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Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células próprias do indivíduo. Esse crescimento pode formar tumores capazes de causar lesões e afetar o funcionamento do órgão onde ele se desenvolve e mesmo invadir outros tecidos e órgãos e espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. Sobre os diversos tipos de cânceres, é INCORRETO afirmar:

A Vírus de DNA e retrovírus podem estar envolvidos com a gênese de determinados tipos de tumores malignos.
B Tecidos com baixas taxas de renovação celular estão mais sujeitos a formar tumores degenerativos.
C O sistema imune está normalmente envolvido no combate às células cancerosas, mas, ao contrário da leucocitose de defesa imune, a leucocitose da leucemia é um evento anormal e danoso.
D Estilos e hábitos de vida podem favorecer a origem e o desenvolvimento de determinados tipos de câncer.
E A tendência para desenvolver determinados tipos de câncer pode ser herdada geneticamente, mas não determina a obrigatoriedade de desenvolvimento da neoplasia.

Durante muito tempo os cientistas ficavam intrigados com o fato de que vinte diferentes aminoácidos compunham as proteínas e o DNA apenas (ATCG) e o RNA quatro diferentes nucleotídeos (AUCG). Se as proteínas derivavam de sequências do DNA copiadas em RNAm, deveria haver informação na forma de código. Vários trabalhos científicos se somaram para a determinação do código genético formado por 64 trincas que devem ser traduzidas sequencialmente. Considerando o código genético degenerado e universal, assinale a afirmação INCORRETA.

A A tradução de uma sequência de RNAm depende de diferentes RNAt que transportam aminoácidos específicos de acordo com os anticódons que possuem.
B A universalidade do código genético permite que a insulina humana possa ser produzida por procariontes.
C Mutações nas sequências de DNA que não são traduzidas não têm consequência para a síntese proteica.
D Mutações que removem nucleotídeos da sequência gênica no DNA podem determinar a terminação precoce da tradução.
E O fato de ser degenerado significa que nem toda mutação que altera a sequência do RNAm também altere a sequência proteica traduzida.

A designação de Doença Hemolítica do Recém-Nascido é relativamente fácil de compreender, mas o significado do termo Eritroblastose Fetal não é tão obvio para muitos professores e para a maioria dos alunos secundaristas. A presença de grande quantidade eritroblastos, que são células nucleadas precursoras de eritrócitos no sangue do feto ou do recém-nascido, indica que a sua medula óssea está liberando essas células na corrente sanguínea, antes que ocorram as etapas necessárias à produção de eritrócitos maduros. Essa liberação, para a corrente sanguínea, de células imaturas normalmente ocorre devido à estimulação excessiva da medula óssea vermelha em razão da presença de uma anemia severa ou outro quadro de carência eritrocitária, como ocorre na anemia hemolítica causada por anticorpos anti-Rh maternos que passaram para fetos Rh+. Sobre este assunto, é INCORRETO afirmar:

A A Eritroblastose Fetal surge quando uma mãe Rh - que já tenha gestado um filho Rh+ ou que já tenha entrado em contato com sangue Rh + (durante uma transfusão sanguínea inadequada) gesta uma criança com sangue Rh + .
B A prevenção da doença pode ser conferida pela administração de vacina com o antígeno-Rh logo após o parto, para que a mãe possa destruir os eritrócitos fetais que passarem pela placenta na segunda gravidez.
C A produção materna de anticorpos anti-Rh se inicia após a primeira exposição ao antígeno, e nas subsequentes gestações com feto Rh positivos, os alo-anticorpos anti-Rh, por serem da classe IgG, podem atravessar a barreira placentária.
D Anticorpos anti-A e anti-B de uma mãe do grupo O são da classe IgM e não atravessam significativamente a placenta até a circulação fetal, não afetando fetos dos grupos A ou B.
E Caso seja detectado que o feto está com eritroblastose, pode ser feita uma transfusão de sangue Rh- para bebê ainda no útero ou logo após o parto, como medida terapêutica.

Assim, políticos, seus partidos e a corrupção foram eleitos os inimigos comuns. O próximo passo foi quase natural: “eles são os inimigos do Brasil”. Daí veio o orgulho de ser brasileiro cantado nas mani-festações e a bandeira nacional vestida como manto – ou capa para aqueles que se sentiam heróis. (João Sicsu — publicado 03/07/2013 10h29. In.: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-naciona-lismo-das-manifestacoes-2311.html. consulta em 21/09/2016) O trecho acima, que também trata dos manifestantes de 2013, trata-se de uma análise de João Sicsu, colunista da Carta Capital e professor do Instituto de Economia da UFRJ. No trecho em destaque sobre o nacionalismo, só é CORRETO afirmar:

A Apesar da pluralidade, 2013 levou as massas a unirem-se na eleição de inimigos comuns: os políticos, seus partidos e a corrupção.
B As Jornadas de 2013 trataram de temas brasileiros, de problemas nacionais, mostrando um dis-tanciamento com as questões internacionais.
C Como fenômeno aqui no Brasil, diferente da Europa, é quase consequência natural; já prescinde de heróis como lá, aqui ele é feito por pessoas.
D Confirma que o sentimento de nação é muito mais forte quando se elegem inimigos para o país do que quando advém do sentimento de orgulho.
E Na carência de heróis, transformou em heróis pessoas comuns que, ao vestirem a bandeira na-cional, passaram a espelhar o Brasil.

Em relação ao Brasil, as questões nacionais são objeto de estudos na tentativa de sua compreensão e encaminhamento. Segundo José Murilo de Carvalho: “os mitos nacionais, especialmente os mitos de origem, e os heróis nacionais são alguns dos instru-mentos mais poderosos para a construção das identidades nacionais [...]. A falta de identificação dos brasileiros com sua própria história é equiparada à falta de confiança nos líderes políticos, e mesmo pela sua clara rejeição a eles, incluindo aqueles eleitos para os mais altos cargos. (CARVALHO, José Murilo de. Nação imaginária: memória, mitos e heróis. In: NOVAES, Adauto (Org.). A crise do Estado-Nação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p.p.398-412). A partir do trecho e com base nos conhecimentos sobre identidade nacional, é CORRETO afirmar:

A A ausência de lutas na emancipação e constituição da nação brasileira marcou uma trajetória singular de afirmação do Estado brasileiro em comparação aos seus pares na América Latina e excluiu a adoção de D. Pedro I como o único herói nacional e mito fundador possível.
B Nos últimos anos, é evidente a descrença dos brasileiros sobre seus líderes políticos, entretanto nem sempre foi assim, já que heróis como Tiradentes, D. Pedro I e Duque de Caxias eram exal-tados e representavam consenso com relação ao modelo e à imagem para o país.
C O Brasil não é nacionalista, não possui heróis que lhe sirvam de modelo como em outras nações no mundo e, por isso, não se identifica com uma identidade nacional capaz de construir caracte-rísticas que lhe deem coesão e sentimento de pertencimento.
D Os mitos e heróis são importantes na construção de uma memória nacional para organizar o passado, tornar o presente inteligível e encarar o futuro. Porém, no caso brasileiro, se carece de heróis nacionais e de mitos fundadores que fossem consenso da população.
E Sem mitos nacionais e mitos de origem, o Brasil precisou imaginar sua nação de uma outra forma. A cultura dominante elegeu o Carnaval e o futebol como elementos da identidade nacional em contraposição à valorização da natureza, herança do colonizador português.

Leia o trecho a seguir servirá de base para questão que se segue: A formação da opinião pública começou com a destruição da imprensa livre. Nas semanas e meses que se seguirão a 30 de janeiro de 1933, cerca de 2 mil jornalistas alemães, incluindo escritores ju-deus, liberais, conservadores, apolíticos, socialdemocratas e comunistas sofreram a perda de seus empregos, prisão, exílio forçado ou, às vezes, uma combinação dessas três formas de perseguição. A grande maioria dos jornalistas permaneceu em seus empregos. O controle da imprensa implicava tanto a expulsão e repressão a suspeitos de dissidência, o que abria vagas para membros do Partido Nazista, como a adaptação oportunista por parte de jornalistas que adotaram a causa das elites con-servadoras do novo regime. Ao todo, 200 jornais socialdemocratas e 35 jornais comunistas, de circu-lação conjunta de aproximadamente 2 milhões de unidades, foram fechados. Em julho de 1933, os jornais da editora Mosse, incluindo um dos carros-chefes do liberalismo alemão, o Berliner Tageblatt, sucumbiu à Gleichshaltung, ou “coordenação”, o termo nazista para a purga, a incorporação e o con-trole das várias instituições da sociedade política, economia e cultura alemãs. Em 4 de outubro de 1933, a Lei de Controle Editorial formulada pelo diretor de imprensa da Reich, Otto Dietrich, colocou todos os editores de jornais e periódicos sob controle governamental, o que acabou assim com qual-quer pretensão de liberdade de imprensa. Os editores precisavam ser “arianos” e não podiam ser casados com alguém não ariano. Dessa forma, a lei bania judeus e todos aqueles casados com judeus da prática jornalista. Todos os editores deviam ser membros da Liga da Imprensa Alemão do Reich, cujo diretor era Dietrich. A lei estabelecia tribunais controlados pela liga que podiam punir ou banir editores suspeitos de terem violado os requerimentos da lei. Em 12 de dezembro de 1933, importantes serviços alemães de imprensa juntaram-se para formar a Agência Alemã de Notícias (Deutsches Na-chrichtenbüro ou DNB), que, por sua vez, foi colocada sob supervisão do Escritório de Imprensa de Dietrich no Ministério da Propaganda. A imprensa alemã tornara-se monopólio estatal. (HERF, Jeffrey. Inimigo Judeu: propaganda nazista durante a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. São Paulo: Edipro, 2014. p.60) O trecho acima narra o percurso de controle da imprensa pelo Partido Nazista, no processo de im-plantação da Ditadura hitlerista na Alemanha. Tudo isso nos faz pensar na importância de uma im-prensa livre e múltipla para a manutenção das democracias. Sobre o controle da imprensa alemã e em relação ao mundo nazista, os impactos desse controle da imprensa e a seletividade dos que podiam escrever e publicar, assim como os valores impostos leva-ram à

A formação de uma nova identidade nacional sob valores modernos, abandonando o passado da Alemanha após o fracasso retumbante na Primeira Grande Guerra.
B garantia de que a sociedade apoiasse um regime totalitário e ditatorial, mesmo diante dos avan-ços democráticos do período experimentados pós-República de Weimar.
C mobilização da opinião pública pelo esforço de guerra e à constituição de um inimigo comum a ser combatido (o judeu), justificando políticas de segregação e extermínio.
D montagem de forças de coesão capazes de criar sentimentos nacionais importantes junto à po-pulação para o fortalecimento do Estado alemão que levaram à vitória na Segunda Guerra.
E valorização da raça ariana como superior às demais, no aspecto nacional e combate ao desem-prego, com a reserva de trabalho a alemães, no aspecto econômico-social.

Matutos, caipiras, jecas: certamente era com esses olhos que, em 1950, os 10 milhões de citadinos viam os outros 41 milhões de brasileiros que moravam no campo, nos vilarejos e cidadezinhas de menos de 20 mil habitantes. Olhos, portanto, de gente moderna, “superior”, que enxerga gente atra-sada, “inferior”. (MELLO, João Manuel Cardoso de; NOVAIS, Fernando A. Capitalismo Tardio e Soci-abilidade Moderna. In.: SCHWARCZ, Lilia Moritz (org). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 574) O trecho revela a relação conturbada entre o campo e a cidade na modernidade brasileira. Sobre isso, é CORRETO afirmar:

A A cidade oferecia a aventura e a novidade. O campo oferecia as certezas. No campo, estava a certeza da continuidade e da garantia da terra na produção de alimentos, vitais para as necessi-dades para a vida do homem.
B A estrutura social do campo no Brasil era marcada por uma hierarquização social rígida: latifun-diários capitalistas no topo e trabalhadores assalariados abaixo, produzindo exclusivamente para o mercado.
C Expõe a fratura campo X cidade. A vida na cidade atrai e fixa, porque oferece melhores oportu-nidades e acena um futuro de progresso individual, enquanto o campo, ao contrário, marcado por incertezas, repele e expulsa.
D No Brasil sempre se manteve uma distância muito grande entre o urbano e o rural. O rural ficava isolado, distante, sem contato com os serviços e as modernidades e, assim, mantinha-se igno-rando o que acontecia no país.
E Oportunidades de trabalho na indústria, comércio, transportes, construção etc. eram frutos da urbanização rápida do país, levando milhões de migrantes da área rural, que ali encontravam planejamento e equilíbrio.

“Ela é imaginada como uma comunidade porque, independentemente da desigualdade e da explora-ção efetiva que possam existir dentro dela, a nação sempre é concebida como uma profunda cama-radagem horizontal. No fundo, foi essa fraternidade que tornou possível, nestes dois últimos séculos, que tantos milhões de pessoas tenham-se disposto não tanto a matar, mas sobretudo a morrer por essas criações imaginárias limitadas. (ANDERSON, Benedict. Nações Imaginadas. São Paulo: Com-panhia das Letras, 2008. p. 34) Anderson

( 2008 ) refere-se à nação, sob um olhar antropológico, como uma comunidade política ima-ginada e traduzida, assim, por uma fraternidade capaz de possibilitar as guerras mundiais. A Primeira Grande Guerra (1914-1918) foi o primeiro conflito, de dimensão mundial, que rompeu com o intervalo de “paz” após as guerras napoleônicas. Sobre a Primeira Grande Guerra, considerando o conceito de comunidades imaginadas de Anderson, é CORRETO afirmar:

A A derrota da Alemanha e seus aliados na Primeira Grande Guerra definiu as nações entre ven-cedores e perdedores. As nações perdedoras carregaram a pecha da vergonha e tiveram que recomeçar. As nações vencedoras provaram sua superioridade, resolveram as antigas rivalida-des e reforçaram seus governos vitoriosos.
B A guerra exigiu dos seus indivíduos a crença de que a vitória dependia de sua coragem e resis-tência em defender a nação de um inimigo: o estrangeiro. O estrangeiro era, assim, acima de tudo, tomado como o assassino do irmão, independente da distância consanguínea ou de classe social desse irmão.
C A guerra se relaciona com o contexto do imperialismo, que colocou frente a frente nações em disputas territoriais e por recursos. Cada indivíduo nacional carregava a consciência de ser parte necessária da luta pela competitividade que garantiria a sobrevivência econômica, e conse-quente política da nação.
D O conflito mobilizou os ódios e os brios nacionais sob um aspecto etnocêntrico. Cada nação se considerava com superioridade inquestionável frente às outras, o que fez com que soldados, de um lado e de outro, se enfrentassem para provar que eram mais fortes e preparados para sobre-viver, colocando as questões territoriais em segundo plano.
E O grande articulador da coesão nacional entre os indivíduos foi o temor da morte. Não havia sentimento nacional consolidado antes da Guerra eclodir. A possibilidade iminente da morte criou laços fraternos entre os soldados, que precisavam defender-se dos inimigos juntos, para perpe-tuarem-se, enfim, como nação.

O crescimento da ultradireita no mundo europeu é um fenômeno atual, visível e preocupante. Atenta-dos e passeatas têm marcado a rotina da sociedade europeia atual. Esses movimentos são

A ultranacionalistas, com a tendência de repudiarem os imigrantes em apoio à União Europeia como a única capaz de fortalecer as nações que a formam.
B tomados como indicativos da crise político-partidária, já que demonstram insatisfação com os políticos tradicionais de esquerda e buscam novos nomes.
C isolados, são fenômenos tipicamente das sociedades europeias e do histórico de ódio cultural que levaram às duas grandes guerras mundiais.
D contra o multiculturalismo, atacando estrangeiros e diferentes com a justificativa de que corrom-pem a cultura e ameaçam a unidade nacional.
E conjunturais, pois cresceram com a crise econômica e as políticas de austeridade e tendem a desaparecer com a estabilização das economias.

Em 9 de novembro de 1938, há quase oitenta anos, nazistas mataram judeus, incendiaram sinagogas, saquearam e destruíram lojas da comunidade judaica, na Alemanha e Áustria, no episódio que ficou conhecido como “A noite dos Cristais”. A empreitada fez parte da perseguição aos judeus, apontados como inimigos dos alemães, e foi marcada por violência e destruição generalizada e sob apoio insti-tucional. O evento de 1938 é considerado como um dos mais importantes momentos da política anti-judaica nacional-socialista, nazista e que, após o massacre, foi concentrada cada vez mais concreta-mente nas mãos das SS. Sob a política anti-judaica no regime nazista, considerando os impactos da “Noite dos Cristais”, é CORRETO afirmar:

A Após este acontecimento, radicalizaram-se as medidas destinadas a eliminar os judeus da vida alemã, com a adoção de políticas de emigração forçada, deportação para o leste europeu e, posteriormente, o extermínio sistemático.
B As repercussões da “Noite dos Cristais” foram contrárias aos anseios do Partido Nazista. Os civis alemães reagiram e protestaram contra a violência e as potências mundiais abriram suas portas para receber imigrantes judeus.
C Explicitaram o ódio visceral dos alemães pelos judeus. A fúria contra o judaísmo, represada por gerações, foi desencadeada. A violência e humilhação levaram à intimidação dos judeus e sua retirada imediata do mundo europeu.
D O evento foi realizado, com o apoio estatal e do próprio führer, ampliando a participação dos civis alemães no combate aos inimigos de estado e dando apoio iminente imediato à guerra e à polí-tica de limpeza étnica do projeto nazista.
E Vista como uma explosão espontânea de raiva justificada, indicou a culpa dos judeus sobre a situação de decadência econômica e social da Alemanha, que, há muito tempo, vivenciava uma guerra interna contra um inimigo no seu próprio país.