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Para responder à questão, leia a crônica “Esquisitices” de Luis Fernando Verissimo. A família chegou na casa da praia e, enquanto o pai e a mãe se ocupavam de tirar os tapumes das janelas e religar a luz, a filha adolescente foi direto para o seu quarto e sentiu que havia alguma coisa diferente dos outros verões, um cheiro que ela não lembrava, um brilho nas paredes, alguma coisa. Quando foi ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava até ali, tá louca? Então invadiu só o meu quarto, disse a filha, e naquela noite, quando entrou no quarto para dormir, viu que o chão estava coberto de algas, e quando foi pegar um dos livros que tinha deixado na prateleira no verão anterior derrubou várias conchas no chão, e quando abriu a gaveta da sua mesinha de cabeceira – juro, mãe! – descobriu uma estrela-do-mar. Não conseguiu dormir, o som do mar invadia o quarto, ela chegou a ouvir o ruído de fritura da espuma se desfazendo ao seu redor, como se o mar estivesse arrebentando em volta da cama. E as paredes fosforescentes! Se um peixe prateado pulasse na cama, refletiria o brilho das paredes no ar, antes de cair ao seu lado. Passou a noite esperando o peixe prateado. De manhã a mãe disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que ela se acostumaria com o ruído. E que não, não sentira o cheiro novo nem vira as algas no chão do quarto, nem as conchas, você parece doida. A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a casa e a mãe respondeu que não. Depois pensou um pouco e disse: não que eu me lembre. Naquela noite a filha leu um pouco – apesar das ondas estourando ao seu redor – depois mergulhou a mão na água e pegou um cavalo-marinho para marcar o lugar, e fechou o livro. Estava pronta para o peixe prateado, estava certa de que nunca mais seria a mesma. Quando a mãe contou para o pai as esquisitices da filha naquele verão, o pai só disse uma coisa. Catorze anos é fogo. VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida . Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.

Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um terceiro processo de reprodução de enunciados, resultante da conciliação do discurso direto e do discurso indireto. É o chamado discurso indireto livre, forma de expressão que, em vez de apresentar o personagem em sua voz própria (discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o que ele teria dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, dando-nos a impressão de que passam a falar em uníssono. CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Gramática do português contemporâneo . Rio de Janeiro: Lexikon, 2013. Adaptado. Ocorre o chamado discurso indireto livre no seguinte trecho da crônica:

A “Quando foi ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava até ali, tá louca?”
B “De manhã a mãe disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que ela se acostumaria com o ruído.”
C Basta poucos minutos de conexão para perder a concentração exigida pelas atividades reais.
D Ainda não se inventou algoritmos capazes de trazer mais tempo de ócio e descanso.
E Grande parte dos usuários já se sentiu prisioneiro das telas do celular.
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Para responder à questão, leia a crônica “Esquisitices” de Luis Fernando Verissimo. A família chegou na casa da praia e, enquanto o pai e a mãe se ocupavam de tirar os tapumes das janelas e religar a luz, a filha adolescente foi direto para o seu quarto e sentiu que havia alguma coisa diferente dos outros verões, um cheiro que ela não lembrava, um brilho nas paredes, alguma coisa. Quando foi ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha, disse que o mar tinha invadido a casa e a mãe disse que o mar nunca chegava até ali, tá louca? Então invadiu só o meu quarto, disse a filha, e naquela noite, quando entrou no quarto para dormir, viu que o chão estava coberto de algas, e quando foi pegar um dos livros que tinha deixado na prateleira no verão anterior derrubou várias conchas no chão, e quando abriu a gaveta da sua mesinha de cabeceira – juro, mãe! – descobriu uma estrela-do-mar. Não conseguiu dormir, o som do mar invadia o quarto, ela chegou a ouvir o ruído de fritura da espuma se desfazendo ao seu redor, como se o mar estivesse arrebentando em volta da cama. E as paredes fosforescentes! Se um peixe prateado pulasse na cama, refletiria o brilho das paredes no ar, antes de cair ao seu lado. Passou a noite esperando o peixe prateado. De manhã a mãe disse que o mar não estava mais perto da casa, estava onde sempre estivera desde que eles tinham construído a casa, e que ela se acostumaria com o ruído. E que não, não sentira o cheiro novo nem vira as algas no chão do quarto, nem as conchas, você parece doida. A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a casa e a mãe respondeu que não. Depois pensou um pouco e disse: não que eu me lembre. Naquela noite a filha leu um pouco – apesar das ondas estourando ao seu redor – depois mergulhou a mão na água e pegou um cavalo-marinho para marcar o lugar, e fechou o livro. Estava pronta para o peixe prateado, estava certa de que nunca mais seria a mesma. Quando a mãe contou para o pai as esquisitices da filha naquele verão, o pai só disse uma coisa. Catorze anos é fogo. VERISSIMO, Luis Fernando. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida . Rio de Janeiro: Objetiva, 2020.

Observa-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação em:

A “enquanto o pai e a mãe se ocupavam de tirar os tapumes das janelas”.
B “Quando foi ajudar a mãe a desempacotar as compras na cozinha”.
C “quando entrou no quarto para dormir, viu que o chão estava coberto de algas”.
D “desde que eles tinham construído a casa, e que ela se acostumaria com o ruído”.
E “A filha perguntou se o mar nunca tinha invadido a casa e a mãe respondeu que não”.
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Para responder à questão, leia o poema “Urge o tempo” de Gonçalves Dias (1823-1864). Urge o tempo, os anos vão correndo, Mudança eterna os seres afadiga! O tronco, o arbusto, a folha, a flor, o espinho, Quem vive, o que vegeta, vai tomando Aspectos novos, nova forma, enquanto Gira no espaço e se equilibra a terra. Tudo se muda, tudo se transforma; O espírito, porém, como centelha, Que vai lavrando solapada e oculta, Até que enfim se torna incêndio e chamas, Quando rompe os andrajos morredouros, Mais claro brilha, e aos céus consigo arrasta Quanto sentiu, quanto sofreu na terra. Tudo se muda aqui! Somente o afeto, Que se gera e se nutre em almas grandes, Não acaba, nem muda; vai crescendo, Co’o tempo avulta, mais aumenta em forças E a própria morte o purifica e alinda. Semelha estátua erguida entre ruínas, Firme na base, intacta, inda mais bela Depois que o tempo a rodeou de estragos. DIAS, Gonçalves. Cantos . São Paulo: Martins Fontes, 2000.

“Até que enfim se torna incêndio e chamas,” (2ª estrofe) No contexto em que se insere, a locução conjuntiva “Até que” introduz uma oração que expressa ideia de

A causa.
B condição.
C “Quando rompe os andrajos morredouros,” (2ª estrofe).
D “Tudo se muda aqui! Somente o afeto,” (3ª estrofe).
E “Semelha estátua erguida entre ruínas,” (3ª estrofe).

“Quando há a prevalência das atividades metalinguísticas no ensino de língua, é alto o risco de que elas sejam apenas voltadas para um conteúdo de avaliação escolar não sendo efetivamente incorporado para ler e escrever melhor nas diferentes situações comunicativas, objetivos últimos do ensino de Português. Alcançar níveis mais amplos de compreensão leitora e produção textual demanda propor situações de fala, escuta, leitura e escrita em interações e a análise das relações que nelas se dão. A metalinguagem tem o seu lugar no ensino, porém não há sentido em aprender Língua Portuguesa por meio das nomenclaturas e classificações, sem espaço para as reflexões acerca do uso dos diferentes recursos expressivos e seus possíveis efeitos”. GARCIA, Mariana Guerato e SISLA, Heloisa Chalmers. Atividades epilinguísticas e práticas pedagógicas. Educ. Puc. [online]. 2020, vol.25 [citado 2025-05-03], e204904. Disponível em: . ISSN 2318-0870. https://doi.org/10.24220/2318-0870v25e2020a4904. Partindo das ideias presentes no texto, uma professora de português concluiu que, no planejamento das aulas voltadas para a compreensão leitora e produção textual, será necessário

I. desenvolver atividades que permitam a reflexão sobre a língua em situações reais de comunicação.

II. priorizar o ensino da gramática normativa para garantir o domínio das regras linguísticas.

III. criar sequências didáticas que incluam o preenchimento de lacunas e a escrita de frases incorretas na lousa para que os estudantes as corrijam. As atividades que se adequam ao que propõe o texto estão em:

A III, apenas.
B I e II, apenas.
C I e III, apenas.
D I, apenas.
E I, II e III.

O professor Gabriel trabalha a formulação de um parágrafo para um texto do gênero dissertativo com os estudantes do Ensino Médio, partindo do pressuposto de que a “condição singular da escrita, que deixa a sós o sujeito e suas imagens [...] cria a exigência de que o texto, e apenas ele, cerque-se de cuidados em relação à própria coesão”. Alcir Pécora. Problemas de redação. São Paulo: Martins Fontes, 2011, p.71. Diante da tarefa, o estudante José formulou o seguinte texto: O que ocorreria se os cientistas se deixassem influenciar por tudo que ocorre, e se passa? Como devolutiva adequada para o texto, o professor Gabriel deve ressaltar a José que é preciso atentar para um problema de

A Coloquialidade.
B Ambiguidade.
C Clareza.
D Flexão verbal.
E Redundância.
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Para responder à questão, leia o poema “Urge o tempo” de Gonçalves Dias (1823-1864). Urge o tempo, os anos vão correndo, Mudança eterna os seres afadiga! O tronco, o arbusto, a folha, a flor, o espinho, Quem vive, o que vegeta, vai tomando Aspectos novos, nova forma, enquanto Gira no espaço e se equilibra a terra. Tudo se muda, tudo se transforma; O espírito, porém, como centelha, Que vai lavrando solapada e oculta, Até que enfim se torna incêndio e chamas, Quando rompe os andrajos morredouros, Mais claro brilha, e aos céus consigo arrasta Quanto sentiu, quanto sofreu na terra. Tudo se muda aqui! Somente o afeto, Que se gera e se nutre em almas grandes, Não acaba, nem muda; vai crescendo, Co’o tempo avulta, mais aumenta em forças E a própria morte o purifica e alinda. Semelha estátua erguida entre ruínas, Firme na base, intacta, inda mais bela Depois que o tempo a rodeou de estragos. DIAS, Gonçalves. Cantos . São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Os pronomes “o” e “a” que constam da última estrofe referem-se, respectivamente, a

A tempo e morte.
B afeto e estátua.
C tempo e base.
D afeto e morte.
E tempo e estátua.

Nem a posse das riquezas, nem a abundância das coisas, nem a obtenção de cargos ou poder produzem a felicidade segundo os epicureus. A felicidade se produz na ausência de dor, na moderação dos afetos e na disposição do espírito em não se preocupar com o que não se pode mudar. Adaptado de EPICURO. Antologia de textos . São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Coleção Os Pensadores), p. 17. Segundo os epicureus, a verdadeira fonte da felicidade está

A na posse de riquezas e na obtenção de poder, pois garantem segurança e prestígio.
B no acúmulo de bens materiais e no prazer desenfreado, pois eliminam todas as preocupações.
C na ausência de dor, na moderação dos afetos e na tranquilidade da alma diante do incontrolável.
D na busca incessante por reconhecimento e status social, pois proporcionam satisfação duradoura.
E na submissão total às paixões e aos desejos, pois somente assim se alcança a realização plena.

O ideal do sábio é o equilíbrio que nada pode perturbar, a impassibilidade total. De fato, se as aparências enganam, se tudo é relativo, por que preocupar-se? O ceticismo, em suma, é na origem uma disciplina moral cujo fim é a quietude (ataraxia e apatheia). NOVAK, Maria da Gloria. Estoicismo e epicurismo em Roma . Letras Clássicas, p. 257-273, 1999. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ letrasclassicas/article/view/73765/77431. Acesso em: 4 abr. 2025. O verdadeiro ideal do sábio, segundo a corrente ceticista, diz respeito

A à busca incessante pela verdade absoluta, pois somente ela pode trazer a paz interior.
B ao equilíbrio inabalável e à ausência de perturbações, alcançados por meio da suspensão do juízo.
C à acumulação de conhecimento e ao debate constante, pois questionar tudo leva à felicidade.
D à emoção intensa e à entrega às paixões, pois somente vivendo plenamente se alcança a ataraxia.
E à obediência cega às tradições e aos dogmas, pois a certeza absoluta elimina todas as angústias.
Texto associado
Leia o texto para responder à questão. Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional, mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que demandam sempre nosso engajamento. O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados. BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024, edição digital. Adaptado.

O termo “mesmo” no trecho “mesmo os locais que sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora como lugares sem histórias” assemelha-se, pelo sentido, ao que está sublinhado em:

A Em todos esses anos, ele foi sempre o mesmo .
B Casar oficialmente ou não era o mesmo para ele.
C Mesmo os amigos negaram-lhe ajuda.
D Hoje mesmo cuidarei disso.
E Já morou no mesmo prédio que eu.
Texto associado
Leia o texto para responder à questão. Vivemos num presente alargado, no qual “viver no momento é a paixão dominante”, na definição de Christopher Lasch. O presente se torna alargado à mesma medida que o tempo corre veloz. Essa contradição só pode ser explicada pelo fato de que a aceleração tecnológica, conquanto implique “uma diminuição no tempo necessário para realizar processos cotidianos de produção e reprodução” (o que deveria levar a uma abundância de tempo livre), levou ao acúmulo quantitativo de atividades. Quanto mais a aceleração tecnológica avançou, mais trabalho se acumulou e menos tempo livre sobrou. Se já não temos uma vida profissional, mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos de afinidades eletivas, já deveríamos saber que a aceleração tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que demandam sempre nosso engajamento. O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente, um mero detalhe, um pano de fundo que sustenta a virtualidade das relações. Ante a aceleração da vida, concebemos o espaço como um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer. “Ter que ir” e “ter que visitar” se tornaram tarefas “torturantes”, uma vez que basta uma chamada de vídeo para tirar a tarefa da frente. O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora como lugares sem histórias, cada vez mais homogeneizados. BARROS, Douglas. O que é identitarismo? São Paulo: Boitempo, 2024, edição digital. Adaptado.

O autor emprega paralelismo sintático no trecho:

A “Se já não temos uma vida profissional, mas especializações, se já não temos espaço para contemplar os locais que cruzamos, mas uma observação dirigida por algoritmos de afinidades eletivas”.
B “O isolamento tornou-se comum e mesmo os locais que sustentavam a ação da experiência subjetiva aparecem agora como lugares sem histórias”.
C “Ante a aceleração da vida, passamos a entender o espaço como um empecilho para aquilo que realmente queríamos fazer”.
D “O resultado desse processo foi que a contínua aceleração do tempo social tornou o espaço muitas vezes indiferente”.
E “a aceleração tecnológica levou aos grilhões da hiperconectividade, que demandam sempre nosso engajamento”.