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Oh! Minas Gerais

O irresistível sotaque dos mineiros me encanta.

Sei que deveria ir mais a Minas Gerais do que vou, umas duas, três vezes ao ano. Pra rever meus parentes, meus amigos, pra não perder o sotaque.
Sotaque que, acho eu, fui perdendo ao longo dos anos, desde aquele 1973, quando abandonei Belo Horizonte pra ir morar a mais de dez mil quilômetros de lá.
Senti isso quando, outro dia, pousei no aeroporto de Uberlândia e fui direto na lanchonete comer um pão de queijo que, fora de brincadeira, é mesmo o mais gostoso do mundo.
- Cê qué qui eu isquento um tiquinho procê?
Foi assim que a mocinha me recebeu, quase de braços abertos, como se fosse uma amiga íntima de longo tempo.
Sei não, mas eu acho que o sotaque mineiro aumentou – e muito – desde que parti. Quando peguei o primeiro avião com destino à felicidade, todos chamavam o centro de Belo Horizonte de cidade. O trólebus subia a Rua da Bahia, as pessoas tomavam Guarapan, andavam de Opala, ouviam Fagner cantando Manera Fru Fru , Manera, chamavam acidente de trombada e a polícia de Radio Patrulha.
Como pode, meu filho mais velho, que nasceu tão longe de Beagá, e, que hoje mora lá, me ligar e perguntar:
- E ai pai, tudo jóia, tudo massa?
A repórter Helena de Grammont, quando ainda trabalhava no Show da Vida, voltou encantada de lá e veio logo me perguntar se o sotaque mineiro era mesmo assim ou se estavam brincando com ela. Helena estava no carro da Globo, procurando um endereço perto de Belo Horizonte, quando perguntou para um guarda de trânsito se ele poderia ajudá-la. A resposta veio de imediato.
- Cê ségui essa istrada toda vida e quando acabá o piche, cê quebra pra lá e continua siguino toda vida!
Já virou folclore esse negócio de mineiro engolir parte das palavras. Debaixo da cama é badacama , conforme for é confórfô , quilo de carne é kidicarne , muito magro é magrilin , atrás da porta é trádaporta , ponto de ônibus é pôndions , litro de leite é lidileiti , massa de tomate é mastumati e tira isso daí é tirisdaí .
Isso é verdade. Um garoto que mora em São Paulo foi a Minas Gerais e voltou com essa: Lá deve ser muito mais fácil aprender o português porque as palavras são muito mais curtas.
Mineiro quando para num sinal de trânsito, se está vermelho, ele pensa: Péra . Se pisca o amarelo: Prestenção . Quando vem o verde: Podií .
Mas não é só esse sotaque delicioso que o mineiro carrega dentro dele. Carrega também um jeitinho de ser.
A Gabi, amiga nossa mineira, que mora em São Paulo há anos, toda vez que vem, aqui em casa, chega com um balaio de casos de Minas Gerais.
Da última vez que foi a Minas, ela viu na mesa de café da tia Teresa uma capinha de crochê, cobrindo a embalagem do adoçante. Achou aquilo uma graça e comentou com a tia prendada. Pra quê? Tem dias que Teresa não dorme, preocupada querendo saber qual é a marca do adoçante que a Gabi usa, pra ela fazer uma capinha igual, já que ela gostou tanto. Chega a ligar interurbano pra São Paulo:
- Num isquéci de mi falá a marca do seu adoçante não, preu fazê a capinha de crocrê procê...
Coisa de mineiro.
Bastou ela contar essa história que a Catia, outra amiga mineira – e praticante – que estava aqui em casa também, contar a história de um doce de banana divino que comeu na casa da mãe, dona Ita, a última vez que foi lá. Depois de todos elogiarem aquele doce que merecia ser comido de joelhos, ela revelou o segredo:
- Cês criditam que eu vi um cacho de banana madurin, bonzin ainda, no lixo do vizinho, e pensei: Genti, num podêmo dispidiçá não!
Mais de quarenta anos depois de ter deixado minha terra querida, o jeito mineiro de ser me encanta e cada vez mais.
Quer saber o que é ser mineiro? No final dos anos 80, quando o meu primeiro casamento se acabou, minha mãe, que era uma mineira cem por cento, queria saber se eu já “tinha outra”, como se diz lá em Minas Gerais. Um dia, cedo ainda, ela me telefonou e, ao invés de perguntar assim, na lata, se eu já tinha um novo amor, usou seu modo bem mineiro de ser:
- Eu tava pensâno em comprá um jogo de cama procê, mas tô aqui sem sabê. Sua cama nova é di casal ou di soltero?

ADAPTADO. VILLAS, Alberto. Oh! Minas Gerais. In: Carta Capital. Publicado em 10 fev. 2017. Disponível em https://www.cartacapital.com. br/cultura/oh-minas-gerais.

Em “Mineiro quando para num sinal de trânsito, se está vermelho, ele pensa: Péra .”, o termo destacado desempenha a função de

A introduzir uma oração subordinada substantiva.
B sinalizar a indeterminação de sujeito.
C partícula expletiva para realçar a oração principal.
D introduzir uma oração subordinada adjetiva.
E introduzir uma oração subordinada adverbial.
Texto associado
SOLIDÃO INTERATIVA

Ronaldo Coelho Teixeira

A primeira vez que vi esse termo foi por
meio de um jeca superjóia: Juraildes da Cruz.
Tocantino de Aurora, radicado em Goiânia, Goiás
e um dos maiores compositores contemporâneos
brasileiros. Não seria pra menos! Afinal, foi ele
quem criou o hit que Genésio Tocantins espalhou
pelo Brasil por meio do Domingão do Faustão, na
TV Globo, em 1999. “Nóis é jeca, mas é joia”, aquele
da farinhada, feita da mandioca, da macaxeira ou
do aipim, a depender da região brasileira. Sacada
de mestre, de quem está sempre antenado ao
mundo e aos seus. Juraíldes da Cruz em sua letra,
visionária – como tudo o que os gênios, as antenas
da raça fazem – já arrepiava: “Tiro o bicho de pé
com canivete, mas já tô na internet”. E isso quando
a www ainda engatinhava.

Mas com esse achado que agora evoco aqui,
o artista quer mesmo é alertar para o mau uso
das tecnologias, sobre coisas que o homem cria,
mas que geralmente acaba escravo delas. Solidão
interativa foi cunhado pelo sociólogo francês
Dominique Wolton. Em sua tese, o autor alerta
quanto ao cuidado para com o uso da internet,
principalmente das redes sociais, chamando
a atenção para um detalhe vital no avanço das
tecnologias de comunicação: não importam formas
e meios de expressão, a comunicação humana não
foi, não é e nunca será algo tão simples, sempre vai
conter grandeza e dificuldade.

Wolton justifica-se dizendo que a internet é
incrível para a comunicação entre pessoas e
grupos que tenham os mesmos interesses, mas
está longe de ser uma ferramenta de comunicação
de coesão entre pessoas e grupos diferentes. E
que por isso, a internet não é uma mídia, mas um
sistema de comunicação comunitário. Ele prova
isso afirmando que podemos passar horas, dias na
internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira
relação humana com quer que seja.

A solidão interativa grassa nas redes sociais,
especialmente no facebook. São fotos e fotos
postadas – a maioria – forjando uma felicidade
quando, na verdade, é tudo fake. As mais usuais
são aquelas em que o autor se autofotografa – as
famosas selfies – e sai espalhando-as de um dia
para o outro, quando não, de uma hora para outra.

Tem as gastronômicas. Aquelas em que o autor
antes de comer um prato ou uma iguaria especial,
fotografa e já a lança na rede como a dizer que está
podendo. Mas aquela comidinha do dia a dia, a
da vida real, ele jamais vai postar. Ovo frito? Nem
pensar! E aquelas dos momentos felizes? Sim, tem
gente que acha que os seus instantes de lazer e
diversão têm que, obrigatoriamente, ser vistos
por todos. E lá vai um post ao lado do namorado
ou namorada, dos amigos, geralmente com ares
de forçação de barra. Porque a gaiola do tempo,
forjada por nós mesmos, só pode ser aberta pela
chave da felicidade plena.

E tem aquela que é emblemática: a mensagem
em que o internauta revela o status do seu
sentimento. Mas o ápice da solidão interativa está
naquela figura que posta alguma coisa e ela mesma
vai lá e a curte. De dar dó, não?

Temos milhares de ‘amigos’ nessa cornucópia
virtual. Nessa Caixa de Pandora do Século XXI,
eis-nos diante de uma incoerente quimera: o
autoengano. [...]

O autoengano é peça-chave para a nossa
sobrevivência. Mentimos – a partir dos dois meses de
idade – não só para os outros, mas, principalmente,
para nós mesmos. Mesmo protegidos na redoma da
interatividade, continuamos sós, ali, onde apenas
a solidão nos alcança. Enquanto teclamos a torto
e a direito, sugerindo que estamos sempre ON, a
vida verdadeira continua OFF. E nunca nos damos
conta de que, no fim, toda a solidão que nos rodeia,
essa sim, é real. Porque bytes, bits e pixels não
transmitem calor. E o verbo sem o hálito quente é
apenas palavra morta.

Adaptado de:< http://lounge.obviousmag.org/espantalho_lirico/
2016/08/solidao-interativa.html >.

Em “Nessa Caixa de Pandora do Século XXI,
eis-nos diante de uma incoerente quimera : o
autoengano.”, a palavra destacada pode ser
substituída, sem prejuízo de sentido, por

A verdade.
B ilusão.
C tristeza.
D constatação.
E situação.
Texto associado
Os transtornos alimentares são caracterizados por uma perturbação persistente na alimentação ou no comportamento relacionado à alimentação que resulta no consumo ou na absorção alterada de alimentos e que compromete, significativamente, a saúde física ou o funcionamento psicossocial. Sobre esse grupo de transtornos, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.

A proporção feminino-masculino da Bulimia Nervosa é de aproximadamente 2:1.

C Certo
E Errado

Homem, 46 anos, portador do vírus da
imunodeficiência humana há sete anos,
com abandono do tratamento há dois anos,
recebeu diagnóstico médico recente de
tuberculose pulmonar. São atribuições do
enfermeiro no atendimento ao paciente com
tuberculose, EXCETO

A identificar os sintomáticos respiratórios.
B realizar assistência integral às pessoas e famílias
na UBS e, quando indicado ou necessário, no
domicílio ou nos demais espaços comunitários.
C realizar consulta de enfermagem, conforme
protocolos ou outras normativas técnicas
estabelecidas pelo gestor municipal, observadas
as disposições legais da profissão.
D solicitar exames (BAAR, raio-X de tórax, cultura,
identificação e teste de sensibilidade para BK,
prova tuberculínica)
E dar alta por cura aos pacientes após o tratamento.

Uma funcionária da empresa X trabalhou nos meses de janeiro a setembro com uma demanda de trabalho muito elevada. A cobrança de sua chefia era demasiada e, mesmo diante de muitos fatores estressantes, ela atingiu um ótimo desempenho nesses nove meses seguidos. No entanto, no mês seguinte, outubro, essa funcionária teve uma quebra brutal em seu desempenho, relata não ter mais energia para trabalhar, sente-se esgotada, com a motivação diminuída e com atitudes, diante de si e dos outros, pessimistas. Diante deste histórico, pode-se concluir que essa funcionária

A pode ter desenvolvido depressão, pois esse estado causa baixo desempenho devido as suas alterações bioquímicas.
B pode ter desenvolvido a síndrome de burnout, sendo acometida por problemas pessoais, familiares e/ou sociais.
C desenvolveu transtorno de estresse, uma vez que vivenciou eventos estressores por um longo período.
D pode estar com Síndrome de burnout, que se desenvolve somente no ambiente laboral, causando despersonalização.
E pode estar com transtorno de adaptação, uma vez que seu rendimento diminuiu devido a sua dificuldade de se adaptar a eventos estressores.

Em uma dada tubulação, com diâmetro interno de 5,00 cm, a vazão máxima prevista de projeto é de 3,93 l/s. Nessas condições, a velocidade média para a vazão máxima na tubulação é de aproximadamente

Obs.: Adote π = 3,14

A 1, 50 m/s
B 2,00 m/s
C 2,50 m/s
D 3,00 m/s
E 3,50 m/s

Uma mistura é composta por leite e
achocolatado líquido. Sabe-se que o
preparado tinha 121 ml e foi feito colocandose
certa quantidade de leite e, em seguida,
o achocolatado líquido, correspondendo a
10% da quantidade de leite. Nesse caso, a
quantidade de leite na mistura era

A 106 ml.
B 133,1 ml.
C 108,9 ml.
D 100 ml.
E 110 ml.
Órgão: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBSERH Cargo: Analista Administrativo - Área Contabilidade Prova: Instituto AOCP - EBSERH - Analista Administrativo - Área Contabilidade - 2017
Texto associado
O setor de microbiologia é um dos mais importantes e demanda maior conhecimento por parte dos trabalhadores que nele atuam, devido à minuciosidade das técnicas empregadas e também da dificuldade dos assuntos tratados pelos exames realizados no setor. Com base nos conhecimentos sobre microbiologia e nas atividades realizadas no setor, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.

Quando é necessário realizar a esterilização de substâncias líquidas que não suportam o aquecimento e perdem suas propriedades, deve-se utilizar, como método de esterilização, a radiação ultravioleta para esterilizá-las.

C Certo
E Errado
Órgão: Universidade Federal da Bahia Cargo: Técnico de Laboratório - Área: Análises Clínicas Prova: Instituto AOCP - UFBA - Técnico de Laboratório - Área: Análises Clínicas - 2017

Carlos é assistente em administração de uma organização na qual foi definido que a autoridade e a responsabilidade serão distribuídas entre as pessoas ou órgãos da organização, ficando sujeitos a se reportarem e a justificarem os resultados de suas atividades aos seus superiores na cadeia de comando. Há pagamento de bônus pelos resultados bem-sucedidos. Qual é esse mecanismo adotado?

A Avaliação.
B Tarefa.
C Controle.
D Centralização.
E Atribuição.