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O cérebro imoral – Mentes corrompidas

DANIEL MARTINS DE BARROS

As decisões morais, como todo tipo de decisão, passam por nosso cérebro. Se não sabemos ao certo todos os elementos que levam alguém a se corromper, conhecemos pelo menos algumas áreas cerebrais que falham na tentativa de impedir tais decisões.
As mentes corruptas podem ser influenciadas pelo poder – o sujeito passa a se achar menos condenável que os outros por ser poderoso (hipocrisia moral) – e também pelas atitudes – depois de se corromper as pessoas se convencem que não era errado, para fugir da dissonância ética. Mas o que será que acontece no cérebro corrompido?
A corrupção é uma atitude que resulta de um cálculo no qual pesam dois principais fatores: a importância que se dá às normas sociais e o risco de ser pego. Outras variáveis podem influir na decisão, como a quantidade roubada, quem será prejudicado, por quanto tempo durará o crime, o meio de perpetrálo etc., mas de uma maneira ou outra estão todas atreladas aos dois primeiros. Quanto mais se consideram os valores da sociedade, menor a chance de violá-los. Como menor também é a chance de fazer algo errado na proporção que cresce a chance de ser flagrado. Essa tomada de decisão moral, como todas as outras, no fim das contas, depende de um cérebro bem afinado. Sobretudo no componente emocional.
Um dos modelos usados para compreender a relação entre cérebro e comportamento moral é o da psicopatia. Embora não exista uma causa para ela, nem um exame cerebral que a diagnostique, sabese que, de forma geral, o cérebro dos psicopatas funciona de forma diferente do das outras pessoas. Sua frieza, baixa reação emocional, ausência de medo devem-se – ao menos em parte – a um menor funcionamento das estruturas cerebrais chamadas amígdalas (nada a ver com as da garganta). Elas captam sinais de perigo, de ameaças, e disparam reações físicas automáticas, como aceleração do coração e sudorese, reações que os psicopatas não apresentam (daí serem literalmente frios). Tais reações não se devem apenas ao que vemos e ouvimos, mas também à forma como interpretamos as situações com base em memórias, conhecimento e raciocínio – o que ocorre numa outra região com o longo nome de córtex pré-frontal ventromedial VMPFC, na sigla em inglês). É nessa região que ocorre a deliberação, onde os aspectos emocionais e racionais são calculados e a decisão é tomada. Pacientes que sofrem lesões neurológicas nessa área mudam seu comportamento e tornam-se mais indiferentes aos outros, egoístas, decidindo de forma mais imediatista e irresponsável – não por acaso, tal condição é por vezes chamada de “psicopatia adquirida”.
Se muitas vezes deixamos de fazer o que queríamos é por conta desses freios emocionais que faltam aos psicopatas. Não falo só de sermos capazes de resistir àquela vontade de avançar no pescoço de alguém, mas também de não trapacear no trabalho para conseguir uma promoção; não prejudicar um amigo por dinheiro; não pegar da geladeira o último pedaço de doce que não é nosso. Imaginamos que as pessoas afetadas irão sofrer, o que nos faz pensar duas vezes. O medo de ser pego também nos segura. Esses dois breques comportamentais faltam absolutamente nos psicopatas e parcialmente nos corruptos. Como a corrupção é sempre lesiva para alguém, para se corromper a pessoa tem que superar os sentimentos negativos que seu ato gera, além de passar por cima do medo.
Claro que nem todo corrupto tem o diagnóstico de psicopatia (a maioria não deve ter), mas fica evidente que corromper-se é, em alguma medida, pensar como um psicopata, é buscar o máximo de ganho com o mínimo de esforço, pagando por isso apenas o preço de lesar os outros. E é o tamanho desse “apenas” que diferencia o cidadão que opta por não roubar, o corrupto que supera sua culpa e o psicopata incapaz de empatia.
E nós, com que tipo de cérebro queremos pensar nosso país?

Texto adaptado de: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/daniel-mar
tins-de-barros/o-cerebro-imoral-mentes-corrompidas-parte-3/
Acesso em 23 de março de 2016.

Em “As mentes corruptas podem ser influenciadas pelo poder – o sujeito passa a se achar menos condenável que os outros por ser poderoso [...]”, a palavra “menos”

A pertence a uma classe de palavras invariável.
B está flexionada no gênero masculino.
C pertence à classe dos adjetivos.
D está flexionada em gênero e número.
E pertence a uma classe de palavras variável.

Em relação ao desenvolvimento de uma criança de 12 a 15 meses de vida, é correto afirmar que

A arrasta-se e engatinha, mas ainda não consegue andar sozinha.
B possui a acuidade visual de um adulto.
C reconhece-se no espelho e começa a brincar de faz de conta.
D diz seu próprio nome e nomeia objetos como seus.
E veste-se com auxílio.

O objetivo principal do tratamento da ferida é o seu fechamento o mais brevemente possível. No entanto, antes de iniciar o tratamento, ela deve ser inspecionada com os cuidados de assepsia para evitar o aumento da contaminação. Referente ao assunto, assinale a alternativa correta.

A A área ao redor da ferida deve ser limpa com água oxigenada ou soluções antissépticas irritativas.
B No leito da ferida, é importante utilizar antissépticos para contribuir com a aceleração da cicatrização.
C Os antissépticos devem ser utilizados tanto na limpeza da pele íntegra adjacente à ferida quanto no leito da ferida.
D A tricotomia é contraindicada em áreas pilosas, pois os pelos não interferem no tratamento adequado da ferida.
E O uso de antissépticos no leito das feridas pode apresentar citotoxicidade e contribuir para o retardo na cicatrização.

Em relação à gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), os requisitos mínimos para que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios recebam os recursos referentes ao cofinanciamento federal são:

A apresentar Conselho de assistência social instituído e em funcionamento; centro de referência da assistência social; centro especializado de assistência social; e fundo de assistência social criado e implantado.
B apresentar Conselho de assistência social instituído e em funcionamento; nível de gestão plena; plano de assistência social aprovado pela comissão intergestora bipartite; fundo de assistência social criado e com recursos alocados pela secretaria nacional de assistência social.
C apresentar Conselho de assistência social; custeio dos benefícios eventuais; cofinanciamento dos serviços, programas e projetos socioassistencias; atendimento às situações emergenciais; execução dos projetos de enfrentamento da pobreza.
D apresentar Conselho de assistência social instituído e em funcionamento; plano de assistência social elaborado e aprovado pelo conselho de assistência social; fundo de assistência social criado em lei e implantado; e alocação de recursos próprios no fundo de assistência social.
E apresentar Provimento de infraestrutura necessária ao funcionamento do Conselho de Assistência Social Municipal ou do Distrito Federal; o financiamento do Benefício de Prestação Continuada - BPC; o financiamento do Programa Bolsa Família – PBF.
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Quem precisa da Barbie, tenha o corpo que tiver? –
Por Eliane Brum

Demorou só 57 anos para a Mattel “descobrir” que as mulheres reais do planeta têm cores e formas variadas. A notícia de que a Barbie ganharia mais três tipos de corpos foi comemorada como uma vitória da diversidade. Por décadas movimentos denunciaram a imposição de um único padrão de beleza. Mas só nos últimos anos, quando as vendas começaram a cair, a Mattel “sensibilizou-se” e reconheceu a multiplicidade das mulheres do mundo. Em 2015, a empresa já tinha iniciado a conversão da Barbie, lançando sua criação com novas tonalidades de pele, penteados e estruturas faciais, sem deixar de manter a “clássica”. Com a inclusão de novas formas, a boneca é lançada agora com sete tons de pele, quatro tipos de corpos, 22 cores de olhos e 24 estilos de cabelos diferentes, na linha que chama de “Fashionistas”. Quando a mudança é anunciada, a Mattel já povoou a Terra com uma superpopulação de suas criaturas loiras, altas e magras. E a cabeça das crianças com um modelo que vai muito além de um padrão de beleza. Barbie é aquela que ensina as meninas que se nasce para consumir. Já foram produzidas mais de 1 bilhão dessas replicantes, há mais Barbies no mundo do que europeus na Europa. Nenhuma delas é “apenas” uma boneca. Se a pressão dos protestos contra a Barbie e o crescente protagonismo das minorias na afirmação da diversidade conseguiu fazer as vendas do produto caírem a ponto de obrigar uma das maiores fabricantes de brinquedos a se mover, não é pequena essa conquista. Mas é também assustadoramente fascinante observar o capitalismo em ação.
A estratégia da Mattel, que parece estar obtendo considerável sucesso, é fazer a liberação dos corpos barbísticos vendendo a imagem de uma empresa afinada com o seu tempo, defensora das “diferenças” e até mesmo inovadora. Se conseguir, se transformará num case obrigatório em livros de marketing, em mais uma prova de que o capitalismo sempre pode contar com a adesão pela fé quando as pessoas são reduzidas a consumidores. Que modelo de mulher é a Barbie, que reinou por mais de meio século como um ideal feminino a ser atingido? Um que não existe. E não é que Barbie não exista por ser linda demais, inatingível para pobres mortais com seus genes imperfeitos, mas sim por ser bizarra demais, uma arquitetura que literalmente não para em pé. Segundo infográfico do Rehabs.com, graças a sua cinturinha, Barbie só teria espaço para acomodar metade de um rim e alguns centímetros de intestino. Como o pescoço é duas vezes maior do que o de uma mulher e 15 centímetros mais fino, ela não teria como manter a cabeça erguida. Andar, só de quatro. Se fosse uma mulher de carne e osso, Barbie seria uma anoréxica.
O que pode ser perturbador, porém, é a aceitação tácita de que precisamos de Barbies e outros produtos do gênero. De que não há brinquedos ou imaginação fora da indústria. De que é preciso consumir mercadorias do tipo – e de que a autonomia possível é influenciar aquilo que as corporações vendem, reduzindo toda intervenção ao papel de “consumidores conscientes”. Pode ser perturbador constatar que a insubordinação máxima seja não comprar porque não se reconhece. Mas, caso se reconheça no produto que chega às prateleiras, toda a cadeia simbólica e concreta implicada nesse ato está justificada? Será que se reconhecer num brinquedo é o suficiente para se sentir representado? É a naturalização que pode soar preocupante quando se testemunha ativistas comemorarem a “evolução” da Barbie, aceitando sua existência no quarto das meninas como fato consumado, presença imprescindível, já dada, sem questionar as engrenagens mais ocultas que levam a boneca até a vida das crianças.
Quem precisa da Barbie, afinal, tenha ela a forma, a cor e o cabelo que tiver? A pergunta parece ter silenciado. Quanto mais realista a boneca, menos imaginação precisa a criança. Sem esquecer que “realista” dá conta de uma realidade determinada, planejada e autorizada por uma equipe de profissionais do marketing. E não da realidade como experiência e conflito. Uma boneca serve justamente para se pensar a vida enquanto se brinca. E brincar não é imitar. Para que, então, serve uma Barbie e o seu “mundo mágico” onde #VocêPodeSerTudoQueQuiser? Para que serve uma Barbie, mesmo que seja a “Barbie da diversidade”?

Texto adaptado. Disponível em: < http://brasil.elpais.com/bra
sil/2016/02/01/opinion/1454337243_379959.html> Acesso em: 17 maio
2016.

A palavra “insubordinação”, expressa na frase: “pode ser perturbador constatar que a insubordinação máxima seja não comprar porque não se reconhece”, pode ser substituída por qual das palavras a seguir, sem que haja prejuízo do sentido?

A Dependência.
B Obediência.
C Insubmissão.
D Sujeição.
E Retratação.

Quando a criança pensa que pode escrever com desenhos, rabiscos, letras ou outros sinais gráficos, imaginando que a palavra assim inscrita representa a coisa a que se refere, dizemos que ela se encontra no nível

A icônico.
B pré-sílabico
C silábico-alfabético.
D alfabético.
E silábico.

Sobre o letramento, é correto afirmar que

A preocupa-se com a aquisição do código escrito.
B implica adotar na alfabetização uma concepção tradicional de escrita.
C tem como pressuposto que as ações do professor devem ter como preocupação “qual é a sequência mais adequada de apresentação dos conteúdos (geralmente, as letras para formarem sílabas, as sílabas para formarem palavras e as palavras para formarem frases)”
D concebe a atividade de ler e escrever como um conjunto de habilidades progressivamente desenvolvidas até se chegar a uma competência leitora e escritora ideal: a do usuário proficiente da língua escrita.
E tem como objeto de reflexão, de ensino, ou de aprendizagem os aspectos sociais da língua escrita.

O Brasil, desde os tempos coloniais, tem se mostrado um país essencialmente fornecedor de matéria-prima e de produtos agrícolas ao mercado internacional. Produtos como café, látex, minério de ferro, soja, dentre outros, têm sido responsáveis pela grande maioria de nossas exportações. Isso se deve

A à falta de competitividade de nossas indústrias frente ao comércio internacional e ao alto custo de produção provocado pela alta carga tributária e infraestrutura deficiente.
B à proibição constitucional do Brasil em ser um país tecnologicamente autônomo, para preservar o nosso produtor rural de pequeno e médio porte.
C às políticas neoliberais empregadas pelo governo que acabam por tornar nossa indústria pouco competitiva, em razão das taxas protecionistas.
D à adoção de uma política protecionista que acaba por permitir a entrada de capitais estrangeiros no Brasil em excesso, estrangulando nosso sistema produtivo.
E ao fato de pesquisas atribuírem uma maior vantagem financeira na exportação de produtos primários, pois os países mais ricos são aqueles exportadores de commodities.