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Texto associado
Texto A distinção Multicultural/ Multiculturalismo Pode ser útil fazer aqui uma distinção entre o 9 (L.01) “multicultural” e o “multiculturalismo”. Multicultural é um termo qualificativo. Descreve as características sociais e os problemas de governabilidade apresentados por qualquer (L.04) sociedade na qual diferentes comunidades culturais convivem e tentam construir uma vida em comum, ao mesmo tempo em que retêm algo de sua identidade (L.07) “original”. Em contrapartida, o termo “multiculturalismo” é substantivo. Refere-se às estratégias e políticas adotadas para governar ou administrar problemas de diversidade e (L.10) multiplicidade gerados pelas sociedades multiculturais. É usualmente utilizado no singular, significando a filosofia específica ou a doutrina que sustenta as estratégias (L.13) multiculturais. “Multicultural”, entretanto, é, por definição, plural. Existem muitos tipos de sociedade multicultural, como, por exemplo, os Estados Unidos da América, a Grã- (L.16) Bretanha, a França, a Malásia, o Sri Lanka, a Nova Zelândia, a Indonésia, a África do Sul e a Nigéria. Esses são, de forma bastante distinta, “multiculturais”. Entretanto, (L.19) todos possuem uma característica em comum. São, por definição, culturalmente heterogêneos. Eles se distinguem, neste sentido, do Estado-nação “moderno”, constitucional (L.22) liberal, do Ocidente, que se afirma sobre o pressuposto (geralmente tácito) da homogeneidade cultural organizada em torno de valores universais, seculares e individualistas (L.25) (Goldberg, 1994). Ambos os termos são hoje interdependentes, de tal forma que é praticamente impossível separá-los. Contudo, o (L.28) “multiculturalismo” apresenta algumas dificuldades específicas. Denomina “uma variedade de articulações, ideais e práticas sociais”. O problema é que o -ismo tende a (L.31) converter o “multiculturalismo” em uma doutrina política, “reduzindo-o a uma singularidade formal e fixando-o em uma condição petrificada [...] Assim convertida [...] a (L.34) heterogeneidade característica das condições multiculturais é reduzida a uma doutrina fácil e prosaica” (Caws, 1994). Na verdade, o “multiculturalismo” não é uma única (L.37) doutrina, não caracteriza uma estratégia política e não representa um estado de coisas já alcançado. Não é uma forma disfarçada de endossar algum estado ideal ou utópico. (L.40) Descreve uma série de processos e estratégias políticas sempre inacabados. Assim como há distintas sociedades multiculturais, assim também há “multiculturalismos” (L.43) bastante diversos. O multiculturalismo conservador segue Hume (Goldeberg, 1994) ao insistir na assimilação da diferença às tradições e aos costumes da maioria. O (L.46) multiculturalismo liberal busca integrar os diferentes grupos culturais o mais rápido possível ao mainstream, ou sociedade majoritária, com base em uma cidadania (L.49) individual universal, tolerando certas práticas culturais particularistas apenas no domínio privado. O multiculturalismo pluralista, por sua vez, avaliza diferenças (L.52) grupais em termos culturais e concede direitos de grupo distintos a diferentes comunidades dentro de uma ordem política comunitária ou mais comunal. O multiculturalismo (L.55) comercial pressupõe que, se a diversidade dos indivíduos de distintas comunidades for publicamente reconhecida, então os problemas de diferença cultural serão resolvidos (e (L.58) dissolvidos) no consumo privado, sem qualquer necessidade de redistribuição do poder e dos recursos. O multiculturalismo corporativo (público ou privado) busca (L.61) “administrar” as diferenças culturais da minoria, visando aos (L.62) interesses do centro. O multiculturalismo crítico ou “revolucionário” enfoca o poder, o privilégio, a hierarquia das opressões e os movimentos de resistência (McLaren, (L.65) 1997). Procura ser “insurgente, polivocal, heteroglosso e antifundacional” (Goldeberg, 1994). E assim por diante. Pode um conceito que significa tantas coisas diferentes (L.68) e que tão efetivamente acirra os ânimos de inimigos tão diversos e contraditórios realmente ter algo a dizer? Por outro lado, sua condição contestada não constitui (L.71) precisamente seu valor? Afinal: “o signo, se subtraído às tensões da luta social, se posto à margem da luta de classes, irá infalivelmente debilitar-se, degenerará em alegoria, (L.74) tornar-se-á objeto de estudo dos filólogos e não será mais instrumento racional e vivo para a sociedade.” (Volochínov/ Bakhtin, 1973). Por bem ou por mal, estamos (L.77) inevitavelmente implicados em suas práticas, que caracterizam e definem as “sociedades da modernidade tardia”. (L.80) HALL, Stuart. Da Diáspora: Identidades e mediações culturais. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2013, com adaptações. No que se refere aos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue o item a seguir.

Em “O multiculturalismo corporativo (público ou privado) busca ‘administrar’ as diferenças culturais da minoria, visando aos interesses do centro.” (linhas de 60 a 63), a preposição que compõe a combinação “ao” poderia ser suprimida, mantendo-se a correção gramatical e as principais informações do texto, tendo em vista a variação, no português do Brasil, da transitividade do verbo visar com a acepção ter em vista, ter como fim ou objetivo.

A Certo
B Errado
Texto associado
A Ásia está na pauta da política externa brasileira desde o final do século 19. O Brasil adotou diferentes estratégias de negociação com os países asiáticos e foi incorporando-os à agenda diplomática de forma gradativa e com resultados distintos. A esse respeito, em que pesem as relações comerciais entre Brasil e Ásia, julgue o item a seguir.

Em 1992, durante a visita do primeiro-ministro da Índia Narasimha Rao ao Brasil, os dois países assinaram o primeiro acordo comercial, o qual incluía cooperação científica e tecnológica, sobretudo destinada aos setores farmacêutico e espacial.

A Certo
B Errado
Texto associado
Towards a fairer distribution 1 Translation and interpretation in matters of diplomacy is tricky. Language enthusiasts particularly enjoy the story of the Treaty of Wuchale, signed between Ethiopia and Italy 4 in 1889. The text didn’t read the same in Amharic and Italian. The former guaranteed Ethiopia’s king Menelik II a good measure of autonomy in conducting foreign affairs. 7 The latter established an Italian protectorate with no flexibility. The culprit: one verb, forming a permissive clause in Amharic and a mandatory one in Italian. Six years 10 later, the differing interpretations led to war. Ethiopia won. If only the Ethiopians and Italians had modern translators at their side. Treaty translation is big business 13 today. The European Union, for example, spends an estimated €300m annually on translating between its 23 official languages. (While this is a big chunk of money, it’s 16 less than 1% of the EU’s annual budget.) Three of those— English, French, and German—are working languages in most meetings. In reality, English is most commonly used. But because each document must be faithfully recreated in each of the EU’s 23 languages, creating authentic versions can be expensive and time-consuming. Thankfully, most 22 problems are dealt with in procès-verbal, a way to introduce technical corrections to treaties without revisiting negotiations. It might still delay matters. Last year, for 25 example, Ireland’s ratification of an EU treaty was delayed by grammatical errors in the Irish version. There are obvious trade-offs to language equality, but the EU has calculated 28 that the delays and costs are worth it. The United Nations should revisit its own calculations. It has just six official and two working languages. The task 31 of translation here in Geneva, home to most UN organs, is thus decidedly simpler. The UN’s official languages are geographically diverse—combined, native speakers of 34 Arabic, English, French, Mandarin, Russian and Spanish number over 2.2 billion. But the two working languages are bound to tradition. The persistence of French is attributed to 37 its history as the “language of diplomacy”. In the hallways of the New York headquarters, English is (naturally) favored, and French is preferred in Geneva. Treaties 40 registered with the United Nations Treaty Series are always translated into French and English. Documents are always provided in French and English. This city’s Geneva 43 Conventions, written in equally authentic French and English versions, laid part of the groundwork for the 45 international system. Towards a fairer distribution. Available at: . Retrieved on: Aug. 15. 2019, with adaptations.

Considering the grammatical and semantic aspects of text, mark the following item as right (C) or wrong (E). “Trade-offs” (line 27) means “bad deals”.

A Certo
B Errado

No que concerne aos projetos de implantação do federalismo no Brasil e aos respectivos desdobramentos nos planos interno e externo durante o período regencial, julgue (C ou E) o item a seguir. Apesar da grande diferença nos regimes de governo do Brasil e dos Estados Unidos, fórmulas liberais norte-americanas para temas como federalismo, republicanismo, imigração e comércio encontravam eco no parlamento brasileiro. O período das regências, especialmente após a passagem do Ato Adicional de 1834, inaugurou um novo arranjo político no Brasil, em que os princípios republicanos norte-americanos já não pareciam confrontar tão abertamente os da monarquia constitucional brasileira.

A Certo
B Errado

A respeito dos partidos políticos, das respectivas propostas para a organização institucional e do sistema eleitoral no Segundo Reinado, julgue (C ou E) o item a seguir. Entre as principais reformas apoiadas pelo Regresso conservador de 1840, constavam o fortalecimento da Justiça eletiva, o restabelecimento do Conselho de Estado e o fim da vitaliciedade dos senadores.

A Certo
B Errado

No que concerne aos projetos de implantação do federalismo no Brasil e aos respectivos desdobramentos nos planos interno e externo durante o período regencial, julgue (C ou E) o item a seguir. Estimulada pelo partido liberal e com o apoio do Clube da Maioridade, a antecipação da maioridade legal de D. Pedro II contava com o apoio dos próprios governistas conservadores. A instabilidade do sistema eletivo das regências e a inquietação diante das várias rebeliões provinciais levaram a um consenso entre a elite política a respeito da necessidade de se recorrer à figura monárquica para apaziguar a nação.

A Certo
B Errado

A respeito dos partidos políticos, das respectivas propostas para a organização institucional e do sistema eleitoral no Segundo Reinado, julgue (C ou E) o item a seguir. A base social do Partido Liberal era majoritariamente composta por profissionais liberais e grandes proprietários rurais, ao passo que, no Partido Conservador, predominavam os grandes proprietários rurais e burocratas.

A Certo
B Errado

A respeito dos partidos políticos, das respectivas propostas para a organização institucional e do sistema eleitoral no Segundo Reinado, julgue (C ou E) o item a seguir. Durante o período da chamada Conciliação, as reformas no sistema eleitoral ensejadas pela Lei dos Círculos de 1855 contemplaram o estabelecimento do voto distrital com o objetivo de romper o monopólio das grandes bancadas provinciais.

A Certo
B Errado

A respeito dos partidos políticos, das respectivas propostas para a organização institucional e do sistema eleitoral no Segundo Reinado, julgue (C ou E) o item a seguir. Os liberais republicanos organizaram-se ao redor da contestação de posicionamentos saquaremas. As principais formas de protesto deles foram consideradas radicais, o que os alijou dos cargos políticos.

A Certo
B Errado

Considerando as pressões britânicas pelo fim do tráfico atlântico de escravizados e as posições brasileiras acerca do tema a partir da década de 1840, julgue (C ou E) o item a seguir. Na década de 1840, ocorreu um acirramento das pressões inglesas contra o tráfico atlântico, resultando em apreensões de navios pela Marinha britânica. Essa atitude foi justificada pelo Foreign Office com base no tratado firmado com o governo brasileiro em 1826, o que levou à promulgação unilateral do Ato Aberdeen de 1845.

A Certo
B Errado