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Leia o trecho a seguir. Não foram apenas os intelectuais racistas formuladores das propostas de branqueamento racial ou os propagadores da mestiçagem hierarquizada e cordial que viram os povos bantos como dotados de um conjunto de práticas desprovidas de maior profundidade. Até mesmo intelectuais comprometidos com a valorização das culturas africanas para a formação da identidade brasileira consideraram os saberes e espiritualidades dos bantos menos sofisticados, complexos e elaborados do que os dos iorubás, trouxeram ao Brasil o culto dos orixás. SIMAS , Luiz Antonio. Umbandas: uma história do Brasil . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022. Com base no trecho, que aborda as tensões em torno das culturas africanas no Brasil, assinale a afirmativa correta.

A A categorização das culturas africanas reproduziu uma lógica de dominação mesmo em discursos que buscaram exaltar a herança cultural dos subalternizados.
B Os ideólogos conservadores da mestiçagem tomaram as culturas banto como exemplares das características então desejadas para a sociedade brasileira.
C A hierarquização das culturas africanas foi uma estratégia deliberada das elites coloniais para dividir as populações escravizadas e enfraquecer a resistência cultural.
D Os intelectuais reconhecedores da influência positiva das culturas africanas no Brasil tomaram a simplicidade das culturas banto como modelo.
E A predominância dos cultos de matriz iorubá no imaginário brasileiro reflete imparcialidade na valorização das diferentes culturas trazidas ao Brasil.

No trecho a seguir, Pierre Clastres apresenta uma leitura sobre a organização política das sociedades sem Estado. [O] que os selvagens [sic] nos mostram é o esforço permanente para impedir os chefes de serem chefes, é a recusa da unificação, é o trabalho de conjuração do Um, do Estado. A história dos povos que têm uma história é, diz-se, a história da luta de classes. A história dos povos sem história é, dir-se-á com ao menos tanta verdade, a história da sua luta contra o Estado. CLASTRES , Pierre. A sociedade contra o Estado . São Paulo: Cosac Naify, 2003. Assinale a opção que melhor representa a concepção do autor.

A A luta dessas sociedades é uma etapa primitiva da dialética histórica que culminará no conflito de classes moderno.
B A inexistência de um Estado decorre da imaturidade de suas instituições políticas, ainda em processo de formação.
C A oposição à unificação do poder está enraizada em sistemas mitológicos que associam chefes a forças cósmicas perigosas.
D A negação do Estado se opera por meio de estratégias coletivas que bloqueiam a formação do poder coercitivo.
E A organização política baseia-se em lideranças consensuais, nas quais o governo existe sem hierarquia fixa.

No fragmento a seguir, Marcel Mauss discorre sobre a vida econômica em determinadas sociedades não ocidentais, propondo um contraste em relação às concepções modernas. [T]oda essa economia muito rica está cheia de elementos religiosos: a moeda tem ainda seu poder mágico e ainda está ligada ao clã ou ao indivíduo; as diversas atividades econômicas, por exemplo o mercado, ainda estão impregnadas de ritos e de mitos; conservam um caráter cerimonial, obrigatório, eficaz; estão repletas de ritos e de direitos. É algo muito diferente do útil que circula nessas sociedades, a maioria delas já bastante esclarecidas. MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003. De acordo com o fragmento, assinale a afirmativa correta.

A As trocas comerciais são acompanhadas por ritos complementares voltados ao reforço de laços sociais.
B A dimensão do sagrado interfere na vida econômica coletiva à maneira de uma particularidade étnica.
C As trocas estão imersas em dimensões simbólicas e se situam para além do nível estritamente utilitário.
D A relação entre religiosidade e economia altera o pragmatismo da vida cotidiana durante celebrações.
E As práticas econômicas são rudimentares e ainda estão subordinadas às esferas política e religiosa.

Pierre Bourdieu foi um dos principais sociólogos do século XX. Em sua vasta produção intelectual, Bourdieu foi um dos responsáveis pela atualização de um conceito aristotélico, também utilizado por Marcel Mauss, e que ocupa um lugar central nos debates sobre corpo, indivíduo e sociedade. No vocabulário de Bourdieu, tal conceito é definido do seguinte modo: “[…] é uma noção mediadora que ajuda a romper com a dualidade de senso comum entre indivíduo e sociedade ao captar a interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade, ou seja, o modo como a sociedade se torna depositada nas pessoas sob a forma de disposições duráveis, ou capacidades treinadas e propensões estruturadas para pensar, sentir e agir de modos determinados, que então as guiam nas suas respostas criativas aos constrangimentos e solicitações do seu meio social existente.” O conceito renovado por Bourdieu nessa definição é o de:

A habitué;
B hábito;
C habitus;
D ação social;
E agência.

A antropóloga brasileira Fabiola Rohden, em um artigo publicado em 2002 e dedicado às contribuições de Marilyn Strathern sobre o tema do parentesco, escreveu: “Os sistemas de parentesco e as formas de família são pensados como arranjos sociais que têm como base a reprodução biológica. Esses arranjos são vistos como passíveis de assumirem formas diversificadas em culturas e sociedades diferentes, embora sempre assentados sobre uma mesma e única referência, que são os ‘fatos naturais’ da vida.” Ao apresentar a discussão sobre parentesco, Rohden faz referência ao seguinte dualismo caro aos debates da antropologia contemporânea:

A estrutura e ação;
B natureza e cultura;
C corpo e mente;
D sujeito e objeto;
E subjetividade e objetividade.

Em seu livro “A caminho da cidade”, publicado em 1978, a antropóloga Eunice Durhan escreveu: “A industrialização e a urbanização significam a quebra de isolamento das comunidades tradicionais, a crise do sistema produtivo rural e da estrutura tradicional de autoridade, a negação dos velhos valores, a adoção de novos padrões de comportamento.” O processo social que promove essa transformação da ordem social é(são):

A o progresso científico;
B a aculturação;
C o cerceamento dos campos;
D as migrações;
E as viagens turísticas.