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Assim, tanto o indianismo quanto o regionalismo de Alencar se construíram em um esquema sobredeterminado pela exaltação da nobreza do
colonizador que só a devoção do colonizado pode igualar. A ambivalência dessa posição ideológica é resolvida poeticamente em Iracema,
lenda que conta a fundação do Ceará consumada graças à “doce escravidão” (expressão de Machado de Assis) à qual se submeteu a
“virgem dos lábios de mel”. Iracema fugirá de sua tribo e se entregará ao conquistador europeu, Martim Soares Moreno. Dessa união fatal
para a mulher, que morrerá ao dar à luz, nasceria Moacir, “filho do sofrimento”, o primeiro cearense. A coragem de Peri e a beleza de
Iracema são a fonte de poesia desses romances ao mesmo tempo históricos e lendários. Mas o poder que imanta os enredos vem do
colonizador: homem, branco, português.
(BOSI, Alfredo. “A cultura no Brasil Império – literatura ideias”. In: História do Brasil nação - A construção nacional 1830-1889 - v.
2, Rio de Janeiro: Objetiva, 2012, p. 245)
A expressão “filho do sofrimento” constitui

A metáfora, uma vez que atenua a dor sentida por Iracema.
B anáfora, pois retoma qualidades e atributos já expressos pelo autor.
C metonímia, já que funciona como substituição ao elemento europeu.
D epíteto, já que alude ao personagem Moacir.
E hipérbole, pois exagera a coragem de Martim e de Iracema.

Quanto ao gênero a que pertence, é correto afirmar que o texto

A é argumentativo e crítico, uma vez que apresenta e desenvolve ideias.
B é informativo, pois faz referências aos fatos relevantes acerca do cotidiano da autora.
C mescla objetividade e subjetividade sobre o tema da educação brasileira.
D é laudatório, de maneira que o uso da citação constitui procedimento característico.
E explora enunciados em que predomina a conotação, evidenciando seu caráter literário.

Considere o texto a seguir. Se queremos analisar o regime autoritário em suas diversas formas devemos examinar os estilos de liderança e os
diferentes modos de conceber a relação entre o poder do Estado e a sociedade. As “ideologias” contêm um forte
elemento utópico; as “mentalidades” estão mais próximas do presente ou do passado. Os sistemas totalitários
têm ideologias, enquanto os regimes autoritários se baseiam em mentalidades peculiares, difíceis, portanto, de
definir.
(LINZ, Juan apud: AVELAR, Lúcia. “Juan Linz. Um sociólogo de nosso tempo.” Tempo Social. Rev. de
Sociologia da USP , São Paulo, 13(1): 203-227, maio de 2001, p. 211. Disponível em
http://www.scielo.br/pdf/ts/v13n1/v13n1a13.pdf)

A comparação proposta no texto acima, segundo o autor,

A é inviável, pois os regimes autoritários são muito diferentes dos sistemas totalitários, já que estes últimos se baseiam na utopia e não na liderança.
B exige que se considerem, em cada caso, fatores comparativos como as ideologias, as mentalidades e a relação entre Estado e sociedade.
C leva à conclusão de que os sistemas totalitários são peculiares em seus estilos de liderança, portanto, mais complexos e indefiníveis.
D procede, uma vez que ideologias e mentalidades são equivalentes, sendo mais importante diferenciar, na verdade, um “sistema” de um “regime”.
E é complexa, pois os regimes totalitários estão presos ao passado, e os sistemas autoritários anunciam o futuro, por serem dotados de elementos utópicos.

Em Eis o que eu queria dizer (2° parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por

A Afinal, colocando-se em relevo a ideia de causa.
B Ao invés, ressaltando-se a noção de oposição.
C Exceto, evidenciando-se o caráter de exclusão.
D Aqui está, mantendo-se o caráter de designação.
E Sequer, mantendo-se o caráter de exclusão.

O texto atribui a Platão e a Aristóteles concepções distintas sobre a retórica. Para Platão, a retórica

A é a arte do diálogo, no combate ao engano e à palavra estilosa; para Aristóteles, é a arte do ethos e do pathos , com a finalidade argumentativa.
B a arte do engano e da embalagem do raciocínio, por isso contrária à dialética; para Aristóteles, é um tratado que estuda apenas as técnicas da argumentação.
C identifica-se com a dialética, quando se difere da palavra enganosa; já para Aristóteles, é a técnica da argumentação, do estilo, bem como um tratado sobre o ethos do orador e sobre os modos de conduzir o pathos do auditório.
D é uma controvérsia sobre a filosofia iniciada com os filósofos pré-socráticos; para Aristóteles, enquanto arte do estilo, é o estudo da argumentação por meio do ethos e do pathos com a finalidade de persuadir o auditório.
E é apenas uma embalagem do raciocínio com a finalidade de iludir; para Aristóteles, é a arte de influenciar por meio do conhecimento das técnicas da argumentação.

Quando no decênio final do século XVI, os Países Baixos consolidaram militarmente na Europa sua independência da Espanha, a ofensiva batava desdobrou-se em ofensiva ultramarina visando à destruição das bases coloniais da riqueza e do poderio ibéricos. Nos primeiros anos do século XVII, a Companhia das Índias Orientais (VOC), sociedade de ações operando mediante monopólio outorgado pelo governo neerlandês, promoveu o comércio e a colonização na Ásia em detrimento da presença espanhola e portuguesa naquela parte das Índias Ocidentais ( doravante referida também pelas suas iniciais holandesas WIC, ou “West Indische Compagnie”), idêntico modelo institucional foi adotado para as Américas e para a costa ocidental da África. (MELLO, Evandro Cabral de. “Introdução”. In: O Brasil Holandês , São Paulo: Penguin & Companhia das Letras, 2010, p. 12) As palavras sublinhadas no texto podem ser substituídas, sem prejuízo de seu sentido, respectivamente, por

A atribuído - prejuízo - de agora em diante
B abjurado - desfavor - inicialmente
C concedido - proveito - somente
D obstado - oposição - de agora em diante
E conferido - benefício - inicialmente

Havia na imprensa uma massa de analfabetos. Saíam as coisas mais incríveis. Lembro-me de que alguém, num crime passional, terminou assim a matéria: - “E nem um goivinho ornava a cova dela”. Dirão vocês que esse fecho de ouro é puramente folclórico. Não sei se talvez. Mas saía coisa parecida. E o Pompeu trouxe para cá o que se fazia nos Estados Unidos - o copy desk. Começava a nova imprensa. Primeiro, foi só o Diário Carioca; pouco depois, os outros, por imitação, o acompanharam. Rapidamente, os nossos jornais foram atacados de uma doença grave: - a objetividade. Daí para o “idiota da objetividade” seria um passo. Certa vez, encontrei-me com o Moacir Werneck de Castro. Gosto muito dele e o saudei com a mais larga e cálida efusão. E o Moacir, com seu perfil de Lord Byron, disse para mim, risonhamente: - “Eu sou um idiota da objetividade”. Também Roberto Campos, mais tarde, em discurso, diria: - “Eu sou um idiota da objetividade”. Na verdade, tanto Roberto como Moacir são dois líricos. Eis o que eu queria dizer: - o idiota da objetividade inunda as mesas de redação e seu autor foi, mais uma vez, Pompeu de Sousa. Aliás, devo dizer que o copy desk e o idiota da objetividade são gêmeos e um explica o outro. (RODRIGUES, Nelson. “Os idiotas da subjetividade”. A cabra vadia, São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 50-51) A expressão “idiota da objetividade” alude ironicamente a

A uma linguagem poética, caracterizada pela objetividade.
B uma linguagem conotativa, com termos eruditos.
C uma linguagem direta, mas que prima por anacronismos.
D uma escrita metalinguística, que preza a ambiguidade.
E uma escrita impessoal, técnica e informativa.
Texto associado
Estabelecida na Sicília no século V a.C., a retórica terá como primeiros cultores a Empédocles, Córax e Tísias. Segundo Armando Plebe (1968, p. 3-6, passim), já nesse momento nebuloso de suas origens, a disciplina conheceria duas linhagens: primeira, uma demonstração técnica e racional do verossímil; segunda, uma psicagogia (literalmente, “condução da alma”), isto é, exploração do potencial de sedução da palavra, aquém ou além de sua inteligibilidade. A primeira linhagem aspira a tornar mais potente o discurso válido de uma perspectiva lógica, tendo como fonte Córax, Tísias e Protágoras; a segunda, mergulhada em princípios pitagóricos - magia, medicina e música como terapias - e parmenídicos - distinção entre a via da verdade e a da opinião - pretende trabalhar o fascínio enganador a que se presta a palavra, originando-se no pensamento de Empédocles, para daí passar a Górgias e depois a Isócrates. A partir de fins do século V a. C., a retórica entra num período que ficou melhor documentado, podendo-se dizer, contudo, que a controvérsia já referida, entre a arte da palavra como embalagem do raciocínio ou como encantamento e ilusionismo, se transforma em verdadeiro mote do debate filosófico que atravessaria os séculos. Desse período, são de destacar as obras de Platão - que em geral reagiu contra a retórica enquanto hipertrofia da linguagem como forma sedutora, ou então a avaliou positivamente, desde que identificada com a dialética - e de Aristóteles - que lhe dedicou um tratado específico destinado a ampla influência, concebendo-a como técnica rigorosa de argumentação e como arte do estilo, além de estudá-la sob os pontos de vista do ethos do orador e do pathos dos ouvintes. (Adaptado de ACÍZELO, Roberto. O império da eloquência: retórica e poética no Brasil oitocentista . Rio de Janeiro: EdUERJ: EdUFF, 1999, p. 7)

Em linhas gerais, os sofistas foram mestres da retórica e da oratória, que ensinavam na pólis aos cidadãos interessados em dominar as técnicas do discurso. No entanto, eram constantemente acusados por Platão e por Aristóteles, por exemplo, de empregar sofismas, silogismos falsos, para impressionar os seus ouvintes. Referência semelhante sobre a sofística e sobre os sofistas está presente em:

A [...] pretende trabalhar o fascínio enganador a que se presta a palavra, originando-se no pensamento de Empédocles, para daí passar a Górgias e depois a Isócrates . (1°parágrafo)
B [...] já nesse momento nebuloso de suas origens, a disciplina conheceria duas linhagens [...]. (1° parágrafo)
C A partir de fins do século V a. C., a retórica entra num período que ficou melhor documentado [...]. (2° parágrafo)
D [...] uma demonstração técnica e racional do verossímil . (1° parágrafo)
E Desse período são de destacar as obras de Platão [...]. (2° parágrafo)

São exemplos da emergência do liberalismo como força política, nos séculos XVIII e XIX, respectivamente, os seguintes eventos históricos:

A Revolução Mexicana e Revolução de 1848 em Paris, que expressaram a luta da classe camponesa e operária.
B Guerra de Independência Americana e Santa Aliança, que afirmavam os direitos dos povos à autodeterminação.
C Revolução Americana e Revolução de Cádiz, que afirmavam os direitos naturais e a importância de um pacto constitucional.
D Restauração na França e Movimento Cartista inglês, que lutavam pelo sufrágio universal masculino e pela república.
E Revolução Francesa e Conspiração da Pólvora na Inglaterra, que derrubaram as monarquias vigentes e instauraram repúblicas liberais.
Texto associado
Estabelecida na Sicília no século V a.C., a retórica terá como primeiros cultores a Empédocles, Córax e Tísias. Segundo Armando Plebe (1968, p. 3-6, passim), já nesse momento nebuloso de suas origens, a disciplina conheceria duas linhagens: primeira, uma demonstração técnica e racional do verossímil; segunda, uma psicagogia (literalmente, “condução da alma”), isto é, exploração do potencial de sedução da palavra, aquém ou além de sua inteligibilidade. A primeira linhagem aspira a tornar mais potente o discurso válido de uma perspectiva lógica, tendo como fonte Córax, Tísias e Protágoras; a segunda, mergulhada em princípios pitagóricos - magia, medicina e música como terapias - e parmenídicos - distinção entre a via da verdade e a da opinião - pretende trabalhar o fascínio enganador a que se presta a palavra, originando-se no pensamento de Empédocles, para daí passar a Górgias e depois a Isócrates. A partir de fins do século V a. C., a retórica entra num período que ficou melhor documentado, podendo-se dizer, contudo, que a controvérsia já referida, entre a arte da palavra como embalagem do raciocínio ou como encantamento e ilusionismo, se transforma em verdadeiro mote do debate filosófico que atravessaria os séculos. Desse período, são de destacar as obras de Platão - que em geral reagiu contra a retórica enquanto hipertrofia da linguagem como forma sedutora, ou então a avaliou positivamente, desde que identificada com a dialética - e de Aristóteles - que lhe dedicou um tratado específico destinado a ampla influência, concebendo-a como técnica rigorosa de argumentação e como arte do estilo, além de estudá-la sob os pontos de vista do ethos do orador e do pathos dos ouvintes. (Adaptado de ACÍZELO, Roberto. O império da eloquência: retórica e poética no Brasil oitocentista . Rio de Janeiro: EdUERJ: EdUFF, 1999, p. 7)

Considere as afirmações abaixo.

I. Psicagogia é a condução inteligente das palavras.

II. Ethos significa caráter e se formula no discurso do escritor/orador.

III. Pathos significa paixão e se destina a mover os ânimos do leitor/ouvinte.

IV. Verdade é a mesma coisa que opinião. Está correto o que consta APENAS de

A I, II e III.
B I, II e IV.
C II e III.
D I e IV.
E III e IV.