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Sobre o diagnóstico da Colangite biliar primária (CBP), é correto afirmar:

A a positividade do anticorpo anti-mitocôndria é imperativo para o diagnóstico da doença
B o anticorpo gp-210 está associado ao diagnóstico de cbp e, além disso, confere informação prognóstica, haja vista que sua positividade está associada a melhores desfechos
C o tratamento com bezafibrato é considerado de primeira linha por ser capaz de mudar o curso da doença. em comparação ao ácido ursodesoxicólico, mostra-se superior por atuar também no prurido
D os níveis de enzimas canaliculares devem estar acima de 5x o limite superior da normalidade para o diagnóstico de cbp
E a importância da biópsia hepática no diagnóstico de cbp é supérflua, caso o paciente tenha positividade do anticorpo sp-100 (altamente específico) e alteração significativa de canaliculares

Sobre a Colangite esclerosante primária (CEP), assinale a alternativa incorreta .

A Ocorre mais frequentemente em indivíduos geneticamente suscetíveis após exposição a gatilhos ambientais
B A lesão típica vista na biópsia hepática - tipo obliterativa, caracterizada como colangite não supurativa com evidente fibrose periductular, é vista em somente 20% das biópsias
C O acometimento isolado dos ductos biliares intra-hepáticos ocorre em cerca de 30% dos casos. Acometimento extra-hepático isolado é raro
D O termo “estenose relevante” denota qualquer estenose na árvore biliar que envolva significado clínico, ou seja, sinais ou sintomas de colestase obstrutiva e/ou colangite bacteriana
E A intensidade da doença inflamatória intestinal está intimamente ligada ao prognóstico da CEP

Sobre a Hepatite autoimune (HAI), é correto afirmar:

A quando existe positividade do anticorpo lkm, o diagnóstico provável é a hai tipo 1. tal anticorpo também é visto nas infecções por hepatite c
B o anticorpo sla é marcador altamente específico para hai. a sua positividade está associada à recidiva da doença após suspensão do tratamento
C a hai tipo 2 inicia-se habitualmente na infância. sua evolução geralmente é benigna e com menor gravidade em comparação à hai tipo 1
D os níveis de igm conferem importância diagnóstica e principalmente prognóstica na hai
E a hipergamaglobulinemia está associada a casos menos graves, constando como importante fator prognóstico na hai

Sobre o vírus da Hepatite B:

A o perfil sorológico anti-hbs positivo e anti-hbc positivo, com hbsag negativo correlaciona-se com imunidade após vacinação. nada deve ser feito após este resultado e o paciente pode ter alta ambulatorial
B o perfil sorológico anti-hbc positivo e hbv-dna positivo > 2.000ui, com anti-hbs negativo correlaciona-se com infecção ativa por vírus b. o tratamento com peg-ifn é o tratamento de primeira linha no brasil
C o perfil sorológico anti-hbs negativo e anti-hbc positivo, com hbsag negativo pode correlacionar-se com infecção oculta por vírus b. é necessário colher hbv-dna nestes casos
D a infecção pelo vírus delta acontece somente nos casos de infecção pelo vírus da hepatite b. nos casos de superinfecção, diferentemente da coinfecção, a taxa de cronicidade é menor que 30%
E a coinfecção pelo vírus da hepatite B e hepatite delta ocorre simultaneamente. O prognóstico desta condição - em comparação à superinfecção - é pior. Esta sempre deve ser tratada, independente dos níveis de AST e ALT

Podemos afirmar que o paciente tem doença hepática gordurosa metabólica baseado somente nos dados fornecidos nas alternativas: 1) Sexo feminino, HDL= 55, IMC= 26 e esteatose hepática ao exame de imagem. 2) Diabéticos com peso ideal e esteatose hepática ao exame de imagem. 3) Triglicerídeos acima de 150mg/dL, uso de medicamento hipotensor em paciente com IMC= 24 com esteatose hepática ao exame de imagem. 4) Sexo masculino, pré-diabetes, HDL= 35 e com esteatose hepática ao exame de imagem. 5) Sexo masculino, IMC= 24, PA > 140/90, HOMA-IR < 2,0 e com esteatose hepática ao exame de imagem. Assinale a alternativa correta.

A Somente os pacientes 2 e 3
B Somente os pacientes 1, 2 e 5
C Somente os pacientes 3, 4 e 5
D Somente os pacientes 1, 2, 3 e 4
E Pacientes 1, 2, 3,4 e 5

Sobre a Doença de Wilson, é incorreto afirmar:

A a doença de wilson é hereditária, autossômica recessiva, na qual a excreção biliar de cobre é ineficiente levando ao seu acúmulo nos tecidos, principalmente fígado, cérebro e córneas. o gene associado à doença é o atp7b
B o anel de kayser-fleischer, alteração vista ao exame realizado com lâmpada de fenda, é um exame importante no seguimento da doença de wilson. ele está presente em 95% dos pacientes com sintomas neurológicos, porém, não são patognomônicos da doença, haja vista a possibilidade de estarem presentes também em outras doenças colestáticas
C a dosagem de cobre urinário diminuído conta como marcador laboratorial importante para a suspeita da doença de wilson, principalmente se associado ao achado de ceruloplasmina baixa
D o hiperssinal em t2 nas regiões de núcleos da base visto no exame de ressonância magnética pode preceder os sintomas neurológicos. é um sinal característico, porém raro
E alguns achados da doença envolvem a anemia hemolítica coombs negativo e fosfatase alcalina normal ou diminuída

Sobre hepatite alcoólica é correto afirmar:

A leucocitose neutrofílica, mesmo na ausência de infecção, e o aumento do volume corpuscular médio (vcm) são frequentes
B a relação alt/ast é geralmente maior ou igual a 2
C a biópsia hepática costuma ser exame rotineiro e é fundamental para a definição prognóstica
D para o tratamento da abstinência alcoólica, a instituição de benzodiazepínico - a exemplo do lorazepam – deve ser evitada, tendo em vista a meia-vida longa desta medicação
E a instituição da corticoterapia com prednisona ou prednisolona é indicada no momento do diagnóstico desta condição

Leia com atenção o caso abaixo: Paciente L.R.T., 63 anos, apresenta doença hepática avançada secundária à hepatite C, diagnosticada em 2015. Tratou a doença somente em abril/2020, com Resposta Virológica Sustentada (RVS) após o tratamento. Perdeu o seguimento ambulatorial durante 3 anos e comparece ao pronto-socorro referindo vômitos sanguinolentos em grande quantidade há 3 horas. Nega episódio semelhante prévio. Nega uso de qualquer medicação. Nega etilismo. Sinais vitais: Pressão arterial: 80/60mmHg; Frequência cardíaca: 98 bpm; Saturação 95%; Frequência respiratória: 20 irpm; Dextro 122 mg/dL Exame físico: REG, confuso, ictérico +/4+, acianótico, desidratado 2+/4+. Exames laboratoriais da admissão: Hb 6,2; Ht 38%; Plaquetas 54.000; INR 1,9. Pela hipótese de Hemorragia digestiva alta varicosa (HDAv), assinale a alternativa correta:

A O paciente deve ser referenciado à unidade de terapia intensiva para estabilização hemodinâmica e recebimento imediato de concentrado de hemácias, pool de plaquetas e plasma fresco
B O paciente deve ser referenciado para o setor de radiointervenção para realização de TIPS para diminuição da pressão portal. Após o procedimento, o paciente deve ser submetido à endoscopia digestiva alta para ligadura elástica das varizes esofágicas
C O paciente deve receber antibioticoprofilaxia para peritonite bacteriana espontânea. Além disso, a solicitação de endoscopia digestiva alta é necessária, preferencialmente nas primeiras 12h da admissão, para realização de ligadura elástica das varizes esofágicas
D O paciente deve receber infusão endovenosa de vasodilatador esplâncnico, como o octreotide, para diminuição da recorrência do sangramento. Além disso, a necessidade de antibioticoterapia profilática para peritonite bacteriana espontânea é necessária
E Deve-se iniciar o tratamento com betabloqueador não-seletivo como propranolol ou carvedilol para profilaxia secundária de sangramento varicoso. A profilaxia para peritonite bacteriana espontânea não é necessária, afinal trata-se do primeiro episódio de HDAv

Em um ambulatório de hepatites, comparecem os pacientes abaixo, numerados de 1 a 5. De acordo com o atual PCDT 2023 para o tratamento de hepatite B no Brasil, analise a seguir os pacientes que deverão receber o tratamento para esta doença e qual seria a melhor conduta, respectivamente: 1. 7 anos, com HBV-DNA > 20.000. HBeAg positivo. ALT= 20. Elastografia < 6 kPa. Não é necessário iniciar o tratamento neste momento. 2. 18 anos, com HBV-DNA < 2.000. Não-cirrótico. ALT= 20. Elastografia < 6 kPa. Mãe tem carcinoma hepatocelular em decorrência da hepatite B. O paciente deve ser tratado e uma opção viável para o tratamento é o tenofovir desoproxila (TDF). 3. 67 anos, cirrótico, hipertenso e com doença renal crônica estágio

IV. Já usou lamivudina previamente. O paciente deve ser tratado com tenofovir alafenamida (TAF). 4. 20 anos, não-cirrótico, apresenta Anti-HBc IgG positivo, HBsAg negativo e Anti-HBs positivo. Diagnosticado com Linfoma Hodgkin e receberá terapia com Rituximabe. Deve-se iniciar profilaxia de reativação da hepatite B com entecavir (ETV). 5. 47 anos, cirrótico, com osteoporose. No momento, apresenta-se com ascite grau 2. Nunca recebeu tratamento para hepatite B. O paciente deve ser tratado com entecavir (ETV) em dose dobrada. Assinale a alternativa correta.

A Todos os pacientes deverão receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa
B Somente os pacientes 3, 4 e 5
C Somente os pacientes 2, 3, 4 e 5
D Somente os pacientes 1, 3, 4 e 5
E Nenhum dos pacientes acima deverá receber o tratamento conforme descrito em cada afirmativa

Para responder as questões 46 e 47, analise o caso abaixo. Paciente F.R.T, 54 anos, é um paciente cirrótico de etiologia alcoólica. Encontra-se abstêmio há 1 ano. Evoluiu com ascite intratável pela piora de função renal após introdução de diuréticos. Foi listado para o transplante hepático e convocado para a cirurgia. Em relação às possíveis complicações que envolvem o transplante hepático:

A uma complicação que pode ocorrer no momento do transplante é a síndrome pós-reperfusão. baseia-se no desenvolvimento de hipertermia, alcalose metabólica e hipocalemia causada pela tempestade de citocinas liberadas na corrente sanguínea do receptor após a anastomose vascular
B uma complicação que pode ocorrer nos primeiros dias após o transplante é a trombose de artéria hepática. caso ocorra nos primeiros 7 dias, a conduta é retransplantar. portanto, o paciente é novamente listado e priorizado na fila de transplante por conta da gravidade do quadro
C uma complicação que pode ocorrer mais tardiamente após o transplante é a estenose de via biliar. caso ocorra, a conduta é a realização de derivação bilio-digestiva, visto que a realização de colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (cpre) é contraindicada em transplantados
D uma complicação que pode ocorrer logo após o transplante é o não-funcionamento primário do enxerto. caso ocorra, os níveis de inr e bilirrubina estarão dentro da normalidade e as transaminases costumam estar > 5x o limite superior da normalidade
E uma complicação que pode ocorrer nas primeiras semanas após o transplante é a infecção generalizada por citomegalovírus (cmv) em consequência da imunossupressão. caso ocorra, a imunossupressão é retirada por completo até a negativação do pcr para cmv e o tratamento de primeira linha é o aciclovir