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45 Paciente de 25 anos, com história de rinite alérgica perene grave e bem documentada por sensibilização a ácaros (Dermatophagoides pteronyssinus), realiza exames sorológicos solicitados por outro profissional. O paciente nega sintomas à ingestão de frutos do mar, incluindo camarão. Os resultados das IgEs específicas (sIgE) foram:

IgE específica D. pteronyssinus (extrato total): 45,0 kU/L;
IgE específica Camarão (extrato total): 18,0 kU/L;
Componente Der p 1: 30,0 kU/L;
Componente Der p 10: 15,0 kU/L;
Componente Pen a 1: 16,5 kU/L.

Com base neste perfil sorológico e na história clínica desse paciente, qual é a interpretação correta?

A O paciente tem dupla alergia primária, ao ácaro e ao camarão, e deve iniciar dieta de exclusão imediata de camarão pelo alto risco de anafilaxia.
B O paciente tem sensibilização primária ao ácaro com reatividade cruzada ao camarão, mediada pela tropomiosina, o que explica a sIgE elevada para camarão em um paciente tolerante.
C O resultado positivo para Pen a 1 (principal alérgeno do camarão) confirma alergia clínica ao camarão, e a ausência de sintomas indica que o paciente é "paucissintomático", mas em risco.
D Os resultados são provavelmente falsos-positivos devido à reatividade cruzada com CCDs (Determinantes de Carboidratos), não tendo relevância clínica.
E O paciente tem sensibilização primária ao camarão (via Pen a 1) e reatividade cruzada ao ácaro (via Der p 10), sendo a rinite uma manifestação dessa alergia alimentar.

Uma paciente de 28 anos, com rinite alérgica persistente moderada e asma controlada leve (em uso de corticoide com broncodilatador de longa duração inalatório em dose baixa), sensibilizada a Dermatophagoides pteronyssinus e Blomia tropicalis , mantém sintomas apesar de farmacoterapia otimizada. A paciente está em avaliação para imunoterapia subcutânea. Em relação às indicações, contraindicações e condutas da imunoterapia, assinale a alternativa correta.

A A imunoterapia alérgeno-específica é contraindicada em pacientes com asma controlada em tratamento contínuo devido ao risco aumentado de reações graves, como anafilaxia.
B Em caso de reação sistêmica moderada durante aplicação, o esquema deve ser suspenso por 6 meses, e a reintrodução deve ser feita com diluição maior que aquela que deu reação.
C A imunoterapia alérgeno-específica apresenta boa eficácia especialmente em rinite alérgica, conjuntivite alérgica, dermatite atópica e urticária crônica espontânea.
D O uso de imunoterapia sublingual é preferencial em pacientes pediátricos com múltiplas sensibilizações clínicas e laboratoriais.
E O uso de beta-bloqueadores é contraindicação relativa, podendo a imunoterapia subcutânea ser realizada sob monitorização rigorosa.

Um paciente de 22 anos, com diagnóstico de asma brônquica desde a infância, procura a Unidade Básica de Saúde relatando que, nos últimos dois meses, tem apresentado tosse seca e “cansaço”, 2 a 3 vezes por semana, e relata ter acordado à noite com falta de ar 3 vezes no último mês. Ele informa que ocorre a melhora dos sintomas usando Salbutamol (beta-agonista de curta duração - SABA) spray, 4 jatos por vez. O paciente nega uso de qualquer outra medicação contínua e informa que seu último frasco de Salbutamol durou menos de 1 mês, pois ele “usa sempre que precisa”. A respeito da situação e da conduta inicial apropriada, assinale a alternativa correta.

A O paciente está com a asma controlada, pois o Salbutamol está aliviando os sintomas, e deve manter o uso de Salbutamol sob demanda.
B O paciente está com a asma não controlada, e o uso frequente de Salbutamol é um marcador de risco, sendo obrigatório iniciar um corticoide inalatório para controle da inflamação.
C O paciente deve ser encaminhado para um especialista para iniciar um Beta-agonista de Longa Duração (LABA), pois o Salbutamol não está durando o suficiente.
D Os sintomas noturnos sugerem refluxo gastroesofágico (DRGE) como causa da tosse; a asma está controlada, sendo necessário iniciar um inibidor de bomba de prótons.
E O paciente está usando uma dose excessiva de Salbutamol (4 jatos), e a conduta correta é reduzir para 2 jatos, observando se os sintomas persistem.

Uma adolescente de 14 anos, previamente saudável, apresenta súbita sensação de calor, prurido generalizado e urticária logo após ingerir um pé-de-moleque em uma festa junina. Em poucos minutos, evolui com edema de lábios, rouquidão e dispneia. Na admissão, encontra-se hipotensa, taquicárdica e com sibilos difusos à ausculta pulmonar. É previamente asmática, sem tratamento no momento e apresenta histórico de dermatite atópica quando lactente. Considerando o caso, mecanismos fisiopatológicos envolvidos e a abordagem terapêutica, assinale a alternativa correta.

A A liberação de histamina pelos linfócitos T é o principal evento fisiopatológico desse evento, justificando o uso prioritário de anti-histamínicos na fase aguda.
B A ativação de mastócitos e basófilos mediada por IgE leva à liberação de mediadores como histamina e triptase, resultando em vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar, devendo o tratamento imediato incluir adrenalina intramuscular.
C A adrenalina deve ser administrada por via subcutânea, ou intratraqueal, nos casos que necessitam de intubação imediata. Isso garante a ação rápida e evita recorrência dos sintomas.
D O corticoide sistêmico é considerado a medicação de primeira escolha, pois atua inibindo a produção de citocinas, revertendo rapidamente a broncoconstrição e a hipotensão causadas pela liberação de mediadores inflamatórios.
E Após a estabilização clínica, a alta já pode ser considerada, pois a recorrência dos sintomas (reação bifásica) está relacionada apenas à persistência do alérgeno circulante e é rara após o uso correto da adrenalina.

Em um paciente com Urticária Crônica Espontânea (UCE) refratária ao tratamento com dose quadriplicada de anti-histamínicos H1, a introdução da terapia com Omalizumabe (anticorpo monoclonal humanizado anti-IgE) tem como principal mecanismo de ação a interrupção de qual etapa da cascata alérgica?

A O bloqueio da ligação da IgE livre circulante aos receptores de alta afinidade (FcεRI) em mastócitos e basófilos, reduzindo a ativação dessas células.
B A inibição da apresentação do antígeno pelas células dendríticas aos linfócitos T Naive, impedindo a diferenciação em Th2.
C A neutralização direta da histamina e outros mediadores pré-formados liberados pelos mastócitos durante a degranulação.
D A indução de apoptose em linfócitos B (plasmócitos) que estão ativamente produzindo IgE específica para o alérgeno.
E A inibição competitiva com a IgG4 (IgG de bloqueio) pela ligação ao alérgeno, favorecendo uma resposta imune não inflamatória.

Um paciente de 48 anos, não tabagista, apresenta diagnóstico de asma grave e rinossinusite crônica com polipose nasal (RSCcPN) bilateral. Está em uso de terapia tripla com formoterol + budesonida e tiotropio em doses máximas e corticoide tópico nasal, mas mantém 4 exacerbações asmáticas no último ano e queixa de anosmia persistente com obstrução nasal (escore SNOT-22 = 50). Exames laboratoriais: Eosinófilos sanguíneos: 80 células/µL; fração exalada de Óxido Nítrico (FeNO): 95 ppb; IgE total sérica: 350 UI/mL; IgE específica para D. pteronyssinus: Classe 4 (Positivo). Considerando a necessidade de otimizar o tratamento de asma e comorbidades, assinale o imunobiológico com o mecanismo de ação mais adequado para o caso desse paciente.

A Benralizumabe (Anti-IL-5Rα).
B Omalizumabe (Anti-IgE).
C Dupilumabe (Anti-IL-4Rα).
D Mepolizumabe (Anti-IL-5).
E Tezepelumabe (Anti-TSLP).

De acordo com os padrões técnicos mais recentes para padronização e interpretação da espirometria, assinale a alternativa que apresenta a recomendação atual correta.

A Para definir um distúrbio ventilatório obstrutivo, o critério primário recomendado é a relação VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau) abaixo do valor fixo de 0.70 (70%) na espirometria pós-broncodilatador.
B Um teste de espirometria é considerado reprodutível e aceitável para interpretação se os dois maiores valores de VEF1 e os dois maiores valores de CVF, obtidos em três manobras aceitáveis, estiverem dentro de uma variação de 200 mL (0.20 L) entre si.
C A definição de resposta significativa ao broncodilatador foi alterada, sendo agora considerada positiva se houver um aumento de 15% no VEF1 ou 15% na CVF, independentemente da variação absoluta em mililitros.
D A presença de um distúrbio ventilatório obstrutivo é definida quando a relação VEF1/CVF está abaixo do Limite Inferior do Normal (LIN), que é determinado pelo 5º percentil do valor previsto.
E O critério de término da expiração forçada foi simplificado, exigindo que o paciente expire por no mínimo 6 segundos, sendo o platô no final da curva fluxo-volume considerado um critério opcional e não obrigatório para a aceitabilidade da manobra.

Um ambulatório especializado em alergologia relata ao gestor estadual que necessita ajustar o território de adscrição por aumento da demanda e mudança no perfil epidemiológico. A definição de territórios e populações adscritas para organizar ações e serviços de saúde corresponde, segundo a Lei nº 8.080/1990, ao princípio da

A universalidade.
B territorialização.
C integralidade.
D regionalização.
E equidade.

Na checagem matinal da sala de imunoterapia, antes do início dos atendimentos, o técnico de enfermagem identifica que a geladeira onde se armazenam os extratos alergênicos marcou 10°C durante a noite, violando a faixa de segurança (2°C-8°C), entretanto nenhum frasco foi utilizado e nenhum paciente foi exposto ao risco. De acordo com as definições da Portaria nº 529/2013 (PNSP), o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) deve classificar esse achado como

A Não Incidente, pois nenhum paciente foi envolvido, sendo apenas uma questão de manutenção de equipamento.
B Incidente Sem Dano (Near Miss), pois o técnico "quase" usou os frascos, mas percebeu o problema a tempo.
C Evento Adverso, pois a perda potencial dos extratos é um dano (financeiro) para a clínica, devendo ser notificada.
D Circunstância de Risco Notificável, pois representa uma situação com potencial significativo de causar um incidente (e dano).
E Evento Sentinela, pois a quebra da cadeia de frio de imunobiológicos é considerada um evento grave por si só.

Durante uma revisão das políticas municipais para doenças alérgicas crônicas, identificou-se a necessidade de integrar dados epidemiológicos, vigilância ambiental (ácaros, fungos, poeira), controle de qualidade do ar e acompanhamento clínico dos pacientes. Segundo a Lei nº 8.080/1990, essa articulação entre vigilância, promoção e assistência caracteriza o campo de atuação da

A Vigilância Epidemiológica.
B Vigilância Sanitária.
C Assistência Terapêutica Integral.
D Saúde do Trabalhador.
E Vigilância em Saúde.