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O manejo de medicações em uma emergência é essencial para o médico. Nesse contexto, é correto afirmar que

A a morfina é um opioide muito potente e pode ser usada para analgesia de dor moderada ou grave, sem necessidade de ajuste de dose nos renais crônicos ou em insuficiência renal aguda.
B a noraepinefrina é a droga de eleição no choque séptico, porém também é utilizada em outros tipos de choques distributivos ou mesmo no choque cardiogênico.
C na sala de emergência, etomidato e cetamina são respectivamente as primeiras escolhas de agentes de indução e neurobloqueadores na sequência de intubação rápida.
D o nitroprussiato é indicado na síndrome coronariana aguda, na insuficiência cardíaca descompensada e no edema agudo de pulmão, porém não deve ser utilizado no paciente que usou inibidores de fosfodiesterase-5.
E a dopamina é droga de primeira escolha em insuficiência cardíaca, choque cardiogênico ou disfunção miocárdica secundária à sepse, sendo sua diluição padrão de 4 ampolas (80 ml) + SF 0,9% e sua infusão de 2-4 mL/kg/hora.

Paciente masculino de 45 anos dá entrada na UPA com febre, tosse produtiva com expectoração amarelada, dor torácica ao inspirar do lado direto e dispneia progressiva há 4 dias. Relata ser portador de HIV, tendo sido diagnosticado há 8 anos, em uso irregular de Terapia Antirretroviral (TARV). Última contagem de CD4 há 3 meses: 100 células/mm3 e carga viral detectável. Ao exame, encontra-se confuso, desidratado, com capacidade de deglutir presente, sem náuseas, PA = 80/60 mmHg, FR = 32 ipm, SatO2 = 92%, TA = 39 ºC, ausculta pulmonar diminuída à direita. Hemograma: leucócitos = 18900, U = 45 mg/dl e aguardando outros. Foi solicitada radiografia de tórax que apresentou a seguinte imagem:

Considerando o caso relatado, a evolução das doenças pulmonares, os protocolos de saúde e as recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia 2018, assinale a alternativa correta.

A O paciente possui indicação de internação em ambiente de enfermaria. Iniciar tratamento empírico com Azitromicina 500 mg 1 x dia por 5 dias, orientando o paciente sobre os sinais que indicam piora.
B Preconizar o uso do Raios X de tórax ao invés da USG de tórax na pneumonia comunitária por apresentar maior sensibilidade e maior acurácia na identificação de alterações parenquimatosas como consolidações, padrão intersticial focal, lesões subpleurais e anormalidades na linha pleural.
C Cerca de 1 minuto após a dipirona EV para hipertermia, o paciente iniciou prurido, síncope, náuseas, sibilos e hipotensão. Nesse caso, a melhor conduta é a ressuscitação volêmica cuidadosa, adrenalina IM na face anterolateral da coxa, seguida pela avaliação da necessidade de infusão contínua.
D Paciente, no terceiro dia de internação, evolui com piora da dor torácica, da dispneia, sinal de esforço para respirar, hemoptise, pele fria, confusão mental, turgência de jugular e hipotensão refratária e d-dímero de 8000 ng/ml. Nesse caso, a conduta terapêutica de imediato é a anticoagulação plena.
E Na drenagem torácica, o médico sofre acidente profundo com agulha que tem o sangue do paciente. Nesse caso, deve-se lavar de imediato o local perfurado com água e sabão, abrir CAT, notificar o SINAN, confirmar exame sorológico, além de solicitar sorologia para hepatite B e C do paciente. Iniciar a PEP com Dolutegravir por 28 dias no máximo nas primeiras 2 horas após o acidente.

Indivíduo de 28 anos, sexo masculino, motociclista, dá entrada na emergência, às 07h05min, com história de colisão frontal com um carro durante o trajeto ao trabalho, tendo sido ejetado da motocicleta cerca de 5 m de distância. O SAMU chegou em 10 minutos ao local, encontrando o paciente confuso, desorientado, com queixa de dor abdominal difusa e dificuldade para respirar. O indivíduo foi imobilizado em prancha longa e encaminhado à emergência. Paciente não tem comorbidades. Ao exame físico da admissão, apresenta: abertura ocular espontânea, resposta verbal confusa e a motora localizando a dor. Na sua avaliação primária, seguindo o ATLS, última edição, identifica:

A: Via aérea pérvia. Paciente verbaliza, mas com dificuldade. Colar cervical mantido.
B: Taquipneia (FR 27), SpO2 92%. Murmúrio vesicular presente e simétrico bilateralmente. Ausência de sinais de pneumotórax hipertensivo ou hemotórax maciço. Foi iniciada a oxigenoterapia.
C: PA = 90x60 mmHg, FC = 122 bpm com pulsos periféricos presentes, porém filiformes.
D: Reação pupilar presente e simétrica. Glicemia capilar normal.
E: Paciente totalmente exposto onde a inspeção apresenta escoriações e equimoses na região torácica, abdominal e nos membros inferiores. Presença de distensão abdominal, com rigidez à palpação profunda em todos os quadrantes, principalmente no hipocôndrio direito. Diminuição dos ruídos hidroaéreos. Tórax estável e sem outras alterações. Coberto no fim com manta térmica.

Considerando essas informações e os próximos passos a serem seguidos, é correto afirmar que

A segundo a Escala de Glasgow desse paciente, ele possui um trauma cranioencefálico moderado.
B deve ser feita a notificação compulsória do acidente, sem necessidade de abrir CAT, pois não se caracteriza como acidente de trabalho.
C exame positivo para líquido livre no abdômen é indicativo de lesão intra-abdominal de órgão sólido, excluindo lesão em órgãos ocos.
D na avaliação secundária do exame abdominal do paciente, a presença de timpanismo difuso e o desaparecimento da macicez hepática falam muito a favor de pneumoperitôneo.
E a realização do FAST deve ser feita após a avaliação primária e consiste em avaliar, no máximo, três espaços potenciais onde podemos encontrar fluido patológico: janela hepática, esplênica e pélvica.

A respeito das Diretrizes Brasileira de Cardiologia em 2025, é correto afirmar que

A na emergência hipertensiva da dissecção aguda de aorta, deve-se promover controle da dor com morfina, e o nitroprussiato é a primeira droga a ser feita nesse grupo.
B na emergência dos pacientes com Fibrilação Atrial sem instabilidade hemodinâmica, cujos sintomas iniciaram certeiramente há 36h, é necessário internar e realizar a cardioversão.
C em indivíduos com triglicérides ≥ 500 mg/dL de forma persistente, recomenda-se o uso de estatina para reduzir o risco de pancreatite.
D em paciente com SARS-CoV-2 que usa losartana ou captopril para hipertensão ou outras condições clínicas, devem ser mantidas as medicações, mesmo sabendo que a fisiopatologia da COVID-19 envolve o sistema renina angiotensina aldosterona.
E é recomendado, em pacientes com Acidente Vascular Isquêmico (AVCI) e PA ≥ 185/110 mmHg, que não receberam trombolítico e não tenham comorbidades, reduzir a PA em 20% durante as primeiras 24h após início do AVCI.

A monitorização dos sinais vitais é um procedimento importante realizado no atendimento inicial no departamento de emergência. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.

A A oximetria de pulso mede quanto oxigênio o sangue está transportando, sendo uma ferramenta rápida e não invasiva, mas sem boa correlação com a gasometria arterial.
B A cardioscopia é a forma simplificada do eletrocardiograma, onde em DI e AVF nos monitores, obtém-se a melhor atividade elétrica do coração.
C A pressão arterial não invasiva (PANI) está presente na maioria dos monitores hospitalares e é considerada padrão-ouro na monitorização da pressão arterial em uma emergência.
D A administração de oxigênio suplementar estará indicada, nos casos de insuficiência respiratória aguda ou crônica, quando a PaO2 for inferior a 60 mmHg ou a SaO2 inferior a 90%.
E A capnografia é útil para confirmação de intubação orotraqueal e para avaliação de efetividade de compressões torácicas durante reanimação cardiopulmonar.

Paciente de 30 anos, sexo feminino, casada, vem sozinha à emergência com queixa de dores pélvicas crônicas, dor durante o ato sexual e vaginismo. As dores iniciaram há 1 ano, cerca de 2 meses após se casar. Paciente ansiosa e evasiva ao falar sobre sua vida sexual. Sempre que questionada sobre o marido, ela hesita, desvia o olhar, responde de forma vaga e minimiza a gravidade da situação. Queixa-se incisivamente de que, às vezes, se sente “obrigada” a ter relações sexuais, mesmo quando não quer, “para agradar” o marido. Ele com frequência usa frases como “se você me amasse, faria isso” ou “você está me rejeitando”. Durante a consulta, afirma que, em algumas ocasiões, como a que a levou à emergência, foi forçada a ter relações sexuais sem consentimento. Ela se sente culpada, envergonhada e tem medo das represálias do marido se ele souber que ela está falando sobre o assunto. Você, enquanto médico emergencista, após avaliar,

A assume o caso como sendo de violência sexual, sendo obrigatória a notificação compulsória.
B assume o caso como violência sexual, havendo até 72 horas após a ocorrência para iniciar a profilaxia das DST/AIDS.
C assume o caso como violência sexual, encaminha a paciente obrigatoriamente à delegacia para registrar ocorrência e fazer exame pericial no IML.
D assume o caso como violência sexual, inclui anamnese, exame clínico e ginecológico, sendo obrigatório o toque vaginal ou anal, além da coleta de provas para o IML.
E assume o caso como não sendo de violência sexual, solicita exames e orienta procurar terapia de casal a ser realizada juntamente com seu marido.

Qual das seguintes situações de emergência possui manejo atual mais adequado segundo a literatura?

A No caso de DMIII, com confusão mental nos últimos 45 minutos após o uso da insulina subcutânea, em que a paciente continua cooperativa, confusa, com deglutição preservada, HGT com resultado de 50 mg/dL, a conduta inicial mais adequada é glicose 50 mg EV imediata.
B No caso de corte em pescoço com uma linha de pipa adicionada a cerol, em que, já na admissão, notam-se rouquidão, hematoma cervical de moderado volume e aumentando, apresentando dificuldade de respirar e dessaturando, a conduta imediata é a estabilização hemodinâmica, cateter nasal de oxigênio e acionar cirurgia para estancar o sangramento.
C No caso de Pneumotórax hipertensivo associado à instabilidade hemodinâmica, imediatamente, deve ser feita a inserção de uma agulha de grosso calibre (28-36 French) no segundo espaço intercostal, logo posterior à linha axilar média do hemitórax afetado. A agulha deve ficar no local enquanto a drenagem pleural é realizada para prevenir recidiva e tratar definitivamente a lesão.
D No caso de uma paciente agitada, afirmando que vai se matar, em cujo manejo apresenta ideação sem planejamento, sem automutilação, sem tratamento prévio e sem histórico de abuso de álcool, possuindo alto risco de autoextermínio, ela deve ser contida, internada e seguida por psiquiatra.
E Agricultor, após pegar um morcego vivo, é mordido em mão direita. O manejo é de raiva grave, para o qual o soro deve ser aplicado na lesão, respeitando-se a dose preconizada. O restante deve ser aplicado via intramuscular no glúteo ou vasto lateral da coxa.