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Historicamente, existe no caso brasileiro uma anterioridade da prática com relação à teoria. Nos episódios, nos empreendimentos institucionais, na construção de um campo próprio para a psicologia, verificamos que a técnica precede o conhecimento. Este, de maneira geral, permanece como um fundamento, cujo valor se esgota na derivação de uma ação prática [...].

Disponível em: . Acesso em: 26 abr. 2016. Adaptado.

Na história da Psicologia nos hospitais no Brasil, que característica corresponde ao que é apontado no texto?

A A utilização, desde a década de 1940, da psicologia no hospital como suporte teórico à prática médica.
B A anterioridade do surgimento de serviços de acompanhamento psicológico em relação à regulamentação da profissão de psicólogo.
C A contemporaneidade entre a demanda por atenção psicológica nos hospitais e a publicação das primeiras teses sobre psicossomática.
D A irregularidade do exercício da psicologia por profissionais médicos no início do séc. XX
E A apropriação das propostas da teoria psicanalítica para o embasamento do atendimento clínico no hospital.

L ficou muito feliz com o nascimento de seu filho. No entanto, poucos dias depois do parto, passou a chorar sem estar triste e apresentar um comportamento hostil com seu marido e sua mãe. Ao avaliar o seu quadro, a equipe que a acompanha salientou que L estava com um distúrbio emocional transitório, não necessitando de um tratamento medicamentoso.

De acordo com o quadro descrito, qual foi o transtorno psiquiátrico puerperal que acometeu L?

A Depressão pós-parto
B Psicose pós-parto
C Fobia social
D Transtorno de ansiedade generalizada
E Disforia puerperal

Dentre as estratégias cognitivo-comportamentais que podem auxiliar na assistência psicológica às gestantes de alto risco, está o Work of worrying que consiste em

A intervir na eliminação do comportamento de medo e das síndromes de evitação, mediante exposição direta, graduada às situações ou objetos geradores de medo, ensinando a paciente a ter uma resposta contrária à ansiedade.
B dar informações à paciente com o objetivo de aumentar a previsibilidade dos eventos estressores, diminuindo, assim, a ansiedade.
C dotar a paciente com habilidades para o enfrentamento das situações do cotidiano, provocadoras de ansiedade e tensão, mediante o uso do relaxamento.
D sensibilizar a paciente até um nível moderado de medo com intuito de provocar o seu engajamento nos cuidados necessários, tornando-a mais consciente do quadro clínico.
E orientar a paciente para proporcionar o controle do seu comportamento com o intuito de auxiliá-la na sua adaptação à doença e à hospitalização.

Um psicólogo atende um paciente internado há 48 horas, devido a um quadro hepático grave. A equipe que pediu a intervenção do psicólogo não o informou das razões para o encaminhamento. A enfermagem comenta que o paciente está agitado e insone. Na entrevista com o psicólogo, o paciente apresenta sudorese e tremores intensos. Logo antes do diálogo iniciar, o paciente dirige o olhar para a parede, em um ponto à direita do psicólogo, faz um gesto negativo com a cabeça, fixa a atenção por um momento e, depois, começa a rir muito.

Com base nesses dados, qual é a hipótese diagnóstica mais provável que cabe ao psicólogo verificar?

A Manifestações sintomáticas de caráter iatrogênico
B Esquizofrenia ou algum outro transtorno psicótico
C Transtorno do humor
D Transtorno somatoforme
E Transtorno induzido pela abstinência de álcool

O psicólogo de um hospital se apresenta a F., 54 anos, internado na Unidade de Tratamento Intensivo há 7 dias, consciente e responsivo. F. apresenta alucinações visuais, desorientação espaço temporal e fuga de ideias. O médico plantonista afirma não ter percebido tal quadro em seu último plantão, três dias antes. A enfermagem comenta que o paciente estava entubado até a véspera. Um familiar, questionado, informa que F. trabalha como advogado e que levava uma vida normal e nunca havia apresentado tais sintomas.

De acordo com as informações disponíveis, a conduta a ser adotada pelo psicólogo deverá ser a de

A diagnosticar uma psicose endógena e orientar o paciente a buscar tratamento psiquiátrico, após a alta hospitalar.
B explicar, cuidadosamente, ao paciente, a situação em que se encontra para favorecer o enfrentamento da crise sem a fuga da realidade.
C orientar os familiares para a situação nova em que o paciente se encontrará após a alta hospitalar, intermediando a criação de uma rede que permita o tratamento de sua psicopatologia
D sustentar, diante da equipe, a importância de introduzir, no tratamento do paciente, medicações específicas para combater os sintomas descritos.
E oferecer referências espaçotemporais e subjetivas, promovendo a comunicação com o paciente e agenciando sua relação com o mundo.

Existem alguns remédios usados na clínica médica que podem contribuir para o surgimento de quadros depressivos, devido às substâncias que os compõem.

As substâncias indicadas para tratar de ansiedade e insônia, que favorecem o surgimento de quadros depressivos são:

A Cimetidina e Ranitidina
B Hidralasina e Prazosina
C Isoniazida e Ácido Nalidixico
D Vimblastina e Vincristina
E Lorazepan e Clonazepan

Considerando-se a atuação de cinco psicólogos empregados em um hospital, e respeitando-se as definições do Conselho Federal de Psicologia e a literatura da área, caracteriza-se como um psicólogo hospitalar aquele que atua

A no setor de reabilitação do hospital, planejando, implementando e coordenando intervenções de profilaxia e tratamento de problemas relacionados ao desenvolvimento psicomotor dos pacientes.
B em equipe interdisciplinar no setor de cardiologia, avaliando e acompanhando intercorrências psíquicas dos pacientes cirúrgicos, intervindo nas relações do paciente com a equipe médica e com sua família.
C com outros profissionais, na elaboração e planejamento de campanhas de educação para a saúde (contra abuso de substâncias, por exemplo) e prevenção de doenças, estabelecendo os melhores meios e estratégias de divulgação.
D individualmente, acompanhando pacientes internados que serão submetidos a procedimentos de risco, aos quais oferta atendimento individual ou em grupo, utilizando técnicas de intervenção orientadas pela psicanálise.
E elaborando atividades que favorecem a constituição e a manutenção das equipes interdisciplinares, detectando os problemas relacionais e intervindo sobre eles e avaliando a necessidade de programas de capacitação

A nomenclatura psicologia hospitalar é quase exclusivamente brasileira. Em outras partes do mundo, a prática assim descrita se inclui no campo da psicologia da saúde.

Do ponto de vista da assistência, que característica da psicologia nos hospitais vem sustentar essa peculiaridade brasileira?

A A participação equilibrada em todas as fases do atendimento, seguindo o modelo sanitarista.
B A utilização do modelo biopsicossocial visando a articular os fatores biológicos, comportamentais e sociais nos processos de saúde e doença.
C A ênfase nas ações de prevenção por oposição ao controle das doenças, de acordo com o modelo higienista
D A preponderância da atuação nos âmbitos secundário e terciário de atenção à saúde, seguindo o modelo clínico/assistencialista.
E A escolha do modelo comunitário para a promoção e educação para a saúde, capacitando agentes multiplicadores.

O I Encontro de Psicólogos da Área Hospitalar, realizado em 1983, é considerado um marco histórico da constituição dessa prática no Brasil.

Uma importante consequência desse encontro foi

A forçar o Conselho Federal de Psicologia a reconhecer a psicologia hospitalar como especialidade do psicólogo.
B fomentar o reconhecimento acadêmico da prática pela criação da primeira Especialização em Psicologia Hospitalar no Brasil.
C instigar o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo a definir a especificidade do campo de atuação do psicólogo hospitalar.
D promover a implantação do Serviço de Psicologia no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP.
E promover o encontro dos trabalhadores da área para possibilitar a criação da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar.

Em um dia de muito trabalho, o psicólogo de um hospital é convocado a conversar com um paciente que reluta em aderir ao tratamento, é procurado por uma mulher que se desestrutura ao saber do diagnóstico de uma doença recebido por seu marido, intermedeia um conflito entre um médico e um fisioterapeuta, escuta um paciente da enfermaria que se encontra deprimido e, por fim, acolhe uma enfermeira estressada com o ritmo de seu trabalho.

Nesse contexto, o trabalho desse psicólogo só será possível se houver

A uma sala que possa garantir a calma, a continuidade e a privacidade necessária para lidar com todas as questões listadas.
B conhecimento de uma abordagem teórica interna à psicologia que seja sistematizada e que dê coerência e justificativa às intervenções que realiza.
C hierarquia entre profissionais que buscam somar seus conhecimentos aos do colega de equipe, em benefício da pessoa que busca o atendimento no hospital.
D capacidade de delimitar sua tarefa por relação ao espaço em que a executa, à temporalidade do hospital e à situação que lhe é apresentada.
E delimitação prévia e, na medida do possível, inequívoca das tarefas a serem realizadas por cada membro de sua equipe para que não haja invasão de espaços nem superposição de campos de intervenção distintos.