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Em sua obra Boas-vindas à Filosofia , Marilena Chauí destaca a seguinte postura do fazer filosófico: “A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia (...). Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Esse foi o principal ensinamento do patrono da Filosofia, Sócrates, quando afirmou que começamos a buscar o conhecimento verdadeiro apenas quando somos capazes de dizer: ‘Só sei que nada sei’”. A máxima socrática referida no excerto é considerada fundamental para a

A confiança nas convicções pessoais como critério de verdade.
B renúncia da dúvida em favor de respostas rápidas e definitivas.
C valorização da sensibilidade como forma de apreensão do real.
D defesa da herança cultural como fonte de sabedoria.
E avaliação crítica de crenças sobre fenômenos cotidianos.

Ao analisar o tópico do trabalho, Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, em seu livro Filosofando: introdução à Filosofia , afirmam: “Marx nega que a nova ordem econômica do capitalismo fosse capaz de possibilitar a igualdade entre as partes, porque o trabalhador perde mais do que ganha, já que produz para outro: a posse do produto lhe escapa. (...) Não escolhe o salário (...), não escolhe o horário nem o ritmo de trabalho e é comandado de fora”. No excerto apresentado por Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, está explícito o conceito de

A avanço tecnológico.
B alienação.
C mercado autorregulado.
D liberdade de escolha.
E progresso.

A tentativa dos primeiros filósofos da escola jônica, também conhecidos como físicos , foi buscar uma explicação do mundo natural, o que constitui o assim chamado naturalismo da escola. A chave da explicação do mundo da experiência estaria, então, para esses pensadores, no próprio mundo, e não fora dele, em alguma realidade misteriosa e inacessível. O mundo se abre, assim, ao conhecimento, à possibilidade total de explicação (ao menos em princípio), à ciência. (Marcondes, 2010. Adaptado) Segundo Danilo Marcondes, para os filósofos jônicos, seria necessário

A explicar fenômenos naturais a partir de narrativas míticas.
B utilizar modelos matemáticos para a explanação de fenômenos.
C possibilitar o entendimento racional de explicações religiosas.
D estabelecer nexos causais entre fenômenos observáveis.
E criar instrumentos óticos para ampliar a capacidade de observação.

Conta a lenda que o primeiro filósofo, Tales de Mileto, se interessava pelo estudo das estrelas e que um dia, olhando para o céu, tropeçou numa pedra, caindo numa vala. Uma serviçal que o acompanhava exclamou: “Como pretendes, ó Tales, tu, que não consegues sequer ver o que está à tua frente, conhecer tudo sobre o céu?”. (Chaui, 2010) Em uma perspectiva contemporânea, essa anedota poderia ser interpretada como uma concepção de filosofia que

A adota uma postura excludente, pois menospreza o bom senso.
B combate o senso comum, cuja opinião carece de veracidade.
C ressalta a inutilidade histórico-social da atividade filosófica.
D apresenta adequadamente o perfil da pessoa dedicada à filosofia.
E permite compreender a verdadeira natureza da transcendência.

Na escola Jônica ou de Mileto, os dois principais seguidores de Tales, Anaxímenes e Anaximandro, não aceitaram a ideia do mestre de que a água seria o elemento primordial, postulando outros elementos, respectivamente, o ar e o apeiron , como tendo esta função (Marcondes, 2010. Adaptado). Tal mudança de concepção sobre qual poderia ser o elemento primordial da realidade observável pode ser tomado como sinal de que nessa escola filosófica

A imperava o relativismo epistemológico.
B adotava-se um compatibilismo radical.
C havia espaço para a divergência crítica.
D admitia-se aleatoriamente qualquer hipótese.
E eram aceitas distintas posições dogmáticas.

Aristóteles adota uma concepção de realidade segundo a qual o que existe é a substância individual, que podemos considerar aqui como o indivíduo material concreto. Este seria o constituinte último da realidade, o que evitaria o paradoxo da relação, ou da regressão infinita, enfrentado pela ontologia platônica (Marcondes, 2010. Adaptado). O paradoxo da relação surge porque Platão

A sugere que a ontologia adote a lógica paraconsistente.
B defende uma ontologia exclusivamente fisicalista.
C adota uma concepção ideal de justiça equitativa.
D assume uma perspectiva relativista da ética.
E propõe que existe uma realidade apenas inteligível.

A religião cristã, embora originária do judaísmo, surge e se desenvolve no contexto do helenismo, e é precisamente da síntese entre o judaísmo, o cristianismo e a cultura grega que se origina a tradição cultural ocidental. A questão que podemos levantar a esse propósito é: como se justifica a relação entre o cristianismo, que por sua origem revelada é uma religião, e a filosofia grega que, em seu próprio surgimento, já pretendia romper com o pensamento mítico-religioso? Além disso, teólogos como Taciano (séc. II), Tertuliano (155-222) e Lactâncio (240-320) advertem que a filosofia grega é pagã e, portanto, alheia à mensagem cristã e que seus métodos e discussões podem ser perniciosos, embora teólogos posteriores tenham procurado compatibilizar verdades reveladas com verdades justificadas racionalmente (Marcondes, 2010. Adaptado). Segundo o texto, a relação entre filosofia e religião cristã é sobretudo

A inviável.
B harmoniosa.
C impossível.
D multifacetada.
E equilibrada.

Assim como em Descartes, a filosofia de Francis Bacon caracteriza-se por uma ruptura bastante explícita em relação à tradição anterior, sobretudo a escolástica medieval de inspiração aristotélica. Tal como ocorreu em Descartes, a preocupação fundamental de Bacon foi com a formulação de um método que evitasse o erro e coloque o ser humano no caminho do conhecimento correto (Marcondes, 2010. Adaptado). Um aspecto relevante do método proposto por Bacon diz respeito

A à responsabilidade epistêmica.
B ao raciocínio dedutivo.
C à dúvida radical.
D ao juízo a priori.
E ao pensamento crítico.

O nexo causal entre tudo o que acontece é um pressuposto filosófico que remonta, pelo menos, aos filósofos pré-socráticos. Entretanto, David Hume questiona o princípio causal. De fato, no exemplo famoso, se observarmos o movimento das bolas de bilhar em uma mesa, tudo o que vemos é o impacto do taco sobre a primeira bola e, por sua vez, o impacto da primeira sobre a segunda (Marcondes, 2010. Adaptado). Segundo o excerto, para Hume,

A o nexo causal entre objetos constitui um princípio explanatório ideal.
B a experiência guiada pela razão produz conhecimento necessário.
C o movimento aparente dos objetos não passa de uma ilusão dos sentidos.
D a força do hábito cria a ideia de uma conexão necessária entre objetos.
E a sensibilidade bem conduzida explica a relação causal entre os objetos.

Numa perspectiva analítica, Mario Bunge entende por técnica o controle ou a transformação da natureza pelo ser humano, o qual faz uso de conhecimentos pré-científicos. A tecnologia, por sua vez, consiste na técnica de base científica (Cupani, 2004. Adaptado). Segundo Alberto Cupani, para Mario Bunge, a técnica e a tecnologia

A devem ser estudadas a partir de uma perspectiva fenomenológica.
B produzem deliberadamente objetos artificiais ou alteram sistemas naturais.
C resultam de iniciativas improvisadas de modificação da natureza.
D diferem radicalmente pelo grau de complexidade de seus produtos.
E adotam regras aleatórias para preservar a originalidade de seus produtos.