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No que diz respeito à determinação do produto real e do volume de emprego e aos fatores explicativos das flutuações cíclicas observadas nas economias capitalistas, considere as afirmativas abaixo. I - De acordo com o modelo clássico, a aceitação da lei de Say e da Teoria Quantitativa da Moeda, de um lado, e a hipótese de rigidez de preços e salários nominais, de outro, levam à conclusão de que as situações de equilíbrio entre oferta e demanda agregadas convergem para o pleno-emprego e para a ausência de qualquer tipo de desemprego voluntário ou involuntário. II - De acordo com o modelo keynesiano, só é possível haver equilíbrio entre oferta e demanda agregadas nas situações em que a economia funcione sob condições de plena capacidade e de pleno-emprego dos fatores produtivos. III - De acordo com o modelo novo-clássico, de ciclos econômicos reais, o conjunto de propriedades macroeconômicas micro fundamentadas e a incorporação de pressupostos, tais como a existência de um agente representativo que maximiza utilidades intertemporais, concorrência perfeita em todos os mercados, expectativas racionais, completa flexibilidade de preços e salários e a introdução de choques tecnológicos aleatórios, fazem com que as flutuações cíclicas sejam decorrentes de choques reais do lado da oferta, cujos efeitos se propagam até que a economia retorne a novo estado de equilíbrio.

I V - De acordo com o modelo pós-keynesiano, na abordagem de Hyman Minsky, as flutuações cíclicas observadas refletem fases transitórias de instabilidade, causada pela excessiva desregulação dos mercados financeiros, já que, para o autor, o capitalismo é um sistema caracterizado pela tendência à estabilidade no longo prazo. Está correto APENAS o que se afirma em

A III
B IV
C II e III
D I, II e IV
E II, III e IV

Das diversas competências das Agências de Crédito à Exportação, no Brasil, NÃO compete a elas a seguinte função:

A intermediar o contato direto entre o exportador e o importador, através da elaboração do contrato de exportação.
B prover financiamento às exportações de bens e serviços de elevado valor agregado.
C prover garantias e seguros de crédito às exportações.
D prover condições equânimes de financiamento ao exportador brasileiro, comparativamente aos concorrentes externos, com juros e prazos compatíveis com os praticados no mercado internacional.
E dirimir riscos associados às vendas externas.

Desde o final da década de 1980, o Comitê de Basileia para Supervisão Bancária realizou diversos Acordos (Basileia I, II e III) envolvendo Bancos Centrais e instituições supervisoras do sistema financeiro, com recomendações para reforçar a regulação, a supervisão e as melhores práticas bancárias, visando à promoção da estabilidade do sistema financeiro global. Um pilar comum aos Acordos de Basileia já firmados é a recomendação de exigências mínimas de capital por parte das instituições financeiras. De acordo com Basileia III, as exigências de capital requeridas por cada instituição financeira devem aumentar na proporção direta do

A respectivo tamanho da instituição
B grau de diversificação dos ativos existentes
C tamanho do sistema financeiro do país
D risco operacional da instituição
E valor dos ativos existentes, ponderados pelos respectivos riscos desses ativos

Na atualidade, a economia brasileira funciona sob o regime de câmbio flutuante e com elevada mobilidade (embora imperfeita) de capitais. Admita, então, que sejam válidas as hipóteses inerentes ao modelo de Mundell-Fleming (modelo IS-LM-BP) e que a economia se encontre em uma situação de equilíbrio inicial. Considere, adicionalmente, que o governo brasileiro adote uma política fiscal bastante expansionista, caracterizada pelo incremento de investimentos públicos. De acordo com o modelo de Mundell-Fleming, os efeitos finais, decorrentes da referida política fiscal expansionista, sobre a taxa de juros, a taxa de câmbio Real/Dólar (R$/ US$) e a renda agregada no país, comparativamente à situação prevalecente no equilíbrio inicial, serão, respectivamente, os seguintes:

A aumento, aumento e aumento
B aumento, redução e nulo
C aumento, redução e aumento
D redução, aumento e aumento
E redução, aumento e nulo

No sistema de instituições multilaterais e regionais contemporâneo, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) exercem posições de destaque no relacionamento com os países em desenvolvimento. Um aspecto comum à atuação de ambas as instituições é o foco na(o)

A solução de crises de Balanço de Pagamentos
B liberalização do comércio internacional
C solução de conflitos entre parceiros comerciais
D defesa dos interesses estratégicos dos países do Sul global
E financiamento de projetos de infraestrutura dos países em desenvolvimento

A respeito do fracasso dos diversos programas de estabilização heterodoxos adotados no Brasil na segunda metade da década de 1980, o economista Ricardo Carneiro comenta que quaisquer que tenham sido os méritos e deméritos desses programas de estabilização, o principal requisito para obter êxito era conseguir estabilizar o valor externo da moeda, objetivo que se encontrava fora do alcance das autoridades econômicas locais. Ou seja, a ruptura do financiamento externo e a transferência de recursos reais para o exterior estão na raiz da incerteza quanto à evolução da taxa de câmbio, cujo efeito sobre as outras esferas da economia dá ensejo ao desenvolvimento de um processo hiperinflacionário. CARNEIRO, R. Desenvolvimento em crise: a economia brasileira no último quartel do século XX. São Paulo: Unesp. p. 206. Adaptado. No trecho mencionado, o autor salienta que o ambiente macroeconômico prevalecente na década de 1980, caracterizado por diversas restrições, criou dificuldades adicionais para o sucesso da estabilização monetária no Brasil naquele período. Tal situação era bastante distinta do ambiente econômico no qual foi implementado o Plano Real

( 1994 ), programa bem-sucedido de estabilização monetária, que se beneficiou do(a)

A regime de bandas cambiais, o qual manteve a nova moeda (o Real) subvalorizada em relação ao Dólar, em termos reais.
B congelamento de preços, que permitiu rápido declínio do nível geral de preços.
C controle dos salários, que permitiu a redução de custos das empresas.
D controle de importações, que permitiu maior economia de divisas externas.
E liberalização comercial e da abertura financeira externa, que subsidiaram o processo de desinflação.

Após o retorno de Getúlio Vargas ao poder, eleito, democraticamente, pelo antigo PTB, em 1950, com cerca de 48,7% dos votos, já não se podia afirmar, categoricamente, que o projeto de desenvolvimento econômico no Brasil fosse completamente espontâneo, induzido apenas pelas crises do setor externo, já que, em seu governo, foram adotadas diversas medidas em prol do crescimento e da promoção de mudanças estruturais. São evidências do projeto desenvolvimentista do Segundo Governo Vargas (1951-1954) a

A criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a criação da Companhia Vale do Rio Doce.
B criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, ainda sem o “S” de Social) e a criação da Petrobras.
C adoção de licenciamentos prévios de importação e a reforma do sistema aduaneiro de importações.
D eliminação de restrições à entrada de investimento direto estrangeiro (IDE), através da Instrução 113, da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), e a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
E adoção de estímulos à instalação de filiais de multinacionais do setor automotivo e a construção de Brasília.

Depois de serem relegados a papel secundário nas décadas de 1980 e 1990, a adoção de programas de política industrial, em prol do desenvolvimento econômico e social, recrudesceu no Brasil, a partir da década de 2000. Desde então, foram adotados ou anunciados os seguintes programas: a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), em 2003; a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), em 2008; o Plano Brasil Maior (PBM), em 2011; e a Nova Indústria Brasil (NIB), em 2024. Com exceção da NIB, que se encontra em fase de implementação, a PITCE, a PDP e o PBM continham os seguintes aspectos comuns, EXCETO a adoção de

A exigências de níveis mínimos de conteúdo local
B linhas de ação verticais
C linhas de ação horizontais
D linhas de crédito seletivas do BNDES para atividades, segmentos ou setores focados pelos referidos programas
E proteção tarifária contra as importações de bens e serviços com alíquotas ad valorem superiores aos níveis consolidados na Organização Mundial do Comércio (OMC)

Se entre 1980 e 2022 a taxa de variação média anual do PIB real no Brasil foi de apenas 2,2%, no período 2004-2010, que abrange, praticamente, os dois mandatos do Governo Lula da Silva (2003-2010), essa taxa acelerou para, aproximadamente, 4,4% a.a., caracterizando notável exceção à regra de baixo crescimento das últimas quatro décadas. A economista Laura Carvalho, em seu livro “Valsa Brasileira: do Boom ao Caos Econômico”, publicado em 2018, cunhou o curto período de maior expansão entre 2004 e 2010 de miniboom . Embora esse ciclo de expansão não se tenha sustentado posteriormente, os seguintes fatores contribuíram para o miniboom da economia brasileira entre 2004 e 2010, EXCETO a(o)

A tendência de subvalorização do Real brasileiro em relação ao Dólar, em termos reais, que, ao aumentar a competitividade internacional dos produtos manufaturados domésticos, ampliou expressivamente a participação do valor exportado desses produtos no total das exportações brasileiras.
B política de aumentos reais do salário mínimo e os programas de transferência de renda, como o “Bolsa-Família”, que contribuíram para o incremento do consumo agregado.
C expansão expressiva do crédito, tanto a pessoas físicas quanto a pessoas jurídicas, que contribuiu para o financiamento do consumo, do investimento e da produção corrente no período.
D boom de preços das commodities exportadas pelo Brasil no mercado internacional, que aliviou a restrição externa ao crescimento.
E Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), responsável pela expansão dos investimentos públicos, que, através dos efeitos multiplicadores, induziram o incremento dos investimentos privados.

Desde a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, as diversas tentativas de promover uma Reforma Tributária no Brasil malograram, por falta de consenso político entre os atores envolvidos (Governos, Congresso, grupos de interesse, etc.). Finalmente, no ano passado, após ampla discussão e aprovação, pelo Congresso Nacional, promulgou-se a Emenda Constitucional n o 132, de 20 de dezembro de 2023, contendo o texto-base da Reforma Tributária no Brasil. A implementação dessa reforma, no entanto, não será imediata, pois dependerá da regulamentação do novo sistema de impostos. Um dos propósitos da Reforma Tributária recém-aprovada é corrigir as distorções do atual sistema de tributação brasileiro, que é caracterizado por

A mecanismos de arrecadação e compartilhamento dos impostos, pelas entidades subnacionais (estados e municípios), baseados no destino em que os bens e serviços são consumidos, e não na origem em que os mesmos são produzidos.
B baixa regressividade e maior concentração em impostos diretos, abrangendo muitas faixas de renda sobre as quais incide a tributação.
C baixa regressividade e elevada concentração em impostos indiretos, cuja incidência recai, de forma não cumulativa, sobre a demanda final.
D elevada regressividade e maior concentração em impostos indiretos, que incidem, de forma cumulativa e não cumulativa, em cadeias produtivas, investimentos e exportações, acarretando multiplicação de incidência tributária e ineficiência produtiva.
E elevado grau de informação, aos contribuintes, sobre o montante de tributos pagos no momento em que os bens e serviços são consumidos.