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Analise as afirmativas a seguir:

I. Ação social afetiva refere-se a condutas impulsionadas por sentimentos e paixões, como aquelas reações espontâneas, não racionalizadas, que ocorrem na impulsividade do instante.

II. Ação social tradicional refere-se a comportamentos moldados por desejos e identidades individuais, com uma percepção consciente de suas motivações.

III. Ação social racional refere-se a comportamentos planejados, que são orientados para obtenção de uma finalidade específica. Está correto o que se afirma em

A I, apenas.
B I e II, apenas.
C I e III, apenas.
D II e III, apenas.
E I, II e III.

Leia o trecho a seguir. O espaço também é tratado como um fato da natureza, “naturalizado” através da atribuição de sentidos cotidianos comuns. Sob certos aspectos, mais complexo do que o tempo – tem direção, área, forma, padrão e volumo como principais atributos, bem como distância – o espaço é tratado tipicamente como um atributo objetivo das coisas que pode ser medido e, portanto, apreendido. Reconhecemos que a nossa experiência subjetiva pode nos levar a domínios de percepção, de imaginação, de ficção e de fantasia que produzem espaços e mapas mentais como miragens da coisa supostamente “real”. Sob a superfície de ideias do senso comum e aparentemente “naturais” acerca do tempo e do espaço, ocultam-se territórios de ambiguidade, de contradição e de luta. Os conflitos surgem não apenas de apreciações subjetivas admitidamente diversas, mas porque diferentes qualidades materiais objetivas do tempo e do espaço são consideradas relevantes para a vida social em diferentes situações. Importantes batalhas também ocorrem nos domínios da teoria, bem como da prática, científica, social e estética. O modo como representamos o espaço e o tempo na teoria importa, visto afetar a maneira como nós e os outros interpretamos e depois agimos com relação ao mundo. Adaptado de: HARVEY , David. A condição pós-moderna. Uma pesquisa sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992, pp. 188 – 190. Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor

A compreende o espaço como uma realidade material que precede os processos sociais.
B entende o espaço como uma construção, portanto, não possui uma dinâmica própria na sua materialidade.
C entende o espaço como uma construção teórica cujas concepções influenciam a vida prática.
D interpreta o espaço considerando sua complexidade de apreensão, tratando-o como algo completamente abstrato.
E considera o espaço, na sua materialidade, não impacta a vida social, sendo sua influência restrita à teoria que o sustenta.

Leia a seguir a resposta de Debora Diniz à pergunta “O que querem as mulheres que pedem a descriminalização do aborto?” A descriminalização é a retirada desse dispositivo, dessa coisa do código penal que diz que se uma mulher fizer aborto ela vai presa. É uma a cada 5 mulheres aos 40 anos [que aborta]! Pelo menos meio milhão de mulheres a cada ano. Uma em cada 5 mulheres com até 40 anos que você conhece, eu conheço. Essa é uma mulher comum, ela tem filhos, ela vai à igreja, vai ao templo, trabalha, ela não tem o perfil de uma “mulher fora da lei”. É uma mulher comum que se vê diante de uma necessidade de saúde, uma necessidade de vida, e ela tem que ir à clandestinidade para fazer um aborto, seja para comprar medicamentos, buscar uma clínica ou, se ela tem mais dinheiro, pegar um avião para um país onde o aborto é legalizado. Por que a descriminalização é tão importante? Quando você retira o crime de uma prática você pode falar dela abertamente. As instituições do Estado podem desenhar políticas para prevenir, para proteger e para cuidar. Como se previne o aborto? Há estudos sistemáticos que mostram que uma mulher quando faz o aborto, alguma coisa está errada em sua vida. Seja no uso dos métodos, ou ela teve efeitos colaterais ou ela não soube usar, ou porque ela é muito jovem e sofre violência sexual dentroda própria casa. Então quando o aborto é crime essa mulher entra na situação de saúde e não fala a verdade, ela tem medo de ser denunciada. A descriminalização permite inclusive diminuir a taxa de abortos, que é o que tanto querem aqueles que querem prender as mulheres. Adaptado de: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/02/politica/1533241424_946696 .html Com base na leitura, é correto afirmar que preocupação com a busca pelo aborto clandestino destaca, na interpretação da entrevistada,

A a expressão microssocial de um procedimento exclusivo a um grupo específico, sem refletir o problema em nível nacional.
B que a saúde das mulheres se limita apenas ao período reprodutivo.
C a expressão de um problema de saúde de forma ampla, que também inclui a saúde dos homens.
D a reafirmação do direito das mulheres de decidirem sobre os procedimentos médicos aos quais desejam ser submetidas.
E a desigualdade dentro do próprio grupo afetado, que se relaciona com o procedimento de maneiras diferentes.

Na falsificação de produtos (bens e serviços), marcas e/ou patentes, esses são copiados, imitados ou reproduzidos por uma organização ou rede, sem qualquer autorização ou remuneração de quem legalmente detém direitos sobre tal patrimônio intangível e tangível, com vistas à obtenção de vantagem financeira via comercialização. A marca que vai ser falsificada é, necessariamente, bem conhecida e sobretudo valorizada por um público que a consome ou gostaria de consumi-la. É uma prática que se reveste de certas propriedades da pirataria do passado, acrescida de traços modernos. Incide uma contrafação, pois essa falsificação é fraudulenta, ao violar o direito de propriedade industrial que legalmente pertence a terceiros. Por sua vez, os compradores podem estar cientes (o que usualmente acontece) ou não da ilegitimidade daquilo que adquirem. Num astuto modo de uso, o consumidor não pretende passar, nos seus círculos, a mercadoria falsa por verdadeira, para eliminar o risco social de serdesmascarada. Em vez disso, cria para si uma narrativa algo favorável e até prestigiosa, mediante: a) a exibição de conhecimentos sobre a marca original; b) comentários sobre viagens ao exterior em que o produto foi adquirido; c) exposição de um perfil de comprador esperto. Adaptado de: STREHLAU , Suzane; André Torres; Filipe Quevedo-Silva. O valor percebido no luxo falsificado pelo cliente de artigo legítimo: uma investigação qualitativa, Revista de Administração da UNIMEP. v.13, n.3, 2015, pp. 75 – 77. As afirmativas descrevem corretamente o comportamento social em relação aos produtos falsificado, à exceção de uma . Assinale-a.

A O conhecimento sobre o produto, mesmo que falsificado, também confere prestígio ao consumidor
B A compra de produtos falsificados é uma maneira de acessar o valor simbólico por um custo inferior ao valor de mercado.
C A aquisição de produtos falsificados está relacionada com aspirações sociais do consumidor.
D O uso de produtos falsificados está ligado a outros fatores externos que influenciam o status social de quem os utiliza.
E A decisão de comprar produtos falsificados é influenciada principalmente pela percepção da qualidade do material.

Leia o trecho a seguir. A discussão sobre interseccionalidade tem ocupado um espaço importante na pesquisa de gênero. O reconhecimento de que formas sexuais de injustiça são, por um lado, análogas e, por outro, empiricamente entrelaçadas com outras formas de injustiça - como as relacionadas a "raça", etnia e religião - encontra nesse conceito sua expressão teórica. Tanto racismos quanto sexismos podem ser entendidos como fenômenos complexos de poder que operam no contexto de atribuição de diferenças categoriais. Mesmo que não seja sempre necessariamente assim, eles frequentemente funcionam por meio de referências a características corporais e, portanto, por meio de referências a supostas certezas biológicas. É por isso que atribuições de diferença de cunho racista ou sexista são geralmente atribuições de diferenças naturalizadas que exigem validade atemporal ou pelo menos por longos períodos. Nesse sentido também as formas racistas e sexistas de poder são diferentes daquelas que operam vinculadas a relações de classe ou de produção. Adaptado de: KERNER , Ina. T udo é interseccional? Sobre a relação entre racismo e sexismo. Novos estud. CEBRAP

( 93 ), 2012, pp. 45- 46. Assinale a afirmativa que descreve corretamente a interpretação da autora sobre as abordagens interseccionais nos estudos sociológicos.

A A autora entende a abordagem como uma maneira de conectar diferentes formas de injustiça social.
B A autora entende que a abordagem revela a diferenciação instransponível entre determinadas categorias sociais.
C A autora entende que a abordagem evidencia a possibilidade de mobilidade social em todas os grupos marginalizados.
D A autora entende a abordagem como uma forma de igualar as diferentes formas de marginalizações.
E A autora entende a abordagem como um procedimento de conceituação simplificada e unidimensional.

Leia o trecho a seguir. O Estado é uma ilusão bem fundamentada, uma realidade que existe essencialmente porque acreditamos que ela existe. Esta realidade ilusória, mas validada coletivamente por meio do consenso, é o lugar para o qual somos remetidos quando recuamos em vários fenômenos, como títulos acadêmicos, títulos profissionais ou o calendário. Recuando cada vez mais, chegamos a um ponto que é a origem de tudo isso. Esta realidade misteriosa existe por seus efeitos e pela crença coletiva em sua existência, que é o princípio desses efeitos. Não se pode tocá-la com as mãos ou tratá-la da maneira que um agente da tradição marxista faria, dizendo: "O Estado faz isso", "O Estado faz aquilo". Poderia citar quilômetros de textos nos quais a palavra "Estado" aparece como sujeito das ações. Trata-se de uma ficção perigosa que nos impede de pensar o Estado. Portanto, como advertência, eu diria: cuidado, todas as frases que têm o Estado como sujeito são frases teológicas, o que não significa que sejam falsas, pois o Estadoé uma entidade teológica, ou seja, uma entidade que existe devido à crença. Adaptado de: BOURDIEU , Pierre. Sobre el Estado . Cursos en el Collège de France (1989-1992). Barcelona: Anagrama, 2014, pp. 15-16. Com base na leitura do trecho, analise as afirmativas a seguir e assinale a (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.

( ) O autor descreve o Estado como uma realidade fictícia, sustentada por ideias preconcebidas e construídas socialmente, cuja existência é validada coletivamente pela crença das pessoas.

( ) O autor afirma que a materialidade do Estado decorre de suas ações concretas como sujeito histórico, capaz de alterar dinâmicas sociais.

( ) O autor considera que as manifestações do Estado não têm fundamento sólido, sendo ele uma ficção e vez de uma realidade. Assinale a afirmativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

A V – V – F.
B V – F – V.
C F – F – V.
D F – V – F.
E V – V – V.

Assinale a afirmativa que descreve corretamente o conceito de Estado Democrático de Direito.

A Um Estado policial que exerce um controle amplo sobre a vida da população, restringindo suas liberdades e impondo vigilância constante.
B Um Estado estamental que hierarquiza os cidadãos com base em seus pertencimentos socioeconômicos, criando distinções e privilégios conforme as classes sociais.
C Um Estado que busca garantir a soberania popular, promovendo a participação ativa da sociedade nas decisões políticas.
D Um Estado centralizado que busca implementar a democracia direta, permitindo a participação da população nas decisões políticas sem a intermediação de representantes.
E Um Estado que adota o unipartidarismo, permitindo apenas a existência de um partido progressista como força política dominante.

Leia o trecho a seguir. Embora os rolos – no qual os filmes residem enquanto potência fílmica – sejam palpáveis, o filme em si não é. Não pode ser tocado, tampouco visto sem que seja projetado. À medida que o projetor roda, dando às gravações velocidade suficiente para gerar a ilusão do movimento, cabe aos espectadores, sem tempo para fixar o olhar e o entendimento em um ou outro aspecto determinado da sequência de imagens que lhe é mostrada, juntar algumas impressões do que acaba de ser visto para formatar um ponto de vista ou uma interpretação. Tanto o que faz “eleger” alguns dentre os incontáveis sinais possíveis como os mais significativos de um filme quanto o modo como os interpreta não pode ser desvinculado de seus desejos e conhecimentos prévios. Em outras palavras, o processo não é desvinculado das particularidades daquele que o vê, de sua memória e de seu saber. Adaptado de: NASCIMENTO , Nayara. Amor em telas – amor e tecnologia digital em filmes dos anos 2010 . Tese de doutorado em Sociologia da Universidade de São Paulo, 2022, p. 21. Com base na leitura do trecho, assinale a afirmativa que descreve corretamente a compreensão sociológica da autora sobre o ato de consumir produções audiovisuais.

A O espectador desempenha um papel crucial para elaborar a narrativa, baseando-se em suas próprias experiências.
B A produção audiovisual retrata a realidade das coisas e experiências conforme se manifestam no cotidiano.
C Os produtores dos filmes são responsáveis por apresentar uma narrativa organizada de forma completa e incontestável.
D O ato de assistir a um filme oferece ao espectador uma experiência de ruptura entre o passado e o presente.
E A narrativa criada pelo filme é guiada pela memória individual do produtor, a qual não reflete a experiência coletiva.

A história de vida é uma daquelas noções do senso comum que entram de contrabando no universo acadêmico; primeiro, sem tambor nem trompete, pelos etnólogos; depois, mais recentemente, e não sem estrondo, entre os sociólogos. Falar de história de vida é pressupor pelo menos, e isto não é pouco, que a vida é uma história e uma vida é inseparavelmente o conjunto de acontecimentos de uma existência individual concebida como uma história e o relato desta história. O mundo social, que tende a identificar a normalidade com a identidade, entendida como constância de si mesmo de um ser responsável, ou seja, previsível ou, no mínimo, inteligível, à maneira de uma história bem construída, dispõe de todos os tipos de instituições de totalização e de unificação do eu. Os acontecimentos biográficos são definidos como muitos posicionamentos e deslocamentos no espaço social, ou seja, mais precisamente, nos diferentes estados sucessivos da estrutura de distribuição das diferentes espécies de capital envolvidas em dado campo Adaptado de: BOURDIEU , Pierre. L’illusion biographique. In: Actes de la recherche en sciences sociales. Vol. 62-63, 1986. Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que, segundo o autor, o sociólogo, ao estudar biografias, deve

A buscar a coerência entre os eventos pessoais, construindo uma ideia de trajetória de progresso linear contínuo.
B perceber que a trajetória possui um sentido intrínseco, moldado naturalmente pela vivência individual.
C focar na construção da sucessão cronológica dos acontecimentos da vida.
D selecionar os eventos mais significativos que representam a totalidade da vida.
E tornar a trajetória inteligível por meio da análise da estrutura social.

Assinale a afirmativa que descreve corretamente os estudos de gênero como categoria analítica para estudos sociológicos.

A Os estudos de gênero emergiram como fruto dos movimentos sociais liderados por mulheres e outros grupos marginalizados.
B Os estudos de gênero se consolidaram na sociologia ao estabelecer a dicotomia entre os elementos biológicos e os sociais.
C Os estudos de gênero têm como objetivo principal compreender as dinâmicas sociais relacionadas às mulheres, em detrimento das que envolvem os homens.
D Os estudos de gênero surgem como uma resposta à passividade das mulheres diante das violências que sofriam, especialmente em períodos de maior repressão.
E Os estudos de gênero, no âmbito da sociologia, buscam unificar as reflexões feministas e as teorias, procurando evitar conflitos de interpretações sobre o conceito.