Texto para as questões 37 e 38.
A tabela abaixo mostra a temperatura média, em ºC, de uma cidade nos meses de janeiro a junho.
Mês
janeiro
fevereiro
março
abril
maio
junho
Temperatura
28
31
28
25
24
20
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Leia a crônica de Carlos Drummond de Andrade. Brasileiro Cem-Milhões Telefonei para a maternidade indagando se havia nascido o bebê no 100.000.000, e não souberam informar-me: De zero hora até este momento nasceram oito, mas nenhum foi etiquetado com esse número. É uma falha do nosso registro civil: as crianças não recebem números ao nascer. Dão-lhes apenas um nome, às vezes surrealista, que o acompanhará por toda a vida como pesadelo, quando a numeração pura e simples viria garantir identidade insofismável, poupando ainda o vexame de carregar certos antropônimos. Centenas de milhares nascem João ou José, mais o homem ou a mulher 25.786.439 seria uma única pessoa viva, muito mais fácil de cadastrar no Imposto de Renda e nos mil outros fichários com que é policiada a nossa existência. Passei por baixo do viaduto, onde costumam nascer filhos do vento, e reinava uma paz de latas enferrujadas e grama sem problemas. Ninguém nascera ali depois da meia-noite. O dia 21 de agosto, marcado para o advento do brasileiro cem-milhões, transcorria sem que sinal algum, na terra ou no ar, registrasse o acontecimento. Costumo acreditar nos bancos, principalmente nos oficiais, e se o Banco Nacional da Habitação, através do Serfhau, garantiu que nessa segunda-feira o Brasil atingiria a cifra redonda de 100 milhões de habitantes, é porque uma parturiente adrede orientada estaria de plantão para perfazer esse número. Verdade seja que o IBGE, pelo Centro Brasileiro de Estudos Demográficos, julgou prematura a declaração, e só para o trimestre de outubro/dezembro nos promete o brasileiro em questão. Não ponho em dúvida sua autoridade técnica, mas um banco é um banco, ainda mais se agência governamental, e a esta hora deve ter recolhido nosso centésimo milionésimo compatrício em berço especial da casa própria, botando-lhe à cabeceira um cofre de caderneta de poupança. É que me custa admitir o nascimento desse garoto, ou garota, sem o amparo de nossas leis sociais, condenado a ser menos que número - uma dessas crianças mendicantes, que não conhecerão as almofadas da felicidade. Não queria que a televisão lhe desse um carnê e uma viagem à Grécia, nem era preciso que Manchete lhe dedicasse 10 páginas coloridas, sob o patrocínio do melhor leite em pó. Mas gostaria que viesse ao mundo com um mínimo de garantia contra as compulsões da miséria e da injustiça, e de algum modo representasse situação idêntica de milhões de outras crianças que recebessem - estou pedindo muito? - não somente o dom da vida, mas oportunidades de vivê-la. Seria vaidade irrisória proclamar-se ele, o 100.000.000o brasileiro, membro eufórico da geração dos 100 milhões, e saber-se apenas mais um marginalizado, que só por artifício de média ganha sua fatia no bolo do Produto Nacional Bruto. Não desejo o herói do monumento nem mártir anônimo. Prefiro vê-lo como um ser capaz de fazer alguma coisa de normal numa sociedade razoavelmente suportável, em que a vida não seja obrigação estúpida, sem pausa para fruir a graça das coisas naturais e o que lhes acrescentou a imaginação humana. Olho para esse brasileiro cem-milhões, nascido ontem ou por nascer daqui a algumas semanas, como se ele fosse meu neto bisneto, talvez. Pois quando me dei conta de mim, isto aí era um país de 20 milhões de pessoas, diluídas num território quase só mistério, que aos poucos se foi desbravando, mantendo ainda bolsões de sombra. Vi crescer a terra e lutarem os homens, entre desajustes e sofrimentos. Os maiorais que dirigiam o processo lá se foram todos. Vieram outros e outros, e encontro nesta geração um novo rosto de vida que se interroga. Há muita ingenuidade, também muita coragem, e os problemas se multiplicam com o crescimento desordenado. Somos mais ricos e também mais pobres. Meu querido e desconhecido irmão no 100.000.000, onde quer que estejas nascendo, fica de olho no futuro, presta atenção nas coisas para que não façam de ti subproduto de consumo, e boa viagem pelo século XXI adentro. Assinale a alternativa que apresenta uma verdade , segundo o cronista, a respeito do brasileiro cem-milhões.
Leia a crônica de Carlos Drummond de Andrade. Brasileiro Cem-Milhões Telefonei para a maternidade indagando se havia nascido o bebê no 100.000.000, e não souberam informar-me: De zero hora até este momento nasceram oito, mas nenhum foi etiquetado com esse número. É uma falha do nosso registro civil: as crianças não recebem números ao nascer. Dão-lhes apenas um nome, às vezes surrealista, que o acompanhará por toda a vida como pesadelo, quando a numeração pura e simples viria garantir identidade insofismável, poupando ainda o vexame de carregar certos antropônimos. Centenas de milhares nascem João ou José, mais o homem ou a mulher 25.786.439 seria uma única pessoa viva, muito mais fácil de cadastrar no Imposto de Renda e nos mil outros fichários com que é policiada a nossa existência. Passei por baixo do viaduto, onde costumam nascer filhos do vento, e reinava uma paz de latas enferrujadas e grama sem problemas. Ninguém nascera ali depois da meia-noite. O dia 21 de agosto, marcado para o advento do brasileiro cem-milhões, transcorria sem que sinal algum, na terra ou no ar, registrasse o acontecimento. Costumo acreditar nos bancos, principalmente nos oficiais, e se o Banco Nacional da Habitação, através do Serfhau, garantiu que nessa segunda-feira o Brasil atingiria a cifra redonda de 100 milhões de habitantes, é porque uma parturiente adrede orientada estaria de plantão para perfazer esse número. Verdade seja que o IBGE, pelo Centro Brasileiro de Estudos Demográficos, julgou prematura a declaração, e só para o trimestre de outubro/dezembro nos promete o brasileiro em questão. Não ponho em dúvida sua autoridade técnica, mas um banco é um banco, ainda mais se agência governamental, e a esta hora deve ter recolhido nosso centésimo milionésimo compatrício em berço especial da casa própria, botando-lhe à cabeceira um cofre de caderneta de poupança. É que me custa admitir o nascimento desse garoto, ou garota, sem o amparo de nossas leis sociais, condenado a ser menos que número - uma dessas crianças mendicantes, que não conhecerão as almofadas da felicidade. Não queria que a televisão lhe desse um carnê e uma viagem à Grécia, nem era preciso que Manchete lhe dedicasse 10 páginas coloridas, sob o patrocínio do melhor leite em pó. Mas gostaria que viesse ao mundo com um mínimo de garantia contra as compulsões da miséria e da injustiça, e de algum modo representasse situação idêntica de milhões de outras crianças que recebessem - estou pedindo muito? - não somente o dom da vida, mas oportunidades de vivê-la. Seria vaidade irrisória proclamar-se ele, o 100.000.000o brasileiro, membro eufórico da geração dos 100 milhões, e saber-se apenas mais um marginalizado, que só por artifício de média ganha sua fatia no bolo do Produto Nacional Bruto. Não desejo o herói do monumento nem mártir anônimo. Prefiro vê-lo como um ser capaz de fazer alguma coisa de normal numa sociedade razoavelmente suportável, em que a vida não seja obrigação estúpida, sem pausa para fruir a graça das coisas naturais e o que lhes acrescentou a imaginação humana. Olho para esse brasileiro cem-milhões, nascido ontem ou por nascer daqui a algumas semanas, como se ele fosse meu neto bisneto, talvez. Pois quando me dei conta de mim, isto aí era um país de 20 milhões de pessoas, diluídas num território quase só mistério, que aos poucos se foi desbravando, mantendo ainda bolsões de sombra. Vi crescer a terra e lutarem os homens, entre desajustes e sofrimentos. Os maiorais que dirigiam o processo lá se foram todos. Vieram outros e outros, e encontro nesta geração um novo rosto de vida que se interroga. Há muita ingenuidade, também muita coragem, e os problemas se multiplicam com o crescimento desordenado. Somos mais ricos e também mais pobres. Meu querido e desconhecido irmão no 100.000.000, onde quer que estejas nascendo, fica de olho no futuro, presta atenção nas coisas para que não façam de ti subproduto de consumo, e boa viagem pelo século XXI adentro. Assinale a alternativa com a frase corretamente pontuada.
Após a realização de uma cirurgia contaminada, alguns cuidados devem ser adotados, considerando: equipe; paciente; equipamentos; e materiais utilizados. Não corresponde a um desses cuidados
A principal vacina indicada para trabalhadores do setor de turismo é a
No que diz respeito às características, às finalidades e à utilização dos diferentes tipos de insulina, assinale a alternativa correta.
A esterilização pelo calor úmido requer a adequação do tempo de exposição ao tipo de material. Sendo assim, assinale a alternativa que apresenta a relação correta entre o tempo necessário para esterilizar e o material, considerando a temperatura de 160 ºC.
Texto associado
A partir dos dados numéricos da tabela acima, assinale a alternativa que apresenta a moda.
Texto associado
Texto para as questões de 1 a 19.
1 A geografia da produção global apresenta novas
determinações e novos desafios ao desenvolvimento, em
que diferentes países ou territórios conseguem, por
4 distintos motivos, aderir ao novo padrão da produção global
e apresentam, assim, resultados positivos de crescimento
industrial e econômico e de desenvolvimento
7 socioeducacional, o que leva a uma mudança estrutural.
Inserem‐se nesses grupos a China e os países e
territórios asiáticos de primeira geração — chamados
10 outrora de tigres asiáticos —, que incluem Coreia do Sul,
Cingapura, Hong Kong (região administrativa especial da
República Popular da China) e o território de Taiwan, e os
13 países de segunda geração — denominados de novos tigres
asiáticos, termo cunhado na década de 1990 —, que
incluem Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã.
16 Embora tenham passado por forte crise econômica e
recessão em 1997, esses países se recuperaram e
apresentam, atualmente, bons desempenhos na área
19 econômica.
A China aparece como um gigante na produção
global e vem atualizando a sua matriz de produção, já sendo
22 líder em vários setores industriais, ranqueada como a
segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos
Estados Unidos da América, e posicionada, como centro
25 dinamizador do crescimento econômico asiático, entre as
mais relevantes em termos de comércio exterior. Esse país
apresenta uma forma de desenvolvimento singular que
28 combina socialismo com economia de mercado e que
permite vislumbrar uma alternativa possível ao modelo
norte‐americano.
31 Outro exemplo de país asiático que apresenta grande
êxito é a Coreia do Sul, onde se observa a emergência de
grandes e famosas empresas dirigidas por famílias,
34 conhecidas por chaebols , entre as quais empresas líderes
dos setores automobilístico, como Hyundai e Kia, e
eletrônico, como Samsung e LG. Essas empresas utilizam‐se
37 de várias estratégias voltadas para a concorrência global,
entre elas a da imitação, e têm papel fundamental no
desenvolvimento tecnológico e na expansão de atividades
40 de pesquisa, além de serem responsáveis pelo crescimento
das indústrias têxteis, madeireiras e de cimento no país.
Entretanto, o desenvolvimento sul‐coreano está
43 ligado às formas de desenvolvimento a convite ou
associado — com acesso privilegiado aos mercados e aos
capitais das grandes potências, obtido em troca da
46 submissão a sua política externa e a sua estratégia militar
global —, que ocorrem em contextos geopolíticos
específicos. Do ponto de vista produtivo, o comando da
49 produção global permanece nos países mais desenvolvidos,
porém vão surgindo novos centros. Nesse sentido, há o
desenvolvimento do centro em um país antes considerado
52 periferia, o que demonstra como uma estratégia de
desenvolvimento com participação ativa do Estado pode
promover uma mudança estrutural.
Daniel Pereira Sampaio . Indústria e desenvolvimento no Brasil:
notas sobre o atraso dos últimos 30 anos (1980/2010). VI
Seminário Internacional sobre desenvolvimento regional.
Tema: Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento
Regional. Programa de Pós‐Graduação em Desenvolvimento
Regional, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de
2013, p. 6. Internet: (com adaptações).
1 A geografia da produção global apresenta novas
determinações e novos desafios ao desenvolvimento, em
que diferentes países ou territórios conseguem, por
4 distintos motivos, aderir ao novo padrão da produção global
e apresentam, assim, resultados positivos de crescimento
industrial e econômico e de desenvolvimento
7 socioeducacional, o que leva a uma mudança estrutural.
Inserem‐se nesses grupos a China e os países e
territórios asiáticos de primeira geração — chamados
10 outrora de tigres asiáticos —, que incluem Coreia do Sul,
Cingapura, Hong Kong (região administrativa especial da
República Popular da China) e o território de Taiwan, e os
13 países de segunda geração — denominados de novos tigres
asiáticos, termo cunhado na década de 1990 —, que
incluem Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã.
16 Embora tenham passado por forte crise econômica e
recessão em 1997, esses países se recuperaram e
apresentam, atualmente, bons desempenhos na área
19 econômica.
A China aparece como um gigante na produção
global e vem atualizando a sua matriz de produção, já sendo
22 líder em vários setores industriais, ranqueada como a
segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos
Estados Unidos da América, e posicionada, como centro
25 dinamizador do crescimento econômico asiático, entre as
mais relevantes em termos de comércio exterior. Esse país
apresenta uma forma de desenvolvimento singular que
28 combina socialismo com economia de mercado e que
permite vislumbrar uma alternativa possível ao modelo
norte‐americano.
31 Outro exemplo de país asiático que apresenta grande
êxito é a Coreia do Sul, onde se observa a emergência de
grandes e famosas empresas dirigidas por famílias,
34 conhecidas por chaebols , entre as quais empresas líderes
dos setores automobilístico, como Hyundai e Kia, e
eletrônico, como Samsung e LG. Essas empresas utilizam‐se
37 de várias estratégias voltadas para a concorrência global,
entre elas a da imitação, e têm papel fundamental no
desenvolvimento tecnológico e na expansão de atividades
40 de pesquisa, além de serem responsáveis pelo crescimento
das indústrias têxteis, madeireiras e de cimento no país.
Entretanto, o desenvolvimento sul‐coreano está
43 ligado às formas de desenvolvimento a convite ou
associado — com acesso privilegiado aos mercados e aos
capitais das grandes potências, obtido em troca da
46 submissão a sua política externa e a sua estratégia militar
global —, que ocorrem em contextos geopolíticos
específicos. Do ponto de vista produtivo, o comando da
49 produção global permanece nos países mais desenvolvidos,
porém vão surgindo novos centros. Nesse sentido, há o
desenvolvimento do centro em um país antes considerado
52 periferia, o que demonstra como uma estratégia de
desenvolvimento com participação ativa do Estado pode
promover uma mudança estrutural.
Daniel Pereira Sampaio . Indústria e desenvolvimento no Brasil:
notas sobre o atraso dos últimos 30 anos (1980/2010). VI
Seminário Internacional sobre desenvolvimento regional.
Tema: Crises do Capitalismo, Estado e Desenvolvimento
Regional. Programa de Pós‐Graduação em Desenvolvimento
Regional, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 4 a 6 de setembro de
2013, p. 6. Internet: (com adaptações).