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(I) Todo ser humano por natureza deseja saber. (II) Sinal disto é o deleite pelas sensações. Aparte de sua utilidade, os seres humanos sentem deleite pelas sensações por elas mesmas, principalmente a da visão [...]. (III) A causa disto é que ela, mais do que as outras sensações, produz conhecimento e torna evidente muitas diferenças. (Aristóteles. Metafísica . Texto estabelecido por W. D. Ross. Oxford: Clarendon Press. 1924) A passagem da Metafísica de Aristóteles é um raciocínio aos moldes de um silogismo, de modo que, em conformidade com este filósofo,

A I é a conclusão do raciocínio.
B I não é a conclusão do raciocínio.
C III é a conclusão do raciocínio.
D II não é premissa do raciocínio.
E II é a conclusão do raciocínio.

No diálogo Mênon de Platão, alguém interpela: Sócrates, mesmo antes de estabelecer relações contigo, eu já ouvia dizer que nada fazes senão caíres tu mesmo em aporia, e levares também outros a cair em aporia . (Adaptado de: Mênon , tradução Maura Iglésias, Rio de Janeiro: Loyola, 2001) De acordo com a passagem, o efeito causado por Sócrates é chamado de “cair em aporia”, o que significa que

A Sócrates troça e embaraça os seus interlocutores.
B Sócrates produz o engano naqueles com quem dialoga.
C os interlocutores se envergonham de sua própria ignorância.
D Sócrates encanta por meio de sua habilidade argumentativa.
E Sócrates leva a si e aos outros interlocutores a um impasse.

Como adquirimos conhecimento? Na filosofia, uma resposta possível está na tese do inatismo. É correto dizer que, para a tese inatista,

A nossas ideias inatas são verdades individuais e particulares.
B existem verdades atemporais aquém da experiência empírica.
C somos como uma cera sem forma e sem nada impresso nela.
D são adquiridas mediante a recordação dos acontecimentos que se passaram em vida.
E as ideias inatas são correspondências com a experiência empírica.

Descartes em suas Meditações Metafísicas (São Paulo: Martins Fontes, 2005) estabelece: Assim, para rejeitar todas as minhas opiniões, bastará encontrar em cada uma delas pelo menos algum motivo de dúvida . Com base nisso, considere as afirmações abaixo sobre o ceticismo de Descartes:

I. Como há alguma razão para duvidar de suas opiniões, Descartes opta pela suspensão de juízo à maneira do ceticismo antigo.

II. Descartes pretende encontrar uma opinião irrefutável, primeira verdade a resistir à dúvida hiperbólica.

III. Não há opinião que escape à dúvida hiperbólica cartesiana. Está correto o que se afirma APENAS em

A I.
B II e III.
C III.
D II.
E I e II.

O lixo de Barrio e a poesia violenta de Paiva foram assimilados e diluídos pelos rapazes patrióticos e humanitários, ansiosos por proclamarem que a contestação não deve assustar ninguém. (BITTENCOURT, Francisco. Arte-Dinamite. Rio de Janeiro: Tamanduá, 2017) O texto do crítico de arte, poeta e escritor Francisco Bittencourt revela uma característica da indústria cultural, que a filósofa Marilena Chauí descreve em seu livro Convite à Filosofia (Ática: São Paulo, 2000). Dentre os trechos abaixo, melhor expressa a crítica de Bittencourt:

A [...] Em vez de garantir o mesmo direito de todos à totalidade da produção cultural, a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “culta” e massa “inculta”.
B A indústria cultural cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais, cada um escolhendo livremente o que deseja, como o consumidor num supermercado.
C Em lugar de difundir e divulgar a Cultura, despertando interesse por ela, a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. Massificar é, assim, banalizar a expressão artística e intelectual.
D [...] inventa uma figura chamada “espectador médio”, “ouvinte médio” e “leitor médio”, aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias”, certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios”.
E A indústria cultural vende Cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que o perturbem.

O ensino médio deve ser entendido como a última etapa da educação básica no Brasil. Um de seus objetivos é a formação de indivíduos estimulados para o desenvolvimento da sua capacidade crítica, que pode ser trabalhada nas mais diversas disciplinas como, por exemplo, na matemática, português e artes. Contudo, é lugar-comum definir o desenvolvimento do senso crítico como o trabalho específico da filosofia. Isso revela um problema para o professor de filosofia: qual o trabalho específico da filosofia no desenvolvimento do senso crítico? Nesse sentido, a prática mais adequada ao ensino de filosofia no ensino médio, com vistas ao desenvolvimento do senso crítico, é

A desenvolver a habilidade de leitura das obras dos filósofos para a aquisição da habilidade de enfrentamento das obras filosóficas.
B descrever os principais períodos históricos da filosofia e dos filósofos que mais se destacaram em cada um deles.
C criar um espaço de debate entre os estudantes para permitir a experiência do pensamento que se confronta a si mesmo e aos outros.
D direcionar o aprendizado do estudante para a compreensão do pensamento dos filósofos, já que filosofia é o que os filósofos produziram historicamente.
E considerar como filosófica qualquer tentativa de raciocínio por parte dos estudantes, pois a filosofia tem como especificidade o raciocínio.

Sobre a prática em sala de aula, Sílvio Gallo explica que o professor de filosofia deve trabalhar problemas filosóficos na sua atividade didática, ressalta que o problema não pode ser falso ou estranho à vida dos estudantes e que “a partir do problema vivido, podemos investigar na história da filosofia conceitos criados para equacionar esse problema ou problemas próximos a ele . (GALLO, Sílvio. “A Filosofia e seu Ensino: Conceito e Transversalidade”. In: ETHICA . Rio de Janeiro, v.13, n.1, 2006, p.17-35) Considere que um professor resolva discutir em sala de aula o problema da Guerra na Ucrânia com o objetivo de explicar a filosofia política de Hobbes baseando-se no que afirmara Gallo. Com base na ideia de que a origem da guerra é a igualdade entre os homens de acordo com Hobbes, considere as afirmativas abaixo:

I. A igualdade é entendida como ter igual direito sobre todas as coisas, o que implica que qualquer Estado busca promover este tipo de Igualdade. Neste sentido, a Rússia ataca a Ucrânia porque busca promover a igualdade entre elas.

II. O ser humano estabelece um poder acima de todos para moderar os impulsos que levam o homem a ser lobo do homem, razão pela qual se criou a ONU.

III. De acordo com Hobbes, a autoconservação é o direito natural que qualquer ser humano possui para reagir a qualquer ameaça externa. Assim, a Rússia ataca a Ucrânia pelo princípio de autoconservação. Em conformidade com o pensamento de Hobbes,

A I e III revelam a mesma questão: a autoconservação é ter direito igual.
B II é a consequência da alternativa I, pois o poder que modera é o Estado.
C II representa o estabelecimento da igualdade entre os seres humanos.
D II é correto porque o poder acima de todos é o que garante a autoconservação.
E III é a única alternativa correta, porque temos o direito de conservar nossa vida.