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As observações e os cálculos dos astrônomos ensinaram-nos muitas coisas admiráveis, mas o mais importante é, certamente, terem-nos descoberto o abismo da ignorância, que a razão humana, sem estes conhecimentos, nunca poderia imaginar tão profundo; a reflexão sobre esta ignorância deve produzir uma grande mudança na determinação das intenções finais do uso da nossa razão. KANT, Immanuel. Crítica da razão pura . Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. No trecho acima, o filósofo Immanuel Kant reflete sobre os efeitos da moderna atividade científica na atividade filosófica. Para esse autor, a filosofia deveria ser revolucionada no sentido de

A tomar os novos recursos técnicos como meios seguros de acesso ao conhecimento das coisas em si mesmas.
B investigar as condições incontornáveis por meio das quais os sujeitos produzem seu conhecimento.
C adotar uma postura pessimista em relação a razão diante da impossibilidade do conhecimento objetivo.
D liberar a atividade especulativa dos antigos limites cognoscitivos do sujeito transcendental.

A técnica não é igual à essência da técnica. Quando procuramos a essência de uma árvore, temos de nos aperceber de que aquilo que rege toda árvore, como árvore, não é, em si mesmo, uma árvore que se pudesse encontrar entre as árvores. HEIDEGGER, Martin. “A questão da técnica”. In: Ensaios e conferências . Petrópolis: Editora Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2012. Segundo Heidegger, a essência da técnica consiste

A na mobilização dos meios materiais para finalidades humanas específicas.
B em uma das formas de manifestação da verdade do ser para o homem.
C na atividade humana mais elevada e que o qualifica como homo faber.
D em uma capacidade tecnológica de produzir mundo e que distingue homem e animal.

A filosofia hegeliana da história é a última consequência, levada à sua “mais pura expressão”, de toda a historiografia alemã que não trata de interesses reais, nem mesmo políticos, mas apenas de uma série de pensamentos puros que devoram uns aos outros. Tal concepção é verdadeiramente religiosa, pressupõe o homem religioso como o homem primitivo do qual parte toda a história e, em sua imaginação, põe a produção religiosa de fantasias no lugar da produção real dos meios de vida e da própria vida. Adaptado de MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã . São Paulo: Boitempo, 2007. A visão marxiana entende que a história é movida pelas

A diversas manifestações da ânsia por domínio que caracteriza a realidade em geral.
B fases de um processo progressivo de aumento da consciência moral humana.
C sucessões dos regimes discursivos e suas distintas formas de produzir verdades.
D várias configurações sociais conforme suas formas de organizar a produção material.

Pode-se representar facilmente uma linguagem que consiste apenas de comandos e informações durante uma batalha. – Ou uma linguagem que consiste apenas de perguntas e de uma expressão de afirmação e de negação. E muitas outras. WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas . São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Os pensadores). Para o Wittgenstein dessa fase de sua obra, a linguagem tem como característica fundamental o fato de estar associada a alguma

A representação do mundo.
B forma de vida.
C nomeação de objetos.
D enunciação do desejo.

É aqui então que vem dar todo o discurso sobre o tipo de delírio em que alguém, vendo a beleza por aqui e lembrando-se da verdadeira, cria asa e de novo deseja alçar voo. E porque deste delírio participa o que ama os belos, amante se chama. Adaptado de PLATÃO. Fedro . São Paulo: Editora 34, 2016. No trecho acima, Platão trata do amor. Segundo essa obra do filósofo, o amor é

A uma via de acesso à elevação da alma ao inteligível.
B um obstáculo sensível à contemplação das essências.
C uma forma de descarga emocional útil para a cidade.
D um artifício retórico utilizado por poetas e sofistas.

A lguém quer descer o olhar sobre o segredo de como se fabricam ideais na terra? Quem tem a coragem para isso?… Muito bem! Aqui se abre a vista a essa negra oficina. NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral . São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Segundo o autor, os ideais da moral são

A valores úteis à conservação e ao bem-estar humano.
B ideologias que acompanham o correr da luta de classes.
C produtos de uma história de contingências e violência.
D criações particulares de cada sujeito individual.

Indagamos como a alma possa sempre se encaminhar num curso equilibrado, seja propícia para si, olhe alegre para sua condição e não interrompa esse contentamento, mas permaneça num estado plácido, sem jamais exaltar-se ou deprimir-se: isso será a tranquilidade [euthymía]. Adaptado de SÊNECA. Sobre a ira. Sobre a tranquilidade da alma. São Paulo: Penguin Classics Cia. das Letras, 2014. A preocupação exposta no trecho acima é característica da reflexão

A epicurista.
B cética.
C estoica.
D hedonista.

No livro VI d’ A República , Platão propõe uma analogia entre o Sol e o Bem. O papel desempenhado por aquele, no terreno sensível, seria o mesmo que o desempenhado por este, no inteligível. Ainda de acordo com essa imagem, é correto afirmar que a visão é a análoga sensível

A da ideia.
B do intelecto.
C da verdade.
D do simulacro.

Em sua imediatez, a consciência de si é mero ser-para-si. Para obter a certeza de si mesmo, é preciso a integração do conceito de reconhecimento. O outro, de modo similar, espera por nosso reconhecimento para expandir-se na consciência de si universal. Cada consciência de si busca a absolutez. Ela quer ser reconhecida enquanto valor primordial desinserido da vida, como transformação da certeza subjetiva (Gewißheit) em verdade objetiva (Wahrheit). FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas . São Paulo: Ubu Editora, 2020 O autor reivindica que o humano só é de fato reconhecido quando considerado a partir de

A sua identidade.
B seu discurso.
C seu desejo.
D sua racionalidade.