Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 17.
Em 1963, durante a exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, Minas Gerais, no Museu Paulista da USP, Niède recebe informações sobre a existência de pinturas semelhantes no Piauí, no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato. Ela não tem oportunidade de conhecê-lo naquele momento. Em consequência do golpe militar de 1964, Niède, para não ser presa, parte para o exílio na França. Após oito anos, consegue retornar ao Brasil e visitar o Piauí.
“Não dava para ver o fundo daquele buraco, aberto na pedra. Por certo que há dezenas de milhares de anos ninguém entrava ali, se é que algum dia alguém tinha entrado. Ela se pendurou numa corda e desceu, desceu, desceu 120 metros. A primeira coisa que encontrou lá embaixo, na caverna, foi o esqueleto de um tigre de dentes de sabre de, no mínimo, onze mil anos de idade. Subindo de volta, um enxame de abelhas que perturbava na descida a atacou, foram milhares de ferroadas. Não havia soro, ficou entre a vida e a morte; se resistisse a noite inteira, teria chances de sobreviver. Os companheiros de expedição não conseguiram dormir, até que às cinco da manhã ela abre os olhos e diz, animadinha: 'Vamos voltar lá agora!” É desta fibra que é feita Niède Guidon.
Por esse destemor a chamam de onça e até já se batizou uma aranha venenosa com seu nome. Além de abelhas, enfrentou outros "bichos" para, nos anos setenta, erguer e preservar um patrimônio do Brasil e da humanidade: o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Suas vitórias foram inúmeras. Hoje muitos arqueólogos que trabalham na região foram formados em projetos promovidos por ela em parceria com projetos implementados nas escolas básicas, e depois puderam formar-se nos cursos superiores de Arqueologia e de Ciências da Natureza trazidos para a cidade de São Raimundo Nonato. Pensando em desenvolver o turismo, foram trazidos ceramistas para capacitar a população local na produção de cerâmica artesanal, assim como foram financiados cursos para criar abelhas e produzir mel, oferecendo, para a população local, alternativas sustentáveis de renda, para que não mais precisassem explorar o parque.
Quando não se falava em empoderamento das mulheres, Niède não falava, mas praticava isso. Fez questão de que todas as guariteiras do Parque fossem mulheres. É o único Parque Nacional do Brasil em que somente mulheres recepcionam os turistas. A essas mulheres foi garantido sustento e proteção, inclusive contra violência doméstica. Diziam na cidade: "Não mexam com as mulheres da Dra. Niède!” E lá todos sabiam que era valente como uma onça!
(Adaptado de: AJZENBERG, Elza. "O legado de Niède Guidon", disponível em https://jornal.usp.br, e de BIAL, Pedro. "Niède Guidon", em Laboratório de Popularização da Ciência, UFES, disponível em: https://leb.ufes.br/)
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Mantém-se adequada correlação entre modos e tempos verbais em:
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Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: " [...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica , v. 6, n. 2, 2016)
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: " [...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica , v. 6, n. 2, 2016)
Uma nova redação para o trecho A dietética foi propicia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades , que mantém a correção e, em linhas gerais, o sentido original, encontra-se em:
O Art. 198 da Constituição Federal de 1988, em seus incisos, apresenta as seguintes diretrizes do SUS:
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 18 a 20.
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(LISPECTOR, Clarice. "Por não estarem distraídos", Para não esquecer, Rocсо, 2020)
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(LISPECTOR, Clarice. "Por não estarem distraídos", Para não esquecer, Rocсо, 2020)
No texto, estar distraído significa
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 17.
Em 1963, durante a exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, Minas Gerais, no Museu Paulista da USP, Niéde recebe informações sobre a existência de pinturas semelhantes no Piaul, no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato. Ela não tem oportunidade de conhecê-lo naquele momento. Em consequência do golpe militar de 1964, Niêde, para não ser presa, parte para o exílio na França. Após oito anos, consegue retornar ao Brasil e visitar o Piaul.
“Não dava para ver o fundo daquele buraco, aberto na pedra. Por certo que há dezenas de milhares de anos ninguém entrava ali, se é que algum dia alguém tinha entrado. Ela se pendurou numa corda e desceu, desceu, desceu 120 metros. A primeira coisa que encontrou lá embaixo, na caverna, foi o esqueleto de um tigre de dentes de sabre de, no minimo, onze mil anos de idade. Subindo de volta, um enxame de abelhas que perturbava na descida a atacou, foram milhares de ferroadas. Não havia soro, ficou entre a vida e a morte; se resistisse a noite inteira, teria chances de sobreviver. Os companheiros de expedição não conseguiram dormir, até que às cinco da manhã ela abre os olhos e diz, animadinha: 'Vamos voltar lá agora!” É desta fibra que é feita Niêde Guidon.
Por esse destemor a chamam de onça e até já se batizou uma aranha venenosa com seu nome. Além de abelhas, enfrentou outros “bichos” para, nos anos setenta, erquer e preservar um patrimônio do Brasil e da humanidade; o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Suas vitórias foram inúmeras. Hoje muitos arqueólogos que trabalham na região foram formados em projetos promovidos por ela em parceria com projetos implementados nas escolas básicas, e depois puderam formar-se nos cursos superiores de Arqueologia e de Ciências da Natureza trazidos para a cidade de São Raimundo Nonato. Pensando em desenvolver o turismo, foram trazidos ceramistas para capacitar a população local na produção de cerâmica artesanal, assim como foram financiados cursos para criar abelhas e produzir mel, oferecendo, para a população local, alternativas sustentáveis de renda, para que não mais precisassem explorar o parque.
Quando não se falava em empoderamento das mulheres, Niêde não falava, mas praticava isso. Fez questão de que todas as guariteiras do Parque fossem mulheres. É o único Parque Nacional do Brasil em que somente mulheres recepcionam os turistas. A essas mulheres foi garantido sustento e proteção, inclusive contra violência doméstica. Diziam na cidade; “Não mexam com as mulheres da Dra. Niêde!" Elá todos sabiam que era valente como uma onça!
(Adaptado de: AJZENBERG, Elza. “O legado de Niéde Guidon”, disponivel em https:/fjornal.usp.br, e de BIAL, Pedro. “Niêde Guidon", em Laboratório de Popularização da Ciência, UFES, disponivel em: https://leb.ufes.br/ )
Em 1963, durante a exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, Minas Gerais, no Museu Paulista da USP, Niéde recebe informações sobre a existência de pinturas semelhantes no Piaul, no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato. Ela não tem oportunidade de conhecê-lo naquele momento. Em consequência do golpe militar de 1964, Niêde, para não ser presa, parte para o exílio na França. Após oito anos, consegue retornar ao Brasil e visitar o Piaul.
“Não dava para ver o fundo daquele buraco, aberto na pedra. Por certo que há dezenas de milhares de anos ninguém entrava ali, se é que algum dia alguém tinha entrado. Ela se pendurou numa corda e desceu, desceu, desceu 120 metros. A primeira coisa que encontrou lá embaixo, na caverna, foi o esqueleto de um tigre de dentes de sabre de, no minimo, onze mil anos de idade. Subindo de volta, um enxame de abelhas que perturbava na descida a atacou, foram milhares de ferroadas. Não havia soro, ficou entre a vida e a morte; se resistisse a noite inteira, teria chances de sobreviver. Os companheiros de expedição não conseguiram dormir, até que às cinco da manhã ela abre os olhos e diz, animadinha: 'Vamos voltar lá agora!” É desta fibra que é feita Niêde Guidon.
Por esse destemor a chamam de onça e até já se batizou uma aranha venenosa com seu nome. Além de abelhas, enfrentou outros “bichos” para, nos anos setenta, erquer e preservar um patrimônio do Brasil e da humanidade; o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Suas vitórias foram inúmeras. Hoje muitos arqueólogos que trabalham na região foram formados em projetos promovidos por ela em parceria com projetos implementados nas escolas básicas, e depois puderam formar-se nos cursos superiores de Arqueologia e de Ciências da Natureza trazidos para a cidade de São Raimundo Nonato. Pensando em desenvolver o turismo, foram trazidos ceramistas para capacitar a população local na produção de cerâmica artesanal, assim como foram financiados cursos para criar abelhas e produzir mel, oferecendo, para a população local, alternativas sustentáveis de renda, para que não mais precisassem explorar o parque.
Quando não se falava em empoderamento das mulheres, Niêde não falava, mas praticava isso. Fez questão de que todas as guariteiras do Parque fossem mulheres. É o único Parque Nacional do Brasil em que somente mulheres recepcionam os turistas. A essas mulheres foi garantido sustento e proteção, inclusive contra violência doméstica. Diziam na cidade; “Não mexam com as mulheres da Dra. Niêde!" Elá todos sabiam que era valente como uma onça!
(Adaptado de: AJZENBERG, Elza. “O legado de Niéde Guidon”, disponivel em https:/fjornal.usp.br, e de BIAL, Pedro. “Niêde Guidon", em Laboratório de Popularização da Ciência, UFES, disponivel em: https://leb.ufes.br/ )
Estão respeitadas integralmente as regras de pontuação em:
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: " [...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica , v. 6, n. 2, 2016)
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: " [...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica , v. 6, n. 2, 2016)
De acordo como texto, o culio de Higeia
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 9.
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.С.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos Ve IV a.C. foi também a "Grécia da saúde".
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de "tratamento", mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então "medicalizada", a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar "nosotrófico". Platão cunha a palavra "nosotrofia", isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: "[...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. "O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados", segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. "O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica, v. 6, n. 2, 2016)
A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.С.
Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos Ve IV a.C. foi também a "Grécia da saúde".
A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum , a palavra diaita aparece com o sentido de "tratamento", mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.
A vida do homem estava então "medicalizada", a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar "nosotrófico". Platão cunha a palavra "nosotrofia", isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: "[...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República , 407b).
Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. "O rolo compressor das campanhas publicitárias [...] transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados", segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.
(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. "O mito de Higeia e a medicina dietética...". Revista Estética Semiótica, v. 6, n. 2, 2016)
O termo "nosotrofia" é criado por Platão tendo em vista
A Festa do Boi Bumbá (ou Bumba Meu Boi), associada ao estado do Piauí, tem como principal característica histórica
Texto associado
Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 17.
Em 1963, durante a exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, Minas Gerais, no Museu Paulista da USP, Niède recebe informações sobre a existência de pinturas semelhantes no Piauí, no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato. Ela não tem oportunidade de conhecê-lo naquele momento. Em consequência do golpe militar de 1964, Niède, para não ser presa, parte para o exílio na França. Após oito anos, consegue retornar ao Brasil e visitar o Piauí.
“Não dava para ver o fundo daquele buraco, aberto na pedra. Por certo que há dezenas de milhares de anos ninguém entrava ali, se é que algum dia alguém tinha entrado. Ela se pendurou numa corda e desceu, desceu, desceu 120 metros. A primeira coisa que encontrou lá embaixo, na caverna, foi o esqueleto de um tigre de dentes de sabre de, no mínimo, onze mil anos de idade. Subindo de volta, um enxame de abelhas que perturbava na descida a atacou, foram milhares de ferroadas. Não havia soro, ficou entre a vida e a morte; se resistisse a noite inteira, teria chances de sobreviver. Os companheiros de expedição não conseguiram dormir, até que às cinco da manhã ela abre os olhos e diz, animadinha: 'Vamos voltar lá agora!” É desta fibra que é feita Niède Guidon.
Por esse destemor a chamam de onça e até já se batizou uma aranha venenosa com seu nome. Além de abelhas, enfrentou outros "bichos" para, nos anos setenta, erguer e preservar um patrimônio do Brasil e da humanidade: o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Suas vitórias foram inúmeras. Hoje muitos arqueólogos que trabalham na região foram formados em projetos promovidos por ela em parceria com projetos implementados nas escolas básicas, e depois puderam formar-se nos cursos superiores de Arqueologia e de Ciências da Natureza trazidos para a cidade de São Raimundo Nonato. Pensando em desenvolver o turismo, foram trazidos ceramistas para capacitar a população local na produção de cerâmica artesanal, assim como foram financiados cursos para criar abelhas e produzir mel, oferecendo, para a população local, alternativas sustentáveis de renda, para que não mais precisassem explorar o parque.
Quando não se falava em empoderamento das mulheres, Niède não falava, mas praticava isso. Fez questão de que todas as guariteiras do Parque fossem mulheres. É o único Parque Nacional do Brasil em que somente mulheres recepcionam os turistas. A essas mulheres foi garantido sustento e proteção, inclusive contra violência doméstica. Diziam na cidade: "Não mexam com as mulheres da Dra. Niède!” E lá todos sabiam que era valente como uma onça!
(Adaptado de: AJZENBERG, Elza. "O legado de Niède Guidon", disponível em https://jornal.usp.br, e de BIAL, Pedro. "Niède Guidon", em Laboratório de Popularização da Ciência, UFES, disponível em: https://leb.ufes.br/)
Em 1963, durante a exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, Minas Gerais, no Museu Paulista da USP, Niède recebe informações sobre a existência de pinturas semelhantes no Piauí, no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato. Ela não tem oportunidade de conhecê-lo naquele momento. Em consequência do golpe militar de 1964, Niède, para não ser presa, parte para o exílio na França. Após oito anos, consegue retornar ao Brasil e visitar o Piauí.
“Não dava para ver o fundo daquele buraco, aberto na pedra. Por certo que há dezenas de milhares de anos ninguém entrava ali, se é que algum dia alguém tinha entrado. Ela se pendurou numa corda e desceu, desceu, desceu 120 metros. A primeira coisa que encontrou lá embaixo, na caverna, foi o esqueleto de um tigre de dentes de sabre de, no mínimo, onze mil anos de idade. Subindo de volta, um enxame de abelhas que perturbava na descida a atacou, foram milhares de ferroadas. Não havia soro, ficou entre a vida e a morte; se resistisse a noite inteira, teria chances de sobreviver. Os companheiros de expedição não conseguiram dormir, até que às cinco da manhã ela abre os olhos e diz, animadinha: 'Vamos voltar lá agora!” É desta fibra que é feita Niède Guidon.
Por esse destemor a chamam de onça e até já se batizou uma aranha venenosa com seu nome. Além de abelhas, enfrentou outros "bichos" para, nos anos setenta, erguer e preservar um patrimônio do Brasil e da humanidade: o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Suas vitórias foram inúmeras. Hoje muitos arqueólogos que trabalham na região foram formados em projetos promovidos por ela em parceria com projetos implementados nas escolas básicas, e depois puderam formar-se nos cursos superiores de Arqueologia e de Ciências da Natureza trazidos para a cidade de São Raimundo Nonato. Pensando em desenvolver o turismo, foram trazidos ceramistas para capacitar a população local na produção de cerâmica artesanal, assim como foram financiados cursos para criar abelhas e produzir mel, oferecendo, para a população local, alternativas sustentáveis de renda, para que não mais precisassem explorar o parque.
Quando não se falava em empoderamento das mulheres, Niède não falava, mas praticava isso. Fez questão de que todas as guariteiras do Parque fossem mulheres. É o único Parque Nacional do Brasil em que somente mulheres recepcionam os turistas. A essas mulheres foi garantido sustento e proteção, inclusive contra violência doméstica. Diziam na cidade: "Não mexam com as mulheres da Dra. Niède!” E lá todos sabiam que era valente como uma onça!
(Adaptado de: AJZENBERG, Elza. "O legado de Niède Guidon", disponível em https://jornal.usp.br, e de BIAL, Pedro. "Niède Guidon", em Laboratório de Popularização da Ciência, UFES, disponível em: https://leb.ufes.br/)