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Muitas das discussões contemporâneas oriundas das novas ciências são referências de velhas discussões já acontecidas na Filosofia em outros contextos históricos, agora atualizadas em novos contextos. Uma dessas discussões é a relação entre o corpo e a mente, com propostas dualistas, monistas e “monismo anômalo” (Donald Davidson). Neurociência, Ciências Cognitivas, Ceticismo Científico são novos campos do saber que fazem uso da história da filosofia para realizar suas discussões e defesas de teses. A respeito do pensamento de Descartes, filósofo do século XVII e considerado por muitos como o fundador da ciência moderna, assinale a alternativa correta.

A Nunca poderemos saber nada sobre a natureza última da realidade
B Devemos primeiramente fazer perguntas sobre o que realmente existe e somente depois poderemos perguntar sobre o que realmente podemos saber
C Não importa qual a pergunta fazemos ou a sua ordem metodológica. Podemos conhecer qualquer coisa no universo, desde que sigamos o método correto que varia segundo o objeto pesquisado
D Descartes descobriu, com certeza, que ele era a única coisa que existe no universo
E Segundo Descartes, percebemos indiretamente objetos que existem fora (e independentemente) de nossa mente; e, percebemos diretamente apenas ideias ou sensações que existem e dependem de nossas mentes

Em Filosofia procuramos ler, escrever e comentar artigos científicos, bem como dissertações de mestrado e teses de doutorado. Assinale a alternativa que apresenta quando podemos dizer que um texto de filosofia tem uma proposta ou tese forte e consistente.

A O texto possui uma declaração de procedimento
B O texto possui uma hipótese a ser testada
C O texto possui uma posição que está bem defendida
D O texto possui a primeira frase como resumo do conjunto
E Não existe um requisito que avalie se um escrito filosófico é forte

Considere a definição dada por Matos e Massoni em seu trabalho, “Uma estratégia para introduzir conceitos de física no Ensino Fundamental: o uso dos paradigmas kuhnianos”, para a relação entre a evolução das teorias científicas e sua relação com a manutenção e a quebra de paradigmas. São paradigmas que serviram de base para a comunidade científica durante longos períodos de ciência normal. Durante esses períodos, o paradigma pode apresentar dificuldades em explicar alguns fatos, fenômenos ou propriedades consideradas relevantes e caso essas anomalias se tornem resistentes podem levar o paradigma à crise, podendo resultar na substituição por outro paradigma. Essa ruptura é caracterizada por Kuhn como uma revolução científica. Fonte: Jênifer A. de Matos, Neusa T. Massoni. Revista Thema v.16 n.2

( 2019 ). No estudo, com estudantes de ensino médio, se realizou um debate entre dois grupos defendendo teorias distintas e um terceiro grupo representando um júri. Assim, no ambiente didático se estabelece um embate em torno da compreensão de um fenômeno e a formação de um consenso sobre sua explicação. Uma analogia, portanto, com a disputa que ocorre nos círculos científicos: “cientistas que disputam ~ grupos divergentes”, “comunidade científica como um todo ~ juri”. Do relato da atividade didática são extraídos (e adaptados) os seguintes excertos numerados:

I. “(...) há muitos materiais instrucionais e livros didáticos que mostram que a ciência é feita por gênios que descobrem fenômenos ao acaso.”

II. “(...) as leis são obtidas a partir de observações na medida em que há um método científico seguro que lhes garante a verdade.”

III. “Os defensores de Aristóteles argumentaram que o senso comum explica os movimentos, como o de queda dos corpos, com pensamentos aristotélicos.”

IV. “Os jurados tiveram um momento para debater e decidir o vencedor. No fim, escolheram a defesa galileana como a vencedora, uma vez que argumentaram melhor e trouxeram materiais extras.” Conforme a definição dada no texto para o pensamento de Kuhn para o estabelecimento das revoluções científicas em termos dessa analogia “sala ~ comunidade científica”, estabeleça a comparação entre as afirmações trazidas como sendo: RC - contribuidoras para o processo de ocorrência de revoluções científicas; NR - não contribuidoras para o processo ocorrência de revoluções científicas; Assinale a alternativa que realiza essa comparação corretamente.

A I-NR ; II-RC; III-RC; IV-NR
B I-NR ; II-NR; III-NR; IV-RC
C I-RC ; II-RC; III-NR; IV-NR
D I-NR ; II-RC; III-NR; IV-RC
E I-RC ; II-RC; III-NR; IV-RC

Sabemos que Ana não opera mais no senso comum porque

A acalmou os seus reais medos e temores.
B expõe suas crenças pessoais sobre pessoas cegas.
C o que é banal e familiar tornou-se estranho para ela.
D o ato revela o caráter egoísta do seu pensamento.
E deposita confiança no que seus sentidos revelam.

Do ponto de vista da experiência filosófica, o que ocorreu com Ana revela que

A ela na verdade ficou presa em seus pensamentos.
B o excerto é apenas uma narrativa da vida cotidiana.
C ela experiencia a atitude filosófica por ter se espantado.
D ela percebeu que há preconceitos em seu íntimo.
E ela percebe que o cotidiano pode revelar-se enfadonho.

No século XVII já eram fabricados autômatos que despertavam interesse e admiração pela complexidade e perfeição de
movimentos. O pensador francês René Descartes reflete então sobre a possibilidade de ser fabricado um autômato a tal ponto
semelhante a um ser humano que tornasse quase impossível a tarefa de diferenciar o homem da máquina. Para distingui-los,
sugere dois critérios. Máquinas poderiam até proferir palavras obedecendo a comandos, mas nunca arranjar as palavras para
responder ao sentido de tudo quanto se disser na sua presença . E, do mesmo modo, ainda que máquinas pudessem vir a
desempenhar algumas tarefas de modo muito superior aos seres humanos, contudo, falhariam infalivelmente em algumas
outras, pelas quais se descobriria que não agem pelo conhecimento .

(DESCARTES, René. Discurso do Método , Parte V, § 10)

Traduz os argumentos do filósofo para o nosso tempo o que se encontra em:

A Os notáveis desenvolvimentos da Inteligência Artificial permitem mimetizar raciocínios e comportamentos, porém não
operam com a plasticidade e inventividade da razão criadora enquanto um atributo exclusivamente humano.
B O funcionamento de máquinas não guarda qualquer semelhança com a mente de seus criadores.
C No século XVII o conhecimento técnico ainda era restrito, então não seria possível ao filósofo fazer qualquer avaliação
sobre a relação entre humanos e máquinas.
D Com os avanços dos conhecimentos em Inteligência Artificial é razoável prever que computadores e robôs eventualmente
conseguirão reproduzir todos os aspectos e características do comportamento humano.
E Robôs e computadores devem ser destinados sobretudo ao entretenimento como os autômatos do passado, seus precursores.

Na Investigação sobre o Entendimento Humano , escrita em meados do século XVIII, o filósofo escocês David Hume trata, dentre outros temas, da aquisição do conhecimento humano. O príncipe indiano que recusou crédito aos primeiros relatos sobre os efeitos da geada raciocinava com acerto; e, naturalmente, era preciso um testemunho muito forte para levá-lo a admitir fatos decorrentes de um estado da natureza que ele desconhecia por completo e que tão pouca analogia mostravam com os acontecimentos de que tinha experiência constante e uniforme. (Cf. HUME, David. Investigação sobre o Entendimento Humano , § 89) O exemplo do filósofo

A não se refere à diversidade de conhecimentos entre diferentes povos e culturas.
B sugere que as trocas culturais também são ocasiões de entretenimento.
C enfatiza o papel da experiência constante e uniforme na formação do conhecimento acerca das causas e efeitos que explicam os fenômenos naturais.
D exclui os testemunhos na formação do conhecimento da natureza.
E mostra que quem raciocina com acerto ignora as razões dos outros.

Francis Bacon, filósofo inglês do século XVI, diz-se arauto da ciência experimental em busca de um novo método. Esse caminho é dificultado pelos ídolos, os enganos que enredam a busca pelo conhecimento verdadeiro: as opiniões preconcebidas (ídolos da caverna), a perspectiva antropocêntrica sobre a natureza (ídolos da tribo), a força das opiniões compartilhadas (ídolos do mercado) e das tradições sedimentadas (ídolos do teatro). Os ídolos, embora aninhados na mente dos homens, só revelam sua ação se observados na trama social, ou seja, no interior das culturas. A teoria dos ídolos é hoje considerada pela sociologia do conhecimento o vestíbulo das ideologias. Desse modo, pode-se concluir que

A o combate aos ídolos pode dificultar a busca pelo conhecimento experimental confiável.
B a perspectiva antropocêntrica é um ídolo que não pode ser combatido, pois é intrínseca à constituição da mente humana.
C a tradição é um ídolo encontrado em todas as culturas, por isso não é obstáculo ao conhecimento.
D a busca pelo conhecimento orientada pelo método visa corrigir os enganos e desvios provocados por ideários enquanto atribuições de sentido preexistentes à investigação.
E o termo “ídolo” é inadequado para expressar o caráter tácito das opiniões preconcebidas que visa denunciar.

[...] surge daí uma questão: é melhor ser amado que temido ou o inverso? A resposta é que seria de desejar ser ambas as coisas, mas, como é difícil combiná-las, é muito mais seguro ser temido do que amado, quando se tem de desistir de uma das duas. (Maquiavel. O Príncipe . São Paulo: Martins Fontes, 2001) Valendo-se disso, é correto afirmar que

A no íntimo de cada um há uma propensão para oprimir.
B não é possível a alguém querer ser amado e querer ser temido.
C o amor deve sempre prevalecer diante de nossos maiores temores.
D amor e temor são considerados como dois lados da mesma moeda.
E alguém que é temido, nunca será alguém que é amado.