultar a busca pelo conhecimento experimental confiável.
B a perspectiva antropocêntrica é um ídolo que não pode ser combatido, pois é intrínseca à constituição da mente humana.
C a tradição é um ídolo encontrado em todas as culturas, por isso não é obstáculo ao conhecimento.
D a busca pelo conhecimento orientada pelo método visa corrigir os enganos e desvios provocados por ideários enquanto atribuições de sentido preexistentes à investigação.
E o termo “ídolo” é inadequado para expressar o caráter tácito das opiniões preconcebidas que visa denunciar.

[...] surge daí uma questão: é melhor ser amado que temido ou o inverso? A resposta é que seria de desejar ser ambas as coisas, mas, como é difícil combiná-las, é muito mais seguro ser temido do que amado, quando se tem de desistir de uma das duas. (Maquiavel. O Príncipe . São Paulo: Martins Fontes, 2001) Valendo-se disso, é correto afirmar que

A no íntimo de cada um há uma propensão para oprimir.
B não é possível a alguém querer ser amado e querer ser temido.
C o amor deve sempre prevalecer diante de nossos maiores temores.
D amor e temor são considerados como dois lados da mesma moeda.
E alguém que é temido, nunca será alguém que é amado.

(I) Todo ser humano por natureza deseja saber. (II) Sinal disto é o deleite pelas sensações. Aparte de sua utilidade, os seres humanos sentem deleite pelas sensações por elas mesmas, principalmente a da visão [...]. (III) A causa disto é que ela, mais do que as outras sensações, produz conhecimento e torna evidente muitas diferenças. (Aristóteles. Metafísica . Texto estabelecido por W. D. Ross. Oxford: Clarendon Press. 1924) A passagem da Metafísica de Aristóteles é um raciocínio aos moldes de um silogismo, de modo que, em conformidade com este filósofo,

A I é a conclusão do raciocínio.
B I não é a conclusão do raciocínio.
C III é a conclusão do raciocínio.
D II não é premissa do raciocínio.
E II é a conclusão do raciocínio.

No diálogo Mênon de Platão, alguém interpela: Sócrates, mesmo antes de estabelecer relações contigo, eu já ouvia dizer que nada fazes senão caíres tu mesmo em aporia, e levares também outros a cair em aporia . (Adaptado de: Mênon , tradução Maura Iglésias, Rio de Janeiro: Loyola, 2001) De acordo com a passagem, o efeito causado por Sócrates é chamado de “cair em aporia”, o que significa que

A Sócrates troça e embaraça os seus interlocutores.
B Sócrates produz o engano naqueles com quem dialoga.
C os interlocutores se envergonham de sua própria ignorância.
D Sócrates encanta por meio de sua habilidade argumentativa.
E Sócrates leva a si e aos outros interlocutores a um impasse.

Como adquirimos conhecimento? Na filosofia, uma resposta possível está na tese do inatismo. É correto dizer que, para a tese inatista,

A nossas ideias inatas são verdades individuais e particulares.
B existem verdades atemporais aquém da experiência empírica.
C somos como uma cera sem forma e sem nada impresso nela.
D são adquiridas mediante a recordação dos acontecimentos que se passaram em vida.
E as ideias inatas são correspondências com a experiência empírica.

Descartes em suas Meditações Metafísicas (São Paulo: Martins Fontes, 2005) estabelece: Assim, para rejeitar todas as minhas opiniões, bastará encontrar em cada uma delas pelo menos algum motivo de dúvida . Com base nisso, considere as afirmações abaixo sobre o ceticismo de Descartes:

I. Como há alguma razão para duvidar de suas opiniões, Descartes opta pela suspensão de juízo à maneira do ceticismo antigo.

II. Descartes pretende encontrar uma opinião irrefutável, primeira verdade a resistir à dúvida hiperbólica.

III. Não há opinião que escape à dúvida hiperbólica cartesiana. Está correto o que se afirma APENAS em

A I.
B II e III.
C III.
D II.
E I e II.