Texto II
1 ____ O índio não teve muita sorte na literatura brasileira,
depois do Romantismo. Enquanto nas letras
hispano-americanas viceja um esplêndido indigenismo pelo
4 século XX adentro, com tantos e tão importantes criadores
dedicando-se a transpor o índio para a ficção, no Brasil se
podem contar nos dedos das mãos os casos.
7 ____ Torna a trazer o assunto à baila o aparecimento e
grande vendagem de Maíra , romance de Darcy Ribeiro.
O renomado antropólogo já tinha em seu acervo de realizações
10 uma respeitável brasiliana, incluindo vários trabalhos sobre os
índios, um dos quais, a história de Uirá, fora transformado em
filme no início da década de 70. Maíra é, portanto, a primeira
13 incursão do autor pelo épico, a menos que se considere a
história de Uirá como uma primeira aproximação ao gênero.
O relato, como o filme, dá conta do trágico percurso
16 de Uirá, da tribo Urubu-Kaapor, no Maranhão deste século, o
qual um dia fica iñaron quando, após muitas desgraças comuns
ao destino dos índios brasileiros, como fome, espoliação,
19 epidemias, perseguições, perde também um dos filhos.
A palavra tupi iñaron designa um estado de fúria
sagrada, associado ao sofrimento excessivo, não deixando de
22 lembrar as famosas fúrias dos heróis gregos: Hércules, uma vez
acometido por um desses acessos, enviado pela vingativa Hera,
matou, sem o saber, seus três filhos e esposa, tal como vem
25 narrado na tragédia Héracles Furioso , de Eurípedes.
Nas Bacantes , do mesmo autor, Agave, fora de si, participa do
desmembramento de seu filho adulto, Penteu, rei de Tebas.
28 E talvez o mais formidável exemplo seja o da cólera de
Aquiles, que dá nascimento à inteira composição da Ilíada ,
desencadeada por sua recusa a continuar lutando. Devido à
31 recusa de Aquiles, quase foi perdida a guerra de Troia e, não
fosse sua fúria, o poema não teria sido composto.
Em meio ao furacão histórico da fase do capitalismo
34 selvagem no país, quando o acirramento da acumulação leva
multinacionais e suas cabeças-de-ponte nacionais a
apropriar-se dos mais recônditos confins com vistas ao lucro,
37 encontram-se, estonteados, os índios. O único problema dos
Mairum — nome inventado, tribo arquetípica de todas as
tribos, povo de Maíra — é como sobreviver e como fazer sua
40 cultura sobreviver, com crescente dificuldade.
O romance inteiro soa como uma lamentação, um
carpir sobre o fim de uma civilização das mais admiráveis.
43 Seus trechos mais bem realizados são aqueles nos quais uma
espécie de narrador coletivo índio dá conta de sua maneira de
ver o mundo, de como compreende e interpreta seus hábitos e
46 tradições; e, o que é mais importante, franqueia para o leitor
seu tremendo desejo de sobrevivência e alegria de viver.
A produção e publicação de um romance como esse,
49 agora, mostra como o índio está mais vivo do que nunca em
sua conexão com a literatura brasileira. Tampouco deve ser
uma coincidência que, neste exato momento, outras ficções,
52 filmes, romances, peças de teatro, novelas de televisão,
canções, estejam sendo feitos, todos sobre os índios, todos
lutando em defesa de sua preservação para a História. Quando
55 há tanta desconfiança em relação à pulsão destrutiva da
civilização ocidental e entre nós é tão escandaloso o
capitalismo selvagem, isso pode vir a significar alguma coisa.
58 Talvez uma postura mais cautelosa e menos arrogante, de
quem está aprendendo a perceber que outras civilizações
encontraram saídas melhores e, sobretudo, não suicidas para
61 males que hoje parecem irremediáveis, como o problema do
poder, da proliferação e potenciação dos armamentos, da
destruição da natureza, do Estado e de seu aparelho, da
64 igualdade nunca encontrada. A alegoria da moça branca morta
ao parir mestiços mortos poderá significar também o caráter
heteroletal e autoletal da etnia branca? Pode ser que a
67 importância da civilização indígena esteja, final e
penosamente, penetrando na consciência do corpo social
brasileiro.
Walnice Nogueira Galvão. Indianismo revisitado . In : Esboço de figura – Homenagem
a Antonio Candido . São Paulo: Duas Cidades, 1979, p. 379-89 (com adaptações).
Julgue ( C ou E ) os itens seguintes, relacionados às ideias desenvolvidas no texto II.
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Texto associado
No início do século XIX, o conjunto de pressupostos históricos de sistematização da geografia já havia ocorrido: a Terra já estava toda reconhecida; a Europa articulava um espaço de relações econômicas mundial; havia informações dos lugares mais variados da superfície terrestre, bem como representações do globo, devido ao uso cada vez maior de mapas.
Antônio Carlos Robert Moraes. Apud : Auro de Jesus Rodrigues. Geografia: introdução
à ciência geográfica . São Paulo: Editora Avercamp, 2008 (com adaptações).
O neocolonialismo teve forte influência no desenvolvimento do pensamento geográfico europeu durante o século XIX e o início do século XX. A geografia, enquanto ciência a serviço dos Estados nacionais, foi instrumento de poder europeu sob vastas extensões territoriais na África, na América, na Ásia e na Oceania. A respeito desse assunto, julgue ( C ou E ) os itens que se seguem, tendo como referência o texto apresentado.
Antônio Carlos Robert Moraes. Apud : Auro de Jesus Rodrigues. Geografia: introdução
à ciência geográfica . São Paulo: Editora Avercamp, 2008 (com adaptações).
O neocolonialismo teve forte influência no desenvolvimento do pensamento geográfico europeu durante o século XIX e o início do século XX. A geografia, enquanto ciência a serviço dos Estados nacionais, foi instrumento de poder europeu sob vastas extensões territoriais na África, na América, na Ásia e na Oceania. A respeito desse assunto, julgue ( C ou E ) os itens que se seguem, tendo como referência o texto apresentado.
O levantamento e a descrição de informações nos trabalhos geográficos do século XIX e do início do século XX foram influenciados pela ideia de multidisciplinaridade das ciências. Assim, as informações sobre paisagens e regiões eram apresentadas, de forma detalhada, com sessões conjuntas para fatos humanos (população, economia, povoamento etc.) e fatos naturais (clima, relevo, vegetação, geologia, hidrografia, recursos naturais).
Texto associado
A política externa alemã passa por mudanças drásticas, com a diversificação de temas e espaços de atuação, em comparação à agenda anterior, mais restrita a temas da Europa e do G-7. Tendo como referência essas modificações, julgue ( C ou E ) os itens que se seguem, a respeito da agenda externa alemã contemporânea.
A Alemanha tem-se mostrado disposta a levantar, ou ao menos a atenuar, as sanções impostas à Rússia em decorrência da anexação da Crimeia — considerada ilegal — e da desestabilização deliberada da Ucrânia, caso a Rússia cumpra os Acordos de Minsk, celebrados em fevereiro de 2015.
Texto associado
De acordo com o documento Common Purpose: Towards a more effective OSCE , de junho de 2005, a Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) é “a única organização regional para a cooperação em temas de segurança na qual Estados-membros de Vancouver a Vladivostok participam em condições de igualdade”. A respeito da OSCE, julgue ( C ou E ) os itens a seguir.
A OSCE mantém programas de cooperação na área de segurança internacional com a OTAN, as Nações Unidas e a União Europeia. Com a ONU, um dos principais programas refere-se ao apoio à implementação da Resolução n.º 1.540/2004, do Conselho de Segurança, a respeito do controle da proliferação de armas nucleares, químicas e biológicas.
Texto associado
Desde o advento das reformas empreendidas por Deng Xiaoping — a partir de 1978 —, a China experimenta uma inserção crescente, ampla e contínua na economia global, em termos de crescimento econômico, inovação, investimentos, expansão de infraestrutura, geração de energia, ampliação de mercados e diversificação de exportações. A respeito da expansão dos interesses e da diplomacia econômica chinesa, julgue ( C ou E ) os itens subsequentes.
Não obstante a expansão da oferta chinesa de bens e serviços de alto valor agregado, o país defronta-se com claros limites à expansão de sua competitividade global, diante do estancamento dos seus índices de produtividade do trabalho, desde meados da década passada.
Texto associado
Texto IV
1 ____ Em suas remotas origens helênicas, o termo “caráter”
significou gravar. Empregavam-no, então, tanto para exprimir
o sinete como a marca deixada na cera dócil. Essa dupla
4 significação ainda hoje é vernácula — se não corrente — em
certas acepções. Na linguagem tipográfica, por exemplo,
“caráter” tanto é o tipo da imprensa como o sinal ou a letra
7 gravada. Assim sendo, podemos dizer que o caráter de um
homem não é somente o seu feitio moral, senão também a
expressão e a impressão do indivíduo. Em arte, caráter será a
10 personalidade do autor, o aspecto aparente e profundo da obra
e o efeito dela. Fixada assim a verdadeira acepção do termo,
podemos afirmar que o mérito maior do poema do Sr. Menotti
13 del Picchia é “o caráter”. Poesia profundamente simples e
pessoal, de inspiração larga e sadia, tem a força das obras bem
concebidas e a beleza das coisas naturais. Poesia de corpos
16 simples, poderíamos dizer, pela sobriedade de linhas no
sentimento, no pensamento e na expressão. Sente-se que o
autor procurou a naturalidade e não a arte, que é o melhor
19 caminho para atingir a esta.
O segredo da arte é a naturalidade sem prejuízo da
perfeição.
22 ___ O Sr. Menotti del Picchia ainda não pôde
naturalmente desvendar o segredo da arte. Se no buscar a
expressão natural do seu lirismo alcançou a arte, não se
25 despojou ainda das incertezas dessa procura, de certa fraqueza
de técnica. Defeitos são todos estes transitórios, quase
necessários em quem apenas se inicia.
28 ___ A essência do livro é excelente.
Indica no autor uma personalidade inconfundível, que
procura em si mesmo ou em torno de si os motivos de sua
31 estética. Nem se distingue pela obsessão do isolamento, nem
se perde por modelos estranhos. Daí lhe vem a superioridade
de caráter individual. Se o caráter do autor provém dessa
34 independência sem esforço, reside o da obra em sua
originalidade natural; na conformidade com o meio, em uma
perfeita radicação no solo pátrio, na simplicidade da
37 construção e nas perfeitas proporções do ímpeto poético.
O próprio desconcerto, em pormenores do poema principal e
de outras produções secundárias, concorre para a
40 individualidade desse esplêndido ensaio.
O caráter desse livro se conserva pela ressonância que
tem. Não são versos agradáveis, suaves ou elegantes, que com
43 tanto agrado se leem quanto facilmente se esquecem. São
versos que lidos — ficam; gravam-se invencivelmente na
memória, ora destacados, ora em bloco. A crítica, no julgar e
46 no decompor as obras, não pode desprezar a intuição, se não
é principalmente isso. E um dos mais seguros processos de
intuição, no distinguir o valor das obras, é esse da permanência
49 das sensações.
Os poemas do Sr. Menotti del Picchia deixam uma
funda impressão de sua leitura: não pode haver melhor
52 demonstração do seu “caráter”. Quando essa impressão não se
limitar aos leitores e aos críticos, e se estender à própria
literatura nacional, terá a sua poesia atingido o grau supremo
55 que lhe auguro.
Juca Mulato é um poema simples. Encerra uma lição
profunda na singeleza do motivo e da intenção. É certo que a
58 evidência da beleza não pode ser em arte um critério
axiomático. Quantas vezes a paciência é o melhor guia da
emoção estética? A exegese das sinfonias de Beethoven, como
61 a dos dramas musicais de Wagner, aumenta a nossa
receptividade para essa arte de titãs, se bem que a intuição
íntima e a explicação individual sejam imprescindíveis.
64 ____ O poema do Sr. Menotti del Picchia tem a
simplicidade e a frescura das criações espontâneas e
necessárias, onde o esforço da composição permanece obscuro
67 como deve.
Para lhe realçar a beleza não se sente a crítica
compelida a buscar símbolos problemáticos ou filosofias
70 arbitrárias. Sendo o que é — um mal de amor impossível que
leva a alma à desesperança, para se resignar depois e ressurgir
consolada pela visão da terra amada, da felicidade atingível e
73 do sonho necessário —, comove pelo simples aspecto de suas
linhas harmoniosas.
A beleza maior do poema, que é também o seu
76 caráter, está na sua simplicidade radical. O poeta reprimiu
voluntariamente as possíveis exuberâncias ou ambições de seu
lirismo para ficar dentro do assunto que escolheu. Ganhou com
79 isso um grande poder virtual e marca mais do que se quisesse
marcar: a acústica de uma construção humana nunca chega à
acuidade de um eco natural.
82 ___ Juca Mulato é a reconciliação do homem consigo
mesmo, do brasileiro com sua terra, do bárbaro com seu
isolamento. Reconciliação às vezes impossível, outras ilusória,
85 sempre necessária, raramente realizada. O consolo de Juca
Mulato é a indicação do caminho a seguir.
Alceu Amoroso Lima. Um poeta . In : Estudos literários .
Rio de Janeiro: Aguilar, 1966, p.133-5 (com adaptações).
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto IV, julgue ( C ou E ) os itens a seguir.
1 ____ Em suas remotas origens helênicas, o termo “caráter”
significou gravar. Empregavam-no, então, tanto para exprimir
o sinete como a marca deixada na cera dócil. Essa dupla
4 significação ainda hoje é vernácula — se não corrente — em
certas acepções. Na linguagem tipográfica, por exemplo,
“caráter” tanto é o tipo da imprensa como o sinal ou a letra
7 gravada. Assim sendo, podemos dizer que o caráter de um
homem não é somente o seu feitio moral, senão também a
expressão e a impressão do indivíduo. Em arte, caráter será a
10 personalidade do autor, o aspecto aparente e profundo da obra
e o efeito dela. Fixada assim a verdadeira acepção do termo,
podemos afirmar que o mérito maior do poema do Sr. Menotti
13 del Picchia é “o caráter”. Poesia profundamente simples e
pessoal, de inspiração larga e sadia, tem a força das obras bem
concebidas e a beleza das coisas naturais. Poesia de corpos
16 simples, poderíamos dizer, pela sobriedade de linhas no
sentimento, no pensamento e na expressão. Sente-se que o
autor procurou a naturalidade e não a arte, que é o melhor
19 caminho para atingir a esta.
O segredo da arte é a naturalidade sem prejuízo da
perfeição.
22 ___ O Sr. Menotti del Picchia ainda não pôde
naturalmente desvendar o segredo da arte. Se no buscar a
expressão natural do seu lirismo alcançou a arte, não se
25 despojou ainda das incertezas dessa procura, de certa fraqueza
de técnica. Defeitos são todos estes transitórios, quase
necessários em quem apenas se inicia.
28 ___ A essência do livro é excelente.
Indica no autor uma personalidade inconfundível, que
procura em si mesmo ou em torno de si os motivos de sua
31 estética. Nem se distingue pela obsessão do isolamento, nem
se perde por modelos estranhos. Daí lhe vem a superioridade
de caráter individual. Se o caráter do autor provém dessa
34 independência sem esforço, reside o da obra em sua
originalidade natural; na conformidade com o meio, em uma
perfeita radicação no solo pátrio, na simplicidade da
37 construção e nas perfeitas proporções do ímpeto poético.
O próprio desconcerto, em pormenores do poema principal e
de outras produções secundárias, concorre para a
40 individualidade desse esplêndido ensaio.
O caráter desse livro se conserva pela ressonância que
tem. Não são versos agradáveis, suaves ou elegantes, que com
43 tanto agrado se leem quanto facilmente se esquecem. São
versos que lidos — ficam; gravam-se invencivelmente na
memória, ora destacados, ora em bloco. A crítica, no julgar e
46 no decompor as obras, não pode desprezar a intuição, se não
é principalmente isso. E um dos mais seguros processos de
intuição, no distinguir o valor das obras, é esse da permanência
49 das sensações.
Os poemas do Sr. Menotti del Picchia deixam uma
funda impressão de sua leitura: não pode haver melhor
52 demonstração do seu “caráter”. Quando essa impressão não se
limitar aos leitores e aos críticos, e se estender à própria
literatura nacional, terá a sua poesia atingido o grau supremo
55 que lhe auguro.
Juca Mulato é um poema simples. Encerra uma lição
profunda na singeleza do motivo e da intenção. É certo que a
58 evidência da beleza não pode ser em arte um critério
axiomático. Quantas vezes a paciência é o melhor guia da
emoção estética? A exegese das sinfonias de Beethoven, como
61 a dos dramas musicais de Wagner, aumenta a nossa
receptividade para essa arte de titãs, se bem que a intuição
íntima e a explicação individual sejam imprescindíveis.
64 ____ O poema do Sr. Menotti del Picchia tem a
simplicidade e a frescura das criações espontâneas e
necessárias, onde o esforço da composição permanece obscuro
67 como deve.
Para lhe realçar a beleza não se sente a crítica
compelida a buscar símbolos problemáticos ou filosofias
70 arbitrárias. Sendo o que é — um mal de amor impossível que
leva a alma à desesperança, para se resignar depois e ressurgir
consolada pela visão da terra amada, da felicidade atingível e
73 do sonho necessário —, comove pelo simples aspecto de suas
linhas harmoniosas.
A beleza maior do poema, que é também o seu
76 caráter, está na sua simplicidade radical. O poeta reprimiu
voluntariamente as possíveis exuberâncias ou ambições de seu
lirismo para ficar dentro do assunto que escolheu. Ganhou com
79 isso um grande poder virtual e marca mais do que se quisesse
marcar: a acústica de uma construção humana nunca chega à
acuidade de um eco natural.
82 ___ Juca Mulato é a reconciliação do homem consigo
mesmo, do brasileiro com sua terra, do bárbaro com seu
isolamento. Reconciliação às vezes impossível, outras ilusória,
85 sempre necessária, raramente realizada. O consolo de Juca
Mulato é a indicação do caminho a seguir.
Alceu Amoroso Lima. Um poeta . In : Estudos literários .
Rio de Janeiro: Aguilar, 1966, p.133-5 (com adaptações).
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto IV, julgue ( C ou E ) os itens a seguir.
O trecho “se não corrente” (l.4) poderia ser corretamente substituído por se não for corrente , preservando-se o sentido original do texto.
Texto associado
Texto I
1 ____ “Ah, o Brasil, que país!”, exclama uma personagem
de La Vie Dangereuse . “Que país, esse Brasil!”, repetirão,
com diferentes entonações, o melancólico capitão de longo
4 curso, um agente da Terceira Internacional, a mulher de um
diplomata reformado. Na verdade, as dimensões míticas desse
subcontinente verde, sobrecarregado de movimento e de vida,
7 só poderiam fascinar a imaginação de Blaise Cendrars.
Viajante sem bagagem e sem descanso, o poeta do
Transiberiano já se havia declarado irrevogavelmente contra
10 as descrições de paisagens. Penetrar as coisas, interpretá-las,
descrever ao seu modo animais e homens era a missão do
viajante algo entediado.
13 ____ A dança da paisagem... As sempre mesmas Europas...
Diante delas: o Brasil, vaga expressão geográfica, país novo,
quase um desconhecido de si mesmo, imenso laboratório de
16 culturas onde coexistiam as mais contraditórias experiências de
tempo social. A síntese psicológica e cultural, a paisagem
humana feita de contrastes tão variados do Brasil teriam de
19 exercer gradativamente sobre Cendrars atração irresistível.
Mesmo antes da Grande Guerra — está-se farto de
saber —, o jovem escritor suíço pretendia, com argumentos
22 mais ou menos míticos, haver conhecido os países decisivos
do mundo, da China aos Estados Unidos da América, da
Alemanha ao Egito. O seu prestígio no mundo literário,
25 consolidado já a partir de 1912 — data da primeira edição de
Les Pâques à New York —, crescera definitivamente, no ano
seguinte, com a Prose du Transsibérien et de la Petite
28 Jehanne de France , para não falarmos de outros textos que
publica em revistas de vanguarda. É preciso não esquecer
também algumas plaquettes ilustradas pelos pintores cubistas
31 mais conhecidos, e que os colecionadores disputam.
A Anthologie Nègre , de 1921, vem a ser um êxito de público
e de crítica; consegue mesmo rejuvenescer um pouco ainda a
34 moda primitivista, já em desfavor nos meios mais à vanguarda.
É depois da publicação da Anthologie que o
compositor Darius Milhaud, interessado pelo jazz desde o final
37 da guerra, procura a colaboração do poeta para um balé de
tema negro que deseja compor. De 1917 a 1918, Milhaud fora
adido à Legação francesa no Rio de Janeiro. Viera para essa
40 cidade a convite de Paul Claudel, então chefe da missão
diplomática do seu país junto ao governo brasileiro, e que não
desejava interromper a colaboração intelectual que ambos
43 mantinham na Europa. Compositor e poeta continuarão a
trabalhar juntos no Brasil, em busca de uma integração
dramática entre música e teatro declamado. Para Darius
46 Milhaud, entretanto, que também escreve a música incidental
para a farsa lírica O Urso e a Lua , do seu chefe, a descoberta
da música popular brasileira — o maxixe, o choro, o
49 tanguinho, o samba —, com os seus problemas específicos de
ritmo, foi muito estimulante. No Rio, ele conhecera o jovem
Villa-Lobos — para quem Stravinski acabara de ser uma
52 revelação —, que começava a encarar a possibilidade de
utilizar, de maneira orgânica, o vasto folclore nacional. Por sua
vez, Milhaud, introduzido no ambiente da música popular do
55 Rio, recolhe o material que utilizará em seguida no Boeuf sur
le Toît , chaplinesca “cinema-sinfonia sobre temas
sul-americanos”, cujo título e frenético dinamismo se inspiram,
58 entre outros motivos, no maxixe Boi no Telhado , de Zé
Boiadêro.
Darius Milhaud foi, sem dúvida, o primeiro
61 intelectual a despertar a curiosidade de Cendrars pelo Brasil.
Conhecedor do singular temperamento do amigo novo, o
compositor percebeu o interesse que a experiência de um
64 mundo inteiramente inédito — dessa paisagem deveras
anônima , conforme Gobineau a classificara com hepático mau
humor cinquenta anos antes — iria provocar no poeta do
67 Panama . Mesmo assim, é pouco provável que, nessa época,
Cendrars alimentasse o mais vago propósito de partir para a
América do Sul, rumo ao país delirante e ingênuo dos bois
70 no telhado. Os acontecimentos, porém, se precipitam.
La Création du Monde seria dançada pelos Ballets Suédois,
de Rolf de Maré, em outubro de 1923, e, em janeiro do ano
73 seguinte, com o irônico desprendimento do turista ocasional,
Cendrars estava zarpando para o Brasil a bordo do Formoso,
vapor que batia bandeira francesa.
Alexandre Eulálio. A aventura brasileira de Blaise Cendrars .
São Paulo: Quíron, 1978, p.14-6 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto I, julgue ( C ou E ) os itens subsequentes.
1 ____ “Ah, o Brasil, que país!”, exclama uma personagem
de La Vie Dangereuse . “Que país, esse Brasil!”, repetirão,
com diferentes entonações, o melancólico capitão de longo
4 curso, um agente da Terceira Internacional, a mulher de um
diplomata reformado. Na verdade, as dimensões míticas desse
subcontinente verde, sobrecarregado de movimento e de vida,
7 só poderiam fascinar a imaginação de Blaise Cendrars.
Viajante sem bagagem e sem descanso, o poeta do
Transiberiano já se havia declarado irrevogavelmente contra
10 as descrições de paisagens. Penetrar as coisas, interpretá-las,
descrever ao seu modo animais e homens era a missão do
viajante algo entediado.
13 ____ A dança da paisagem... As sempre mesmas Europas...
Diante delas: o Brasil, vaga expressão geográfica, país novo,
quase um desconhecido de si mesmo, imenso laboratório de
16 culturas onde coexistiam as mais contraditórias experiências de
tempo social. A síntese psicológica e cultural, a paisagem
humana feita de contrastes tão variados do Brasil teriam de
19 exercer gradativamente sobre Cendrars atração irresistível.
Mesmo antes da Grande Guerra — está-se farto de
saber —, o jovem escritor suíço pretendia, com argumentos
22 mais ou menos míticos, haver conhecido os países decisivos
do mundo, da China aos Estados Unidos da América, da
Alemanha ao Egito. O seu prestígio no mundo literário,
25 consolidado já a partir de 1912 — data da primeira edição de
Les Pâques à New York —, crescera definitivamente, no ano
seguinte, com a Prose du Transsibérien et de la Petite
28 Jehanne de France , para não falarmos de outros textos que
publica em revistas de vanguarda. É preciso não esquecer
também algumas plaquettes ilustradas pelos pintores cubistas
31 mais conhecidos, e que os colecionadores disputam.
A Anthologie Nègre , de 1921, vem a ser um êxito de público
e de crítica; consegue mesmo rejuvenescer um pouco ainda a
34 moda primitivista, já em desfavor nos meios mais à vanguarda.
É depois da publicação da Anthologie que o
compositor Darius Milhaud, interessado pelo jazz desde o final
37 da guerra, procura a colaboração do poeta para um balé de
tema negro que deseja compor. De 1917 a 1918, Milhaud fora
adido à Legação francesa no Rio de Janeiro. Viera para essa
40 cidade a convite de Paul Claudel, então chefe da missão
diplomática do seu país junto ao governo brasileiro, e que não
desejava interromper a colaboração intelectual que ambos
43 mantinham na Europa. Compositor e poeta continuarão a
trabalhar juntos no Brasil, em busca de uma integração
dramática entre música e teatro declamado. Para Darius
46 Milhaud, entretanto, que também escreve a música incidental
para a farsa lírica O Urso e a Lua , do seu chefe, a descoberta
da música popular brasileira — o maxixe, o choro, o
49 tanguinho, o samba —, com os seus problemas específicos de
ritmo, foi muito estimulante. No Rio, ele conhecera o jovem
Villa-Lobos — para quem Stravinski acabara de ser uma
52 revelação —, que começava a encarar a possibilidade de
utilizar, de maneira orgânica, o vasto folclore nacional. Por sua
vez, Milhaud, introduzido no ambiente da música popular do
55 Rio, recolhe o material que utilizará em seguida no Boeuf sur
le Toît , chaplinesca “cinema-sinfonia sobre temas
sul-americanos”, cujo título e frenético dinamismo se inspiram,
58 entre outros motivos, no maxixe Boi no Telhado , de Zé
Boiadêro.
Darius Milhaud foi, sem dúvida, o primeiro
61 intelectual a despertar a curiosidade de Cendrars pelo Brasil.
Conhecedor do singular temperamento do amigo novo, o
compositor percebeu o interesse que a experiência de um
64 mundo inteiramente inédito — dessa paisagem deveras
anônima , conforme Gobineau a classificara com hepático mau
humor cinquenta anos antes — iria provocar no poeta do
67 Panama . Mesmo assim, é pouco provável que, nessa época,
Cendrars alimentasse o mais vago propósito de partir para a
América do Sul, rumo ao país delirante e ingênuo dos bois
70 no telhado. Os acontecimentos, porém, se precipitam.
La Création du Monde seria dançada pelos Ballets Suédois,
de Rolf de Maré, em outubro de 1923, e, em janeiro do ano
73 seguinte, com o irônico desprendimento do turista ocasional,
Cendrars estava zarpando para o Brasil a bordo do Formoso,
vapor que batia bandeira francesa.
Alexandre Eulálio. A aventura brasileira de Blaise Cendrars .
São Paulo: Quíron, 1978, p.14-6 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto I, julgue ( C ou E ) os itens subsequentes.
Segundo o autor do texto, Blaise Cendrars foi instigado a viajar ao Brasil devido à existência, no país, de ritmos musicais exóticos, entre os quais o maxixe.
Texto associado
No século passado, o fascismo e o comunismo foram correntes ideológicas presentes na política de muitos países. A respeito dessas correntes, julgue ( C ou E ) os itens subsequentes.
Na Itália fascista e na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) de Stálin, a lei era instrumento de controle social, e não de proteção do indivíduo.
Texto associado
Texto II
1 ____ O índio não teve muita sorte na literatura brasileira,
depois do Romantismo. Enquanto nas letras
hispano-americanas viceja um esplêndido indigenismo pelo
4 século XX adentro, com tantos e tão importantes criadores
dedicando-se a transpor o índio para a ficção, no Brasil se
podem contar nos dedos das mãos os casos.
7 ____ Torna a trazer o assunto à baila o aparecimento e
grande vendagem de Maíra , romance de Darcy Ribeiro.
O renomado antropólogo já tinha em seu acervo de realizações
10 uma respeitável brasiliana, incluindo vários trabalhos sobre os
índios, um dos quais, a história de Uirá, fora transformado em
filme no início da década de 70. Maíra é, portanto, a primeira
13 incursão do autor pelo épico, a menos que se considere a
história de Uirá como uma primeira aproximação ao gênero.
O relato, como o filme, dá conta do trágico percurso
16 de Uirá, da tribo Urubu-Kaapor, no Maranhão deste século, o
qual um dia fica iñaron quando, após muitas desgraças comuns
ao destino dos índios brasileiros, como fome, espoliação,
19 epidemias, perseguições, perde também um dos filhos.
A palavra tupi iñaron designa um estado de fúria
sagrada, associado ao sofrimento excessivo, não deixando de
22 lembrar as famosas fúrias dos heróis gregos: Hércules, uma vez
acometido por um desses acessos, enviado pela vingativa Hera,
matou, sem o saber, seus três filhos e esposa, tal como vem
25 narrado na tragédia Héracles Furioso , de Eurípedes.
Nas Bacantes , do mesmo autor, Agave, fora de si, participa do
desmembramento de seu filho adulto, Penteu, rei de Tebas.
28 E talvez o mais formidável exemplo seja o da cólera de
Aquiles, que dá nascimento à inteira composição da Ilíada ,
desencadeada por sua recusa a continuar lutando. Devido à
31 recusa de Aquiles, quase foi perdida a guerra de Troia e, não
fosse sua fúria, o poema não teria sido composto.
Em meio ao furacão histórico da fase do capitalismo
34 selvagem no país, quando o acirramento da acumulação leva
multinacionais e suas cabeças-de-ponte nacionais a
apropriar-se dos mais recônditos confins com vistas ao lucro,
37 encontram-se, estonteados, os índios. O único problema dos
Mairum — nome inventado, tribo arquetípica de todas as
tribos, povo de Maíra — é como sobreviver e como fazer sua
40 cultura sobreviver, com crescente dificuldade.
O romance inteiro soa como uma lamentação, um
carpir sobre o fim de uma civilização das mais admiráveis.
43 Seus trechos mais bem realizados são aqueles nos quais uma
espécie de narrador coletivo índio dá conta de sua maneira de
ver o mundo, de como compreende e interpreta seus hábitos e
46 tradições; e, o que é mais importante, franqueia para o leitor
seu tremendo desejo de sobrevivência e alegria de viver.
A produção e publicação de um romance como esse,
49 agora, mostra como o índio está mais vivo do que nunca em
sua conexão com a literatura brasileira. Tampouco deve ser
uma coincidência que, neste exato momento, outras ficções,
52 filmes, romances, peças de teatro, novelas de televisão,
canções, estejam sendo feitos, todos sobre os índios, todos
lutando em defesa de sua preservação para a História. Quando
55 há tanta desconfiança em relação à pulsão destrutiva da
civilização ocidental e entre nós é tão escandaloso o
capitalismo selvagem, isso pode vir a significar alguma coisa.
58 Talvez uma postura mais cautelosa e menos arrogante, de
quem está aprendendo a perceber que outras civilizações
encontraram saídas melhores e, sobretudo, não suicidas para
61 males que hoje parecem irremediáveis, como o problema do
poder, da proliferação e potenciação dos armamentos, da
destruição da natureza, do Estado e de seu aparelho, da
64 igualdade nunca encontrada. A alegoria da moça branca morta
ao parir mestiços mortos poderá significar também o caráter
heteroletal e autoletal da etnia branca? Pode ser que a
67 importância da civilização indígena esteja, final e
penosamente, penetrando na consciência do corpo social
brasileiro.
Walnice Nogueira Galvão. Indianismo revisitado . In : Esboço de figura – Homenagem
a Antonio Candido . São Paulo: Duas Cidades, 1979, p. 379-89 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto II, julgue ( C ou E ) os itens subsecutivos.
1 ____ O índio não teve muita sorte na literatura brasileira,
depois do Romantismo. Enquanto nas letras
hispano-americanas viceja um esplêndido indigenismo pelo
4 século XX adentro, com tantos e tão importantes criadores
dedicando-se a transpor o índio para a ficção, no Brasil se
podem contar nos dedos das mãos os casos.
7 ____ Torna a trazer o assunto à baila o aparecimento e
grande vendagem de Maíra , romance de Darcy Ribeiro.
O renomado antropólogo já tinha em seu acervo de realizações
10 uma respeitável brasiliana, incluindo vários trabalhos sobre os
índios, um dos quais, a história de Uirá, fora transformado em
filme no início da década de 70. Maíra é, portanto, a primeira
13 incursão do autor pelo épico, a menos que se considere a
história de Uirá como uma primeira aproximação ao gênero.
O relato, como o filme, dá conta do trágico percurso
16 de Uirá, da tribo Urubu-Kaapor, no Maranhão deste século, o
qual um dia fica iñaron quando, após muitas desgraças comuns
ao destino dos índios brasileiros, como fome, espoliação,
19 epidemias, perseguições, perde também um dos filhos.
A palavra tupi iñaron designa um estado de fúria
sagrada, associado ao sofrimento excessivo, não deixando de
22 lembrar as famosas fúrias dos heróis gregos: Hércules, uma vez
acometido por um desses acessos, enviado pela vingativa Hera,
matou, sem o saber, seus três filhos e esposa, tal como vem
25 narrado na tragédia Héracles Furioso , de Eurípedes.
Nas Bacantes , do mesmo autor, Agave, fora de si, participa do
desmembramento de seu filho adulto, Penteu, rei de Tebas.
28 E talvez o mais formidável exemplo seja o da cólera de
Aquiles, que dá nascimento à inteira composição da Ilíada ,
desencadeada por sua recusa a continuar lutando. Devido à
31 recusa de Aquiles, quase foi perdida a guerra de Troia e, não
fosse sua fúria, o poema não teria sido composto.
Em meio ao furacão histórico da fase do capitalismo
34 selvagem no país, quando o acirramento da acumulação leva
multinacionais e suas cabeças-de-ponte nacionais a
apropriar-se dos mais recônditos confins com vistas ao lucro,
37 encontram-se, estonteados, os índios. O único problema dos
Mairum — nome inventado, tribo arquetípica de todas as
tribos, povo de Maíra — é como sobreviver e como fazer sua
40 cultura sobreviver, com crescente dificuldade.
O romance inteiro soa como uma lamentação, um
carpir sobre o fim de uma civilização das mais admiráveis.
43 Seus trechos mais bem realizados são aqueles nos quais uma
espécie de narrador coletivo índio dá conta de sua maneira de
ver o mundo, de como compreende e interpreta seus hábitos e
46 tradições; e, o que é mais importante, franqueia para o leitor
seu tremendo desejo de sobrevivência e alegria de viver.
A produção e publicação de um romance como esse,
49 agora, mostra como o índio está mais vivo do que nunca em
sua conexão com a literatura brasileira. Tampouco deve ser
uma coincidência que, neste exato momento, outras ficções,
52 filmes, romances, peças de teatro, novelas de televisão,
canções, estejam sendo feitos, todos sobre os índios, todos
lutando em defesa de sua preservação para a História. Quando
55 há tanta desconfiança em relação à pulsão destrutiva da
civilização ocidental e entre nós é tão escandaloso o
capitalismo selvagem, isso pode vir a significar alguma coisa.
58 Talvez uma postura mais cautelosa e menos arrogante, de
quem está aprendendo a perceber que outras civilizações
encontraram saídas melhores e, sobretudo, não suicidas para
61 males que hoje parecem irremediáveis, como o problema do
poder, da proliferação e potenciação dos armamentos, da
destruição da natureza, do Estado e de seu aparelho, da
64 igualdade nunca encontrada. A alegoria da moça branca morta
ao parir mestiços mortos poderá significar também o caráter
heteroletal e autoletal da etnia branca? Pode ser que a
67 importância da civilização indígena esteja, final e
penosamente, penetrando na consciência do corpo social
brasileiro.
Walnice Nogueira Galvão. Indianismo revisitado . In : Esboço de figura – Homenagem
a Antonio Candido . São Paulo: Duas Cidades, 1979, p. 379-89 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto II, julgue ( C ou E ) os itens subsecutivos.
Conforme o texto, iñaron é palavra tupi que não é apropriada para denotar o sofrimento de todas as tribos indígenas, mas poderia denotar os sentimentos de fúria de heróis gregos como Agave e Aquiles.
Texto associado
As implicações da globalização para o Estado-nação incluem o impacto sobre sua capacidade de formular autonomamente políticas econômicas no âmbito doméstico, uma vez que ele está muito mais sujeito a pressões e a constrangimentos estruturais do sistema internacional que em outras épocas. A esse respeito, julgue ( C ou E ) os itens a seguir.