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Mulher de 52 anos, assintomática, traz exames de triagem com glicemia de jejum de 118 mg/dL e HbA1C = 6%. Peso 78 Kg e altura 1,53 m. Exame físico sem particularidades. Devemos orientar:

A consulta com um especialista;
B fármacos redutores do apetite;
C redução do consumo de grãos integrais;
D restrição calórica e prática de atividade física;
E redução do consumo de bebidas que contêm açúcares, exclusivamente aquelas com açúcares adicionados.

Homem de 46 anos começa com quadro de cefaleia exclusivamente unilateral, retroorbitária, intensa. Notou ainda olho vermelho. No exame físico:

A vermelhidão muito intensa, exclusiva da periferia do globo ocular, poupando a região periciliar, nos obriga a uma referência imediata ao oftalmologista;
B vermelhidão restrita à região periciliar nos tranquiliza a liberar o paciente com prescrição de antimicrobiano tópico;
C vermelhidão ocular periciliar ou periférica associada a cefaleia intensa deve ser referenciada a um oftalmologista com urgência;
D vermelhidão restrita à região periciliar com midríase ipsilateral justifica referência oftalmológica urgente, por suspeita de glaucoma agudo;
E vermelhidão exclusiva da periferia do globo ocular com miose ipsilateral justifica referência oftalmológica urgente, por suspeita de glaucoma agudo.

Ao atender uma paciente pós-menopausa com câncer de mama já em estado de disseminação para fígado e osso, a médica residente teve acesso aos exames laboratoriais: hemoglobina: 8,0 mg/dl; hematócrito: 24 mg/dl; ferritina: 200 mg/dl; albumina: 3,5 mg/dl (normal: 3 a 5); globulina: 6,0 mg/dl (normal: 2 a 4 mg/dl); creatinina: 2,0 mg/dl; cálcio: 14,5 mg/dl (normal: 8 a 10 mg/dl); fósforo: 3,5 mg/dl; 25 OH vitamina D: 25 mg/dl (normal: 30 a 50); PTH: 20 pg/ml (normal: 30 a 65); e PCR: 115 mg/L (normal: até 10 mg/L). A queixa da paciente era dor, mas pela confusão mental optou-se por olhar os exames antes de completar a anamnese. Sobre a investigação do quadro da paciente, é correto afirmar que:

A nas hipercalcemias moderadas a graves, não precisamos confirmar ou corrigir pela albumina, pois o valor é muito alto para haver um erro analítico;
B o nível de cálcio sérico não tem correspondência com os sintomas e a velocidade de instalação;
C a equipe médica pensou em hipercalcemia não mediada pelo PTH e solicitou, corretamente, peptídeo relacionado ao PTH (PTHrp) e 1,25 dihidroxivitamina D;
D a paciente, pós-menopausa, ambulatorial, com hipercalcemia moderada a grave, deve ter hiperparatireoidismo primário;
E como a maioria dos casos de hipercalcemia estão relacionados a hiperparatireoidismo e malignidade, não há necessidade de revisão da anamnese em busca de medicações, suplementos e produtos herbários.

Uma paciente de 70 anos foi internada por sintomas de astenia, hiporexia, náuseas e redução do débito urinário. Estava lúcida, mas um pouco lentificada. O exame clínico demonstrou flapping e hiperreflexia difusa. Estava estável hemodinamicamente, com membros aquecidos, porém com cianose bilateral na planta dos pés. O exame laboratorial revelava disfunção renal aguda com leucocitose sem desvio à esquerda. Eosinófilos: 990 células/mm³. A urina apresentava coloração avermelhada, sugerindo hematúria franca justificada pelo uso de anticoagulante profilático devido a alto risco trombótico. A paciente era portadora de câncer de estômago em atividade, ficando acamada a maior parte do tempo, com investigação para carcinomatose peritoneal. Sobre o quadro descrito, é correto afirmar que:

A o diagnóstico pode ser sugerido com fissuras preenchidas por colesterol em arteríolas da biópsia de pele;
B biópsia renal deve ser feita mesmo sem proteinúria significativa, preferencialmente antes da introdução de terapia substitutiva renal;
C eosinofilia com tumor pode sugerir doença metastática avançada, motivando a pesquisa de trombose de veia renal bilateral (principal hipótese);
D a nefrite intersticial aguda pelo uso do anticoagulante pode ser diagnosticada com a presença de hematúria, proteinúria franca (acima de 1 g/dia) e eosinofilúria;
E o uso do corticoide é indicado por mitigar os sintomas e dar tempo para a investigação do quadro atual e da carcinomatose peritoneal.

O professor de semiologia pediu ao residente de clínica médica para ajudar o aluno de medicina. Estavam diante de um paciente de 25 anos com síndrome consumptiva associada a síndrome respiratória de início há 1 mês. O quadro completo abarcava perda ponderal de 5% do peso usual em um mês, tosse incialmente seca e depois com secreção mucoide, dispneia aos médios esforços e febre vespertina ao final do dia. O residente descreveu o exame físico do tórax para o aluno: tórax sem massas, cicatrizes ou retrações à inspeção estática. Na inspeção dinâmica, a frequência respiratória foi de 32 incursões por minuto, com uso de musculatura acessória como intercostais e esternocleidomastóideo. Respiração de predomínio abdominal sem retração intercostal em setor toracolombar à direita. À palpação foi percebida redução da expansibilidade anteroposterior e laterolateral, sobretudo à direita. Percussão com macicez em base de hemitórax direito, terço médio e região axilar do mesmo lado. Restante com som claro atimpânico. Não foi realizado frêmito toracovocal por inexperiência na manobra. A ausculta estava reduzida em terço médio do hemitórax direito e abolida em base e região axilar direita. Murmúrios audíveis com sons traqueais e sons brônquicos sem alterações e murmúrios em vias aéreas distais normais em hemitórax esquerdo. Diante da descrição, o professor pediu para que voltassem ao leito a fim de levantar a síndrome clínica do paciente. O restante da descrição completa e suas possibilidades, retornadas pelo residente e pelo aluno, são:

A pectoriloquia fônica e egofonia em limites do terço superior com o terço médio do hemitórax direito, associada a ressonância vocal reduzida em axila superior e abolida em base de hemitórax direito, configurando síndrome de derrame pleural à direita;
B pectoriloquia fônica e afônica com ressonância vocal aumentada em base e terço médio do hemitórax direito associada a estertoração crepitante na base direita, configurando síndrome de atelectasia de lobo inferior direito;
C sopro tubário com ressonância vocal aumentada em terço médio do hemitórax direito associado a murmúrio vesicular abolido na base do mesmo lado configurando síndrome de consolidação de lobo médio e inferior;
D estertores bolhosos e subcrepitantes em terço médio do hemitórax direito e estertores crepitantes em base de hemitórax direito, conjugados a murmúrios respectivamente reduzidos e abolidos, no hemitórax direito configuram síndrome de derrame pleural à direita;
E sinal de Pitres em terço médio de hemitórax direito associado a ressonância vocal aumentada na mesma altura estabelece a síndrome de pneumotórax à direita.

Uma mulher de 35 anos foi à emergência por febre, calafrios e dor lombar e pélvica iniciados há 2 dias. Estava com náuseas, mas sem sintomas de irritação urinária. Não havia relato de doenças prévias, medicamentos e instrumentação do trato urinário. No ano anterior, teve dois episódios de infecção urinária. A paciente encontrava-se estável hemodinamicamente, sem febre no momento, e o controle da dor foi adequado nos primeiros minutos. A coleta de urina para EAS e cultura foi realizada, bem como a coleta de hemocultura. A dor lombar foi localizada em ângulo costocondral à direita e ultrassonografia à beira leito não demonstrou dilatação pielocalicial. Apesar da leucocitose com desvio à esquerda e da PCR elevada em 10 vezes em relação à normalidade, a função renal estava preservada. Sobre a abordagem e o provável diagnóstico desse quadro, é correto afirmar que:

A a urinálise sem piúria é comum;
B o diagnóstico mais provável pode ser firmado com palpação bimanual da pelve e presença de secreção vaginal;
C a tomografia de abdômen com contraste é obrigatória nesse caso;
D será necessária a internação hospitalar com antibiótico parenteral por 14 dias;
E a conduta recomendada consiste em ceftriaxona 1g intravenoso, analgesia e observação por 12h, propondo-se continuidade em tratamento domiciliar com antibiótico por via oral.

Um jovem de 25 anos, jogador de futebol amador, relata dores recorrentes no joelho após jogos e treinos intensos. A ortopedista suspeita de uma lesão no menisco e considera várias abordagens para diagnóstico e tratamento. A conduta mais apropriada para integrar o plano de tratamento desse paciente é:

A iniciar um programa de reabilitação com foco em fortalecimento muscular e técnicas de prevenção de lesões;
B aplicar terapia com gelo e administração de anti-inflamatórios não esteroides após atividades físicas para controle da dor e inflamação;
C indicar o uso de uma órtese de joelho durante atividades físicas para estabilizar e proteger a articulação;
D solicitar uma ressonância magnética para confirmar a presença de lesão no menisco e avaliar a extensão do dano;
E recomendar uma artroscopia diagnóstica seguida de tratamento cirúrgico, se necessário, para reparar o menisco.

Uma mulher de 50 anos procura clínico geral porque vem apresentando dor de cabeça contínua há mais de 1 mês. A dor é holocraniana, de intensidade moderada. Na última semana, apresentou episódios de vômitos e mal-estar. Por mais de uma vez, durante este mês, sentiu por minutos um cheiro desagradável em associação com sensação de “desconhecimento” do ambiente, e hoje, pela manhã, após sentir o cheiro ruim, apresentou, segundo a família, uma convulsão. Na emergência, o exame neurológico era normal, exceto por edema de papila bilateral ao exame do fundo do olho. A conduta obrigatória neste momento é:

A solicitar angiografia para investigar aneurisma cerebral;
B solicitar TC de crânio para investigar a síndrome de hipertensão intracraniana;
C solicitar exame do líquor para avaliar a pressão intracraniana;
D iniciar amitriptilina para tratamento de enxaqueca com aura;
E iniciar medicação anticonvulsiva para tratamento da epilepsia idiopática.

Para conduzir o tratamento de uma mulher de 35 anos com sintomas depressivos, sabemos que:

A a terapia cognitivo-comportamental não é efetiva;
B a terapia de resolução de problemas não é efetiva;
C a atividade física é uma opção efetiva de tratamento;
D a erva-de-são-joão não é terapia superior ao uso de placebo;
E a terapia de resolução de problemas associada a antidepressivos é mais efetiva que cada tratamento isoladamente.

Em um paciente com sintomas de pirose e regurgitação, é correto afirmar que:

A o diagnóstico de certeza da doença de refluxo gastroesofageano deve ser baseado na presença de sintomas;
B a presença de esofagite grau A de Los Angeles confirma o diagnóstico de certeza da doença de refluxo gastroesofageano;
C a phmetria esofageana de 24 horas é necessária para confirmação diagnóstica da doença de refluxo gastroesofageano, independente dos achados endoscópicos;
D a presença de um esfíncter esofageano com pressão baixa é necessária para o diagnóstico de certeza da doença de refluxo gastroesofageano;
E um tempo total de exposição ácida acima de 6% é necessário para o diagnóstico de doença de refluxo gastroesofageano.